terça-feira, 23 de fevereiro de 2021

Home Office Again

O meu evangelizador do OcoMon ganhou um aliado na sua cruzada contra o home office.

 

Em recente comentário o fabuloso gênio afirmou que o atual presidente da Petrobras está há 11 meses em casa, sem trabalhar.

 

É uma afirmação fascinante. Afinal quem é o chefe do presidente da Petrobras? Como é possível ficar quase um ano sem trabalhar e o chefe não perceber nada?

 

Existem declarações que são um tiro no pé.

 

O fato é que o presidente atual da Petrobras trabalhou remotamente durante o período da pandemia. Não apenas ele. Mas 13 mil e quatrocentos funcionários.

 

Qual foi o resultado obtido? Basta ver o demonstrativo de resultados. Deu lucro? Deu perda?

 

Só olhar os números. É fato que os mercadores do atraso não gostam de números.

 

Números exigem sinapses e sinapses causam dor profunda na cabeça da incompetência e incapacidade.

 

Se o trabalho remoto não funciona então como os presidentes das multinacionais trabalham?

 

Como o presidente da República trabalha quando ele não está no Palácio do Planalto?

 

São muitas perguntas com respostas óbvias.

 

No caso dos 13.400 empregados da Petrobras, 86% classificou o teletrabalho como ótima ou bom. 60% dos funcionários disseram que a produtividade aumentou durante a pandemia.

 

O guru do OcoMon citou na sua postagem o artigo "If Work Is Going Remote, Why Is Big Tech Still Building? Google, Facebook, and others promise more flexibility to work from home. But they’re charging ahead with plans for more offices" (https://www.wired.com/story/work-going-remote-why-big-tech-building/, acessado em 23/02/2021) e apresentou diversos destaques do texto.

 

Sem dúvida o resumo produzido é muito relevante.

 

No entanto faltou citar um detalhe que não consta do artigo da Wired.

 

O preço do metro quadrado caiu absurdamente nos Estados Unidos e as empresas estão investindo em ativos reais para minimizar as incertezas da pandemia.

 

As empresas de tecnologia dos Estados Unidos tiveram lucros espetaculares durante a pandemia e por isto estão sentadas em montanhas de dinheiro.

 

Estamos falando de organizações que sabem explorar as oportunidades de mercado. Com a queda brusca do metro quadrado, com taxa de juros real negativa, com perspectiva de forte crescimento do lucro no curto e médio prazo é mais do que natural a escolha de investir em ativos reais.

 

No caso imóveis e infraestrutura. Isto não significa que elas abandonaram o plano do trabalho remoto.

 

Significa apenas que elas vão contratar mais funcionários no futuro próximo.

 

Vamos olhar o que está acontecendo em um mercado em que o dinheiro não está jorrando pelos ralos.

 

No artigo "Contratação de profissionais de outras cidades vira tendência, dizem especialistas" (Movimento foi impulsionado pelo home office na pandemia, https://www1.folha.uol.com.br/colunas/painelsa/2021/02/contratacao-de-profissionais-de-outras-cidades-vira-tendencia-dizem-especialistas.shtml?utm_source=mail&utm_medium=social&utm_campaign=compmail&origin=folha) ficam claras as tendências do home Office.

 

O trabalho remoto é muito forte no mercado de tecnologia e marketing e está em crescimento no setor financeiro e administrativo.

 

O diretor de uma famosa empresa de recrutamento e seleção disse que as empresas estrangeiras estão contratando profissionais que moram no Brasil.

 

As empresas americanas e portuguesas estão contratando brasileiros em grande velocidade pois não dependem de visto e imigração.

 

O trabalho remoto está se disseminando por vários segmentos da economia segundo uma das maiores consultorias de recursos humanos no Brasil.

 

As empresas nacionais localizadas nas capitais estão contratando profissionais que moram no interior.

 

Especialistas no mercado de recursos humanos afirmam que a nova realidade será de algumas pessoas trabalhando no escritório e uma parte significativa trabalhando de longe.

 

No segundo semestre de 2020, a XP contratou 852 pessoas que moram longe do seu escritório em São Paulo.

 

Na Rappi, a empresa trabalha com vagas que permitem o trabalho em qualquer lugar e com vagas para regiões delimitadas, por exemplo vagas que exigem visitas aos parceiros.

 

Existem equipes em que 65% dos profissionais moram fora de São Paulo. A empresa pode contratar gente no mundo inteiro.

 

A Fintech Will Bank, buscou profissionais no interior de diferentes estados e no estrangeiro. O escritório da empresa é em São Paulo e Vitória. Com a contratação remota, a empresa atraiu candidatos no Brasil inteiro e resolveu o problema de recursos humanos nas áreas críticas.

 

O governo do Brasil em particular deveria ser um grande incentivador do trabalho remoto.

 

Infelizmente o invólucro intelectual limitado dos nossos governantes impendem a visualização do óbvio.

 

Alguns pontos importantes gerados pelo trabalho remoto em massa no Brasil

 

  1. 1.    Eliminação de uma grande parte do custo Brasil causado pelas perdas no trânsito
  2. 2.    Incentivo para interiorização da população eliminando os custos crescentes da infraestrutura das grandes metrópoles como são Paulo
  3. 3.    Incentivo para criação de uma rede de telecomunicações economicamente viável nos estados e municípios mais pobres do Brasil. Para quem quer reduzir a desigualdade o trabalho remoto gera resultados mais promissores e estáveis do que a taxação dos mais ricos.
  4. 4.    Criação rede de ensino de alta qualidade para todos os brasileiros independentemente do local de nascimento
  5. 5.    Aumento da quantidade de brasileiros trabalhando no exterior e morando no Brasil. Entrada de dólares e euros reduzindo pressão cambial e inflação
  6. 6.    Aumento da agilidade empresarial pela eliminação das perdas e desperdícios do deslocamento

 

Citei seis vantagens, mas existem várias dezenas. Convido os leitores para descobrir algumas.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

A miséria da segurança digital no Brasil

Em janeiro de 2021 foi divulgado o vazamento de dados do fim do mundo (O vazamento de dados do fim do mundo, https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ronaldolemos/2021/01/o-vazamento-de-dados-do-fim-do-mundo.shtml?utm_source=mail&utm_medium=social&utm_campaign=compmail&origin=folha, acessado em xx/xx/2021). As informações de todos os brasileiros vivos e mortos estão à venda na internet.

 

No último trimestre de 2020 foram divulgados diversos vazamentos. As informações de centenas de milhões de brasileiros vazaram graças as falhas de segurança digital do governo brasileiro.

 

Fonte 01: Nova falha do Ministério da Saúde expõe dados de 243 milhões de brasileiros na internet, diz jornal, https://g1.globo.com/economia/tecnologia/noticia/2020/12/02/nova-falha-do-ministerio-da-saude-expoe-dados-de-243-milhoes-de-brasileiros-na-internet-diz-jornal.ghtml

 

Fonte 02: Grupo hacker reivindica ataque a 61 sites no Brasil, incluindo TSE, https://www.uol.com.br/tilt/ultimas-noticias/estado/2020/11/25/grupo-hacker-reivindica-ataque-a-61-sites-no-brasil-incluindo-tse.htm

 

Fonte 03: Hackers atacam sistema do TRF-1 e dizem ter baixado bases de dados, https://www.uol.com.br/tilt/noticias/redacao/2020/11/27/hackers-atacam-sistema-do-trf-1-e-dizem-ter-baixado-bases-de-dados.htm)

 

Entre os diversos casos de vazamentos tivemos o caso de um funcionário de um hospital que divulgou as senhas dos sistemas no GitHub (Senha vazada expõe dados da Saúde de 16 milhões de pessoas, https://www.terra.com.br/noticias/coronavirus/senha-vazada-expoe-dados-da-saude-de-16-milhoes-de-pessoas,9e8d78b4bcad3ebb0749eba8ad958372kgcqk1pv.html).

 

Para completar o ciclo de vazamentos foi revelado em fevereiro de 2021 o vazamento das informações de milhões de contas de celulares (Não é notícia repetida: vazaram dados de mais de 100 milhões de contas de celular no Brasil,  https://gizmodo.uol.com.br/vazamento-100-milhoes-linhas-celular/).

 

Pelo visto o novo normal é vazar informações privadas de terceiros.

 

É bem difícil acreditar que todos estes casos são frutos apenas de trabalho externo. Para exportar um banco de dados gigante de quase 250 milhões de CPFs é preciso ter uma senha de administrador e ter uma internet estável e rápida.

 

Poucas pessoas têm acesso à tais recursos. Os vazamentos têm muito cheiro de trabalho interno.

 

Desleixo, incapacidade, desonestidade podem ser as explicações plausíveis para tantos vazamentos em tão pouco tempo.

 

Todos conhecemos a realidade dos profissionais de segurança digital no Brasil. Apenas uma minoria tem conhecimentos suficientes para trabalhar no ramo.

 

Então já era esperado que durante a pandemia ocorresse uma explosão de casos de vazamentos.

 

O problema é que o volume passou da conta. Foram criadas estruturas para a proteção de dados que estão apenas vendo a banda passar.

 

"Estava à toa na vida quando vi o vazamento passar". Onde estão as autoridades competentes para impedir a comercialização das informações vazadas?

 

A pergunta é uma ironia. O Brasil passou o ano de 2020 inteiro discutindo sobre a segurança dos equipamentos de um fabricante chinês da rede 5G.

 

Para que? Aparentemente qualquer um invade qualquer sistema no Brasil e nada acontece.

 

Todos estão livres, leves e soltos vendendo informações roubadas e nada acontece. Um país que já bloqueou o acesso ao Whatsapp não consegue bloquear um fórum?

 

O governo que exigiu a construção de uma rede 5G privativa para vender as licenças do 5G está vendo os anúncios de venda de informações obtidos pelos vazamentos sem fazer nada.

 

Isto é Brasil.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

A mediocridade das métricas

Em todo final de ano as empresas dedicam algum tempo para planejar o ano seguinte. Todas as áreas e departamentos são envolvidos no planejamento.

 

O objetivo das organizações é basicamente o mesmo. Existe uma ou outra variação, mas o fazer mais com menos está presente no planejamento de todas as firmas.

 

Não importa o porte da empresa, nem o mercado de atuação dela, nem a situação geopolítica do país sede da empresa. Todos querem arrumar alguma forma de fazer mais com menos recursos.

 

Invariavelmente os planos sobre melhorias chegam ao território das métricas. Para melhorar é preciso medir.

 

É neste momento que as boas intenções do planejamento morrem. Normalmente as empresas escolhem um conjunto de métricas com base em textos publicados na internet ou em melhores práticas ou nas métricas usadas por um concorrente.

 

O resultado desta forma de seleção das métricas é frustrante, pois raramente o resultado desejado é alcançado.

 

Muitos culpam as métricas pela ausência de resultados, outros dizem que os especialistas contratados são teóricos demais e não entendem do negócio e outros reclamam que as melhores práticas não funcionam.

 

O rol de reclamações deste tópico é muito amplo. São milhares de argumentos que são usados todos os dias contra as métricas.

 

Infelizmente raramente o real problema é analisado e entendido. Por mais que todas as empresas tenham o mesmo objetivo de fazer mais com menos, as condições condicionantes do objetivo são particulares em relação a realidade de cada empresa.

 

Em outras palavras um conjunto de métricas padronizado não consegue capturar a situação atual da operação empresarial e, portanto, não é capaz de gerar um resultado positivo.

 

Isto vale para métricas descritas nas melhores práticas, nas usadas pelos concorrentes e nas descritas nos textos publicados na internet.

 

O conjunto de métricas usado para medir um objetivo de negócio é consequência tanto do objetivo alvo, como das condições condicionantes que existem em torno deste objetivo.

 

É praticamente impossível que um conjunto que funcionou em uma empresa funcione em outra.

 

Mais ainda, o conjunto de métricas deve ser balanceado, pois as métricas individuais conduzem resultados catastróficos.

 

Por exemplo, o uso da métrica de resolução dos chamados no primeiro contato leva para a situação dos analistas escolherem apenas os chamados mais fáceis para serem atendidos. Os chamados mais difíceis são simplesmente ignorados se a métrica não for balanceada com outras métricas.

 

Este é o exato motivo do Balanced Scorecard (BSC) do Robert Kaplan e David Norton ter feito tanto sucesso.

 

Eles induziram as empresas para selecionar métricas derivadas dos objetivos e dos seus respectivos fatores condicionantes olhando a empresa ou área ou departamento em quatro perspectivas (financeira, clientes, processos internos e aprendizado e crescimento).

terça-feira, 22 de dezembro de 2020

Segunda década do século XXI

Em poucos dias a segunda década do século XXI se encerrará. O Brasil mais uma vez está colhendo resultados medíocres em termos de crescimento da riqueza nacional,

 

Assumindo que o PIB do Brasil cairá 4,5% em 2020, o crescimento do PIB na década será de pífios 2,2%. Como o crescimento da população estimado pelo IBGE é de 8,7% para o mesmo período então a renda per capita caiu dramaticamente.

 

O PIB brasileiro fechará o ano de 2020 em R$ 7,221 trilhões, ou seja, renda per capita de R$ 34.101 para cada residente do país. A renda per capita em valores corrigidos era de R$ 36.245 ao final do ano de 2010. Em outras palavras ela caiu 5,9% em uma década.

 

A comparação da economia brasileira com a do resto do mundo não deixa dúvidas sobre a mediocridade das nossas políticas públicas. O Fundo Monetário Internacional (FMI) estimou que o PIB global crescerá 30,5% na segunda década do século XXI. Neste mesmo período a estimativa é de crescimento de 2,2% para o PIB brasileiro.

 

Não é difícil ver as consequências de escolhas equivocadas. Diversos conglomerados empresariais gigantes saíram do Brasil durante esta década. Só este ano formam dezenas de empresas transnacionais. Centenas de milhares de empregos foram embora graças ao caminho escolhido pelo Brasil.

 

Infelizmente a década está nos seus últimos suspiros e ainda não foi entendido pelos nossos “especialistas” as causas do fracasso brasileiro. Inexiste a percepção nas terras tupiniquins (existem claras exceções) de que a indústria do software criou riqueza em todas as partes do mundo nesta década.

 

Os poucos que perceberam tal fenômeno cresceram exponencialmente nesta década, como exemplos podemos destacar a Magazine Luiza, o Nubank, a Hub Prepaid etc. São empresas que apostaram no software como ferramenta de geração de lucro superior.

 

Como o PIB per capita caiu na década, o crescimento do lucro das empresas que percebam as oportunidades habilitadas pela tecnologia aumentou a desigualdade existente no Brasil.

 

Como o investimento inicial em capital físico para o desenvolvimento de software é relativamente baixo, este perfil alavancou em milhares de vezes o dinheiro aplicado.

 

A indústria de software precisa mais de competência, capacidade e honestidade do que dinheiro. O Brasil perdeu a atual década porque em momento algum trabalhou o seu sistema educacional para desenvolver uma engenharia de bom nível.

 

O resultado é a mediocridade atual e uma provável nova mediocridade na terceira década do século XXI.

 

Nos próximos anos o lucro e, portanto, o emprego, imposto etc. estará colado com a Inteligência Artificial. Será mais um caso em que a competência, a capacidade e a honestidade criarão oportunidades de crescimento exponencial para as empresas.

 

A engenharia será crucial para o crescimento da riqueza individual e coletiva dos países. Da mesma forma em que existiram milhares de avisos na primeira década do século XXI sobre a importância do software para os negócios, existem avisos sobre o impacto da Inteligência Artificial na geração de riqueza e empregos.

 

Hoje o software é a ferramenta que habilita as vendas do varejo, indústria, serviços etc. Em pouco tempo este papel será da Inteligência Artificial. Os seus treinadores serão os responsáveis pelo sucesso ou fracasso.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2020

Lições apreendidas. Carrefour

Nos artigos “Carrefour de novo? Essa não” (http://itgovrm.blogspot.com/2020/11/carrefour-de-novo-essa-nao.html, acessado em 09/12/2020) e “Sim. Sim é o emprego” (http://itgovrm.blogspot.com/2019/02/sim-sim-e-o-emprego.html) foram revelados os prejuízos milionários causado pelos pejotinhas em 2020 e em 2018 para o Carrefour.

 

O Carrefour perdeu milhões de reais com boicotes e com as medidas de contenção dos danos causados por seguranças pejotizados. O capital intelectual inadequado gerou uma perda gigantesca da produtividade do negócio.

 

Existem no brasil, milhares de casos em que os pejotinhas causaram prejuízos milhares de vezes maiores do que a economia gerada pela terceirização ou quarteirização.

 

Felizmente a alta administração do Carrefour entendeu que o modelo de menor custo no curto prazo e maior custo no longo prazo não gera resultado positivo para a empresa, por isto foi anunciado que o Carrefour vai deixar de usar seguranças terceirizados (Carrefour anuncia que vai deixar de usar seguranças terceirizados, https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2020/12/carrefour-anuncia-que-vai-deixar-de-usar-segurancas-terceirizados.shtml?utm_source=mail&utm_medium=social&utm_campaign=compmail).

 

Caso o foco das contratações seja a competência, a capacidade e a honestidade então o resultado será positivo, caso contrário, será apenas mais do mesmo, ou seja, perdas e prejuízos.

quarta-feira, 25 de novembro de 2020

Impactos do home office – parte 2

 Desvantagens do trabalho remoto

 

Quarentena. Existem diversos funcionários que são egocêntricos. Durante o trabalho remoto eles não estão sob o holofote das luzes da fama e não mais recebem em público os elogios sobre o trabalho realizado, por isto o isolamento social afetou muito o humor de alguns funcionários e líderes. Acabaram as conversas de bebedouro e café sobre as conquistas e os autoelogios.

 

Incompatíveis com o trabalho em casa. Nem todos tem a disponibilidade de um espaço perfeito para trabalhar em casa. Existem casos em que não existe um espaço físico disponível para virar uma área de trabalho eficaz e organizada, ou seja, estes colaboradores não conseguem estabelecer um arranjo de trabalho propício para a concentração total. São situações em que a produtividade do funcionário cai com o trabalho remoto.

 

Funcionários não são ilhas excelência e de produtividade. Nem todos os colaboradores são capazes de trabalhar de forma autônoma com integração com o time. Existem funcionários que não conseguem se auto-organizar com eficiência.

 

Perda da produtividade. O trabalho remoto pode levar para a situação de perda da produtividade por diversas razões. A personalidade, o caráter e os valores éticos do funcionário impedem que o colaborador tenha um bom desempenho no trabalho remoto. São pessoas que “sugam” o trabalho realizado pelos colegas no ambiente presencial. Em geral, são pessoas que vivem procrastinando as suas atividades e facilmente são distraídos pelo meio ambiente. São profissionais que lutam com a produtividade.

 

Falhas no entendimento das comunicações eletrônicas. Para algumas pessoas, a ausência de conversas e reuniões presenciais formais e informais impede o entendimento das comunicações digitais (e-mail, chat, mídias sociais etc.)  gerando assim problemas na comunicação.

 

Conclusões:

 

Os profissionais com bom preparo intelectual, cultural e ético estão na maioria dos casos preparados para trabalhar remotamente com ganhos de produtividade. Em fevereiro de 2020, a maioria das empresas não estava preparada para a mudança do trabalho remoto.

 

No entanto é importante destacar neste momento que as novas empresas e as empresas iniciantes já estavam trabalhando com equipes distribuídas para otimizar os custos.

 

Eram os negócios maduros que operavam processos de produção com planejamento prévio e com forte estruturação que estavam despreparados para o trabalho remoto em massa. Algumas destas empresas escolheram caminhos diferentes para o trabalho e por isto vários CNPJs faleceram.

 

Os estudos revelaram que cerca de 60% da força de trabalho das empresas que entregam serviços para os seus clientes têm uma descrição do trabalho que é perfeitamente compatível com o trabalho remoto. O trabalho compatível com o trabalho em casa é aquele que:

 

·        Tem componente de informação

·        É realizado individualmente com integração com as atividades realizadas pela equipe

·        Tem parâmetros claros de avaliação

·        Não exige contato pessoal com os clientes e colaboradores

·        Não é uma atividade que só pode ser feita no local

 

As seguintes categorias são compatíveis com o trabalho remoto:

 

·        Profissionais especialistas na sua área de atuação

·        Central de Serviços

·        Administradores do negócio

·        Engenharia

·        Vendedores

terça-feira, 24 de novembro de 2020

Carrefour de novo? Essa não.

No artigo “Sim. Sim é o emprego” (http://itgovrm.blogspot.com/2019/02/sim-sim-e-o-emprego.html, acessado em 24/11/2020) foi revelado o prejuízo milionário causado pelos pejotinhas em 2018 para o Carrefour.

 

“O caso do segurança pejotizado do Carrefour é típico da falta de compromisso do trabalhador com a empresa (Caso Carrefour: morte de cachorro mobiliza ONGs, famosos e internautas, https://www.metropoles.com/brasil/caso-carrefour-morte-de-cachorro-mobiliza-ongs-famosos-e-internautas). O Carrefour perdeu milhões com o boicote. Toda a perda financeira que ocorreu foi consequência da atuação do seu segurança pejotizado que gerou a motivação do boicote. A perda de produtividade do negócio foi gigantesca.  É fácil perceber que o segurança pejotizado escolheu realizar uma ação de valor agregado nula para o negócio (atacar o cachorro) e ignorou a realização da ação de valor agregado positiva (manter a segurança do hipermercado). Enquanto ele mudava o foco da sua atividade, o local ficou com a sua segurança prejudicada. A produtividade do trabalho do segurança caiu para o negativo com tal decisão”.

 

Em 2020 a atuação dos pejotinhas causou prejuízo bilionário para o Carrefour (“O Carrefour Brasil perdeu R$ 2,16 bilhões em valor de mercado nesta segunda-feira (23), após o assassinato de João Alberto Silveira Freitas, homem negro de 40 anos”, https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2020/11/acoes-do-carrefour-caem-mais-de-5-apos-assassinato-de-homem-negro.shtml?utm_source=mail&utm_medium=social&utm_campaign=compmail) e também gerou prejuízo para as organizações membros do ecossistema de negócio liderado pelo Carrefour (“'A Empresa Antirracista' foi lançado em novembro e contém entrevista com executivo”, https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2020/11/ediouro-suspende-livro-sobre-racismo-com-presidente-do-carrefour.shtml?utm_source=mail&utm_medium=social&utm_campaign=compmail).

 

A falta de comprometimento dos pejotinhas com a empresa pode ser vista nas afirmações do CEO global do Carrefour (“"Meus valores e os valores do Carrefour não compactuam com racismo e violência. Espero que o Grupo Carrefour Brasil se comprometa, além das políticas já implantadas pela empresa", disse ele”, https://www.agronomicafm.com.br/site/noticias/ceo-global-do-carrefour-lamenta-morte-e-cobra-treinamento-de-funcionarios).

 

É mais um entre os milhares de casos em que os pejotinhas causaram prejuízos milhares de vezes maiores que a economia gerada pela terceirização ou quarteirização.

 

Até que os administradores entendam que o modelo de menor custo no curto prazo e maior custo no longo prazo não gera resultados positivos para as empresas, os CNPJs brasileiros continuarão no seu ciclo de colapso (Guedes diz haver quebradeira de empresas no país e defende nova lei de falências, https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2020/11/guedes-diz-haver-quebradeira-de-empresas-no-pais-e-defende-nova-lei-de-falencias.shtml).

quarta-feira, 18 de novembro de 2020

Impactos do home office – parte 1

O trabalho remoto isolado fisicamente dos colegas não foi uma escolha. Foi uma necessidade que precisou ser rapidamente endereçada causada pela pandemia do novo coronavírus.

 

Os trabalhadores e as empresas tiveram que se adaptar a esta nova realidade em 2020.  Diversas pesquisas mergulharam bem fundo na análise de como a pandemia afetou o trabalho remoto.

 

Depois de noves meses de quarentena, distanciamento social e uso de máscaras novos hábitos e costumes foram criados. Mesmo com a vacinação em massa, não é provável que o comportamento das pessoas volte para como ele era antes pandemias.

 

O estilo de vida e o modo de trabalhar mudou e provavelmente as mudanças permanecerão por um bom tempo.

 

Vantagens do trabalho remoto

 

Criação de um novo e melhor ponto de equilíbrio entre o trabalho e a vida pessoal. Como a maioria dos empregos está localizada nas grandes cidades, os empregados perdem muito tempo e produtividade nos deslocamentos, nos engarrafamentos e nas filas do transporte coletivo.

 

O trabalho remoto criou a oportunidade para eliminar as perdas e desperdícios dos deslocamentos e os funcionários podem dispor de mais tempo para passar com a família e com a sua casa.

 

Aumento da produtividade e do foco. Apesar das distrações que existem na casa dos funcionários, os estudos revelaram que o nível de concentração no trabalho aumentou. Em casa o profissional tem um nível menor de interrupções do que no escritório. Como consequência o nível de estresse foi menor e as atividades foram realizadas com mais eficiência e com maior velocidade.

 

O menor nível de interrupções externas permitiu a redução dos erros e inexatidões na realização das tarefas. O resultado foi a realização mais rápida e precisa das atividades. O nível dos retrabalhos caiu abruptamente.

 

Crescimento do capital intelectual das empresas. O trabalho remoto ampliou a geografia do emprego. Até a pandemia era possível, mas não era comum a contratação de talentos que moravam longe do escritório da empresa.

 

A regra pós trabalho remoto é recrutar os talentos onde eles estão e usar o home office para aumentar consistentemente o capital intelectual da empresa.

 

Melhoria do gerenciamento dos custos. As grandes e medias empresas podem com o trabalho remoto descentralizar os recursos e economizar milhões de reais em despesas operacionais. Durante a crise econômica causada pela pandemia, as despesas operacionais passaram a ser avaliadas dentro da filosofia orientada ao negócio.

 

O escritório, os equipamentos e as taxas de aluguel passaram a ser traduzidos em termos do valor agregado para a atual situação financeira da empresa.

 

Crescimento da diversidade e da inclusão. As empresas podem com o trabalho remoto recrutar talentos em cidades ou países em que elas não tinham acesso. O processo do recrutamento e seleção ficou mais aberto e impessoal, criando assim um aumento da diversidade cultural e etária e da inclusão dos portadores de necessidades especiais.

quarta-feira, 11 de novembro de 2020

Uberização do trabalho

O Brasil é um país onde uma parte da sociedade está mais interessada em criar polêmicas inúteis do que em resolver os problemas. Infelizmente as polêmicas inúteis são usadas largamente no território nacional para mascarar a falta de capacidade para resolver os problemas.

 

No artigo Vilipêndio dos direitos trabalhistas causada pela uberização é culpa dos algoritmos? (https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2020/11/vilipendio-dos-direitos-trabalhistas-causada-pela-uberizacao-e-culpa-dos-algoritmos.shtml?utm_source=mail&utm_medium=social&utm_campaign=compmail, acessado em 11/11/2020), o autor citar fez a seguinte afirmação: "Sua condição “autônoma”, então, é um tanto curiosa: quem define a admissão? Quem determina atividade, preço e tempo das entregas? Quem pressiona, através de incentivos, para a ampliação do tempo de trabalho? Quem pode bloquear e dispensar sumariamente, sem nenhuma explicação? Por certo, não é o “autônomo”.".

 

O Ricardo Antunes apresentou no artigo parâmetros concretos para definir a condição autônoma. Mas será que estes parâmetros realmente funcionam na vida real.

 

Vou tirar por um momento as empresas de aplicativos da equação e vou olhar para é o funcionamento da contratação de serviços no Brasil.

 

Mais da metade das contratações de funcionários pelas empresas no Brasil são feitas por contratos. São os casos das terceirizações, quarteirizações e até quinterizações. Estou falando de um formato de contratação que é utilizado pelas empresas desde 1990.

 

Quem define a admissão?

É a empresa contratante

 

Quem determina atividade, preço e tempo das entregas?

É a empresa contratante

 

Quem pressiona, através de incentivos, para a ampliação do tempo de trabalho?

É a empresa contratante

 

Quem pode bloquear e dispensar sumariamente, sem nenhuma explicação?

É a empresa contratante

 

As respostas são exatamente iguais quer a empresa contratante seja uma empresa sediada no Brasil, quer seja uma terceirizadora que ganhou licitação de serviços para o governo brasileiro, quer seja uma empresa de aplicativos.

 

Estou falando de uma prática amplamente disseminada no Brasil. Direcionar a polêmica da condição autônoma apenas para as empresas de aplicativos é uma tentativa de mascarar o real problema.

 

Quem não gostar das condições oferecidas pelas empresas de aplicativos é só não trabalhar para eles. Se não existir oferta de mão de obra, isto significa que as empresas de aplicativos buscarão por outras alternativas ou sairão do Brasil.

 

Os autônomos aceitam as condições oferecidas, porque eles não conseguem empregos em conformidade com a legislação brasileira.

 

Este é o real problema do Brasil. Faltam empregos. Faltam empregos porque o Brasil não cresce. O Brasil não cresce porque faltam investimentos. Faltam investimentos porque os investidores não confiam no governo brasileiro.

 

Polemizar com as empresas de aplicativos afirmando que a condição autônoma não existe é apenas a criação de um manto de invisibilidade para a condição de trabalho de dezenas de milhões de trabalhadores brasileiros.

 

Se é para ser sério então deve-se considerar a situação de toda a massa de trabalhadores. Se é para ser sério deve-se questionar por que as empresas de aplicativos são majoritariamente estrangeiras.

 

Nada impede que os motoristas da Uber etc. criem uma cooperativa e desenvolvam uma empresa de aplicativos para concorrer no mercado.

 

Tal situação exige apenas capacidade e competência intelectual. Existem milhares de investidores que querem financiar boas iniciativas.