Emprego na Quarta Revolução Industrial (QRI)
O Cezar Taurion e outros evangelizadores de governança de Tecnologia de Informações e Comunicações apresentaram os seguintes números sobre o emprego.
Foi revelado que em 1990 as três maiores montadoras de automotivas tinham valor de mercado de US$ 36 bilhões com faturamento anual de 250 bilhões de dólares e empregavam 1,2 milhão de pessoas. As três maiores empresas do Vale do Silício tinham um valor de mercado em 2014 de 1 trilhão de dólares com faturamento anual de aproximadamente 250 bilhões de dólares e empregavam apenas cerca de 140 mil funcionários.
Fonte: A realidade já é exponencial, http://cio.com.br/opiniao/2016/02/29/a-realidade-ja-e-exponencial/, acessado em 08/06/2016
Foi revelado que a probabilidade média de ter o trabalho automatizado é de 31% para quem recebe entre US$ 20 e US$ 40 por hora. Para quem recebe US$ 20 por hora a probabilidade sobre para 83%.
Fonte: Robôs também deverão roubar os empregos mais bem pagos, prevê EUA, http://idgnow.com.br/ti-corporativa/2016/02/24/robos-tambem-deverao-roubar-os-empregos-mais-bem-pagos-preve-eua/, acessado em 08/06/2016
Foi revelado que o estudo “The Future of Employment: How susceptible are Jobs to Computerisation?”, estimou que 47% dos atuais empregos nos Estados Unidos. As profissões de motoristas de caminhões, táxis e ônibus, estagiários de advocacia, jornalistas, auditores, desenvolvedores de software, administradores de sistemas de computação e etc. estão ameaçadas.
Fonte: Quarta Revolução Industrial aniquilará milhões de empregos, inclusive o seu, http://computerworld.com.br/quarta-revolucao-industrial-aniquilara-milhoes-de-empregos-inclusive-o-seu, acessado em 08/06/2016.
Foi afirmado que aproximadamente 30% das auditorias corporativas serão realizadas por sistemas inteligentes em vez de por auditores humanos.
Fonte: É hora de olhar para 2025 e para os pontos de inflexão da sociedade digital, http://cio.com.br/opiniao/2016/02/15/e-hora-de-olhar-para-2025-e-para-os-pontos-de-inflexao-da-sociedade-digital/, acessado em 08/06/2016.
Foi revelado que o artigo “Do We Need Doctors or Algorithms?” afirmou que os sistemas inteligentes e robôs substituirão 80% dos médicos americanos. Também foi revelado que o artigo “Armies of Expensive Lawyers, Replaced by Cheaper Software" estimou que serão necessários menos advogados, pois as funções de fazer buscas nos documentos ou analisar casos similares serão feitas por algoritmos. Também foi revelado que algumas reportagens financeiras foram escritas por robôs como afirmado no artigo “AP´s “robot journalists” are writing their own stories now". Também foi revelado que as funções de Programming by Optimisation e depuração automática de código poderão ser automatizadas.
Fonte: Alerta em Davos: A Quarta Revolução Industrial já chegou, http://cio.com.br/opiniao/2016/01/25/a-quarta-revolucao-industrial-ja-chegou/, acessado em 08/06/2016.
Foi revelado que a otimização do uso de tecnologias e competências digitais pode injetar US$ 2 trilhões na produção econômica mundial até 2020. Também foi revelado que um aumento de 10 pontos na densidade digital resultaria em um aumento de US$ 368 bilhões no PIB de 2020 dos Estados Unidos (1,8% acima que as previsões atuais).
Fonte: Digital pode injetar US$ 2 trilhões na economia global até 2020, http://computerworld.com.br/digital-pode-injetar-us-2-trilhoes-na-economia-global-ate-2020, acessado em 08/06/2016.
São números eloquentes, mas eles não são suficientes para explicar o fenômeno do emprego na QRI. O autor Jeremy Rifikin apresentou no livro “Sociedade com Custo Marginal Zero” apresentou números que somados aos revelados anteriormente são capazes de explicar as mudanças nos empregos.
Foi afirmado que a venda de robôs aumentou 43% nos Estados Unidos e na Europa em 2011 (página 151).
Foi afirmado que o novo sistema automatizado se for bem-sucedido vai eliminar 50 mil empregos para produzir uniformes militares (páginas 151 e 152).
Foi afirmado que o emprego nas fabricas respondia por 163 milhões de postos de trabalha em 2003 deverá encolher para alguns milhões em 2040 (pagina 152).
Foi afirmado que existem atualmente 2,7 milhões de caminhoneiros nos Estados Unidos e que em 2040 os veículos sem motorista podem eliminar grande parte dos caminhoneiros (pagina 153).
Foi afirmado que com o novo software de busca (família e-discovery) um único advogado pode fazer o trabalho de 500 colegas com maior precisão (pagina 157).
Foi afirmado que trabalhadores do conhecimento como radiologistas, contadores, gerentes, designers gráficos e profissionais de marketing estão com os seus empregos ameaçados por causa dos softwares de reconhecimento de padrões (pagina 157).
Foi afirmado que um software compara a estrutura de uma música com as músicas já gravadas e avalia o seu potencial para chegar no topo da parada (pagina 157).
Foi afirmado que um software avalia os roteiros de filmes para prever os sucessos de bilheteria da indústria cinematográfica (página 157).
Não é difícil perceber que a revolução dos sensores está alterando à lógica do emprego e do perfil profissional. Atividades de marketing auditoria saúde e etc. vão ser realizadas por computadores até o ano de 2020. É evidente que vários perfis profissionais vão ser eliminados do mercado em um prazo razoavelmente curto. Apesar do aspecto negativo, o fenômeno do emprego é positivo. Empregos ligados aos aspectos mais intelectuais do ser humano vão ser criados em grande quantidade. As pessoas vão poder usar as suas melhores potencialidades nas suas atividades profissionais. Um exemplo bem simples desta mudança será visto com a popularização das impressoras 3D. Um designar de cadeira vai poder oferecer o seu trabalho para o mundo todo. Se a sua economia local está degringolando em uma depressão como a brasileira, o profissional será menos afetado. Com a internet ele pode exportar o seu conhecimento para países em crescimento e com alta demanda. Este mesmo profissional poderá formar cadeias produtivas ao se associar a um engenheiro para desenvolver cadeiras mais resistentes com design inovador.
As redes sociais vão cada vez mais abrir espaços para que os talentos da era do conhecimento criem estruturas virtuais para concorrer em condições de igualdade com fabricantes locais. Olhando para o outro lado da moeda é possível também desmentir nesta revolução que as lojas e os vendedores físicos estão condenados à extinção. Certamente teremos impactos como consequência da indústria abrir lojas virtuais para a comercialização dos seus produtos. No entanto, as lojas generalistas físicas não estão fadadas à falência. Será cada vez maior a tendência das pessoas experimentarem os produtos nas lojas físicas e comprarem nas lojas virtuais.
Um dos motivos desta tendência é o menor preço das lojas virtuais para o mesmo produto. Alguns comércios físicos estão reagindo ao oferecer a compra do produto na loja virtual e a sua entrega na loja física. Em pouco tempo o mercado vai estabelecer um ponto de equilíbrio onde o preço na loja física será o mesmo da loja virtual. É claro que tal solução não resolve todos os problemas, pois existirá igualdade de preços apenas entre os produtos iguais de uma mesma loja virtual e presencial.
O vendedor da loja presencial que utiliza apenas o estratagema de oferecer descontos para convencer os consumidores, vai perder espaço neste novo mundo. Ele vai precisar fazer mais do que um algoritmo digital e demonstrar paixão pelos produtos que vende. Muitas vezes o vendedor terá que comparar produtos semelhantes, explicar objetivamente as diferenças de preços e até mesmo falar das suas preferências pessoais com honestidade. Estes aspectos vão diferenciar os vendedores das lojas presenciais dos algoritmos das lojas físicas.
A concorrência entre as lojas dos fabricantes e as do varejo vai acontecer na comparação entre os produtos e na inteligência do vendedor. Quanto maior for a sua capacidade de escutar o seu cliente e respectivos influenciadores maior será a capacidade profissional do vendedor e a sua diferenciação. Existem pessoas que são influenciadas por amigos e parentes na sua decisão de compra. Muitas levam os seus influenciadores nas suas compras. Os algoritmos das lojas virtuais ainda não conseguem capturar estes casos, por isto, os vendedores preparados das lojas presenciais têm esta vantagem a seu favor.
Na área da saúde, muitos empregos também vão mudar de perfil. Os algoritmos da computação cognitiva são uma importante ferramenta para os médicos. A computação cognitiva pode comparar milhares de casos similares em segundos e entregar um relatório navegável ao profissional de saúde. Os médicos podem analisar as informações, fazer comparações e gerar hipóteses que podem ser pesquisadas pelos computadores. A interação dinâmica e amigável em diversas interfaces permite que o médico faça uma pesquisa complexa em alguns minutos e ofereça diagnóstico e opção de tratamento com enorme precisão. O acompanhamento em tempo real do tratamento e da evolução do paciente permite que o médico ajuste os procedimentos conforme as reações individuais do paciente.
O sistema de saúde aumenta o seu nível de integração com a computação cognitiva pois o controle de estoque (medicamentos e insumos hospitalares) e de solicitações são realizados e acompanhados em tempo real. A efetividade do sistema aumenta enormemente e os custos podem ser reduzidos dramaticamente. A integração dos algoritmos entre todos os membros da cadeia produtiva com projeções preditivas da demanda futura de curto, médio e longo prazo melhora a logística e reduz o tempo de permanência dos pacientes nos estabelecimentos de saúde.
A união da computação cognitiva com os sistemas de hospedagem dos hospitais e instituições similares permite um melhor planejamento até mesmo das emergências inesperadas. É possível distribuir os pacientes conforme a disponibilidade em tempo real do sistema e prever rapidamente a capacidade de curto prazo. A computação cognitiva vai poder informar os atendentes de campo como policiais, paramédicos, bombeiros, defesa civil e etc. o melhor local para levar os acidentados em tempo real e em conformidade com o diagnóstico inicial do paciente. Tudo isto será feito para que as pessoas sejam atendidas no menor tempo possível conforme a sua necessidade de cuidados. A logística de transporte e de intervenções nos sinais de trânsito são dois dos aspectos considerados nos algoritmos.
É fácil perceber que o momento de transição que estamos vivenciando vai tornar várias profissões redundantes até o ano de 2020. Muitos empregos sumirão e muitas atividades que até agora eram realizadas por seres humanos serão realizadas por maquinas nos próximos dez anos. Estas projeções não devem ser motivo de desespero, pois muitos empregos novos serão criados pelas tecnologias entrantes. No entanto, estes empregos exigem um perfil diferente. É preciso estar preparado para a nova década.
A Era da Máquinas Inteligentes
Thomas Hayes Davenport e Julia Kirby autores do livro "Only Humans Need Apply: Winners and Losers in the Age of Smart Machines" afirmaram que o trabalho realizado pelas máquinas inteligentes pode aumentar em vez de diminuir o mercado de trabalho para o ser humano. Muitas pessoas entendem que a Quarta Revolução Industrial vai gerar um nível elevado de desemprego. É preciso entender que as máquinas inteligentes vão mudar o estilo de vida das pessoas.
A Suíça votou uma lei para garantir um nível mínimo de renda para todos os seus cidadãos (no domingo dia 05/06/2016 os eleitores suíços rejeitaram a Renda de Base Incondicional (RBI) para toda a população). Neste novo contexto de 2026, as pessoas vão poder trabalhar fazendo o que elas gostam. Muitos estarão trabalhando em atividades onde é difícil conquistar uma renda de sobrevivência segundo os parâmetros vigentes em 2016. Eles serão artistas, escritores e etc. e vão beneficiar a sociedade e oferecer um conhecimento que até agora estava aprisionado dentro da cabeça das pessoas. O sistema de renda mínima pode ser muito mais barato que os atuais sistemas de aposentadoria pela ampliação do conhecimento da sociedade.
É evidente que as escolas e estudantes também terão que se adaptar para este novo mundo. Apesar da atual aparência de elevado grau de empregabilidade futura, muitas das atividades profissionais relacionadas com o big data e análise analítica poderão ser automatizadas e realizadas por máquinas. Em tempos de mudanças é preciso trabalhar as incertezas e explicitar que várias atividades profissionais realizadas pelos formados em ciência dos dados estão ameaçadas pelas máquinas inteligentes. Elas podem desenvolver modelos quantitativos mais rapidamente e em muitos casos melhores que os seres humanos.
É preciso ser realista com a nova formatação do mundo e do emprego. Estar na frente de batalha contra as máquinas não é uma boa escolha para a sua carreira profissional. Apesar da ênfase que muitos fazem para o crescimento da quantidade de programadores é preciso ser claro e dizer com todas as letras que dentro de poucos anos as máquinas vão estar desenvolvendo programas. Atualmente já existem softwares que são geradores de códigos como o GeneXus (http://www.genexus.com/global/inicio?pt, acessado em 08/06/2016) ou MIT App inventor (http://appinventor.mit.edu/explore/, acessado em 08/06/2016). O artigo “O software que escreve código, seu futuro e seu impacto nos negócios” (http://cio.com.br/tecnologia/2016/03/17/o-software-que-escreve-codigo-seu-futuro-e-seu-impacto-nos-negocios/, acessado em 08/06/2016) ilustra bem as perspectivas futuras dos geradores de códigos.
A linguagem natural chegará com força na era das máquinas inteligentes. As máquinas vão interpretar as ordens e gerar os códigos necessários. Os programadores vão precisar sair da atual zona de conforto e terão que aprender a gerar ideias. As ideias vão ser a mina de ouro. As escolas e estudantes vão ter que trabalhar na ciência das ideias e não mais na ciência dos dados. Nem mesmo profissões tradicionais como médicos, dentistas e advogados estão à salvo das mudanças da era das máquinas inteligentes. As incertezas para estas carreiras também são intensas. Aqueles que encontrarem os caminhos onde os seres humanos e máquinas trabalharão juntos estarão salvos das incertezas profissionais, pois esta será a estrada do aumento do trabalho. Os profissionais com carreiras de futuro vão trabalhar em conjunto com as máquinas inteligentes. Elas vão complementar as suas atividades. Também terão carreira promissora, os profissionais que se especializam nas suas atividades com tamanha profundidade que as máquinas inteligentes não consigam competir com eles.
Quem for trabalhar em conjunto com as máquinas no seu dia-a-dia vai ter que enxergar ela como um colega (a interação do George Jetson com o seu computador Referential Universal Differential Indexer (R.U.D.I.) no desenho The Jetsons é um excelente exemplo de como será este relacionamento cotidiano). Ao enxergar a máquina inteligente com um colega de trabalho é possível identificar o que ela faz bem e o que não faz bem. Desta forma o ser humano poderá intervir sempre que necessário na execução das tarefas.
Os gerentes vão supervisionar o trabalho realizado pelas máquinas inteligentes em regime de colaboração com os seres humanos. É preciso avaliar continuamente a performance do portfólio dos projetos, produtos e processos. É de fundamental importância a avaliação se é preciso aumentar ou diminuir o atual nível de automação. É preciso avaliar as necessidades e soluções em função dos diferentes tipos de automação disponíveis no mercado.
Também é de vital importância a avaliação dos próximos passos do emprego pós automação, pois é preciso desenvolver, instalar, manter e comercializar os sistemas. As empresas de tecnologia estão contratando milhares de pessoas para realizar estas atividades.
Neste contexto, os empregos para trabalhadores menos qualificados entrarão em decadência. O sistema educacional precisa ser ajustado para refletir as diferenças de formação. Em 2016 já existe uma grande desigualdade salarial entre os formados nas universidades e os não formados. Nos próximos anos este nível de desigualdade vai ser acelerado. No entanto, não deve ser ignorado que algumas profissionais vocacionais que não exigem o ensino superior serão valorizadas. Por exemplo, os empregos dos técnicos de manutenção não sofrerão grandes perdas nos próximos anos. Os empregos de outras profissões vocacionais como humoristas, cantores, artistas plásticos e etc. também não serão impactados nos próximos anos também.
Isto significa que o sistema educacional precisa melhorar a orientação para as profissões vocacionais no Brasil. É fundamental manter a mente aberta para as profissões vocacionais. No entanto, não deve ser ignorado em momento algum que muitos dos trabalhadores menos qualificados terão um final infeliz se não participarem de programas de requalificação.
Um exemplo importante de necessidade de requalificação são os empregos dos motoristas de ônibus, caminhões, carros de empresas, táxis e etc. A maioria destes empregos será varrida do mapa com os veículos autônomos (Em 2035, 21 milhões de veículos autônomos vão estar nas ruas, http://idgnow.com.br/ti-pessoal/2016/06/08/em-2035-21-milhoes-de-veiculos-autonomos-vao-estar-nas-ruas/, acessado em 98/06/2016). São milhões de pessoas que precisam ser urgentemente requalificadas aqui no Brasil. O desenvolvimento dos veículos autônomos no mundo está ocorrendo à plena velocidade. Estas pessoas precisarão de um novo sistema educacional para serem requalificadas.
O currículo escolar básico precisa mostrar para os estudantes de todas as idades os impactos que as máquinas inteligentes estão causando nos empregos. Este assunto deve ser tratado com especial consideração nas faculdades. Ainda não chegou nas faculdades de direito o ensino do e-discovery ou código preditivo ou outras tecnologias digitais. Estes temas já fazem parte do dia-a-dia dos advogados, mas não são mencionados na maioria das faculdades de direito. Temos um caso muito similar em termos de ignorar as tecnologias inteligentes nas faculdades de medicina. A construção civil brasileira vem perdendo muitos degraus na escala da competitividade por causa da escolha das faculdades de arquitetura e engenharia de ignorarem o BIM (Building Information Modeling ou Building Information Model) no seu currículo básico. O artigo Baixa produtividade da construção compromete remuneração do trabalho (http://www.fiesp.com.br/observatoriodaconstrucao/noticias/baixa-produtividade-da-construcao-compromete-remuneracao-do-trabalho/, acessado em 08/06/2016) revelou o tamanho da perda da competitividade da construção civil brasileira nos últimos anos.
Os profissionais jovens ou experientes devem ter o direito de fazer as escolhas com plena consciência das suas opções. Eles precisam conhecer quais são as condições reais dos papeis que eles vão desempenhar nas empresas para trabalhar em regime de colaboração com computadores. Caso os profissionais prefiram trabalhar sem a colaboração das maquinas inteligentes é preciso que eles conheçam quais são as possibilidades viáveis que estão disponíveis no mercado.
O sistema educacional deve encorajar permanentemente as pessoas para que elas persigam as suas paixões. As mensagens das escolas para os estudantes precisam revelar com toda a clareza que existem atividades em que o desempenho dos computadores é superior ao dos seres humanos, ou seja, não é conveniente desenvolver uma carreira profissional nestas atividades.
O conhecimento deve pautar a agenda educacional, por isto mesmo diante de um cenário onde em menos de dez anos o geradores de códigos estarão extremamente evoluídos é importante que os alunos entendam o funcionamento dos computadores e da lógica de programação (O software que escreve código, seu futuro e seu impacto nos negócios, http://cio.com.br/tecnologia/2016/03/17/o-software-que-escreve-codigo-seu-futuro-e-seu-impacto-nos-negocios/, acessado em 08/06/2016).
Para quem vive na sociedade ocidental é importante aprender línguas orientais como o Chinês e Japonês. No entanto, este conhecimento não pode ser visto como um fim nele mesmo. Aprender uma língua deve significar aprender uma cultura. A maioria dos profissionais pós 2020 vão precisar de conhecimentos em estatística, línguas e culturas. Nem todas as pessoas vão escrever algoritmos, alguns vão escrever músicas, outros roteiros de comédias, filmes e assim sucessivamente. No entanto, o uso da estatística e dos algoritmos para medir o que deu certo ou não vai ser uma constante para várias categorias profissionais.
O momento da transição entre o modelo atual e o das máquinas inteligentes precisa ser bem planejado e acordado com os trabalhadores. É preciso definir com clareza os papeis que os seres humanos vão ter que desempenhar nas oportunidades de automação para que a criatividade seja encorajada. Se a conversa for em termos de cortes e demissões por conta das máquinas inteligentes, os trabalhadores vão criar resistências e medos e as melhores oportunidades serão perdidas. É evidente que o objetivo da empreitada é reduzir o custo unitário dos itens produzidos. Esta meta pode ser alcançada com o aumento da produtividade.
Em 2016 existirão posições relacionadas com a área de
automação e cognição. São exemplos de novas profissões para onde os profissionais pré-máquinas inteligentes podem ser deslocados. Nunca devemos esquecer que as decisões tomadas pelas máquinas inteligentes precisam ser avaliadas pelos seres humanos em termos de desempenho. Os computadores não alcançarão uma performance ótima sem a intervenção humana. Em outras palavras milhões de empregos vão surgir por conta da análise cognitiva. Os trabalhadores precisam serem treinados para assumirem estas posições. Máquinas erram e falham. Será papel dos seres humanos a realização das correções.
Na área da saúde, os profissionais vão desempenhar o papel de supervisor das tecnologias automatizados. O papel dos médicos anestesistas não será eliminado, no entanto eles terão que supervisionar várias salas de cirurgia totalmente monitoradas que são operadas por máquinas. O médico anestesista desempenhará o papel de diretor de produção de uma espécie de fábrica do anestesiamento operada por robôs. Este cenário será realidade em diversas outras áreas da medicina.
Os médicos clínicos gerais terão mais capacitações. Eles poderão, por exemplo, acessar o conhecimento do melhor psicólogo através de um software cognitivo. Eles vão poder interpretar a imagem de um exame de radiologia e analisar a lesão apresentada com auxílio da inteligência cognitiva de uma máquina. Com base no exame o médico clínico geral vai poder indicar a probabilidade da lesão ser um tumor canceroso e recomendar a realização de uma biopsia. Em 2016, apenas os médicos especialistas têm capacidade para fazer este tipo de avaliação. De uma forma ou outra, a medicina vai experimentar com as máquinas inteligentes uma mudança na atual direção de necessidade crescente de especialização. A tecnologia vai nivelar o conhecimento médico no âmbito da clínica geral e vai mudar o patamar para os especialistas. Os novos especialistas ou superespecialistas vão ocupar um espaço mais abrangente e profundo que eles ocupam atualmente. Por exemplo, um radiologista vai ser um radiologista intervencionista onde ele vai exercer o papel de radiologista e cirurgião.
É evidente que a tecnologia não pode assumir todos os papéis humanos e deixar o ser humano dependente da confiabilidade dos softwares. É importante que os sistemas sejam desligados em algum momento para que as pessoas saibam trabalhar sem os computadores. As máquinas inteligentes devem colaborar com os seres humanos e não os substituírem. De uma forma ou outra, os sistemas operacionais das máquinas vão carregar valores éticos e morais dos seus desenvolvedores, especialmente quando as aplicações de inteligência cognitiva estiverem sendo executadas. Isto significa que os computadores não conseguirão responder de forma inequívoca as questões dúbias. A tradução disto é que para alguns as máquinas vão parecer gentis, para alguns outros elas parecerão intrometidas e para um outro grupo elas parecerão egocêntricas. As maquinas vão, por exemplo, insistir para que os humanos trabalhem na visão dela do mundo (mais precisamente na visão do mundo dos seus desenvolvedores). Elas vão aprender e ficar mais inteligentes dentro dos parâmetros definidos pelos desenvolvedores. Ou seja, de uma forma ou outra, alguns poucos desenvolvedores vão estabelecer para a sociedade o comportamento das máquinas. Pode ser um futuro brilhante para a humanidade, como também pode ser uma ameaça enorme para as pessoas e empregos. É preciso ter consciência que a inteligência cognitiva vai tirar a característica de neutralidade na utilização das máquinas pelos seres humanos.
quinta-feira, 9 de junho de 2016
segunda-feira, 28 de março de 2016
Produtividade Total dos Fatores (PTF)
Produtividade
Total dos Fatores
Toda
vez que o Brasil entra em crise ou em recessão profunda os temas produtividade,
custo Brasil e flexibilização das leis e benefícios trabalhistas entram em
ebulição na pauta da agenda nacional. Desde os anos 1980 estes três assuntos
estão sendo discutidos e até o ano de 2016 inexistem respostas concretas e
realistas.
Apesar
do gigantesco volume de conversas inexistem acordos e consensos. Sugestões
antigas são reapresentadas com novos formatos e são proferidos à exaustão discursos
catastrofistas como “O Brasil vai quebrar sem as reformas (previdência social,
leis trabalhistas e legislação tributária)”. Na pratica o discurso focado no
medo não vem gerando consenso na sociedade. Como já ocorreu no passado, muito está
sendo dito e nada acontece. As pessoas simplesmente “não compram” as propostas que
são apresentadas como solução dos problemas nacionais. Em outras palavras, o
Brasil entrou em “loop” nos aspectos relacionados com a produtividade da
economia.
A
leitura do artigo do principal evangelista do Service
Desk
no Brasil
intitulado “Zeus e a Produtividade: sua capacidade divina de assumir várias
formas” (http://www.4hd.com.br/blog/2016/03/23/zeus-e-a-produtividade-sua-capacidade-divina-de-assumir-varias-formas/, acessado em
28/03/2016) revelou que apesar de antigo, o conceito da Produtividade Total dos
Fatores (PTF) ainda não foi incorporado nas conversas. O meu primo de Porto
Alegre que resolveu recentemente embarcar no iate da produtividade vai reclamar
e protestar.
Como
todos sabemos a produtividade é o quociente entre o resultado alcançado e o
esforço realizado considerando os recursos utilizados. Muitos simplificam esta
equação considerando no denominador apenas os esforços e recursos físicos.
Esquecem de levar em conta os valores imateriais. O resultado deste
esquecimento é que muitos concluem que para aumentar a produtividade é preciso
ou aumentar os resultados alcançados (por exemplo através de aumento de preços)
ou reduzir a quantidade do esforço físico realizado considerando os recursos
utilizados. A apresentação de apenas duas possibilidades é uma falácia que vem
sendo repetida por muitos há muitos anos.
É
preciso considerar o capital intelectual ou conhecimento na equação da
produtividade. A PTF entra no jogo porque o capital intelectual faz muita
diferença. Para exemplificar porque a produtividade total dos fatores pode
representar até 60% do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de um país
vou desvendar um caso bem simples e comum. Eu e o meu vizinho temos uma
propriedade rural. A comparação de cada um dos átomos físicos destas duas
fazendas e dos recursos para a produção revela absoluta igualdade. No entanto,
apesar das igualdades físicas o meu vizinho termina a preparação do terreno um
mês antes do que eu.
É
fácil perceber que a produtividade dos esforços e recursos utilizados impacta o
resultado final da produtividade. O meu vizinho consegue este resultado
superior porque ele mapeou todo o terreno e planeja antecipadamente cada ação
da sua preparação. Como eu não tenho este capital intelectual ou conhecimento eu
saio para o campo com o trator com um determinado garfo e no meio do trabalho
descubro que naquele pedaço do terreno eu preciso de um garfo diferente. Isto
me obriga a retornar e trocar de garfo. Eu perco muitas horas realizando este
procedimento. O meu vizinho que conhece em minucias o perfil do terreno, planeja
as suas ações para sempre sair de casa com o garfo certo conectado no trator. O
conhecimento faz toda a diferença para a produtividade.
O
artigo “Produtividade e Armadilha do Lento Crescimento” (https://fernandonogueiracosta.wordpress.com/2015/04/14/produtividade-e-armadilha-do-lento-crescimento/, acessado em
28/03/2016) revelou que o Brasil padece do mesmo mal que vem fazendo a minha
fazenda ser menos produtiva que a do meu vizinho. Os exemplos revelam que não
sou o único que esqueceu da produtividade total dos fatores. O artigo “Baixa
produtividade da construção compromete remuneração do trabalho” (http://www.fiesp.com.br/observatoriodaconstrucao/noticias/baixa-produtividade-da-construcao-compromete-remuneracao-do-trabalho/, acessado em
28/03/2016) revela o problema da baixa produtividade na construção civil no
Brasil.
No
texto foi afirmado que entre 2000 e 2013 a produtividade do trabalho na
construção civil ficou estagnada. Ou em outras palavras, considerando toda a
evolução tecnológica que ocorreu no período, a produtividade da mão de obra foi
negativa. Os trabalhadores não conseguiram conquistar benefícios de
produtividade com as novas tecnologias introduzidas na construção civil. Em
2013, cada trabalhador da construção civil brasileira gerou valor agregado de US$
18.900. O valor médio dos 29 países analisados foi de US$ 57.800. Como
consequência da estagnação de uma produtividade que era baixa, a remuneração do
trabalhador brasileiro é a menor entre os 29 países avaliados. Em outras
palavras a menor remuneração gerou como resultado o pior valor agregado.
A
conclusão final é que o Brasil apresenta um dos maiores custos e preços para o
metro quadrado da construção civil (Em 2015, ocupou a 39ª posição na listagem
dos metros quadrados mais caros do mundo. Fonte: EUA lideram ranking das ruas
com o metro quadrado mais caro do mundo, http://gq.globo.com/Prazeres/Poder/noticia/2015/11/eua-lidera-o-ranking-das-ruas-com-o-metro-quadrado-mais-caro-do-mundo.html, acessado em
28/03/2016) por causa da baixa produtividade da mão de obra e dos recursos
utilizados.
Os
números gritam algumas revelações. A primeira é que o aumento do preço de venda
do metro quadrado da construção civil ocorrido nos últimos anos, não gerou
aumento da produtividade. Ou seja, os que acreditam que podem aumentar a
produtividade pela majoração do numerador da equação estão equivocados. A
segunda revelação é que a redução do denominador através de baixos salários e
benefícios para a mão de obra também não é capaz de aumentar a produtividade.
Os números do Brasil da construção deixam bem claro que as propostas para
flexibilização das leis e benefícios trabalhistas não são condição necessária e
suficiente para aumentar a produtividade. É preciso ir além das atuais
propostas para tirar o país da recessão.
Tenho
certeza que o primo de Porto Alegre vai estrilar, mas já está na hora de ir
direto ao ponto. É de fundamental importância qualificar os serviços de Tecnologia
de Informações e Comunicações (TIC). Uma grande parte da evolução tecnológica
da construção civil entre 2000 e 2013 está relacionada com TIC. Não podemos
fazer mais do mesmo e afirmar que a produtividade da mão de obra da construção
civil não avançou por causa apenas da qualificação dos trabalhadores. Uma
grande parte desta estagnação é consequência direta das falhas dos sistemas de
TIC e da baixa qualidade dos serviços do Service Desk.
No
dia 30 de julho 2015, eu estava no Shopping Frei Caneca na cidade de São Paulo.
Ao resolver tomar um café as 10 horas na loja Starbucks eu descobri que a mesma
estava com o seu sistema TIC inoperante e as vendas estavam interrompidas
porque não existia uma previsão para o seu retorno. Como não foi a primeira vez
que presenciei tal situação eu resolvi pesquisar o impacto das
indisponibilidades de TIC na produtividade brasileira.
Eu
selecionei os seguintes artigos para exemplificar os problemas: “Brasileiras
perdem US$ 18 milhões com indisponibilidade de aplicações”, http://computerworld.com.br/brasileiras-perdem-us-18-milhoes-com-indisponibilidade-de-aplicacoes, “Site e caixas
eletrônicos do Itaú ficam fora do ar após queda de sistema”, http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2015/08/1666808-site-e-caixas-eletronicos-do-itau-ficam-fora-do-ar-apos-queda-de-sistema.shtml?mobile, “Black Friday 2014
frustra quem esperava evolução do e-commerce brasileiro”, http://idgnow.com.br/blog/circuito/2014/11/29/black-friday-2014-frustra-quem-esperava-evolucao-do-e-commerce-brasileiro/, “Caixa diz que
sistema voltou ao normal e vai abrir 1 hora antes nesta sexta”, http://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2014/11/06/caixa-abre-uma-hora-mais-cedo-nesta-sexta-por-causa-de-falha-no-sistema.htm, acessados em
28/03/2016). Todos os casos mostram que as falhas de TIC reduziram a
produtividade dos trabalhadores. Não são casos de falta de qualificação da mão
de obra do negócio.
O
caso da loja Starbucks do Shopping Frei Caneca em 30 de julho 2015 revelou
também como as práticas empresariais adotadas no Brasil estão reduzindo a nossa
produtividade. O Brasil não tem a exclusividade de falhas nos sistemas de TIC
que impedem a abertura do caixa de uma loja. Isto também acontece nos Estados
Unidos. No entanto, a cultura empresarial norte americana é bem diferente da
brasileira. No nosso caso, a indisponibilidade fez com que os funcionários
avisassem os clientes que a loja estava fechada. Nos Estados Unidos, a atitude
é bem diferente. Mesmo com o sistema inoperante a loja é aberta e os clientes
são atendidos. Isto ocorre basicamente por três motivos.
O
primeiro é que se o cliente não for atendido ele vai acabar indo para uma outra
loja (no meu caso eu escolhi a Kopenhagen) e existe o risco do cliente gostar
dos produtos e serviços recebidos e deixar de ser seu consumidor. O segundo
motivo é que ao processar manualmente todos os atendimentos, a loja é capaz de
quantificar exatamente quanto ela perde por causa de uma falha de um sistema de
TIC. Fica claro para os gestores qual a relação entre o custo e benefício para
investimentos em segurança de TIC. O terceiro motivo é que não existe nada mais
frustrante na cultura americana do que ir ao trabalho e ficar sem fazer nada
por causa de um computador. Ao escolher pela operação normal. os trabalhadores
não ficam ociosos e sem motivação. É frustrante estar no trabalho e
simplesmente não poder fazer nada por causa de uma falha de um equipamento.
No
Brasil, a escolha pelo fechamento da loja não é capaz de motivar os
funcionários para serem proativos (justificar para o patrão que devem trabalhar
mesmo sem condições de cobrar os clientes) porque eles não têm perspectiva de
longo prazo na empresa. Se o cliente mudar para a Kopenhagen, isto não é um
problema, porque quando o Starbucks começar a sofrer com a falta de clientes
eles estarão trabalhando em uma outra empresa. Ou em outras palavras, a
política empresarial brasileira desfavorece o crescimento da produtividade.
É
bastante claro que é possível evoluir muito em termos de ganhos de
produtividade sem a realização de reformas estruturais na economia (elas são contestadas
por muitos trabalhadores). Existem soluções mais simples e óbvias que podem ser
realizadas. Basta olhar para os países mais avançados e copiar. No caso das
falhas de suporte dos sistemas de TIC, existe um enorme espaço que as empresas
de tecnologia podem ocupar. No entanto, elas precisam olhar com mais atenção a
questão da qualificação e acabar com o preconceito contra o cabelo branco.
quinta-feira, 3 de março de 2016
WhatsApp o retorno
Muitos estão comparando o imbróglio jurídico da Apple contra o FBI com o caso do Facebook com a justiça brasileira. Infelizmente está faltando informação e conhecimento nos comentários e análises. O caso da apple contra o FBI nos Estados Unidos é análogo ao FBI pedir ou exigir que um fabricante de cofres viole a segurança do seu produto com base na argumentação que dentro do cofre existem documentos que vão incriminar os terroristas presos. Estamos claramente falando de uma questão comercial onde o fabricante pode perder bilhões de dólares por desrespeitar os direitos de todos os seus clientes. Com tantos crimes passando de uma forma ou outra pelo sistema financeiro seria razoável ver o FBI solicitando acesso aos computadores e cofres dos bancos. Eu nunca vi até hoje este nível de disputa contra a privacidade entre o FBI e bancos. Parece que está no mínimo faltando coerência histórica de atuação.
O caso da prisão do vice-presidente do Facebook por não colaborar com a justiça brasileira na quebra do sigilo do usuário do WhatsApp é mais um caso de falta de capacitação do que de coerência histórica. Em primeiro lugar a justiça brasileira foi incapaz de estabelecer um acordo de colaboração com as redes sociais que estão instaladas fisicamente nos Estados Unidos e cumprem a legislação americana (O acesso a uma rede social fora do Brasil deve ser entendido como viagem ao país que abriga os servidores). Este acordo deveria ter sido estabelecido em 2012. Estamos em 2016 e nada foi feito. Eu tenho total certeza que as redes sociais americanas têm total interesse na eliminação dos casos de crimes. Elas fariam de bom grado acordos de cooperação.
No entanto, tem pouco sentido pedir publicamente a colaboração do WhatsApp em um processo que corre em segredo de justiça. Está mais do que na hora da justiça ser mais coerente e colaborativa com as redes sociais. As informações solicitadas como o IMEI e sistema operacional são afirmadas como inexistentes pelo Facebook. A justiça brasileira precisa falar de onde ela arrumou a informação que o WhatsApp guarda o IMEI e sistema operacional dos equipamentos dos seus usuários. É preciso acabar com este tipo de conflito.
Alguns juristas afirmam com base no Marco civil de Internet (MCI) brasileiro que os registros solicitados pela justiça nacional devem ser armazenados pelo provedor. Qualquer profissional de tecnologia qualificado vai facilmente mostrar que a guarda do IMEI ou sistema operacional do equipamento não consta nas obrigações definidas no MCI. Além do problema da definição do que deve ser armazenado pelos provedores, existe a questão da geografia jurídica. Os servidores do WhatsApp estão localizados nos ESTADOS UNIDOS e atendem aos requisitos de privacidade da lei americana. Isto significa que existe um claro conflito legal que já deveria ter sido resolvido pela justiça brasileira.
Seria interessante esclarecer porque a justiça brasileira não solicita estas informações para as operadoras nacionais de telecomunicações. Elas são obrigadas a cumprir as determinações do MCI. Com base nos registros dos provedores é possível identificar a localização geográfica do autor das mensagens e fazer uma ação de busca e apreensão dos equipamentos e aí ter acesso integral as mensagens. O que realmente está faltando não é colaboração do WhatsApp.
A pergunta que não quer calar é o que vai acontecer com os presidentes da Microsoft, Alphabet, Apple do brasil se os equipamentos apreendidos estiverem criptografados com senhas? Eles vão ser presos porque não destruíram a confiança que os seus clientes depositaram neles? A justiça brasileira vai continuar a colocar na cadeia trabalhadores honestos e deixar nas ruas os bandidos? Até quando o Brasil vai ignorar que o mundo mudou e que é preciso contratar engenheiros qualificados para fazer parte do sistema judiciário? Para finalizar é sem sombra de dúvida brilhante a estratégia de criar um conflito pelo bloqueio do WhatsApp e esperar a colaboração deles. Os gênios da justiça nacional precisam urgentemente de um chapéu pensador.
O caso da prisão do vice-presidente do Facebook por não colaborar com a justiça brasileira na quebra do sigilo do usuário do WhatsApp é mais um caso de falta de capacitação do que de coerência histórica. Em primeiro lugar a justiça brasileira foi incapaz de estabelecer um acordo de colaboração com as redes sociais que estão instaladas fisicamente nos Estados Unidos e cumprem a legislação americana (O acesso a uma rede social fora do Brasil deve ser entendido como viagem ao país que abriga os servidores). Este acordo deveria ter sido estabelecido em 2012. Estamos em 2016 e nada foi feito. Eu tenho total certeza que as redes sociais americanas têm total interesse na eliminação dos casos de crimes. Elas fariam de bom grado acordos de cooperação.
No entanto, tem pouco sentido pedir publicamente a colaboração do WhatsApp em um processo que corre em segredo de justiça. Está mais do que na hora da justiça ser mais coerente e colaborativa com as redes sociais. As informações solicitadas como o IMEI e sistema operacional são afirmadas como inexistentes pelo Facebook. A justiça brasileira precisa falar de onde ela arrumou a informação que o WhatsApp guarda o IMEI e sistema operacional dos equipamentos dos seus usuários. É preciso acabar com este tipo de conflito.
Alguns juristas afirmam com base no Marco civil de Internet (MCI) brasileiro que os registros solicitados pela justiça nacional devem ser armazenados pelo provedor. Qualquer profissional de tecnologia qualificado vai facilmente mostrar que a guarda do IMEI ou sistema operacional do equipamento não consta nas obrigações definidas no MCI. Além do problema da definição do que deve ser armazenado pelos provedores, existe a questão da geografia jurídica. Os servidores do WhatsApp estão localizados nos ESTADOS UNIDOS e atendem aos requisitos de privacidade da lei americana. Isto significa que existe um claro conflito legal que já deveria ter sido resolvido pela justiça brasileira.
Seria interessante esclarecer porque a justiça brasileira não solicita estas informações para as operadoras nacionais de telecomunicações. Elas são obrigadas a cumprir as determinações do MCI. Com base nos registros dos provedores é possível identificar a localização geográfica do autor das mensagens e fazer uma ação de busca e apreensão dos equipamentos e aí ter acesso integral as mensagens. O que realmente está faltando não é colaboração do WhatsApp.
A pergunta que não quer calar é o que vai acontecer com os presidentes da Microsoft, Alphabet, Apple do brasil se os equipamentos apreendidos estiverem criptografados com senhas? Eles vão ser presos porque não destruíram a confiança que os seus clientes depositaram neles? A justiça brasileira vai continuar a colocar na cadeia trabalhadores honestos e deixar nas ruas os bandidos? Até quando o Brasil vai ignorar que o mundo mudou e que é preciso contratar engenheiros qualificados para fazer parte do sistema judiciário? Para finalizar é sem sombra de dúvida brilhante a estratégia de criar um conflito pelo bloqueio do WhatsApp e esperar a colaboração deles. Os gênios da justiça nacional precisam urgentemente de um chapéu pensador.
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016
Como medir o PIB na era do conhecimento
O
Produto Interno Bruto (PIB) é uma expressão numérica dos ativos físicos de um
país. Com base nele é possível comparar o desempenho produtivo dos países e a
performance histórica de um determinado país. A segunda década do século XXI está
sendo marcado pela transição dos modelos de negócios. Até o ano de 2010 a
economia mundial era baseada em modelos de negócios fundamentados em ativos
físicos. A partir do ano de 2016, os ativos virtuais como reputação, credibilidade,
confiabilidade, conhecimento e compartilhamento ganharam enorme importância na
economia mundial. Como consequência deste fenômeno é preciso evoluir a fórmula
para calcular o PIB.
Existem
diversos exemplos sobre como a nova TIC está impactando a renda da sociedade. A
chamada economia do compartilhamento introduziu novos modelos de negócio que
mudaram a dinâmica econômica dos países. O compartilhamento de um mesmo ativo
por várias pessoas restringe a produção e venda do mesmo. Isto significa que ao
mesmo tempo em que a economia ganha produtividade e dinamismo, ela também sofre
uma queda na produção no curto prazo que é visto na forma de desaceleração do
crescimento do PIB. Este é o motivo do Banco Mundial, Fundo Monetário
Internacional (FMI) e etc. estarem enxergando uma desaceleração do crescimento
do PIB mundial em 2016. Alguns economistas estão alardeando sobre os riscos de
uma nova crise econômica e de uma recessão mundial.
No
meu ponto de vista existe uma falta de entendimento do fenômeno que a economia
mundial está passando. Existe sim uma redução da produção e vendas dos ativos
no curto prazo causada pela escala do compartilhamento habilitado pela nova TIC.
É evidente que a AirBnB, Uber e outras empresas similares endereçam a demanda
das pessoas pelo compartilhamento de um mesmo ativo. Menos hotéis, menos carros
e menos ativos são produzidos e vendidos por causa da maior produtividade do
compartilhamento. Também é importante destacar que os recursos gerados pelo
compartilhamento não necessariamente gerarão novos investimentos. Em alguns
casos eles podem até mesmo ficar invisíveis na economia (eles podem ser o resultado
de uma operação como escambo ou moeda virtual ou dólar).
É
natural uma desaceleração do crescimento do PIB no curto prazo por conta da
maior produtividade do compartilhamento. No entanto, no médio e longo prazo as
perdas iniciais são plenamente recuperadas. Um bom exemplo de como a nova TI gera
um efeito econômico de médio e o longo prazo é o caso dos chamados Youtubers. O
artigo Sucesso no YouTube, adolescente vende estoque de 890 produtos em 2 dias (http://economia.uol.com.br/empreendedorismo/noticias/redacao/2016/01/18/sucesso-no-youtube-adolescente-vende-estoque-de-890-produtos-em-2-dias.htm,
acessado em 22/02/2016) registra este fenômeno com fidelidade.
O
jovem Thiago Elias ou Calango passou alguns anos construindo a sua reputação. Foram
anos em que ele desenvolveu uma comunidade sem gerar ativos físicos apenas
virtuais. Em 18 de dezembro 2015, ele com apoio da sua mãe e irmão resolveu
explorar a sua reputação e transformar os seus ativos virtuais em físicos (em outras
palavras riqueza monetária). A análise do PIB do Calango como é feita
atualmente vai registrar um salto de crescimento da sua riqueza, pois apenas no
final do ano de 2015 ocorreu a conversão dos ativos. É muito importante
destacar que na realidade nunca existiu este salto.
A
riqueza virtual do Calango nunca foi contabilizada no cálculo do seu PIB e o
modelo atual de cálculo faz com que ela só seja visualizada no processo de
conversão para ativo físico. Este é o motivo porque os economistas estão visualizando
uma desaceleração do crescimento do PIB mundial em 2016. Eles simplesmente ignoram
os ativos virtuais. É preciso rever a planilha de cálculo para que os números
expressem o dinamismo da economia habilitada pela nova TI.
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016
Quarta Revolução Industrial
A
segunda década do século XXI está sendo marcada por uma grande diversidade de
novos conceitos econômicos habilitados pela tecnologia. Tanto a era do conhecimento,
como a era dos aplicativos, como a era do custo marginal unitário zero, como a
economia dos APIs, como a economia do compartilhamento, como os negócios
definidos por TI, como a quarta revolução industrial representam as diversas ênfases
de uma mesma realidade. É fácil perceber que a tecnologia e a Internet compõem
em todas estas abordagens o núcleo duro das mudanças econômicas. A Internet das
coisas com os seus sensores e softwares está na raiz das novas estruturas
econômicas e é a fonte da Quarta Revolução Industrial. A Internet das coisas é
composta pela união em uma única plataforma da Internet das Comunicações com a Internet
da Energia com a Internet do Transporte.
O
cerne da Quarta Revolução Industrial está relacionado tanto como o decréscimo
da importância do custo do hardware nos produtos (por isto é possível criar as situações
de custo marginal unitário zero), como com o crescimento da importância da
experiência do usuário. A Nestlé com a sua linha de cafeteria expresso Nespresso
foi uma das empresas pioneiras na introdução da nova revolução industrial com o
lançamento, em 2001, da Nespresso Concept
Machine.
Com a popularização da cafeteria expresso Nespresso, a experiência do usuário
na degustação do café passou a ser definida pela qualidade do café das cápsulas
vendidas pela Nestlé.
O
mercado brasileiro de cápsulas de café criado pela empresa multinacional Nestlé
cresceu tanto que em pouco mais de uma década é possível encontrar nos supermercados
da cidade de São Paulo ofertas onde a compra de uma determinada quantidade de
cápsulas permite que o consumidor ganhe uma cafeteira expressa. O tamanho do
mercado nacional de monodoses (capsulas de café) em 2019 foi estimado em três
bilhões de reais (para o ano de 2016 ele foi estimado em um bilhão de reais).
Fonte: Veja o que levar em conta ao escolher uma máquina de café expresso (http://www1.folha.uol.com.br/comida/2016/02/1738173-veja-o-que-levar-em-conta-ao-escolher-uma-maquina-de-cafe-espresso.shtml, acessado em
10/02/2016). Claramente a estratégia do fabricante é vender capsulas e tudo
aquilo que facilite o consumo de monodoses será oferecido ao consumidor.
É
possível considerar a cafeteira expressa como um dos marcos iniciais da quarta revolução
industrial, porque a cápsula de café ou chá tem funcionalidade similar ao
software em um computador ou equipamento inteligente. Ela é capaz de reconfigurar
de forma radical e rápida tanto o produto que é entregue, como a experiência do
usuário. O consumidor tem a sua disposição centenas de sabores de cápsulas de
café e chá que oferecem experiências diferentes. Ele pode customizar o seu café
conforme o seu desejo em tempo real. Ele também pode oferecer uma experiência
diferenciada para os seus amigos, clientes, empregados e etc. através das
cápsulas. Não é por acaso que os fabricantes estão oferecendo gratuitamente o
hardware da cafeteira expressa. Esta ação faz parte de uma estratégia para assegurar
um crescimento contínuo da venda de cápsulas de sabores diversos pela entrega
de uma experiência prazerosa para o usuário. As series especiais de cafés e
chás que são oferecidas por um preço Premium asseguram a alta rentabilidade do
mercado de cápsulas.
A
lógica corporativa é quanto mais máquinas expressas estiverem no mercado, maior
será a quantidade de cápsulas vendidas. As facilidades operacionais (todos
conseguem operar as cafeteiras por capsulas sem necessidade de treinamentos) em
conjunto tanto com a alta qualidade do café e do chá, como com a capacidade de
customização do produto final asseguram uma alta demanda pelas cápsula e
máquinas de café. Os ganhos de escala da produção em massa permitem a
realização de um custo relativo marginal unitário muito baixo ou nulo para a
produção do hardware. Esta característica habilita a estratégia de focar o
lucro na venda de cápsulas de café. Neste caso, o hardware virou um acessório
habilitador de vendas das cápsulas.
O
exemplo das monodoses de café e chá explicitou o motivo pelo qual o software
está alterando por completo à dinâmica das empresas na Quarta Revolução Industrial.
Os sensores da Internet das coisas são ferramentas que vão mudar a lógica
industrial de uma forma ampla e intensa. Apenas como referência de um dos
impactos é possível destacar que o processo de auditoria e de governança corporativa
será inevitavelmente automatizado em tempo real em pouco tempo. Através dos
sensores nos estoques, dos relatórios disponíveis nos computadores e da computação
cognitiva será possível automatizar uma grande parte do processo de auditoria.
As informações da auditoria vão correr o mundo em tempo real revelando para investidores,
comunidades, governos e cidadãos tanto os casos de extrema efetividade
operacional, como as situações de fraudes em empresas públicas e privadas.
Até
2025 teremos uma lógica empresarial completamente diferente da existente em
2016. A indústria tradicional não será o único setor afetado em larga escala. A
indústria da saúde será imensamente afetada pelos sensores da Internet das
coisas e pela computação cognitiva. Em poucos anos os médicos estarão
trabalhando no seu dia a dia com os computadores auxiliando o diagnóstico de doenças.
Com base nos sensores e nas informações fornecidas pelos pacientes os médicos
poderão ampliar a sua capacidade de diagnosticar doenças com a computação
cognitiva e estabelecer tratamentos mais efetivos e customizados para os
pacientes. A tecnologia Big data vai oferecer um conjunto de informações
navegáveis de tal ordem que a precisão e a velocidade do diagnóstico vão crescer
enormemente. A computação cognitiva não substituirá o médico, mas fará com que
ele trabalhe muito melhor.
Diagnósticos
remotos deixarão de fazer parte da ficção científica e serão realidade em
regiões carentes de médicos. Novas profissionais nascerão e algumas
desaparecerão. Teremos um forte rearranjo do emprego em função do conhecimento.
Apesar da alta capacidade dos computadores para processar os dados, eles não
têm inteligência para transforma-los em informações úteis. Cada vez mais será
preciso a inteligência humana para orquestrar as buscas digitais na direção de
um resultado correto e concreto. Profissionais da era do conhecimento tem estas
capacitações e serão altamente demandados. Muitos em 2025 serão exportadores de
serviços. Será preciso uma forte mudança no arcabouço jurídico brasileiro para
contemplar as novas formas de trabalho.
quarta-feira, 20 de janeiro de 2016
Início da era do Custo marginal zero no Brasil
A
era do custo marginal zero demorou um pouco, mas chegou ao Brasil no ano de
2015. A promoção do portal www.bombomdeler.com.br pode parecer que é uma simples
campanha para aumentar as vendas de bombons, no entanto, ela representa na pratica
algo muito maior. Sob a batuta de duas empresas multinacionais (Nestlé e
Amazon), a promoção inaugura a era do custo marginal zero no Brasil.
Para
os que desejam mais informações sobre a natureza do custo marginal zero eu
recomendo a leitura do artigo “Custo marginal zero” (http://www.itgovrm.blogspot.com.br/2015/08/custo-marginal-zero.html,
acessado em 20/01/2016). As empresas Amazon e Nestlé estão oferecendo 30
milhões de livros digitais para a campanha com custo marginal unitário zero, ou
em outras palavras, com custo de produção praticamente zero. Os custos relativos
aos livros digitais são: (i) direitos autorais dos autores dos livros (que
podem ser negociados para serem nulos) e (ii) custos da infraestrutura
tecnológica e de distribuição que são praticamente nulos para os 30 milhões de
livros em função do gigantesco volume movimentado pela empresa Amazon.
Como
o livro digital ainda não decolou no Brasil, o grande benefício que a empresa
Amazon conquista com a campanha brasileira é a divulgação dos seus títulos para
uma fatia de mercado (classes c e d) que ela ainda não alcançou sem a
necessidade de investir em propaganda e publicidade. Muitos dos 30 milhões de
livros serão entregues para novos usuários da companhia. A organização ganha
com isto o acesso direto para uma enorme base de clientes potenciais que ainda
não experimentaram os benefícios do livro digital.
O
valor deste mercado é tão maior que o valor dos direitos autorais dos autores
que caso eles fossem pagos integralmente, o valor seria insignificante. Os
autores dos livros provavelmente (não disponho de tal informação e por isto a
mesma é uma suposição minha) aceitaram renegociar os seus direitos com a
empresa Amazon e brigaram para fazer parte da promoção, porque o volume de
vendas de 30 milhões os catapultam para um novo patamar como autor. Ou em
outras palavras a valorização futura no mercado deles como autor é tão maior
que o valor dos direitos autorais que eles provavelmente enxergaram esta
negociação como um enorme ganho monetário futuro. Como para eles não existem
custos envolvidos, o custo marginal de produção dos livros na promoção é zero.
Para
a empresa Nestlé, a promoção pode representar um aumento de vendas, mas ela
representa principalmente um canal direto de comunicação com o seu consumidor
porque o portal http://www.bombomdeler.com.br
exige que o usuário digite o seu endereço de e-mail. A empresa por meio das
tecnologias da internet pode descobrir as seguintes informações sobre o
cliente: (i) a sua localização física, (ii) se ele tinha (ou não) conta na
Amazon, (iii) a frequência com que ele compra e consome uma caixa de bombom, (iv)
se ele usa computador ou celular para o acesso e (v) diversas outras informações
(como nome, profissão, renda, estado civil e etc.) que podem ser utilizadas
para que a Nestlé divulgue os produtos e serviços diretamente. A base de dados
pode ser rentabilizada também através da sua venda ou aluguel.
O
custo marginal unitário zero habilitado pela tecnologia digital abre um espaço
gigantesco para novas posturas empresárias que são capazes de gerar mais vendas
com custos menores. No atual momento do Brasil de forte recessão, ele é uma
poderosa ferramenta para a recuperação da economia. Infelizmente apenas as
empresas multinacionais estão sendo capazes de enxergar este caminho.
segunda-feira, 18 de janeiro de 2016
ROI do gerenciamento de redes
Recentemente eu li o artigo “Como calcular o ROI em monitoramento de redes?” (http://computerworld.com.br/como-calcular-o-roi-em-monitoramento-de-redes, acessado em 18/01/2016). O autor foi bastante feliz na listagem dos benefícios das ferramentas de gerenciamento de rede. A exposição foi clara e os argumentos consistentes. No entanto, em momento algum ele quantificou os benefícios. Confesso que fiquei incomodado com este estratagema. Para calcular o ROI (beneficio/custo total) proposto no artigo é preciso quantificar o numerador (benefícios) e o denominador (custo total). No caso das ferramentas de gerenciamento de rede, o denominador é o custo total do ciclo de vida da ferramenta de gerenciamento. Apesar do valor não ser igual ao da proposta do fornecedor da ferramenta, é possível estimar o número sem grandes dificuldades.
A grande dificuldade para o cálculo do ROI é a identificação do numerador. No artigo estão listados diversos benefícios que o software de gerenciamento de rede oferece para uma empresa. Não existem dúvidas que a quantificação dos benefícios de um software de gerenciamento é o aspecto de maior dificuldade para o cálculo do seu ROI. No livro “Governança de TI - Metodologias, Frameworks e Melhores Práticas” publicado em 2007 foi apresentado em detalhes a partir da página 144 um modelo prático para calcular os benefícios de uma ferramenta de gerenciamento de rede. Apesar dos nove anos da publicação e das profundas mudanças ocorridas, o modelo permanece valido e atual.
Basicamente uma ferramenta de gerenciamento de rede altera a forma como os incidentes e problemas são diagnosticados. Antes da ferramenta a central de serviços precisa entrevistar o usuário para diagnosticar o defeito. O analista consome um tempo precioso do usuário para capturar mais informações sobre a falha. Ele precisa descobrir as condições em que a mesma ocorreu para estabelecer um modelo mental que habilite o diagnóstico. Após a ferramenta, a interação entre o analista e o usuário é reduzida para um patamar mínimo (quase nulo), pois o analista consegue diagnosticar a falha através da avaliação dos alarmes e logs gerados pela ferramenta de gerenciamento de rede.
Na comparação dos custos sem o gerenciamento de rede e com ele é nítido que no primeiro caso, o custo do diagnóstico do incidente é dado pela soma do custo do analista com o custo do usuário (que parou o seu trabalho para responder as perguntas do analista sobre a falha) com o custo da produtividade perdida do usuário (que parou o seu trabalho para responder as perguntas do analista). Em geral o custo da produtividade do usuário é cem vezes maior que seu o custo. Em alguns casos a relação é mil vezes.
No caso com a ferramenta de gerenciamento de rede, o custo do diagnóstico é dado pelo custo do analista mais o custo de reposição da ferramenta de gerenciamento de rede (CAPEX). É muito fácil calcular o benefício neste contexto, pois todas as informações estão disponíveis na contabilidade. O benefício é o resultado da subtração do custo do diagnostico sem a ferramenta com o custo do diagnostico com a ferramenta de gerenciamento. Com o benefício determinado é possível calcular o ROI e justificar com fatos objetivos a aquisição de uma ferramenta de gerenciamento de rede.
A grande dificuldade para o cálculo do ROI é a identificação do numerador. No artigo estão listados diversos benefícios que o software de gerenciamento de rede oferece para uma empresa. Não existem dúvidas que a quantificação dos benefícios de um software de gerenciamento é o aspecto de maior dificuldade para o cálculo do seu ROI. No livro “Governança de TI - Metodologias, Frameworks e Melhores Práticas” publicado em 2007 foi apresentado em detalhes a partir da página 144 um modelo prático para calcular os benefícios de uma ferramenta de gerenciamento de rede. Apesar dos nove anos da publicação e das profundas mudanças ocorridas, o modelo permanece valido e atual.
Basicamente uma ferramenta de gerenciamento de rede altera a forma como os incidentes e problemas são diagnosticados. Antes da ferramenta a central de serviços precisa entrevistar o usuário para diagnosticar o defeito. O analista consome um tempo precioso do usuário para capturar mais informações sobre a falha. Ele precisa descobrir as condições em que a mesma ocorreu para estabelecer um modelo mental que habilite o diagnóstico. Após a ferramenta, a interação entre o analista e o usuário é reduzida para um patamar mínimo (quase nulo), pois o analista consegue diagnosticar a falha através da avaliação dos alarmes e logs gerados pela ferramenta de gerenciamento de rede.
Na comparação dos custos sem o gerenciamento de rede e com ele é nítido que no primeiro caso, o custo do diagnóstico do incidente é dado pela soma do custo do analista com o custo do usuário (que parou o seu trabalho para responder as perguntas do analista sobre a falha) com o custo da produtividade perdida do usuário (que parou o seu trabalho para responder as perguntas do analista). Em geral o custo da produtividade do usuário é cem vezes maior que seu o custo. Em alguns casos a relação é mil vezes.
No caso com a ferramenta de gerenciamento de rede, o custo do diagnóstico é dado pelo custo do analista mais o custo de reposição da ferramenta de gerenciamento de rede (CAPEX). É muito fácil calcular o benefício neste contexto, pois todas as informações estão disponíveis na contabilidade. O benefício é o resultado da subtração do custo do diagnostico sem a ferramenta com o custo do diagnostico com a ferramenta de gerenciamento. Com o benefício determinado é possível calcular o ROI e justificar com fatos objetivos a aquisição de uma ferramenta de gerenciamento de rede.
segunda-feira, 21 de dezembro de 2015
Os punidos foram os brasileiros ou WhatsApp?
Na
mesma semana em que o país foi rebaixado pela agência Fitch, o Supremo Tribunal
Federal (STF) faz um julgamento para definir o rito do Impeachment, nós vemos
um juiz decretar o bloqueio do WhatsApp em um processo que corre em segredo de
justiça. Existem membros da corte do STF que participaram do julgamento do Collor
de Melo. Como a constituição e a lei do impeachment é a mesma do julgamento do Collor
não seria o caso de repetir o mesmo rito usado e poupar tempo e dinheiro dos
brasileiros?
Parece
que o poder judiciário brasileiro quer viver em um universo paralelo e ficar
discutindo o mesmo assunto dezenas de vezes. Porque perder tempo debatendo um
rito que já foi usado no Brasil nos anos 1990s. O poder do desperdício é tão
intenso que no começo do ano de 2015 um juiz decretou o bloqueio do WhatsApp e
no final do mesmo ano um outro juiz coroou o Brasil com a mesma decisão. Nos
dois casos a decisão de bloqueio foi revogada em pouco tempo. Também nos dois
casos a alegação foi a mesma. A empresa recusou quebrar o sigilo do seu usuário
e optou por cumprir a lei dos estados unidos.
Quem
na realidade foi punido com a decisão de bloqueio? Foi a WhatsApp ou foram os
brasileiros? Para a WhatsApp as perdas foram nulas ou mínimas. No entanto para
os brasileiros donos de pequenos negócios as perdas foram intensas. O artigo
Sem WhatsApp,
profissionais "apelaram" para ligações e SMS para comunicação (http://tecnologia.uol.com.br/noticias/redacao/2015/12/17/sem-whatsapp-profissionais-usaram-telefone-e-sms-para-retomar-atividades.htm,
acessado em 21/12/2015) revelou o tamanho destas perdas.
Muitos
podem na sua completa ignorância digital imaginar que a truculência é um
caminho sem reação na Internet. Estas pessoas não poderiam estar mais erradas.
Em poucos minutos após o bloqueio passou a circular notas na Internet revelando
como usar o Virtual Private Network (VPN) para burlar o bloqueio do WhatsApp (“Veja
como driblar o bloqueio do WhatsApp no Brasil”, http://olhardigital.uol.com.br/noticia/veja-como-driblar-o-bloqueio-do-whatsapp-no-brasil/53783,
acessado em 21/12/2015) ou como instalar um outro programa de mensagem (Telegram
ganha 1,5 milhão de usuários brasileiros após queda do WhatsApp, http://olhardigital.uol.com.br/noticia/telegram-ganha-1-5-milhao-de-usuarios-brasileiros-apos-queda-do-whatsapp/53786,
acessado em 21/12/2015)
A
Internet é um canal onde existem reações para as ações. Ela não é o território
que muitos brasileiros estão acostumados em que uns poucos mandam e o restante
tem que pagar o pato da Contribuição Provisória sobre Movimentações Financeiras
(CPMF).
Para
os que passaram a usar o VPN, o bloqueio foi rompido imediatamente, pois o
roteamento dos pacotes foi feito pela rede internacional. Para os que optaram
por usar um outro aplicativo como o Telegram o bloqueio também foi rompido instantaneamente.
Enfim apenas os usuários menos avisados é que sofreram com o bloqueio do
WhatsApp. Em pouco tempo, estes usuários também vão instalar o VPN nos seus
equipamentos e medidas como o bloqueio de aplicativos não vão ter efeito
prático algum.
Será
que não seria mais fácil e efetivo que o judiciário do Brasil firmasse um
acordo com o judiciário dos Estados Unidos para resolver em definitivo o
problema de quebra de sigilo? O artigo “O affaire do WhatsApp” publicado no
jornal Folha de São Paulo na sexta-feira dia 18 de dezembro de 2015 (http://www1.folha.uol.com.br/colunas/helioschwartsman/2015/12/1720541-o-affaire-do-whatsapp.shtml,
acessado em 21/12/1015) expressa uma das poucas vozes nacionais que estão
clamando pelo correto entendimento de como funcionam os serviços através da
Internet e a importância de estabelecer acordos de colaboração entre os
judiciários dos países.
As
perdas impostas pelo bloqueio para a combalida economia brasileira que sofre
uma recessão próxima de 4% são imensas. Até quando o país vai viver com tais
perdas? Já passou da hora de ser arrogante. O momento exige medidas mais
inteligentes e acordos internacionais. É o caso de estabelecer um fórum
internacional para tratar das questões jurídicas da internet.
Também
é preciso maior transparência nas ações. Até agora não foi revelado como o bloqueio
do WhatsApp foi realizado. Será que os pilares da privacidade e da neutralidade
da rede do Marco Civil de Internet não foram derrubados para a execução deste
bloqueio? Eu gostaria muito que a Anatel divulgasse como o bloqueio foi
realizado.
terça-feira, 1 de dezembro de 2015
Tradicional x Moderno - Realidade contra Falsidade
Recentemente eu li um artigo que
comparava o ITIL (Information Technology Infrastructure Library) e CMMI (Capability
Maturity Model Integration)
em relação ao DevOps. O autor apresentou com ênfase diversas vantagens do DevOps.
Infelizmente, o texto estava impregnado de desconhecimento sobre o que foi chamado
pelo autor de métodos tradicionais. Vários dos benefícios atribuídos ao DevOps
em relação aos métodos tradicionais não são benefícios reais. São apenas e tão
somente erros. Os erros cometidos não eram consequência dos processos dos
métodos tradicionais, eles eram o resultado da falta de capacidade e
conhecimento dos profissionais envolvidos no planejamento dos projetos.
Para ficar mais claro vou pontuar cada
um dos benefícios atribuídos ao DevOps. O primeiro é muito citado em diversos
artigos e diz que métodos ágeis como o DevOps são capazes de oferecer entregas
frequentes de pacotes menores e por causa disto mais rápidas. Este estratagema
dos métodos ágeis assegura um ciclo permanente de evolução da entrega e prazos
menores. Na prática, basta que o gerente de projeto ou portfólio planeje o
projeto em unidades funcionais enxutas onde as entregas são rápidas, frequentes
e evolutivas para o que o planejamento enderece a necessidade de velocidade e
flexibilidade do negócio.
Tal planejamento é possível de ser
executado em qualquer metodologia existente na face terrestre. Não é uma
vantagem dos métodos ágeis. É uma vantagem da contratação de profissionais
qualificados para o planejamento do projeto. A segunda vantagem atribuída ao DevOps
é que o mesmo não segura a equipe de testes parada enquanto o desenvolvimento
faz o seu trabalho. Novamente não estamos falando de uma vantagem do DevOps em
relação ao ITIL ou CMMI. Se em um projeto de ITIL ou CMMI a equipe de testes
ficava parada esperando o desenvolvimento, isto é um erro do planejamento. O
profissional que planejou o projeto não tinha conhecimento e capacidade para
gerir o mesmo. Não existe um único processo nestas ferramentas que exija que a
equipe de testes fique parada esperando o desenvolvimento.
O autor cita como vantagem para o DevOps
em detrimento das técnicas tradicionais a pequena quantidade de funcionalidades
novas que são transportadas para o ambiente de produção. O que ele descreveu
foi um erro de planejamento do projeto. O envio de muitas funcionalidades novas
para a produção não é uma característica intrínseca do modelo ITIL ou CMMI. Os
dois modelos permitem o envio de apenas uma nova funcionalidade para a
produção. A quantidade de novas funcionalidades para a produção é escolhida
pelo gerente do projeto. Profissionais capacitados sabem o que podem fazer em
um projeto e qual é o impacto das suas decisões.
No próximo item o autor do artigo comete
dois equívocos simultâneos. Quando ele afirma que uma grande entrega consome
muito processamento por conta de trabalho duplicado ele assume erradamente que
o ITIL e o CMMI geram obrigatoriamente pacotes grandes para entrada na
publicação. Em nenhum destes dois métodos existem determinações ou
especificações sobre o tamanho do pacote a ser publicado. É o gerente do
projeto que vai decidir o tamanho do pacote que será publicado. Além disto, um
pacote grande só gera o desperdício de retrabalho quando existem erros de
planejamento. Um gerente de projetos capacitado não comete estes erros em
qualquer modelo que ele esteja utilizando. Novamente não é um benefício gerado
pelo DevOps.
No quinto item o autor apontou
benefícios do DevOps para o inventario. Novamente ele aponta o problema de um
pacote de publicação grande. Por conta disto, o benefício apontado é um
equívoco. Em nenhum momento o ITIL ou CMMI exige ou obriga que os pacotes
publicados sejam grandes. Quem define isto é o gerente do projeto. No texto, o
autor afirmou que o inventário mais afetado era o de Work In Progress (WIP) que são os materiais ou
componentes que estão na fase de transformação para o produto acabado. Foi afirmado
erradamente que uma publicação grande tem muitos itens em WIP e por causa disto
o desenvolvimento é um gargalo e que os envolvidos nas próximas etapas ficam em
compasso de espera por muito tempo gerando desperdício de recursos, tempo e
dinheiro. O equívoco da afirmação está na dimensão que estas perdas são
consequências de um pacote grande de publicação.
O problema do tempo de espera elevado é
consequência de um planejamento falacioso não do tamanho do pacote. Isto
significa que não devemos atribuir ao DevOps a virtude da solução da eliminação
do desperdício da espera. Um planejamento adequado para a entrada de um pacote
grande na produção impede que existam gargalos e perdas de recursos, dinheiro e
tempo por causa de espera. Um gerente de projetos qualificado é capaz de
identificar todos os gargalos do projeto e encontrar soluções compatíveis com o
negócio. Estas soluções são independentes dos modelos adotados.
O sexto item apontado foi o movimento,
onde várias funcionalidades estão sendo desenvolvidas por diversas equipes. A
sexta vantagem do DevOps sobre o ITIL e CMMI apontada pelo autor foi a
movimentação, ou seja, as várias funcionalidades que estão sendo desenvolvidos
pelos diversos times estão navegando entre as raias dos processos. Os
responsáveis pela qualidade estão neste caso recebendo informações de diversos
times sobre a mesma funcionalidade. Mais um equívoco é cometido pelo autor. Em
nenhum momento o ITIL ou CMMI determina a quantidade simultânea de
funcionalidades desenvolvidas. Este é mais um caso onde o gerente do projeto é
o responsável pela decisão. No desenvolvimento do cronograma ele define quantas
funcionalidades serão desenvolvidas simultaneamente.
No sétimo e último benefício do DevOps
apontado pelo autor que uma entrega grande aumenta a probabilidade de defeitos
após o lançamento. O propalado benefício é apenas e tão somente mais do mesmo
equívoco. Em nenhum momento o ITIL ou CMMI determina o tamanho da entrega. O
responsável pelo tamanho da entrega de um projeto é o gerente do projeto. Ele
escolhe o que será entregue e quando será no desenvolvimento do cronograma do
projeto. Infelizmente o artigo que li revela que existe um profundo
desconhecimento sobre as ferramentas de governança disponíveis no mercado.
Tem-se a pretensão de identificar benefícios que em geral são inexistentes por
ouvir falar. Em nenhum momento é colocado o dedo na ferida e apontado que as
decisões pobres dos gerentes dos projetos estão comprometendo o seu
desenvolvimento. Estas decisões pobres são tomadas quer o modelo em uso seja o ITIL,
CMMI ou DevOps. Simplesmente trocar de modelo como proposto pelo autor de ITIL
para DevOps não vai resolver o problema brasileiro de desenvolvimento. Aliás os
números de 2015 mostram que os resultados continuam tão pobres como sempre
foram. É preciso evoluir a honestidade intelectual e afirmar que o real
problema do desenvolvimento é a falta de capacitação do gerente de projetos. As
certificações de gerenciamento de projetos existentes no mercado brasileiro são
claramente insuficientes para aferir o nível mínimo de qualificação que um
gerente de projetos tem que ter para gerar resultados aceitáveis.
O desenvolvimento é pobre não por causa
dos modelos utilizados, mas sim por causa da falta de conhecimento do gerente
do projeto. No Brasil, muitos querem ser gerentes de projetos. Este trabalho é
para profissionais experientes que são capazes de identificar os desafios e
elaborar um plano de projeto capaz de gerar um resultado positivo. Existem no
mercado profissionais que acham que o fato deles não conseguirem resolver um
problema isto significa que o problema é insolúvel quando na realidade os profissionais
qualificados estão resolvendo este problema. É por este motivo que o Brasil
ficou na rabeira no mercado de software.
terça-feira, 17 de novembro de 2015
Números que mentem
O artigo “O caminho da métrica perfeita nos centros de suporte” do Roberto Cohen (http://www.4hd.com.br/blog/2015/11/11/o-caminho-da-metrica-perfeita-nos-centros-de-suporte/, acessado em 17/11/2015) foi muito feliz ao abordar o valor da importância do objetivo de uma medição. A falta de um objetivo claro e concreto faz com que todos os esforços para construir índices e indicadores sejam jogados no lixo.
Parece óbvio (mas aparentemente não é) que o objetivo de qualquer medição deve ser claro, transparente e comunicado. Por exemplo, para medir a obesidade de uma pessoa é possível usar ou uma balança para o peso em quilos ou uma fita métrica para o tamanho da circunferência em centímetros da barriga e de um conjunto conhecido de métricas. Através das comparações é possível determinar o índice de obesidade da pessoa. No entanto, este indicador está sujeito a falhas por conta do elevado grau de variabilidade do chamado conjunto conhecido de métricas. O indicador porcentagem de gordura corporal oferece um resultado muito mais preciso sobre o nível de obesidade da pessoa.
A grande questão que precisa ser respondida é qual é o objetivo da medição. Para a maioria dos casos o médico pode usar a balança ou fita métrica para decidir prescrever uma dieta para o seu paciente. O modelo funciona bem. No entanto, existem casos onde este modelo de medição conduz para conclusões erradas. Um bom exemplo deste fenômeno está expresso no artigo “Diminui a desigualdade no Brasil, mas cresce no Sudeste, diz IBGE” (http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2015/11/1705824-desigualdade-cai-em-2014-com-alta-de-renda-dos-mais-pobres-diz-ibge.shtml, acessado em 17/11/2015) sobre a redução da desigualdade no Brasil.
No artigo, foi apontado que entre 2014 e 2013 existiu uma redução da desigualdade no país do rendimento do trabalho e tal resultado deveria ser comemorado como resultado positivo, pois os Brasil ficou mais igualitário. Se olharmos os números com atenção vamos claramente perceber que inexistem motivos para comemorar. Entre 2014 e 2013 a renda do trabalho dos 10% mais pobres aumentou 4,1% enquanto a renda dos 10% mais ricos diminuiu 0,4%, e a renda dos 1% mais ricos caiu 3,4%. Ao olhar para estes números, muitos vão afirmar que ocorreu uma redução da desigualdade em 2014.
Existem várias mentiras contadas por estes números. A redução da renda do trabalho dos chamados 1% mais ricos (cerca de dez vezes o salário mínimo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos, DIEESE) revelou o país estava entrando em recessão e que no futuro próximo a renda dos mais pobres seria afetada negativamente. O aumento da renda do trabalho dos 10% mais pobres é um aspecto positivo. No entanto, ele esconde que a renda em 2014 foi de R$ 256 na média mensal e ela é cerca de 15% do salário mínimo do DIEESE.
A medição da desigualdade esconde uma realidade perversa no Brasil que é que a renda do trabalho é muito. A renda de apenas 256 Reais na extremidade inferior mostra que o trabalho está sendo inviabilizado no país. É um valor muito baixo para o trabalho de um mês em relação a renda mínima necessária para sobreviver no país. A parcela da redução da desigualdade resultante da redução de uma renda dos 1% mais ricos mostra apenas que o Brasil está promovendo a precarização do emprego e trabalho.
O restante da redução da desigualdade pelo aumento da renda dos 10% mais pobres não representa motivo algum de comemoração, pois é um aumento em cima de uma base muito baixa. Quando olhamos em valores absolutos a redução da desigualdade da renda do trabalho (Em 2013 a diferente entre os 10% mais ricos e os 10% mais pobres era de 7.183 – 246 = 6.937 e em 2014 a diferença era de 7.154 – 256 = 6.898, ou seja, a diferença era de aproximadamente 6,93 mil e caiu para aproximadamente 6,90 mil) fica claro que o resultado alcançado é absolutamente medíocre.
O Brasil não está avançando na direção do progresso. O que o país está fazendo é inviabilizando o trabalho. Este é o motivo porque é preciso ter em mente o objetivo do indicador citado pelo Roberto Cohen. Reduzir a renda de todos os trabalhadores para zero certamente torna o indicador da desigualdade altamente igualitário. Infelizmente ele resulta na eliminação do trabalho no pais. A redução da desigualdade deve ser bancada pelo aumento da renda dos 10% mais pobres em um patamar bem acima do aumento da renda dos 10% mais ricos. Só assim o indicador tem significado relevante para a economia nacional.
Parece óbvio (mas aparentemente não é) que o objetivo de qualquer medição deve ser claro, transparente e comunicado. Por exemplo, para medir a obesidade de uma pessoa é possível usar ou uma balança para o peso em quilos ou uma fita métrica para o tamanho da circunferência em centímetros da barriga e de um conjunto conhecido de métricas. Através das comparações é possível determinar o índice de obesidade da pessoa. No entanto, este indicador está sujeito a falhas por conta do elevado grau de variabilidade do chamado conjunto conhecido de métricas. O indicador porcentagem de gordura corporal oferece um resultado muito mais preciso sobre o nível de obesidade da pessoa.
A grande questão que precisa ser respondida é qual é o objetivo da medição. Para a maioria dos casos o médico pode usar a balança ou fita métrica para decidir prescrever uma dieta para o seu paciente. O modelo funciona bem. No entanto, existem casos onde este modelo de medição conduz para conclusões erradas. Um bom exemplo deste fenômeno está expresso no artigo “Diminui a desigualdade no Brasil, mas cresce no Sudeste, diz IBGE” (http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2015/11/1705824-desigualdade-cai-em-2014-com-alta-de-renda-dos-mais-pobres-diz-ibge.shtml, acessado em 17/11/2015) sobre a redução da desigualdade no Brasil.
No artigo, foi apontado que entre 2014 e 2013 existiu uma redução da desigualdade no país do rendimento do trabalho e tal resultado deveria ser comemorado como resultado positivo, pois os Brasil ficou mais igualitário. Se olharmos os números com atenção vamos claramente perceber que inexistem motivos para comemorar. Entre 2014 e 2013 a renda do trabalho dos 10% mais pobres aumentou 4,1% enquanto a renda dos 10% mais ricos diminuiu 0,4%, e a renda dos 1% mais ricos caiu 3,4%. Ao olhar para estes números, muitos vão afirmar que ocorreu uma redução da desigualdade em 2014.
Existem várias mentiras contadas por estes números. A redução da renda do trabalho dos chamados 1% mais ricos (cerca de dez vezes o salário mínimo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos, DIEESE) revelou o país estava entrando em recessão e que no futuro próximo a renda dos mais pobres seria afetada negativamente. O aumento da renda do trabalho dos 10% mais pobres é um aspecto positivo. No entanto, ele esconde que a renda em 2014 foi de R$ 256 na média mensal e ela é cerca de 15% do salário mínimo do DIEESE.
A medição da desigualdade esconde uma realidade perversa no Brasil que é que a renda do trabalho é muito. A renda de apenas 256 Reais na extremidade inferior mostra que o trabalho está sendo inviabilizado no país. É um valor muito baixo para o trabalho de um mês em relação a renda mínima necessária para sobreviver no país. A parcela da redução da desigualdade resultante da redução de uma renda dos 1% mais ricos mostra apenas que o Brasil está promovendo a precarização do emprego e trabalho.
O restante da redução da desigualdade pelo aumento da renda dos 10% mais pobres não representa motivo algum de comemoração, pois é um aumento em cima de uma base muito baixa. Quando olhamos em valores absolutos a redução da desigualdade da renda do trabalho (Em 2013 a diferente entre os 10% mais ricos e os 10% mais pobres era de 7.183 – 246 = 6.937 e em 2014 a diferença era de 7.154 – 256 = 6.898, ou seja, a diferença era de aproximadamente 6,93 mil e caiu para aproximadamente 6,90 mil) fica claro que o resultado alcançado é absolutamente medíocre.
O Brasil não está avançando na direção do progresso. O que o país está fazendo é inviabilizando o trabalho. Este é o motivo porque é preciso ter em mente o objetivo do indicador citado pelo Roberto Cohen. Reduzir a renda de todos os trabalhadores para zero certamente torna o indicador da desigualdade altamente igualitário. Infelizmente ele resulta na eliminação do trabalho no pais. A redução da desigualdade deve ser bancada pelo aumento da renda dos 10% mais pobres em um patamar bem acima do aumento da renda dos 10% mais ricos. Só assim o indicador tem significado relevante para a economia nacional.
terça-feira, 22 de setembro de 2015
Como a falta de governança fez a Petrobrás perder 60 bilhões de dólares
Apesar do assunto governança não ser uma novidade no Brasil, ainda existem muitos questionamentos sobre a sua viabilidade econômica. Em todas as minhas palestras sempre tem pessoas perguntando se a governança não é mais um modismo como tantos que existiram e ainda existem no Brasil ou se ela é apenas um custo e burocracia obrigatória que reduz a flexibilidade da gestão corporativa e lucro do negócio. Eu sempre ilustro os benefícios da governança através de exemplos reais nas minhas apresentações. Os intermináveis anos de governo do partido dos trabalhadores vem produzindo uma enorme gama de exemplos dos prejuízos causados pela falta de governança na sua empresa estrela. A Petrobras.
Não é mistério algum que a Petrobras sofreu prejuízo bilionário com os escândalos de corrupção. No entanto, eles não conseguem justificar o tamanho da perda do valor de mercado da Petrobras em um período de tempo tão curto. No último dia de 2010 o valor da empresa era de 228 bilhões de dólares e em 12 de setembro de 2015 era de 28 bilhões de dólares. É uma perda espetacular em um prazo muito curto, considerando que a empresa possui um enorme volume de reserva de petróleo. Todo bom boiadeiro sabe que precisa cuidar de cada um dos seus bois, no entanto, ele também sabe que ao cuidar de um boi ele não pode perder a visão e gestão da boiada.
As perdas por corrupção da Petrobras expressam exatamente o desafio do boiadeiro. É preciso apurar e punir todos os casos de corrupção sem que exista comprometimento da diretriz estratégica do negócio. Infelizmente este não foi o caso da Petrobras. O volume de dinheiro perdido pela empresa por falhas de governança alcançou a casa de sessenta bilhões de dólares. O artigo "Falhas em governança custarão até US$ 59 bi à Petrobras, diz estudo" (http://economia.uol.com.br/noticias/reuters/2015/09/10/falhas-em-governanca-custarao-ate-us59-bi-a-petrobras-diz-estudo.htm, acessado em 22/09/2015) revelou que a inexistência da governança corporativa impactou a diretriz estratégica do negócio em bilhões de dólares. A empresa perdeu 31 bilhões de dólares em causas tributárias, 17 bilhões de dólares ativos baixados na contabilidade por conta de projetos fracassados e 8 bilhões de dólares em processos civis e trabalhistas. Claramente o sistema de informações corporativas não está funcionando em um patamar mínimo de efetividade.
Quem toma as decisões ou não dispõe de informações corretas ou executa uma gestão sem consistência. O conselho gestor da administração existe para questionar as decisões tomadas e estabelecer rotas corretivas. Fica claro que os mecanismos de governança da empresa não funcionam, pois em nenhum os acionistas foram informados que existem tantas falhas graves nas informações divulgadas. Nunca chegou ao mercado a informação que a Petrobras poderia estar perdendo 60 bilhões de dólares por causa de erros internos da gestão. É fato que a empresa não conseguiu em momento algum estar aderente as ferramentas de gerenciamento das informações como o CobiT e iTil. Ou seja, tudo o que foi investido na governança de TIC foi jogado no lixo. Nada disto funcionou e o mercado reagiu desvalorizando o valor da empresa em 200 bilhões de dólares.
Não é mistério algum que a Petrobras sofreu prejuízo bilionário com os escândalos de corrupção. No entanto, eles não conseguem justificar o tamanho da perda do valor de mercado da Petrobras em um período de tempo tão curto. No último dia de 2010 o valor da empresa era de 228 bilhões de dólares e em 12 de setembro de 2015 era de 28 bilhões de dólares. É uma perda espetacular em um prazo muito curto, considerando que a empresa possui um enorme volume de reserva de petróleo. Todo bom boiadeiro sabe que precisa cuidar de cada um dos seus bois, no entanto, ele também sabe que ao cuidar de um boi ele não pode perder a visão e gestão da boiada.
As perdas por corrupção da Petrobras expressam exatamente o desafio do boiadeiro. É preciso apurar e punir todos os casos de corrupção sem que exista comprometimento da diretriz estratégica do negócio. Infelizmente este não foi o caso da Petrobras. O volume de dinheiro perdido pela empresa por falhas de governança alcançou a casa de sessenta bilhões de dólares. O artigo "Falhas em governança custarão até US$ 59 bi à Petrobras, diz estudo" (http://economia.uol.com.br/noticias/reuters/2015/09/10/falhas-em-governanca-custarao-ate-us59-bi-a-petrobras-diz-estudo.htm, acessado em 22/09/2015) revelou que a inexistência da governança corporativa impactou a diretriz estratégica do negócio em bilhões de dólares. A empresa perdeu 31 bilhões de dólares em causas tributárias, 17 bilhões de dólares ativos baixados na contabilidade por conta de projetos fracassados e 8 bilhões de dólares em processos civis e trabalhistas. Claramente o sistema de informações corporativas não está funcionando em um patamar mínimo de efetividade.
Quem toma as decisões ou não dispõe de informações corretas ou executa uma gestão sem consistência. O conselho gestor da administração existe para questionar as decisões tomadas e estabelecer rotas corretivas. Fica claro que os mecanismos de governança da empresa não funcionam, pois em nenhum os acionistas foram informados que existem tantas falhas graves nas informações divulgadas. Nunca chegou ao mercado a informação que a Petrobras poderia estar perdendo 60 bilhões de dólares por causa de erros internos da gestão. É fato que a empresa não conseguiu em momento algum estar aderente as ferramentas de gerenciamento das informações como o CobiT e iTil. Ou seja, tudo o que foi investido na governança de TIC foi jogado no lixo. Nada disto funcionou e o mercado reagiu desvalorizando o valor da empresa em 200 bilhões de dólares.
quinta-feira, 13 de agosto de 2015
Custo marginal zero
Existe
um aspecto que é pouco comentado e percebido na era dos aplicativos, mas é
fundamental para explicar porque o seu crescimento foi catapultado. Na era do
conhecimento o custo marginal da entrega de uma segunda unidade de um software
é praticamente zero. As entregas do Windows 10 sem custo para os clientes de
Windows 7 e 8.1 são o melhor exemplo do custo marginal zero. A Microsoft está
atualizando os computadores com Windows 7 e 8.1 para o novo sistema operacional
sem a necessidade de comprar uma nova licença de sistema operacional.
Ela
não está fazendo isto por bondade, a Microsoft faz porque o seu custo marginal
destas entregas é zero. Os novos computadores e equipamentos com Windows 10 tem
embutido no seu preço o custo da licença do sistema operacional. Na prática, os
fornecedores da era dos aplicativos estão fazendo as contas e descobrindo como
ganhar mais dinheiro e mercado. No caso do Windows, a atualização oferece uma
oportunidade rara para a Microsoft. Em primeiro lugar ela faz com que os usuários
(na maioria satisfeitos) do Windows 7 migrem para a nova versão e instalem nos
seus computadores a loja virtual de aplicativos da Microsoft. Por ser uma base
de usuários grande e por eles estarem satisfeitos com os recursos do Windows 7,
um processo migratório natural levaria anos. A oferta de migração vai reduzir
enormemente este prazo.
Estes
usuários que já estavam satisfeitos com a plataforma Microsoft tem agora à sua
disposição uma loja onde o fabricante vai poder oferecer uma enorme quantidade
de aplicativos com custo marginal zero ou seja lucro marginal enorme. Ao
contrário do ambiente Windows 7 onde a Microsoft precisava de uma estrutura
física com custo marginal elevado e lucro marginal pequeno para vender seus
aplicativos, ela pode com o Windows 10 vender os mesmos aplicativos com custo
marginal zero e lucro marginal elevado.
No
Windows 10, a Microsoft fez algo que era impensável para ela até poucos dias
atrás. Ao introduzir na nova versão do sistema operacional a atualização
automática, a Microsoft resolve um problema grave que ela convive por décadas.
Com uma base padronizada, acabam os problemas de compatibilidade com diversos
níveis de atualização do sistema operacional. Os aplicativos tinham que ser
desenvolvidos para funcionar com diversos níveis de atualização do sistema
operacional. Sempre foi um desenvolvimento caro e complexo. Com o sistema de
atualização automática obrigatória existe uma enorme redução da complexidade e
do respectivo do desenvolvimento de aplicativos no Windows 10.
Os
antigos problemas de compatibilidade são eliminados. Os seus respectivos custos
também. Não é difícil perceber que a atualização gratuita não é uma bondade da
Microsoft, ela é uma estratégia que explora os benefícios do custo marginal
zero do software. Existem milhares de outros exemplos de custo marginal zero na
era dos aplicativos. O mais clássico é o do Smartphone onde o mesmo hardware
combinado com os vários sensores muda completamente a funcionalidade do
aparelho. Um software de fotografia faz do Smartphone uma máquina fotográfica,
uma aplicação de temperatura torna o aparelho em um termômetro e assim
sucessivamente. Cada um dos softwares tem custo marginal zero e produz lucro
marginal elevado. As televisões inteligentes conectadas são outro exemplo de
equipamentos da era do conhecimento. Hoje em dia é possível encontrar uma gama
enorme de equipamentos desta linha. São geladeiras, carros, lâmpadas, máquinas
de lavar e secar, elevadores, colheitadeiras, aviões e etc. Por incrível que
possa parecer, o BNDES não está incentivando explicitamente nenhum projeto da
economia dos aplicativos que é o setor de maior lucratividade da economia
mundial em 2015. Para um pais em crise que só fala em aumentar a sua carga
tributária que já supera 40% do PIB é o que podemos chamar de estratégia sem
lógica com enorme desconforto cerebral.
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