segunda-feira, 21 de maio de 2018

Novo cadastro positivo vai reduzir os juros?


O ministério da fazenda afirmou que o projeto de lei complementar (PLP) 441/2017, que permite o compartilhamento de informações sobre o bom pagador torna mais fácil conseguir dinheiro emprestado e reduz taxa de juros (Câmara avalia projeto de lei que aperfeiçoa Cadastro Positivo, http://www.fazenda.gov.br/noticias/2018/abril/camara-avalia-projeto-de-lei-que-aperfeicoa-cadastro-positivo, acessado em 21/05/2018).

Eu em particular considero tais afirmações fantasiosas e fora da realidade brasileira. O meu argumento é bastante simples. O cadastro positivo foi instituído no Brasil em 2011 (lei 12.414/11). De acordo com a legislação em vigor as pessoas podem neste exato momento solicitar a sua inclusão no cadastro positivo e obter empréstimos com juros menores. Se já existe tal possibilidade então porque as pessoas e empresas não solicitam a inclusão?

A resposta é bem elementar. Em geral as pessoas e empresas mantem por anos e até por décadas o seu relacionamento com os bancos e operadoras de cartão de créditos. Ao longo deste relacionamento de longo prazo é possível que a entidade tenha pleno conhecimento das informações sobre os pagamentos do cliente. No caso dos bancos eles tem acesso tanto ao documento (conta de luz, água, telefone, boleto e etc.) como da data de pagamento.

Logo, o banco já tem sem o cadastro positivo uma grande quantidade de informações sobre os pagamentos do seu cliente. Além dos pagamentos realizados, o banco tem informações sobre todas as entradas e saídas da conta da pessoa física ou jurídica. Isto significa que as informações sobre o comportamento como bom ou mal pagador do seu cliente estão neste exato momento disponíveis para os bancos.

Apesar do pleno conhecimento das minhas informações e nunca ter atrasado um único pagamento nos últimos trinta anos, o meu banco cobra taxa acima de 200% ao ano para emprestar dinheiro. Ou em outras palavras, a instituição financeira despreza todas as informações que já possui e trabalha com a Selic mais spread e mais taxa de risco média do mercado por inadimplência.

Não é difícil perceber porque ninguém solicitou a sua inclusão no cadastro positivo. Os bancos simplesmente desprezam para fins de empréstimo a enorme base de informações que já possuem. Os bancos não representam caso único.

Observem o que acontece com as operadoras de cartão de crédito. Apesar de ter o mesmo cartão por décadas, pagar a anuidade, nunca ter atrasado um pagamento e nunca ter utilizado o crédito rotativo, a operadora cobra uma taxa de juros anual de aproximadamente 300% se eu resolver utilizar o credito rotativo.

Eu pago a mesma taxa que todos os clientes dela. Não mudou absolutamente nada o meu histórico de bom pagador. O motivo da taxa do credito rotativo ser tão mais elevada que a Selic (6,5% ao ano) é que a operadora faz um empréstimo no meu nome no valor do pagamento, ou seja, é absolutamente indiferente o meu histórico.

As pessoas não solicitaram a sua inclusão no cadastro positivo porque elas não são burras. Elas perceberam que não terão qualquer tipo de beneficio em termos de redução da taxa de juros porque as instituições financeiras brasileiras estão impregnadas de baixo capital intelectual e são incapazes de calcular o risco de inadimplência de forma individual. O sistema só sabe trabalhar com um valor médio e chutar bem alto a taxa de juros para ver no que vai dar. As pessoas físicas e jurídicas perceberam que ao solicitar a sua inclusão no cadastro positivo, elas vão gerar dados para intermediadoras que vão vender e lucrar com os seus dados sem oferecer nenhuma contrapartida.

Este é por sinal o motivo pelo qual no projeto de lei complementar (PLP) 441/2017 é previsto que as pessoas sejam incluídas no cadastro positivo sem necessidade de  autorização prévia. Infelizmente o Brasil deseja nadar para traz ao invés de avançar. Os únicos que vão se beneficiar com este projeto são as empresas que vedem as informações com base no histórico financeiro e comercial das pessoas e empresas. Se tal projeto for sancionado em lei eu vou exigir a minha exclusão do cadastro positivo. Enquanto a união europeia aprovou a lei de proteção de dados pessoais (GDPR), o Brasil está votando uma lei que desprotege os dados pessoais.



quarta-feira, 2 de maio de 2018

Os geniais gênios brasileiros: Epílogo


Na postagem Os geniais gênios brasileiros de 10 de novembro de 2017 (http://itgovrm.blogspot.com.br/2017/11/os-geniais-genios-brasileiros.html?m=1.  acessado em 02/05/2018) eu destaquei dois assuntos. O primeiro foi a explicação do porque não é verdadeira a afirmação feita pelo Ives Gandra da Silva Martins Filho que “a redução de direitos trabalhistas favorece a criação de empregos” (http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2017/11/1933111-e-preciso-flexibilizar-direitos-sociais-para-haver-emprego-diz-chefe-do-tst.shtml).

Considerando que fatos e números devem pautar as explicações, é preciso, portanto, verificar o que ocorreu no mercado de trabalho brasileiro após a entrada em vigor da reforma da lei trabalhista de 2017.

Os artigos “Desemprego vai a 13,1% e é o maior desde maio; 13,7 milhões não têm emprego” (https://economia.uol.com.br/empregos-e-carreiras/noticias/redacao/2018/04/27/desemprego-pnad-ibge.htm ) e “Mal-estar” (https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2018/04/mal-estar.shtml) revelaram que os empregos gerados são precários e são baseados em trabalho informal e mal remunerado. Eles também revelam que o desemprego aumentou após a entrada em vigor da nova lei trabalhista.

O texto “Brasil só cria vagas de trabalho de até 2 salários” (https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2018/04/brasil-so-cria-vagas-de-trabalho-de-ate-2-salarios.shtml) explicitou que todas as vagas criadas são de renda máxima de dois salários mínimos, ou seja, abaixo do valor do salário mínimo determinado na constituição brasileira. Como referência o salário mínimo necessário em março de 2018 calculado pelo Dieese é de R$ 3.706,44 contra os R$ 954,00 do salário mínimo pago no Brasil (https://www.dieese.org.br/analisecestabasica/salarioMinimo.html).

No entanto, é preciso considerar também o efeito da sazonalidade na geração de empregos. Os cálculos do Alexandre Schwartsman, ex-diretor de Assuntos Internacionais do BC (Debate econômico não progride sem entendimento dos números, https://www1.folha.uol.com.br/colunas/alexandreschwartsman/2018/05/debate-economico-nao-progride-sem-entendimento-dos-numeros.shtml) revelaram que o desemprego era de 12,9% no primeiro trimestre de 2017 e foi de 12,3% no primeiro trimestre de 2018 considerando o efeito da sazonalidade.

Os números sem o efeito da sazonalidade são implacáveis. A comparação do primeiro trimestre de 2018 com 2017 revela que existiu uma tímida redução do desemprego. Se for considerado o crescimento do PIB em 2017 de 1% fica bem clara o nível de timidez da geração de empregos e o baixo nível de renda dos empregos gerados.

Os números desbancam por completo a afirmação “a redução de direitos trabalhistas favorece a criação de empregos” do presidente do TST. É evidente que a geração de empregos não tem relação com a reforma da lei trabalhista. Na postagem eu afirmei que a geração de empregos depende do crescimento do PIB. Um crescimento fraco gera poucos empregos. Os números e fatos comprovam a veracidade da afirmação.

O segundo assunto abordado foi sobre a negação da revelação publicada em um blog de uma empresa de recursos humanos de que "que a concorrência aumentou por causa da recessão".  Também, neste caso, é preciso olhar os fatos e números e verificar o nível de exatidão da minha afirmação.

No texto “BYE, BYE, BRASIL” (https://www1.folha.uol.com.br/colunas/nelsondesa/2018/04/tiros-e-o-grito-bolsonaro-voltam-a-ecoar-pelo-ocidente.shtml) foi informado que as empresas Walmart e Deutsche Bank estão deixando o Brasil. São mais dois casos que se somam a enorme lista de corporações que desistiram do Brasil (A vitória da consistência, http://itgovrm.blogspot.com.br/search?updated-max=2017-11-28T07:11:00-08:00).

Mais uma vez vemos a redução da concorrência como consequência da recessão brasileira. No entanto, a lista não é o exemplo mais explícito da redução da concorrência como consequência da recessão brasileira. O artigo “Juros de bancos não acompanham recuo na inadimplência” (https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2018/04/juros-de-bancos-nao-acompanham-recuo-na-inadimplencia.shtml?) revelou que a taxa de juros nacional não caiu junto com a redução da inadimplência e da taxa Selic ocorrida durante a recessão. O Luis Eduardo Assis, ex-diretor do BC e HSBC, afirmou que a baixa concorrência é a causa da lentidão da queda do spread, ou  seja, que a concentração bancária é o principal fator para manutenção da taxa de juros em patamar elevado (ver gráfico taxa média de juros para pessoa física, https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2018/04/juros-de-bancos-nao-acompanham-recuo-na-inadimplencia.shtml?).

O preço do dinheiro que é a base para todos os negócios manteve-se praticamente em patamar extremamente elevado (independente em relação a recessão). Este aspecto, deixa bem claro que inexistiu aumento da concorrência durante período recessivo. Como o preço do dinheiro, ou seja, taxa de juros manteve-se estável durante o ciclo de redução da Selic, então é fácil perceber porque a concorrência empresarial diminuiu. O principal componente do custo permaneceu em patamar extremamente elevado e existiu forte abandono de empresas do país.

A Fiesp revelou que entre 2017 a 2022 as pessoas físicas gastarão R$ 1,04 trilhão a mais para pagar os empréstimos realizados no ano de 2017 (ANÁLISE DOS JUROS E DO SPREAD BANCÁRIO, http://apps.fiesp.net/fiesp/newsletter/2018/decomtec/spread-brasileiro-26-04-18/Analise-Juros.pdf). A taxa de juros está acima de 300% ao ano no cheque especial e no rotativo do cartão de crédito.


quarta-feira, 25 de abril de 2018

Brasil sem novidades e inovações


O Brasil cometeu nos anos 1980 um grave equívoco em relação as novidades (algo que não existe até então) e inovações que perdura até os dias de hoje. A justiça nacional, estimulada por um processo trabalhista impetrado por um grande banco, interpretou a CLT de tal forma que os direitos intelectuais e autorais de uma novidade pertencem aos proprietários das ferramentas utilizadas pelos funcionários no seu desenvolvimento.

Após o estabelecimento deste marco jurídico várias empresas incluíram no contrato de trabalho cláusula que determinava que todos os desenvolvimentos e invenções realizados pelos funcionários eram propriedade autoral e intelectual da organização. A justiça trabalhista brasileira simplesmente aboliu neste entendimento o conhecimento dos pesquisadores, engenheiros e etc. como fator produtivo. Para os espertos era justa a decisão de tudo dar para as empresas.

É evidente que o desequilíbrio das regras do jogo em favor das empresas gerou consequências. Acabou o ciclo de proatividade dos funcionários na oferta de sugestões de soluções. Os colaboradores adotaram postura reativa. Ou seja, a empresa passou a ter a obrigação de identificar todas as oportunidades, forças, ameaças e fraquezas e direcionar o caminho das soluções. Uma grande parte do potencial inovativo nacional foi perdido nesta canetada da corte.

Entretanto, o marco jurídico não foi a única presepada brasileira. Os anos 1980 foram marcados pela revolução causada pelos microcomputadores. A grande mudança ocorreu na velocidade dos acontecimentos. O ciclo de vida de uma novidade que era de décadas despencou para anos.

A economia do Brasil que entrou cambaleante nos anos 1980 passou a sofrer com a obsolescência dos seus produtos exportáveis. Como resultado a crise nacional se agravou com passar dos anos da chamada década perdida. Os economistas brasileiros não entenderam o fenômeno e adotaram como solução o corte de custos. A política recessiva cortou drasticamente posições da engenharia e como consequência as novidades e inovações minguaram. O resultado foi crescimento do déficit público e da balança de pagamentos, aumento explosivo da inflação, desemprego generalizado e elevado, perda de produtividade e empobrecimento. Ou seja, uma crise maior ainda.

Nos anos 1990 a reengenharia foi adotada como solução dos cada vez mais graves problemas nacionais. Alguns tiveram a brilhante ideia de demitir os funcionários acima de 40 anos de salários maiores e contratar jovens de 20 anos de ordenados baixos. O resultado de um marco jurídico irrealista, da destruição da engenharia nacional e do preconceito contra o cabelo branco foi a criação nos anos 2000 de um sistema inibidor das novidades e inovações. Ao perceber que serão demitidos após os 40 anos, os profissionais jovens iniciaram um ciclo de elevada rotatividade na sua carreira profissional.

Como eles ficavam poucos anos na empresa, os funcionários não eram cobrados pelos resultados dos projetos de médio e longo e estes eram tocados à exmo. Apenas as iniciativas de curtíssimo prazo eram interessantes para os novos entrantes no mercado de trabalho. É evidente que tal movimentação deprimiu ainda mais as novidades e inovações. Tudo era copiado e improvisado.

A consequência destes equívocos foi a derrocada para praticamente zero do nível de criação de novidades. O Brasil virou a pátria xerox de baixa qualidade, ou seja, só copiava. Copiava mal, com atraso e de forma muito mais cara.
O resultado econômico é de fácil percepção. A produtividade do brasileiro é muito menor. Competitividade pobre gera renda medíocre. Em 2017 a renda média do brasileiro foi de R$ 2.178. O salário mínimo calculado pelo Dieese em dezembro de 2017 era R$ 3.585,05. É muito fácil perceber que o país é incapaz de gerar um volume riqueza suficiente para que a renda dos trabalhadores seja compatível com uma família de quatro pessoas.

Nos Estados Unidos, os direitos intelectuais e autorais das novidades pertencem as pessoas responsáveis pelo desenvolvimento. As empresa tem o direito de uso das novidades. Por isto eles tem a cultura de criação.

Além dos problemas citados anteriormente, ainda existe a questão da falta de confiança de um brasileiro no outro. Recomendo a leitura do livro A Cabeça do Brasileiro do Alberto Carlos Almeida para maiores detalhes. No Brasil, o medo do chefe ou colega roubar a ideia é tão grande que as pessoas simplesmente não as expressam. Não existem dúvidas que o Brasil deu todos os passos na direção da armadilha da renda insuficiente.

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Como ampliar a inteligência dos trabalhadores humanos com as aplicações de inteligência artificial

É provável que os investimentos mundiais em tecnologia ultrapassem a fronteira dos três trilhões de dólares em 2018. É sem sombra de dúvida um volume abissal de dinheiro. No entanto, é preciso destacar neste momento de fartura que o histórico dos ganhos de produtividade dos trabalhadores humanos gerados pela tecnologia de informações e comunicações não acompanha o seu crescimento do volume de capital investido. 

Várias empresas que investiram grandes volumes de dinheiro em tecnologia, experimentaram por diversos anos ganhos medíocres em termos da produtividade do trabalhador humano. Por causa deste fenômeno, as empresas escolheram investir fortemente em 2018 em aplicações de inteligência artificial que trabalhem em regime de colaboração com os funcionários humanos e que resolvam os problemas do negócio.

Como consequência deste fenômeno, os bots (robôs que são trabalhadores digitais que executam processos automatizados) irão em 2018 substituir ou ampliar as funções executadas pelos humanos (300 mil posições ocupadas por funcionários administrativos e aproximadamente 250 mil postos de trabalho ocupadas por vendedores humanos).

Para alcançar os objetivos empresariais de inteligência aumentada dos trabalhadores humanos, será preciso focar as aplicações de inteligência artificial na execução de regras e fluxos de trabalho específicos. Desta forma os bots trabalharão em regime de colaboração com os trabalhadores humanos. O resultado previsto pelos empresários é o aumento da produtividade dos trabalhadores humanos através das aplicações de inteligência artificial, tecnologias vestíveis e etc. O grande desafio corporativo será fazer os seres humanos trabalharem lado a lado com os robôs, pois a grande maioria dos trabalhadores acreditam que a automação irá substituir as pessoas.

Na realidade, os bots transformarão as funções executadas pelos trabalhadores humanos através da inteligência aumentada. Por exemplo, as organizações do sistema financeiro brasileiro utilizarão os bots para executar as atividades repetitivas dos serviços bancários. O tempo dos funcionários será redirecionado para as atividades de análise dos resultados da utilização dos serviços e para o desenvolvimento de novas estratégias.

O fator crítico de sucesso para a introdução da inteligência aumentada nas organizações é o foco nos problemas do negócio. Para tal, é preciso caminhar um passo por vez objetivando trabalhar com gols, regras e fluxos específicos. Os gestores da corporação devem analisar a força humana de trabalho por segmento de atuação empresarial para identificar qual problema de negócio pode ser resolvido com a automação. Um caso típico de automação bem-sucedida foi de uma empresa (poderia ser também condomínio residencial ou empresarial) que usava rádios para a comunicação entre os funcionários. Todos (inclusive pessoas que estavam próximas que não eram funcionários) escutavam as conversas que eram realizadas em um canal único. Isto gerou diversos inconvenientes. A solução de um comunicador pessoal invisível e de uma plataforma de comunicação resolveu o problema do processo de comunicação.

As alternativas para a inteligência aumentada geradas nos laboratórios de inovação (e ambientes pilotos) exigem abordagens estruturadas. Os laboratórios de inovação devem atuar como a entidade que lidera os processos de desenvolvimento e testes das soluções antes que elas sejam adotadas na operação da empresa. As empresas do segmento de energia monitoram os laboratórios de inovações para identificar novas soluções que resolvam os problemas de segurança dos seus trabalhadores de campo. Os laboratórios testam exaustivamente as soluções e realizam pilotos antes que elas sejam introduzidas na operação das empresa. Cada uma das ações realizadas pela inteligência artificial aumentada é avaliada pelo laboratório até que exista um volume de informações grande o suficiente para que seja possível tomar uma decisão sobre a efetividade da ação.

A melhor forma para introduzir bots, chatbots e robôs como colaboradores dos trabalhadores humanos e ampliar a sua inteligência é através da criação de um contexto de atividades específico e restrito. Por exemplo, es empresas estão disponibilizando assistentes virtuais para o CFO (Chief Financial Officer). Estes assistentes analisam em tempo real a situação de diversos processos de, por exemplo, pagamento e de recebimento que estão documentados nos sistemas (inclusive Enterprise Resource Planning) e alertam o CFO em tempo real sobre riscos, desvios, perdas e desperdícios.

Em resumo, manter o foco das aplicações de inteligência artificial na experiência do funcionário é a chave para alcançar o sucesso na inteligência aumentada dos trabalhadores humanos. Apenas desta forma será possível evoluir positivamente os conhecimentos e habilidades das pessoas em torno das competências que a corporação deseja.


A forma como os trabalhadores humanos percebem as suas interações com a empresa impacta fortemente o seu nível de produtividade e engajamento. Em outras palavras, afeta o relacionamento da organização com os seus clientes, pois estamos falando da habilidade dos funcionários humanos de serem produtivos e entregarem conteúdos completos e relevantes. A experiência dos usuários em relação ao seu trabalho realizado na organização é fortemente influenciada pelo significado das suas atividades para o sucesso das entregas da empresa.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Espinhos big data parte 2

Na postagem “Espinhos do big data” (“O big data oferece a vantagem da individualização dos clientes. No entanto, este benefício deveria ser utilizado pelos gestores para aumentar vendas e não para subir preços conforme o perfil”,
http://itgovrm.blogspot.com.br/2013/10/espinhos-do-big-data.html?showComment=1383171875466&m=1#c631931005 9414619959) publicada em 28 de outubro de 2013 eu afirmei que a personalização do atendimento seria uma poderosa ferramenta para o varejo.

O artigo "MP pede indenização do Decolar.com por cobrar mais caro de brasileiros" (https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2018/02/06/mp-pede-indenizacao-do-decolarcom-por-cobrar-mais-caro-de-brasileiros.htm) revelou que a agência de turismo decolar.com usava o perfil do consumidor para cobrar valores diferentes nos hotéis de São Paulo e Rio de janeiro de brasileiros e estrangeiros.  A agência também bloqueava ofertas conforme a localização do cliente.

A personalização do atendimento proporcionada pelo big data permite a criação deste tipo de espinho. No entanto, é preciso destacar que existe um outro lado desta moeda. Na postagem “Espinhos do big data” eu afirmei que a diferenciação de preços conforme o perfil do consumidor cria oportunidades de negócios. Por exemplo, o bloqueio de ofertas por localização é facilmente anulado pelo uso de filtros de VPN que permitem originar o acesso de um local diferente da localização física do cliente.


Caso as denúncias contra a agência sejam verdadeiras, ela criou na realidade um incentivo para que os consumidores busquem apresentar no ecommerce um perfil que lhes assegure o menor preço. Não será surpresa se no futuro existir a comercialização de perfis para o ecommerce caso fiquem comprovadas práticas de preço conforme o perfil no ecommerce. Da mesma forma que tivemos o escândalo dos seguidores citar nota em 2018 (Após fraude, famosos perdem 1 mi de seguidores no Twitter, http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2018/02/1954904-apos-fraude-famosos-perdem-1-mi-de-seguidores-no-twitter.shtml) teremos em breve no futuro um escândalo sobre perfis de ecommerce.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Inteligência artificial - inteligência aumentada - lucro maximizado

Depois de muitas décadas, uma série de acontecimentos e coincidências me trouxeram de volta para a área de inteligência artificial. Em 2017 eu participei de uma empreitada fora do comum do contexto brasileiro.

Uma usina de cana de açúcar estava muito pressionada pelos juros do sistema financeiro e baixo retorno de investimento resolveu buscar um caminho estável de longo prazo para sanear as suas finanças e conquistar lucros maiores. Nas conversas ficou claro que existiam perdas no processo de colheita da cana. Ela é realizada em cinco partes: (i) corte dos colmos na base, (ii) corte dos ponteiros, (iii) transporte dos colmos para a colhedora, (iv) retirada das folhas e (v) picagem (operação opcional). Para maiores detalhes Colheita da cana para produção de açúcar e etanol (https://www.novacana.com/cana/colheita-da-cana-producao-acucar-etanol/, acessado em 06/02/2018)

A usina era bastante automatizada e operava com colhedoras e caminhões de transbordo. As fotos aqui e ali ilustram bem como era realizada a colheita da cana. O caminhão de transbordo trabalha em sincronismo com a colhedora e deve trafegar em cima da linha da cana para que os brotos não sejam destruídos. Quando o caminhão ultrapassa a linha da cana ele destrói os brotos e impacta negativamente o lucro futuro da usina.

No período noturno ou dias de baixa iluminação e visibilidade o problema de perda da produção futura é agravado, pois é muito difícil para o motorista do caminhão de transbordo dirigir em sincronismo com a colhedora e não pisar e ultrapassar a linha da cana. É muito comum existirem batidas do caminhão de transbordo com a colhedora. Não estamos falando de um percurso em linha reta sem obstáculos. Existem nas plantações aclives e declives. Não é tarefa fácil dirigir tendo de controlar dinamicamente tantas várias variáveis. Com baixa visibilidade é uma atividade praticamente impossível.

Para enfrentar o desafio, o proprietário da usina escolheu a solução de usar caminhão de transbordo autônomo. O veículo opera via GPS, câmeras de vídeo e sensores e consegue trabalhar com uma margem de erro de 2,5 cm em relação a linha da cana. Como ele trabalha em condições de baixa visibilidade extrema existiram ganhos gigantescos em termos de redução das perdas e aumento da produtividade. A usina conquistou um forte ganho de produtividade com a inteligência artificial do caminhão de transbordo autônomo.


quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

CES 2018

A perda de um ente querido no começo deste ano mudou o meu planejamento para o CES 2018. Decidi acompanhar o evento à distância. É fácil perceber que as aplicações de inteligência artificial são a principal atração do evento. Elas foram incorporadas em praticamente todas as inovações apresentadas. Os robôs domésticos são na minha opinião a grande atração da exposição. Infelizmente o avanço da inteligência artificial representa uma enorme ameaça para os empregos no Brasil.

Os profissionais de limpeza que atuam nas escolas, hospitais, clínicas, escritórios, lojas, shoppings, residências e etc. estão com os seus empregos fortemente ameaçados no curto prazo. A dramática redução dos preços e a melhoria da qualidade da inteligência artificial dos robôs domésticos está criando um cenário economicamente viável para eles assumirem as funções de limpeza nas organizações e residências.

O Brasil deveria estar muito atento ao fenômeno, pois uma grande parte dos postos de trabalho disponíveis no mercado nacional está relacionado com as atividades de limpeza. Mais da metade das ocupações no país pode ser automatizada com facilidade. A barreira de entrada dos robôs ainda é a sua viabilidade econômica. No entanto, os custos estão caindo dramaticamente e em breve teremos a modalidade do Robô as a Service. É bastante evidente que a reforma trabalhista de 2017 não será capaz de manter os empregos ameaçados pela automação. Também é de fácil percepção que ela não vai gerar novos empregos no mercado nacional.

Isto posto é importante evitar a dramatização do cenário que é desfavorável à recuperação econômica por causa de equívocos e desvios intelectuais. Foi afirmado que: “Eu não consigo parar de pensar na previsão sombria, mas realista, que Klaus Schwab fez no seu livro “A quarta revolução industrial”. Segundo ele “até 2020 a automação poderá acabar com 50% dos postos de trabalho”.” (A quinta onda do atendimento, https://www.ninoalbano.com.br/single-post/2018/01/10/A-quinta-onda-do-atendimento, acessado em 11/01/2018).

Infelizmente as limitações da superfície de contorno do invólucro intelectual criaram uma afirmação que não existe no texto publicado no livro citado pelo blogueiro.  Na seguinte entrevista com o autor do livro “A Quarta Revolução Industrial” (https://www.conjur.com.br/2017-jun-17/entrevista-klaus-schwab-fundador-forum-economico-mundial, acessado em 11/01/2018) foi afirmado:

"Em 2016, o Fórum Econômico Mundial lançou um relatório alertando que a automação poderá acabar com 7 milhões de empregos até 2020. Além da China e da Índia, o Brasil estará entre os países com maior número de trabalhadores ameaçados de perder empregos para as máquinas. Por aqui, 50% dos atuais postos de trabalho poderão ser automatizados. Quase 54 milhões de um total de 107 milhões de vagas no país. Entre os setores com maior percentual de empregos automatizáveis do Brasil estão: a indústria, com 69% dos postos, em seguida a hotelaria, com 63% e as empresas de transporte, com 61%. - Trecho do Relatório Fórum Econômico Mundial/2016"

Não é preciso consultar um especialista na língua portuguesa falada no Brasil para perceber que foi declarado que: (i) a automação poderá acabar com 7 milhões de empregos até 2020 e (ii) por aqui, 50% dos atuais postos de trabalho poderão ser automatizados.

Isto significa que até 2020 existem 7 milhões de empregos ameaçados no mundo inteiro. A afirmação sobre 50% de empregos ameaçados no Brasil não tem prazo de ocorrência. É bem fácil perceber as diferenças. Como a primeira afirmação aborda o problema da eliminação de 7 milhões de postos de trabalho no mundo inteiro por causa da automação e a segunda trata da perda de 54 milhões de empregos no Brasil fica bem claro que as duas afirmações são sobre períodos de tempo diferentes. É evidente que tal situação é clara apenas para os que entendem que 54 milhões é maior que 7 milhões.

A afirmação atribuída pelo bloguista albano ao Klaus Schwab (até 2020 a automação poderá acabar com 50% dos postos de trabalho) não saiu nem da boca, nem do computador deles. Ela é apenas fruto de uma leitura distorcida e equivocada. Infelizmente a arrogância passou a fazer parte da rotina dos que enfrentam limitações na superfície de contorno do invólucro intelectual. Ao ser confrontado com os fatos, o blogueiro limitou a sua resposta na direção de uma discordância com respeito.

São posturas como esta que estão elevando a distância da produtividade da economia brasileira em relação ao resto do mundo. O atual momento de transição tecnológica e de transformação digital exige um posicionamento intelectual mais propositivo e de maior abrangência. É muito importante analisar as respostas recebidas em função de fatos. A CES 2018 está oferecendo uma grande gama de lições que precisamos aprender. Não estamos mais falando de inovações e de novas tecnologias. Estamos falando de atitudes em relação a um novo mundo econômico que está se formando.  

Mesmo na situação onde existe uma extremada restrição na superfície de contorno do involucro intelectual é preciso que existe algum nível de raciocino analítico. Se a afirmação “até 2020 a automação poderá acabar com 50% dos postos de trabalho” fosse verdadeira então a economia mundial estaria iniciando um ciclo de depressão. Não é isto que ocorreu em 2017 e inexiste previsão de tal fenômeno para 2018.


A afirmação equivocada implica em dizer que metade da força de trabalho mundial estará desempregada e sem renda em 2021. Como não é razoável assumir que a metade da força de trabalho que mantiver o seu emprego e renda vai almoçar e jantar duas vezes por dia ou vai dobrar o seu consumo de energia elétrica apenas para manter o equilíbrio macroeconômico mundial então é fácil perceber que o planeta entraria em depressão pela enorme perda de renda. Uma análise superficial revelaria que a realidade de janeiro de 2018 é incompatível com as afirmações publicadas pelo blogueiro na postagem “A quinta onda do atendimento”.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

São os fatos

O Brasil conseguiu a façanha de dividir a ciência da economia por dogma de fé. Existem diversas correntes que criam versões da natureza. Infelizmente as versões baseadas em fatos e aritmética básica são escassas no território nacional. As previsões são claramente desmentidas pelos fatos.

Recentemente foi afirmado e justificado que a reforma trabalhista iria criar empregos no Brasil. Para os criadores desta versão, nada será como antes e o país criará empregos e mais empregos com a flexibilização da lei trabalhista. Segundo eles, as pessoas vão trabalhar como nunca antes na história do Brasil. Em dezembro de 2017, cerca de um mês do inicio da reforma trabalhista, os fatos desmentem as versões.

O artigo “Estácio de Sá demite 1,2 mil professores após reforma trabalhista” (https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2017/12/1940980-estacio-de-sa-demite-12-mil-professores-apos-reforma-trabalhista.shtml?loggedpaywall&mobile, acessado em 06/12/2017) revelou a demissão de cerca de 10% dos docentes da organização. Parece que os gestores da universidade querem boicotar a versão da criação de novos empregos.

Também recentemente foi afirmado que as empresas estão demitindo os seus executivos e contratando outros por salário menor. Mais uma vez, os fatos desmentem a versão, pois em 2017 ocorreu aumento salarial dos executivos. O que realmente ocorreu é que as oportunidades oferecidas incialmente por um salário menor foram compensadas. Como o bônus por desempenho caiu em 2017 por conta dos resultados fracos, fica claro que a oferta de remuneração inicial mais baixa era questão momentânea e não estrutural. É muito importante observar o fenômeno completo. O artigo “Renda total de executivos aumenta, mas bônus caem” (http://www1.folha.uol.com.br/colunas/mercadoaberto/2017/12/1940959-renda-total-de-executivos-aumenta-mas-bonus-caem.shtml) revela que mais uma vez os fatos boicotaram as versões.


A versão que a recessão aumentou a concorrência é mais uma vez desmentida pelos fatos. O professor da FGV, Joelson Sampaio, afirmou que a queda da taxa de juros no Brasil seria maior se houvesse um ambiente de maior concorrência entre os bancos, pois a concentração bancária (de cada 5 reais movimentados, quatro são realizados nos cinco maiores bancos - Citibank e HSBC saíram do Brasil durante a recessão) limita a redução dos spreads. O artigo "Juros básicos devem cair a menor nível em 21 anos; e as taxas dos bancos?” (https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2017/12/06/selic-cai-juros-dos-emprestimos-caem-bem-menos-consumidor-bancos.htm) boicota a versão que a recessão aumentou a concorrência.

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Por que os trabalhadores americanos que não tem lei trabalhista protecionista não migram para o Brasil?

Recentemente eu recebi um vídeo do Luiz Felipe Pondé (https://www.youtube.com/watch?v=j1KarOUkeRo&app=desktop) sobre a legislação trabalhista brasileira. Neste vídeo o Pondé faz dois questionamentos. Por que os trabalhadores americanos que não tem lei trabalhista protecionista não migram para o Brasil?  Por que os trabalhadores brasileiros trocam a lei trabalhista protecionista brasileira pela lei não protecionista americana?

Na realidade já existiu no passado recente um momento em que os americanos vieram em busca de trabalho aqui no Brasil (Número de imigrantes dos EUA no Brasil aumenta quase 70% em dez anos, http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2014-12-05/numero-de-imigrantes-dos-eua-no-brasil-aumenta-quase-70-em-dez-anos.html, acessado em 28/11/2017). A questão que devemos analisar é se eles vieram em busca de uma lei trabalhista protecionista ou se eles buscam oportunidades de trabalho.

A avaliação da imigração de trabalhadores americanos últimos dez anos revela que eles vieram em busca de oportunidades. No momento em que os empregos sumiram no Brasil e surgiram nos Estados Unidos os trabalhadores americanos retornaram para o seu país.

Não é difícil perceber que os americanos não consideram a lei trabalhista brasileira protecionista. Aliás ela não é. Uma lei que transfere os direitos intelectuais e autorais dos trabalhos realizados pelos empregados para a empresa não pode ser considerada protecionista. Eu enxergo o oposto do protecionismo. Vejo a lei trabalhista brasileira como usurpadora do trabalho intelectual dos funcionários.

Em termos mais realísticos, o fluxo de retorno dos americanos revela que as condições normais de cidadania dos americanos são muito melhores. Este é o fator que faz com que o Brasil não seja um porto desejado pelos trabalhadores americanos. É importante destacar que a lei trabalhista da França e Alemanha é mais protecionista que a dos Estados Unidos e nestes dois casos também não existe a imigração em massa dos trabalhadores americanos.

O fator determinante é claramente a condição de cidadania oferecida.  É evidente que as condições de cidadania da França e Alemanha são boas, mas não são boas o suficiente (para o padrão de comportamento americano, as condições de cidadania dos Estados Unidos são no mínimo aproximadas em relação condições oferecidas na França e Alemanha) para atrair o interesse do trabalhador americano

Não é a chamada proteção oferecida pela CLT brasileira que vai estimular a imigração americana. Os americanos já perceberam que inexistem as propaladas proteções. As pessoas dão nomes fantasiosos para coisas que não existem com esperança que só com o nome tais coisas virem realidade. Não viram não.
As péssimas condições de cidadania no Brasil foram percebidas pelos americanos e no primeiro sinal de recuperação da economia americana eles retornaram. Se a CLT fosse realmente protecionista como é tão afirmado, o cenário do emprego no Brasil seria muito melhor. Os trabalhadores estariam contentes e estariam produzindo cada vez. A produtividade do trabalhador brasileiro está praticamente estagnada.

Muitos dos problemas relacionados com o emprego no Brasil, não estão relacionados com a lei trabalhista. Eu já presenciei a situação onde foi prometido para um funcionário uma promoção desde que ele obtenha um diploma universitário. Este funcionário conseguiu após um tempo de estudo um papel que afirmava que ele estava diplomado. Aquilo era apenas um papel e a pessoa não apresentava evolução intelectual alguma. Mesmo assim ele foi promovido.


A produtividade deste funcionário caiu porque ele tinha um salário menos e produzia a mesma coisa. Tal situação não está descrita na CLT. É apenas mais uma das péssimas práticas empresariais realizadas dentro das corporações. A preguiça impede que seja avaliada a evolução intelectual e cultural dos profissionais. É mais fácil usar como ferramenta um papel de uma universidade obscura.  

terça-feira, 21 de novembro de 2017

A vitória da consistência

Recentemente o papa do Service Desk do Brasil publicou a postagem "Mansur, seu destino é sofrer. Assim como o meu." (http://www.4hd.com.br/blog/2017/09/06/mansur-seu-destino-e-sofrer-assim-como-o-meu/, acessado em 21/11/2017) e para a minha completa felicidade, os fatos revelaram que ele estava parcialmente errado. Sim, bob, existem situações onde a verdade vende e vende muito mais do que a mentira.

No mês de outubro de 2017 chegou ao Brasil o Galaxy note 8. Eu passei os últimos meses frustrado, porque o produto anterior note 7 foi retirado do mercado sem sequer dar um alô para os consumidores brasileiros. Por causa da frustração acumulada de um ano, eu fiz algo inédito. Comprei o produto na pré-venda e fiquei esperando pela sua entrega. No meu ponto de vista, esta é a pior modalidade de compra que existe na face terrestre. Eu gosto de comprar e sair com o produto debaixo do braço.

Quando chegou a entrega do notes 8 na loja, eu descobri que ele veio sem o kit completo prometido (aparelho mais o carregador sem fio e mais o DeX Station). Apenas o aparelho seria entregue. Após idas e vindas o gerente da loja resolveu ser honesto e transparente. Ele disse que não tinha como entregar o kit completo naquele momento e que eu poderia cancelar a compra. Expliquei que sou consumidor da linha note desde o primeiro e que eu queria o produto.

Ele ficou espantado com o fato de usar a linha por tanto tempo e pediu para fazer mais uma ligação. Na volta ele me disse que se eu aceitar esperar 60 dias ele ou devolveria o dinheiro destes dois acessórios ou os entregaria. Eu confesso que aceitei a condição duvidando da palavra do gerente. Para a minha completa surpresa e derrocada da postagem do bob, depois de duas semanas ele me ligou e entregou os dois acessórios faltantes.

Eu tinha pleno conhecimento que o prazo de 60 dias tinha margem de segurança pessoal de trinta dias do gerente, por isto me programei para voltar depois de um mês. A loja e os profissionais conseguiram superar todas as minhas expectativas e com isto venderam outros celulares e acessórios que darei de presente de Natal para os familiares e amigos.  Definitivamente a verdade vende mais que a mentira.

O lado negativo desta postagem é que ainda existem os que pautam as suas afirmações por inconsistências. São profissionais que não enxergam que estão comprometendo a credibilidade da sua organização. Lamentavelmente, existem enormes dificuldades na realização de operações matemáticas elementares e no entendimento do sentido definido nos dicionários para as palavras em português e em inglês.

Recentemente, eu participei uma polêmica inútil. Até aquele momento, eu considerava como impossível existir tantas afirmações inconsistentes. Em um determinado momento foi afirmado que faz parte da normalidade o aumento da taxa de juros durante a recessão. Tal afirmação revela uma enorme inconsistência com a realidade dos fatos. Durante crise e recessão de 2008, os Estados unidos, a zona do Euro, o Japão e etc. abaixaram os juros. Em alguns casos a taxa de juros ficou negativa (BC dos EUA reduz taxa de juros para menor nível histórico, http://g1.globo.com/Noticias/Economia_Negocios/0,,MUL924851-9356,00-BC+DOS+EUA+REDUZ+TAXA+DE+JUROS+PARA+MENOR+NIVEL+HISTORICO.html). Em outras palavras, o período de recessão foi acompanhado por juros menores.

Para avaliar o caso brasileiro, onde a Selic nominal subiu entre 2014 e 2015 (11,75% em dezembro de 2014 para 14,25% ao ano em dezembro de 2015) é preciso levar em conta a inflação do período. A taxa de juros efetiva é a Selic nominal menos a inflação (IPCA por exemplo), ou seja, é necessário considerar a taxa de juros real da economia brasileira. O IPCA de 2014 foi 6,40% e 10,67% em 2015. É fácil perceber que a inflação disparou no Brasil durante a recessão (Inflação oficial fica em 10,67% em 2015, a maior desde 2002, http://g1.globo.com/economia/noticia/2016/01/inflacao-oficial-fica-em-1067-em-2015.html).

A taxa de juros real é a diferença entre os juros nominais e a inflação. Não é difícil perceber que o período de recessão no Brasil foi acompanhado por uma taxa real de juros menor (caiu de 5,03% em 2014 para 3,23% em 2015). Como as empresas no Brasil, apreenderam que em momentos de alta da inflação é preciso trabalhar com estoque mínimo (ideal é ter estoque próximo a zero) e a taxa real de juros caiu, existe completa invalidação da conclusão que os juros maiores aumentaram o custo do estoque, gerando assim a estratégia de vender para redução do estoque e aumento da oferta de produtos e concorrência.

De uma forma muito simples, o aumento da oferta de bens e produtos em um momento de empobrecimento do país gera o fenômeno de redução da inflação. Como fato é fácil perceber a inflação aumentou e a concorrência diminuiu. O Black Friday de 2016 e anos anteriores ilustra bem o fenômeno da redução da concorrência. Uma das reclamações foi a maquiagem do desconto (Pedido cancelado, desconto falso: o que deu errado na última Black Friday, https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2017/11/20/principais-reclamacoes-black-friday.htm).

Em uma situação de aumento da competição dos concorrentes em um mercado comprador deve existir o acirramento das ofertas e redução dos preços. Neste cenário não existe espaço para maquiagem de descontos ou para aumentar o seu preço porque um concorrente subiu o preço do produto ou serviço (Preço de produtos é mais errático nas lojas virtuais na Black Friday, http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2017/11/1936481-preco-de-produtos-e-mais-erratico-nas-lojas-virtuais-na-black-friday.shtml). Estas práticas só têm sentido quando a concorrência é baixa. Em um ambiente de intenso nível de competição, onde os concorrentes querem aumentar a sua participação do mercado, os vendedores mantem o preço dos seus produtos quando um concorrente aumenta o seu preço. É muito fácil perceber que os fatos conspiraram contra a afirmação que a recessão aumentou a concorrência no Brasil.

Todos sabem que os graves problemas dos Estados Unidos gerados crise de confiança de 2008, não foram resolvidos com a conversa fiada. Eles foram resolvidos com capacitação, honestidade e competência. O Brasil deveria refletir mais sobre os resultados alcançados pelos especialistas.

As empresas americanas como Uber, Amazon. Airbnb, Facebook, Twitter, Instagram, WhatsApp, Netflix e etc. não vieram para o Brasil porque o país estava em recessão. Elas vieram porque perceberam que os seus concorrentes eram fracos e sem capacidade de reação. Em cinco anos, a Netflix superou a segunda maior operadora de TV por assinatura e a terceira rede de TV aberta do Brasil (Netflix dobra tamanho em um ano e já fatura mais do que o SBT, http://noticiasdatv.uol.com.br/noticia/mercado/netflix-dobra-tamanho-em-um-ano-e-ja-fatura-mais-do-que-o-sbt--13507).

O WhatsApp provocou pânico nas operadoras de telecomunicações (Operadoras culpam crise e "efeito WhatsApp" pelo fim de 10 milhões de linhas de celular no Brasil, https://adrenaline.uol.com.br/2015/12/09/39206/operadoras-culpam-crise-e-efeito-whatsapp-pelo-fim-de-10-milhoes-de-linhas-de-celular-no-brasil/). Em 2016, cerca de 1 milhão de turistas se hospedaram no Brasil por meio do Airbnb (Anfitriões do Airbnb no Brasil ganham R$6 mil por ano com aluguéis, http://idgnow.com.br/internet/2017/08/17/anfitrioes-do-airbnb-no-brasil-ganham-r-6-mil-por-ano-com-alugueis/).

Em uma visita aos shoppings da cidade de São Paulo é fácil notar que existe uma grande quantidade de lojas fechadas. Os passeios nas ruas e avenidas comerciais da cidade de São Paulo como a rua Augusta e as avenidas Faria Lima, Rebouças, Nove de Julho e etc. revelam que existe uma gigantesca quantidade de imóveis fechados com placas para alugar ou vender.

Os que afirmam que novos entrantes internacionais do ramo de lanchonetes, lavanderias e restaurantes estão chegando de forma crescente ao Brasil deveriam olhar também as empresas que saíram do país nos últimos anos, pois a concorrência aumenta quando o saldo entre entradas e saídas é positivo e diminui quando o saldo é negativo.

Nos últimos anos deixaram o Brasil por causa da recessão as multinacionais gigantes, ricas e poderosas como Fnac, Nintendo, Geely Motors, Accessorize, HSBC, Citibank, Duke Energy e Kirin (De saída do Brasil: confira as empresas que desistiram do país durante a crise, http://www.gazetadopovo.com.br/economia/de-saida-do-brasil-confira-as-empresas-que-desistiram-do-pais-durante-a-crise-eyjupo2hsj9d5s28ads1x2tzv).

A Foxconn anunciou que vai encerrar as suas atividades no solo brasileiro (Após decisão da Foxconn, iPhone vai deixar de ser fabricado no Brasil, https://www.tecmundo.com.br/iphone/118381-decisao-foxconn-iphone-deixar-fabricado-brasil.ht).

A gigante chinesa Xiaomi ficou no Brasil apenas entre 2015 e 2016. Ela decidiu sair do Brasil e investir no mercado oriental, Índia e Europa (VP brasileiro deixa a Xiaomi e apaga chances de a empresa voltar ao Brasil, https://www.tecmundo.com.br/xiaomi/113641-ceo-brasileiro-deixa-xiaomi-apaga-chances-empresa-voltar-brasil.htm).

Não é difícil perceber que o saldo de entradas e saídas é negativo. Afirmações como “os fatores de produção não são tão flexíveis”, “é raro uma empresa sair do mercado onde atua” e “é difícil encontrar mercado em expansão” foram destroçadas pelos fatos.

As empresas encontraram os caminhos óbvios e fáceis para tornar os fatores de produção flexíveis e sair do mercado. O banco Citibank que atuou no Brasil por décadas encontrou mercados em expansão da mesma forma que a empresa Xiaomi. Estas organizações contrataram profissionais capacitados que resolveram com enorme facilidade e velocidade os desafios relacionados com os fatores de produção.

A empresa Xiaomi faz mais em um minuto do que muitos realizaram na sua vida toda. Os competentes e alfabetizados executivos da empresa leram o livro “A Estratégia do Oceano Azul” e decidiram sair do oceano vermelho que é o Brasil onde o mercado está empobrecendo e foram para o oceano azul que é o mercado da Índia que está enriquecendo. A concorrência no Brasil diminuiu drasticamente durante a recessão, porque as empresas multinacionais e nacionais que produziam no pais, fecharam as portas no Brasil e buscaram mercados promissores (veja alguns dos exemplos listados a seguir).

·       Sandvik (Grupo Sandvik fecha fábrica de ferramentas no Brasil, http://www.usinagem-brasil.com.br/10162-grupo-sandvik-fecha-fabrica-de-ferramentas-no-brasil/)
·       MABE (As negociatas e fraudes por trás da falência da MABE, http://www.esquerdadiario.com.br/As-negociatas-e-fraudes-por-tras-da-falencia-da-MABE),
·       Comil (Comil Ônibus paralisa operação em Erechim http://jcrs.uol.com.br/_conteudo/2016/08/economia/518404-comil-onibus-paralisa-operacao-em-erechim.html)
·       Kasinski (Com demanda fraca, Kasinski fecha fábrica e demite 500 no AM, http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2014/08/1495925-com-demanda-fraca-kasinski-fecha-fabrica-e-demite-500-no-am.shtml)
·       Em 2015 cerca de 1.000 concessionárias fecharam as portas (Caos automotivo: em meio à crise, montadoras massacram concessionárias, http://m.jb.com.br/opiniao/noticias/2016/01/07/caos-automotivo-em-meio-a-crise-montadoras-massacram-concessionarias/)
·       MWM que fabricava motores para a General Motors (GM), além de possuir, até pouco tempo atrás, uma linha de caminhões, anunciou que fechará as portas em fevereiro de 2016 (MWM encerrará atividades e deixará 650 trabalhadores na rua, http://otimoneiro.com.br/mwm-encerrara-atividades-e-deixara-650-trabalhadores-na-rua/)
·       A fabricante de autopeças Delphi decidiu fechar a fábrica de Cotia. Até 2014, a multinacional tinha nove fábricas no País (Delphi fechou três fábricas de autopeças no Brasil este ano, http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,delphi-fechou-tres-fabricas-de-autopecas-no-brasil-este-ano--imp-,1738301)
·       Fiat, Hyundai, Toyota, Chery, Suzuki, TAC Motors, BMW, Paccar ou fecharam fabricas ou desistiram de investir no Brasil ou fizeram as duas coisas (Montadoras que abrirem fábricas no Brasil irão a falência, http://hariovaldo.cartacapital.com.br/site/2014/01/18/montadoras-que-abrirem-fabricas-no-brasil-irao-a-falencia/)
·       Chery (Chery suspende produção no Brasil por até cinco meses a partir de julho, http://g1.globo.com/sp/vale-do-paraiba-regiao/noticia/2016/06/chery-suspende-producao-no-brasil-por-ate-cinco-meses-partir-de-julho.html)
·       Montadoras Chinesas (Montadoras chinesas vieram para vencer – mas deu tudo errado, https://exame.abril.com.br/revista-exame/vim-vi-e-perdi/)
·       Queda de consumo leva a capacidade ociosa na indústria (Indústria automobilística sofre com crescente queda na venda de veículos, http://g1.globo.com/jornal-da-globo/noticia/2015/05/industria-automobilistica-sofre-com-crescente-queda-na-venda-de-veiculos.html)

Não é difícil perceber que as inconsistências perderam de goleada dos fatos. A maior derrota vem do território das importações. Foi afirmado que a presença crescente de importados aumentou a concorrência. Se ocorreu durante a recessão uma presença crescente de produtos importados isto significa que as importações brasileiras deveriam ter aumentado.

Em 2014 no início da recessão, o total das importações brasileiras era de US$ 229 bilhões (Balança comercial registra em 2014 primeiro déficit desde 2000, http://g1.globo.com/economia/noticia/2015/01/balanca-comercial-registra-em-2014-primeiro-deficit-desde-2000.html) e em 2015 e 2016 na parte intermediária e final da recessão, o total das importações brasileiras era de US$ 171,45 bilhões em 2015 e US$ 137,55 bilhões em 2016. Entre 2016 e 2014 as importações caíram 91,45 bilhões de dólares ou quase 40% (Balança bate recorde e fecha 2016 com superávit de US$ 47,7 bilhões, https://g1.globo.com/economia/noticia/balanca-bate-recorde-e-fecha-2016-com-superavit-de-us-477-bilhoes.ghtml).

Não é difícil perceber que as importações entraram em queda livre e que o fenômeno restringiu a concorrência no solo nacional. Se considerarmos que os produtos produzidos localmente das multinacionais que deixaram o país durante a recessão foram substituídos por produtos importados então fica claro o tamanho da redução da concorrência. Em 2014 foram importados cerca de 230 bilhões de dólares com produção local de empresas como Nintendo, Geely Motors, Accessorize, Duke Energy e Kirin. Em 2016 foram importados cerca de US$ 140 bilhões sem a produção local da Nintendo, Geely Motors, Accessorize, Duke Energy e Kirin. A perda total do tamanho da concorrência ultrapassa os US$ 100 bilhões de dólares.

A Associação Brasileira das Empresas Importadoras e Fabricantes de Veículos Automotores (Abeifa) divulgou que em 2014 foram empacados 96.578 automóveis importados. Em 2015 foram emplacados 59.975 e em 2016 35.852 veículos importados. Entre 2016 e 2014 existiu uma redução espetacular de 60,726 automóveis. Os que enxergam um aumento crescente dos automóveis importados no Brasil estão sendo derrubados pelos fatos. Mais uma vez a concorrência diminuiu.

O real problema do emprego no Brasil não está relacionado com a legislação trabalhista ou com eventuais movimentos de consolidação de cargos executivos que viraram redundantes por conta do avanço da tecnologia. Tentar imaginar que os benefícios concedidos aos executivos diminuíram nos últimos anos é fugir da realidade. Não será contratando os pejotinhas que as empresas vão conseguir resultados positivos.

Desde os anos 1990, existe a estratégia de pejotizar os funcionários. O resultado final é a falência. A praticamente total das empresas nacionais de TIC que praticavam a pejotização desapareceu do mercado. Elas não aguentaram a concorrência das competentes empresas internacionais que contratavam conforme a legislação trabalhista.   O enorme atraso e consequente perda de capacidade competitiva foram os fatores decisivos para a derrocada das empresas nacionais de TI. A postagem “Bob, a terceirização é uma solução ou um problema?” (http://itgovrm.blogspot.com.br/2017/10/bob-terceirizacao-e-uma-solucao-ou-um.html) apresenta diversos casos de fraudes e perdas relacionadas com a pejotização.

Empresas como Facebook, Twitter e etc. nasceram com capital monetário inicial praticamente nulo. O real valor das organizações exponenciais está na sua capacitação cultural e intelectual. Enquanto empresas minúsculas viraram gigantes mundiais como a AirBnB, as empresas sucumbiram diante da concorrência que contratava gente gabaritada e ética dentro da legislação trabalhista.

O real problema do emprego no Brasil está na produtividade, capacitação profissional e no engajamento corporativo. Em 1980, o trabalhador chileno e o brasileiro apresentavam a mesma produtividade (trinta mil dólares por ano). Em 2016, o trabalhador brasileiro gerou US$ 30 mil e o chileno US$ 55 mil. Se considerarmos todo o avanço da tecnologia à disposição do trabalhador brasileiro fica claro que a sua produção intelectual regrediu muito (Viva Chile, https://www1.folha.uol.com.br/colunas/viniciusmota/2017/11/1936637-viva-chile.shtml?mobile).

Em 2015 durante a recessão, a produtividade do brasileiro caiu 3%, enquanto a do argentino que também estava enfrentando uma crise econômica subiu 74% e a da Chinês cresceu absurdos 422% (Fonte: Conference Board). É muito fácil perceber que o problema do emprego não é a legislação trabalhista. É a produtividade do brasileiro.

Observação:


Para a datação do período da recessão brasileira eu adotei o conceito do Comitê de Datação de Ciclos Econômicos (Codace) que existe recessão quando ocorre uma queda generalizada no nível de atividade econômica, independentemente de ter ocorrido dois trimestres seguidos de PIB negativo (Recessão brasileira acabou no fim de 2016, diz comitê da FGV que estuda ciclos econômicos, https://g1.globo.com/economia/noticia/recessao-brasileira-acabou-no-fim-de-2016-diz-comite-da-fgv-que-estuda-ciclos-economicos.ghtml).