sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Blockchain e o sistema financeiro

Os estudos do mercado do sistema financeiro internacional e brasileiro revelaram que ocorreu no primeiro semestre do ano de 2016 um espetacular crescimento em relação ao mesmo período de 2015 da quantidade de grandes e conhecidos bancos, bolsas de valores e outras organizações provedoras de serviços financeiros (ou semi financeiros) que estão avaliando as suas estratégias futuras (triênio 2017 até 2020) tanto para as criptomoedas, como para a tecnologia Blockchain.

Foi revelado que a McKinsey estimou que o Brasil terá no ano de 2015 um ganho de 152 bilhões de dólares na economia pelo uso de transações digitais no setor financeiro.
Fonte: Economia brasileira pode ganhar R$ 495 bilhões com digitalização dos serviços financeiros, http://cio.com.br/noticias/2016/09/30/economia-brasileira-pode-ganhar-r-495-bilhoes-com-digitalizacao-dos-servicos-financeiros/, acessado em 30/09/2016.

Em 2016, a maioria dos provedores de serviços financeiros e semi financeiros percebeu que o modelo de livro razão público e descentralizado do Blockchain aumenta a resiliência e transparência do negócio. A criptomoeda deixou de ser vista como o objetivo final. O estudo "Mercado da tecnologia Blockchain no sistema financeiro" destacou a importância de conhecer e mitigar os riscos inerentes da tecnologia em relação aos aspectos técnicos e de competitividade.

As empresas do sistema financeiro estão começando a entender com mais clareza o potencial da tecnologia Blockchain para melhorar a sua eficiência operacional e para reduzir os riscos. A redução do prazo para a liquidação das operações, o estabelecimento de acordos com maior rapidez, a validação forte das identidades e a marcação da data e hora aumenta a conformidade e elimina as falhas e riscos introduzidos pelo fator humano nos acordos estabelecidos. Em outras palavras os custos são reduzidos, a qualidade é aumentada, os serviços entregues para os clientes são melhorados, o volume de receitas perdidas é reduzido e as disputas e atritos com os clientes são minimizadas.

A transparência oferecida pelo livro razão público e descentralizado do   Blockchain é capaz de aumentar a reputação positiva (credibilidade) das instituições financeiras em um ambiente de negócios onde os bancos e outros membros do sistema financeiro precisam oferecer transparência total tanto para as organizações e pessoas que estão do outro lado do comércio, como para os agentes reguladores, como para os investidores, como para os clientes.

A validação forte da identidade é uma aplicação que reduz o risco e aumenta a transparência. O compartilhamento das informações básicas da identidade com membros específicos da cadeia produtiva sem revelar as identidades (processo de investigação de todo o histórico das transações registradas no Blockchain realizado conforme a necessidade) aumenta o nível de confiança que os membros da cadeia de negócio ou pessoas depositam no provedor financeiro ou na outra parte interessada.

Os membros do sistema financeiro tradicionais sabem que a adoção mesmo que parcial das criptomoedas vai pressionar a atual estrutura de tarifas dos bancos. Isto significa que o sistema financeiro precisa entender como a infraestrutura trabalha e como é o funcionamento das transações.

Foi afirmado que a empresa japonesa de serviços de Bitcoin Coincheck anunciou em 2016 a solução Coincheck Denki, ou seja, os usuários poderão pagar as suas contas de luz usando o Bitcoin com descontos de até 6%.
Fonte: Japão aceitará pagamento de contas de luz em Bitcoin, http://olhardigital.uol.com.br/pro/noticia/japao-aceitara-pagamento-de-contas-de-luz-em-bitcoin/62483, acessado em 30/09/2016.
  
O conhecimento da tecnologia Blockchain é a chave que vai permitir que os bancos ofereçam novos serviços, reduzam as tarifas dos serviços existentes e eventualmente canibalizem as receitas geradas por eles. A adoção de uma criptomoeda ou de serviços baseados no Blockchain (serviços financeiros que exigem o compartilhamento descentralizado dos elementos de valor) vai gerar a necessidade de novas ofertas de serviços e produtos financeiros pelos bancos.

Foi revelado que os profissionais com experiência em tecnologia, startups ou empresas “ponto com” selecionados liderarão os projetos de transformação digital do banco Itaú.
Fonte: Itaú procura experts em tecnologia para programa digital, http://computerworld.com.br/itau-procura-experts-em-tecnologia-para-programa-digital, acessado em 30/09/2016.

É muito provável que no futuro próximo (até 2020), os bancos aumentem o preço das tarifas para os clientes das transações que usam meios de pagamento de baixa eficiência como o papel moeda (dinheiro tradicional) ou cheques. Como os membros do sistema financeiro frequentemente fazem comparações e aprendem uns com os outros é provável que todo o sistema financeiro trabalhe no mesmo formato. É evidente que as criptomoedas e o Blockchain vão gerar novos riscos competitivos para os bancos. Os bancos entendem que o cenário para o seu ambiente de negócios é de mudança radical. Em outras palavras, para eles as mudanças escancararão as suas portas em breve.  Na visão dos bancos as ações dos agentes reguladores que atuam dentro da sua área de jurisdição podem apenas fazer com que a adoção das tecnologias seja baixa e restrita no curto prazo.

Os bancos estão cientes dos desafios e querem fazer parte deste novo mundo. O objetivo deles é usar a tecnologia Blockchain para estabelecer vantagens competitivas e melhorar a sua reputação. O sistema financeiro entende que é possível reduzir o risco da concorrência futura com um pequeno investimento realizado em 2016 nas soluções inovadoras. Para os estrategistas dos bancos, a necessidade de elevada capacitação para a mão-de-obra vai gerar uma barreira para a entrada de novos entrantes. Os executivos dos bancos acreditam que a forte demanda por uma engenharia capacitada para enfrentar os novos desafios será um fator forte o suficiente para impedir o avanço das Fintechs (junção de Finanças com Tecnologia).

Foi revelado que o Marcelo Orticelli que é o diretor da área de pessoas do banco Itaú afirmou que a instituição está procurando por especialistas criativos, antenados e que tenham espírito empreendedor.
Fonte: Itaú procura experts em tecnologia para programa digital, http://computerworld.com.br/itau-procura-experts-em-tecnologia-para-programa-digital, acessado em 30/09/2016.

As organizações do sistema financeiro tradicional estão em acirrada competição para contratar talentos que são capazes de produzir inovações. Para conseguir atrair e reter os talentos, os bancos estão criando centros de excelência e laboratórios de inovação nas cidades com elevada concentração de profissionais capacitados e preparados. A combinação do desejo empresarial em atrair e reter os talentos em conjunto com o elevado conhecimento acumulado nos centros de excelência e laboratórios de inovação cria um ambiente excitante para que as novas tecnologias sejam trabalhadas sem que existam riscos exagerados de perda de talentos recrutados.

As chaves que habilitam este novo cenário são a retenção dos talentos e o fim do preconceito contra o cabelo branco. Por causa do novo cenário do ambiente de negócios, tem muito sentido a movimentação mais ousada e arrojada das instituições financeiras mais solidas e tradicionais para a contratação dos melhores perfis profissionais da engenharia de inovação.

Os agentes reguladores das principais economias do mundo estão desenvolvendo ferramentas para que tecnologias como o Blockchain sejam controladas, tributadas e monitoradas. Os bancos e outros provedores de serviços financeiro entendem que o conhecimento sobre as criptomoedas dos agentes reguladores é mais avançado do que o conhecimento existente nos bancos. Os bancos acreditam que as normas e regulamentações das criptomoedas e Blockchain podem mudar o formato da adoção das novas tecnologias, por isto eles estão monitorando de perto o ambiente regulatório para que não enfrentem dificuldades com as novos regras e leis.

Os fundamentos técnicos das criptomoedas e dos protocolos da infraestrutura do Blockchain habilitam as mudanças nos produtos e serviços financeiros oferecidos pelas instituições financeiras.  A tecnologia está sendo utilizada para a distribuição, monitoração e regulamentação dos produtos e serviços financeiros com o objetivo de reduzir o risco total da operação da instituição financeira. É muito provável que até o final do ano de 2020, a tecnologia Blockchain estará presente no dia-a-dia das pessoas alterando por completo a forma como os clientes realizam as suas transações comerciais, como as identidades são verificadas, como as instituições financeiras interagem entre elas e como as taxas e tarifas bancárias serão definidas e cobradas.

Todas as organizações que atuam no sistema financeiro tradicional conhecem e entendem o impacto potencial que a tecnologia Blockchain é capaz de causar no seu negócio atual. O atual nível de movimentação dos bancos em relação ao assunto é consequência do fato que eles não querem “serem pegos com a calça na mão” no momento da disrupção tecnológica. As instituições que agarrarem em 2016 as oportunidades geradas pelas mudanças vão conseguir estabelecer estratégias inteligentes para desenvolver ideias inovadoras com as novas tecnologias e serão capazes de trabalhar no momento da disrupção tecnologia em um modelo de negócio mais lucrativo que o atual. O novo modelo de trabalho destas organizações vai permitir tanto uma forte redução no risco operacional total, como uma melhor e mais rápida identificação das novas oportunidades de crescimento.

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Riscos da adoção da tecnologia Blockchain

Os seis principais riscos para a adoção da tecnologia Blockchain estão relacionados com as mudanças de comportamento, com a escalabilidade da cadeia, com o bootstrapping, com as regulamentações dos governos, com as fraudes e com a computação quântica

Mudanças de comportamento. Existem resistências contra as mudanças. No mundo de uma terceira parte acreditadora não tangível, que o Blockchain introduz, os clientes precisam se acostumar com o fato de que as transações eletrônicas são seguras, garantidas e completas. Os intermediários como Visa e Mastercard (setor de cartão de crédito) vão ter que mudar os seus papéis e responsabilidades. Eles vão investir nos próximos anos nas mudanças para as plataformas baseadas no Blockchain para continuar oferecendo os seus serviços de relacionamento com os clientes.

Escalabilidade. A escalação dos nascentes serviços baseados no Blockchain apresenta vários desafios importantes. Na primeira transação usando o Blockchain, o usuário precisará baixar o conjunto completo dos Blockchains existentes e validar eles antes de realizar a sua primeira transação. Este processo pode levar várias horas porque o número de blocos aumenta exponencialmente.

Bootstrapping (conjunto de atividades que são executadas antes do Blockchain ser executado). A movimentação dos contratos ou documentos (ou estruturas) de negócio existentes para o novo Blockchain com base na metodologia atual exige a execução de um conjunto expressivo de tarefas de migração. Por exemplo, os documentos de posse ou hipoteca dos imóveis que estão registrados nos cartórios precisam ser migrados de forma equivalente para o Blockchain. Estas atividades demandam por tempo e custam dinheiro.

Regulamentações dos governos. No novo mundo das transações baseadas no Blockchain, as agências de controle e regulamentações como FTC (Federal Trade Commission), SEC (Securities and Exchange Commission), CVM (Comissão de Valores Mobiliários), Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e etc. podem reduzir a sua velocidade de adoção pela criação de novas leis para monitorar e regulamentar a indústria para assegurar a conformidade. Nos países onde as pessoas acreditam na efetividade operacional destas agencias, a participação delas no Blockchain pode ajudar na sua adoção. Nos países onde as agencias são desacreditadas, a participação delas vai atrapalhar a adoção do Blockchain.

Fraudes. Como a natureza das transações do Blockchain são pseudoanônimas e existem facilidades para a movimentação de valores, os fraudadores podem usar a rede Blockchain para atividades criminosas como a lavagem de dinheiro. No entanto, as agências podem criar regulamentos, leis e soluções que sejam suficientes para monitorar e processar os criminosos.


Computação Quântica (Quantum Computers: The End of Cryptography?, http://www.makeuseof.com/tag/quantum-computers-end-cryptography/, acessado em 22/09/2016).  A base de sustentação da tecnologia Blockchain é a crença no fato de que é matematicamente impossível para um único computador executar o sistema completo por causa da falta de capacidade de processamento computacional. Os computadores quânticos podem no futuro quebrar facilmente as chaves de criptografia através da força bruta dentro de um prazo razoável. Se isto acontecer, o sistema será derrubado. É evidente que no futuro as chaves de criptografia podem evoluir com a computação quântica (https://pt.wikipedia.org/wiki/Computa%C3%A7%C3%A3o_qu%C3%A2ntica, acessado em 22/09/2016) para um outro patamar de potencialidade onde os computadores quânticos só consigam quebrar as chaves de criptografia via força bruta em prazos muito grande.

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Que venha o Vendor Relationship Management (VRM)


Muita gente conhece o Customer Relationship Management (CRM) que é a gestão de relacionamento com os clientes realizada pelas empresas. No entanto, poucos conhecem o Vendor Relationship Management (VRM) que é uma categoria de atividade de negócio habilitada por ferramentas de software que tem por objetivo oferecer para os clientes pessoas físicas e jurídicas independência dos vendedores e melhorar o significado do engajamento. As ferramentas podem ser utilizadas pelas pessoas físicas e jurídicas no seu relacionamento com as instituições públicas e organizações privadas. A primeira vista pode parecer que o blog itgovrm quer adicionar mais uma sigla na sopa de letras do gerenciamento. Mas não é. O VRM é um conceito de enorme importância e relevância para todos que compram produtos e serviços.

Recentemente estive envolvido em um episódio que me deixou profundamente chateado. Uma operadora de telefonia resolveu fazer débitos diários de R$ 2,78 pela contratação do serviço VO-Upstream (Mini Promos 3) - Assinatura Megapromo - Cat.6. A operadora realizou estes débitos de 11/05/2016 até 05/08/2016 perfazendo um total de R$ -241,86.

Quando os débitos foram percebidos pelo cliente em 05/08/2016 foi aberta uma reclamação junto a operadora e os débitos foram encerrados em 05/08/2016. A operadora afirmava de pés juntos que o usuário havia contratado o serviço. No entanto, ela foi incapaz de apresentar qualquer tipo de comprovação desta contratação. É algo surpreendente porque a Anatel (https://sistemas.anatel.gov.br/sis/cadastrosimplificado/pages/acesso/login.xhtml?i=0&codSistema=649) tem no seu site no canal de reclamações o item “Inclusão indevida em promoção” que induz que a prática de empurrar um serviço e debitar valores do cliente não é novidade para a Agência Nacional de Telecomunicações e faz parte da rotina das operadoras de telefonia móvel.

Ao receber estas reclamações a Anatel deveria agir na defesa do sistema público de telefonia móvel inabilitando as empresas que usam tais expedientes. Enfim é mais uma agência que é incapaz de cumprir o seu papel. Eu pessoalmente já fui vítima deste esquema. Eu recebi uma ligação ofertando serviços de telefonia móvel. A ligação foi desligada alguns segundos após do meu atendimento e imediatamente recebi vários SMSs informando a contração de serviços e início do débito. Liguei para a operadora informando tal fato e a atendente da operadora agiu como se eu estivesse cancelando algo que contratei. Mesmo sendo informada de forma clara e objetiva que inexistiu tal aceitação e contratação ela simplesmente me ignorava. Fez apenas o cancelamento e estorno dos valores cobrados e foi incapaz de explicar como ocorreu a contratação de um serviço não solicitado e não autorizado.

Eu pesquisei na Internet casos iguais ao do serviço VO-Upstream (Mini Promos 3) - Assinatura Megapromo - Cat.6 e encontrei aqui e ali relatos e processos mostrando que é o caso é comum e recorrente. Existe tanta repetição da mesma reclamação que parece que tal prática faz parte da estratégia de negócio. Eu lamento pelas pessoas que trabalham nesta empresa. Não é à toa que a mesma é incapaz de inovar e produzir resultados relevantes. Eu teria vergonha de trabalhar nesta organização. Eu teria vergonha de apresentar um cartão de visitas desta firma para profissionais de mercado. Eu não comprometeria a minha carreira profissional trabalhando em uma organização com valores éticos tão escassos.


O Vendor Relationship Management é um sistema onde os compradores expressam para uma grande base integrada de potenciais compradores a sua experiência com um determinado vendedor. Muito melhor que o código de defesa do consumidor, Procon, agências reguladoras e etc. o VRM é capaz de expulsar do mercado quem escolhe como modelo de negócio a enganação e a desonestidade. Empresas que praticam fraudes diariamente serão expulsas do mercado pela facilidade de comunicação que o sistema de VRM oferece para todos os clientes pessoas físicas e jurídicas. Que o VRM chegue logo ao mercado brasileiro.

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Negócio de um centavo ou de um milhão ou de um bilhão? Você escolhe.

Desde 2007 as minhas atividades profissionais estiveram focadas no escritório de projetos para megaeventos. Com o encerramento dos jogos em agosto de 2016 este ciclo foi encerrado. A partir de setembro estou trabalhando em novos desafios e tenho disponibilidade para participar dos eventos, encontros e reuniões que estava afastado desde 2009.

No mais recente reencontro estive com um grupo de cerca de 80 jovens formados em contabilidade e finanças. Nestes eventos muitos consultam o meu histórico de resultados dos projetos e invariavelmente iniciam o encontro perguntando o que deve ser feito para ter um negócio de um milhão. Como sou frequentemente questionado sobre este tema eu já tenho um roteiro pronto onde exemplifico de forma genérica as oportunidades existentes no mercado. Para este grupo em particular eu tinha preparado o roteiro com base nas oportunidades geradas pela tecnologia Blockchain.

Na hora que estava abrindo a apresentação eu resolvi mudar tudo e improvisar. Pensei comigo: Porque não discutir uma oportunidade prática e real e colocar os pingos nos is? O meu novo ciclo profissional permite mudanças como esta. Então resolvi perguntar para o grupo: O que aconteceria para o seu negócio de contador se você oferecesse os seus serviços de graça para as pessoas jurídicas e físicas?

Como era esperado deu-se início a um acalorado debate onde aspectos de valorização do trabalho do contador e computação cognitiva e inteligência artificial substituindo o trabalho do contador foram abordados com entusiasmo. No momento em que os espíritos foram serenados eu resolvi tomar o controle da palavra e partir para as explicações. Era bastante claro que oferecer a contabilidade de graça iria aumentar tanto a quantidade de clientes, como a de trabalho realizado (mesmo nas situações onde o computador executaria a maior parte das atividades). O que eu estava propondo para estes empreendedores era encontrar uma forma diferente para rentabilizar o seu trabalho.

O desafio era como gerar dinheiro quando o seu cliente não paga nada pelo serviço recebido. Diante da falta de respostas da plateia eu lembrei de uma empresa chamada Waze. Esta empresa que entregava os seus serviços de graça para os clientes conseguiu a façanha de quebrar empresas gigantescas como a empresa Nokia. O segredo que não tem nada de secreto é saber diferenciar dado de informação. A empresa Waze recebia dados e os processava gerando informações. Estas informações valiam bilhões de dólares. Foi assim que um negócio de um centavo virou um negócio de bilhão.

No caso dos contadores eles terão acesso a uma grande quantidade de dados contábeis das empresas e eles poderão transformar estes dados em valiosas informações. A contabilidade registra os números históricos das empresas, ou seja, o passado. Ela também registra os números futuros como contas a pagar ou a receber. Ao construir uma grande base de dados da contabilidade das empresas, os contadores poderão identificar através do Big data as tendências futuras da economia local, regional ou nacional. São informações sobre vendas realizadas que ainda não estão disponíveis ao mercado, pois o balanço das grandes empresas é divulgado à posteriori. São informações preciosas sobre o nível de inadimplência do mercado, investimentos realizados e etc. É possível com base nos dados recebidos de graça gerar informações que valem bilhões para o mercado financeiro.

Este é o caminho para transformar a renda de escritório de contabilidade de alguns milhares de reais por mês para alguns milhões. O que aconteceria se estes contadores que empreendem individualmente fossem reunidos em uma grande plataforma nacional? Certamente estaríamos falando de um unicórnio (startup de um bilhão de dólares).

As informações adquiriram um enorme valor para todas as profissões na era do conhecimento. As máquinas inteligentes podem chegar ao Brasil para substituir profissionais como contadores, advogados, escritores e etc. ou podem ser usadas como plataformas para a criação de negócios empolgantes. É tudo uma questão de escolha.


Ao contrário do que muitos imaginam, as inovações não precisam ser feitas com novos apps, softwares e etc. Elas podem vir de novos modelos de negócio. Estamos no momento oportuno para mudar paradigmas e gerar novos tipos de negócios. Alguns deles serão de um centavo, outros de um milhão e outros de um bilhão. O empreendedor escolhe.

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Diversidade força de trabalho - time multigeracional

Um time multigeracional oferece diversos caminhos para observar e endereçar os desafios de um problema ou projeto. Ou em outras palavras quanto mais pensamentos você tem, maior é a sua vantagem competitiva (Why a multi-generational team is key to business success, http://www.techrepublic.com/article/why-a-multi-generational-team-is-key-to-business-success/, acessado em 30/08/2016).

O estudo "Leading—and successfully managing" do Boston College Center for Work & Families (https://www.bc.edu/content/dam/files/centers/cwf/research/publications/pdf/MultiGen_EBS.pdf, acessado em 30/08/2016) revelou que uma força de trabalho intergeracional é um fator imperativo para o sucesso dos negócios.

O artigo “Myth busted: Older workers are just as tech-savvy as younger ones, says new survey” (http://www.techrepublic.com/article/myth-busted-older-workers-are-just-as-tech-savvy-as-younger-ones-says-new-survey/, acessado em 30/08/2016) desmascara o paradigma exaustivamente repetido no Brasil que a geração digital tem mais facilidade em usar a tecnologia. Foi afirmado que 13% dos profissionais acima de 55 anos tinham dificuldades em usar os vários dispositivos digitais disponíveis no mercado, ao passo que 37% dos profissionais entre 18 e 34 anos tinham dificuldades com os diversos dispositivos digitais. É um paradigma importante que foi rompido pela realidade dos fatos.

No artigo “Why a multi-generational team is key to business success” foi afirmado que a criatividade e a inovação não são habilidades exclusivas dos jovens. Os ganhadores do prêmio Nobel em geral têm idade acima dos 23 anos.

O atual momento do mercado brasileiro exige qualificações. As empresas que estão buscando oportunidades no Brasil e exterior precisam contratar conforme o conjunto de qualificações e habilidades exigidas para a função. As firmas precisam conversar com os profissionais gabaritados independente da sua idade.


Muitas firmas falam que não chamam os profissionais mais velhos por causa do valor do salário pedido. É uma grande tolice tal procedimento em um pais com 12 milhões de desempregados. A empresa mais inteligente simplifica o assunto. Ela estabelece quanto pode pagar pela função e oferece para o melhor capacitado. O profissional mais velho escolhido pode aceitar ou não a oferta. É um processo muito mais simples do que adivinhar o pensamento das pessoas. É a hora do mercado nacional entender que as várias perspectivas, habilidades e níveis de experiência permitem a geração e desenvolvimento de melhores projetos e resultados para a empresa.

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Ransomware

Há alguns anos atrás eu fui vítima de um ataque de Ransomware. Eu estava navegando por alguns sites suspeitos quando explodiu uma tela de violação de leis americanas e instruções de pagamento de multa. Como eu não havia perpetrado as violações mencionadas eu fiquei indignado. Como desligar e ligar o computador não resolvia nada eu cogitei por alguns instantes pagar as multas e recuperar o acesso aos meus arquivos. O meu computador era protegido por firewall e antivírus e isto me levou a acreditar que tinha feito algo errado. Usando um computador antigo consegui descobrir que não havia infringindo lei alguma e eu estava sendo vítima de um ataque de Ransomware.

Como fiquei desesperado eu apertei a esmo sequências de teclas para recuperar o acesso ao computador. Por um lance de pura sorte descobri com um Ctrl C que existia uma janela dos executando um script que era a origem do ataque. Consegui então injetar alguns comandos e interromper a execução do script. Com isto descobri onde ele estava fisicamente e um simples delete retornou o meu acesso ao computador. Em 2016 este tipo de ataque perdeu o espírito amador e virou um negócio. Por isto é muito importante saber o que fazer antes de ataque assim e identificar o mesmo o mais rápido possível. O ataque de Ransomware inicia de forma invisível para o usuário. Ele começa com a troca de uma chave de criptografia e a criptografia dos arquivos durante a ociosidade do computador. Durante alguns meses o ataque acontece apenas criptografando os arquivos e liberando o seu acesso. Pessoas mais atentas vão perceber uma progressiva lentidão do computador.

Por isto é importante manter em disco externo o backup dos arquivos em base anual, ou seja, um backup de cada uma das semanas por um ano. No caso de um ataque é possível restaurar uma cópia não criptografada e continuar o trabalho a partir deste ponto. Existem perdas que podem ser bem chatas neste estratagema. É melhor do que nada, mas não é uma solução agradável, pois existirão perdas. Mesmo com firewall, antivírus e outras ferramentas de proteção é possível ser atacado pelo Ransomware. Ele pode vir até mesmo de uma rede supostamente segura. Isto significa que é importante estabelecer medidas preventivas e mitigatórias ao ataque. É de fundamental relevância que a empresa debata internamente o que deve fazer em um ataque de Ransomware. Se deve pagar o resgate ou não.

Foi afirmado que o mercado de Ransomware cresceu tão rapidamente que o ataque é oferecido como um serviço.
Fonte: Ransomware-as-a-service is exploding: Be ready to pay, http://www.techrepublic.com/article/ransomware-as-a-service-is-exploding-be-ready-to-pay/, acessado em 22/08/2016.

Como os ataques de Ransomware estão crescendo no mundo inteiro já existindo inclusive a modalidade Ransomware as a Service (RaaS) é preciso ter certeza se ele está mesmo ocorrendo. Os ataques normalmente pedem resgastes em bitcoins, por isto desconfie quando receber instruções em outras moedas. Alguns ataques são amadores e parecem ser um Ransomware. Use as combinações para parar os programas como Ctrl C e Ctrl break para ver ser algo acontece no computador infectado.

Ao ter certeza do ataque desconecte imediatamente este computador da rede com e sem fio. Verifique as instruções contra o Ransomware nos sites dos fabricantes de antivírus, pois em 30% dos casos as chaves de criptografia usadas pelo ataque já foram quebradas e é possível recuperar os arquivos. Se nada funcionar é importante acionar a polícia e reportar o caso. Nesta situação existem poucas alternativas restantes. Uma delas é pagar o resgate. A outra é usar o backup e assumir algumas perdas. Sempre use o caso para aprender as lições oferecidas. Mesmo que as lições sejam amargas e dolorosas.

Para prevenir um ataque de Ransomware a primeira medida é mapear todos os ativos digitais da empresa. Tenha em local isolado a descrição e data de criação de todos os ativos digitais. Muitas vezes as pessoas não sabem o que foi atacado e o seu valor. A segunda medida é manter atualizado todos os sistemas operacionais e de proteção. Inclua os celulares nesta medida. A terceira ação e fazer backup semanal de todos os ativos digitais que são relevantes. Mantenha o backup fora da rede. Lembre-se que backup em nuvem não é backup fora da rede. A nuvem é parte da sua rede. A quarta medida é segmentar a rede de forma a ter os ativos digitais importantes em região de rede de acesso restrito e controlado. Muitas vezes isto salva os seus ativos de ataques.

A quinta medida é provavelmente a mais importante. Treine permanentemente a sua equipe de colaboradores em relação a segurança digital. Só contrate pessoas para qualquer setor da empresa com histórico de preocupação com segurança. Normalmente o ataque de Ransomware começa com a abertura de um simples anexo de e-mail. Muitas vezes os atacantes ligam para a empresa se identificando como funcionário e pedem para a pessoa abrir o anexo de um e-mail que parece ser legítimo. Treine muito a sua equipe. Tenha situações de controle interno ativas permanentemente.  A sexta medida é ignorada em diversas situações. Avise sempre a sua equipe que a rede e computadores estão sendo atacados e informe o que deve ser feito.

Leituras recomendadas:


The 7 best ransomware removal tools - how to clean up Cryptolocker, CryptoWall and extortion malware, http://www.techworld.com/security/7-best-ransomware-removal-tools-how-clean-up-cryptolocker-cryptowall-extortion-malware-3626974/, acessão em 22/08/2016.

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Diversidade da força de trabalho aumenta o lucro?

O artigo "Why diversity matters" (http://www.mckinsey.com/business-functions/organization/our-insights/why-diversity-matters, acessado em 18/08/2016) afirmou que as pesquisas mais recentes da McKinsey revelaram que as empresas com maior diversidade na força de trabalho apresentam resultados financeiros melhores. Eu pessoalmente entendo que as vantagens financeiras da diversidade da forca de trabalho são percebidas de forma intuitiva pelas pessoas. No entanto, as minhas últimas conversas com executivos e profissionais de recursos humanos mostraram que são poucos os brasileiros que conseguem explicar este fenômeno com robustez intelectual.

O primeiro passo para entender porque a diversidade está relacionada com melhor resultado financeiro passa pelo entendimento da mudança da natureza dos negócios. Todas as empresas, não importa a sua natureza ou setor de atuação viraram empresas de projetos em 2016. Campanhas de marketing, planejamento, realização de eventos, contratações de pessoas, compras, vendas, produção e etc. são consequência de um projeto. Até mesmo o planejamento da agenda diária dos profissionais é o resultado de um projeto. As empresas estão envolvidas em projetos o dia todo. Por causa desta mudança é que o estratagema Design Thinking ganhou tanto valor no mercado corporativo.

Muito dinheiro é jogado no lixo por causa de projetos fracassados. Por isto, é preciso melhorar e evoluir. Toda vez que uma força de trabalho monolítica desenvolve e executa um projeto, ela o faz conforme o seu modelo mental individual e coletivo. Mesmo quando existem pesquisas de mercado sobre o comportamento do consumidor, as pessoas vão esquecer (ou não enxergarão) diversos detalhes por conta da crença natural no modelo mental. É um comportamento absolutamente normal. Em geral as micro decisões de um projeto são tomadas conforme o modelo mental de quem está executando a atividade.

Uma força de trabalho monolítica tem grande convergência de pensamento, mas é incapaz de captar a diversidade de uma sociedade ou comunidade. Quanto maior for a distância entre o modelo mental da força de trabalho monolítica e o público alvo do produto ou serviço maior será o nível de insatisfação do consumidor. Isto acontece porque os produtos e serviços são projetados e entregues conforme o modelo mental da força de trabalho da empresa. Por mais que existam pesquisas de mercado e preferencias do público alvo, existem muitos detalhes nos projetos que são decididos conforme a preferência do executor da atividade.

Um exemplo bem simples deste fenômeno é a pintura da casa de um casal. Em geral, todos os detalhes são discutidos antes do início dos trabalhos e os pintores executam as atividades conforme um plano previamente acordado. Normalmente, o casal está trabalhando fora da residência durante a sua pintura. Em praticamente todos os casos existem reclamações sobre o trabalho de um dos cônjuges. Isto ocorre porque no casal uma pessoa é mais detalhista que a outra e o pintor tomou decisões sobre situações que não estão presente no projeto acordado. Por exemplo, a pintura ao redor do espelho das tomadas elétricas. Cada um dos pintores tomou a decisão sobre o contorno conforme o seu gosto pessoal. O gosto dos pintores é diferente do casal. É o caso de um detalhe minúsculo que gera brigas e insatisfações. Este é o motivo porque a diversidade da força de trabalho produz um resultado financeiro melhor para as empresas. Diversas pessoas com gostos e modelos mentais diferentes estabelecem uma solução para o contorno da pintura do espelho que reflete o gosto médio do público alvo da empresa de pintura.

Muitos imaginam que a diversidade da força de trabalho está restrita apenas a questão do gênero (igualdade entre homens e mulheres). No entanto, a questão é muito mais profunda. A diversidade está relacionada com aspectos como a idade, etnia, orientação sexual e religiosa, experiência de vida, cultura geral, fluência em outras línguas, Quociente Intelectual (QI) etc. Muitas empresas buscam profissionais com QI acima de um patamar. Isto também gera uma força de trabalho monolítica, porque estas pessoas têm interesses parecidos e vão gerar projetos que atendam um grupo especifico do público alvo da empresa.

O preconceito contra o cabelo branco praticado por muitas empresas impede que estas organizações ofereçam soluções para um enorme segmento do mercado consumidor. Impede em muitos casos que ofertas de elevado lucro sejam oferecidas. É gerado o custo da apresentação de soluções para um perfil de pessoas não está interessado naquelas soluções (o segmento não tem o problema e nem o desejo). Em resumo, vendas são perdidas porque as ofertas não atendem os interesses e necessidades do segmento de mercado e custos são gerados porque são desenvolvidos e ofertados produtos e serviços que não endereçam as expectativas dos clientes. Enquanto todas as empresas têm problemas com a diversidade, o resultado não é tão negativo. No entanto, no momento em que empresas do mundo inteiro estão resolvendo a questão e estão surgindo ofertas para os cabelos brancos, as empresas que não se atualizarem vão perder mercado e clientes. É desta forma que a diversidade da força de trabalho é transformada em resultado financeiro melhor.


Leitura recomendada


terça-feira, 16 de agosto de 2016

Situação da Quarta Revolução Industrial

O artigo "Para ser boa, cirurgia com robô depende de bom médico" (http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2016/08/1799561-para-ser-boa-cirurgia-com-robo-depende-de-bom-medico.shtml, acessado em 16/08/2016) revela em algum grau o atual estágio da evolução da indústria 4.0. Foi afirmado no artigo que o sucesso da cirurgia de prostatectomia radical é consequência direta do nível de experiência do cirurgião. Em outras palavras, é o regime de trabalho colaborado entre o cirurgião e o robô que leva aos bons resultados.

É evidente que não é um caso único. Em diversas áreas do conhecimento humano o saber profundo das pessoas está levando a efetividade produtiva para um novo patamar com as máquinas inteligentes. Toda a sociedade é beneficiada pelo trabalho cooperado dos seres humanos com os robôs. Quando o Nicholas Carr afirmou no seu mais recente livro (Utopia is Creepy: And Other Provocations, editora Norton & Co., setembro de 2016) que apenas a tecnologia não é solução para todos os problemas da humanidade, ele destacou a importância do trabalho colaborado entre humanos e máquinas inteligentes (O software está engolindo o mundo. E daí?, http://cio.com.br/tecnologia/2016/08/12/o-software-esta-engolindo-o-mundo-e-dai/, acessado em 18/08/2016) .

É preciso ter a devida clareza neste assunto para que todos entendam a importância da qualificação. O ensino nas escolas precisa urgentemente mudar de patamar para incentivar as crianças a pesquisar cada vez mais. É preciso entender que proibir celulares nas escolas só vai atrasar o desenvolvimento das capacidades cognitivas dos alunos.

Em uma recente reunião que participei uma pessoa revelou desconhecer o significado da palavra “fidedigno”. Imediatamente foi possível consultar o seu significado usando o celular. É assim que o conhecimento é gerado e fixado na cabeça das pessoas na segunda década do século XXI. Estamos vivendo um momento onde uma grande parte do conhecimento humano está disponível na Internet em várias línguas. É preciso que o sistema de ensino público assuma o seu papel de oferecer educação continuada para toda a população.

O grande desafio dos próximos anos não será o acesso as máquinas inteligentes. Elas estarão disponíveis para todos com preços acessíveis. Os robôs usados na medicina serão cada vez mais baratos. O real desafio será formar e manter profissionais qualificados para explorar todas as potencialidades das máquinas inteligentes. As crianças precisam descobrir que celulares não são instrumentos de diversão apenas. Na escola eles são ferramentas de aprendizado. Toda vez que um professor lança um desafio para a sua classe de pesquisar na aula sobre um assunto e apresentar para os colegas as suas conclusões pessoais ele estará desenvolvendo as habilidades cognitivas dos alunos impondo a restrição do tempo. As capacitações de objetividade e efetividade estarão sendo desenvolvidas. Toda vez que o estado reconhece o aprendizado autodidata ele estimula o aprendizado continuo e cria cadeia de valor de longo prazo. Estamos em um momento onde a escola está em todos os lugares e isto deve ser reconhecido e explorado.
O conceito do professor como facilitador do aprendizado ganhou novo contexto em 2016. É imperioso rever a estrutura do ensino olhando as tecnologias disponíveis no século XXI. É importante que os olhos estejam bem abertos para que o atraso não impeça o crescimento de uma nação inteira. O artigo “Tá de sacanagem, né? PROCON da Paraíba estuda proibir Pokémon GO no Brasil” (http://www.tecmundo.com.br/pokemon-go/108423-ta-sacanagem-ne-procon-paraiba-estuda-proibir-pokemon-go-brasil.htm, acessado em 16/08/2016) revelou que PROCON da Paraíba deseja bloquear o app Pokémon Go por causa de situações alheias ao aplicativo. No entanto, o artigo “Pokémon Go: mais um problema a administrar ou um recurso a utilizar?” (http://educacao.uol.com.br/colunas/vera-cabral/2016/08/11/pokemon-go-mais-um-problema-a-administrar-ou-um-recurso-a-utilizar.htm, acessado em 16/08/2016) revelou as melhorias de crianças autistas geradas pela interatividade da realidade aumentada (http://www.autismpedagogy.com/).

Será que compensa ter um país inteiro renegado ao atraso por conta de pessoas incapazes de perceber os benefícios causados pela tecnologia? Máquinas inteligentes geram o desaparecimento de posições de trabalho. Já ocorreu no passado com a máquina de escrever, elevador e etc. e vai acontecer agora por causa dos robôs. Será que o estado brasileiro vai proibir o uso de robôs por conta disto ou será que ele vai explorar as oportunidades e vai gerar crescimento e renda?


É comum encontrar no metrô de São Paulo jovens vendendo produtos não perecíveis dentro dos trens. Será que estes jovens sabem que é possível montar uma loja virtual para vender os seus produtos sem custo algum? São oportunidades que são perdidas que enfraquecem o desenvolvimento da juventude brasileira. Como contrapartida de tais equívocos é importante destacar a efetividades dos vendedores de guardas chuvas nas saídas do metro nos dias de chuva. Bastou chover que eles estão oferecendo os seus produtos na saída das estações do metrô. É o exemplo positivo da exploração da oportunidade com efetividade e inteligência. 

Zona azul Município de São Paulo

Recentemente a prefeitura do município de São Paulo resolveu oferecer o cartão zona azul digital. Foi sem dúvida alguma uma iniciativa louvável. No entanto, a sua implantação foi bastante danosa aos interesses do município. Ao escolher o modelo de negócio onde as empresas Sertell, Estapar e Digipareque que desenvolveram e operam as plataformas recebem 10% do valor arrecadado, a prefeitura escolheu um modelo que onera demais o município (Zona Azul por aplicativo começa a valer nesta segunda em São Paulo, http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2016/07/1790407-zona-azul-por-aplicativo-comeca-a-valer-nesta-segunda-em-sao-paulo.shtml, acessado em 16/08/2016). Não é difícil perceber que existem plataformas semelhantes disponíveis nas lojas virtuais da Google, Apple e Amazon.

Com um investimento muito pequeno (menos de cem mil reais), a prefeitura conseguiria desenvolver e operar uma plataforma para a zona azul digital. Trabalhando com as nuvens disponíveis no mercado seria possível começar com uma equipe bem pequena operando o empreendimento. As experiências do YouTube, Instagram e etc. de estabelecer operação inicial com grupos pequenos de colaboradores mostram que é fácil e simples operar a zona azul digital com menos de dez funcionários.

Inexistem motivos, portanto para entregar para a iniciativa privada esta operação. Mais ainda, a prefeitura de São Paulo poderia usar os recursos da computação em nuvem elástica para oferecer a sua plataforma de zona azul digital para os outros municípios. Seria uma fonte extra de recursos. É preciso mudar com urgência os paradigmas que estão presentes na administração pública para que ela consiga conquistar novas fontes de receitas em um momento em que o estado brasileiro atravessa tantas dificuldades.


O modelo de negócio adotado pela prefeitura de São Paulo para a zona azul impediu o crescimento da arrecadação do município. Enquanto muitos (ou todos) candidatos ao cargo de prefeito falam na campanha eleitoral de 2016 em aumentar impostos para resolver os problemas sociais da cidade, nenhum deles fala em rever as estratégias do município para aumentar arrecadação sem aumentar os impostos. É possível arrecadar mais, gerar empregos e resolver os problemas sociais olhando apenas as oportunidades geradas pela transformação digital. É lastimável perceber que nenhum candidato levantou esta bandeira. Infelizmente é a política do atraso.

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Fraude no bilhete único de São Paulo

Recentemente foram revelados vários episódios de fraudes contra a segurança do sistema do bilhete único. Foi revelado que foram solicitados o cancelamento de mais de 1.700 cartões e o custo da fraude foi de aproximadamente 450 mil reais (Preso suspeito de fraudar passagens do bilhete único, em São Paulo, http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2016/07/preso-suspeito-de-fraudar-passagens-do-bilhete-unico-em-sao-paulo.html, acessado em 12/08/2016). Foi revelado em artigo publicado em 2012 que a empresa SPTrans afirmou que o sistema do bilhete único era infalível (Falha de segurança no Bilhete Único de São Paulo, https://tecnoblog.net/91343/bilhete-unico-sp/, acessado em 12/08/2016).

Todos os artigos relatam que fraude ocorreu pela exploração de vulnerabilidades do sistema digital do bilhete único. O estado brasileiro que enfrenta em 2016 uma pindaíba financeira precisou gastar os seus combalidos recursos para identificar, processar e prender as quadrilhas que perpetraram fraudes. Foram consumidos milhares de reais por conta das fraudes e da operação policial. Outros milhares de reais serão gastos nos processos jurídicos.

Todos estes gastos poderiam ter sido evitados se o estado brasileiro copiasse as grandes empresas americanas e trabalhasse as questões de segurança com as comunidades especializadas (http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2016/08/1799263-apple-oferece-recompensa-por-ajuda-para-encontrar-falhas-de-seguranca.shtml
, acessado em 12/08/2016>, < Google pagará mais para quem descobrir falhas no Android, http://idgnow.com.br/internet/2016/06/17/google-pagara-mais-para-aqueles-que-reportarem-falhas-no-android/, acessado em 12/08/2016>, http://olhardigital.uol.com.br/fique_seguro/noticia/uber-lanca-programa-de-recompensa-para-hackers-acharem-problemas-de-seguranca/56381, acessado em 12/08/2016, < Facebook paga US$ 10 mil a criança que encontrou falha no Instagram, http://oglobo.globo.com/sociedade/tecnologia/facebook-paga-us-10-mil-crianca-que-encontrou-falha-no-instagram-19228045, acessado em 12/08/2016, < Facebook aumenta prêmio em competição de segurança para até U$ 300 mil, http://imasters.com.br/noticia/facebook-aumenta-premio-em-competicao-de-seguranca-para-ate-u-300-mil/, acessado em 12/08/2016).

Em 2012, o Gabriel Lima revelou uma grave falha de segurança no sistema do bilhete único (Foi revelado que o Lima desenvolveu um software e usou uma leitora de cartões importada para manter o cartão recarregado infinitamente. Fonte: Falha no Bilhete Único de São Paulo permite 'recargas infinitas', http://idgnow.com.br/seguranca/2012/02/13/falha-no-bilhete-unico-de-sao-paulo-permite-recargas-infinitas/, acessado em 12/98/2016).


Será que a falha de segurança revelada em 2012 foi devidamente considerada pelos responsáveis pelo sistema do bilhete único? Será que a vulnerabilidade explorada pelos fraudadores não é a mesma que foi revelada pelo Lima em 2012? Milhões de reais podem ser economizados pelo estado brasileiro se ele resolver trabalhar no estado da arte da tecnologia social de 2016. Está mais do que na hora de existir o entendimento que a Internet não é um brinquedo. Ela é uma poderosa ferramenta de aumento da produtividade.

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Conversa com os empresários do setor de estacionamento de veículos de passeio

As minhas conversas com os empreendedores são sempre estimulantes. Existe um claro movimento de rever os parâmetros básicos dos negócios em função das novas tecnologias. Muitos pequenos empresários estão buscando caminhos para superar as dificuldades causadas pela recessão brasileira.

O negócio estacionamento de veículos de passeio vem atravessando um nível maior de dificuldade por causa das restrições para a circulação de veículos. O domingo sempre foi um dia de bom faturamento para os estacionamentos, mas o fechamento de ruas e avenidas está impactando negativamente o negócio. O crescimento do compartilhamento da mobilidade (por exemplo, UBER) esta restringindo as receitas do segmento.

Nas conversas com os empreendedores eu sugeri que eles resolvessem o problema de perdas e fraudes com a tecnologia Big Data. Com base nos registros do caixa e nas fotos das placas do carro na entrada e saída do estacionamento é possível identificar as perdas e fraudes. Com a sua identificação o empresário pode atuar na eliminação das mesmas. A tecnologia Big Data oferece uma solução simples para um problema que vem atormentado a vida dos empresários por décadas. Com a eliminação das perdas e fraudes o empreendedor pode usar os registros do caixa para identificar as oportunidades de novos negócios. Ele pode associar os registros com o estado de limpeza do veículo, clima (chuva) dia anterior, atual e previsão futura, quantidade de pessoas dentro do carro, quantidade de crianças, quantidade de homens e mulheres e etc.

Com isto é possível a frequência dos clientes, dias, horários e o estacionamento pode oferecer serviços de limpeza e lavagem dos carros (quem sempre está com o carro limpo provavelmente vai se interessar), ou mimos como brinquedos, revistas e livros para as crianças para fidelizar o cliente, ou serviço de creche para mães que vão fazer compras nas proximidades, ou de lanchonete e sorvetes especiais ou não (o tipo e limpeza do carro revela padrão sócio econômico do proprietário) ou salão de jogos (digitais ou não) para quem vai no médico nas proximidades e o acompanhante só vai aguardar o seu retorno. Existe uma grande gama de oportunidades que os estacionamentos podem explorar apenas conhecendo melhor os seus clientes.


Com a tecnologia Big Data é possível que o estacionamento ofereça um adicional extra de segurança para o proprietário do veículo.  Ao registrar a foto do rosto ou corpo do cliente é possível que na troca de turno dos funcionários, a nova equipe seja informada pelo sistema da verificação do proprietário e só depois da verificação permita que ele entre no estacionamento. Os clientes terão maior sensação de segurança com este procedimento. As possibilidades de inovação são infinitas.

terça-feira, 26 de julho de 2016

Oportunidades perdidas na copa de 2014 e nas olimpíadas de 2016

Foi revelado que o estudo afirmou que a Copa do Mundo de 2014 no Brasil vai gerar arrecadação tributária adicional de R$ 18,13 bilhões.
Fonte: Estudo da FGV sobre benefícios da Copa não passa de propaganda enganosa, http://www.jornalopcao.com.br/posts/reportagens/estudo-da-fgv-sobre-beneficios-da-copa-nao-passa-de-propaganda-enganosa, acessado em 25/07/2016.

Foi afirmado que o cenário de referência adotado neste estudo vai produzir um efeito cascata surpreendente nos investimentos realizados no País.
Fonte: Brasil Sustentável: Impactos Socio­econômicos da Copa do Mundo 2014, http://fgvprojetos.fgv.br/sites/fgvprojetos.fgv.br/files/estudo_9.pdf, acessado em 25/07/2016.

O Brasil conseguiu a proeza de ser o campeão mundial das oportunidades perdidas com os grandes eventos. Na copa de 2014 todos os sócios do empreendimento saíram com vultosos lucros (Copa-2014 gera receita acima do esperado e Fifa ganha R$ 18,6 bi, http://esporte.uol.com.br/futebol/ultimas-noticias/2015/03/20/copa-2014-gera-receita-acima-do-esperado-e-fifa-ganha-r-186-bi.htm, acessado em 25/07/2016). O único que saiu no prejuízo foi o Brasil (Após dois anos da Copa, estádios vivem crises financeiras e denúncias http://rodrigomattos.blogosfera.uol.com.br/2016/06/12/apos-dois-anos-da-copa-estadios-vivem-crises-financeiras-e-denuncias/, acessado em 25/07/2016) e).

Apesar das consultorias contratadas para analisar a viabilidade econômica da copa e olimpíadas (Estado da BA garante lucro de arena europeia para operador da Fonte Nova, http://viniciussegalla.blogosfera.uol.com.br/2013/09/19/estado-da-ba-garante-lucro-de-arena-europeia-para-operador-da-fonte-nova/, acessado em 25/07/2016) afirmarem sobre grandes lucros, legados, empregos e crescimento econômico o que vemos é o grande encolhimento. (Pós-Copa, hotéis demitem, fecham e viram até clínica médica, http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2016/07/1788022-pos-copa-hoteis-demitem-fecham-e-viram-ate-clinica-medica.shtml, acessado em 25/07/2016)

A falta de planejamento e preparação é uma constante nas atividades governamentais para a copa e olimpíadas. As afirmações do prefeito do Rio de Janeiro (Olimpíada é 'oportunidade perdida' para o Brasil, diz prefeito do Rio, http://www1.folha.uol.com.br/esporte/olimpiada-no-rio/2016/07/1790585-olimpiada-e-oportunidade-perdida-para-o-brasil-diz-prefeito-do-rio.shtml, acessado em 25/07/2016) sobre o planejamento e a segurança mostram o tamanho do atraso gerencial que enfrentamos. É impressionante que em quase dez anos de preparação nenhuma iniciativa pública tenha ocorrido no universo digital para estes dois grandes eventos.

Parece que a Internet, os Apps, as redes sociais não existem para o governo brasileiro. Em vez de incitar e estimular o empreendedorismo, foram escolhidos cantores conhecidos internacionalmente para a abertura da olimpíada (Caetano Veloso, Gilberto Gil e Anitta vão cantar na cerimônia de abertura da Rio-16, http://www1.folha.uol.com.br/esporte/olimpiada-no-rio/2016/07/1790325-rio-2016-confirma-anitta-caetano-veloso-e-gilberto-gil-na-abertura-dos-jogos.shtml, acessado em 25/07/2016). Deveria ter sido feito um grande concurso nacional via YouTube por exemplo para escolher os cantores.

Empregos teriam sido gerados, inovações teriam sido criadas e negócios exponenciais teriam nascido. O Brasil chega no grande evento e os seus chefes de cozinha, doceiros e etc. estão "escondidos" no território nacional. Os turistas não sabem onde encontra-los. Cadê o App que os revela para o mundo? Onde está a divulgação pela Embratur dos nossos chefes de cozinha? Enquanto os chefes de cozinha estrangeiros como o Buddy Valastro (Reality gastronômico decepciona, e Record fará relançamento, http://tvefamosos.uol.com.br/colunas/flavio-ricco/2016/07/11/reality-gastronomico-decepciona-e-record-fara-relancamento.htm, acessado em 25/07/2016) e o Jamie Oliver estão na televisão brasileira e nos acordos com os fabricantes de alimentos (Sadia lança linha de congelados 'saudável e gourmet' com Jamie Oliver, http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2016/06/1786071-sadia-lanca-linha-de-congelados-saudavel-e-gourmet-com-jamie-oliver.shtml, acessado em 25/07/2016), os brasileiros não tem espaço para divulgar as suas ofertas.


Para uma economia combalida como a brasileira é preciso um mínimo de planejamento para que o espírito animal dos empreendedores aparece durante as olimpíadas 2016. As falhas na estratégia para a música dos jogos Rio 2015, estão presentes também na comida e em diversos outros segmentos econômicos. Nada está sendo para que o belo artesanato regional produzido no norte e nordeste apareça para os turistas no Rio de Janeiro. O real legado que um grande evento gera é o crescimento econômico de longo prazo. O Brasil escolheu fazer uma festa para milionários paga com o dinheiro dos pobres. Não poderia existir escolha pior, mais injusta e desigual.

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Negócios habilitados pelas Tecnologias

O ano de 2016 está sendo marcado pela grande quantidade de conversas com empreendedores e empresários. Os micros e pequenos empresários estão sempre me questionando sobre como as tecnologias digitais podem contribuir para o negócio deles de uma forma concreta. Como existem milhares de alternativas, eu resolvi escrever sobre duas tecnologias que estão no topo das agendas dos empreendedores. Basicamente todos sabem o que é a tecnologia Big Data, mas muitos não enxergam uma associação dela com o aumento do lucro. Muita gente acha que é assunto para peixe grande americano ou europeu.

A tecnologia Big Data pode ser aplicada até mesmo em uma pequena loja de café. Ela permite a análise dos registros do caixa e possibilita a identificação dos horários de maior e menor movimento da loja. É possível associar o movimento com o clima, período de férias, congressos, feiras e convenções nas proximidades, almoço das empresas nas proximidades e outras variáveis para entender as influências externas no movimento da loja. Com base nas informações da tecnologia Big Data é possível dimensionar a equipe e o estoque de alimentos em função do horário do dia. É uma mecânica que permite economizar os recursos pela eliminação da ociosidade nos horários de baixo movimento.

É evidente que a análise não pode ser feita apenas com os dados do passado, pois o ambiente é dinâmico. É preciso trabalhar em tempo real. Por causa disto é de fundamental importância estabelecer uma cadeia de fornecedores e funcionários capazes de reagir em tempo real para as necessidades. Não dá para extrair as vantagens da tecnologia trabalhando como um lobo solitário. É preciso que os fornecedores de suprimentos, alimentos e mão de obra também acompanhem em tempo real o comportamento do mercado e compartilhem as informações com toda a rede. Só com uma rede integrada é que a tecnologia vai oferecer ganhos reais para os empresários.

Na hora de selecionar os fornecedores de suprimentos, alimentos e mão de obra é preciso mudar de postura empresarial e olhar outros aspectos além do preço. A tecnologia Big Data é capaz de reduzir os custos operacionais da loja de café, no entanto, é incapaz de aumentar o faturamento. Por causa disto é importante complementar a solução com outra tecnologia. A Realidade Aumentada (RA) ganhou notoriedade com o jogo Pokémon Go. Certamente, nos próximos meses vão aparecer diversos jogos semelhantes. Um jogo baseado na realidade aumentada com Global Positioning System (GPS) é capaz de aumentar o movimento da loja de café de forma consistente.


Basta um acordo entre a loja e o desenvolvedor do jogo para fazer com que os ovos ou prêmios apareçam na loja nos horários de baixo movimento para atrair as pessoas no estabelecimento comercial. Com o aumento da frequência fica fácil oferecer os produtos e aumentar as vendas. Estamos vivendo um momento em que as tecnologias funcionam como chaves habilitadoras de novos negócios. Os empresários precisam entender o funcionamento das soluções digitais para explorar as suas potencialidades a favor do seu empreendimento.

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Mais um bloqueio do WhatsApp

Na véspera do início dos jogos olímpicos de 2016 no Rio de Janeiro, o Brasil resolveu bater o seu recorde de bloqueios de um mesmo App. Os motivos alegados pelos juízes são cada vez mais bizarros. Desta vez o bloqueio não durou sequer 24 horas.

Foi afirmado que a operação, com nome "Hashtag" monitorou os suspeitos pela internet, via WhatsApp e Telegram.
Fonte: PF prende grupo que preparava atos de terrorismo na Olimpíada, http://olimpiadas.uol.com.br/noticias/redacao/2016/07/21/pf-prende-grupo-que-preparava-atos-de-terrorismo-diz-agencia.htm, acessado em 21/07/2016.

A juíza que mandou bloquear o WhatsApp justificou a sua ação dizendo que eles não desabilitaram a criptografia do aplicativo para que o fluxo de mensagens fosse enviado em tempo real para os investigadores e as conversas dos suspeitos fossem monitoradas. O artigo “Juíza que mandou bloquear WhatsApp se irritou com resposta em inglês” (http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2016/07/1793201-juiza-que-mandou-bloquear-whatsapp-se-irritou-com-resposta-em-ingles.shtml, acessado em 21/07/2016) afirmou que a juíza ficou irritada com o e-mail resposta da empresa americana WhatsApp escrito na língua pátria dos americanos.

Existem mistérios no caso. O que chama muita atenção é o foco apenas no WhatsApp. Foi afirmado que é comum a interceptação telefônica flagrar um suspeito dizer ao outro para tratarem determinado assunto no WhatsApp (Sem rastreio, WhatsApp 'dá mais força para quem descumpre a lei', diz juíza, http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2016/07/1793389-liberacao-do-whatsapp-da-mais-forca-para-quem-descumpre-a-lei-diz-juiza.shtml, acessado em 21/07/2016). Será que o crime organizado brasileiro não usa o Skype ou Telegram por exemplo? Será que não estamos diante do dilema da marca WhatsApp que é algo comum no Brasil? (O dilema da marca ocorre quando uma marca é confundida com o produto, ou seja, Gillete virou sinônimo de lamina de barbear, Bombril de palha de aço, Xerox de fotocópia, WhatsApp é sinônimo de programa de comunicação)

Os artigos “Mesmo com criptografia, WhatsApp e Telegram podem ser espiados facilmente” (http://www.tecmundo.com.br/whatsapp/105562-mesmo-criptografia-whatsapp-telegram-espiados-facilmente.htm. Acessado em 21/07/2016) e “Telegram: "Se você não confia na gente, use os chats secretos"” (http://artigos.softonic.com.br/telegram-se-voce-nao-confia-use-chats-secretos, acessado em 21/07/2016) revelam que os dois Apps têm estrutura de segurança semelhantes e nos dois casos existem fragilidades de segurança que podem ser exploradas.

Como a juíza pode afirmar que todas as comunicações futuras dos criminosos ocorrerão através do WhatsApp? É uma conclusão realmente impressionante. Será que o comando vermelho ou PCC ordenaram que só aceitam mensagens trocadas pelo WhatsApp? Será que a juíza sabe que as vulnerabilidades do protocolo Signaling System nº 7 (SS7) permitem que os investigadores clonem o número telefônico alvo?

Existe uma evidente fragilidade na solução proposta pela juíza brasileira para combater o crime. A juíza afirmou que as operadoras de telecomunicações brasileiras cooperam com a justiça nacional e facilitam a interceptação das comunicações. Se isto é verdade então a justiça brasileira pode monitorar o tráfego de dados dos celulares e ela quebrar a criptografia existente no App WhatsApp.

Foi afirmado que o FBI pagou pela ajuda de hackers profissionais para acessar o iPhone utilizado pelo autor do massacre na cidade californiana de San Bernardino (“FBI pagou hackers profissionais para acessar iPhone de autor de massacre”, http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/efe/2016/04/12/fbi-pagou-hackers-profissionais-para-acessar-iphone-de-autor-de-massacre.htm, acessado em 21/07/2016). A recusa da Apple de ajudar o governo dos Estados Unidos não gerou bloqueio da Apple. Nas democracias as pendências constitucionais são resolvidas pelo Supremo Tribunal Federal. Só aí é que bloqueios que impactam a vida econômica de milhões de cidadãos são realizados.

No Brasil o atraso impede que a democracia plena faça parte do cotidiano dos brasileiros. Alguns depoimentos de juristas famosos mostram o tamanho do atraso nacional. O WhatsApp não é um serviço oferecido no Brasil. Não existem ofertas ou convites do WhatsApp para que os brasileiros instalem e usem o App. O WhatsApp é um serviço com sede nos Estados Unidos que pode ser acessado por todas as pessoas através de uma conexão de internet.

São os brasileiros que estão indo virtualmente aos Estados Unidos para instalaram e usarem o App. Na Internet existem milhões de serviços digitais que foram desenvolvidos para serem ofertados apenas nos países onde os servidores estão hospedados. No Brasil os internautas têm acesso a todos estes serviços digitais. Isto não significa que estes empreendedores estão oferecendo estes serviços para os brasileiros.

Ter acesso no Brasil a um serviço através da Internet é muito diferente do que ter um serviço ofertado no Brasil. Apenas quando a empresa WhatsApp que não é a empresa Facebook estabelecer uma sede no território brasileiro e oferecer serviços aos brasileiros é que os serviços oferecidos no Brasil pela WhatsApp deverão seguir a lei brasileira. Enquanto a WhatsApp e outros milhões de empresas decidem se vão estabelecer operação empresarial no Brasil a justiça brasileira deve ter clareza no entendimento de que o mero fato de ser possível o acesso a um serviço digital internacional no Brasil isto não significa que este serviço esteja sendo ofertado aos brasileiros e, portanto, que os fornecedores estejam sujeitos as leis brasileiras. Já passou da hora de melhorar o entendimento da diferença que existe entre o acesso a um serviço digital disponível através da Internet e a oferta de um serviço digital no Brasil. Precisamos urgentemente superar o atraso intelectual.

Alguns partidários do atraso intelectual buscam dourar a pílula do impacto do bloqueio do WhatsApp executando uma matemática econômica simplificada. O artigo “Além de tudo, poderia ter custado R$ 206 milhões à economia brasileira” (http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=2255, acessado em 21/07/2016) é um exemplo clássico da simplificação que gera equívoco. A causa da liberdade de expressão precisa ser sustentada pela retidão dos argumentos. No artigo, foram estimadas as perdas financeiras do bloqueio do WhatsApp. A solução adotada para calcular as perdas é bastante criativa, mas infelizmente é falaciosa.

O WhatsApp foi bloqueado, mas as pessoas tinham à sua disposição várias outras ferramentas de comunicação como o Skype, Telegram, SMS e ligações de voz. Isto significa que as perdas causadas pelo bloqueio do WhatsApp não estão relacionadas com a impossibilidade de comunicação. As perdas estão relacionadas com o custo da troca da ferramenta de comunicação. Por exemplo se a solução de comunicação para o bloqueio do WhatsApp for uma chamada de voz de celular pré-pago, o custo da comunicação sai do praticamente zero do WhatsApp para cerca de R$ 1 do minuto de pré-pago de ligação local.


Vários negócios ficam inviabilizados com esta estrutura de custos e serão encerrados se este for o novo normal dos custos de comunicação. Quando olhamos o tamanho das micros e pequenas empresas no emprego fica claro que se elas forem inviabilizadas pelo bloqueio do WhatsApp o impacto no emprego nacional será gigantesco.  Desemprego em massa em um país em recessão gera perdas de arrecadação e desequilíbrio fiscal. As perdas potenciais podem superar 1% do PIB. É muita coisa para ser decidido isoladamente por um juiz.