quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

O caso WhatsApp no Brasil

O caso do WhatsApp (Juiz do Piauí determina suspensão do aplicativo WhatsApp no Brasil, http://idgnow.com.br/internet/2015/02/25/juiz-do-piaui-determina-suspensao-do-aplicativo-whatsapp-no-brasil/, acessado em 26/02/1015) tem tudo para se tornar emblemático no Brasil. O Marco Civil de Internet (MCI) que necessita de muitas regulamentações não foi aderido pela imensa maioria das empresas de Internet americanas que estão de alguma forma presentes no Brasil. No padrão cultural dos Estados Unidos o carteiro não é responsável pelo conteúdo das mensagens. Quem responde pelo conteúdo de uma mensagem é o seu autor.

A justiça e advogados brasileiros já tentaram em diversos momentos envolver as empresas americanas como Facebook, Google e etc. em processos sobre conteúdo. Em todos os casos as teses foram rejeitadas e as corporações não moveram um único milímetro da sua diretriz de liberdade de expressão responsável. Nenhuma rede social mudou contratos, termos e políticas em função do Marco Civil de Internet do Brasil. Falar de apenas uma empresa que desrespeita o MCI é algo que causa espécie em um cenário de desrespeito generalizado. Como a nação brasileira é a terra das leis que não pegam, este cenário não é novo.

Foi afirmado que o SindiTeleBrasil disse que a medida pode causar enorme prejuízo para milhões de brasileiros que usam os serviços no trabalho. Fonte: “Ação judicial no Piauí determina suspensão do WhatsApp no Brasil”, http://tecnologia.uol.com.br/noticias/redacao/2015/02/25/acao-judicial-no-piaui-determina-suspensao-do-whatsapp-no-brasil.htm, acessado em 26/02/1015

O fato curioso do caso é que finalmente parece que foi descoberto o enorme volume monetário nacional movimentado nas redes sociais. Já existe um claro sentimento das perdas que podem ser provocadas por uma quebra de braço com as empresas americanas. Sindicatos patronais e advogados estão empenhados em impedir a interrupção do WhatsApp por conta destas perdas. As empresas americanas estão dispostas ao enfrentamento pelo elevado valor que a liberdade de expressão responsável tem no seu país. Para elas o Brasil é um mercado importante e valioso, mas não existe justificação para afrouxar valores morais e éticos por causa dele.


O que será que vai acontecer com o MCI do Brasil neste novo contexto mundial? Vamos perder bilhões ou vamos aderir uma ética moral mais consistente e elevada?

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

The Big Mistake

O artigo “O agonizante momento das boas práticas” (http://istbrasil.blogspot.com.br/2015/02/o-agonizante-momento-das-boas-praticas.html, acessado em 17/02/1025) revelou erradamente que as melhores práticas como ITIL, COBIT estão agonizando no Brasil. O inexistente não pode agonizar. Na dura realidade nacional, as melhores práticas sequer nasceram no Brasil, por isto elas não podem estar agonizando.

O artigo acerta quando cita que existem ilhas de excelência. O Brasil sempre foi capaz de produzir ilhas em um oceano de mediocridade. Tal fato não é novidade, pois elas existem em diversos campos. Isto acontece porque existem setores da economia brasileira que não contam com a proteção governamental e por isto precisam competir intelectualmente contra os tubarões turbinados do resto do planeta (por mais inesperado que possa parecer, estas firmas brasileiras competem e vencem os gigantes).

Aliás, a proteção governamental é o exato motivo para o não nascimento das melhores práticas no Brasil. A sociedade nacional gosta e aprova monopólios do estado ou que estejam sob o controle dele. Este segmento que é majoritário no Brasil entende que o político de plantão é capaz de resolver cada um dos problemas dos milhões de brasileiros. Esta forma de agir e pensar gerou como consequência empresários e gestores com preocupações apenas de aparência com as melhores práticas. É o tradicional modelo parnasiano nacional onde a forma ou melhor aparência tem mais importância que o conteúdo.

Neste contexto, os constantes fracassos da economia nacional são simplesmente esquecidos a cada eleição onde invariavelmente surge um novo “gênio” salvador da pátria. Tivemos tantos exemplos que seria injusto citar só alguns. O mais famoso foi o Fernando Collor de Melo.

Se os fracassos são esquecidos e as perdas absorvidas pelos pobres do Brasil então porque as empresas iriam atrás de melhores práticas? Alguém se lembra da reserva de mercado em informática e dos bilhões entregues para grandes e ricos bancos donos das empresas de TI?

São raros os que lembram e posso garantir que muitos profissionais de TI defendem medidas similares de reserva de mercado sem sequer conhecer o estrago realizado no passado. Quais empresas daquela época sobreviveram? Existe uma indústria de informática brasileira? Lamento dizer, mas o resultado do monopólio controlado pelo estado brasileiro foi perda e atraso. Não foram alguns centavos, foram dezenas de bilhões perdidos.

Para que fazer o esforço em melhores práticas se é possível ficar pendurado no governo grátis e tirar dos milhões de pobres para dar para uns poucos ricos? O Brasil navega há muito tempo no oceano do monopólio e concentração de renda. Vou citar dois casos antigos e um atual para mostrar que nada mudou na forma de pensar na renda e trabalho na sociedade brasileira nos últimos 40 anos.

Nos anos 1980 ficou famoso o caso Grupo Coroa Brastel. Garanto que este escândalo é desconhecido ou esquecido pela maioria da população brasileira. O dono do grupo foi convencido pelo governo da ditadura militar para a compra de uma corretora falida. Ele era milionário e bem sucedido empresário à época. Ele tinha à sua disposição os melhores conselheiros sobre melhores práticas. Ele ignorou todos os avisos e números negativos e atendeu aos apelos do governo. Pouco tempo depois quebrou e morreu pobre. Ele esqueceu as melhores práticas, pois entendia que seria favorecido com poderes de exclusividade por ter ajudado o governo.  Quem perdeu? Trabalhadores, investidores e pobres.

Também nos anos 1980 ficou famosa a frase “Plante que o João garante”. Nunca na história da agricultura nacional o resultado foi tão negativo. Na mesa do brasileiro muitas coisas faltavam e outras eram mais caras todos os dias. Neste momento nasceu a inflação galopante no Brasil. Quem perdeu? Os trabalhadores que tiveram seu salário arrochado em vários momentos. Quem mais perdeu? Os investidores. Muitos foram embora e não voltaram mais. O Brasil já teve fábrica da GE por exemplo

Mais recentemente temos o escândalo do petrolão da empresa estatal Petrobrás que atua em regime de reserva de mercado ao comprar conteúdo nacional. Lembro que a governança da Petrobras já foi elogiada por centenas de profissionais de TI do Brasil. A governança da empresa foi exaltada como modelo em diversos congressos e seminários. Claramente ela gastou muito dinheiro em melhores práticas. Em 2015, foi estimada uma perda de quase 90 bilhões por perdas de corrupção, erros estratégicos e falhas operacionais. É muito difícil entender como tantos “especialistas” de governança de TI conseguiram elogiar vigorosamente a consistente adoção de melhores práticas para tecnologia de informações pela Petrobrás e encontrar uma realidade onde os sistemas de informações não detectaram perdas de dezenas de bilhões?

O petrolão deixa claro um dos principais motivos do não nascimento das melhores práticas de TI no Brasil. Claramente, o país é extremamente carente de profissionais qualificados. Na era do conhecimento quem não tem conhecimento não tem nada. Quem perdeu com o petrolão? Os pobres do Brasil e os trabalhadores dos fornecedores da Petrobras.

Mais uma vez a reserva de mercado e monopólio estatal geraram perdas enormes para o Brasil. Quem sabe em 2030 o país se recupere. Até lá será mais uma década perdida.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Salário mínimo

Diante da crise da economia que o Brasil está enfrentando em 2015 e como apesar de ter sido afirmado que nem que a vaca tussa os direitos trabalhistas seriam alterados para pior, eles foram eu resolvi pesquisar sobre o poder de compra do salário mínimo brasileiro. Na comparação com os outros países é fácil perceber que o salário mínimo brasileiro está na rabeira. Na realidade, mesmo que ele estivesse em último lugar isto não é um resultado obrigatoriamente negativo. A questão chave é se o salário mínimo supre as necessidades mínimas do trabalhador brasileiro.

A constituição brasileira define claramente os itens que fazem parte do poder de compra do salário mínimo. É até possível polemizar sobre um ou outro item específico, mas é muito claro que o conjunto da obra tem uma boa consistência e reflete parâmetros mínimos. Alguns, como eu, entendem que o salário mínimo é mínimo demais. Com base na constituição o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) formatou uma base histórica do valor do nominal do salário mínimo e do seu poder compra (http://www.dieese.org.br/analisecestabasica/salarioMinimo.html, acessado em 11/02/1015). É importante destacar que mesmo os mais radicais defensores do mercado auto regulatório reconhecem que as empresas que contratam os funcionários exercem poder de monopólio no mercado de trabalho e são capazes de forçar um salário mínimo para um patamar bem abaixo das necessidades mínimas de um ser humano. Existe uma clara imperfeição das informações.

Este é o principal motivo que explica o fato do governo central dos Estados Unidos e diversos países interviram no mercado e fixarem um patamar mínimo da renda do trabalho. As imperfeições do mercado são intensas o suficiente para exigirem que uma estrutura externa atue como xerife arbitrador. Os números brasileiros do poder de compra do salário mínimo são estarrecedores e de certa forma explicam a baixa produtividade e o uso de práticas distorcidas. Até 2014, muitos trabalhadores usavam o seguro desemprego como fonte complementar de renda. Eles trabalhavam por um ano ganhando salário mínimo, eram despedidos e recebiam o seguro desemprego ao mesmo tempo que trabalhavam na informalidade. Desta forma eles conseguiam uma renda maior mais próxima da renda mínima de sobrevivência.

O primeiro problema deste estratagema é que ele desorganiza a produtividade da economia ao mesmo tempo em que mascara o grave problema do salário mínimo. Uma economia que não é capaz de remunerar o trabalho em um patamar mínimo de sobrevivência está gravemente doente. É muito grave que o país não tenha capacidade de remunerar minimamente o trabalho. Isto é um sinal de processos produtivos equivocados. O segundo grave problema da renda muito abaixo do patamar mínimo de sobrevivência é o desincentivo para o trabalho. Ter uma parte da população sem incentivo algum para o trabalho é um problema social grave que aumenta a necessidade do estado em segurança e outras demandas cujo o resultado final é uma carga tributária muito elevada. Não é mero acaso que a carga tributária brasileira é de quase 40%.


É evidente que desde o governo do Fernando Henrique Cardoso (FHC) em 1994 vem existindo avanços no poder de compra do salário mínimo. No início do governo FHC em 1994, o poder de compra do salário mínimo nominal era de 9,92% do salário mínimo necessário. Em 2002 no final do governo FHC era de 15,13%, uma alta de 5 pontos percentuais. No final do governo Lula o salário mínimo nominal era 22,07% do salário mínimo necessário, uma alta de 7 pontos percentuais e em 2014 no final do primeiro governo Dilma o salário mínimo nominal era 24,82% do salário mínimo necessário, uma alta de pontos percentuais. O avanço nos últimos vinte anos entre 1994 e 2014 foi de apenas 15 pontos percentuais. É preciso acelerar esta velocidade. No atual ritmo apenas em 2104 o poder de compra do salário mínimo vai ser mínimo.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Crise da água

Não e difícil perceber que a crise hídrica em São Paulo é um assunto muito maior do que banhos e carros lavados. É uma grave crise econômica que pode levar o Brasil inteiro para a bancarrota. A água é o principal insumo para a vida humana e a falta dela já fez populações inteiras mudarem e certamente vai fazer de novo.

A crise da forma que está sendo conduzida pelo governo federal, estadual e municipal pode levar o Brasil para o posto de maior catástrofe humana da história da humanidade. É um assunto de altíssima gravidade que vem enfrentando a mediocridade política dos partidos nacionais. A falta de água ao afetar a indústria e agricultura paulista vai gerar desemprego e alta dos preços no país inteiro. Uma enorme pressão inflacionaria está no ar. Qual investidor internacional escolheria o Brasil como destino dos seu dinheiro em quadro de elevado descontrole financeiro com risco real da maior cidade do pais ter que ser evacuada às pressas por falta de água? Quem vai manter o seu dinheiro no Brasil em um cenário de tamanha precariedade?

É preciso que as autoridades encontrem um caminho antes que o caos seja consumado. Os episódios de segurança da cidade de Itu por falta de água mostraram que a população está impaciente. A repressão policial seria um desafio enorme pelo tamanho da população afetada.

Um racionamento regional rigoroso em excesso como o proposto de 5 dias sem água por 2 com água levaria para uma migração entre regiões e pode gerar uma situação de caos maior ainda. É preciso que o governo organize as medidas em linha com as necessidades e consequências. O amadorismo precisa sair de campo. É preciso profissionalizar e acertar de primeira.

Muitos estão atribuindo para o governo do estado de São Paulo e para a Sabesp a responsabilidade pela crise hídrica. Falam-se nas perdas, falta de investimento e etc. Mas será que o problema é tão restrito? É possível afirmar que existem outros atores no circo de horror da crise hídrica.

O péssimo código florestal promulgado em 2012 além de ser questionável do ponto de vista constituição brasileira, permitiu uma tamanha devastação da floresta amazônica que mudou o ciclo de chuvas da região sudeste do Brasil. Será que é mera coincidência que após o código florestal de 2012, os estados do sudeste estejam enfrentando os seus piores momentos na história de escassez de chuvas? Vários estudos sérios relacionam a devastação Amazônia com a redução das chuvas no sudeste. Já está na hora do país entender que ele não tem capacidade para ser o celeiro do mundo. Destruir a floresta amazônica para produzir soja ou gado é um ato de uma burrice incomensurável.

A obra do Aldo Rebelo no código florestal não foi a sua única contribuição para a crise hídrica. Alguém acha que é mera coincidência que os estados que mais receberam turistas na copa de 2014 estejam correndo risco de racionamento de água? São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais foram os destinos da maioria dos turistas na copa. Turistas que consumiram muita água sem preocupação alguma de economia. Nenhuma cartilha do ministério dos esportes pedia que estes turistas economizassem água. Enquanto eles gastaram rios de água, a população que mudou de hábitos e economizou muito ficou a ver navios. Milhões de litros de água foram gastos com turistas e obras civis para a copa do mundo.

Qualquer ser humano capacitado teria trocado as cidades sedes em função da crise hídrica que já existia em 2014. Faltou bom senso e capacitação. Infelizmente a conta da falta de capacidade do governo federal em relação a crise hídrica vai ser paga pela população de São Paulo.

O governo federal ofereceu e vem oferecendo mais uma contribuição para aumentar a crise hídrica em São Paulo. O programa minha casa, minha vida incentiva a verticalização das moradias. No lugar onde moraram uma ou duas famílias agora moram graças aos programas centenas de famílias. O programa em nenhum momento se preocupou com a mudança do perfil do consumo de água nos financiamentos. O planejamento foi inexistente. Mudou-se completamente o perfil de consumo na região abastecida pelo reservatório da Cantareira sem que existisse contrapartida de investimento na captura da água. O sistema Cantareira depende de chuvas em Minas Gerais o que mostra o tamanho da irresponsabilidade nestes financiamentos. É óbvio que o programa deveria centralizar o atendimento em regiões de captação de água mais fácil e em torno de um equilíbrio na verticalização.

Quando pensamos que o circo dos horrores da crise hídrica de São Paulo está completo, percebemos que existe mais um ator. O prefeito Fernando Haddad decretou o fim da inspeção veicular na cidade de São Paulo. Será mera coincidência que as maiores temperaturas da história da cidade ocorreram depois do fim da inspeção veicular? As ilhas de calor formadas pela poluição dos carros aumentaram a sensação térmica do calor e elevaram o consumo de água pelos paulistas. Será que é mera coincidência que as maiores temperaturas da história da cidade de São Paulo ocorreram ou durante o período de suspensão do rodízio de carros ou imediatamente após? Claramente as chuvas de janeiro de 2015 não conseguiram dispersar as nuvens de poluição geradas pelos carros sem inspeção veicular e reduzir o efeito de ilha de calor.

O estado de São Paulo concentra mais de 20% da população brasileira em um espaço menor que 3% do território nacional. A água não é o único recurso escasso no estado. Recursos como ar, moradia, mobilidade e etc. também são escassos e vão acabar caso não exista um completo replanejamento da ocupação do território Paulista. Para não ficar apenas com o dedo na ferida é importante oferecer algumas sugestões para permitir que o estado não vire um deserto e derrube a economia do Brasil.

A primeira e mais óbvia e a paralisação de todas as obras para novas moradias no estado. O governo federal precisa assumir os prejuízos causados pela sua irresponsabilidade de financiar moradias sem planejamento de água. A segunda e mais importante medida é a intensificação da utilização da água de reuso. Todos os lugares públicos incluindo instalações privadas como shoppings, estádios de futebol, escolas, clubes e etc. devem utilizar apenas água de reuso.

·         Reduzir drasticamente a captação de água pela indústria e agricultura. Obrigando o uso exclusivo de água de reuso. Liberar a captação de água apenas para o essencial. Produção de bebidas como cerveja e refrigerantes deve ser suspensa no estado até a normalidade hídrica.
·         Suspensão de todos os eventos em 2015 que não sejam essenciais como carnaval formula 1 corridas de rua etc. Tolerância zero para o consumo não essencial de água.
·         Transformação de todas as instalações de residenciais e comerciais para a utilização de apenas de água de reuso nos sanitários. Água de reservatório deve ser destinada apenas para o consumo humano.
·         Determinar que bares e restaurantes usem apenas pratos e talheres descartáveis eliminando assim a necessidade de lavagem. Incentivar via impostos que o mesmo ocorra nas residências.
·         Aumentar o preço da água para desincentivar o seu desperdício.

·         Incentivar todos que possam mudar temporariamente ou definitivamente do estado.

Legado copa

Em julho de 2014 o Brasil foi anfitrião da copa do mundo de futebol FIFA. Em janeiro de 2015, os principais estados da região sudeste do Brasil estão em risco de racionamento de água. Será mera coincidência, ou será que existe algum relacionamento entre estes fatos?

Os estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo receberam durante o mês da copa uma enorme quantidade de turistas de outros estados e estrangeiros que ocuparam as suas hospedarias. Estes turistas geraram um intenso gasto de água nos combalidos reservatórios no momento da seca do inverno. O fraco ciclo de chuvas do verão não está sendo capaz de recuperar os reservatórios.

Parece que os estrategistas do planejamento da copa apostaram todas as fichas nas chuvas de verão e perderam. No entanto, os turistas não foram os únicos responsáveis pelo atual desequilíbrio hídrico. Estes estados, realizaram vultosas obras civis nos anos anteriores para a preparação para a copa. Foram obras públicas e privadas. Como todos sabem a construção civil é uma emérita consumidora de água e em alguns é uma grande desperdiçadora.


Claramente não é uma mera coincidência que os estados do Rio de janeiro, Minas Gerais e São Paulo estejam atravessando risco de racionamento pouco depois da copa. Gastar recurso finito como a água sem planejamento leva invariavelmente para a escassez. Congratulações para os que realizaram a copa das copas. 

Marco Civil Internet (MCI)

O MCI promulgado em 2014 está em fase de regulamentação. É um momento muito importante porque nenhum dos três pilares (Neutralidade, Privacidade e Liberdade de Expressão) estão bem atendidos no atual texto. É de fundamental importância que a população brasileira participe deste processo. Os endereços para a participação são: http://www.marcocivil.mj.gov.br e www.dadospessoais.mj.gov.br. As consultas públicas realizadas pelo  Ministério da Justiça começaram no dia 28 de janeiro e vão até o dia 27 de fevereiro de 2015.

Como exemplo da importância da correta regulamentação do MCI vou citar um caso concreto de informações desencontradas. A liberdade de expressão exige coerência com o conteúdo original. É uma situação onde um trabalho sério e respeitado foi utilizado. É preciso que a regulamentação do MCI estabeleça claras sanções para quem é impreciso com o conteúdo original da fonte citada.

“Com 29 milhões de visitantes estrangeiros no ano passado, a América do Sul teve um aumento de 6%, o dobro em relação a 2013.”. Fonte: “Turismo internacional cresceu 6% na América do Sul em 2014”, http://www.embratur.gov.br/piembratur/opencms/salaImprensa/noticias/arquivos/Turismo_internacional_cresceu_6_na_America_do_Sul_em_2014.html, acessado em 04/02/1015.

“Para a OMT, a realização da Copa do Mundo no Brasil contribuiu para os resultados positivos na América do Sul”. Fonte: idem.

As frases anteriores revelaram que o crescimento do turismo na América do Sul foi de 6% e que o Brasil ofereceu contribuição significativa segundo a Organização Mundial do Turismo (OMT). Com base nestes números o presidente da presidente da Embratur (Instituto Brasileiro de Turismo), afirmou que a Copa do Mundo 2014 foi um sucesso.

”Arrivals to Central America and South America (both +6%) grew at double the rate recorded in 2013 and well above the world average”. Fonte: “Over 1.1 billion tourists travelled abroad in 2014” http://media.unwto.org/press-release/2015-01-27/over-11-billion-tourists-travelled-abroad-201, acessado em 04/02/2015

“Among the other two main emerging markets, the Russian Federation (-6%) clearly lost strength in 2014, while Brazil still grew by 2%, despite the appreciation of the US dollar against the Brazilian real and slower economic growth.”. Fonte: idem.

O texto original revelou uma realidade bem diferente do sucesso. A OMT realmente afirmou que o turismo na América do sul cresceu 6% em 2014 (dobro do crescimento de 2013). No entanto, ela também afirmou que o turismo no Brasil cresceu 2%. Na matemática, as parcelas que estão abaixo do resultado final representam contribuições negativas, ou seja o crescimento de 2% bem abaixo do resultado geral da América do Sul de 6% é uma contribuição negativa. Em outras palavras, a América do Sul cresceu 6% apesar do Brasil e não por causa do Brasil.

O que foi chamado de sucesso pela Embratur é questionado pelo resultado alcançado. Países que não realizaram a copa cresceram muito mais que os 2% do Brasil. O texto afirmou que o crescimento global foi de 4,7%. O crescimento de destinos que não realizaram a copa do mundo como o México e Caribbean foi de 7%. O crescimento da América do Norte que também não realizou a copa do mundo foi de 8%. Uma enorme quantidade de destinos cresceu muito mais de 2% em 2014 e não foram sedes da copa do mundo. A afirmação do sitio da Embratur de que o resultado de 2% de crescimento do turismo do Brasil em 2014 é uma demonstração do sucesso da copa do mundo não tem contrapartida no sitio da OMT.


É muito importante que a regulamentação do MCI puna severamente as distorções do conteúdo e obrigue a indicação da fonte junto ao texto para que a liberdade de expressão do brasileiro seja preservada. Liberdade de expressão implica no direito ao acesso da informação precisa.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Economia dos aplicativos

O governo federal do Brasil iniciou o seu novo mandato em 2015 com mais uma proposta "genial". No artigo “Shoppings já acionam geradores em horário de pico de consumo” (http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mercado/206656-shoppings-ja-acionam-geradores-em-horario-de-pico-de-consumo.shtml, acessado em 04/02/2015) o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, disse que quer que os shoppings centers usem mais energia de gerador e mudem horários de funcionamento.

O primeiro problema da “genialidade” proposta é que estes geradores foram dimensionados para suprir eventuais falta de energia. Eles não servem para operações rotineiras e prolongadas. O segundo aspecto é o agravamento do efeito estufa pela queima de combustível fóssil. A questão do horário é uma facada em uma economia que já está fortemente ferida. Considero impressionante que em apenas meio ano após a copa do mundo de futebol, o Brasil (que realizou a copa das copas. Será?) enfrente restrições de energia elétrica. O governo federal não declarou em 2014 para os “pessimistas de plantão” que a oferta de energia era abundante?

A única coisa com algum sentido do discurso do ministro foi o plano para lâmpada Led. Infelizmente ele é mais discurso do que fato. Seria bom o atual governo rever suas estratégias. Este preâmbulo permite destacar a importância da economia dos aplicativos no nosso estilo de vida atual. Para quem não sabe a economia dos aplicativos é definida como a utilização em larga escala de aplicativos móveis como canal de relacionamento entre as empresas e os consumidores ou entre empresas e funcionários, parceiros e fornecedores

Já existem exemplos concretos da presença dela no nosso dia a dia. Ao comprar uma televisão, estabilizador de energia, geladeira, carro e etc. os usuários recebem aplicativos que permitem configurar e monitorar o equipamento adquirido. Em pouco tempo os consumidores ficam dependentes destes aplicativos que controlam desde o consumo de energia elétrica até a rotina de manutenção dos equipamentos com agendamento automático. Neste caso, a economia dos aplicativos participa do processo de pós-venda dos fabricantes e fornecedores. Os aplicativos oferecem informações valiosas sobre o perfil de utilização e permitem explorar importantes oportunidades de negócio. As informações sobre utilização e manutenção geram dependências pela excelência e são extraordinárias ferramentas para a fidelização dos clientes.

Existem também os aplicativos que funcionam na etapa de pré-venda de alguns produtos como a lâmpada Led mencionada pelo ministro. A comparação da lâmpada led com a fluorescente e incandescente mostra que é preciso fazer cálculos bem acima do nível trivial para revelar as suas vantagens e benefícios para o consumidor. O preço de varejo mostra que ela é bem mais cara que a lâmpada incandescente, mas gasta muito menos energia e gera muito menos calor.

Nas altas temperaturas brasileiras a geração do calor das lâmpadas incandescentes é combatida pela refrigeração do ar condicionado, ventiladores e etc. Este consumo extra de energia elétrica só ocorre por causa do calor gerado pelas lâmpadas incandescentes, portanto este custo também deve entrar na comparação das lâmpadas. Vendedores e consumidores comuns tem muita dificuldade para calcular todos os fatores e o aplicativo é uma excelente solução como ferramenta de vendas e tomada de decisão. Existe uma enorme quantidade de equipamentos que tem a mesma característica de complexidade de avaliação do custo e benefício que a lâmpada led.

Como efeito de comparação é possível afirmar que uma lâmpada de 100 Watts incandescente produz a mesma quantidade de luz de uma de 23 Watts fluorescente compacta e de uma de 14Watts Led. Apenas a lâmpada led não produz calor. A lâmpada led converte 95% da energia consumida em luz e dura em média entre 30 e 50 mil horas e a lâmpada incandescente converte apenas 10% da energia consumida em luz e dura em média mil horas.

A grande quantidade de variáveis da equação do benefício é o principal motivo pelo qual a família de aplicativos de pré-venda de lâmpadas led vem crescendo tanto. A distorção das informações é tão intensa que existe uma enorme janela de oportunidades abertas para a economia dos aplicativos. Os aplicativos de chame táxi como “Easy Taxi” são exemplos de como as aplicações de pré-vendas já estão presentes no nosso dia a dia.

A sharing economy ou consumo colaborativo ou economia colaborativa é extremamente favorecida com a economia dos aplicativos na etapa de pré-venda. O consumo colaborativo ocorre quando as pessoas compartilham a utilização de um bem comum. O compartilhamento pode ocorrer por causa de horários de utilização diferenciados por causa da sazonalidade, por necessidades complementares e etc.

Um sério candidato para o consumo colaborativo no futuro é o carro particular. Em pouco tempo as pessoas estarão compartilhando carros e garagens através de aplicativos. Esta imensa base de informações poderá ser utilizada pelos governos para políticas públicas da ocupação do espaço nas cidades. A necessidade de otimização do consumo de energia no Brasil destacada pelo ministro de Minas e Energia do Brasil deve fazer parte do dia a dia porque a água é um recurso finito e escasso. Infelizmente apenas na crise o atual governo acordou para a ênfase de eliminar as perdas e desperdícios do consumo de energia elétrica.

A economia dos aplicativos é sem sombra de dúvida um elemento chave para direcionar a população para a otimização dos seus gastos energéticos.  A governança da TI verde pode ser facilitada pelos aplicativos de pré-venda, pós-venda, compartilhamento e otimização. É evidente que não tem sentido algum gastar bilhões de reais na iluminação pública por led se dentro das casas e empresas existe um gasto de energia elevado e desnecessário via televisores de tubo de raios catódicos, portais de Internet de cores claras e iluminadas, caixas eletrônicos que estão ligados e não funcionam, eletrodomésticos que produzem mais calor que o necessário, computadores com fontes de alimentação de baixa eficiência e etc.


Um exemplo da área de Tecnologia de Informações e Comunicações deixa bem claro o enorme espaço que existe para reduzir o consumo de energia sem racionamentos ou maiores sacrifícios da população brasileira. Um típico datacenter nacional tem Power Utilization Efficincy (PUE) de 2,4. Lembro que o PUE é a razão entre o consumo total do datacenter (inclui refrigeração, iluminação e etc.) pela energia consumida pelos equipamentos de tecnologia. O melhor PUE possível é 1,0. Um PUE de 2,4 significa que os datacenters que são centrais de computadores que consonem muita energia estão consumindo 2,4 Watts por hora para uma necessidade de apenas 1,0 Watt por hora. Elas estão transformando em calor inútil, ou seja, desperdiçando quase 60% da energia paga. Numa economia em ajuste como a brasileira em 2015 com crise de água e energia isto significa que estamos jogando no lixo muito dinheiro e energia elétrica. A economia dos aplicativos está ai para resolver vários desafios brasileiros. Seria bom ver o ministro Eduardo Braga acordar para ela e criar mecanismos para solucionar o grave problema nacional de energia elétrica.

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

2015 - O ano pós copa

No final de 2014 diversos veículos de comunicação fizeram a tradicional retrospectiva do ano. Me chamou muita atenção encontrar comentários exaltando o sucesso da realização da copa do mundo de futebol no Brasil em 2014. Um evento capitalista como a copa só é um sucesso quando gera lucro sustentável de longo prazo e cabe no bolso de curto prazo dos organizadores, ou em outras palavras sobra alguma bufunfa para quem trabalhou.

Diversas notícias revelam que a copa mais atrapalhou do que ajudou na geração de bufunfa. A seguir reproduzo algumas destas notícias. O balanço final revelado no artigo “Iniciativa privada bancou apenas 17% dos estádios da Copa do Mundo” (http://www1.folha.uol.com.br/esporte/2015/01/1571494-iniciativa-privada-bancou-apenas-7-dos-estadios-da-copa-do-mundo.shtml, acessado em 27/01/2015) publicado pelo jornal Folha de São de Paulo em 07/01/2015 e 10/01/2015 revelou que apenas 17 por cento do dinheiro investido nos estádios ou arenas foi privado. A participação mínima do capital privado mostra que o projeto da copa do governo não foi comprado pelo setor privado.

Todo e qualquer investimento público focado nas classes A e B sem retorno de longo e com comprometimento do caixa de curto prazo é concentrador de renda e alavancador da desigualdade social. Projetos assim representam violações sociais graves. Infelizmente a copa de 2014 é um dos mais graves casos de desgoverno da história da humanidade. As notas “Endividado, DF terá que receber a F-Indy ou pagar multa milionária” (http://josecruz.blogosfera.uol.com.br/2015/01/endividado-df-tera-que-receber-a-f-indy-ou-pagar-multa-milionaria/, acessado em 27/01/2015) e “Torneio de ingenuidade” (http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/203614-torneio-de-ingenuidade.shtml, acessado em 27/01/2015) deixam claro que os bilhões gastos no estádio em Brasília sem retorno algum comprometeram o caixa do governo do Distrito Federal a ponto dele não ter dinheiro para pagar os seus funcionários e outras despesas importantes.

No caso do Rio de janeiro o caso é mais grave ainda. Os gastos no Maracanã comprometeram a capacidade do governo de colocar combustível nos veículos da polícia. A segurança do Rio de Janeiro ficou comprometida pela gastança irresponsável com a copa (PM confirma falta de abastecimento de combustível, e racionamento é criticado pela Associação de Praças: ‘É um risco’, http://extra.globo.com/casos-de-policia/pm-confirma-falta-de-abastecimento-de-combustivel-racionamento-criticado-pela-associacao-de-pracas-um-risco-14934391.html, acessado em 27/01/2015).


Claramente o planejamento pobre da copa no Brasil gerou perdas na economia. O ridículo PIB de 2014 que só com muita sorte será nulo, mostra o tamanho da oportunidade perdida. Os elogios para a organização da copa mostram que o Brasil está com os seus valores invertidos. O artigo “No ano da Copa, gasto de estrangeiro aumenta apenas 3%” (http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mercado/205273-no-ano-da-copa-gasto-de-estrangeiro-aumenta-apenas-3.shtml, acessado em 27/01/2015) revelou que o Banco Central esperava um crescimento de 700 milhões de dólares  nos gastos dos estrangeiros no Brasil por causa  em razão da Copa e eles aumentaram apenas 210 milhões de dólares.

User eXperience (UX)

Recentemente estive conversando com um amigo que transita entre São Paulo e Rio de Janeiro. Estávamos conversando sobre os planos para 2015 e para a minha surpresa ele pretendia trabalhar com UX a partir do segundo semestre de 2015. Foi uma revelação surpreendente porque o assunto Experiência do Usuário que é bem conhecido nos países mais avançados está em estágio embrionário no Brasil.

A visão nacional do atendimento ao consumidor é muito parecida com a que foi apresentada no artigo “Por que o atendimento ao cliente continua ruim – parte 1” (http://www.4hd.com.br/blog/2015/01/07/por-que-o-atendimento-ao-cliente-continua-ruim-parte-1/, acessado em 26/01/1015). O Roberto Cohen traduziu e reproduziu partes do artigo “WHY IS CUSTOMER SERVICE SO BAD?” publicada na revista “A CROSS THE BOARD, JAN/ FEB 2006” que detalhou os motivos para o atendimento ruim (Inexistência de concorrência, Marca concorrida, Mini monopólios e Preço baixo).

Questões como monopólio, poder da marca e etc. foram citadas como motivos para a ausência de investimento no atendimento ao usuário. Naquela época em 2006 existia uma lógica racional por traz destas escolhas. No entanto, será que estas motivações ainda prevalecem em 2015?

Um dos setores que mais cresceram nos anos do pífio crescimento do PIB brasileiro do governo Dilma é o e-commerce. O maior desafio do comercio digital é conquistar a confiança dos consumidores. Muitos são arredios ao e-commerce pelos escândalos de segurança. Todos os dias os brasileiros são bombardeados de notícias ruins sobre invasões de sites e vazamento de informações sensíveis dos consumidores.

A conquista da confiança passa pela credibilidade do ponto de venda. E a credibilidade é consequência do pré-venda, da entrega e do pós-venda. Em outras palavras, a credibilidade do comércio digital está diretamente ligada com a experiência do usuário. Este é o real motivo deste tema ter alcançado a dimensão que alcançou nos Estados Unidos e Europa. Umas das consequências deste estratagema é o elevado faturamento das lojas de roupas destes países com os turistas brasileiros.

Uma experiência do usuário dentro do prometido gera tamanha satisfação para o consumidor que ele se sente compelido a compartilhar a experiência escrevendo um comentário sobre a empresa em sites ou redes sociais. Este é o caminho para a confiança. Os não consumidores leem os comentários compartilhados e passam a ter confiança nas promessas daquele ponto comercial.

Quando encontramos americanos e europeus investindo bilhões de dólares em experiência do usuário, eles não estão agindo feito loucos que queimam notas de 100 dólares. Eles estão na realidade encontrando novas formas de ganhar mais dinheiro.
Espero que tal qual o meu amigo muitos se juntem à onda da experiência do usuário e ganhem muito dinheiro com os novos negócios.

Como exemplo prático de experiência de usuário vou usar um caso que aconteceu comigo. Recentemente eu ganhei uma camisa de uma marca que eu não conhecia. Ao abrir a caixa tinha um enorme destaque para a mensagem que dizia que aquela camisa foi confeccionada com mão de obra legalizada e que em toda a cadeia produtiva existe um rigoroso controle para que não exista mão de obra escrava. Era apenas uma mensagem, mas diante dos escândalos de mão de obra do setor têxtil brasileiro eu me senti mais feliz e satisfeito ao saber que estarei usando uma camisa que não é o resultado da exploração humana. Isto é concretamente um caso de experiência do usuário. Eu já considero esta marca nas minhas compras de camisa e a recomendo. Este é o efeito cascata positivo da experiência do usuário.

A questão da Experiência do Usuário é tão intensa na indústria têxtil que ela está mudando o perfil de compras dos brasileiros. O artigo “Viajantes brasileiros compram no exterior R$ 12 bilhões em roupas” (http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2014/10/1530175-viajantes-brasileiros-compram-no-exterior-r-12-bilhoes-em-roupas.shtml, acessado em 26/01/2015) revelou que os brasileiros compraram 5 bilhões de dólares em roupas no exterior em 2014 (60 mil toneladas em roupas). Este valor foi praticamente o faturamento anual das quatro maiores redes de varejo têxtil (Riachuelo, Renner, C&A e Marisa) em 2014. Claramente as pessoas estão buscando um nível de experiência que não é oferecido no Brasil.

Como exemplo das barreiras criadas pela Experiência de Usuário negativa, eu vou usar novamente um caso que ocorreu comigo no dia 26/01/2015. Eu estava esperando para atravessar uma rua até a abertura do farol de pedestres. Neste instante um carro moderno e luxuoso parou em cima da faixa de pedestres me obrigando ao desvio. O motorista sem qualquer pedido de desculpas ou início de frase com “por favor” perguntou uma informação sobre qual direção deveria tomar para chegar em uma determinada rua. Eu respondi sem interesse algum de ajudar que era só seguir em frente e fui embora deixando ele falando sozinho. Não dei uma informação errada, mas sabia que a mesma não ajudaria em nada. A principal consequência da Experiência de Usuário negativa foi o meu total desinteresse na colaboração com ele.

Nas empresas temos nitidamente o caso da Experiência de Usuário negativa na organização de Tecnologia de Informações e Comunicações (TIC). Muitas vezes os jovens analistas que são nativos digitais nutrem tantos preconceitos sobre serem experts de TIC apenas porque nasceram na geração digital que ignoram o que está sendo dito pelos mais velhos de cabelos brancos que são nativos analógicos. Estas posturas geram experiências ruins e raramente as organizações de TIC das empresas recebem elogios espontâneos dos seus usuários.

Para quem quiser saber mais sobre User eXperience e Customer experience (CX) seguem-se alguns endereços interessantes:





segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

TI no petrolão da Petrobras

Até a sexta feira dia 12 de dezembro de 2014, o escândalo do petrolão da Petrobras estava do ponto de vista de Tecnologia de Informações e Comunicações (TI ou TIC) restrito as páginas policiais. A declaração da Venina Velosa da Fonseca sobre e-mails enviados para os executivos da Petrobras alertando sobre os desvios muda completamente este quadro. A existência da entrega e confirmação da leitura dos e-mails, pode invalidar a argumentação "do eu não sabia" utilizada pelos executivos da Petrobras.

Todos os e-mails e respectivas informações de controles estão registradas nos servidores de TIC da Petrobras. Os backups destas informações também devem estar corretamente armazenados e testados. Por ser uma empresa listada na bolsa de nova York a Petrobras deve atender todos os requisitos da lei Sarbanes-Oxley (Sarbox ou SOX) dos Estados Unidos e as suas auditorias devem ter realizado aa devidas verificações. Infrações geram punições e perda de confiança pelo mercado.

A lei Sarbanes-Oxley é muito clara sobre a obrigatoriedade do armazenamento das informações digitais. Ela também determina o que deve ser auditado. Em outras palavras se estes e-mails realmente existiram conforme foi declarado pela Venina Velosa da Fonseca ao jornal "Valor Econômico" (Diretoria da Petrobras foi alertada sobre desvios, diz jornal, http://www1.folha.uol.com.br/poder/2014/12/1561415-diretoria-da-petrobras-foi-alertada-sobre-desvios-diz-jornal.shtml, acessado em 16/12/2014) eles estão nos backups. Eles não podem ter sido apagados ou modificados sem que o sistema de proteção das informações tenha detectado e alertado aos gestores.

Isto significa que ou a adulteração das informações ou a inexistência do backup do dia ou a impossibilidade de restauração das informações vai levar a Petrobras para a lei Sarbox. Pode ser um grave tiro no bolso, na credibilidade e na nota de crédito da empresa. Os danos podem ser severos. A organização de TIC da Petrobras precisa agir dentro dos princípios da ética profissional para não sair ferida neste escândalo.

Feitas estas considerações é muito fácil comprovar ou desmentir as declarações da Venina Velosa da Fonseca ao jornal "Valor Econômico". Seria muito importante que os e-mails fossem publicados na mídia o mais rápido possível para evitar maior dano para os acionistas da empresa. O valor das ações da Petrobras vem despencando desde 2008. Apenas como referência de comparação o valor de mercado da Petrobras em 2008 era maior que a Apple. Em 2014, apenas seis anos depois a Apple vale muito mais que a Petrobras. É preciso ter em mente que a Petrobras produz bens indispensáveis para a economia em regime de quase monopólio. A Apple produz bens importantes mas supérfluos em regime de alta competição.


Seria importante a publicação na integra dos e-mails e das respostas para que todos os interessados verifiquem a clareza das mensagens e das respostas. É muito fácil responder as acusações afirmando que não existiu entendimento do recado dado pela Venina Velosa da Fonseca nos e-mails. Um gestor zeloso teria respondido aos e-mails via solicitação de maiores informações e detalhes dos malfeitos. A ausência de posicionamento do executivo, após a leitura de uma mensagem com este teor de gravidade indica no mínimo a existência de graves falhas administrativas de governança. Esperamos que a organização de TIC da Petrobras enderece esta questão da sociedade e dos acionistas com sobriedade, ética e respeito.

A nova TI no Black Friday do Brasil

É muito preocupante a afirmação do CEO do Buscapé para América Latina, Rodrigo Borer, que só a rede americana Walmart estava realmente preparada para o Black Friday (Black Friday 2014 frustra quem esperava evolução do e-commerce brasileiro, http://idgnow.com.br/blog/circuito/2014/11/29/black-friday-2014-frustra-quem-esperava-evolucao-do-e-commerce-brasileiro/, acessado em 11/12/2014). O Procon de São Paulo revelou que as grandes empresas nacionais de e-commerce como a B2W (Americanas.com, Submarino e Shoptime), Nova Pontocom (Pontofrio.com.br, casasbahia.com.br e extra.com.br) e Saraiva apresentaram problemas graves nos horários de maior demanda.


É bastante claro que as companhias nacionais ficaram mais no discurso e menos nas ações na preparação para o Black Friday. O artigo “CNova: desafios e táticas para otimizar a TI durante a Black Friday” (http://computerworld.com.br/negocios/2014/11/28/cnova-desafios-e-taticas-para-otimizar-a-ti-durante-a-black-friday/, acessado em 11/12/2014) revelou como o Regis Borghi, Chief Information Officer (CIO) da Cnova Group (e-commerce do Extra, Ponto Frio, Casas Bahia, Barateiro e PartiuViagens) planejou o Black Friday de 2014. Como mais de 70% das reclamações registradas pelo Procon de São Paulo estavam relacionas com o e-commerce das lojas Americanas, Submarino, Shoptime, Ponto Frio, Casas Bahia, Extra e Saraiva ficou claro que o planejamento não foi bom o suficiente para tirar a empresa Cnova Group do grupo do G7 das piores do Black Friday.

Cinco das sete principais reclamações dos clientes estão relacionadas diretamente com Tecnologia de Informações e Comunicações (TIC). É preciso entender que não estamos falando de falhas de TIC, mas sim de perdas de dinheiro. Cada uma destas falhas gerou vendas perdidas para estas empresas e aumento de faturamento para a excelência do e-commerce da rede americana Walmart (bom resultado no Black Friday no Brasil foi o resultado de uma preparação adequada para o evento). Na maioria dos casos nacionais, as falhas ocorridas foram decorrentes de um planejamento pobre e de uma atuação medíocre do Service Desk.

A pergunta que não quer calar é de onde a rede Walmart conquistou tanta capacitação em TIC? Será que Tecnologia de Informações e Comunicações passou a fazer parte do core business da rede americana? Certamente a empresa buscou capacitações e não apenas certificações. Claramente, os profissionais gabaritados desta empresa escolherem as melhores soluções para endereçar os desafios da sazonalidade do Black Friday de 2014 e planejaram a operação da central de serviços para atuar em nível classe mundial. Soluções como a nuvem elástica não foram ignoradas. A estratégia do Regis Borghi CIO da Cnova Group revelada no artigo “CNova: desafios e táticas para otimizar a TI durante a Black Friday” de trabalhar a elasticidade através do crescimento orgânico sem perda do investimento mostrou um resultado final bastante pobre. As reclamações contra o desempenho ruim nos horários de pico dos sites geridos pela Cnova Group revelaram que é preciso cuidar da sazonalidade com uma ferramenta como a nuvem elástica.

A questão chave não está relacionada com a tecnologia utilizada. O real problema é que muito dinheiro e lucro foram perdidos. Enquanto a rede americana Walmart surfou com tranquilidade nas ondas do lucro do e-commerce do Black Friday, as empresas brasileiras brigaram com o consumidor. No médio e longo prazo, a capacitação superior da organização de TIC vai gerar diferencial competitivo forte e levará a rede americana para uma posição de supremacia. Claramente, existe o perigo que a superioridade intelectual atual da rede Walmart vire monopólio comercial no futuro breve.

Não é mero acaso que em 2014 que os Estados Unidos que foram os maiores impactados pela crise 2008 estão crescendo mais que o Brasil que afirmou que a grande crise era apenas uma marolinha. É fundamental que o Service Desk das empresas brasileiras evolua para que o Black Friday de 2015 não seja o último das empresas nacionais.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Eu não inovo então como eles inovam?

O desafio da inovação é um assunto recorrente na mídia brasileira. Em novembro tanto a revista Brasileiros abordou o tema no seminário “4ª Edição do Seminário Inovação: Metas e Desafios perante a concorrência Internacional” realizado em 06 de novembro de 2014, como no jornal Folha de São Paulo no caderno especial “O Brasil que dá certo – Inovação” publicado em 17 de novembro de 2014.

Ainda é comum a abordagem que falta dinheiro para a inovação no Brasil. A comparação apresentada no artigo “Gasto brasileiro com ciência é muito pouco eficiente, diz 'Nature'” (http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2014/11/1549183-gasto-brasileiro-com-ciencia-e-muito-pouco-eficiente-diz-nature.shtml, acessado em 17 de novembro de 2014) revela mais uma vez que o problema não é dinheiro. Existe uma boa disponibilidade de capital para investimento em inovação mas existem barreiras inibidoras. O artigo “Novos programas destravam recursos” (http://www1.folha.uol.com.br/fsp/especial/195907-novos-programas-destravam-recursos.shtml, acessado em 17 de novembro de 2014) publicado pelo jornal folha de São Paulo em 17 de novembro de 2014 destaca os problemas de burocracia para a inovação.

Com toda a certeza, a burocracia dos programas governamentais de incentivos e subvenção vêm criando enormes barreiras contra a inovação brasileira. A primeira e mais óbvia barreira é a necessidade do solicitante ser uma empresa jurídica. Muitas pessoas com capacidade de inovação não querem criar uma empresa jurídica para desenvolver uma aplicação específica. Elas têm conhecimento do problema e sabem desenvolver uma solução. Num país financeiramente e culturalmente pobre como o Brasil, as pessoas precisam de recursos pequenos para resolver algo que as incomoda e pode ajudar milhões de outras pessoas. Criar uma empresa para disputar um recurso que pode ser recusado é uma burocracia inútil nos dias atuais.

Com a oferta de ferramentas poderosas de programação intuitiva como o MIT App Inventor 2 (http://appinventor.mit.edu/explore/) a exigência de pessoa jurídica fica cada vez mais fora realidade. Muitos jovens brasileiros em situação de carência social em que sequer tem um endereço de correio regular ficam completamente alijados dos programas de inovação porque não dispõem de recursos para abrir uma empresa jurídica e participar da submissão de trabalhos. Estas pessoas que vivem diariamente dificuldades que podem ser resolvidas com um simples aplicativo desenvolvido no MIT App Inventor 2 não podem apresentar projetos inovadores porque ou não tem um endereço de correio regular para sediar uma empresa jurídica ou não tem idade suficiente para serem empresários.

Será que existe sentido prático em incentivar na segunda década do século XXI apenas as inovações apresentadas por pessoas jurídicas?  Entendo que o país perde muito com esta limitação burocrática. Ela não tem sentido algum em termos de uma política nacional de incentivo à inovação. A segunda medida burocrática inibidora da inovação é a exigência de um pesquisador ligado a uma universidade nos projetos de inovação. Inovação não é necessariamente uma novidade. A mera digitalização de ações do dia a dia como é por exemplo caso das redes sociais pode gerar uma inovação revolucionária. O nascimento de redes como o Facebook, Twitter, Waze, Instagram e etc. não demandou a presença de um pesquisador de uma universidade. Jovens que enfrentavam problemas recorrentes diários resolveram criar uma solução. Eles sentiam e tinham pleno conhecimento da necessidade e de como ela poderia ser endereçada. A exigência de um pesquisador ligado a uma universidade deveria ser focada apenas para as novidades e não para todas as inovações.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Previsibilidade no Software

Quando pensamos que os falsos profetas de TI estão no ostracismo, eles aparecem com mais falácias para tentar enganar as empresas usuárias de Tecnologia de Informações e Comunicações (TIC). Em 2014, foi publicado no Brasil um artigo que afirmava que era impossível prever o custo e prazo do desenvolvimento de um software usando o Agile Software Development por causa de diversos aspectos. Uma das dificuldades apontadas era a comunicação na língua brasileira. Segundo o autor, a língua nacional dificulta o entendimento das regras de negócio pelo analista de desenvolvimento.

Em geral, escolas ruins formam e diplomam profissionais pobres. É um fato lamentável, mas faz parte da nossa realidade. No entanto, é preciso ter claro entendimento de que as dificuldades dos profissionais em comunicação e expressão não tem relacionamento algum com a falta de previsibilidade do custo e prazo do desenvolvimento de um software. Profissionais despreparados geram resultados pobres, por isto, a sua contratação significa na prática jogar dinheiro no lixo.

É muito comum a situação onde um profissional despreparado resolveu um problema e criou dois ou mais. Também é comum este perfil criar diversos problemas sem sequer arranhar a solução do desafio inicial. Infelizmente na área de TI no Brasil existem muitos profissionais totalmente despreparados para trabalhar em 2014. Estas pessoas trabalham como se ainda estivéssemos no ano 2000. Todo profissional qualificado e gabaritado de TI sabe que antes de escrever o código ele precisa traduzir em um fluxo todas as informações fornecidas pela empresa usuária. Este fluxo precisa ser testado em relação à realidade operacional do solicitante para identificar as falhas e esquecimentos. Não importa se as entregas serão feitas em módulos pequenos. É preciso que o fluxo esteja claro tanto para o desenvolvimento, como para os usuários do software.

É desta forma que os profissionais formados nas boas escolas de engenharia conseguem desenvolver aplicações com previsibilidade de custo, prazo e qualidade. Estas pessoas têm pleno conhecimento da operação do negócio e dos aspectos técnicos do desenvolvimento de software. Os mercadores de falácias querem iludir o mercado com a falta de previsibilidade, porque eles não conseguem entregar o que prometem nas propostas. Estes prestadores de serviços de desenvolvimento vivem em um mundo de ilusões e enganações.


O Agile Software Development permite a previsibilidade nas entregas do desenvolvimento de software pela modularização e reutilização de códigos. O uso da biblioteca de rotinas permite ao desenvolvedor trabalhar com as peças testadas e aprovadas para criar novas funcionalidades. É possível estimar com alta dose de acerto o custo e prazo das entregas. Também é possível repetir estes passos infinitas vezes com o mesmo resultado. Nunca na história de TI o desenvolvimento de aplicações de software foi tão previsível.

Inovação na TI brasileira

Os Chief Information Officer´s (CIOS) brasileiros já revelaram em reuniões, congressos, artigos que estão sendo pressionados para apresentar inovações nas organizações que trabalham. A maioria deles declarou que as restrições orçamentárias são a maior barreira para as inovações. Os CIOS alegam que tem dinheiro apenas para manter os sistemas atuais funcionando. Eu não tenho dúvida alguma que o orçamento de Tecnologia de Informações (TI) é curto. Em 2007 afirmei que isto iria ocorrer caso as práticas equivocadas na gestão da tecnologia continuassem. Infelizmente os livros de governança publicados não foram esclarecedores o suficiente para mudar a postura de fazer o mínimo possível. No entanto, será que os executivos de TI não estão mais uma vez usando a muleta da falta de dinheiro para justificar o fracasso da inovação da TI Nacional?

A regra básica para que os profissionais de TI consigam propor inovações é que eles entendam o negócio da empresa. As inovações não são meras trocas de tecnologia. Em outras palavras, elas não podem ser manifestadas em adoções primárias tecnológicas como por exemplo liberar o uso do iPhone ou trocar o Windows XP por Windows 8. O artigo “Autoatendimento com qualidade e relacionamento próximo do cliente” publicado na revista SupportWorld número 18 exemplifica mais um caso onde o entendimento do negócio inexiste. O texto mostra de forma destacada a seguinte afirmação: "O autosserviço reduz os custos, garante a disponibilidade a qualquer momento e em qualquer localização". Apenas no texto completo é apresentado de forma tímida que o autor está falando em redução significativa do custo com suporte técnico.  O artigo apresentou uma enorme gama de argumentos para justificar a hipótese favorável ao autosserviço. São justificações sem consistência alguma para o negócio. 

O texto abordou apenas a tecnologia pela tecnologia em todo o artigo. Todas as explicações foram baseadas em premissas sem sentido para o negócio. Existiu um claro despreparo empresarial, pois em nenhum momento foi feita a avaliação do custo total do autosserviço. A pergunta corporativa mais importante sobre o assunto (o que é melhor “reduzir o custo do suporte pelo autosserviço e aumentar o custo total do negócio” ou “manter o custo do suporte e reduzir o custo total do negócio”) não foi endereçada.

Em nenhum momento o artigo apresenta uma resposta para o desafio empresarial de reduzir o custo do negócio. A ausência da conta inteira do autosserviço revelou tanto o desconhecimento de importantes variáveis do negócio como a falta de disposição de sair da zona de conforto de tratar a tecnologia apenas pela tecnologia. O fracasso da inovação em um cenário onde o perfil profissional desconhece o negócio é inevitável.  Os CIOS que querem e precisam inovar precisam urgentemente ajustar o perfil profissional da sua equipe pela contratação de profissionais qualificados e experientes.


A formação de uma equipe de TI pela contratação de profissionais qualificados formados nas boas escolas de engenharia tem a vantagem adicional de contar com um time formado por seres humanos com valores éticos e morais elevados.  Pessoas honestas conseguem trabalhar facilmente em regime de colaboração e produzir inovações permanente. Inovar exige a inteligência coletiva multidisciplinar. Pessoas de confiança são capazes de trocar experiências em grupo e criar coisas novas. Não existe neste meio a pratica de furtar ideias. Um dos principais pilares da inovação é a confiança. Os CIOS nacionais que querem entrar no jogo da inovação precisam urgentemente revisitar as suas equipes. O salário pago para profissionais preparados gera elevado retorno em termos de inovações.

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

INOVAÇÃO X MODELO DE NEGÓCIO

Muita gente fala e escreve sobre a falta de investimento em inovação no Brasil. Muitos destacam que a inovação nacional sofre do mal crônico da falta de dinheiro e este aspecto é a principal justificativa para que o país inove tão pouco. Com a esperança de resolver o problema do dinheiro, os especialistas em empreendedorismo estão viajando frequentemente para a região do vale do silício nos Estados Unidos para captar dinheiro para as inovações brasileiras.

Estas pessoas realmente acreditam que desta forma vão destravar as restrições e conseguirão alavancar as inovações brasileiras. Infelizmente, estes profissionais insistem em ignorar que muitas das empresas inovadoras nasceram com um capital financeiro muito baixo. Também é fácil perceber que os fundadores destas companhias eram na maioria das vezes pessoas comuns. Os casos mais recentes da Alibaba e Facebook ou os menos recentes da HP, Apple, Microsoft, Google e etc. exemplificam como pessoas sem formação universitária e dinheiro conseguiram criar negócios inovadores.

Em uma conversa recente com um importante empresário nacional sobre a produtividade, percebemos que existe uma dificuldade estrutural nas corporações nacionais de todos os portes.  Quando comparamos a riqueza gerada por um funcionário em uma empresa americana com uma brasileira fica nítido que existe um profundo abismo.  As melhores empresas americanas no indicador lucro por funcionário tem uma diferença acima de cem vezes neste índice em relação as melhores companhias brasileiras. A explicação mais usada para esta diferença colossal é o nível de educação.

No entanto, mesmo na situação de exagero extremo de avaliação da educação, o resultado de cem vezes é inconsistente.  Quanto o nível educacional americano pode ser melhor que o brasileiro? Com profundo exagero é possível imaginar que a educação do americano é três vezes melhor. Em outras palavras é impossível explicar a diferença de geração de riqueza por funcionário através apenas da educação. O resultado geração de riqueza do trabalho de um americano com nível básico de educação é maior que um brasileiro especializado com MBA ou mestrado e doutorado. Claramente o nível de educação não consegue explicar totalmente a diferença na geração da riqueza empresarial.

É preciso desvendar este mistério. A análise do modelo de negócio para o capital intelectual das corporações oferece um excelente conjunto de métricas para o entendimento da abissal diferença de riqueza gerada pelos funcionários americanos e brasileiros. No caso americano, o modelo de negócio incentiva as contribuições individuais e coletivas dos funcionários para a melhoria contínua do negócio. As corporações americanas estabeleceram regras para um relacionamento de longo prazo entre a empresa e colaborador com recompensas financeiras e monetárias sustentáveis.  As pessoas estão envoltas em um ambiente colaborativo onde as ideias individuais são compartilhadas e evoluídas gerando assim um importante capital intelectual coletivo. A confiança é a base do modelo que privilegia a relação de longo prazo.  As pessoas desenvolvem as suas carreiras nas empresas e com isto colhem os resultados dos trabalhos por muitos anos.

Uma forma fácil de entender a consequência da confiança e relacionamento no resultado do negócio é através do exemplo a seguir. Todos os dias as empresas de todos os portes enfrentam uma infinidade de pequenos desafios. Normalmente, os funcionários atentos e capacitados reconhecem estes problemas e identificam inovações que os resolvem. Quando existe uma gestão corporativa que valoriza o relacionamento de longo prazo as pessoas apresentam voluntariamente propostas de melhorias.  Elas fazem isto porque colhem (por diversos anos) monetariamente e financeiramente os resultados das inovações.  Quando as corporações tem práticas de relações instáveis de curto prazo e demissões dos funcionários após os 40 anos de idade, as pessoas continuam enxergando inovações que resolvem os problemas e melhoram o resultado do negócio. No entanto, elas são desconfiadas e resistentes e não as apresentam de forma voluntária.

Elas tem total certeza que não vão participar do resultado do seu trabalho. Um ambiente em que não existe confiança entre os funcionários e entre os colaboradores e a empresa inibe a inovação. Este é o principal motivo porque o Brasil inova tão pouco em relação aos Estados Unidos, Europa, Coreia Japão e China.

O modelo de negócio americano para o capital intelectual humano favorece um relacionamento de longo prazo em que todos colhem os frutos do seu trabalho por muitos anos. O modelo brasileiro é baseado no aqui e agora e o curtíssimo prazo resulta na adoção apenas de paliativos. É como tomar remédio contra dor de cabeça todos os dias sem analisar a sua causa. As empresas estão perdendo competitividade porque escolhem vender o almoço para comprar o jantar e repetem esta prática em todas as refeições.  O resultado final é a sub nutrição.


Dinheiro nenhum é capaz de resolver o grave problema da falta de confiança. Os funcionários não apresentam sugestões porque sabem que vão trocar de emprego em dois ou três anos. Neste contexto, as inovações só aparecem quando são compradas.  E neste caso, elas custam muito dinheiro. Como a maioria das empresas nacionais não tem recursos, a consequência é a carência da inovação.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

O desperdício do trânsito

O livro Governança da nova TI: a Revolução abordou na página 420 [CASO TELETRABALHO (2002)] uma solução para as perdas do trânsito. Infelizmente nada foi feito e passados doze anos um novo estudo contabilizou que as perdas nos trinta e nove municípios da região metropolitana de São Paulo estão se aproximando da casa dos R$ 70 bilhões ao ano (Firjan: congestionamentos no Rio e em São Paulo custaram R$ 98,4 bi em 2013, http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2014/07/28/congestionamentos-no-rio-e-em-sao-paulo-custam-r-984-bilhoes-diz-firjan.htm, acessado em 07/08/2014).

A região metropolitana perdeu 7,8% do seu PIB em 2013 devido aos congestionamentos médios de 300 km por dia. Enquanto os políticos discutem sem embasamento algum o plano diretor da cidade e a ampliação do rodízio,  o município vem perdendo cada vez mais dinheiro. Não é a toa que falta dinheiro para a educação,  saúde e segurança. O desperdício segundo a pesquisa da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) é enorme e crescente.
Como o óbvio não vem sendo, é o momento de falar novamente do trivial do trivial.  Antes de pintar centenas de quilômetros de faixas caras inúteis para o transito (velocidade média do ônibus passou de 15 km/hora para 16 km/hora no pico da tarde, Faixas elevam velocidade de ônibus, mas prejudicam carros em SP, http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2014/06/1464713-faixas-elevam-velocidade-de-onibus-mas-prejudicam-carros-em-sp.shtml, acessado em 07/08/2014) ou gastar milhões em estudos para a ampliação do rodízio de carros é preciso fazer o elementar.  Ou seja, acabar com os carros estacionados nas ruas, avenidas e etc.

Todos os vultosos investimentos realizados no sistema viário devem ser direcionados para que os carros, ônibus, motos e etc. andem. O lugar de carro estacionado é no estacionamento. A péssima escolha do prefeito Fernando Haddad de aumentar a zona azul na cidade (Gestão Haddad acelera criação de vagas de Zona Azul, http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidiano/178334-gestao-haddad-acelera-criacao-de-vagas-de-zona-azul.shtml, acessado em 07/07/2014) só aumentou o desperdício e as perdas causadas pelo trânsito.

O segundo aspecto obvio é a questão do deslocamento casa-trabalho-casa na cidade de São Paulo. Durante décadas a gestão municipal vem incentivando o deslocamento das sedes das empresas do bem servido (em termos de transporte público) centro da cidade para os caros bairros da zona sul. Como é muito caro morar perto dos centros empresariais,  a distância percorrida pelos trabalhadores vem aumentando cada vez mais e os carros, ônibus, motos e etc. ficam mais tempo nas ruas fazendo com que os congestionamentos sejam cada vez maiores. A solução óbvia de deslocar para o centro da cidade os centros empresariais foi completamente ignorada no novo plano diretor.

O sistema viário da cidade foi planejado assumindo os principais centros empresariais localizados no centro do município, por isto o transporte público tem grande investimento realizado no centro da cidade. O desenho de todo o investimento viário na cidade é o de deslocamento do bairro para o centro e não entre bairros. Este é o principal motivo do gigantesco desperdício de dinheiro público do deslocamento empresarial para a cara zona sul. O centro pode e deve ser utilizado para moradias, pois isto permite que a região tenha vida após o horário comercial. No entanto, é preciso que a região assuma o seu papel de centro empresarial e governamental para que a cidade sofra menos perdas com o transito.

Uma vez que o centro tenha consolidado o seu papel empresarial é possível criar nos bairros mais pobres centros empresariais regionais de menor porte que funcionariam como centrais de teletrabalho. Desta forma o centro é resgatado como região do trabalho,  família e lazer.  As pessoas que vão ocupar as casas e apartamentos novos ou reformados vão poder trabalhar perto e também vão gerar um novo ciclo econômico para a vida noturna da região.

A cidade pode neste modelo explorar todo o potencial do investimento realizado no sistema viário e de transporte público.  É possível não inflacionar o centro e atender as necessidades das pessoas e empresas com a criação das centrais compartilhadas regionais de teletrabalho onde as pessoas podem realizar as suas atividades profissionais e pessoais com o menor deslocamento físico possível.  A digitalização dos negócios já permite o desenvolvimento de inúmeras atividades de presença virtual.

Estas centrais são melhores no primeiro momento do que o deslocamento físico das empresas para a periferia, porque elas permitem o compartilhamento dos recursos entre diversas empresas minimizando assim os riscos e capital necessário.  A dinâmica destas centrais vai gerar na regional um fluxo adicional de negócios por conta das necessidades de alimentação,  transporte,  segurança e educação.  O volume envolvido do fluxo justifica o investimento na periferia em serviços públicos como telefonia, banda larga, saneamento e energia.  A região vai se desenvolver e com isto vai gerar um ciclo de atenção para sub-regionais. A cidade de São Paulo pode com este modelo de recuperação do centro da cidade resgatar um ciclo desenvolvimentista que beneficie toda a população do município sem exclusões, violências e conflitos.