terça-feira, 25 de julho de 2023

Não se usa smoking em uma praia de nudismo

Em 2015, o livro “Sociedade com custo marginal zero” do premiado autor Jeremy Rifkin foi publicado em português pela editora M. Books.

 

O autor afirmou que os bens comuns colaborativos estão transformando o modo de vida da sociedade pela aceleração da produtividade e pela redução para praticamente zero do custo marginal para produzir e distribuir unidades adicionais de bens e serviços.

 

O preço de venda de um produto ou serviço está intimamente relacionado com o seu custo de produção e com o mercado, ou em outras palavras com a qualidade da entrega e com o preço da concorrência.

 

As ofertas do helpdesk não fogem desta regra, ou seja, o preço de venda é determinado pelo preço da concorrência e pela qualidade da entrega (custos).

 

Na era do conhecimento, o custo marginal para uma nova entrega é praticamente zero, porque é possível capturar as informações e conhecimentos que estão disponíveis na internet com custo praticamente zero.

 

Em outras palavras, é possível melhorar a qualidade das entregas sem pressionar os custos e entregar produtos e serviços melhores para os clientes.

 

Uma empresa de helpdesk pode explorar as oportunidades do custo marginal zero para aumentar a sua participação no mercado, para derrotar os concorrentes nas licitações etc.

 

A melhoria da qualidade não implica nem em aumento no uso de recursos (por exemplo, mão de obra e espaço físico do escritório) nem no aumento dos custos.

 

Os ganhos de produtividade permitem que a mesma estrutura de custos e recursos melhore os produtos, serviços e nível de satisfação dos clientes.

 

Na era dos bens comuns colaborativos, os ganhos de produtividade advêm tanto das melhorias na gestão do conhecimento, quanto da evolução do gerenciamento administrativo do helpdesk.

terça-feira, 18 de julho de 2023

Somos manipulados?

Algumas pessoas afirmam categoricamente que a imprensa, televisão etc. manipulam a sociedade brasileira, ou em outras palavras, que todos mentem e as pessoas acreditam em mentiras.

 

O que causa espécie é que quando perguntados se fazem parte dos manipulados, a resposta sempre é “Eu não. Eu sou esclarecido”. É uma situação surreal em que milhões de pessoas são manipuladas e umas poucas não são porque tem acesso à realidade.

 

Em geral, as afirmações dos “esclarecidos” carecem de lógica, ou apresentam uma lógica invertida em que os fatos desfavoráveis simplesmente são desconsiderados.

 

Um dos “esclarecidos” afirma que a China só conseguiu produzir respiradores, máscaras etc. em larga escala durante a pandemia do novo coronavírus porque ela estava previamente preparada para os eventos futuros.

 

O “esclarecido” ignorou por completo fatos como o preço destes insumos terem disparado e cargas com estes insumos terem sido confiscadas em países ricos.

 

Ora, se existiu preparação prévia dos eventos futuros e as empresas chinesas estavam estocadas então era só desovar os estoques e lucrar nas vendas.

 

O mercado não é bobo. Ele sabe com precisão onde estão os estoques dos insumos e qual é a quantidade de produtos estocados.

 

O mercado formado pelos países ricos não vai pagar dez vezes o preço de respirador só porque a sua demanda interna aumentou. Estamos falando de países em que a força do comprador no mercado é muito forte.

 

Este mesmo “esclarecido” fala sobre o desempenho da economia do governo anterior cita uma empresa que acabou de anunciar o fechamento da sua fábrica em São Bernardo do Campo.

 

De uma forma intencional os “esclarecidos” fingem que determinados fatos não existem para difundir a ideia de que a sociedade é manipulada pela imprensa, televisão etc.

É muito triste ver a falência intelectual e ética de algumas pessoas no Brasil.

 

  

quarta-feira, 12 de julho de 2023

Impacto da Reforma Tributária na indústria de serviços

As pequenas e médias empresas de serviços de helpdesk serão fortemente afetadas pela reforma tributária.

 

Em geral estas empresas contratam pejotinhas para a sua força de trabalho e vendem seus serviços para empresas de maior porte.

 

Os impactos ocorreram na entrada e saída do fluxo do dinheiro. No caso da saída o forte aumento de imposto proposto na reforma tributária ou será repassado para os clientes ou será absorvido pela prestadora de serviços.

 

A desigualdade do poder de mercado entre uma pequena prestadora de serviços e o seu cliente vai fazer com que não ocorra o repasse do novo imposto para o comprador do serviço.

 

Na ponta da entrada, também existe um problema grave, pois as contratações de pejotinhas serão oneradas pelo novo imposto.

 

Neste caso quem terá força de mercado para empurrar o imposto? Ou o pejotinha absorve o novo imposto e reduz significativamente a sua renda ou a prestadora de serviço absorve o imposto e praticamente zera o seu lucro operacional.

 

As pequenas e médias empresas de serviços correm o risco da reforma tributária inviabilizar o seu negócio por falta de lucro.

 

Para os mais pragmáticos a solução para o impasse tributário está na cara. A contratação remota de pejotinhas no exterior está fora do alcance da reforma tributária e a entrega remota de serviços no exterior também está longe do alcance do aumento de impostos.

 

Na prática muitas empresas de helpdesk já entregam os seus serviços de forma remota e contratam pejotinhas remotos.

 

A luta pela sobrevivência pode dar um estímulo inesperado para o trabalho remoto.

 

quarta-feira, 5 de julho de 2023

Falha nossa

Como é possível para um sistema digital bloquear 40 mil cartões sem que o administrador tenha dado um comando para tal? Fonte: Quem teve Bilhete Único bloqueado poderá andar de graça em ônibus, metrô e CPTM (Orientação é da SPTrans, da prefeitura, e do Governo de SP, após falha que bloqueou 40 mil cartões), https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2023/07/quem-teve-bilhete-unico-bloqueado-podera-andar-de-graca-em-onibus-metro-e-cptm.shtml?utm_source=sharenativo&utm_medium=social&utm_campaign=sharenativo, acessado em 04/07/2023.

 

Este fenômeno está longe de ser uma falha simples. Mesmo que tenha sido um erro acidental é preciso ser transparente sobre o que realmente ocorreu.

 

É um nível de falha de grande proporção. Uma falha no software do sistema que gere uma consequência de tal envergadura deve ser cuidadosamente avaliada, pois o ar ficou com cheiro de defeito grave.

 

Se o bloqueio for consequência de um erro operacional humano é preciso estabelecer uma política de gestão do sistema que impeça uma consequência tão ampla.

 

Qualquer que seja a origem da falha é preciso ter transparência na comunicação da falha e das providências para que inexista repetição futura.

 

O tempo das pessoas é valioso e por isto não pode ser desperdiçado em filas de 4 horas para mitigar um erro da gestão do sistema.

 

Em 2023, a máxima tempo é dinheiro representa uma das verdades da era do conhecimento.

 

O tempo perdido pelas pessoas para trocar o seu cartão do Bilhete Único impactou diversas empresas que ficaram com a sua mão de obra indisponível porque estavam em uma fila de 4 horas.

 

Muitas cadeias produtivas foram afetadas negativamente. No frigir dos ovos o PIB do país foi impactado por uma falha operacional em um sistema.

terça-feira, 27 de junho de 2023

Inteligência artificial (IA) errou

Foi revelado que a inteligência artificial atribuiu indevidamente ao autor um fato criminoso praticado por terceiro. Fonte: Juiz manda remover falsa acusação de assédio contra médico de Bauru produzida por inteligência artificial, https://g1.globo.com/sp/bauru-marilia/noticia/2023/06/23/juiz-manda-remover-falsa-acusacao-de-assedio-contra-medico-de-bauru-produzida-por-inteligencia-artificial.ghtml, acessado em 27/06/2023.

 

Foi revelado que o ChatGPT criou diversos casos judiciais. Fonte:  Deu ruim: advogado usou ChatGPT e chatbot inventou casos que não existem, https://www.uol.com.br/tilt/noticias/redacao/2023/05/28/advogado-chatgpt.htm.

 

A inteligência artificial é um modelo, ou em outras palavras, uma simplificação da realidade. Os algoritmos são reducionismos da realidade, pois nem sempre todas as variáveis de um fenômeno são conhecidas pelos cientistas ou existem tantas variáveis que o sistema de equações é extraordinariamente complexo.

 

A simplificação não é um defeito, pois é preciso criar algoritmos factíveis com a prática da realidade para que a inteligência artificial seja usável.

 

Isto significa que sim a IA cometerá erros, por isto é tão importante saber perguntar e saber analisar as respostas. Na imensa maioria dos casos a inteligência artificial produzirá respostas para as boas perguntas, mas em alguns casos ou a pergunta gerará uma resposta falsa ou a IA errará.

 

O estado da arte da tecnologia não permite um copy e paste das respostas da IA sem a realização de uma análise analítica do conteúdo.

 

É preciso ter ciência que existem limitações e a resposta correta virá com a interação do ser humano com a máquina. Em muitos casos, o aprofundamento das perguntas em função das respostas anteriores faz o trabalho de verificação da veracidade e acuracidade da resposta dada pelo cérebro eletrônico.

 

Os erros que aparecerão em maior quantidade em função do volume de uso da IA, servem de parâmetros para reforçar o treinamento da inteligência artificial e de melhoria do modelo matemático dos algoritmos.

quarta-feira, 14 de junho de 2023

Impacto da tecnologia no negócio

Em pouco tempo a Shein no Brasil alcançou o faturamento das maiores lojas brasileiras. A varejista chinesa cresceu seu faturamento com uma taxa dez vezes maior que os varejistas nacionais.

 

O faturamento da Shein no Brasil é quase 100% de comércio eletrônico (uma pequena parte foi obtida na presença física temporária em alguns shoppings)

 

Ao contrário do varejo brasileiro, a Shein aposta muito na tecnologia e na capacitação dos funcionários para trabalhar com estoque de produtos acabados quase zero e produção sob demanda.

 

Alguns insistem em trabalho escravo e sonegação de impostos para justificar o crescimento do faturamento do varejista chinês.

 

Os que brigam contra os fatos apostam na criação de narrativas para mascarar as falhas cognitivas da gestão nacional.

 

Quando a Amazon entrou no Brasil ela levou em pouco tempo empresas centenárias para a recuperação judicial.

 

Não é difícil perceber a diferença da experiência do consumidor que existe entre a Shein e os varejistas nacionais.

 

Isto significa que a Shein no Brasil poderá repetir em breve o feito pela Amazon no Brasil. Alguns varejistas sucumbirão diante da competência capacidade e honestidade.

 

O artigo “Shein no Brasil já vende mais que a Marisa; entenda como o varejo brasileiro reage” (https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2023/06/vendas-da-shein-se-aproximam-das-grandes-redes-e-varejo-brasileiro-reage.shtml?utm_source=sharenativo&utm_medium=social&utm_campaign=sharenativo, acessado em 14/06/2023) revelou que apenas agora em 2023, o varejo de roupas decidiu reagir.

 

Estão sendo contratados sistemas de inteligência artificial para reduzir o estoque de produtos acabados e produzir conforme a demanda.

 

Por melhor que estes sistemas sejam, é preciso capacitar os profissionais humanos para que eles trabalhem com a inteligência artificial e gerem resultados.

 

O futuro revelará se os varejistas nacionais foram capazes de reagir adequadamente. Em particular eu acredito que teremos recuperações judiciais.

 

Quando nós olhamos a praça de alimentação dos shoppings, aeroportos etc. nós encontramos um domínio de marcas internacionais (a maioria é de empresas que nasceram nos Estados Unidos).

 

Muitos não entendem por que existe tal supremacia, se existe uma diversidade culinária bastante ampla no Brasil.

 

A tecnologia teve um papel muito importante na formatação da atual supremacia americana alimentar.

 

Muitas das chamadas gigantes dos alimentos, nasceram pequenas, muito pequenas, apenas um ponto físico de presença com capacidade de atender uns poucos clientes.

 

O delivery que é uma estratégia de negócio habilitada pela tecnologia do telefone e carro eliminou a limitação de atender uns poucos clientes no ponto físico de presença.

 

O capital financeiro e intelectual das gigantes dos alimentos cresceu exponencialmente durante algumas décadas e quando estas empresas entraram no Brasil elas eram muito mais poderosas que as empresas nacionais.

 

Muitas foram varridas do mapa porque não tinham capacidade financeira e intelectual para competir no mercado.

 

No Brasil a universalização do telefone e carro veio muito tempo depois dos Estados Unidos, ou seja, quando a universalização chegou também chegaram as gigantes da alimentação.

 

As empresas nacionais de alimentação não tiveram tempo para crescer e competir no mercado. Elas foram caindo como um castelo de cartas.

 

Duas tecnologias influenciaram o mercado brasileiro de alimentação fora de casa. A inteligência artificial está até o ano de 2023 fazendo o mesmo no varejo brasileiro.   

quarta-feira, 7 de junho de 2023

Impacto da inteligência artificial no emprego e renda

O estudo “Tasks, Automation, and the Rise in U.S. Wage Inequality” (https://onlinelibrary.wiley.com/doi/full/10.3982/ECTA19815, acessado em 07/06/2023) revelou que entre 50% e 70% das mudanças na estrutura salarial dos EUA nas últimas quatro décadas são explicadas por declínios salariais relativos aos trabalhadores que experimentam uma rápida automação.

 

Desde 1980, nos Estados Unidos, os salários reais dos trabalhadores com pós-graduação vêm aumentando e os salários reais dos trabalhadores de baixa escolaridade vem caindo.

 

Nos Estados Unidos, 80% do aumento dos salários dos trabalhadores com nível universitário pode ser explicado pela automação.

 

Nos Estados Unidos, entre 1980 e 2016, a automação responde por um aumento (cumulativo) de 3,4% no Total factor productivity, ou seja, salário real em declínio ou estagnado e crescimento lento da produtividade.

 

Apesar de inexistir um estudo semelhante para o mercado brasileiro, é possível perceber nos grandes números da economia nacional que o mesmo fenômeno vem ocorrendo no Brasil.

 

A introdução da transformação digital e inteligência artificial no ambiente empresarial nacional vem ocorrendo em larga escala nos últimos anos.

 

É fácil perceber o crescimento do salário real dos trabalhadores mais qualificados e o declínio do salário real dos trabalhadores de baixa escolaridade.

 

A inteligência artificial está entrando em diversos setores da economia, pois cerca de 20% dos empregos podem ser automatizados pela IA.

 

A inteligência artificial é na pratica um modelo matemático, ou seja, ela é uma simplificação da realidade, logo ela está sujeita a falhas e erros.

 

As empresas de todos os setores da economia estão buscando por trabalhadores que saibam trabalhar em colaboração com a IA, porque elas sabem que inexiste a perfeição em um modelo matemático.

 

É preciso saber perguntar e interpretar a resposta para obter ganhos de produtividade com o uso da inteligência artificial. Este é um dos motivos do porquê o salário real dos trabalhadores mais qualificados está crescendo em um momento em que postos de trabalho estão desaparecendo.

 

A automação leva para uma situação de dependência das máquinas, por isto, a atuação da central de atendimento é tão importante neste momento de transição.

 

Os trabalhadores do helpdesk que não forem capazes de trabalhar com uma inteligência artificial estão perdendo espaço e emprego na central de atendimento.

 

Dentro de alguns anos, muitos estarão redundantes e sem possibilidade de recolocação.

 

A necessidade de preparação para os recursos inteligentes não é para amanhã é para hoje.

terça-feira, 23 de maio de 2023

Dez mil funções serão substituídas por digitalização e automação

Recentemente o CEO do BT Group, Philip Jansen, anunciou que o atendimento aos clientes e manutenção das redes digitais da empresa serão feitos com uma redução de 10 mil postos de trabalho.

Nos últimos dias, diversas empresas estão anunciando planos de cinco, sete ou dez anos em que a mão de obra humana é substituída ou por um humano trabalhando com uma inteligência artificial ou por uma inteligência artificial.

Para as primeiras substituições as empresas estão buscando profissionais capazes de trabalhar em regime de colaboração com a inteligência artificial.

Basicamente são pessoas que sabem fazer perguntas e analisar as respostas para encontrar a solução ótima para uma necessidade ou problema dos clientes.

Estas substituições estão ocorrendo em todos os setores das empresas, mas em particular a organização de tecnologia está sendo o primeiro alvo dos planos.

A central de atendimento, serviços etc. também faz parte do primeiro ciclo de mudanças.

No Brasil, as empresas do setor de educação listadas na bolsa de valores admitiram que poderão ter dificuldades em função das rápidas mudanças tecnológicas que estão ocorrendo.

Em muitos casos, os sistemas educacionais ficarão insuficientes por causa das rápidas mudanças tecnológicas e da concorrência dos novos entrantes.

O resultado da briga contra os fatos da mão de obra que resiste aos benefícios da inteligência artificial generativa pode ser visto no resultado alcançado pela ação ANIM3 nos últimos 12 meses. O seu valor caiu pela metade.  

As ações das demais empresas do setor educacional também estão experimentando quedas significativas. Como fator comum, todas tem mão de obra resistente aos avanços tecnológicos.

Qual o perfil dos profissionais que estão sendo procurados pelas empresas?

Como principal característica, as empresas estão buscando por pessoas curiosas que tenham aprendido como aprender.

 As pessoas curiosas em geral são bastante criativas na busca de soluções.

As empresas também buscam pessoas flexíveis e ágeis que saibam usar as experiências anteriores para resolver no curto prazo de forma satisfatória e viável os desafios empresariais.

A habilidade de análise analítica dos dados e informações deriva da capacidade lógica e é um dos pilares para endereçar as necessidades e problemas dos clientes.

Pessoas criativas embasadas na análise analítica dos dados e informações são líderes naturais da transformação digital de uma empresa, por isto elas são bastante disputadas no mercado.

Para resolver os desafios empresariais é preciso liderar sabendo escutar, por isto a gestão de talentos busca por profissionais com a capacidade de escuta ativa. 

terça-feira, 16 de maio de 2023

Futuro do Trabalho

O mais recente "Future of Jobs Report" publicado pelo Fórum Econômico Mundial (The Future of Jobs Report 2023, https://www.weforum.org/reports/the-future-of-jobs-report-2023/digest, acessado em 16/05/2023) revelou que as empresas esperam uma taxa de rotatividade do emprego de 23% nos próximos cinco anos.

 

As empresas pesquisadas acreditam que serão gerados 69 milhões de postos de trabalho e serão eliminados 83 milhões, ou seja, uma redução de 14 milhões.

 

Os setores de suprimentos, logística, mídia, entretenimento e esportes terão taxa de rotatividade acima de 23% e os setores de manufatura, varejo e atacado de bens de consumo terão taxa de rotatividade abaixo de 23%.

 

A inteligência artificial e outras tecnologias digitais serão os motores da rotatividade dos empregos nos próximos anos, ou seja, as empresas pesquisadas planejam demitir os profissionais que não sabem trabalhar com os recursos da inteligência artificial e vão contratar os que sabem.

 

Os avanços em relação a automatização das tarefas continuam sendo intensos, pois as empresas pretendem automatizar 42% das suas atividades nos próximos cinco anos.

 

Basicamente as empresas querem ter uma força de trabalho capaz de fazer perguntas certas e de encontrar soluções para os desafios do dia a dia do negócio.

 

Mais do que nunca, a concorrência entre os competidores está levando para o uso intenso dos recursos computacionais. A central de serviços precisará alcançar fortes ganhos de produtividade na execução do seu trabalho, pois a intensificação computacional gerará mais falhas e indisponibilidades nos componentes de TIC.

 

É preciso ter um cuidado especial com a segurança digital no cenário de uso intenso dos recursos computacionais. Os algoritmos usados pela inteligência artificial representam um modelo da realidade que é em outras palavras uma simplificação da realidade.

 

Por exemplo, uma bola de futebol que é representada pela equação da esfera não reflete todas as sutilezas físicas do objeto, pois a bola tem imperfeições que fazem com que ela não seja uma esfera perfeita.

 

A simplificação da realidade leva para a situação em que a inteligência artificial responde erroneamente as perguntas feitas, pois isto é tão importante saber fazer as perguntas e saber interpretar as respostas.

 

Nos próximos cinco anos, as empresas querem contar com uma força de trabalho que saiba o que perguntar e tenha capacidade para fazer a análise analítica das respostas.

 

 

 

 

terça-feira, 9 de maio de 2023

Mexer em time que está ganhando

Em 1985, a indústria brasileira respondia por quase a metade do PIB do Brasil. Em 2019, ela respondia por 22% e mantinha a sua tendência de queda vertiginosa.

 

O Brasil vem despencando ladeira abaixo na exportação de manufaturados nas últimas quatro décadas.

 

O predomínio do agronegócio nas últimas três décadas levou o país na direção dos produtos primários. A nossa exportação está fortemente concentrada em alguns produtos básicos exportados para poucos países.

 

A balança comercial do Brasil depende dos humores da economia chinesa.

 

O Brasil não é autossuficiente em alimentos, pois ele importa uma grande quantidade do trigo, peixe, arroz etc. consumido pela população.

 

Todos estes fatos são facilmente verificados nas pesquisas publicadas pelo IBGE e demais órgãos de governo.

 

As infinitas afirmações sobre o caminhar na direção dos produtos primários pelo Brasil são verdadeiras?

 

À primeira vista são, mas um olhar mais aprofundado desmente estas afirmações de forma qualificada.

 

A produção de soja e de outros produtos agrícolas em larga escala com elevada produtividade exige a análise analítica dos dados e informações.

 

Os equipamentos agrícolas inteligentes e autônomos usados na agricultura são exemplos que a soja exportada tem componentes de inteligência e tecnologia.

 

As análises usando as informações dos satélites, equipamentos, logística etc. feitas por humanos trabalhando em conjunto com a inteligência artificial revelam que o país está exportando tecnologia e conhecimento com a soja.

 

Sabe qual é o real problema neste tópico? Infelizmente a maior parte da tecnologia e conhecimento usados na agricultura é importada de países que avançaram e continuam avançando nas entregas oferecidas pela central de serviços e atendimento ao usuário.

 

A indústria brasileira que estava vencendo campeonatos no começo dos anos 1980s resolveu observar e admirar os avanços da tecnologia e não mexeu no time.

 

Ela não abraçou os ganhos de produtividade gerados pela tecnologia e o resultado foi tanto a decadência competitiva, quanto a dificuldade atual para entregar a qualidade demandada do comércio internacional.

Excêntricos unidos jamais serão vencidos.


quarta-feira, 3 de maio de 2023

O drama da tolice infinita

Alguns mercadores do apocalipse criam o contexto das falácias e confundem produtividade com indicadores e incentivos e viés com resultados.

 

Falar das cobras, bancos, multas e “mouse jiggler” etc. em nada contribui para os diálogos sobre a produtividade. São anedotas que apenas revelam o elevado nível de despreparo sobre o assunto produtividade.

 

Infelizmente o tópico “resolvendo a questão” é uma expressão do nível limitado do invólucro intelectual. Inexiste relacionamento entre a produtividade e soluções apresentadas. Aliás as propostas nada resolvem, só geram perda de tempo e dinheiro.

 

A evitação do viés da confirmação expressa como alguns confundem as questões relacionadas com efetividade, eficiência e eficácia. O fato de existirem diversos resultados confirmando as propostas de uma solução significa que ela funciona e é capaz de gerar resultados positivos.

 

Qualquer um que queira fracassar vai buscar soluções que não geram resultados. O fracasso consume tempo, dinheiro e energia dos envolvidos. Tem gente que adora propor maior gasto e menor resultado, por isto o seu ecossistema é formado por empresas com enormes dificuldades operacionais.

 

Existem diversas formas para obter ganhos de produtividade no helpdesk, uma delas é via a exploração das novas tecnologias para reduzir o tempo, dinheiro e energia consumido na busca das soluções.

 

Um jeito fácil de gerar perdas é ficar na ladainha do viés da confirmação e ignorar as alternativas disponíveis de menor custo e tempo.

 

 

 

terça-feira, 2 de maio de 2023

Inteligência Artificial no helpdesk

A Inteligência artificial generativa chegou "chegando" em diversas áreas da sociedade. Ela tanto pode ser utilizada para o lazer como para as atividades profissionais.

 

No mercado de trabalho já temos alguns casos revelando como a integração entre a empresa e a inteligência artificial está ocorrendo.

 

Neste primeiro momento, as pessoas que sabem usar a inteligência artificial generativa estão substituindo os profissionais que não sabem usar a IA.

 

O caso da empresa BuzzFeed é bastante emblemático. A empresa fechou a sua divisão de notícias e demitiu 12% da sua mão de obra. Fonte: Um mês após demitir, BuzzFeed contrata seu “novo funcionário”: o ChatGPT, https://neofeed.com.br/blog/home/buzzfeed-coloca-a-inteligencia-artificial-em-sua-lista-de-prioridades/, acessado em 02/05/2023.

 

A empresa desligou os colaboradores que criavam conteúdo e não sabiam usar os recursos da inteligência artificial generativa.

 

O valor das ações disparou mais de 300% com esta iniciativa. Fonte: BuzzFeed: Ações disparam mais de 300% após uso de inteligência artificial para gerar conteúdo, https://neofeed.com.br/blog/home/buzzfeed-coloca-a-inteligencia-artificial-em-sua-lista-de-prioridades/.

 

O mercado sinalizou que deseja que as empresas busquem ganhos de produtividade com o uso da IA.

 

Recentes estudos revelaram que desenvolvedores de software que usam a IA completam as suas tarefas em menos da metade do tempo dos desenvolvedores de software que não usam a IA.

 

O custo de um humano para criar uma imagem é de cerca de US$ 150 e 5 horas de trabalho. O custo de um humano usando a IA para criar a mesma imagem é de US$ 0,08 e menos de um minuto.

 

Os ganhos realizados e potenciais de produtividade com o uso da IA são gigantescos, por isto o burburinho do mercado está intenso.

O helpdesk brasileiro precisa acordar para este fenômeno e agir antes que ele seja destruído pela competição globalizada.

 

Atualmente uma das grandes reclamações dos usuários está relacionada com a lentidão dos computadores em momentos inoportunos. Em alguns casos eles ficam totalmente indisponíveis.

 

Normalmente isto ocorre quando o uso do disco cresce para 100%.

 

Uma pesquisa no google usando os termos “Windows disco 100%” revela uma gigantesca quantidade de respostas e de procedimentos.

 

Alguns dos procedimentos são bastante demorados e nem sempre resolvem o problema.

 

O usuário fica nervoso com a demora e o analista de helpdesk fica frustrado com a falta de efetividade da solução proposta.

 

A inteligência artificial generativa é capaz de filtrar as soluções em função do diagnóstico do problema e de sugerir soluções efetivas para o problema do disco 100%.

 

É fácil perceber que uma grande parte dos problemas dos usuários pode ser resolvida mais rapidamente com o uso da IA.

 

O analista que faz as perguntas certas para a inteligência artificial recebe de volta sugestões efetivas para os seus desafios.

 

Até mesmo o clássico caso “na próxima versão do software o problema que tanto aborrece o usuário será resolvido” pode ser solucionado com a IA.

 

O sistema inteligente é capaz de identificar o código defeituoso e fazer uma correção em tempo real resolvendo assim uma grande fonte de aborrecimento dos usuários.

 

Existem inúmeras aplicações para a inteligência artificial que podem e devem ser exploradas pelos profissionais brasileiros.

 

Espero que o Brasil não caia na onda de chamar tudo de modismo e entenda que estamos em um ciclo de mudança em que a competição vai ficar cada vez mais acirrada.

quarta-feira, 26 de abril de 2023

Valor de TI

Nas minhas apresentações e palestras eu frequentemente escuto a afirmação que TI é um mal necessário para o negócio.

 

Apesar das inúmeras demonstrações do valor agregado da tecnologia para todos os negócios, a maioria dos executivos de negócio veem TI como um custo elevadíssimo.

 

Para criar um estudo caso genérico e amplo, eu vou analisar os grandes números do Brasil e relacionar os resultados alcançados com TI.

 

A economia do Brasil cresceu aproximadamente 7% ao ano entre 1950 e 1980. Entre 1981 e 2022, a população brasileira cresceu a 1,4% ao ano e o PIB cresceu 2,2% ao ano.

 

A renda per capita aumentou apenas 0,8% ao ano desde 1980 e na última década renda per capita caiu. Em 1980, o PIB brasileiro representava aproximadamente 4% do PIB global e em 2022, o PIB brasileiro representava aproximadamente 2,3% do PIB global.

 

Em 2022, a renda per capita brasileira era de US$ 14,7 mil e em 2010 era de US$ 14,9 mil, ou seja, o ciclo de piora da economia iniciado em 1980 ganhou força e ímpeto nas últimas décadas.

 

Para entender a derrocada da economia brasileira é preciso observar os macrofenômenos ocorridos no mundo após o ano de 1980.

 

Antes de 1980, a maioria das empresas não usavam computadores nas suas atividades diárias. Apenas as grandes companhias tinham recursos para processar as suas operações em um mainframe.

 

No Brasil, as grandes empresas também tinham mainframes e softwares que processavam as suas operações em condições de igualdade com os seus concorrentes internacionais.

 

Por isto as vantagens competitivas do Brasil eram destacadas e a economia do país crescia de forma soberba em relação aos outros países.

 

A introdução do microcomputador no mercado mundial após o ano de 1980, permitiu que diversas empresas médias e pequenas processassem as suas operações digitalmente e com isto ganhassem escala de produtividade e redução de custo.

 

No Brasil, o início dos anos 1980s foi marcado pela lei da reserva de informática. Algumas empresas nacionais até tentaram desenvolver computadores no Brasil, mas o resultado sempre foi pífio.

 

Era sempre custo elevado e tecnologia atrasada. As médias e pequenas empresas nacionais não tinham recursos para processar a sua operação em computadores e foram ficando cada vez mais atrasadas em termos de custos, qualidade, competividade em relação aos seus concorrentes internacionais.

 

Muitas empresas que exportavam perderam mercado internacional e regrediram ao ponto de serem compradas pelos seus concorrentes internacionais. Uma grande parte dos postos de trabalho foi aniquilada por conta deste processo.

 

Quando a lei de reserva do mercado de informática foi extinta, os fabricantes nacionais de computadores entraram em forte ciclo de declínio e em poucos anos foram exterminados do mercado.

 

As empresas médias e pequenas que agora poderiam processar as suas operações usando computadores estavam com enorme defasagem no capital intelectual e cultural da sua mão de obra e por isto a introdução dos computadores gerou perdas maiores do que benefícios.

 

Coisas como central de suporte e atendimento que nada resolviam eram reclamações comuns entre os usuários. Eu escutei por diversas vezes usuários falando que não adianta abrir chamado porque o helpdesk nada resolve.

 

Muitas vezes os profissionais de negócio desviavam as suas atividades para resolver problemas relacionados com os computadores e softwares e com isto a produtividade do negócio caia dramaticamente.

 

Em diversos casos, as soluções oferecidas pela organização de TI eram inadequadas para o ambiente operacional da empresa e não raras vezes os profissionais de negócio ignoravam os computadores e processavam manualmente as operações.

 

Eu já presenciei em diversos casos, uma pequena empresa paralisar a sua operação aguardando o helpdesk resolver um problema no computador.

 

É muito fácil observar que a derrocada da economia brasileira está diretamente relacionada com a introdução do microcomputador no mercado mundial.

 

O valor agregado de TI é dado no caso brasileiro pelo efeito negativo da não introdução correta do microcomputador no ambiente de negócios do Brasil.

 

O Brasil caiu de 4 para 2,3% a sua participação no PIB mundial. Esta diferença em dólares representa numericamente o valor agregado de TI na economia brasileira.

 

As perdas pelo atraso cultural e intelectual iniciadas em 1980 ainda estão presentes no dia a dia dos negócios realizados no Brasil e na falta de oferta de postos de trabalho de renda média.

 

 

terça-feira, 18 de abril de 2023

Influência da taxa de juros no salário de TI (Tecnologia de Informações)

No começo da pandemia do novo coronavírus eu participei de um debate sobre o impacto da taxa de juros no salário dos profissionais de TI.

 

Eu entendo que o valor do salário é determinado pela lei da oferta e procura, ou seja, quanto maior for a procura por profissionais de TI e menor for a oferta de profissionais de TI maior será o salário e vice-versa.

 

Um dos debatedores discordou do meu ponto de vista e afirmou que a irredutibilidade do salário no Brasil impede que o salário dos profissionais de TI siga a lei da oferta e procura.

 

No debate, eu rebati o argumento afirmando que as empresas demitem os profissionais empregados e contratam novos com salários menores quando existe um excesso na oferta de mão de obra.

 

Nos últimos anos estamos vendo este fenômeno ocorrendo aqui no Brasil. As empresas estão demitindo os profissionais e contratando outros com menor salário.

 

O artigo “É o fim da bolha? Vagas de tecnologia devem passar por uma desaceleração dos salários, dizem especialistas” (https://g1.globo.com/trabalho-e-carreira/noticia/2023/04/16/vagas-de-tecnologia-devem-passar-por-uma-desaceleracao-dos-salarios-dizem-especialistas.ghtml, acessado em 18/04/2023) revelou que tal procedimento já faz parte da rotina operacional de muitas empresas e o resultado está sendo a redução do salário médio dos profissionais de TI.

 

Até recentemente a taxa real de juros dos Estados Unidos e Europa zona do Euro era negativa, ou seja, os juros pagos eram menores que a taxa de inflação.

 

No contexto de juros negativos todos os projetos são viáveis, pois bastava financiar o projeto com os instrumentos financeiros disponíveis no mercado.

 

Era uma bolha financeira volátil que mais cedo ou mais tarde iria estourar. Durante este período as empresas iniciaram diversos projetos ruins cujo retorno só viria com uma taxa negativa de juros.

 

Para executar estes projetos que em geral estavam relacionados com a digitalização do negócio as empresas contrataram uma grande quantidade de profissionais de TI gerando assim uma escassez de mão de obra e uma alta expressiva nos salários.

 

Com o início do ciclo de alta dos juros dos Estados Unidos uma grande quantidade de projetos ficou inviável e as empresas os cancelaram e por isto centenas de milhares de profissionais de TI perderam o seu emprego. O mercado saiu da situação de falta de profissionais de TI para excesso de profissionais de TI.

 

As empresas perceberam o fenômeno e diante da pressão por resultados positivos nos projetos resolveram derrubar os custos.

 

O custo da mão de obra entrou na agenda dos executivos e eles resolveram demitir os profissionais de TI com salários mais elevados e contratar profissionais com salários menores.

 

Este ciclo chegou no Brasil em 2022 e muitas empresas estão demitindo uma grande quantidade dos seus profissionais de TI. Algumas posições estão sendo repostas com salários bem menores.

 

Estudo da Brasscom aponta demanda de 797 mil profissionais de tecnologia até 2025, https://brasscom.org.br/estudo-da-brasscom-aponta-demanda-de-797-mil-profissionais-de-tecnologia-ate-2025/


É muito interessante ver o silêncio dos estudos que previram a falta de profissionais de TI no Brasil.