quarta-feira, 28 de abril de 2021

Home Office de novo? Essa não. Segunda Situação

Na segunda situação, os falsos profetas travestidos como especialistas e profissionais de tecnologia de informações e comunicações causaram enormes malefícios para a economia brasileira.

 

No começo dos anos 1980, o Brasil estava entre os 50 países com maior PIB per capita. Em 1990, o país caiu para a 60ª posição. No ano de 2000, ele caiu mais ainda e passou a ocupar a 67ª posição dos maiores PIBs per capita do mundo.

 

Na primeira década do século XXI, o desempenho da economia brasileira estava em um patamar abaixo da média mundial e o país caiu para a 78º no ranking do PIB per capita.

 

Na segunda década do século XXI, o Brasil continuou com a sua tradição de queda permanente e passou a ocupar a 85ª posição n ranking dos maiores PIBs per capita.

 

O ranking é comporto por 195 países e o PIB per capita do Brasil é inferior ao Chile, Argentina e México.

 

Os números mostram que o desempenho da economia brasileira vem despencando desde o começo dos anos 1980s. neste momento, é muito importante relacionar um outro fato histórico ao contexto.

 

A chamada revolução do microcomputador começou no final dos anos 1970s. A partir dos anos 1980s o uso do computador passou a ser disseminado nas atividades empresariais no mundo inteiro.

 

No primeiro momento, os computadores foram utilizados para automatizar as atividades repetitivas. Como consequência desta automatização, o custo marginal unitário das atividades repetíveis caiu para praticamente zero.

 

É o custo marginal unitário da automação que explica por que o PIB per capita do Brasil caiu tanto após a introdução do computador no dia a dia dos negócios.

 

Como no Brasil existia a lei da reserva da informática que restringiu fortemente o uso da automação no país, os brasileiros executavam atividades repetíveis com custo muito maior que os outros países. Em outras palavras, o custo Brasil era muito caro e diversas empresas foram embora do país e muitos CNPJs sucumbiram diante da concorrência feita pela competência, capacidade e honestidade.

 

No começo dos anos 1990s, o Brasil desistiu da reserva de mercado para a indústria de informática e os computadores finalmente chegaram aos negócios.

 

Neste momento, surgiu um problema que existe até hoje nas atividades empresariais. As constantes falhas nos sistemas computacionais estão derrubando a produtividade dos trabalhadores.

 

As falhas são frutos da baixa qualidade dos softwares desenvolvidos no Brasil e da péssima atuação da central de serviços. A desorganização do Help Esquece ou do Service Esquece vem causando enormes prejuízos na geração de riqueza no Brasil.

 

Quer seja, por problemas de gerenciamento, quer seja por problemas de qualificação a central de serviços criou situações em que as empresas ficam sem vendas por causa de falhas nos sistemas computacionais.

 

A péssima gestão da fila de atendimento e as métricas medíocres escolhidas para medir o desempenho do Service Esquece, impediram a criação de valor agregado nos negócios. A tradução desta frase é que a riqueza não é gerada e por isto o Brasil está despencando no ranking do PIB per capita mundial.

 

Os chamados não são priorizados conforme o seu impacto no negócio, porque a baixa qualificação dos profissionais da central de serviços impede que eles consigam avaliar qual chamado eles devem atender em primeiro lugar.

 

A falta de bases de conhecimentos nas empresas terceirizadoras do Help Desk é a prova cabal da inoperância intelectual destas firmas. Eles só conseguem oferecer baixo custo e erros, erros e mais erros.

 

Para que uma empresa terceirizada priorize de forma correta o atendimento dos chamados, ela precisa entender o negócio dos seus clientes. O uso da mão de obra dos pejotinhas faz com que a terceirizada não conheça sequer o funcionamento do seu negócio.

 

Em relação ao atendimento técnico, a duração para a solução dos chamados é muito maior no Brasil do que em outros países, porque os profissionais que realizam este atendimento têm enormes dificuldades com as tecnologias atualmente utilizadas.

 

Muitos tem dificuldades com a sua língua mãe e sequer entendem o que o usuário está solicitando. Se o analista não entende o que foi pedido é obvio que a sua entrega será pobre.

 

Para resolver os problemas da renda do brasileiro em um cenário de crise econômica causada pela pandemia é preciso urgentemente qualificar os analistas da central de serviços tanto em temos técnicos, como em termos do ensino básico do segundo graus.

 

Em 2021, o Brasil tem cerca de 220 milhões de habitantes. Cerca de 60% dos brasileiros (125,6 milhões) não estão comendo em quantidade e qualidade ideal desde a chegada do novo coronavírus.

 

É muita gente passando fome. Este governo que gosta tanto de passar a boiada, passar a manada, precisa fazer passar a manada para a competência, capacidade e honestidade dos analistas do Service Desk com urgência.

 

É possível estacar a perda de riqueza pelos erros, falhas e inconsistências dos sistemas computacionais. O Brasil está vivenciando com a pandemia um cenário muito parecido ao que iria ocorrer com a Inteligência Artificial.

 

Problemas que seriam vistos apenas em 2022, viraram realidade em 2021. Espero que as autoridades tenham desta vez um senso de urgência melhor que tiveram com a compra de vacinas da Covid-19. A qualificação dos profissionais de tecnologia é algo que precisa ser feito para ontem.

 

Corremos o risco de destruir a economia brasileira por causa da incompetência, incapacidade e desonestidade. Centenas de milhões de reais estão todos os dias sendo consumidos em golpes digitais, spam, indisponibilidade de sistemas etc.

quarta-feira, 21 de abril de 2021

Home Office de novo? Essa não. Primeira Situação

No Brasil, existem muitos debates em torno da intangibilidade. Os argumentos raramente são baseados em fatos e números. Muitos dos falsos profetas ou negam os fatos (já vi gente negando os números do PIB da China e acreditando em teorias em que a NASA tem acesso a uma tecnologia extraterrestre de projeção de imagens) ou simplesmente inventam estudos usando o nome de universidades famosas (conheço uma pessoa que inventou um estudo da universidade de Michigan que dizia que as máscaras eram inúteis contra as doenças respiratórias, ou seja, novo coronavírus).

 

É evidente que é impossível debater de forma produtiva com pessoas que negam os números e inventam os fatos. A conversa com os falsos profetas é na pratica uma perda do tempo e dinheiro.

 

Existem no mínimo duas situações em que é muito claro os malefícios causados pelos falsos profetas. Na primeira situação, os falsos profetas viraram especialistas do home office e cantam aos quatro ventos que as empresas de tecnologia estão investindo em espaços físicos.

 

É fato que o home office é uma atividade que aumenta a produtividade do trabalho realizado. Também é fato que o home office exige determinadas competências e capacitações das pessoas e empresas.

 

Em outras palavras, o home office não é para todo mundo. Empresas que contratam funcionários despreparados que precisam da ajuda de outros para fazer o seu trabalho vão fracassar se adotarem o home office para este perfil profissional.

 

O home office exige profissionais que saibam trabalhar com independência ao mesmo tempo em que integram as suas decisões e ações ao trabalho coletivo da empresa. É preciso bom senso e capacidade analítica para trabalhar desta forma.

 

A empresa CVC revelou que apenas 2% dos seus funcionários permanecerão o dia todo no escritório. É o pessoal que cuida da operação, da tecnologia e da segurança. O espaço físico do escritório será reduzido para 30% do espaço original. Seis prédios serão concentrados em um só.

 

É uma meta bastante ambiciosa que exige um perfil profissional bastante específico para funcionar corretamente. É preciso contar com competência, capacidade e honestidade dos funcionários.

 

Muitos falsos profetas estão usando o artigo “Por que gigantes de tecnologia agora rejeitam trabalho remoto em tempo integral” (https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2021/04/por-que-gigantes-de-tecnologia-agora-rejeitam-trabalho-remoto-em-tempo-integral.shtml, acessado em 21/04/2021) nas suas argumentações contra o home office.

 

O Jack Dorsey, cofundador do Twitter, foi muito claro quando ele afirmou que os funcionários do Twitter poderiam trabalhar de casa o tempo todo se desempenharem um papel que possa ser executado em casa e estiverem em uma situação que as atividades possam ser realizadas.

 

Existem condicionantes para o trabalho remoto e as empresas de tecnologia do vale do silício estão descobrindo o que funciona e o que não funciona. Este é o motivo por que elas estão investindo em espaços físicos e olhando o home office com os olhos do pragmatismo.

 

Na segunda situação ... (aguarde pela parte 2 da postagem)

terça-feira, 13 de abril de 2021

O poder do conhecimento

O artigo “Como foi o golpe com falsos investimentos no day trade em que Madson caiu” (https://www.uol.com.br/esporte/futebol/ultimas-noticias/2021/04/13/como-foi-o-golpe-que-fez-madson-ex-santos-perder-dinheiro-na-internet.htm, acessado em 13/04/2021) revelou que mais de 1.500 pessoas foram vítimas de uma fraude financeira.

 

O artigo descreve o modelo operacional do golpe. Ele é exatamente igual ao modelo descrito no capítulo “Golpes nos apps de namoro” do livro “Vazamento de dados e os 40 golpes digitais”.

 

O golpe no qual o Madson foi vítima é uma versão de um golpe que estava sendo investigado pela Interpol no começo do ano de 2021.

O golpe original usava os apps de namoro como plataforma para as fraudes financeiros.

 

Nos dois casos, o golpista apresentava um negócio imperdível e enviava um link de uma corretora falsa. A plataforma falsa era usada para que o investidor acompanhasse a rentabilidade dos seus investimentos e pudesse fazer novas aplicações.

 

Os relatórios de retorno do investimento eram sempre falsos e os valores investidos pelos investidores eram na realidade depósitos que eram feitos nas contas dos golpistas.

 

O esquema movimentou mais de 150 milhões de reais e milhões de pessoas caíram no golpe. Este é motivo por que as pessoas precisam com urgência aprender sobre os golpes digitais.

 

Com um nível mínimo de informação é possível discernir o que é realidade do que é falsidade e não cair na lábia dos criminosos. É muito fácil hoje em dia clonar um site e criar contas falsas. Em geral o dinheiro perdido não é recuperado.

 

Apesar de todos os avisos anunciados através da imprensa e mídias sociais, os brasileiros continuam caindo no golpe do boleto falso. O artigo “E-mail falso da Claro tenta roubar R$ 489,90 através de boleto” (E-mail falso em nome da Claro é enviado com o nome completo dos remetentes e o boleto de uma suposta fatura em atraso, https://tecnoblog.net/410668/e-mail-falso-da-claro-tenta-roubar-r-48990-atraves-de-boleto/) revela uma nova versão do golpe do boleto falso.

No capítulo “Golpe da venda falsa” do livro “Vazamento de dados e os 40 golpes digitais” foi descrito o modelo operacional do golpe do boleto falso.

 

O caso do e-mail falso em nome da Claro, Vivo e outras operadores de telecomunicações, TV a cabo, energia elétrica, gás encanado etc. é uma versão do golpe do boleto falso em que os golpistas usando as informações do vazamento de dados do fim do mundo no Brasil  (https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ronaldolemos/2021/01/o-vazamento-de-dados-do-fim-do-mundo.shtml?utm_source=mail&utm_medium=social&utm_campaign=compmail&origin=folha) para gerar um pdf cujo código de barras remete para uma conta acessada pelos golpistas.

 

É uma versão atualizada de um golpe praticado em 2019. É mais um caso em que o conhecimento tem o poder de livrar as pessoas das garras dos golpistas.

terça-feira, 6 de abril de 2021

Non-Fungible Token (NFT)

A maioria das variáveis da nova economia surgida com o Blockchain Foram descritas no livro “BlockChain e Distributed Ledger Technologies (DLTs): Desafios e Oportunidades”.

 

Em 2021 entrou na moda a sigla NFT. Em março de 2021 o volume de pesquisas no Google pela sigla NFT alcançou uma alta recorde. As pessoas queriam descobrir por que arquivos digitais estavam sendo vendidos por dezenas de milhões de dólares.

 

Elas também queriam entender como um arquivo digital virou arte digital rara e valiosa. A exclusividade da posse é um componente que torna um ativo atraente para os colecionadores.

 

O valor de uma obra digital é consequência de diversos fatores. Alguns são objetivos outros são intangíveis. Um dos valores tangíveis é a exclusividade. Neste caso, o NFT garante a exclusividade da obra digital.

 

O NFT é uma tecnologia baseada no Blockchain que é na pratica um código que marca de forma única uma obra digital. Desta forma os compradores sabem que até mesmo as cópias da obra digital original são exclusivas.

 

Em outras palavras, estamos falando de edições numeradas. Com o NFT o criador da obra digital (pintura, música, livro, mensagem do Twitter, jogos etc.) pode entregar uma versão exclusiva da obra original para o seu cliente.

 

Por exemplo, um músico pode entregar uma versão exclusiva de uma música sua para um fã. O NFT garante que apenas este fã possui a versão criada pelo músico.

 

O mercado de NFT está movimentando centenas de milhões de dólares e por causa disto despertou o interesse dos investidores e das pessoas.

 

Em diversos casos, os contratos inteligentes via NFT estão sendo usados para automatizar dinamicamente o processo de entrega e agregar valor para os artefatos físicos e digitais.

quarta-feira, 31 de março de 2021

Golpes digitais no Brasil

Em março de 2021, a Psafe revelou que mais de 5 milhões de brasileiros foram vítimas do golpe do sequestro da conta do WhatsApp.

 

O livro “Vazamento de dados e os 40 golpes digitais” revela em detalhes como cada um dos golpes digitais estão sendo aplicados no Brasil.

 

Raramente as vítimas conseguem recuperar o dinheiro perdido os golpes digitais. As perdas anuais em golpes digitais estão estimadas em R$ 7 bilhões por ano.

 

Na pratica o valor real se aproxima de R$ 10 bilhões porque existem os gastos da polícia na investigação dos casos e do judiciário no seu respectivo julgamento.

 

Qualquer que seja o número real da perda, é muito dinheiro que está sendo jogado no lixo. Literalmente os brasileiros estão rasgando dinheiro em plena crise causada pela pandemia, porque insistem em não buscar o conhecimento adequado para não cair em golpes simples e em geral primários.

 

As perdas com os golpes digitais estão crescendo ano após ano. Ignorar as questões relacionadas com a segurança digital custa no mínimo uma dezena de bilhão de reais por ano.

 

Em uma década de bom senso, competência e capacidade o Brasil pode resolver uma parte importante da pobreza se adotar procedimentos mínimos de segurança digital e destinar o dinheiro economizado para a geração sustentável de empregos.

quarta-feira, 24 de março de 2021

Os atrasos dos sem lógica

Os seguidores dos mercadores do atraso sempre encontram desculpas para os fracassos. Eles alegam em todos os casos que fatores externos impediram o sucesso dos seus brilhantes planos.

 

Infelizmente estes mercadores são incapazes de enxergar o óbvio, ou seja, que o seu plano é de uma pobreza extrema. O artigo “Unicamp confirma caso de hepatite medicamentosa relacionada ao 'kit Covid'” (https://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2021/03/24/unicamp-confirma-caso-de-hepatite-medicamentosa-relacionada-ao-kit-covid.htm, acessado em 24/03/2021) revelou o custo de seguir as orientações do mercadores das falácias.

 

O resultado medíocre alcançado em diversos segmentos da sociedade brasileira fez com que o PIB per capita do Brasil caísse em média 0,6% ao ano na década entre 2011 e 2020.

 

A comparação do Brasil com o resto do planeta revela que o mundo dos mercadores da capacidade da competência e da honestidade foi para frente e ficou mais rico enquanto o brasileiro ficou mais pobre ano após ano.

 

Seguir os mercadores das falácias dá nisto. Pobreza, pobreza e mais pobreza. Uma grande parte das perdas brasileiras e do chamado custo Brasil está diretamente relacionada com as perdas provocadas pelo gerenciamento do ambiente de tecnologia de informações e comunicações.

 

O Brasil é recordista mundial em vazamentos de dados e em vulnerabilidades de segurança digital. Também é recordista em fraudes por engenharia social em que os criminosos convencem as pessoas para fazer depósitos nas contas deles.

 

Um estimado amigo afirmou que o Service Level Management (SLA) é um estratagema que existe, mas que não pode ser visto. Basta olhar o mundo dos mercadores da competência, capacidade e honestidade que vamos ver os SLAs.

 

O amigo sulista não consegue ver o SLA nos locais em que frequenta porque são raros os casos em que os serviços de TI são definidos corretamente e de forma consistente e lógica.

É fácil encontrar centrais de serviços que definiram o acesso à rede ou desenvolvimento de uma página de internet como um serviço de TI.

 

O mundo do crescimento do PIB per capita definiu, por exemplo, como serviço de TI a emissão de uma nota fiscal. É evidente que neste caso é possível estabelecer um SLA para o serviço. Existe um custo e um benefício claramente definido.

 

Nenhum cliente vai ficar mais feliz ou satisfeito com o produto ou serviço recebido porque recebeu a nota fiscal da sua compra. No entanto, se o consumidor tiver que esperar uma hora para receber a sua nota fiscal ele provavelmente vai desistir da compra.

 

É para isto que o SLA serve. Ele determina as condições para a entrega dos serviços de valor agregado de TI. Pensar em estabelecer um acordo para a experiencia do usuário sem definir corretamente os serviços de TI gera o resultado do PIB per capita brasileiro. Aumento da pobreza de forma consistente e permanente.

 

Os conceitos relacionados com o SLA estão presentes no Brasil desde o começo do século XXI, no entanto as idiossincrasias nacionais impediram que as organizações os adotassem corretamente. São mais de vinte anos jogando no lixo tempo e dinheiro. Não é coincidência que as perdas do PIB ocorram em paralelo com a miséria da central de serviços.

quarta-feira, 17 de março de 2021

Xperience Level Agreement (XLA)

Apesar de ser um conceito antigo, aqui no Brasil em 2021 muitos estão falando sobre as maravilhas do XLA. Em geral todos usam o exemplo do restaurante de luxo com boa comida, mas com atendimento ruim para falar das vantagens da adoção do XLA.

 

Existem os que falam do foco da experiência do cliente e da motivação e engajamento dos funcionários. Os evangelizadores do XLA destacam que por ser a entrega de um serviço nem tudo é uma meta tangível, ou seja, as emoções dos seres humanos não são previsíveis e as pessoas reagem de forma diferente para as mesmas situações.

 

A nevoa aberta pela intangibilidade, abre um enorme espaço para os mercadores das falácias. A primeira coisa que causa espécie no discurso dos evangelizadores é ver o Service Level Agreement (SLA) sendo usado para a entrega de produtos.

 

A segunda coisa que causa espécie é a introdução de uma gigantesca imprevisibilidade no ambiente da central de serviços. Usando a mesma metáfora do restaurante para o XLA é fácil perceber que a experiência do cliente é influenciada fortemente por variáveis externas.

 

Por exemplo, um cliente que acabou de perder 100 milhões de dólares vai ser muito azedo na sua avaliação das entregas. Não importa qual o nível delas.

 

Da mesma forma que um cliente que acabou de pedir em casamento a sua namorada vai ser muito generoso na sua avaliação das entregas.

 

Moldar as entregas da central de serviços ao humor dos clientes leva ao caos. A terceira coisa que causa espécie é a indefinição de quem é o cliente real da central de serviços.

 

Os serviços entregues representam um equilibro entre o nível de qualidade da entrega e o seu respectivo custo. Toda e qualquer mudança no nível de qualidade gera impacto no seu custo.

 

Muitos vão argumentar neste momento que a cordialidade no atendimento não tem custo e gera melhoria na experiência do cliente. No entanto, é preciso destacar que a educação e cordialidade do atendimento é obrigação dos atendentes da central de serviços. Ela faz parte do pacote básico do básico.

 

É estranho encontrar afirmações em que é necessário valorizar mais a experiência do consumidor do que o acordo do nível de serviços, pois existem casos em que o SLA atendido gera insatisfação e infelicidade para o cliente.

 

Novamente entra em cartaz a indefinição sobre quem é o cliente. O cliente é sempre aquele que paga a conta. Pagar a conta significa trabalhar no ponto de equilíbrio entre o custo e o benefício da entrega.

 

Sair do ponto de equilíbrio significa reduzir o lucro ou ter prejuízo. São raros os clientes que trocam aumentar a satisfação dos usuários por redução do lucro.

 

O terceirizado de uma central de serviços vive o mesmo drama do equilíbrio financeiro do contrato. Ele tem um custo que significa para o cliente um determinado nível de qualidade para as entregas. Se o terceirizado for se basear na satisfação individual de cada um dos funcionários do cliente, ele vai colapsar o seu equilíbrio financeiro em pouco tempo.

 

As pessoas que vão comer em um restaurante de luxo, fazem as suas escolhas por diversos motivos. Alguns vão por modismo, outros para serem vistos, outros porque a comida é boa e sim existem os que vão porque é um sonho deles comer uma vez na vida em um lugar assim.

 

Da mesma forma que alguns aprovam os paparicos do serviço de luxo, existem os que ficam intimidados pelo ambiente. As emoções dos intimidados levam para um baixo nível de satisfação. O que o restauranter faz neste caso?

quarta-feira, 10 de março de 2021

Sua Majestade: “O Lucro”

Existe um princípio básico em qualquer gestão empresarial. O lucro do curto prazo não pode impactar negativamente o lucro do longo prazo.

 

O corolário acima pode ser traduzido da seguinte forma: O lucro do aqui e agora não pode ser obtido através da redução da qualidade entregue nos produtos ou serviços. A consequência da qualidade pobre nas entregas é o desaparecimento dos clientes.

 

Quando o cliente some, o lucro desaparece. Sempre o lucro desaparece antes da recuperação do investimento, o CNPJ morre. O falecimento de um negócio nestas condições gera um prejuízo que em geral é irrecuperável para o empreendedor.

 

É uma relação de causa e efeito simplória. Sem qualidade, sem lucro e sem retorno do capital investido. No Brasil a lista de morte prematura de CNPJs é enorme. Em praticamente todos os casos o empreendedor saiu do negócio mais pobre. Em diversos casos ele saiu fortemente endividado.

 

No dia 08 de março, um pequeno grupo de pessoas participaram de uma manifestação pedindo a reabertura do comercio em São Paulo. Este grupo não pedia nem por vacinas, nem por políticas que reduzam o desemprego recorde no Brasil. Eles apenas queriam o fim da fase vermelha no estado de São Paulo.

 

Devemos sempre respeitar todas as formas de pensamento. No entanto, também devemos explicitar a esquizofrenia de algumas manifestações.

 

O que estas pessoas estavam pedindo na verdade era um aumento do lucro de curto prazo em detrimento do lucro de longo prazo. O atual momento com hospitais lotados ficaria severamente agravado com a abertura do comercio. O colapso do sistema de saúde tem como consequência uma retração espontânea da mobilidade dos detentores da bufunfa.

 

Em outras palavras, em pouco tempo os donos do dinheiro deixariam de frequentar bares, restaurantes etc. levando o lucro destes estabelecimentos para a zona negativa.

 

Os empresários e empregados dotados de um invólucro intelectual adequado estão pedindo por mais vacinas, por políticas geradoras de empregos e por um maior rigor na fiscalização da fase vermelha.

 

A inteligência coletiva permite que a duração da fase vermelha seja curta e em pouco tempo todos os negócios voltarão para a zona do lucro de longo prazo sustentável. Como o lucro sustentável de longo prazo, os empregos aparecem, a riqueza é gerada e a sociedade evolui.

 

O artigo “'Realidade paralela': como é viver na Nova Zelândia durante a pandemia” (https://tab.uol.com.br/noticias/redacao/2021/03/07/realidade-paralela-como-e-viver-na-nova-zelandia-durante-a-pandemia.htm, acessado em 10/03/2021) revela como a inteligência coletiva produziu resultados significativos contra a pandemia e como o comercio ficou aberto gerando lucro de longo prazo.

 

Os números da Nova Zelândia são infinitamente melhores que os resultados alcançados pelo Brasil. O resultado alcançado em 2020 e 2021 pela nova Zelândia demonstra a exata dimensão do impacto da inteligência coletiva na produtividade de um país. Lá ninguém fez manifestação para acabar com o lookdown nos momentos agudos da pandemia.

 

Felizmente no Brasil, não temos apenas os mercadores do atraso. Temos também os mercadores do sucesso do lucro sustentável.

 

Em recente entrevista o diretor-presidente da Via Varejo afirmou: “Hoje, não necessita da loja para atuar” ('Estamos muito mais bem preparados', diz presidente da Via Varejo sobre novas restrições Casas Bahia deve manter ritmo mesmo com fechamento de lojas físicas, diz Roberto Fulcherberguer, https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2021/03/estamos-muito-melhor-preparados-diz-presidente-da-via-varejo-sobre-novas-restricoes.shtml?utm_source=mail&utm_medium=social&utm_campaign=compmail).

 

É sempre positivo quando uma empresa do varejo popular tem a exata dimensão de como usar os seus recursos disponíveis para aumentar a sua produtividade durante a crise econômica causada pela pandemia e falta de inteligência coletiva.

 

Como o mar está para peixe, os exemplos de mercadores do sucesso do lucro sustentável estão crescendo durante a pandemia. O caso protagonizado pelo Cesar Pauxis, mostra mais um jovem brasileiro catapultando a sua ascensão profissional (Como brasileiro virou programador usando celulares quebrados Cesar Pauxis desafiou lógica e pobreza para se tornar um menino-prodígio na área de informática. Com apenas 17 anos, ele foi recrutado pela maior empresa brasileira de pagamentos eletrônicos, https://g1.globo.com/economia/tecnologia/noticia/2021/03/09/como-brasileiro-virou-programador-usando-celulares-quebrados.ghtml).

 

É um orgulho enorme ver uma pessoa maximizando em larga escala os recursos disponíveis. Enquanto uns fazem manifestações outros ganham dinheiro.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

quarta-feira, 3 de março de 2021

A miséria do atraso

O Brasil tornou-se uma nação singular após a consolidação das redes sociais (década 2011 até 2020). Os números, fatos e projeções perderam espaço para os desejos (Wishful thinking, https://pt.wikipedia.org/wiki/Wishful_thinking, acessado em 03/03;2021).

 

Uma parte dos brasileiros não tem vergonha alguma em pautar os seus argumentos em desejos e ignorar por completos os números e fatos.

 

Os defensores do “mito” encontram argumentos sem fundamento para registrar a excelente gestão. Os defensores do bananão dos bananões usam da mesma estratégia para encontrar resultados excepcionais conquistados entre 21011 e 2016.

 

Os fatos mostram a miséria da mediocridade do atraso. O crescimento médio do PIB do Brasil entre 2011 e 2020 foi de 0,3% ao ano. É a pior década do Brasil em 120 anos (Com recessões e pandemia, PIB do Brasil tem pior década em 120 anos, https://g1.globo.com/economia/noticia/2021/03/03/com-recessoes-e-pandemia-pib-do-brasil-tem-pior-decada-em-120-anos.ghtml).

 

Eu me recuso a calcular o PIB por habitante porque o resultado é muito triste. Não é à toa que a desigualdade cresceu tanto no Brasil. Enquanto alguns ficaram mais ricos, milhões ficaram mais pobres porque a riqueza por brasileiro caiu vertiginosamente na ultima década.

 

Parabéns aos que negaram os números e fatos. Basta olhar para ver o resultado alcançado por políticas medíocres. No momento do frigir dos ovos muitos alegam que não foram avisados do desastre que estava vindo.

 

Na postagem “Os geniais gênios brasileiros: Epílogo” (http://itgovrm.blogspot.com/2018/05/os-geniais-genios-brasileiros-epilogo.html) eu citei dezenas de casos de grandes empresas que foram embora do Brasil.

 

Todos foram devidamente alertados sobre o que viria no futuro se a política de desprezar e represar o capital intelectual fosse mantida. Já escutei um dos defensores do mito dizendo que a Ford saiu do Brasil porque está falida.

 

A dificuldade causada pelo involucro intelectual limitado faz com que os mercadores do atraso ignorassem a leitura do artigo “Ford só abriu a fila: mais montadoras fecharão fábricas no Brasil” (https://www.uol.com.br/carros/colunas/jorge-moraes/2021/01/11/ford-so-abriu-a-fila-mais-montadores-fecharao-fabricas-no-brasil.htm).

 

Em Janeiro foi a Ford, em março foi a Sony (Sony vai deixar de vender TVs, câmeras e fones no Brasil neste mês; Playstation não será afetado, https://g1.globo.com/economia/tecnologia/noticia/2021/03/01/sony-vai-deixar-de-vender-tvs-cameras-e-fones-no-brasil-neste-mes-playstation-nao-sera-afetado.ghtml). Quem será em maio?

 

Em particular eu evito qualquer debate com os wishful thinkings porque eles têm profundas dificuldades na leitura e interpretação de textos e são incapazes de fazerem contas aritméticas da pré escola.

 

É perda de tempo e dinheiro debater com os defensores do “mito” e do bananão dos bananões. São apenas pessoas sem educação que imaginam estarem vivendo em 1921.

 

O resultado medíocre alcançado pelo Brasil na segunda década do século XXI não é fruto do acaso, do azar da pandemia. É fruto única e exclusivamente da incapacidade, incompetência e desonestidade.

 

Quem sabe um dia a população brasileira saia do berço esplendido e exija o que é seu de direito. Por enquanto o jeito é fazer parte da minoria que avançou na última década.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2021

Home Office Again

O meu evangelizador do OcoMon ganhou um aliado na sua cruzada contra o home office.

 

Em recente comentário o fabuloso gênio afirmou que o atual presidente da Petrobras está há 11 meses em casa, sem trabalhar.

 

É uma afirmação fascinante. Afinal quem é o chefe do presidente da Petrobras? Como é possível ficar quase um ano sem trabalhar e o chefe não perceber nada?

 

Existem declarações que são um tiro no pé.

 

O fato é que o presidente atual da Petrobras trabalhou remotamente durante o período da pandemia. Não apenas ele. Mas 13 mil e quatrocentos funcionários.

 

Qual foi o resultado obtido? Basta ver o demonstrativo de resultados. Deu lucro? Deu perda?

 

Só olhar os números. É fato que os mercadores do atraso não gostam de números.

 

Números exigem sinapses e sinapses causam dor profunda na cabeça da incompetência e incapacidade.

 

Se o trabalho remoto não funciona então como os presidentes das multinacionais trabalham?

 

Como o presidente da República trabalha quando ele não está no Palácio do Planalto?

 

São muitas perguntas com respostas óbvias.

 

No caso dos 13.400 empregados da Petrobras, 86% classificou o teletrabalho como ótima ou bom. 60% dos funcionários disseram que a produtividade aumentou durante a pandemia.

 

O guru do OcoMon citou na sua postagem o artigo "If Work Is Going Remote, Why Is Big Tech Still Building? Google, Facebook, and others promise more flexibility to work from home. But they’re charging ahead with plans for more offices" (https://www.wired.com/story/work-going-remote-why-big-tech-building/, acessado em 23/02/2021) e apresentou diversos destaques do texto.

 

Sem dúvida o resumo produzido é muito relevante.

 

No entanto faltou citar um detalhe que não consta do artigo da Wired.

 

O preço do metro quadrado caiu absurdamente nos Estados Unidos e as empresas estão investindo em ativos reais para minimizar as incertezas da pandemia.

 

As empresas de tecnologia dos Estados Unidos tiveram lucros espetaculares durante a pandemia e por isto estão sentadas em montanhas de dinheiro.

 

Estamos falando de organizações que sabem explorar as oportunidades de mercado. Com a queda brusca do metro quadrado, com taxa de juros real negativa, com perspectiva de forte crescimento do lucro no curto e médio prazo é mais do que natural a escolha de investir em ativos reais.

 

No caso imóveis e infraestrutura. Isto não significa que elas abandonaram o plano do trabalho remoto.

 

Significa apenas que elas vão contratar mais funcionários no futuro próximo.

 

Vamos olhar o que está acontecendo em um mercado em que o dinheiro não está jorrando pelos ralos.

 

No artigo "Contratação de profissionais de outras cidades vira tendência, dizem especialistas" (Movimento foi impulsionado pelo home office na pandemia, https://www1.folha.uol.com.br/colunas/painelsa/2021/02/contratacao-de-profissionais-de-outras-cidades-vira-tendencia-dizem-especialistas.shtml?utm_source=mail&utm_medium=social&utm_campaign=compmail&origin=folha) ficam claras as tendências do home Office.

 

O trabalho remoto é muito forte no mercado de tecnologia e marketing e está em crescimento no setor financeiro e administrativo.

 

O diretor de uma famosa empresa de recrutamento e seleção disse que as empresas estrangeiras estão contratando profissionais que moram no Brasil.

 

As empresas americanas e portuguesas estão contratando brasileiros em grande velocidade pois não dependem de visto e imigração.

 

O trabalho remoto está se disseminando por vários segmentos da economia segundo uma das maiores consultorias de recursos humanos no Brasil.

 

As empresas nacionais localizadas nas capitais estão contratando profissionais que moram no interior.

 

Especialistas no mercado de recursos humanos afirmam que a nova realidade será de algumas pessoas trabalhando no escritório e uma parte significativa trabalhando de longe.

 

No segundo semestre de 2020, a XP contratou 852 pessoas que moram longe do seu escritório em São Paulo.

 

Na Rappi, a empresa trabalha com vagas que permitem o trabalho em qualquer lugar e com vagas para regiões delimitadas, por exemplo vagas que exigem visitas aos parceiros.

 

Existem equipes em que 65% dos profissionais moram fora de São Paulo. A empresa pode contratar gente no mundo inteiro.

 

A Fintech Will Bank, buscou profissionais no interior de diferentes estados e no estrangeiro. O escritório da empresa é em São Paulo e Vitória. Com a contratação remota, a empresa atraiu candidatos no Brasil inteiro e resolveu o problema de recursos humanos nas áreas críticas.

 

O governo do Brasil em particular deveria ser um grande incentivador do trabalho remoto.

 

Infelizmente o invólucro intelectual limitado dos nossos governantes impendem a visualização do óbvio.

 

Alguns pontos importantes gerados pelo trabalho remoto em massa no Brasil

 

  1. 1.    Eliminação de uma grande parte do custo Brasil causado pelas perdas no trânsito
  2. 2.    Incentivo para interiorização da população eliminando os custos crescentes da infraestrutura das grandes metrópoles como são Paulo
  3. 3.    Incentivo para criação de uma rede de telecomunicações economicamente viável nos estados e municípios mais pobres do Brasil. Para quem quer reduzir a desigualdade o trabalho remoto gera resultados mais promissores e estáveis do que a taxação dos mais ricos.
  4. 4.    Criação rede de ensino de alta qualidade para todos os brasileiros independentemente do local de nascimento
  5. 5.    Aumento da quantidade de brasileiros trabalhando no exterior e morando no Brasil. Entrada de dólares e euros reduzindo pressão cambial e inflação
  6. 6.    Aumento da agilidade empresarial pela eliminação das perdas e desperdícios do deslocamento

 

Citei seis vantagens, mas existem várias dezenas. Convido os leitores para descobrir algumas.