terça-feira, 30 de agosto de 2016

Diversidade força de trabalho - time multigeracional

Um time multigeracional oferece diversos caminhos para observar e endereçar os desafios de um problema ou projeto. Ou em outras palavras quanto mais pensamentos você tem, maior é a sua vantagem competitiva (Why a multi-generational team is key to business success, http://www.techrepublic.com/article/why-a-multi-generational-team-is-key-to-business-success/, acessado em 30/08/2016).

O estudo "Leading—and successfully managing" do Boston College Center for Work & Families (https://www.bc.edu/content/dam/files/centers/cwf/research/publications/pdf/MultiGen_EBS.pdf, acessado em 30/08/2016) revelou que uma força de trabalho intergeracional é um fator imperativo para o sucesso dos negócios.

O artigo “Myth busted: Older workers are just as tech-savvy as younger ones, says new survey” (http://www.techrepublic.com/article/myth-busted-older-workers-are-just-as-tech-savvy-as-younger-ones-says-new-survey/, acessado em 30/08/2016) desmascara o paradigma exaustivamente repetido no Brasil que a geração digital tem mais facilidade em usar a tecnologia. Foi afirmado que 13% dos profissionais acima de 55 anos tinham dificuldades em usar os vários dispositivos digitais disponíveis no mercado, ao passo que 37% dos profissionais entre 18 e 34 anos tinham dificuldades com os diversos dispositivos digitais. É um paradigma importante que foi rompido pela realidade dos fatos.

No artigo “Why a multi-generational team is key to business success” foi afirmado que a criatividade e a inovação não são habilidades exclusivas dos jovens. Os ganhadores do prêmio Nobel em geral têm idade acima dos 23 anos.

O atual momento do mercado brasileiro exige qualificações. As empresas que estão buscando oportunidades no Brasil e exterior precisam contratar conforme o conjunto de qualificações e habilidades exigidas para a função. As firmas precisam conversar com os profissionais gabaritados independente da sua idade.


Muitas firmas falam que não chamam os profissionais mais velhos por causa do valor do salário pedido. É uma grande tolice tal procedimento em um pais com 12 milhões de desempregados. A empresa mais inteligente simplifica o assunto. Ela estabelece quanto pode pagar pela função e oferece para o melhor capacitado. O profissional mais velho escolhido pode aceitar ou não a oferta. É um processo muito mais simples do que adivinhar o pensamento das pessoas. É a hora do mercado nacional entender que as várias perspectivas, habilidades e níveis de experiência permitem a geração e desenvolvimento de melhores projetos e resultados para a empresa.

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Ransomware

Há alguns anos atrás eu fui vítima de um ataque de Ransomware. Eu estava navegando por alguns sites suspeitos quando explodiu uma tela de violação de leis americanas e instruções de pagamento de multa. Como eu não havia perpetrado as violações mencionadas eu fiquei indignado. Como desligar e ligar o computador não resolvia nada eu cogitei por alguns instantes pagar as multas e recuperar o acesso aos meus arquivos. O meu computador era protegido por firewall e antivírus e isto me levou a acreditar que tinha feito algo errado. Usando um computador antigo consegui descobrir que não havia infringindo lei alguma e eu estava sendo vítima de um ataque de Ransomware.

Como fiquei desesperado eu apertei a esmo sequências de teclas para recuperar o acesso ao computador. Por um lance de pura sorte descobri com um Ctrl C que existia uma janela dos executando um script que era a origem do ataque. Consegui então injetar alguns comandos e interromper a execução do script. Com isto descobri onde ele estava fisicamente e um simples delete retornou o meu acesso ao computador. Em 2016 este tipo de ataque perdeu o espírito amador e virou um negócio. Por isto é muito importante saber o que fazer antes de ataque assim e identificar o mesmo o mais rápido possível. O ataque de Ransomware inicia de forma invisível para o usuário. Ele começa com a troca de uma chave de criptografia e a criptografia dos arquivos durante a ociosidade do computador. Durante alguns meses o ataque acontece apenas criptografando os arquivos e liberando o seu acesso. Pessoas mais atentas vão perceber uma progressiva lentidão do computador.

Por isto é importante manter em disco externo o backup dos arquivos em base anual, ou seja, um backup de cada uma das semanas por um ano. No caso de um ataque é possível restaurar uma cópia não criptografada e continuar o trabalho a partir deste ponto. Existem perdas que podem ser bem chatas neste estratagema. É melhor do que nada, mas não é uma solução agradável, pois existirão perdas. Mesmo com firewall, antivírus e outras ferramentas de proteção é possível ser atacado pelo Ransomware. Ele pode vir até mesmo de uma rede supostamente segura. Isto significa que é importante estabelecer medidas preventivas e mitigatórias ao ataque. É de fundamental relevância que a empresa debata internamente o que deve fazer em um ataque de Ransomware. Se deve pagar o resgate ou não.

Foi afirmado que o mercado de Ransomware cresceu tão rapidamente que o ataque é oferecido como um serviço.
Fonte: Ransomware-as-a-service is exploding: Be ready to pay, http://www.techrepublic.com/article/ransomware-as-a-service-is-exploding-be-ready-to-pay/, acessado em 22/08/2016.

Como os ataques de Ransomware estão crescendo no mundo inteiro já existindo inclusive a modalidade Ransomware as a Service (RaaS) é preciso ter certeza se ele está mesmo ocorrendo. Os ataques normalmente pedem resgastes em bitcoins, por isto desconfie quando receber instruções em outras moedas. Alguns ataques são amadores e parecem ser um Ransomware. Use as combinações para parar os programas como Ctrl C e Ctrl break para ver ser algo acontece no computador infectado.

Ao ter certeza do ataque desconecte imediatamente este computador da rede com e sem fio. Verifique as instruções contra o Ransomware nos sites dos fabricantes de antivírus, pois em 30% dos casos as chaves de criptografia usadas pelo ataque já foram quebradas e é possível recuperar os arquivos. Se nada funcionar é importante acionar a polícia e reportar o caso. Nesta situação existem poucas alternativas restantes. Uma delas é pagar o resgate. A outra é usar o backup e assumir algumas perdas. Sempre use o caso para aprender as lições oferecidas. Mesmo que as lições sejam amargas e dolorosas.

Para prevenir um ataque de Ransomware a primeira medida é mapear todos os ativos digitais da empresa. Tenha em local isolado a descrição e data de criação de todos os ativos digitais. Muitas vezes as pessoas não sabem o que foi atacado e o seu valor. A segunda medida é manter atualizado todos os sistemas operacionais e de proteção. Inclua os celulares nesta medida. A terceira ação e fazer backup semanal de todos os ativos digitais que são relevantes. Mantenha o backup fora da rede. Lembre-se que backup em nuvem não é backup fora da rede. A nuvem é parte da sua rede. A quarta medida é segmentar a rede de forma a ter os ativos digitais importantes em região de rede de acesso restrito e controlado. Muitas vezes isto salva os seus ativos de ataques.

A quinta medida é provavelmente a mais importante. Treine permanentemente a sua equipe de colaboradores em relação a segurança digital. Só contrate pessoas para qualquer setor da empresa com histórico de preocupação com segurança. Normalmente o ataque de Ransomware começa com a abertura de um simples anexo de e-mail. Muitas vezes os atacantes ligam para a empresa se identificando como funcionário e pedem para a pessoa abrir o anexo de um e-mail que parece ser legítimo. Treine muito a sua equipe. Tenha situações de controle interno ativas permanentemente.  A sexta medida é ignorada em diversas situações. Avise sempre a sua equipe que a rede e computadores estão sendo atacados e informe o que deve ser feito.

Leituras recomendadas:


The 7 best ransomware removal tools - how to clean up Cryptolocker, CryptoWall and extortion malware, http://www.techworld.com/security/7-best-ransomware-removal-tools-how-clean-up-cryptolocker-cryptowall-extortion-malware-3626974/, acessão em 22/08/2016.

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Diversidade da força de trabalho aumenta o lucro?

O artigo "Why diversity matters" (http://www.mckinsey.com/business-functions/organization/our-insights/why-diversity-matters, acessado em 18/08/2016) afirmou que as pesquisas mais recentes da McKinsey revelaram que as empresas com maior diversidade na força de trabalho apresentam resultados financeiros melhores. Eu pessoalmente entendo que as vantagens financeiras da diversidade da forca de trabalho são percebidas de forma intuitiva pelas pessoas. No entanto, as minhas últimas conversas com executivos e profissionais de recursos humanos mostraram que são poucos os brasileiros que conseguem explicar este fenômeno com robustez intelectual.

O primeiro passo para entender porque a diversidade está relacionada com melhor resultado financeiro passa pelo entendimento da mudança da natureza dos negócios. Todas as empresas, não importa a sua natureza ou setor de atuação viraram empresas de projetos em 2016. Campanhas de marketing, planejamento, realização de eventos, contratações de pessoas, compras, vendas, produção e etc. são consequência de um projeto. Até mesmo o planejamento da agenda diária dos profissionais é o resultado de um projeto. As empresas estão envolvidas em projetos o dia todo. Por causa desta mudança é que o estratagema Design Thinking ganhou tanto valor no mercado corporativo.

Muito dinheiro é jogado no lixo por causa de projetos fracassados. Por isto, é preciso melhorar e evoluir. Toda vez que uma força de trabalho monolítica desenvolve e executa um projeto, ela o faz conforme o seu modelo mental individual e coletivo. Mesmo quando existem pesquisas de mercado sobre o comportamento do consumidor, as pessoas vão esquecer (ou não enxergarão) diversos detalhes por conta da crença natural no modelo mental. É um comportamento absolutamente normal. Em geral as micro decisões de um projeto são tomadas conforme o modelo mental de quem está executando a atividade.

Uma força de trabalho monolítica tem grande convergência de pensamento, mas é incapaz de captar a diversidade de uma sociedade ou comunidade. Quanto maior for a distância entre o modelo mental da força de trabalho monolítica e o público alvo do produto ou serviço maior será o nível de insatisfação do consumidor. Isto acontece porque os produtos e serviços são projetados e entregues conforme o modelo mental da força de trabalho da empresa. Por mais que existam pesquisas de mercado e preferencias do público alvo, existem muitos detalhes nos projetos que são decididos conforme a preferência do executor da atividade.

Um exemplo bem simples deste fenômeno é a pintura da casa de um casal. Em geral, todos os detalhes são discutidos antes do início dos trabalhos e os pintores executam as atividades conforme um plano previamente acordado. Normalmente, o casal está trabalhando fora da residência durante a sua pintura. Em praticamente todos os casos existem reclamações sobre o trabalho de um dos cônjuges. Isto ocorre porque no casal uma pessoa é mais detalhista que a outra e o pintor tomou decisões sobre situações que não estão presente no projeto acordado. Por exemplo, a pintura ao redor do espelho das tomadas elétricas. Cada um dos pintores tomou a decisão sobre o contorno conforme o seu gosto pessoal. O gosto dos pintores é diferente do casal. É o caso de um detalhe minúsculo que gera brigas e insatisfações. Este é o motivo porque a diversidade da força de trabalho produz um resultado financeiro melhor para as empresas. Diversas pessoas com gostos e modelos mentais diferentes estabelecem uma solução para o contorno da pintura do espelho que reflete o gosto médio do público alvo da empresa de pintura.

Muitos imaginam que a diversidade da força de trabalho está restrita apenas a questão do gênero (igualdade entre homens e mulheres). No entanto, a questão é muito mais profunda. A diversidade está relacionada com aspectos como a idade, etnia, orientação sexual e religiosa, experiência de vida, cultura geral, fluência em outras línguas, Quociente Intelectual (QI) etc. Muitas empresas buscam profissionais com QI acima de um patamar. Isto também gera uma força de trabalho monolítica, porque estas pessoas têm interesses parecidos e vão gerar projetos que atendam um grupo especifico do público alvo da empresa.

O preconceito contra o cabelo branco praticado por muitas empresas impede que estas organizações ofereçam soluções para um enorme segmento do mercado consumidor. Impede em muitos casos que ofertas de elevado lucro sejam oferecidas. É gerado o custo da apresentação de soluções para um perfil de pessoas não está interessado naquelas soluções (o segmento não tem o problema e nem o desejo). Em resumo, vendas são perdidas porque as ofertas não atendem os interesses e necessidades do segmento de mercado e custos são gerados porque são desenvolvidos e ofertados produtos e serviços que não endereçam as expectativas dos clientes. Enquanto todas as empresas têm problemas com a diversidade, o resultado não é tão negativo. No entanto, no momento em que empresas do mundo inteiro estão resolvendo a questão e estão surgindo ofertas para os cabelos brancos, as empresas que não se atualizarem vão perder mercado e clientes. É desta forma que a diversidade da força de trabalho é transformada em resultado financeiro melhor.


Leitura recomendada


terça-feira, 16 de agosto de 2016

Situação da Quarta Revolução Industrial

O artigo "Para ser boa, cirurgia com robô depende de bom médico" (http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2016/08/1799561-para-ser-boa-cirurgia-com-robo-depende-de-bom-medico.shtml, acessado em 16/08/2016) revela em algum grau o atual estágio da evolução da indústria 4.0. Foi afirmado no artigo que o sucesso da cirurgia de prostatectomia radical é consequência direta do nível de experiência do cirurgião. Em outras palavras, é o regime de trabalho colaborado entre o cirurgião e o robô que leva aos bons resultados.

É evidente que não é um caso único. Em diversas áreas do conhecimento humano o saber profundo das pessoas está levando a efetividade produtiva para um novo patamar com as máquinas inteligentes. Toda a sociedade é beneficiada pelo trabalho cooperado dos seres humanos com os robôs. Quando o Nicholas Carr afirmou no seu mais recente livro (Utopia is Creepy: And Other Provocations, editora Norton & Co., setembro de 2016) que apenas a tecnologia não é solução para todos os problemas da humanidade, ele destacou a importância do trabalho colaborado entre humanos e máquinas inteligentes (O software está engolindo o mundo. E daí?, http://cio.com.br/tecnologia/2016/08/12/o-software-esta-engolindo-o-mundo-e-dai/, acessado em 18/08/2016) .

É preciso ter a devida clareza neste assunto para que todos entendam a importância da qualificação. O ensino nas escolas precisa urgentemente mudar de patamar para incentivar as crianças a pesquisar cada vez mais. É preciso entender que proibir celulares nas escolas só vai atrasar o desenvolvimento das capacidades cognitivas dos alunos.

Em uma recente reunião que participei uma pessoa revelou desconhecer o significado da palavra “fidedigno”. Imediatamente foi possível consultar o seu significado usando o celular. É assim que o conhecimento é gerado e fixado na cabeça das pessoas na segunda década do século XXI. Estamos vivendo um momento onde uma grande parte do conhecimento humano está disponível na Internet em várias línguas. É preciso que o sistema de ensino público assuma o seu papel de oferecer educação continuada para toda a população.

O grande desafio dos próximos anos não será o acesso as máquinas inteligentes. Elas estarão disponíveis para todos com preços acessíveis. Os robôs usados na medicina serão cada vez mais baratos. O real desafio será formar e manter profissionais qualificados para explorar todas as potencialidades das máquinas inteligentes. As crianças precisam descobrir que celulares não são instrumentos de diversão apenas. Na escola eles são ferramentas de aprendizado. Toda vez que um professor lança um desafio para a sua classe de pesquisar na aula sobre um assunto e apresentar para os colegas as suas conclusões pessoais ele estará desenvolvendo as habilidades cognitivas dos alunos impondo a restrição do tempo. As capacitações de objetividade e efetividade estarão sendo desenvolvidas. Toda vez que o estado reconhece o aprendizado autodidata ele estimula o aprendizado continuo e cria cadeia de valor de longo prazo. Estamos em um momento onde a escola está em todos os lugares e isto deve ser reconhecido e explorado.
O conceito do professor como facilitador do aprendizado ganhou novo contexto em 2016. É imperioso rever a estrutura do ensino olhando as tecnologias disponíveis no século XXI. É importante que os olhos estejam bem abertos para que o atraso não impeça o crescimento de uma nação inteira. O artigo “Tá de sacanagem, né? PROCON da Paraíba estuda proibir Pokémon GO no Brasil” (http://www.tecmundo.com.br/pokemon-go/108423-ta-sacanagem-ne-procon-paraiba-estuda-proibir-pokemon-go-brasil.htm, acessado em 16/08/2016) revelou que PROCON da Paraíba deseja bloquear o app Pokémon Go por causa de situações alheias ao aplicativo. No entanto, o artigo “Pokémon Go: mais um problema a administrar ou um recurso a utilizar?” (http://educacao.uol.com.br/colunas/vera-cabral/2016/08/11/pokemon-go-mais-um-problema-a-administrar-ou-um-recurso-a-utilizar.htm, acessado em 16/08/2016) revelou as melhorias de crianças autistas geradas pela interatividade da realidade aumentada (http://www.autismpedagogy.com/).

Será que compensa ter um país inteiro renegado ao atraso por conta de pessoas incapazes de perceber os benefícios causados pela tecnologia? Máquinas inteligentes geram o desaparecimento de posições de trabalho. Já ocorreu no passado com a máquina de escrever, elevador e etc. e vai acontecer agora por causa dos robôs. Será que o estado brasileiro vai proibir o uso de robôs por conta disto ou será que ele vai explorar as oportunidades e vai gerar crescimento e renda?


É comum encontrar no metrô de São Paulo jovens vendendo produtos não perecíveis dentro dos trens. Será que estes jovens sabem que é possível montar uma loja virtual para vender os seus produtos sem custo algum? São oportunidades que são perdidas que enfraquecem o desenvolvimento da juventude brasileira. Como contrapartida de tais equívocos é importante destacar a efetividades dos vendedores de guardas chuvas nas saídas do metro nos dias de chuva. Bastou chover que eles estão oferecendo os seus produtos na saída das estações do metrô. É o exemplo positivo da exploração da oportunidade com efetividade e inteligência. 

Zona azul Município de São Paulo

Recentemente a prefeitura do município de São Paulo resolveu oferecer o cartão zona azul digital. Foi sem dúvida alguma uma iniciativa louvável. No entanto, a sua implantação foi bastante danosa aos interesses do município. Ao escolher o modelo de negócio onde as empresas Sertell, Estapar e Digipareque que desenvolveram e operam as plataformas recebem 10% do valor arrecadado, a prefeitura escolheu um modelo que onera demais o município (Zona Azul por aplicativo começa a valer nesta segunda em São Paulo, http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2016/07/1790407-zona-azul-por-aplicativo-comeca-a-valer-nesta-segunda-em-sao-paulo.shtml, acessado em 16/08/2016). Não é difícil perceber que existem plataformas semelhantes disponíveis nas lojas virtuais da Google, Apple e Amazon.

Com um investimento muito pequeno (menos de cem mil reais), a prefeitura conseguiria desenvolver e operar uma plataforma para a zona azul digital. Trabalhando com as nuvens disponíveis no mercado seria possível começar com uma equipe bem pequena operando o empreendimento. As experiências do YouTube, Instagram e etc. de estabelecer operação inicial com grupos pequenos de colaboradores mostram que é fácil e simples operar a zona azul digital com menos de dez funcionários.

Inexistem motivos, portanto para entregar para a iniciativa privada esta operação. Mais ainda, a prefeitura de São Paulo poderia usar os recursos da computação em nuvem elástica para oferecer a sua plataforma de zona azul digital para os outros municípios. Seria uma fonte extra de recursos. É preciso mudar com urgência os paradigmas que estão presentes na administração pública para que ela consiga conquistar novas fontes de receitas em um momento em que o estado brasileiro atravessa tantas dificuldades.


O modelo de negócio adotado pela prefeitura de São Paulo para a zona azul impediu o crescimento da arrecadação do município. Enquanto muitos (ou todos) candidatos ao cargo de prefeito falam na campanha eleitoral de 2016 em aumentar impostos para resolver os problemas sociais da cidade, nenhum deles fala em rever as estratégias do município para aumentar arrecadação sem aumentar os impostos. É possível arrecadar mais, gerar empregos e resolver os problemas sociais olhando apenas as oportunidades geradas pela transformação digital. É lastimável perceber que nenhum candidato levantou esta bandeira. Infelizmente é a política do atraso.

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Fraude no bilhete único de São Paulo

Recentemente foram revelados vários episódios de fraudes contra a segurança do sistema do bilhete único. Foi revelado que foram solicitados o cancelamento de mais de 1.700 cartões e o custo da fraude foi de aproximadamente 450 mil reais (Preso suspeito de fraudar passagens do bilhete único, em São Paulo, http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2016/07/preso-suspeito-de-fraudar-passagens-do-bilhete-unico-em-sao-paulo.html, acessado em 12/08/2016). Foi revelado em artigo publicado em 2012 que a empresa SPTrans afirmou que o sistema do bilhete único era infalível (Falha de segurança no Bilhete Único de São Paulo, https://tecnoblog.net/91343/bilhete-unico-sp/, acessado em 12/08/2016).

Todos os artigos relatam que fraude ocorreu pela exploração de vulnerabilidades do sistema digital do bilhete único. O estado brasileiro que enfrenta em 2016 uma pindaíba financeira precisou gastar os seus combalidos recursos para identificar, processar e prender as quadrilhas que perpetraram fraudes. Foram consumidos milhares de reais por conta das fraudes e da operação policial. Outros milhares de reais serão gastos nos processos jurídicos.

Todos estes gastos poderiam ter sido evitados se o estado brasileiro copiasse as grandes empresas americanas e trabalhasse as questões de segurança com as comunidades especializadas (http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2016/08/1799263-apple-oferece-recompensa-por-ajuda-para-encontrar-falhas-de-seguranca.shtml
, acessado em 12/08/2016>, < Google pagará mais para quem descobrir falhas no Android, http://idgnow.com.br/internet/2016/06/17/google-pagara-mais-para-aqueles-que-reportarem-falhas-no-android/, acessado em 12/08/2016>, http://olhardigital.uol.com.br/fique_seguro/noticia/uber-lanca-programa-de-recompensa-para-hackers-acharem-problemas-de-seguranca/56381, acessado em 12/08/2016, < Facebook paga US$ 10 mil a criança que encontrou falha no Instagram, http://oglobo.globo.com/sociedade/tecnologia/facebook-paga-us-10-mil-crianca-que-encontrou-falha-no-instagram-19228045, acessado em 12/08/2016, < Facebook aumenta prêmio em competição de segurança para até U$ 300 mil, http://imasters.com.br/noticia/facebook-aumenta-premio-em-competicao-de-seguranca-para-ate-u-300-mil/, acessado em 12/08/2016).

Em 2012, o Gabriel Lima revelou uma grave falha de segurança no sistema do bilhete único (Foi revelado que o Lima desenvolveu um software e usou uma leitora de cartões importada para manter o cartão recarregado infinitamente. Fonte: Falha no Bilhete Único de São Paulo permite 'recargas infinitas', http://idgnow.com.br/seguranca/2012/02/13/falha-no-bilhete-unico-de-sao-paulo-permite-recargas-infinitas/, acessado em 12/98/2016).


Será que a falha de segurança revelada em 2012 foi devidamente considerada pelos responsáveis pelo sistema do bilhete único? Será que a vulnerabilidade explorada pelos fraudadores não é a mesma que foi revelada pelo Lima em 2012? Milhões de reais podem ser economizados pelo estado brasileiro se ele resolver trabalhar no estado da arte da tecnologia social de 2016. Está mais do que na hora de existir o entendimento que a Internet não é um brinquedo. Ela é uma poderosa ferramenta de aumento da produtividade.

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Conversa com os empresários do setor de estacionamento de veículos de passeio

As minhas conversas com os empreendedores são sempre estimulantes. Existe um claro movimento de rever os parâmetros básicos dos negócios em função das novas tecnologias. Muitos pequenos empresários estão buscando caminhos para superar as dificuldades causadas pela recessão brasileira.

O negócio estacionamento de veículos de passeio vem atravessando um nível maior de dificuldade por causa das restrições para a circulação de veículos. O domingo sempre foi um dia de bom faturamento para os estacionamentos, mas o fechamento de ruas e avenidas está impactando negativamente o negócio. O crescimento do compartilhamento da mobilidade (por exemplo, UBER) esta restringindo as receitas do segmento.

Nas conversas com os empreendedores eu sugeri que eles resolvessem o problema de perdas e fraudes com a tecnologia Big Data. Com base nos registros do caixa e nas fotos das placas do carro na entrada e saída do estacionamento é possível identificar as perdas e fraudes. Com a sua identificação o empresário pode atuar na eliminação das mesmas. A tecnologia Big Data oferece uma solução simples para um problema que vem atormentado a vida dos empresários por décadas. Com a eliminação das perdas e fraudes o empreendedor pode usar os registros do caixa para identificar as oportunidades de novos negócios. Ele pode associar os registros com o estado de limpeza do veículo, clima (chuva) dia anterior, atual e previsão futura, quantidade de pessoas dentro do carro, quantidade de crianças, quantidade de homens e mulheres e etc.

Com isto é possível a frequência dos clientes, dias, horários e o estacionamento pode oferecer serviços de limpeza e lavagem dos carros (quem sempre está com o carro limpo provavelmente vai se interessar), ou mimos como brinquedos, revistas e livros para as crianças para fidelizar o cliente, ou serviço de creche para mães que vão fazer compras nas proximidades, ou de lanchonete e sorvetes especiais ou não (o tipo e limpeza do carro revela padrão sócio econômico do proprietário) ou salão de jogos (digitais ou não) para quem vai no médico nas proximidades e o acompanhante só vai aguardar o seu retorno. Existe uma grande gama de oportunidades que os estacionamentos podem explorar apenas conhecendo melhor os seus clientes.


Com a tecnologia Big Data é possível que o estacionamento ofereça um adicional extra de segurança para o proprietário do veículo.  Ao registrar a foto do rosto ou corpo do cliente é possível que na troca de turno dos funcionários, a nova equipe seja informada pelo sistema da verificação do proprietário e só depois da verificação permita que ele entre no estacionamento. Os clientes terão maior sensação de segurança com este procedimento. As possibilidades de inovação são infinitas.

terça-feira, 26 de julho de 2016

Oportunidades perdidas na copa de 2014 e nas olimpíadas de 2016

Foi revelado que o estudo afirmou que a Copa do Mundo de 2014 no Brasil vai gerar arrecadação tributária adicional de R$ 18,13 bilhões.
Fonte: Estudo da FGV sobre benefícios da Copa não passa de propaganda enganosa, http://www.jornalopcao.com.br/posts/reportagens/estudo-da-fgv-sobre-beneficios-da-copa-nao-passa-de-propaganda-enganosa, acessado em 25/07/2016.

Foi afirmado que o cenário de referência adotado neste estudo vai produzir um efeito cascata surpreendente nos investimentos realizados no País.
Fonte: Brasil Sustentável: Impactos Socio­econômicos da Copa do Mundo 2014, http://fgvprojetos.fgv.br/sites/fgvprojetos.fgv.br/files/estudo_9.pdf, acessado em 25/07/2016.

O Brasil conseguiu a proeza de ser o campeão mundial das oportunidades perdidas com os grandes eventos. Na copa de 2014 todos os sócios do empreendimento saíram com vultosos lucros (Copa-2014 gera receita acima do esperado e Fifa ganha R$ 18,6 bi, http://esporte.uol.com.br/futebol/ultimas-noticias/2015/03/20/copa-2014-gera-receita-acima-do-esperado-e-fifa-ganha-r-186-bi.htm, acessado em 25/07/2016). O único que saiu no prejuízo foi o Brasil (Após dois anos da Copa, estádios vivem crises financeiras e denúncias http://rodrigomattos.blogosfera.uol.com.br/2016/06/12/apos-dois-anos-da-copa-estadios-vivem-crises-financeiras-e-denuncias/, acessado em 25/07/2016) e).

Apesar das consultorias contratadas para analisar a viabilidade econômica da copa e olimpíadas (Estado da BA garante lucro de arena europeia para operador da Fonte Nova, http://viniciussegalla.blogosfera.uol.com.br/2013/09/19/estado-da-ba-garante-lucro-de-arena-europeia-para-operador-da-fonte-nova/, acessado em 25/07/2016) afirmarem sobre grandes lucros, legados, empregos e crescimento econômico o que vemos é o grande encolhimento. (Pós-Copa, hotéis demitem, fecham e viram até clínica médica, http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2016/07/1788022-pos-copa-hoteis-demitem-fecham-e-viram-ate-clinica-medica.shtml, acessado em 25/07/2016)

A falta de planejamento e preparação é uma constante nas atividades governamentais para a copa e olimpíadas. As afirmações do prefeito do Rio de Janeiro (Olimpíada é 'oportunidade perdida' para o Brasil, diz prefeito do Rio, http://www1.folha.uol.com.br/esporte/olimpiada-no-rio/2016/07/1790585-olimpiada-e-oportunidade-perdida-para-o-brasil-diz-prefeito-do-rio.shtml, acessado em 25/07/2016) sobre o planejamento e a segurança mostram o tamanho do atraso gerencial que enfrentamos. É impressionante que em quase dez anos de preparação nenhuma iniciativa pública tenha ocorrido no universo digital para estes dois grandes eventos.

Parece que a Internet, os Apps, as redes sociais não existem para o governo brasileiro. Em vez de incitar e estimular o empreendedorismo, foram escolhidos cantores conhecidos internacionalmente para a abertura da olimpíada (Caetano Veloso, Gilberto Gil e Anitta vão cantar na cerimônia de abertura da Rio-16, http://www1.folha.uol.com.br/esporte/olimpiada-no-rio/2016/07/1790325-rio-2016-confirma-anitta-caetano-veloso-e-gilberto-gil-na-abertura-dos-jogos.shtml, acessado em 25/07/2016). Deveria ter sido feito um grande concurso nacional via YouTube por exemplo para escolher os cantores.

Empregos teriam sido gerados, inovações teriam sido criadas e negócios exponenciais teriam nascido. O Brasil chega no grande evento e os seus chefes de cozinha, doceiros e etc. estão "escondidos" no território nacional. Os turistas não sabem onde encontra-los. Cadê o App que os revela para o mundo? Onde está a divulgação pela Embratur dos nossos chefes de cozinha? Enquanto os chefes de cozinha estrangeiros como o Buddy Valastro (Reality gastronômico decepciona, e Record fará relançamento, http://tvefamosos.uol.com.br/colunas/flavio-ricco/2016/07/11/reality-gastronomico-decepciona-e-record-fara-relancamento.htm, acessado em 25/07/2016) e o Jamie Oliver estão na televisão brasileira e nos acordos com os fabricantes de alimentos (Sadia lança linha de congelados 'saudável e gourmet' com Jamie Oliver, http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2016/06/1786071-sadia-lanca-linha-de-congelados-saudavel-e-gourmet-com-jamie-oliver.shtml, acessado em 25/07/2016), os brasileiros não tem espaço para divulgar as suas ofertas.


Para uma economia combalida como a brasileira é preciso um mínimo de planejamento para que o espírito animal dos empreendedores aparece durante as olimpíadas 2016. As falhas na estratégia para a música dos jogos Rio 2015, estão presentes também na comida e em diversos outros segmentos econômicos. Nada está sendo para que o belo artesanato regional produzido no norte e nordeste apareça para os turistas no Rio de Janeiro. O real legado que um grande evento gera é o crescimento econômico de longo prazo. O Brasil escolheu fazer uma festa para milionários paga com o dinheiro dos pobres. Não poderia existir escolha pior, mais injusta e desigual.

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Negócios habilitados pelas Tecnologias

O ano de 2016 está sendo marcado pela grande quantidade de conversas com empreendedores e empresários. Os micros e pequenos empresários estão sempre me questionando sobre como as tecnologias digitais podem contribuir para o negócio deles de uma forma concreta. Como existem milhares de alternativas, eu resolvi escrever sobre duas tecnologias que estão no topo das agendas dos empreendedores. Basicamente todos sabem o que é a tecnologia Big Data, mas muitos não enxergam uma associação dela com o aumento do lucro. Muita gente acha que é assunto para peixe grande americano ou europeu.

A tecnologia Big Data pode ser aplicada até mesmo em uma pequena loja de café. Ela permite a análise dos registros do caixa e possibilita a identificação dos horários de maior e menor movimento da loja. É possível associar o movimento com o clima, período de férias, congressos, feiras e convenções nas proximidades, almoço das empresas nas proximidades e outras variáveis para entender as influências externas no movimento da loja. Com base nas informações da tecnologia Big Data é possível dimensionar a equipe e o estoque de alimentos em função do horário do dia. É uma mecânica que permite economizar os recursos pela eliminação da ociosidade nos horários de baixo movimento.

É evidente que a análise não pode ser feita apenas com os dados do passado, pois o ambiente é dinâmico. É preciso trabalhar em tempo real. Por causa disto é de fundamental importância estabelecer uma cadeia de fornecedores e funcionários capazes de reagir em tempo real para as necessidades. Não dá para extrair as vantagens da tecnologia trabalhando como um lobo solitário. É preciso que os fornecedores de suprimentos, alimentos e mão de obra também acompanhem em tempo real o comportamento do mercado e compartilhem as informações com toda a rede. Só com uma rede integrada é que a tecnologia vai oferecer ganhos reais para os empresários.

Na hora de selecionar os fornecedores de suprimentos, alimentos e mão de obra é preciso mudar de postura empresarial e olhar outros aspectos além do preço. A tecnologia Big Data é capaz de reduzir os custos operacionais da loja de café, no entanto, é incapaz de aumentar o faturamento. Por causa disto é importante complementar a solução com outra tecnologia. A Realidade Aumentada (RA) ganhou notoriedade com o jogo Pokémon Go. Certamente, nos próximos meses vão aparecer diversos jogos semelhantes. Um jogo baseado na realidade aumentada com Global Positioning System (GPS) é capaz de aumentar o movimento da loja de café de forma consistente.


Basta um acordo entre a loja e o desenvolvedor do jogo para fazer com que os ovos ou prêmios apareçam na loja nos horários de baixo movimento para atrair as pessoas no estabelecimento comercial. Com o aumento da frequência fica fácil oferecer os produtos e aumentar as vendas. Estamos vivendo um momento em que as tecnologias funcionam como chaves habilitadoras de novos negócios. Os empresários precisam entender o funcionamento das soluções digitais para explorar as suas potencialidades a favor do seu empreendimento.

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Mais um bloqueio do WhatsApp

Na véspera do início dos jogos olímpicos de 2016 no Rio de Janeiro, o Brasil resolveu bater o seu recorde de bloqueios de um mesmo App. Os motivos alegados pelos juízes são cada vez mais bizarros. Desta vez o bloqueio não durou sequer 24 horas.

Foi afirmado que a operação, com nome "Hashtag" monitorou os suspeitos pela internet, via WhatsApp e Telegram.
Fonte: PF prende grupo que preparava atos de terrorismo na Olimpíada, http://olimpiadas.uol.com.br/noticias/redacao/2016/07/21/pf-prende-grupo-que-preparava-atos-de-terrorismo-diz-agencia.htm, acessado em 21/07/2016.

A juíza que mandou bloquear o WhatsApp justificou a sua ação dizendo que eles não desabilitaram a criptografia do aplicativo para que o fluxo de mensagens fosse enviado em tempo real para os investigadores e as conversas dos suspeitos fossem monitoradas. O artigo “Juíza que mandou bloquear WhatsApp se irritou com resposta em inglês” (http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2016/07/1793201-juiza-que-mandou-bloquear-whatsapp-se-irritou-com-resposta-em-ingles.shtml, acessado em 21/07/2016) afirmou que a juíza ficou irritada com o e-mail resposta da empresa americana WhatsApp escrito na língua pátria dos americanos.

Existem mistérios no caso. O que chama muita atenção é o foco apenas no WhatsApp. Foi afirmado que é comum a interceptação telefônica flagrar um suspeito dizer ao outro para tratarem determinado assunto no WhatsApp (Sem rastreio, WhatsApp 'dá mais força para quem descumpre a lei', diz juíza, http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2016/07/1793389-liberacao-do-whatsapp-da-mais-forca-para-quem-descumpre-a-lei-diz-juiza.shtml, acessado em 21/07/2016). Será que o crime organizado brasileiro não usa o Skype ou Telegram por exemplo? Será que não estamos diante do dilema da marca WhatsApp que é algo comum no Brasil? (O dilema da marca ocorre quando uma marca é confundida com o produto, ou seja, Gillete virou sinônimo de lamina de barbear, Bombril de palha de aço, Xerox de fotocópia, WhatsApp é sinônimo de programa de comunicação)

Os artigos “Mesmo com criptografia, WhatsApp e Telegram podem ser espiados facilmente” (http://www.tecmundo.com.br/whatsapp/105562-mesmo-criptografia-whatsapp-telegram-espiados-facilmente.htm. Acessado em 21/07/2016) e “Telegram: "Se você não confia na gente, use os chats secretos"” (http://artigos.softonic.com.br/telegram-se-voce-nao-confia-use-chats-secretos, acessado em 21/07/2016) revelam que os dois Apps têm estrutura de segurança semelhantes e nos dois casos existem fragilidades de segurança que podem ser exploradas.

Como a juíza pode afirmar que todas as comunicações futuras dos criminosos ocorrerão através do WhatsApp? É uma conclusão realmente impressionante. Será que o comando vermelho ou PCC ordenaram que só aceitam mensagens trocadas pelo WhatsApp? Será que a juíza sabe que as vulnerabilidades do protocolo Signaling System nº 7 (SS7) permitem que os investigadores clonem o número telefônico alvo?

Existe uma evidente fragilidade na solução proposta pela juíza brasileira para combater o crime. A juíza afirmou que as operadoras de telecomunicações brasileiras cooperam com a justiça nacional e facilitam a interceptação das comunicações. Se isto é verdade então a justiça brasileira pode monitorar o tráfego de dados dos celulares e ela quebrar a criptografia existente no App WhatsApp.

Foi afirmado que o FBI pagou pela ajuda de hackers profissionais para acessar o iPhone utilizado pelo autor do massacre na cidade californiana de San Bernardino (“FBI pagou hackers profissionais para acessar iPhone de autor de massacre”, http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/efe/2016/04/12/fbi-pagou-hackers-profissionais-para-acessar-iphone-de-autor-de-massacre.htm, acessado em 21/07/2016). A recusa da Apple de ajudar o governo dos Estados Unidos não gerou bloqueio da Apple. Nas democracias as pendências constitucionais são resolvidas pelo Supremo Tribunal Federal. Só aí é que bloqueios que impactam a vida econômica de milhões de cidadãos são realizados.

No Brasil o atraso impede que a democracia plena faça parte do cotidiano dos brasileiros. Alguns depoimentos de juristas famosos mostram o tamanho do atraso nacional. O WhatsApp não é um serviço oferecido no Brasil. Não existem ofertas ou convites do WhatsApp para que os brasileiros instalem e usem o App. O WhatsApp é um serviço com sede nos Estados Unidos que pode ser acessado por todas as pessoas através de uma conexão de internet.

São os brasileiros que estão indo virtualmente aos Estados Unidos para instalaram e usarem o App. Na Internet existem milhões de serviços digitais que foram desenvolvidos para serem ofertados apenas nos países onde os servidores estão hospedados. No Brasil os internautas têm acesso a todos estes serviços digitais. Isto não significa que estes empreendedores estão oferecendo estes serviços para os brasileiros.

Ter acesso no Brasil a um serviço através da Internet é muito diferente do que ter um serviço ofertado no Brasil. Apenas quando a empresa WhatsApp que não é a empresa Facebook estabelecer uma sede no território brasileiro e oferecer serviços aos brasileiros é que os serviços oferecidos no Brasil pela WhatsApp deverão seguir a lei brasileira. Enquanto a WhatsApp e outros milhões de empresas decidem se vão estabelecer operação empresarial no Brasil a justiça brasileira deve ter clareza no entendimento de que o mero fato de ser possível o acesso a um serviço digital internacional no Brasil isto não significa que este serviço esteja sendo ofertado aos brasileiros e, portanto, que os fornecedores estejam sujeitos as leis brasileiras. Já passou da hora de melhorar o entendimento da diferença que existe entre o acesso a um serviço digital disponível através da Internet e a oferta de um serviço digital no Brasil. Precisamos urgentemente superar o atraso intelectual.

Alguns partidários do atraso intelectual buscam dourar a pílula do impacto do bloqueio do WhatsApp executando uma matemática econômica simplificada. O artigo “Além de tudo, poderia ter custado R$ 206 milhões à economia brasileira” (http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=2255, acessado em 21/07/2016) é um exemplo clássico da simplificação que gera equívoco. A causa da liberdade de expressão precisa ser sustentada pela retidão dos argumentos. No artigo, foram estimadas as perdas financeiras do bloqueio do WhatsApp. A solução adotada para calcular as perdas é bastante criativa, mas infelizmente é falaciosa.

O WhatsApp foi bloqueado, mas as pessoas tinham à sua disposição várias outras ferramentas de comunicação como o Skype, Telegram, SMS e ligações de voz. Isto significa que as perdas causadas pelo bloqueio do WhatsApp não estão relacionadas com a impossibilidade de comunicação. As perdas estão relacionadas com o custo da troca da ferramenta de comunicação. Por exemplo se a solução de comunicação para o bloqueio do WhatsApp for uma chamada de voz de celular pré-pago, o custo da comunicação sai do praticamente zero do WhatsApp para cerca de R$ 1 do minuto de pré-pago de ligação local.


Vários negócios ficam inviabilizados com esta estrutura de custos e serão encerrados se este for o novo normal dos custos de comunicação. Quando olhamos o tamanho das micros e pequenas empresas no emprego fica claro que se elas forem inviabilizadas pelo bloqueio do WhatsApp o impacto no emprego nacional será gigantesco.  Desemprego em massa em um país em recessão gera perdas de arrecadação e desequilíbrio fiscal. As perdas potenciais podem superar 1% do PIB. É muita coisa para ser decidido isoladamente por um juiz. 

quinta-feira, 9 de junho de 2016

O futuro do emprego: Vencedores e Perdedores

Emprego na Quarta Revolução Industrial (QRI)

O Cezar Taurion e outros evangelizadores de governança de Tecnologia de Informações e Comunicações apresentaram os seguintes números sobre o emprego.

Foi revelado que em 1990 as três maiores montadoras de automotivas tinham valor de mercado de US$ 36 bilhões com faturamento anual de 250 bilhões de dólares e empregavam 1,2 milhão de pessoas. As três maiores empresas do Vale do Silício tinham um valor de mercado em 2014 de 1 trilhão de dólares com faturamento anual de aproximadamente 250 bilhões de dólares e empregavam apenas cerca de 140 mil funcionários.
Fonte: A realidade já é exponencial, http://cio.com.br/opiniao/2016/02/29/a-realidade-ja-e-exponencial/, acessado em 08/06/2016

Foi revelado que a probabilidade média de ter o trabalho automatizado é de 31% para quem recebe entre US$ 20 e US$ 40 por hora. Para quem recebe US$ 20 por hora a probabilidade sobre para 83%.
Fonte: Robôs também deverão roubar os empregos mais bem pagos, prevê EUA, http://idgnow.com.br/ti-corporativa/2016/02/24/robos-tambem-deverao-roubar-os-empregos-mais-bem-pagos-preve-eua/, acessado em 08/06/2016

Foi revelado que o estudo “The Future of Employment: How susceptible are Jobs to Computerisation?”, estimou que 47% dos atuais empregos nos Estados Unidos. As profissões de motoristas de caminhões, táxis e ônibus, estagiários de advocacia, jornalistas, auditores, desenvolvedores de software, administradores de sistemas de computação e etc. estão ameaçadas.
Fonte: Quarta Revolução Industrial aniquilará milhões de empregos, inclusive o seu, http://computerworld.com.br/quarta-revolucao-industrial-aniquilara-milhoes-de-empregos-inclusive-o-seu, acessado em 08/06/2016.
Foi afirmado que aproximadamente 30% das auditorias corporativas serão realizadas por sistemas inteligentes em vez de por auditores humanos.
Fonte: É hora de olhar para 2025 e para os pontos de inflexão da sociedade digital, http://cio.com.br/opiniao/2016/02/15/e-hora-de-olhar-para-2025-e-para-os-pontos-de-inflexao-da-sociedade-digital/, acessado em 08/06/2016.

Foi revelado que o artigo “Do We Need Doctors or Algorithms?” afirmou que os sistemas inteligentes e robôs substituirão 80% dos médicos americanos. Também foi revelado que o artigo “Armies of Expensive Lawyers, Replaced by Cheaper Software" estimou que serão necessários menos advogados, pois as funções de fazer buscas nos documentos ou analisar casos similares serão feitas por algoritmos. Também foi revelado que algumas reportagens financeiras foram escritas por robôs como afirmado no artigo “AP´s “robot journalists” are writing their own stories now". Também foi revelado que as funções de Programming by Optimisation e depuração automática de código poderão ser automatizadas.
Fonte: Alerta em Davos: A Quarta Revolução Industrial já chegou, http://cio.com.br/opiniao/2016/01/25/a-quarta-revolucao-industrial-ja-chegou/, acessado em 08/06/2016.

Foi revelado que a otimização do uso de tecnologias e competências digitais pode injetar US$ 2 trilhões na produção econômica mundial até 2020. Também foi revelado que um aumento de 10 pontos na densidade digital resultaria em um aumento de US$ 368 bilhões no PIB de 2020 dos Estados Unidos (1,8% acima que as previsões atuais).
Fonte: Digital pode injetar US$ 2 trilhões na economia global até 2020, http://computerworld.com.br/digital-pode-injetar-us-2-trilhoes-na-economia-global-ate-2020, acessado em 08/06/2016.

São números eloquentes, mas eles não são suficientes para explicar o fenômeno do emprego na QRI. O autor Jeremy Rifikin apresentou no livro “Sociedade com Custo Marginal Zero” apresentou números que somados aos revelados anteriormente são capazes de explicar as mudanças nos empregos.

Foi afirmado que a venda de robôs aumentou 43% nos Estados Unidos e na Europa em 2011 (página 151).
Foi afirmado que o novo sistema automatizado se for bem-sucedido vai eliminar 50 mil empregos para produzir uniformes militares (páginas 151 e 152).
Foi afirmado que o emprego nas fabricas respondia por 163 milhões de postos de trabalha em 2003 deverá encolher para alguns milhões em 2040 (pagina 152).
Foi afirmado que existem atualmente 2,7 milhões de caminhoneiros nos Estados Unidos e que em 2040 os veículos sem motorista podem eliminar grande parte dos caminhoneiros (pagina 153).
Foi afirmado que com o novo software de busca (família e-discovery) um único advogado pode fazer o trabalho de 500 colegas com maior precisão (pagina 157).
Foi afirmado que trabalhadores do conhecimento como radiologistas, contadores, gerentes, designers gráficos e profissionais de marketing estão com os seus empregos ameaçados por causa dos softwares de reconhecimento de padrões (pagina 157).
Foi afirmado que um software compara a estrutura de uma música com as músicas já gravadas e avalia o seu potencial para chegar no topo da parada (pagina 157).
Foi afirmado que um software avalia os roteiros de filmes para prever os sucessos de bilheteria da indústria cinematográfica (página 157).

Não é difícil perceber que a revolução dos sensores está alterando à lógica do emprego e do perfil profissional. Atividades de marketing auditoria saúde e etc. vão ser realizadas por computadores até o ano de 2020. É evidente que vários perfis profissionais vão ser eliminados do mercado em um prazo razoavelmente curto. Apesar do aspecto negativo, o fenômeno do emprego é positivo. Empregos ligados aos aspectos mais intelectuais do ser humano vão ser criados em grande quantidade. As pessoas vão poder usar as suas melhores potencialidades nas suas atividades profissionais. Um exemplo bem simples desta mudança será visto com a popularização das impressoras 3D. Um designar de cadeira vai poder oferecer o seu trabalho para o mundo todo. Se a sua economia local está degringolando em uma depressão como a brasileira, o profissional será menos afetado. Com a internet ele pode exportar o seu conhecimento para países em crescimento e com alta demanda. Este mesmo profissional poderá formar cadeias produtivas ao se associar a um engenheiro para desenvolver cadeiras mais resistentes com design inovador.

As redes sociais vão cada vez mais abrir espaços para que os talentos da era do conhecimento criem estruturas virtuais para concorrer em condições de igualdade com fabricantes locais. Olhando para o outro lado da moeda é possível também desmentir nesta revolução que as lojas e os vendedores físicos estão condenados à extinção. Certamente teremos impactos como consequência da indústria abrir lojas virtuais para a comercialização dos seus produtos. No entanto, as lojas generalistas físicas não estão fadadas à falência. Será cada vez maior a tendência das pessoas experimentarem os produtos nas lojas físicas e comprarem nas lojas virtuais.

Um dos motivos desta tendência é o menor preço das lojas virtuais para o mesmo produto. Alguns comércios físicos estão reagindo ao oferecer a compra do produto na loja virtual e a sua entrega na loja física. Em pouco tempo o mercado vai estabelecer um ponto de equilíbrio onde o preço na loja física será o mesmo da loja virtual. É claro que tal solução não resolve todos os problemas, pois existirá igualdade de preços apenas entre os produtos iguais de uma mesma loja virtual e presencial.

O vendedor da loja presencial que utiliza apenas o estratagema de oferecer descontos para convencer os consumidores, vai perder espaço neste novo mundo. Ele vai precisar fazer mais do que um algoritmo digital e demonstrar paixão pelos produtos que vende. Muitas vezes o vendedor terá que comparar produtos semelhantes, explicar objetivamente as diferenças de preços e até mesmo falar das suas preferências pessoais com honestidade. Estes aspectos vão diferenciar os vendedores das lojas presenciais dos algoritmos das lojas físicas.

A concorrência entre as lojas dos fabricantes e as do varejo vai acontecer na comparação entre os produtos e na inteligência do vendedor. Quanto maior for a sua capacidade de escutar o seu cliente e respectivos influenciadores maior será a capacidade profissional do vendedor e a sua diferenciação. Existem pessoas que são influenciadas por amigos e parentes na sua decisão de compra. Muitas levam os seus influenciadores nas suas compras. Os algoritmos das lojas virtuais ainda não conseguem capturar estes casos, por isto, os vendedores preparados das lojas presenciais têm esta vantagem a seu favor.

Na área da saúde, muitos empregos também vão mudar de perfil. Os algoritmos da computação cognitiva são uma importante ferramenta para os médicos. A computação cognitiva pode comparar milhares de casos similares em segundos e entregar um relatório navegável ao profissional de saúde. Os médicos podem analisar as informações, fazer comparações e gerar hipóteses que podem ser pesquisadas pelos computadores. A interação dinâmica e amigável em diversas interfaces permite que o médico faça uma pesquisa complexa em alguns minutos e ofereça diagnóstico e opção de tratamento com enorme precisão. O acompanhamento em tempo real do tratamento e da evolução do paciente permite que o médico ajuste os procedimentos conforme as reações individuais do paciente.

O sistema de saúde aumenta o seu nível de integração com a computação cognitiva pois o controle de estoque (medicamentos e insumos hospitalares) e de solicitações são realizados e acompanhados em tempo real. A efetividade do sistema aumenta enormemente e os custos podem ser reduzidos dramaticamente. A integração dos algoritmos entre todos os membros da cadeia produtiva com projeções preditivas da demanda futura de curto, médio e longo prazo melhora a logística e reduz o tempo de permanência dos pacientes nos estabelecimentos de saúde.

A união da computação cognitiva com os sistemas de hospedagem dos hospitais e instituições similares permite um melhor planejamento até mesmo das emergências inesperadas. É possível distribuir os pacientes conforme a disponibilidade em tempo real do sistema e prever rapidamente a capacidade de curto prazo. A computação cognitiva vai poder informar os atendentes de campo como policiais, paramédicos, bombeiros, defesa civil e etc. o melhor local para levar os acidentados em tempo real e em conformidade com o diagnóstico inicial do paciente. Tudo isto será feito para que as pessoas sejam atendidas no menor tempo possível conforme a sua necessidade de cuidados. A logística de transporte e de intervenções nos sinais de trânsito são dois dos aspectos considerados nos algoritmos.

É fácil perceber que o momento de transição que estamos vivenciando vai tornar várias profissões redundantes até o ano de 2020. Muitos empregos sumirão e muitas atividades que até agora eram realizadas por seres humanos serão realizadas por maquinas nos próximos dez anos. Estas projeções não devem ser motivo de desespero, pois muitos empregos novos serão criados pelas tecnologias entrantes. No entanto, estes empregos exigem um perfil diferente. É preciso estar preparado para a nova década.

A Era da Máquinas Inteligentes

Thomas Hayes Davenport e Julia Kirby autores do livro "Only Humans Need Apply: Winners and Losers in the Age of Smart Machines" afirmaram que o trabalho realizado pelas máquinas inteligentes pode aumentar em vez de diminuir o mercado de trabalho para o ser humano. Muitas pessoas entendem que a Quarta Revolução Industrial vai gerar um nível elevado de desemprego. É preciso entender que as máquinas inteligentes vão mudar o estilo de vida das pessoas.

A Suíça votou uma lei para garantir um nível mínimo de renda para todos os seus cidadãos (no domingo dia 05/06/2016 os eleitores suíços rejeitaram a Renda de Base Incondicional (RBI) para toda a população). Neste novo contexto de 2026, as pessoas vão poder trabalhar fazendo o que elas gostam. Muitos estarão trabalhando em atividades onde é difícil conquistar uma renda de sobrevivência segundo os parâmetros vigentes em 2016. Eles serão artistas, escritores e etc. e vão beneficiar a sociedade e oferecer um conhecimento que até agora estava aprisionado dentro da cabeça das pessoas. O sistema de renda mínima pode ser muito mais barato que os atuais sistemas de aposentadoria pela ampliação do conhecimento da sociedade.

É evidente que as escolas e estudantes também terão que se adaptar para este novo mundo. Apesar da atual aparência de elevado grau de empregabilidade futura, muitas das atividades profissionais relacionadas com o big data e análise analítica poderão ser automatizadas e realizadas por máquinas. Em tempos de mudanças é preciso trabalhar as incertezas e explicitar que várias atividades profissionais realizadas pelos formados em ciência dos dados estão ameaçadas pelas máquinas inteligentes. Elas podem desenvolver modelos quantitativos mais rapidamente e em muitos casos melhores que os seres humanos.

É preciso ser realista com a nova formatação do mundo e do emprego. Estar na frente de batalha contra as máquinas não é uma boa escolha para a sua carreira profissional. Apesar da ênfase que muitos fazem para o crescimento da quantidade de programadores é preciso ser claro e dizer com todas as letras que dentro de poucos anos as máquinas vão estar desenvolvendo programas. Atualmente já existem softwares que são geradores de códigos como o GeneXus (http://www.genexus.com/global/inicio?pt, acessado em 08/06/2016) ou MIT App inventor (http://appinventor.mit.edu/explore/, acessado em 08/06/2016). O artigo “O software que escreve código, seu futuro e seu impacto nos negócios” (http://cio.com.br/tecnologia/2016/03/17/o-software-que-escreve-codigo-seu-futuro-e-seu-impacto-nos-negocios/, acessado em 08/06/2016) ilustra bem as perspectivas futuras dos geradores de códigos.

A linguagem natural chegará com força na era das máquinas inteligentes. As máquinas vão interpretar as ordens e gerar os códigos necessários. Os programadores vão precisar sair da atual zona de conforto e terão que aprender a gerar ideias. As ideias vão ser a mina de ouro. As escolas e estudantes vão ter que trabalhar na ciência das ideias e não mais na ciência dos dados. Nem mesmo profissões tradicionais como médicos, dentistas e advogados estão à salvo das mudanças da era das máquinas inteligentes. As incertezas para estas carreiras também são intensas. Aqueles que encontrarem os caminhos onde os seres humanos e máquinas trabalharão juntos estarão salvos das incertezas profissionais, pois esta será a estrada do aumento do trabalho. Os profissionais com carreiras de futuro vão trabalhar em conjunto com as máquinas inteligentes. Elas vão complementar as suas atividades. Também terão carreira promissora, os profissionais que se especializam nas suas atividades com tamanha profundidade que as máquinas inteligentes não consigam competir com eles.

Quem for trabalhar em conjunto com as máquinas no seu dia-a-dia vai ter que enxergar ela como um colega (a interação do George Jetson com o seu computador Referential Universal Differential Indexer (R.U.D.I.) no desenho The Jetsons é um excelente exemplo de como será este relacionamento cotidiano). Ao enxergar a máquina inteligente com um colega de trabalho é possível identificar o que ela faz bem e o que não faz bem. Desta forma o ser humano poderá intervir sempre que necessário na execução das tarefas.

Os gerentes vão supervisionar o trabalho realizado pelas máquinas inteligentes em regime de colaboração com os seres humanos. É preciso avaliar continuamente a performance do portfólio dos projetos, produtos e processos. É de fundamental importância a avaliação se é preciso aumentar ou diminuir o atual nível de automação. É preciso avaliar as necessidades e soluções em função dos diferentes tipos de automação disponíveis no mercado.

Também é de vital importância a avaliação dos próximos passos do emprego pós automação, pois é preciso desenvolver, instalar, manter e comercializar os sistemas. As empresas de tecnologia estão contratando milhares de pessoas para realizar estas atividades.

Neste contexto, os empregos para trabalhadores menos qualificados entrarão em decadência. O sistema educacional precisa ser ajustado para refletir as diferenças de formação. Em 2016 já existe uma grande desigualdade salarial entre os formados nas universidades e os não formados. Nos próximos anos este nível de desigualdade vai ser acelerado. No entanto, não deve ser ignorado que algumas profissionais vocacionais que não exigem o ensino superior serão valorizadas. Por exemplo, os empregos dos técnicos de manutenção não sofrerão grandes perdas nos próximos anos. Os empregos de outras profissões vocacionais como humoristas, cantores, artistas plásticos e etc. também não serão impactados nos próximos anos também.

Isto significa que o sistema educacional precisa melhorar a orientação para as profissões vocacionais no Brasil. É fundamental manter a mente aberta para as profissões vocacionais. No entanto, não deve ser ignorado em momento algum que muitos dos trabalhadores menos qualificados terão um final infeliz se não participarem de programas de requalificação.

Um exemplo importante de necessidade de requalificação são os empregos dos motoristas de ônibus, caminhões, carros de empresas, táxis e etc. A maioria destes empregos será varrida do mapa com os veículos autônomos (Em 2035, 21 milhões de veículos autônomos vão estar nas ruas, http://idgnow.com.br/ti-pessoal/2016/06/08/em-2035-21-milhoes-de-veiculos-autonomos-vao-estar-nas-ruas/, acessado em 98/06/2016). São milhões de pessoas que precisam ser urgentemente requalificadas aqui no Brasil. O desenvolvimento dos veículos autônomos no mundo está ocorrendo à plena velocidade. Estas pessoas precisarão de um novo sistema educacional para serem requalificadas.

O currículo escolar básico precisa mostrar para os estudantes de todas as idades os impactos que as máquinas inteligentes estão causando nos empregos. Este assunto deve ser tratado com especial consideração nas faculdades. Ainda não chegou nas faculdades de direito o ensino do e-discovery ou código preditivo ou outras tecnologias digitais. Estes temas já fazem parte do dia-a-dia dos advogados, mas não são mencionados na maioria das faculdades de direito. Temos um caso muito similar em termos de ignorar as tecnologias inteligentes nas faculdades de medicina. A construção civil brasileira vem perdendo muitos degraus na escala da competitividade por causa da escolha das faculdades de arquitetura e engenharia de ignorarem o BIM (Building Information Modeling ou Building Information Model) no seu currículo básico. O artigo Baixa produtividade da construção compromete remuneração do trabalho (http://www.fiesp.com.br/observatoriodaconstrucao/noticias/baixa-produtividade-da-construcao-compromete-remuneracao-do-trabalho/, acessado em 08/06/2016) revelou o tamanho da perda da competitividade da construção civil brasileira nos últimos anos.

Os profissionais jovens ou experientes devem ter o direito de fazer as escolhas com plena consciência das suas opções. Eles precisam conhecer quais são as condições reais dos papeis que eles vão desempenhar nas empresas para trabalhar em regime de colaboração com computadores. Caso os profissionais prefiram trabalhar sem a colaboração das maquinas inteligentes é preciso que eles conheçam quais são as possibilidades viáveis que estão disponíveis no mercado.

O sistema educacional deve encorajar permanentemente as pessoas para que elas persigam as suas paixões. As mensagens das escolas para os estudantes precisam revelar com toda a clareza que existem atividades em que o desempenho dos computadores é superior ao dos seres humanos, ou seja, não é conveniente desenvolver uma carreira profissional nestas atividades.

O conhecimento deve pautar a agenda educacional, por isto mesmo diante de um cenário onde em menos de dez anos o geradores de códigos estarão extremamente evoluídos é importante que os alunos entendam o funcionamento dos computadores e da lógica de programação (O software que escreve código, seu futuro e seu impacto nos negócios, http://cio.com.br/tecnologia/2016/03/17/o-software-que-escreve-codigo-seu-futuro-e-seu-impacto-nos-negocios/, acessado em 08/06/2016).

Para quem vive na sociedade ocidental é importante aprender línguas orientais como o Chinês e Japonês. No entanto, este conhecimento não pode ser visto como um fim nele mesmo. Aprender uma língua deve significar aprender uma cultura. A maioria dos profissionais pós 2020 vão precisar de conhecimentos em estatística, línguas e culturas. Nem todas as pessoas vão escrever algoritmos, alguns vão escrever músicas, outros roteiros de comédias, filmes e assim sucessivamente. No entanto, o uso da estatística e dos algoritmos para medir o que deu certo ou não vai ser uma constante para várias categorias profissionais.
O momento da transição entre o modelo atual e o das máquinas inteligentes precisa ser bem planejado e acordado com os trabalhadores. É preciso definir com clareza os papeis que os seres humanos vão ter que desempenhar nas oportunidades de automação para que a criatividade seja encorajada. Se a conversa for em termos de cortes e demissões por conta das máquinas inteligentes, os trabalhadores vão criar resistências e medos e as melhores oportunidades serão perdidas. É evidente que o objetivo da empreitada é reduzir o custo unitário dos itens produzidos. Esta meta pode ser alcançada com o aumento da produtividade.

Em 2016 existirão posições relacionadas com a área de
automação e cognição. São exemplos de novas profissões para onde os profissionais pré-máquinas inteligentes podem ser deslocados. Nunca devemos esquecer que as decisões tomadas pelas máquinas inteligentes precisam ser avaliadas pelos seres humanos em termos de desempenho. Os computadores não alcançarão uma performance ótima sem a intervenção humana. Em outras palavras milhões de empregos vão surgir por conta da análise cognitiva. Os trabalhadores precisam serem treinados para assumirem estas posições. Máquinas erram e falham. Será papel dos seres humanos a realização das correções.

Na área da saúde, os profissionais vão desempenhar o papel de supervisor das tecnologias automatizados. O papel dos médicos anestesistas não será eliminado, no entanto eles terão que supervisionar várias salas de cirurgia totalmente monitoradas que são operadas por máquinas. O médico anestesista desempenhará o papel de diretor de produção de uma espécie de fábrica do anestesiamento operada por robôs. Este cenário será realidade em diversas outras áreas da medicina.

Os médicos clínicos gerais terão mais capacitações. Eles poderão, por exemplo, acessar o conhecimento do melhor psicólogo através de um software cognitivo. Eles vão poder interpretar a imagem de um exame de radiologia e analisar a lesão apresentada com auxílio da inteligência cognitiva de uma máquina. Com base no exame o médico clínico geral vai poder indicar a probabilidade da lesão ser um tumor canceroso e recomendar a realização de uma biopsia. Em 2016, apenas os médicos especialistas têm capacidade para fazer este tipo de avaliação. De uma forma ou outra, a medicina vai experimentar com as máquinas inteligentes uma mudança na atual direção de necessidade crescente de especialização. A tecnologia vai nivelar o conhecimento médico no âmbito da clínica geral e vai mudar o patamar para os especialistas. Os novos especialistas ou superespecialistas vão ocupar um espaço mais abrangente e profundo que eles ocupam atualmente. Por exemplo, um radiologista vai ser um radiologista intervencionista onde ele vai exercer o papel de radiologista e cirurgião.

É evidente que a tecnologia não pode assumir todos os papéis humanos e deixar o ser humano dependente da confiabilidade dos softwares. É importante que os sistemas sejam desligados em algum momento para que as pessoas saibam trabalhar sem os computadores. As máquinas inteligentes devem colaborar com os seres humanos e não os substituírem. De uma forma ou outra, os sistemas operacionais das máquinas vão carregar valores éticos e morais dos seus desenvolvedores, especialmente quando as aplicações de inteligência cognitiva estiverem sendo executadas. Isto significa que os computadores não conseguirão responder de forma inequívoca as questões dúbias. A tradução disto é que para alguns as máquinas vão parecer gentis, para alguns outros elas parecerão intrometidas e para um outro grupo elas parecerão egocêntricas. As maquinas vão, por exemplo, insistir para que os humanos trabalhem na visão dela do mundo (mais precisamente na visão do mundo dos seus desenvolvedores). Elas vão aprender e ficar mais inteligentes dentro dos parâmetros definidos pelos desenvolvedores. Ou seja, de uma forma ou outra, alguns poucos desenvolvedores vão estabelecer para a sociedade o comportamento das máquinas. Pode ser um futuro brilhante para a humanidade, como também pode ser uma ameaça enorme para as pessoas e empregos. É preciso ter consciência que a inteligência cognitiva vai tirar a característica de neutralidade na utilização das máquinas pelos seres humanos.

segunda-feira, 28 de março de 2016

Produtividade Total dos Fatores (PTF)

Produtividade Total dos Fatores

Toda vez que o Brasil entra em crise ou em recessão profunda os temas produtividade, custo Brasil e flexibilização das leis e benefícios trabalhistas entram em ebulição na pauta da agenda nacional. Desde os anos 1980 estes três assuntos estão sendo discutidos e até o ano de 2016 inexistem respostas concretas e realistas.

Apesar do gigantesco volume de conversas inexistem acordos e consensos. Sugestões antigas são reapresentadas com novos formatos e são proferidos à exaustão discursos catastrofistas como “O Brasil vai quebrar sem as reformas (previdência social, leis trabalhistas e legislação tributária)”. Na pratica o discurso focado no medo não vem gerando consenso na sociedade. Como já ocorreu no passado, muito está sendo dito e nada acontece. As pessoas simplesmente “não compram” as propostas que são apresentadas como solução dos problemas nacionais. Em outras palavras, o Brasil entrou em “loop” nos aspectos relacionados com a produtividade da economia.

A leitura do artigo do principal evangelista do Service Desk no Brasil intitulado “Zeus e a Produtividade: sua capacidade divina de assumir várias formas” (http://www.4hd.com.br/blog/2016/03/23/zeus-e-a-produtividade-sua-capacidade-divina-de-assumir-varias-formas/, acessado em 28/03/2016) revelou que apesar de antigo, o conceito da Produtividade Total dos Fatores (PTF) ainda não foi incorporado nas conversas. O meu primo de Porto Alegre que resolveu recentemente embarcar no iate da produtividade vai reclamar e protestar.

Como todos sabemos a produtividade é o quociente entre o resultado alcançado e o esforço realizado considerando os recursos utilizados. Muitos simplificam esta equação considerando no denominador apenas os esforços e recursos físicos. Esquecem de levar em conta os valores imateriais. O resultado deste esquecimento é que muitos concluem que para aumentar a produtividade é preciso ou aumentar os resultados alcançados (por exemplo através de aumento de preços) ou reduzir a quantidade do esforço físico realizado considerando os recursos utilizados. A apresentação de apenas duas possibilidades é uma falácia que vem sendo repetida por muitos há muitos anos.

É preciso considerar o capital intelectual ou conhecimento na equação da produtividade. A PTF entra no jogo porque o capital intelectual faz muita diferença. Para exemplificar porque a produtividade total dos fatores pode representar até 60% do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de um país vou desvendar um caso bem simples e comum. Eu e o meu vizinho temos uma propriedade rural. A comparação de cada um dos átomos físicos destas duas fazendas e dos recursos para a produção revela absoluta igualdade. No entanto, apesar das igualdades físicas o meu vizinho termina a preparação do terreno um mês antes do que eu.

É fácil perceber que a produtividade dos esforços e recursos utilizados impacta o resultado final da produtividade. O meu vizinho consegue este resultado superior porque ele mapeou todo o terreno e planeja antecipadamente cada ação da sua preparação. Como eu não tenho este capital intelectual ou conhecimento eu saio para o campo com o trator com um determinado garfo e no meio do trabalho descubro que naquele pedaço do terreno eu preciso de um garfo diferente. Isto me obriga a retornar e trocar de garfo. Eu perco muitas horas realizando este procedimento. O meu vizinho que conhece em minucias o perfil do terreno, planeja as suas ações para sempre sair de casa com o garfo certo conectado no trator. O conhecimento faz toda a diferença para a produtividade.

O artigo “Produtividade e Armadilha do Lento Crescimento” (https://fernandonogueiracosta.wordpress.com/2015/04/14/produtividade-e-armadilha-do-lento-crescimento/, acessado em 28/03/2016) revelou que o Brasil padece do mesmo mal que vem fazendo a minha fazenda ser menos produtiva que a do meu vizinho. Os exemplos revelam que não sou o único que esqueceu da produtividade total dos fatores. O artigo “Baixa produtividade da construção compromete remuneração do trabalho” (http://www.fiesp.com.br/observatoriodaconstrucao/noticias/baixa-produtividade-da-construcao-compromete-remuneracao-do-trabalho/, acessado em 28/03/2016) revela o problema da baixa produtividade na construção civil no Brasil.

No texto foi afirmado que entre 2000 e 2013 a produtividade do trabalho na construção civil ficou estagnada. Ou em outras palavras, considerando toda a evolução tecnológica que ocorreu no período, a produtividade da mão de obra foi negativa. Os trabalhadores não conseguiram conquistar benefícios de produtividade com as novas tecnologias introduzidas na construção civil. Em 2013, cada trabalhador da construção civil brasileira gerou valor agregado de US$ 18.900. O valor médio dos 29 países analisados foi de US$ 57.800. Como consequência da estagnação de uma produtividade que era baixa, a remuneração do trabalhador brasileiro é a menor entre os 29 países avaliados. Em outras palavras a menor remuneração gerou como resultado o pior valor agregado.

A conclusão final é que o Brasil apresenta um dos maiores custos e preços para o metro quadrado da construção civil (Em 2015, ocupou a 39ª posição na listagem dos metros quadrados mais caros do mundo. Fonte: EUA lideram ranking das ruas com o metro quadrado mais caro do mundo, http://gq.globo.com/Prazeres/Poder/noticia/2015/11/eua-lidera-o-ranking-das-ruas-com-o-metro-quadrado-mais-caro-do-mundo.html, acessado em 28/03/2016) por causa da baixa produtividade da mão de obra e dos recursos utilizados.

Os números gritam algumas revelações. A primeira é que o aumento do preço de venda do metro quadrado da construção civil ocorrido nos últimos anos, não gerou aumento da produtividade. Ou seja, os que acreditam que podem aumentar a produtividade pela majoração do numerador da equação estão equivocados. A segunda revelação é que a redução do denominador através de baixos salários e benefícios para a mão de obra também não é capaz de aumentar a produtividade. Os números do Brasil da construção deixam bem claro que as propostas para flexibilização das leis e benefícios trabalhistas não são condição necessária e suficiente para aumentar a produtividade. É preciso ir além das atuais propostas para tirar o país da recessão.
Tenho certeza que o primo de Porto Alegre vai estrilar, mas já está na hora de ir direto ao ponto. É de fundamental importância qualificar os serviços de Tecnologia de Informações e Comunicações (TIC). Uma grande parte da evolução tecnológica da construção civil entre 2000 e 2013 está relacionada com TIC. Não podemos fazer mais do mesmo e afirmar que a produtividade da mão de obra da construção civil não avançou por causa apenas da qualificação dos trabalhadores. Uma grande parte desta estagnação é consequência direta das falhas dos sistemas de TIC e da baixa qualidade dos serviços do Service Desk.

No dia 30 de julho 2015, eu estava no Shopping Frei Caneca na cidade de São Paulo. Ao resolver tomar um café as 10 horas na loja Starbucks eu descobri que a mesma estava com o seu sistema TIC inoperante e as vendas estavam interrompidas porque não existia uma previsão para o seu retorno. Como não foi a primeira vez que presenciei tal situação eu resolvi pesquisar o impacto das indisponibilidades de TIC na produtividade brasileira.

Eu selecionei os seguintes artigos para exemplificar os problemas: “Brasileiras perdem US$ 18 milhões com indisponibilidade de aplicações”, http://computerworld.com.br/brasileiras-perdem-us-18-milhoes-com-indisponibilidade-de-aplicacoes, “Site e caixas eletrônicos do Itaú ficam fora do ar após queda de sistema”, http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2015/08/1666808-site-e-caixas-eletronicos-do-itau-ficam-fora-do-ar-apos-queda-de-sistema.shtml?mobile, “Black Friday 2014 frustra quem esperava evolução do e-commerce brasileiro”, http://idgnow.com.br/blog/circuito/2014/11/29/black-friday-2014-frustra-quem-esperava-evolucao-do-e-commerce-brasileiro/, “Caixa diz que sistema voltou ao normal e vai abrir 1 hora antes nesta sexta”, http://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2014/11/06/caixa-abre-uma-hora-mais-cedo-nesta-sexta-por-causa-de-falha-no-sistema.htm, acessados em 28/03/2016). Todos os casos mostram que as falhas de TIC reduziram a produtividade dos trabalhadores. Não são casos de falta de qualificação da mão de obra do negócio.

O caso da loja Starbucks do Shopping Frei Caneca em 30 de julho 2015 revelou também como as práticas empresariais adotadas no Brasil estão reduzindo a nossa produtividade. O Brasil não tem a exclusividade de falhas nos sistemas de TIC que impedem a abertura do caixa de uma loja. Isto também acontece nos Estados Unidos. No entanto, a cultura empresarial norte americana é bem diferente da brasileira. No nosso caso, a indisponibilidade fez com que os funcionários avisassem os clientes que a loja estava fechada. Nos Estados Unidos, a atitude é bem diferente. Mesmo com o sistema inoperante a loja é aberta e os clientes são atendidos. Isto ocorre basicamente por três motivos.

O primeiro é que se o cliente não for atendido ele vai acabar indo para uma outra loja (no meu caso eu escolhi a Kopenhagen) e existe o risco do cliente gostar dos produtos e serviços recebidos e deixar de ser seu consumidor. O segundo motivo é que ao processar manualmente todos os atendimentos, a loja é capaz de quantificar exatamente quanto ela perde por causa de uma falha de um sistema de TIC. Fica claro para os gestores qual a relação entre o custo e benefício para investimentos em segurança de TIC. O terceiro motivo é que não existe nada mais frustrante na cultura americana do que ir ao trabalho e ficar sem fazer nada por causa de um computador. Ao escolher pela operação normal. os trabalhadores não ficam ociosos e sem motivação. É frustrante estar no trabalho e simplesmente não poder fazer nada por causa de uma falha de um equipamento.

No Brasil, a escolha pelo fechamento da loja não é capaz de motivar os funcionários para serem proativos (justificar para o patrão que devem trabalhar mesmo sem condições de cobrar os clientes) porque eles não têm perspectiva de longo prazo na empresa. Se o cliente mudar para a Kopenhagen, isto não é um problema, porque quando o Starbucks começar a sofrer com a falta de clientes eles estarão trabalhando em uma outra empresa. Ou em outras palavras, a política empresarial brasileira desfavorece o crescimento da produtividade.


É bastante claro que é possível evoluir muito em termos de ganhos de produtividade sem a realização de reformas estruturais na economia (elas são contestadas por muitos trabalhadores). Existem soluções mais simples e óbvias que podem ser realizadas. Basta olhar para os países mais avançados e copiar. No caso das falhas de suporte dos sistemas de TIC, existe um enorme espaço que as empresas de tecnologia podem ocupar. No entanto, elas precisam olhar com mais atenção a questão da qualificação e acabar com o preconceito contra o cabelo branco.