quarta-feira, 29 de janeiro de 2025

Vulnerabilidade gerada pela não utilização do DDD no identificador de chamadas

O identificador de chamadas é uma funcionalidade muito importante no sistema de telefonia, pois ele permite que os usuários identifiquem a origem de uma ligação.

 

A ausência da utilização do código de área (DDD) no sistema de identificação de chamadas gera diversas vulnerabilidades, compromete a segurança dos usuários e reduz a efetividade da comunicação.

 

Importância do uso DDD no identificador de chamadas

 

O DDD permite que os usuários saibam se receberam uma ligação local e interurbana e a sua não utilização pelo identificador de chamadas mascara a origem da chamada e gera uma estrada de oportunidades para os golpes digitais.

 

Recentemente recebi uma ligação que era um golpe digital cujo DDD era 019 e o número do gerente de atendimento. O identificar de chamadas ignorou o DDD e apresentou na tela a ligação como sendo do gerente do banco.

 

Só não caí no golpe porque estava ocupado e não atendi a chamada, mas caso tivesse atendido eu acharia que foi uma ligação do banco. Só percebi a falha do identificador de chamadas quando sobrou tempo para ligar para o banco.

 

Neste momento percebi que era uma ligação vinda do DDD 019. Dei sorte neste episódio, mas resolvi escrever esta postagem que que todos tomem cuidado com o que o identificador de chamadas registra na tela do celular.

 

Vulnerabilidades

 

Falsificação de Identidade

 

A ausência do uso do DDD facilita a falsificação de números de telefone por indivíduos mal-intencionados, fazendo com que uma chamada aparenta ser originada de uma localização diferente da real.

Esta prática está sendo explorada em fraudes e golpes, onde o atacante se passa por uma entidade confiável para obter informações sensíveis do destinatário.

 

Solução

 

Para mitigar esta vulnerabilidade, é essencial que os sistemas de identificação de chamadas sejam projetados para incluir o DDD na sua análise.

 

Conclusão

 

A não utilização do DDD no identificador de chamadas gera diversas vulnerabilidades que podem comprometer a segurança e a eficiência do sistema de telefonia.

 

Para proteger os usuários e garantir o funcionamento adequado do sistema de comunicação é preciso implementar medidas para assegurar a inclusão do DDD no identificador de chamadas.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2025

Novo ano, novos eventos?

Daqui a pouco começa a temporada de eventos de tecnologia. O Brasil há muito tempo caiu na armadilha da mediocridade onde ou o obvio, ou os conteúdos ultrapassados ou as opiniões sem embasamento logico ou “fatos” nunca comprovados foram ditos.

 

É comum as situações em que pessoas viraram especialistas de disciplinas que não entendem e que nunca realizaram conquistas minimamente relevantes.

 

Os eventos de tecnologia no Brasil viraram nos últimos dez anos conteúdo do blábláblá em que muita coisa é dita e nada é relevante e útil. Alguns elogiam entusiasticamente estes eventos, mas qualquer comparação entre os eventos nos Estados Unidos e Europa revelam a mediocridade absoluta vivenciada no território nacional.

 

É claro que temos uma ou outra exceção, mas elas estão ficando cada vez mais raras.

 

Recentemente em um evento de apresentação dos resultados do agronegócio brasileiro escutei a repetição de um conceito falso que muitos expressam sem nenhum tipo de vergonha.

 

Mais uma vez foi afirmado que o Brasil é um exportador de comodities agrícolas e um importador de tecnologia.

 

A produção e distribuição de alimentos para os mercados mais evoluídos exige a demonstração de diversos controles. São controles sobre o rastreamento da produção dos alimentos, dos insumos utilizados, da legitimidade dos recursos humanos envolvidos na cadeia de suprimentos, na preparação do solo, no controle do uso de pesticidas etc.

 

Todos estes controles exigem um intenso uso de tecnologia e de mão de obra especializada, ou seja, quando o Brasil exporta soja, carne, café etc. o país também está exportando a tecnologia dos serviços realizados por analistas  brasileiros.

 

Os números podem não ser explícitos, mas estão todos disponíveis para serem processados e incorporados nas contas nacionais.

 

O fato de muitos não saberem fazer corretamente as contas das exportações de comodities não significa que os resultados não foram alcançados. Significa apenas, que a mediocridade ainda está presente no ambiente de negócios tupiniquim.

 

Quando uma empresa dos Estados Unidos que desenvolve soluções para os meios de pagamentos afirma que os golpes relacionados com o Pix devem quintuplicar nos próximos três anos e ultrapassar a casa de 11 bilhões de reais, fica claro que existem falhas graves na educação digital dos brasileiros.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2025

O que é Agentic AI?

A inteligência artificial esteve presente em toda a Consumer Electronics Show (CES) de 2025.

 

O conceito “Agentic AI” dominou as conversas no último semestre de 2024 e foi um tema de elevadíssima temperatura na CES.

 

O que é Agentic AI?

 

A Agentic AI usa recursos iterativos para resolver os problemas sem a intervenção humana.

 

A Agentic AI trabalha com uma grande quantidade de informações de várias fontes para analisar os problemas de forma autônoma para otimizar a cadeia de suprimentos, ou analisar as vulnerabilidades digitais de um sistema e ou para ajudar os profissionais na solução de desafios demorados.

 

Como funciona a Agentic AI?

 

Os agentes coletam e processam dados de várias fontes (sensores, bancos de dados e interfaces digitais), ou seja, captura de recursos, reconhecimento de objetos, identificação de entidades relevantes etc.

 

O grande modelo de linguagem é o regente da orquestra que é capaz tanto de entender a tarefa que será realizada, quanto gerar soluções, quanto coordenar modelos de funções específicas (criação de conteúdo, processamento de visão, sistemas de recomendação etc.).

 

A integração do sistema inteligente com ferramentas e softwares externos por meio de interfaces e protocolos permite que a Agentic AI execute as tarefas com base nos planos formulados.

 

Sistemas de proteção podem ser incorporadas aos agentes para garantir que a Agentic AI execute as tarefas corretamente. Por exemplo, um agente inteligente de atendimento ao cliente pode processar as reclamações até um determinado valor.

 

A Agentic AI melhora continuamente por meio da realimentação (os dados gerados pelas interações são alimentados no sistema para aprimorar o modelo).

A capacidade de adaptar e de ficar mais efetiva ao longo do tempo da Agentic AI habilita a criação de uma ferramenta poderosa para impulsionar a melhoria da tomada de decisão e da eficiência operacional.

 

Exemplos:

 

Agentic AI como desenvolvedor de soluções, aplicações e softwares (seguradora aumentou a sua produtividade de desenvolvimento pela automatização do trabalho de manutenção e migração de código).

 

Agentic AI como personagem de jogos (foi criada uma cidade virtual povoada com IA aonde os usuários podiam interagir com os agentes para compartilhar informações, construir relacionamentos, realizar atividades em grupo etc.).

 

Agentic AI como escritores (uso de assistentes inteligentes para corrigir a gramática do conteúdo em várias línguas e para criar textos claros e objetivos).

 

Agentic AI como assistente de seguros (agente inteligente automatiza 90% dos sinistros permitindo que os avaliadores humanos se concentrem nos casos complexos).

 

Agentic AI no varejo presencial e online (agente inteligente integrado na cadeia de suprimentos do varejista para prever flutuações na demanda e agilizar o gerenciamento de estoque, ou seja, aumento das vendas e melhoria da eficiência operacional).

quarta-feira, 8 de janeiro de 2025

Óbvio e ululante

Será que é preciso repetir veemente o que é óbvio? Eu sei que existem alguns que preferem destacar conceitos que todos sabem ao invés de aprofundar a busca por soluções.

 

Os investimentos em Inteligência Artificial (IA) seguem a mesma lógica de todos os investimentos realizados na face terrestre, ou em outras palavras é preciso fazer o plano de negócio para os investimentos em IA.

 

O plano de negócio é uma ferramenta que responde objetivamente se é necessário fazer os investimentos (a organização precisa fazer este investimento neste momento? O resultado esperado endereça as necessidades de curto, médio e longo prazo? O investimento resolve quais ameaças ou riscos? O investimento gera quais oportunidades? O investimento impacta positivamente os processos internos? O investimento é uma decisão baseada em fatos e números? Qual o impacto do investimento na rotina da equipe? O investimento gera riscos e ameaças novas? O investimento permite a evolução do canal de comunicação com os clientes, fornecedores, parceiros, comunidade etc.? O investimento exige novo treinamento para os recursos humanos? O investimento agrega valor?  O mercado está fazendo investimentos semelhantes? O investimento pode ser gradual? O investimento facilita a inovação? O investimento cria diferencial competitivo?).

 

Todas estas perguntas e muitas outras são respondidas durante o desenvolvimento do plano de negócio do investimento.

 

Acredito que em 2025, já não existem duvidas sobre a obviedade de fazer um plano de negócio para todos os investimentos das organizações (é importante destacar neste momento que existem investimentos de valor tão baixo que é redundante fazer uma plano de negócio para eles).

 

 

 

 

 

 

quarta-feira, 18 de dezembro de 2024

Inteligência no Brasil

O que os artigos “Em IA, Brasil pensa pequeno, e a Índia sonha gigante” (https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ronaldolemos/2024/12/em-ia-brasil-pensa-pequeno-e-a-india-sonha-gigante.shtml, acessado em 16/12/2024), “'Meu coração dava uns trancos, e um aparelho com IA ajudou a diagnosticar” (https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2024/12/15/meu-coracao-chegava-a-220-batimentos-e-fui-salva-por-aplicativo-com-ia.htm), “Brasil 2 x 0 Big Tech: os sete dias de derrotas de Google, Meta e companhia” (https://www.uol.com.br/tilt/colunas/helton-simoes-gomes/2024/12/13/brasil-2-x-0-big-tech-a-semana-de-derrotas-de-google-meta-e-companhia.htm) tem em comum?

 

Todos eles detalham questões importantes sobre a inteligência artificial no Brasil e sobre a sua estratégia de governança.

 

No primeiro artigo, o autor revelou como o PIB da Índia cresceu em relação ao Brasil e mostrou que a estratégia usada pela Índia para alcançar resultados tão significativos em pouco tempo foi a criação de uma excelente engenharia de desenvolvimento.

 

O segundo artigo revelou que apesar do nível de excelência da medicina cardíaca brasileira, foi preciso buscar uma tecnologia no exterior para criar um sistema inteligente de monitoração cardíaca.

 

O terceiro artigo revelou como o Brasil gosta de enxergar vitórias onde existiram derrotas.

 

O país precisa urgentemente deixar de lado a cultura do atraso e investir no desenvolvimento de aplicações de inteligência artificial que gerem empregos e riquezas.

 

As empresas americanas seguirão as leis americanas e assim sucessivamente, ou seja, o Brasil apenas criará situações de conflito quando ele resolver legislar contra as leis do país sede das Big Techs.

 

A sociedade e os políticos deveriam concentrar os seus esforços na criação de uma real engenharia de desenvolvimento que seja capaz de entregar ao mercado consumidor produtos e serviços inteligentes.

 

As falhas operacionais são gritantes em todo o território nacional e elas são gigantescas oportunidades de melhoria com o uso de sistemas inteligentes.

terça-feira, 10 de dezembro de 2024

Produtividade (mais uma vez)

O artigo “É a produtividade, estúpido!” (https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2024/12/e-a-produtividade-estupido.shtml?utm_source=sharenativo&utm_medium=social&utm_campaign=sharenativo, acessado em 10/12/2024) revelou que o trabalhador americano gasta 1 hora para executar uma determinada tarefa e o trabalhador brasileiro gasta 4 horas para realizar a mesma tarefa.

 

O autor do artigo explicou que nos Estados Unidos o operário trabalha com equipamentos e tecnologias modernas e o brasileiro trabalha com equipamentos e tecnologias mais antigas.

 

Ele também atribuiu a baixa produtividade nacional com o nível de qualificação dos trabalhadores, com o custo da energia elétrica, com as falhas frequentes na rede elétrica e com a elevada carga tributária no Brasil.

 

Todos os aspectos apontados são validos, no entanto, eles são capazes de explicar a diferença de quatro vezes em favor dos americanos?

 

É fácil perceber que o nível de capacitação do americano é maior que o brasileiro, mas claramente não é quatro vezes maior. O raciocínio vale também para a energia elétrica e carga tributária.

 

O artigo “Brasil liderou produtividade agropecuária mundial entre 187 países de 2000 a 2019, segundo levantamento” (https://www.cnnbrasil.com.br/economia/macroeconomia/brasil-liderou-produtividade-agropecuaria-mundial-entre-187-paises-de-2000-a-2019-segundo-levantamento/) revelou que entre 2000 a 2019, a produtividade da agropecuária brasileira aumentou 3,1% ao ano e a produtividade da agropecuária americana aumentou 0,2% ao ano.

 

Que disparate é este?

 

O setor da agropecuária brasileira está submetido as mesmas restrições dos outros setores da economia nacional em relação ao nível de capacitação dos trabalhadores, ao custo da energia elétrica, as falhas da rede de elétrica e a carga tributária e mesmo assim a sua produtividade cresceu entre 2000 e 2019 a uma taxa anual mais de quinze vezes maior que o setor da agropecuária dos Estados Unidos.

 

Não é difícil perceber que as explicações dadas para a baixa produtividade do trabalhador brasileiro estão descoladas da realidade dos fatos, pois se um setor da economia consegue resultado expressivo então todos os setores podem conseguir um resultado semelhante.

 

A postagem “Não, não, não! A tecnologia não é um novo messias, CEO!!!” (https://www.4hd.com.br/blog/2024/12/04/nao-nao-nao-a-tecnologia-nao-e-um-novo-messias-ceo/) ilustra com propriedade o que eu entendo ser o real motivo da produtividade baixa do brasileiro.

 

Muitos acreditam que apenas a troca de tecnologia é o suficiente para evoluir a produtividade do empreendimento, ou seja, não enxergam que é preciso revisitar ao mesmo tempo os processos e práticas empresariais e o nível de capacitação dos trabalhadores para melhorar a produtividade.

 

 

quinta-feira, 28 de novembro de 2024

Melhores perguntas. Melhores respostas.

A Pesquisa “Large Language Model Influence on Diagnostic Reasoning. A Randomized Clinical Trial” (https://jamanetwork.com/journals/jamanetworkopen/fullarticle/2825395, acessado em 25/11/2024) revelou que os médicos que usaram os recursos da ChatGPT Plus (Large Language Model) alcançaram média de aproveitamento nas soluções dos casos clínicos de 76% e os médicos que usaram os recursos convencionais alcançaram média de 74%.

 

Os autores da pesquisa descreveram os mesmos seis casos clínicos dos médicos para a inteligência artificial alcançaram o resultado de 95% de aproveitamento.

 

É fácil perceber pelo estudo que os médicos selecionados para a pesquisa não souberam explorar o todo o potencial do ChatGPT Plus nas suas perguntas.

 

Estamos falando de profissionais muito bem capacitados, com bom nível de experiência profissional e muito inteligentes que não foram capazes de elaborar as perguntas corretas para solucionar os casos clínicos.

 

O Russel Ackoff que era chamado de mestre pelo Peter Drucker, mostrou com muita clareza que sabedoria (resposta ao porquê) não é o mesmo que conhecimento (resposta ao como).

 

Os profissionais mais experientes dotados da capacidade sabedoria estão obtendo resultados muito mais expressivos com o uso da inteligência artificial do que os mais jovens.

 

A inteligência artificial é uma das raras tecnologias em que o resultado alcançado depende da sabedoria do usuário, ou seja, quem faz melhores perguntas recebe melhores respostas.

 

Já existem no Brasil empresas que estão treinando os seus profissionais para usar a inteligência artificial. Infelizmente, estas empresas ainda não perceberam que o treinamento é infrutífero se a sabedoria é restrita.

quarta-feira, 13 de novembro de 2024

Tecnologia Blockchain na indústria da moda

A tecnologia Blockchain está sendo utilizada como uma força transformadora na indústria da moda por causa da transparência e rastreabilidade aprimorada da cadeia de suprimentos.

 

A tecnologia está sendo usada no enfrentamento dos desafios do setor da moda relacionados com a falsificação, com o fornecimento ético e com o impacto ambiental.

 

O livro-razão descentralizado e imutável permite o rastreamento em tempo real dos produtos (matérias-primas até os produtos acabados), ou seja, os consumidores são informados sobre as origens dos produtos e as condições em que eles foram fabricados.

 

O ecossistema empresarial da indústria da moda está usando a visibilidade aprimorada da sua cadeia de suprimentos para melhorar a monitoração das suas práticas de sustentabilidade ambiental.

 

Os registros digitais à prova de adulteração, estão sendo usados para verificar a autenticidade dos produtos e para reduzir o risco da presença de falsificações no mercado.

 

O registro inalterável das origens dos materiais permitiu a verificação do fornecimento ético, ou seja, aumento do grau de confiança do consumidor na marca e incentivo para a adoção de práticas de fornecimento mais responsáveis.

 

A rede Blockchain agilizou as operações da cadeia de suprimentos, pela redução da burocracia redundante e ineficiente e pela facilitação do processo de auditoria (os certificados de transações tradicionais manuais foram substituídos por um sistema mais eficiente que conecta os produtos físicos com os registros digitais em tempo real).

 

A tecnologia Blockchain está sendo utilizada nas iniciativas de sustentabilidade, pois elas permitem que o ecossistema empresarial rastreie o impacto ambiental em toda a cadeia de suprimentos, ou seja, aumento do grau de conformidade com as práticas de redução dos desperdícios e incentivo para a economia circular.

 

O futuro do Blockchain na indústria da moda é bastante promissor, pois as empresas estão enxergando o valor agregado da transparência e responsabilidade aprimorada.

 

Os consumidores estão demandando cada vez mais por produtos produzidos de forma ética e sustentável e as marcas já perceberam a vantagem competitiva gerada pelo aumento do grau de confiança dos consumidores em relação a autenticidade dos produtos e as práticas de sustentabilidade ambiental.

 

Referências:

 

https://www.frontiersin.org/journals/blockchain/articles/10.3389/fbloc.2023.1044723/full, Exploring the potential of blockchain technology within the fashion and textile supply chain with a focus on traceability, transparency, and product authenticity: A systematic review, acessado em xx/xx/2024

 

https://supplychainstrategy.media/blog/2024/05/09/can-blockchain-help-clean-up-fast-fashion-supply-chains/, Can blockchain help clean up fast fashion supply chains?, acessado em xx/xx/2024

quarta-feira, 6 de novembro de 2024

Confiança

Os golpes digitais estão pouco a pouco minando a confiança que existe entre os brasileiros. Uma grande parte da população que caiu em um golpe digital não confia nas mensagens recebidas de diversas fontes.

 

Já existem casos de comunicações oficiais de entidades públicas serem ignoradas pelos destinatários, pois eles acharam que era golpe.

 

Foi revelado o novo golpe de enviar pelo correio cobrança de infração para os motoristas que realmente estavam no local da multa falsa (Golpe da multa falsa: como bandidos cobram por infração não cometida, https://www.uol.com.br/carros/noticias/redacao/2024/02/13/golpe-da-multa-falsa-como-bandidos-cobram-por-infracao-nao-cometida.htm, acessado em 05/11/2024).

 

O gigantesco volume de tentativas de golpes digitais está levando o já combalido sistema de confiança nacional para o colapso.

 

No passado os pais contavam para os filhos a fabula do Pedro e o lobo em que Pedro gerou tantos alertas falsos sobre a presença do lobo que quando foi verdade ninguém apareceu para ajudar.

 

A medíocre efetivamente do combate aos golpes digitais das entidades públicas brasileiras está levando para a situação em que as pessoas acreditam que as comunicações legítimas são falsas.

 

O problema de longo prazo do descaso é a falta de confiança em comunicações das corporações, governos, entidades públicas e privadas.

 

Em pouco tempo teremos a necessidade de validadores confiáveis para as comunicações aumentando assim os custos operacionais das empresas e gerando falhas e atrasos.

 

Já passou da hora do governo assumir as rédeas do combate aos golpes digitais e extirpar dos sistemas de comunicação os golpistas.

 

As perdas com golpes já ultrapassaram a casa de 150 bilhões de reais. Quanto mais ricos os golpistas forem, mais sofisticados serão os ataques e maiores danos ocorrerão ao sistema de confiança nacional.

 

É um roteiro extremamente perigoso porque a falta de confiança gera aumento dos custos e da burocracia.

 

Empresas transacionais de diversos países do setor do varejo estão vindo para o Brasil e conquistando grande espaço no mercado porque elas têm um sistema de confiança elevado.

 

Estas empresas usuárias intensas de tecnologia estão vindo com a mentalidade da matriz de automação e baixa geração de empregos.

 

A renda média dos brasileiros que já é baixa corre o risco de diminuir ainda mais por excesso de oferta por causa da eliminação de empregos pela automação.

 

O mercado de TI perderá, pois, as soluções da matriz chegarão ao Brasil como pacotes prontos.

 

Os diversos vazamentos de dados pessoais dos brasileiros permitiram o uso de pretextos falsos personalizados nos ataques digitais contra a população nacional.

 

Uma atividade simples como trocar cartões de visita em um evento profissional, pode virar uma ação perigosa se um malfeitor estiver infiltrado no evento.

 

A perda de confiança é tão grande no Brasil que a quantidade de lojas nos shopping centers que não aceitam pix por razões de segurança está crescendo exponencialmente.

 

Hoje não aceitam pix, amanhã será cartão de crédito e do banco e no futuro a moeda soberana digital nacional.

 

É preciso romper o ciclo de insegurança urgentemente.

quarta-feira, 30 de outubro de 2024

Prêmio Nobel de Economia de 2024

Recentemente, o Daron Acemoglu e Simon Johnson, do MIT (Massachusets Institute of Technology) e o James A. Robinson, da Universidade de Chicago foram agraciados com o Prêmio Nobel de Economia de 2024.

 

Os estudiosos demonstraram que existe um forte relacionamento de causa e efeito entre instituições solidas e coerentes e a evolução da prosperidade, ou seja, as sociedades com baixa conformidade com as regras e com instituições fracas tomadas por interesses de baixa competitividade não geraram crescimento, ao contrário das sociedades com alta conformidade com as regras e com instituições fortes tomadas por interesses de elevada competitividade.

 

Muitos olham para os resultados alcançados e não entendem os relacionamentos existentes de causa e efeito.

 

Nas sociedades com alta conformidade com as regras e instituições robustas e coerentes existe um elevado grau de confiança entre os agentes econômicos.

 

As regras são conhecidas por todos e todos atuam em conformidade com as leis, normas etc.

 

O elevado grau de confiança faz com que os investidores olhem as oportunidades com olhar de longo prazo, ou seja, eles investem nas regiões mais carentes atual esperando que o progresso as torne regiões de maior poder aquisitivo nos próximos anos ou décadas.

 

O Brasil, caiu na armadilha dos atalhos há muito tempo, ou seja, existe uma intensa busca de privilégios de curto prazo para os investimentos e com isto as regiões de menor poder aquisitivo praticamente não saem do lugar.

 

Os investimentos estão basicamente concentrados nas regiões de alto poder aquisitivo, pois existe um retorno de investimento no curto prazo.

 

Com isto a desigualdade vai se agravando ano após ano, por falta de recursos operacionais nas regiões mais pobres.

 

Por exemplo, a tecnologia 5G chegou nas regiões mais ricas há algum tempo no Brasil, no entanto as regiões mais pobres contam com a tecnologia 4G ou até mesmo 3G.

 

A defasagem na tecnologia de infraestrutura dos negócios tira produtividade dos negócios localizados na periferia e faz com que eles tenham desvantagens competitivas em relação aos concorrentes fisicamente localizados nas regiões mais ricas.

 

Como os agentes públicos da sociedade brasileira não atuam no sentido de impor regras de universalização dos serviços, a consequência é a existência de diversos patamares competitivos na sociedade.

 

Os patamares mais baixos estão justamente localizados nas regiões menos ricas e que mais precisam de recursos de infraestrutura para entrar em um ciclo evolutivo.

 

Os agentes econômicos privados não enxergam a periferia com uma visão de longo prazo para a atratividade empresarial, porque os responsáveis pelas leis, contratos etc. mudam de ideia conforme a conveniência do momento.

 

Já passou da hora de entender que o real problema da falta de crescimento da economia nacional está relacionado com a falta de confiança dos agentes privados nos agentes públicos da sociedade brasileira.

 

Podemos ver o efeito da confiança na evolução da prosperidade observando o resultado alcançado pela China. Em 1980, ela tinha renda por habitante no mesmo patamar da Etiópia e em 2024 a renda por habitante da China é muito maior que a do Brasil.

 

quarta-feira, 23 de outubro de 2024

Inteligência artificial e produtividade

Em 1987 o Robert M. Solow (ganhador do Nobel de economia) declarou "Você pode o computador em todos os lugares, menos nas estatísticas de produtividade", e no ano 2000 ele declarou "Agora você pode ver os computadores nas estatísticas de produtividade". Fonte: Productivity data finally shows impact of Computers, https://journalrecord.com/2000/03/productivity-data-finally-shows-impact-of-computers/, acessado em 23/10/2024.

 

Em 2024, o Acemoglu (ganhador do Nobel de economia) estimou em 0,53% o ganho de produtividade ao final de dez anos gerado inteligência artificial. Fonte: Acemoglu, Nobel de Economia, crê que impacto de IA na produtividade é baixo. Produtividade de quem?, https://investnews.com.br/colunistas/acemoglu-nobel-de-economia-cre-quem-impacto-de-ia-na-produtividade-e-baixo-produtividade-de-quem/.

 

Discordar de prêmio Nobel é sempre uma tarefa inglória. A chance de ser desmentido é gigantesca, pois estamos falando de grandes autoridades do conhecimento humano.

 

O Acemoglu chegou aos 0,53% usando a estimativa de que 20% das tarefas podem ser automatizadas e que 23% delas gerariam lucro se automatizadas. O resultado (4,6%) deve ser multiplicado pela economia real gerada Inteligência Artificial (IA), ou seja, cerca de 15%.

 

É sem sombra de dúvida uma ducha de água fria para os desenvolvedores e investidores em IA que estão buscando por resultado muito mais promissores.

 

Nada impede que o Acemoglu, faça como o Solow e revise no futuro, o resultado esperado de ganho de produtividade gerado pela inteligência artificial.

 

Em particular eu entendo a validade do resultado como ganho geral da economia, mas acredito que é preciso adicionar outros componentes nesta equação para avaliar o resultado de médio e longo prazo.

 

A IA é uma das raras tecnologias existentes em que o resultado depende da sabedoria e conhecimento do operador, ou seja, na média podemos ter ganho de 0,53%, mas na distribuição de pontos teremos casos com resultados muito melhores.

 

A conta da média, não considera a gigantesca diferença do resultado alcançado em função do conhecimento acumulado do operador. Esta diferença será incorporada por empresas e países que tenham recursos humanos de elevada sapiência.

 

Nestes casos, os ganhos de produtividade das pessoas serão repassados para as empresas e países e gerarão resultados globais de elevada monta.

 

O repasse do ganho de produtividade significa que o funcionário passa a usar o ganho de tempo na execução de novas atividades corporativas e por isto as empresas e países conseguem o famoso fazer mais com menos.

 

No caso das pessoas com dificuldades de conhecimento e sabedoria o resultado do uso da IA será praticamente o mesmo que o obtido com as ferramentas atuais (não inteligentes), pois apenas com melhores perguntas teremos melhores respostas.

 

Nestes casos, eu entendo que o resultado de 0,53% será o ganho alcançado de produtividade.

terça-feira, 15 de outubro de 2024

Custo da falta de capital intelectual

No blog existem diversas postagens sobre o custo da falta de capital intelectual no Brasil. Apesar dos avisos os erros vêm sendo cometidos recorrentemente em prazos cada vez menores.

 

Os apagões prolongados de energia elétrica vêm ocorrendo de forma cada vez mais frequente e a sociedade vem experimentando prejuízos bilionários pela falta prolongada de energia elétrica (Apagão já gerou mais de R$ 1,6 bilhão de prejuízos em SP, diz Fecomércio, https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2024/10/15/apagao-gerou-mais-de-r-16-bilhao-de-prejuizos-em-sp-diz-fecomercio.htm, acessado em 15/10/2024).

 

A agência reguladora que foi criada para assegurar a manutenção da relação custo em relação ao benefício do serviço entregue (o papel correto dela é criar ciclo contínuo de melhoria das entregas) até o momento não foi capaz de estabelecer um plano de contingência para os eventos climáticos extremos em São Paulo.

 

A agência deveria ter capital intelectual para avaliar a consistência técnica do plano de contingência das operadoras de energia e analisar se o volume de recursos é suficiente para que o plano seja de execução factível.

 

Enel contrata 11% dos 1.200 funcionários próprios prometidos após apagão de 2023, https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2024/10/enel-contrata-11-dos-1200-funcionarios-proprios-prometidos-apos-apagao-de-2023.shtml

 

Os relatos dos fatos ocorridos revelam que se o plano de contingência existe, ele não é de execução factível. Um caso chamou a atenção do blog.

 

Em uma situação de reparo, os funcionários estavam tentando acionar um equipamento com uma vara, mas não conseguiam porque não estavam enxergando por falta de iluminação.

 

Os funcionários pediram ajuda da população para conseguir uma lanterna. Como era preciso uma lanterna muito potente, ninguém tinha.

 

É mais do que evidente que a equipe de suporte dos funcionários de rua tem que entregar um kit com todas as ferramentas necessárias para a manutenção. Assim o reparo é o mais rápido possível e existe elevada produtividade.

 

A falta de preparo e planejamento é tão evidente que muitos estão culpando a terceirização da mão de obra pela demora da recuperação da energia.

 

Existem evidentes problemas com a terceirização da mão de obra, mas ela não é responsável pelo plano de contingência ineficaz e por estratégia de contrato ineficiente.

 

Enel deixou de investir R$ 602 milhões previstos para SP, aponta Promotoria, https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2024/10/enel-deixou-de-investir-r-602-milhoes-previstos-para-sp-aponta-promotoria.shtml.

 

Em um contrato de 30 anos os investimentos em melhorias do sistema estão concentrados nos anos iniciais para que exista retorno de investimento positivo.

 

A partir da segunda metade do contrato os investimentos são concentrados apenas na manutenção (ou lenta deterioração) da qualidade das entregas.

 

Em outras palavras, a agência reguladora deve fazer a licitação para a concessão por volta do ano 15 do contrato atual de 30 anos para que os investimentos em melhorias sejam realizados pela empresa que irá assumir o serviço no futuro e a atual prestadora fique focada apenas na manutenção da qualidade das entregas.

 

Muitos vem apontando o encerramento do cabeamento como solução para os apagões gerados pelos fenômenos climáticos extremos.

 

Estas pessoas ignoram o fato de que o apagão nas regiões de Higienópolis, Santa Cecília e da Rua 25 de Março ocorreu por falhas nos equipamentos subterrâneos, que o custo para soterrar toda a fiação elétrica em São Paulo ultrapassa a casa de R$ 80 bilhões, que a tarifa iria aumentar quase seis vezes e que o prazo seria muito longo por causa das interdições no trânsito.

 

Muito mais inteligente e barato é a criação de pequenas fazendas de energia solar com baterias que assumiria a entrega de energia elétrica quando a fonte principal falhar e incentivar casas e edifícios para criar a sua própria ilha de energia solar com baterias para alimentar os circuitos quando a fonte principal falhar.   

quarta-feira, 9 de outubro de 2024

Mais um golpe

Recentemente, eu recebi os detalhes de mais um golpe que está sendo praticado no território nacional. Todos os golpes digitais são prejudiciais à economia brasileiro, mas este em particular tem o potencial de destruir uma parte importante do nosso sistema produtivo.

 

O artigo “Faturamento do crime digital é 40% maior do que verba das polícias do país” revelou que os crimes digitais superaram a casa de R$ 190 bilhões por ano no Brasil (https://noticias.uol.com.br/colunas/jose-roberto-de-toledo/2024/09/04/faturamento-do-crime-digital-e-40-maior-do-que-verba-das-policias-do-pais.htm, acessado em 08/10/2024).

 

Para comparar o tamanho do problema dos golpes digitais, o censo realizado pela Abrasce revelou que os shopping centers faturaram R$ 194,7 bilhões em 2023 (Em um ano com grandes desafios, o setor fecha com mais lojas, empregos, fluxo e recorde de vendas, https://revistashoppingcenters.com.br/capa/censo-brasileiro-de-shopping-centers/#:~:text=Shopping%20centers%20faturam%20R%24%20194,pot%C3%AAncia%20do%20segmento%20na%20economia).

 

As informações que recebi o golpe são preocupantes, porque se nada for feito uma parte significativa do setor de serviços nacional poderá ser inviabilizada.

 

O golpe usa os “serviços de informações” (aliás o STF deveria atentar que muitos não têm representantes no Brasil e não seguem as legislações nacionais de proteção de dados) e conseguem informações sobre a vítima e do seu parentesco próximo (nomes, CPF, endereços etc.) usando como chave de pesquisa o número do celular.

 

Os chamados “serviços de informações” alegam que apenas compilaram as informações públicas dos brasileiros. O fato de uma praça ser um ambiente público não significa que eu posso ir lá e construir a minha casa.

 

É mais do que evidente que é preciso autorização do dono dos dados pessoais para que o “serviço de informações” possa explorar a venda deste serviço.

O Supremo Tribunal Federal que usou a letra lei brasileira para punir e bloquear o X deve usar a mesma régua contra as outras plataformas que não seguem a lei brasileira.