terça-feira, 10 de agosto de 2021

Fatos e achismos

Algumas pessoas confundem fatos com achismos. A dificuldade de entendimento é tão grande que alguns confundem um programa de recompensas (compras recorrentes para virar categoria diamante) com Gamification.

 

O rompante de soberba é muito grande. Existem os que afirmam que que muitas pessoas precisam aprender como implantar uma base de conhecimento.

 

Os mercadores, ignoram que existem técnicas, ferramentas, métodos, metodologias etc. disponíveis no mercado para implantar uma base de conhecimento desde a segunda metade dos anos 1990s. São mais trinta anos de vastos recursos disponíveis.

 

Não é difícil perceber que durante todo este tempo foram raríssimos os casos nacionais de implantação bem-sucedida de uma base de conhecimento. O pequeno histórico dos sucessos nesta seara tem um nome em comum.

 

Apenas para ilustrar porque tantos fracassos ocorreram e porque a tecnologia, os métodos, as metodologias etc. não tem o poder de tornar uma implantação de base de conhecimento em um sucesso vou resumir um caso.

 

Em 2016, um banco solicitou para o seu cliente, o recadastramento das informações pessoais para atualização da base de conhecimento (observe que estou falando de um setor da economia profundamente organizado e regulamentado). Foram preenchidos formulários e entregues copias de documentos.

 

Em 2017, o cliente resolveu consultar o banco sobre a remuneração de algumas aplicações. Ele ligou e o atendente solicitou diversas informações para confirmar que ele era ele mesmo. Uma da informações solicitadas foi a data de nascimento (posteriormente será revelado porque explicitei apenas este detalhe do atendimento).

 

Durante o processo, o atendente disse que as informações fornecidas não batiam com o cadastro e por isto a ligação seria encerrada. Foram feitas três tentativas de contato naquele dia. A resposta foi sempre a mesma do primeiro contato.

 

Como o cliente tinha outras opções, ele consultou as aplicações em outras instituições financeiras e praticamente desistiu de trabalhar com aquele banco.

 

Em 2021, passados cinco anos do recadastramento, ele recebeu um e-mail do banco felicitando pelo aniversário em um dia que não era o aniversário dele.

 

Ele informou o fato ao gerente da conta dele. O gerente informou que o cadastro dele estava errado e ele iria corrigir com base na documentação que foi enviada para o banco em 2016.

 

Passados cinco anos, o cliente descobriu por que não conseguia transacionar com aquele banco. A data de nascimento foi cadastrada errada na base de conhecimento do sistema pelo funcionário do banco.

 

Erros acontecem, o real problema é que os atendentes que faziam as perguntas de segurança nunca reportaram para o gestor da base de conhecimento que uma pessoa ligou três vezes no mesmo dia, acertou nove entre dez perguntas de segurança e sistematicamente ocorria um erro na data do nascimento.

 

O motivo para não informar ao gestor da base de conhecimento era que ele não existia. Era um personagem fictício do faz de conta comandado pelos mercadores de falácias de algumas implantações que ocorrem no Brasil.

 

Hoje as dez perguntas de segurança são acertadas, porque um gerente interessado no negócio do cliente (mercado pet) resolveu fazer o trabalho. É obvio que o gerente só fez isto por interesse na captação de recursos.

 

O interesse dele é traduzido em bônus, bufunfa, gaita etc. Não é traduzido na conversa fiada de botequim dos mercadores (orgulho, fama, propósito, camaradagem, realização etc.).

 

A correção do cadastro só ocorreu porque o gerente do banco foi solicito diante da informação fornecida. E ele foi solicito porque o banco tinha interesse no dinheiro movimentado no mercado pet.

 

Sem confiança entre as partes a base de conhecimento terá o mesmo destino que ela sempre teve no Brasil. Fracasso total. Sempre existirão situações em que os mercadores de falácias mostrarão a sua visão míope, superficial e tacanha sobre um determinado assunto.

terça-feira, 3 de agosto de 2021

Promessas, promessas e mais promessas.

Quando foi o proposto o cadastro positivo compulsório a promessa era de que a taxa de juros para o consumidor cairia. Apesar da taxa de juros básica da economia brasileira, Selic, estar negativa (menor que a inflação) a taxa de juros do crédito rotativo do cartão de crédito está acima de 300% ao ano. Cadê a redução de juros prometida?

 

Quando foi proposta a desoneração dos encargos da folha de pagamento foi prometida a geração de empregos. Estamos com a desoneração da folha de pagamento e com desemprego recorde.

 

Quando foi proposta a reforma da previdência social foi prometido um crescimento do PIB de 3%. A reforma foi aprovada e o PIB cresceu bem menos que 3%.

 

Quando foi proposto o marco regulatório do gás foi prometida uma redução de até 40% do preço do gás. O marco regulatório foi aprovado e o preço do gás de cozinha subiu tanto que as pessoas estão usando lenha para cozinhar.

 

Após gastar R$ 48 milhões para abrir a caixa preta do BNDES foi admitido pelo governo que ela não existia.

 

A mais nova promessa é que o voto impresso é mais seguro. Se o voto for impresso pela urna então qual a garantia que o eleitor tem? Basta que um voto impresso desapareça para invalidar a urna eletrônica. O voto pode sumir no transporte e no armazenamento. O impacto de tal medida em uma eleição é astronômico. Não existe maior transparência. É mais uma promessa que não será entregue.

 

No livro “O salto do sapo” os economistas afirmaram que mesmo nos períodos de crescimento robusto do PIB o desenvolvimento do Brasil foi limitado nas últimas décadas. Foram apontadas diversas falhas estruturais que impediram o desenvolvimento do país.

 

Em nenhum momento foi apontada a causa raiz destas falhas. A gigantesca quantidade de promessas não entregues fez com que as pessoas perdessem a confiança nos governos e políticos.

 

É muito difícil citar uma promessa que foi entregue. A falta de confiança inibe os investimentos e gera comportamentos como retirar todo o lucro no menor prazo possível. Se tal estratagema levar o CNPJ para a morte. Paciência.

 

É por isto que damos o salto do sapo ou voo da galinha. Todos querem ganhar imediatamente e com isto a sustentabilidade do negócio é comprometida.

 

Nós vemos este fenômeno nas políticas de segurança digital. Falam em bilhões investidos em segurança e recentemente um banco foi condenado a indenizar seu cliente por causa de saques não autorizados na sua conta.

 

O ele mais fraco da cadeia determina a segurança do sistema. Se os funcionários caem em golpes digitais simplórios da engenharia social então todo o investimento em segurança é perdido. Os casos de senhas das contas anotadas no celular pessoal ou em que um criminoso ligou para o banco e conseguiu resetar a senha do cartão do banco da vítima ilustram bem a falta de capital intelectual existente no sistema.

 

Na área do helpdesk vemos pessoas conclamando os analistas para usar a base de conhecimento na solução dos problemas, mas em momento algum é dito quem vai alimentar a base de conhecimento com informações atualizadas.

 

Alguns usam jogos, prêmios e recompensas para incentivar a alimentação da base de dados. O resultado é uma cópia malfeita e desatualizada das informações disponíveis na internet.

 

Por que um analista que vai ficar um ano na empresa vai dar o seu conhecimento de graça para uma empresa? Muitos já perceberam que serão demitidos após completarem quarenta anos. A falta de confiança dos funcionários na empresa impede a alimentação correta da base de conhecimento. Por isto os analistas não usam.

quarta-feira, 28 de julho de 2021

Mais aplicações NFT

A tecnologia NFT pode ser utilizada tanto nas eleições (token único que pode ser utilizado uma única vez), como no crédito de carbono onde as empresas compram tokens para compensar as suas emissões de CO2, como na logística reversa onde as empresas compram tokens de lixo reciclado para endereçar as suas necessidades de logística reversa para as embalagens, como na estrutura societária de uma empresa onde as cotas de participação são transformadas em tokens etc.

 

Em muito breve veremos a tecnologia NFT no mercado pet. Muitas pessoas compram filhotes de cachorros. A displasia coxofemoral é uma má formação hereditária que afeta os cachorros de grande porte.

 

O NFT pode ser utilizado para que os compradores dos filhotes conheçam a sua árvore genética e possam realizar cuidados precoces para os seus pets.

 

A tecnologia também pode ser utilizada na identificação dos pets perdidos. Com ela a pessoa que encontrar um pet perdido pode escanear o NFT da origem e enviar mensagem para os seus tutores.

 

Também é possível usar o NFT como prontuário eletrônico sinalizando os cuidados, remédios, tratamentos, contatos familiares, médicos etc.  de uma pessoa gravemente acidentada.

 

Por ser único e indelével, o NFT pode ser utilizado como testamento refletindo com exatidão e sem conflitos o último desejo do falecido. Os contratos inteligentes fazem a transferência patrimonial de forma automática e autônoma após a emissão da certidão de óbito.

 

A tecnologia NFT também pode ser utilizada para assegurar a diversidade nas contratações oferendo oportunidades para todos os perfis. É possível mostrar ao mercado a execução de políticas compensatórias de inclusão de forma transparente e em tempo real.

 

A rastreabilidade dos alimentos (carnes, frutas, verduras etc. Habilitada pela tecnologia NFT permite que o consumidor final conheça todos os aspectos da cadeia produtiva. É possível saber quem desmatou, quem emitiu CO2, quem compensou carbono, quem cumpriu a legislação ambiental, trabalhista, como omo o solo foi tratado e uma infinidade de aspectos relacionados com a produção, distribuição, entrega e preparo do alimento.

 

Nos restaurantes e lanchonetes é possível saber se a refeição que será entregue atende aos requisitos de qualidade do consumidor.

 

Também a tecnologia NFT estará presente no mercado financeiro como garantia de empréstimos, financiamentos, aplicações etc. Por exemplo, uma pessoa que perdeu o seu emprego e está pagando o financiamento do seu imóvel, carro etc. pode transformar a parte que ele já pagou em tokens e alugar o restante para continuar usufruindo do bem.

 

A qualidade de token único e indelével permite aplicações no mercado futuro em que as pessoas e empresas financiam os estudantes no presente e recebem no futuro o fruto do trabalho realizado peles estudantes formados.

 

Pode ser extremamente lucrativo financiar os estudos de um atleta, dentista, médico, escritor, pesquisador etc. e receber no futuro os serviços destes profissionais.

 

Também pode ser interessante financiar um hospital no presente e receber no futuro os serviços deste hospital como pagamento do valor financiado. A taxa de juros é bem menor neste caso.

 

Existe uma grande janela de oportunidades para a tecnologia NFT que vai muito além da arte como NFT.

 

quarta-feira, 21 de julho de 2021

Aplicações NFT

O sentido imaterial das manifestações artísticas vem sendo contestado por diversas décadas. Em 1952, o John Cage tocou uma peça musical de quase cinco minutos de silêncio.

 

Em 1951, o Rauschenberg fez a exposição "white paintings", que eram telas em branco. Em 1917, o Marcel Duchamp fez a exposição do "La Fontaine" que era um urinol.

 

Em maio de 2021, a escultura "Io Sono" do italiano Salvatore Garau foi vendida por aproximadamente quinze euros. A escultura obra não existe no mundo material. O certificado de autenticidade diz que é uma escultura imaterial para ser colocada em um espaço livre de 150 cm x 150 cm.

 

O fenômeno da contestação pela falta de entendimento do valor agregado do imaterial está acontecendo com a tecnologia NFT. Alguns acham que a tecnologia NFT só é utilizada em obras de arte e outros acham que a tecnologia é destinada apenas para o ricos.

 

A tecnologia NFT endereça desafios muito além das artes e dos super ricos. Veja o caso do jovem Luiz Henrique Olivier (Jovem de 14 anos se revela talento da tecnologia e já tem emprego garantido, https://www.uol.com.br/ecoa/ultimas-noticias/2021/07/11/jovem-de-14-anos-se-revela-talento-da-tecnologia-e-ja-tem-emprego-garantido.htm, acessado em 21/07/2021).

 

É muito provável que ele seja um talento da engenharia. A tecnologia NFT permite que ele receba agora os recursos necessários para a sua formação e entregue no futuro os seus trabalhos na engenharia. É um jogo de ganha e ganha. A empresa investe em um jovem talento e no médio prazo recupera o seu investimento realizando projetos de engenharia de elevado valor agregado.

 

O time do Cruzeiro está usando a tecnologia NFT para capitalizar recursos para formar pés de obra talentosos. As pessoas investem hoje na formação de jogadores de futebol e recebem no futuro uma participação nas transferências dos atletas.

 

É outro jogo do ganha e ganha. O clube obtém recursos para trabalhar no curto prazo e entrega no médio e longo prazo os dividendos destes recursos (Que o governo não nos escute, pois não existem pagamentos de impostos nestes dividendos).

 

É possível também usar a tecnologia NFT para financiar a produção de espetáculos artísticos. Os artistas recebem antecipadamente os recursos para a produção do espetáculo e entregam as vendas futuras da bilheteria como dividendos para os investidores.

 

A tecnologia NFT permite o financiamento da educação, das artes, dos esportes etc. O correto uso da criptomonetização permite que bairros, cidades, estados e países obtenham recursos no curto prazo para financiar obras tradicionalmente ignoradas no Brasil como o saneamento básico e entreguem no longo prazo para os investidores uma parte da renda futura do saneamento.

 

A crise de moradia brasileira pode também ser superada com a tecnologia NFT. Os investidores capitalizam no curto prazo as entidades responsáveis pelas obras e recebem dividendos no futuro do capital investido.

 

É possível construir ferrovias, hidrelétricas, prédios, fabricas, escolas etc. usando os recursos habilitados pela tecnologia NFT e pagando dividendos quando o projeto gerar lucro.

 

Muitas pessoas que hoje são invisíveis na sociedade brasileira podem ser enormemente beneficiadas com os recursos de curto prazo da tecnologia NFT.

 

Alguns podem achar que eu sou um sonhador, mas não sou. Como a taxa de juros está nula ou negativa em diversos países, os investidores estão buscando projetos para investir. O retorno gerado por bons projetos atraí os donos da bufunfa. As regras de negócio imutáveis da tecnologia NFT geram a segurança jurídica que os especuladores e investidores tanto buscam.

quarta-feira, 14 de julho de 2021

Como prevenir ataques de ransomware

Todos os dias acontecem cerca de quatro mil de ataques de ransomware. O processo do ataque é bastante simples. Um malware infecta o computador alvo através da engenharia social e o software criptografa os dados e envia para a vítima uma mensagem exigindo o pagamento de um resgate para descriptografar as informações

 

O ataque é real e tem como seu principal objetivo bloquear o acesso aos dados. Não é o mesmo caso do spam de e-mail que muitos estão recebendo em que um hacker afirma que ele "ganhou acesso aos dispositivos usados para navegar na internet e que ele rastreou as atividades realizadas na internet e identificou um comportamento online “não republicano” e o hacker ameaça expor o comportamento a menos que ele receba alguns bitcoins dentro de 48 horas”. Este tipo de spam é seguro para ignorar. O ataque ransomware não deve ser ignorado.

 

Um ataque de ransomware impede o acesso aos dados e interrompe as operações rotineiras da empresa ou pessoa. Se rede de energia elétrica, gás, telecomunicações, saúde pública é comprometida, isto pode levar para apagões, impasses, incêndios, explosões etc.

 

Os países ricos e as grandes empresas são os principais alvos dos ataques de ransomware, pois quanto maior é a confiabilidade e qualidade do serviço, maior é a probabilidade da operação ser alvo de um ataque de ransomware.

 

Na maioria dos casos, a perda de receita e de reputação representa um custo muito maior do que o pagamento do resgate. São negócios com elevado capital de giro. No primeiro semestre de 2021, os serviços públicos, os operadores da cadeia produtiva da energia e as indústrias químicas, de alimentos e bebidas foram os principais alvos dos ataques.

 

As capacitações e habilidades exigidas criar um ataque de ransomware estão sendo fortemente reduzidas, pois existem pacotes de software ransomware com milhões de credenciais de acesso roubadas que permitem que pessoas pouca experiência técnica executem um ataque de ransomware.

O ransomware como um serviço já é uma realidade na internet. Muitas empresas adotaram o estratagema de acesso baseado em identidade com mudanças frequentes de senha e autenticação de vários fatores para prevenir os ataques.

 

No entanto, são raros os casos em que as tentativas repetidas de login geram bloqueios de portas ou protocolos. Uma das maneiras mais eficazes de prevenir os ataques de ransomware é o uso do mantra "nunca confie, sempre verifique".

 

Este estratagema teria evitado o ataques de ransomware da JBS, pois ele impede o espalhamento do ataque dentro da operação da empresa e permite a continuidade da operação nas áreas não afetadas.

 

Os recentes ataques ao Colonial Pipeline, JBS, Brenntag, Oldsmar etc. demonstram que as organizações não gerenciavam a segurança digital em todo ecossistema para identificar, isolar e recuperar os sistemas infectados de forma eficaz.

 

É preciso gerenciar cada uma das interações individuais que ocorre entre os aplicativos, usuários e computadores com base na identidade e na política de segurança.

 

Nunca sob hipótese alguma deve existir confiança automática entre os sistemas da rede interna.

 

Este nível de controle permite que a organização de tecnologia evite que um ataque se espalhe, ou seja, a operação continua funcionando mesmo durante um ataque.

 

O estratagema de total desconfiança gerencia a identidade de cada computador, aplicativo, usuário e fluxo de dados como uma zona independente.

 

É possível desta forma ter uma política de acesso granular. O resultado desta política é que o ransomware não consegue atacar os sistemas locais.

 

Muitas organizações estão desatualizadas em relação ao ambiente de tecnologia. São firmas que convivem com equipamentos legados antigos e com soluções modernas. Os sistemas baseados em soluções legadas têm muitas vulnerabilidades e a plena comunicação deles com os sistemas mais novos permite que os ataques de ransomware alcancem todos os dados da empresa.

 

O estratagema de desconfiança total controla todas as interações entre usuários, computadores, aplicativos e dados de forma individual. Em todos os casos é exigida a autenticação e autorização prevista na política de segurança.

 

Os controles individuais devem ser feitos em todos os ambientes do ecossistema (nuvem, empresa, central de serviços, chão de fábrica etc.) para que seja possível proteger o ambiente de tecnologia pelo isolamento rápido do sistema infectado.

 

quarta-feira, 7 de julho de 2021

Segurança digital

A segurança digital vem sendo negligenciada por décadas. Nos raros casos em que a segurança faz parte da rotina, ela é apenas um apêndice das prioridades das pessoas e empresas.

 

Como não existe almoço de graça, a segurança digital está atualmente cobrando a sua conta. Os casos de ataques de ransomware estão crescendo exponencialmente no mundo.

 

As cifras envolvidas estão chegando na casa de centenas de milhões de dólares. O considerável aumento do valor dos pedidos de regaste está incentivando o surgimento de novos criminosos.

 

As escolas são agora o novo alvo dos malfeitores digitais. Os sistemas armazenam diversas informações sobre as escolas e alunos e o bloqueio do acesso pode prejudicar milhares de pessoas.

 

Por isto muitos estão preferindo pagar o resgaste dos computares para os criminosos. Esta postura só está incentivando o surgimento de novos ataques.

 

No âmbito das pessoas físicas, o envio de spams de sextortion está crescendo vertiginosamente. Nas mensagens é comum afirmações de que a conta de e-mail foi invadida e que foi instalado um programa espião no dispositivo.

 

Muitos facilitam o trabalho dos criminosos e clicam nos links suspeitos e instalam agentes contaminantes nos seus computadores e celulares.

 

É raro encontrar uma pessoa que não recebe o spam com arquivo anexo que fala da falta de pagamento por um serviço. A análise do código de barras da fatura enviada revela que ela não é do serviço citado na mensagem.

 

A pandemia do novo corona vírus gerou uma crise econômica que está afetando a maioria das pessoas no planeta Terra. Muitos que estão sem emprego e renda estão escolhendo os crimes digitais para resolver os seus problemas.

 

Este é o motivo do crescimento exponencial dos ataques.  A segurança digital não faz parte das preocupações da imensa maioria das pessoas e de grande parte das empresas.

 

A segurança digital não é apenas tecnologia. Ela é atitude. Pessoas que ignoram na vida rotineira as questões da segurança digital vão agir da mesma forma nas empresas.

 

Atitudes inadequadas geram riscos elevados que por sua vez geram aumento de custos. Os Managed Service Providers (MSPs) que foram atacados e que estão com servidores indisponíveis impactaram milhares de negócios.

 

O ecossistema que funciona para alavancar a lucratividades dos seus membros também alavanca os prejuízos quando é vitima de um ataque de ransomware.

 

É preciso urgentemente criar uma cultura na sociedade sobre a importância da segurança digital para impedir que ataques simplórios sejam bem sucedidos contra pessoas e empresas.

quinta-feira, 1 de julho de 2021

Programadores

O artigo “Faltam programadores e as softwares-houses apenas rezam” (https://www.4hd.com.br/blog/2021/06/25/faltam-profissionais-de-ti-e-as-softwares-houses-apenas-rezam/, acessado em 01/07/2021) é bastante esclarecedor sobre a miséria no ensino no Brasil.

 

A falta de infraestrutura básica para o ensino não é um problema apenas para os treinamentos gratuitos ou não em linguagens de programação. Ela é um problema para o ensino básico do brasileiro.

 

Enquanto a população brasileira sofre com efeitos negativos da pandemia, o governo dorme em berço esplendido e fica esperando pelo papa para realizar os leilões do 5G. É importante deixar claro que nos locais em que a internet é deficiente a rede sequer é 3G.

 

A maioria dos que atacam as escolas fechadas nunca em momento algum da sua vida defenderam uma supervia de comunicação de internet para os alunos das escolas públicas.

 

São pessoas que praguejam pela via política e são incapazes de realizar uma única sinapse ao longo da sua existência. Por que adoto palavras tão duras na introdução do artigo?

 

A resposta é muito simples. Aprender uma linguagem de programação não torna uma pessoa um programador. Para ser um programador é preciso ter os conhecimentos do ensino básico.

 

É preciso conhecer na sua plenitude a língua falada pelos interlocutores.  Esta necessidade ocorre, porque as necessidades e funcionalidades do software que será desenvolvido estão na cabeça dos usuários.

 

É preciso criar um canal de comunicação funcional para extrair o que deve ser feito no desenvolvimento do software. Também é preciso o entendimento da matemática, para formular construções lógicas coerentes dentro do aplicativo.

 

A lógica é importante, mas não é condição necessária e suficiente. Com o desenvolvimento ágil é preciso criar um produto mínimo viável que permita a sua evolução ao longo do tempo.

 

Isto significa que é preciso trabalhar com um orçamento faseado em que as etapas posteriores têm elevado grau de imprevisibilidade. Como o volume de recursos não é infinito é preciso constantemente avaliar a relação entre o custo e benefício de cada uma das atualizações. Como o programador é o responsável pelo custo, ele precisa ter sólidos conceitos matemáticos.

 

O desafio não acaba aí. É preciso conhecer história e a cultura para desenvolver um software em que o usuário consiga usar de forma intuitiva. É mais um conhecimento do ensino médio.

 

Os que desejam bons programadores e que nada fazem para pressionar o governo na direção da melhoria do ensino básico estão perdendo a corrida para os indianos e chineses e vão continuar com as perdas nas próximas décadas. Se é que os CNPJs vão sobreviver por mais alguns anos.

 

Já passou da hora da sociedade brasileira parar com as brigas inúteis e passar a exigir coisas que realmente importam. O ensino transformou os tigres asiáticos, a Coréia, a China, o Japão, o Chile etc.

 

Nada indica que o Brasil é diferente. Não é apenas uma questão de infraestrutura (computador, internet etc.). É uma questão de qualidade do ensino.

 

É um absurdo que um estado do sul maravilha não seja capaz de oferecer algo tão simples como uma boa infraestrutura para os seus jovens estudarem durante a pandemia do novo corona vírus.

 

Bilhões de reais são perdidos em recursos não utilizados pelos governos. Basta canalizar os esforços para enxergar as soluções mais obvias. Ah!!! Não consegue ver o óbvio? Então chame quem consegue ver.

 

 


quinta-feira, 24 de junho de 2021

Recordar é viver

 


 

Na terça-feira, 18 de dezembro de 2018 eu publiquei a postagem “A república dos mercadores de tolices e o poço da burrice eterna” (http://itgovrm.blogspot.com/2018/12/a-republica-dos-mercadores-de-tolices-e.html?m=0, acessado em 24/06/2021).

 

Na postagem eu fiz a seguinte afirmação: “A cultura do atraso levou o Brasil na direção de incontáveis fracassos. A fábrica da Ceitec S.A foi inaugurada em 2010 para produzir chips (Estatal do chip de R$ 500 mi está parada, https://www1.folha.uol.com.br/fsp/mercado/me0909201004.htm). Em 2018 é retumbante o fracasso da empresa. Os gestores de tecnologia qualificados foram ignorados na política de contratações. O resultado foi prejuízo em cima de prejuízo. Passados 8 anos qual é a relevância da Ceitec no mercado mundial de chips?”

 

Em dezembro de 2020, foi publicado o decreto de liquidação da Ceitec.  Foi mais de uma década de prejuízo em cima de prejuízo. Alguns estão tentando salvar a empresa falando em elevado capital intelectual.

 

Na prática, este capital intelectual não gerou riqueza. Não adianta nada ter à disposição o melhor recurso do planeta se não existir um plano que permita a exploração correta do recurso.

 

Em 2018, o fracasso da empresa era retumbante, mesmo assim foram preciso mais alguns anos para perceber que a alta administração da Ceitec era incapaz de traçar um rumo na direção da lucratividade.

 

A empresa era irrelevante em 2018 e continuou irrelevante até a morte do CNPJ. Foram bilhões de reais jogados no lixo. Nenhum resultado positivo foi gerado. Em momento algum a empresa foi buscar o conhecimento do mercado.

 

Empresas competentes criam ecossistemas envolvendo comunidades e pessoas de elevado saber. A Ceitec nunca procurou com os especialistas em Tecnologia de Informações e Comunicações onde estão os nichos mercado não explorados. Onde estão as oportunidades.

 

O elevado capital intelectual não pode ser medido apenas por títulos e diplomas. É preciso que o capital intelectual técnico seja complementado pelo conhecimento do mercado.

 

Tais caminhos não foram buscados pelos governos brasileiros entre 2010 e 2020. Um criou um elefante branco e outro resolver liquidar o elefante banco. Em nenhum momento foi cogitado transformar o elefante banco em uma máquina de fazer dinheiro. Triste realidade brasileira.

quarta-feira, 23 de junho de 2021

Golpe do celular furtado

A mídia tradicional está divulgando com bastante intensidade os casos em que os celulares são roubados e as contas das vítimas são limpas. Os criminosos encontraram uma forma para burlar a segurança do smartphone e acessar as contas.

 

Por causa da rapidez da invasão nas contas bancárias, as vítimas de furto ou roubo ou troca (não subestime esta alternativa) de celulares devem comunicar o caso primeiro aos bancos e operadoras de cartões de crédito para bloquear as suas contas.

 

Em seguida é preciso bloquear o chip e o aparelho de forma remota. A terceira fase é desconectar as contas dos aplicativos via um computador e mudar todas as senhas. A quarta etapa é o registro de um boletim de ocorrência.

 

Como medida preventiva é muito importante bloquear as notificações de todos os aplicativos de mensagens (SMS, WhatsApp, Telegram etc.). As notificações desbloqueadas são visualizadas na tela do celular e podem permitir a recuperação de senhas pelos criminosos. Também é recomendável a ativação do bloqueio de PIN do seu chip.

 

É importante destacar neste momento que as senhas de redes sociais, e-mail etc. não devem ser salvas no seu celular. Eu sei que tudo fica mais trabalhoso e chato. Mas é melhor assim do que perder todas as economias para um criminoso.

 

Eu gosto de segurança em camadas, por isto eu recomendo o uso de um aplicativo do tipo Norton App Lock para impedir que os criminosos acessem as informações que estão registradas no celular.

 

Os criminosos vão gastar algum tempo para burlar a segurança do Norton App Lock. Estes minutos gastos pelos malfeitores são precisos, pois é o tempo necessário entrar em contato com o banco e operadora de cartão de crédito e bloquear todas as contas.  

 

Quanto mais difícil for burlar a segurança do seu celular maior será o seu tempo para impedir que a sua conta seja limpa. Alguns perderam quase R$ 70 mil.

 

Os criminosos também estão usando a técnica de phishing em que eles fingem ser o banco e enviam um e-mail para a vítima com um link malicioso para obter mais informações. Em outros casos eles fingem ser a vítima e entram em contato com o banco reclamando de alguma falha no sistema de segurança.

 

É bastante preocupante a informação dada pelos especialistas em segurança de que não está claro qual é a brecha de segurança explorada pelos criminosos para invadir as contas bancárias das vítimas. Os invasores estão neste caso vários passos na frente dos especialistas de segurança brasileiros.

 

Neste momento é importante que todo o ecossistema entre em regime de colaboração, por isto recomendo que os bancos tirem provisoriamente dos seus aplicativos as opções de visualizar a senha do cartão do banco ou recuperar a senha.

 

Caso o criminoso descubra a senha do internet banking ele é capaz de mudar a senha do cartão do banco e limpar a conta corrente, fazer empréstimos etc.

 

O caso do grupo de medicina diagnóstica Fleury que foi atacado e ficou com os seus sistemas indisponíveis é mais um caso em que a segurança digital não está tendo a prioridade correta para a operação do negócio.

 

As perdas podem chegar à casa de milhões de reais. Um investimento sério em segurança é capaz de impedir tais perdas. Infelizmente esta porta já foi arrombada.

quinta-feira, 17 de junho de 2021

A lógica dos sem lógica

O Brasil definitivamente virou um país sui generis. Todos viraram especialistas em todos os assuntos.

 

Todo mundo tem opinião sobre tudo e na realidade paralela dos sem lógica a sua opinião está sempre correta.

 

Esta semana cai na besteira de entrar em um debate sobre o voto impresso da urna eletrônica.

 

Os defensores do mito da cloroquina alegam que as urnas eletrônicas podem ser invadidas e que o voto impresso permite a auditoria do voto.

 

É bastante óbvio que se uma urna eletrônica for invadida a veracidade do voto impresso também será comprometida.

 

O software que lê o teclado e grava o voto na memória da urna é o mesmo que lê o teclado e imprime o voto. Uma invasão na urna eletrônica compromete tanto o voto digital como o impresso.

 

A única possibilidade em que o voto impresso não está comprometido ocorre quando a invasão da urna é feita depois do término da votação. Neste caso o invasor consegue modificar apenas os votos digitais armazenados no equipamento.

 

No entanto fazer uma invasão em um equipamento fora de uma rede pública e com todos os fiscais de olho no equipamento é uma tarefa digna do filme missão impossível.

 

Após o encerramento da eleição a urna envia os votos para o computador central após uns poucos minutos. O invasor teria que invadir remotamente uma urna fora de uma rede pública de telecomunicações e modificar os votos armazenados em alguns poucos segundos.

 

O pior dos sem lógica é a falta de raciocínio estruturado. Os votos impressos têm que ser coletados da urna, transportados para um local seguro e armazenados por diversos meses.

 

É muito mais fácil invadir a instalação e trocar os votos impressos do que invadir a urna eletrônica.

 

Se depois de seis meses a contagem dos votos impressos for diferente dos votos digitais então quem vai conseguir garantir que a contagem dos votos impressos foi honesta.

 

O interessado na mudança da votação pode ter entrado no cofre dos votos impressos e trocado as urnas plásticas em que os votos impressos estão armazenados.

 

Quem será capaz de afirmar que os votos impressos estão corretos ou que os votos digitais estão corretos?

 

Mesmo um sistema de vigilância com diversas câmeras pode ser invadido e criar uma brecha para a troca das urnas plásticas dos votos impressos.

 

Um outro aspecto do festival dos sem lógica é o custo desta armazenagem. Existem milhares de urnas plásticas dos votos impressos que precisam ser guardadas e vigiadas no regime 24 horas por dia. São sistemas eletrônicos e humanos que vigiarão o local.

 

É fácil perceber que quando somamos os custos de vigilância com os custos de segurança infraestrutura (proteção contra roubos, incêndios, enchentes, umidade etc.) chegaremos ao valor de dezenas de bilhões de reais por ano.

 

Não seria mais fácil usar a tecnologia NFT em que um voto vira um token único e indelével?

 

O eleitor escolheria o seu candidato e criaria um token não fungible que seria registrado no livro-razão do Blockchain.

 

O candidato que receber mais tokens dos eleitores seria eleito. O livro razão público indelével permite a auditoria da votação.

 

Mais simples, mais lógico mais seguro e mais barato do que imprimir comprovantes dos votos e armazenar por anos em cofres de segurança máxima.

 

O resultado da lógica dos sem logica pode ser visto na métrica a renda média per capita do trabalho. No primeiro trimestre de 2021 ela foi de R$ 995. É uma renda abaixo do salário-mínimo. As opiniões dos sem lógica está inviabilizando o trabalho no Brasil. Fonte: Renda média no Brasil cai abaixo de R$ 1 mil pela 1ª vez em 10 anos, https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2021/06/desigualdade-bate-recorde-na-pandemia-e-renda-media-cai-a-pior-nivel-desde-2012.shtml?utm_source=mail&utm_medium=social&utm_campaign=compmail&origin=folha, acessado em 17/06/2021.

sexta-feira, 11 de junho de 2021

A miséria das métricas

As métricas estão presentes na nossa vida neste universo desde o nascimento (teste do pezinho) até a morte (atestado de óbito). As métricas têm comportamentos diferentes.

 

Por exemplo, a medida da altura, peso etc. é feita uma única vez em um determinado período. Apenas uma medição resolve o problema. A medida da pressão arterial, glicose etc. é feita várias vezes em um período.

 

Não faz muita diferença se a altura medida é 1,70 ou 1,72. Mas faz muita diferença se a pressão arterial é 14 por 8 ou 16 por 10. Por isto são feitas várias medições. O formato da medição das métricas está diretamente relacionado com a utilização da informação será utilizada.

 

Tal afirmação vale para a central de serviços, para a economia, para a saúde etc. No Brasil temos milhões de exemplos sobre como não devemos fazer para medir as métricas.

 

Os erros mais crassos vêm da economia (com exceção do plano real). Os planos de estabilização econômica mediam erradamente e geravam resultados pobres.

 

Mais recentemente tivemos afirmações que a desoneração da folha de pagamentos geraria mais empregos e o resultado foi mais desemprego.

 

Também foi afirmado que o cadastro positivo compulsório iria reduzir os juros para os consumidores. Não reduziu em nada. Foi a queda da taxa Selic que fez os juros caírem.

 

No atual governo, tivemos diversas afirmações estapafúrdias. A reforma da previdência prometia aumento da taca de crescimento do PIB. Crescimento nunca veio. Alguns vão falar que no primeiro trimestre de 2021 o crescimento chegou. É verdade. Ele consequência direta do aumento da renda das commodities. Nenhuma relação com a reforma da previdência.

 

 

Outra afirmação foi sobre o marco regulatório do gás aumentar a concorrência e reduzir o preço do gás para a dona de casa. O preço do gás disparou para as alturas.

 

Todos estes exemplos revelam que as métricas só funcionam quando elas estão conectadas com o objetivo da medição e existe um sistema operacional sustentável formado por um conjunto balanceado de indicadores.

 

No caso da central de atendimento eu já presenciei diversas situações em que o tiro saiu pela culatra. O uso da métrica de redução da quantidade de incidentes gerou o aumento da taxa de chamados abandonados e aumento de custos.

 

Nem sempre é economicamente viável resolver um incidente. Existem diversos casos em que o beneficio gerado pela solução do incidente é menor que o custo para resolver o incidente.

 

O uso da métrica de resolução no primeiro chamado resultou em usar o ligar e desligar o computador para todos os chamados com nível de complexidade acima do elementar e aumento da taxa de reincidência de um mesmo chamado.

 

A meta de reduzir o tempo médio de espera na fila de chamados levou em diversos casos para o caos. É possível ter um tempo médio de 5,5 minutos tanto com uma demora de um minuto e outra de dez minutos, como com uma demora de seis minutos e outra de cinco mitos.

 

A diferença está em que no caso de 1 e 10 minutos o sistema está fora de controle e qualquer iniciativa de melhoria não gerará resultado positivo. Só aumento de custos.

 

No caso de 6 e 5 minutos o sistema está sob controle e com isto uma iniciativa de redução do tempo na fila de espera vais gerar um resultado positivo.

 

Para não cair nos truques da miséria das métricas é preciso ter em mente que um modelo é uma simplificação da realidade e que existem erros nele. O conjunto de métricas deve ser escolhido em função do modelo e dos objetivos da central de atendimento.