quinta-feira, 30 de julho de 2020

Até o Bolsonaro?

Até o Bolsonaro?

 

“De acordo com dados da Economia, o período da pandemia resultou em uma economia com despesas em diárias e passagens de R$ 270 milhões entre abril e junho. Também foram reduzidas em R$ 93 milhões as despesas com adicional de insalubridade, adicional noturno e auxílio transporte. Gastos com deslocamento terrestre foram reduzidos em R$ 743,5 mil” (Governo lança programa de teletrabalho para servidores federais pós-pandemia, https://www.msn.com/pt-br/noticias/brasil/governo-lan%C3%A7a-programa-de-teletrabalho-para-servidores-federais-p%C3%B3s-pandemia/ar-BB17nJeA?ocid=msedgdhp, acessado em 30/07/2020).

 

Fomos surpreendidos por uma decisão inteligente vinda de um governo que não prima pela expansão do invólucro intelectual da sua administração. É fato, que é possível criar inteligência nos lugares inesperados graças ao estimulo do aumento da produtividade e redução dos custos.

 

Quando as pessoas são contratadas pelo seu potencial intelectual e não por ser apenas uma mão de obra, os resultados aparecem de fuma forma ou de outra. Todos os profissionais têm virtudes e defeitos. O que realmente importa é o saldo. Quanto maior for o saldo positivo maior será a entrega de resultados positivos para o negócio.

 

É evidente que o pacote de um profissional é composto de erros e falhas. Faz paetê da natureza humana. O profissional que aprende com os seus erros e falhas alcança a eficácia dos seus projetos. Eu conheço um empresário que abriu e quebrou mais de uma dezena de negócios.  Hoje ele é famoso e bem sucedido. Ele analisou cada um dos seus erros e aprendeu com eles.

 

O pacote da mão de obra é isto. Um profissional que aprende continuamente. Não basta ser eficiente fazendo algo que não funciona ou insistindo em um passado que não volta mais. É preciso ser eficaz e investir nos projetos que gerem resultados para os clientes.

 

De uma forma inesperada e surpreendente, o atual governo deixou de lado dogmas inúteis e escutou os gestores que perceberam que a produtividade do sistema aumentou com o home office. Pelo visto, a esperança de dias melhores não morreu.


sexta-feira, 24 de julho de 2020

Quem sabe faz na hora, não espera acontecer

“Alguns colaboradores chegaram a vender de casa 20 vezes mais do que na loja” (Riachuelo transforma 40 mil funcionários em vendedores virtuais, https://dcomercio.com.br/categoria/negocios/riachuelo-transforma-40-mil-funcionarios-em-vendedores-virtuais, acessado em xx/xx/2020).

 

O Flávio Rocha é o presidente do conselho de administração do grupo Guararapes que tem receita anual de quase 8 bilhões de reais. Ele está encantado com os ganhos de produtividade alcançados pelo trabalho remoto.

 

É um empresário que vive no ano de 2020. Certamente ele vai engolir diversas empresas que vivem em 1990. Infelizmente, muitos já perderam o seu negócio e o seu emprego por causa da cultura do atraso.


terça-feira, 21 de julho de 2020

Ação e reação

“Na campanha de 2018, o empresariado deu um cheque em branco a Jair Bolsonaro. Durante um encontro com presidenciáveis daquele ano, um representante do lobby da construção civil reclamou que as leis de preservação da natureza eram "uma parafernália". Sob aplausos, o candidato prometeu "vencer os problemas ambientais" se fosse eleito” (Elite empresarial aperta Bolsonaro para conter descaso ambiental, https://www1.folha.uol.com.br/colunas/bruno-boghossian/2020/07/elite-empresarial-aperta-bolsonaro-para-conter-descaso-ambiental.shtml?utm_source=mail&utm_medium=social&utm_campaign=compmail, acessado em 21/07/2020).

 

Na campanha eleitoral de 2018, muitos empresários reclamavam que as leis ambientais estavam prejudicando os seus negócios. Por causa disto, eles apoiaram a candidatura do atual presidente do Brasil. No atual governo o desmatamento e as queimadas batem recordes após recordes.

 

Os donos da bufunfa grossa não gostaram nada disto, pois estão perdendo dinheiro com os investimentos realizados no Brasil. Em diversos momentos eles mandaram lembretes suaves sobre o assunto.

 

“Mais de 18 marcas internacionais, como Timberland, Vans e Kipling, avaliam suspender a compra de couro brasileiro devido às notícias relacionando as queimadas na região amazônica com o agronegócio no país, segundo informações do CICB (Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil)” (Marcas como Timberland, Vans e Kipling avaliam suspender compra de couro brasileiro, https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2019/08/marcas-como-timberland-vans-e-kipling-suspendem-compra-de-couro-brasileiro-diz-industria.shtml).

 

Em agosto de 2019, grandes marcas internacionais avisaram o ministério do Meio Ambiente sobre o problema das queimadas e como isto afetaria os negócios dos grandes produtores com o Brasil.

 

Em Setembro de 2019, o donos da bufunfa lançaram o “Investor statement on deforestation and forest fires in the Amazon” ( https://media.folha.uol.com.br/mercado/2019/08/18/documento-fundos.pdf). Foi mais um aviso sobre as reações dos investidores que estavam perdendo dinheiro no Brasil.

 

Em junho de 2020, os donos da bufunfa preta mandaram um recado mais contundente sobre o problema do desmatamento e das queimadas. “29 gestores enviam carta a embaixadas do Brasil para alertar sob problema, e membros do Parlamento Europeu procuram Maia” (Fundos que administram US$ 4,1 tri em ativos pressionam Brasil a combater desmatamento, https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2020/06/investidores-e-deputados-da-ue-elevam-pressao-contra-desmatamento-no-brasil.shtml).

 

Os empresários brasileiros entenderam que a reação ao que eles chamavam de “problemas ambientais” foi menos negócios e mais prejuízos.

“Os empresários também se mostraram preocupados com os efeitos da imagem do país sobre a percepção do consumidor estrangeiro da produção brasileira. Mercados mais exigentes, como o europeu, demandam garantias via acordos comerciais de que o produto importado não tem origem em área desmatada -- pagando um valor “prêmio” por isso” (Pressionado pela piora da imagem do Brasil no exterior, grupo cobra ações concretas do governo, https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2020/07/empresarios-afirmam-a-mourao-que-desmatamento-reduziu-investimentos.shtml?utm_source=mail&utm_medium=social&utm_campaign=compmail).

 

A falta de uma visão estratégica analisando as ações e reações fez a questão ambiental vai crescer para um tamanho onde as vendas ficaram mais difíceis. Muitas empresas estão com enormes dificuldades para entrar nos mercados estrangeiros por causa da devastação.


sexta-feira, 26 de junho de 2020

A fábula da gripezinha e do PIB

A pandemia do novo coronavírus revelou o elevado grau de despreparo para a vida em 2020 de muitos brasileiros. Alguns vikings não entenderam que bom atendimento e registro de chamados andam juntos. Desejo boa sorte para os que enxergam tráfego reduzido como congestionamento. O atraso gera retrocessos. Enquanto alguns estão abrindo os mercados os atrasados estão fechando, por isto enfrentam quedas espetaculares do PIB.

 

Ainda bem que podemos ignorar os ignorantes e seguir em frente com os que sabem fazer. O artigo “"Ajude-me a sair da falência": foto viraliza e salva loja de 50 anos” (https://www.uol.com.br/ecoa/ultimas-noticias/2020/06/23/ajude-me-a-sair-da-falencia-foto-viraliza-e-salva-loja-de-50-anos.htm, acessado em 26/06/2020) mostrou como o capital intelectual salvou da falência os pequenos negócios de três Nelsons. O uso de recursos digitais gratuitos permitiu que empreendimentos de pequeno porte gerasse lucro para os seus proprietários.

 

Quando ignoramos os ignorantes encontramos empreendedores que criaram soluções para a crise econômica grave brasileira. Pessoas capacitadas entenderam a nova natureza da economia e avançaram em um momento em que muitos sucumbiram.

 

O proprietário de um pequeno restaurante percebeu as oportunidades geradas pela quarentena. Ele investiu na divulgação da sua linha de pratos semiprontos embalados a vácuo e passou a vender mais de 600 kits por mês (Restaurante e até assistência técnica entram na onda do 'faça você mesmo', https://www1.folha.uol.com.br/mpme/2020/06/restaurante-e-ate-assistencia-tecnica-entram-na-onda-do-faca-voce-mesmo.shtml). Ganho de produtividade é a palavra-chave aqui. Gerou lucro e PIB.

 

Nos Estados Unidos, o diretor de uma pequena editora criou a plataforma Bookshop que salvou da falência diversas livrarias pequenas (Livrarias dos EUA recorrem a comércio eletrônico para evitarem falência, https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2020/06/livrarias-dos-eua-recorrem-a-comercio-eletronico-para-evitarem-falencia.shtml). Mais uma vez os ganhos de produtividade geram lucro e PIB.

 

São milhares de exemplos no mundo todo de pessoas que escolheram a luz ao invés da escuridão da caverna (Mito da Caverna, Platão). Enquanto tem gente que busca aconselhamento na farmácia do bairro para a sua dor de cabeça, outros entram em campo e conquistam resultados espetaculares.


quarta-feira, 17 de junho de 2020

Produtividade fala mais alto que o mercador do atraso

“Trabalho em casa eleva produtividade, dizem empresas como Ambev e J & J. Na TopDesk, multinacional holandesa que desenvolve software para gestão de serviços —houve uma redução de 45% no tempo de resolução dos chamados dos clientes desde que a equipe inteira passou a trabalhar remotamente, em 13 de março. “Costumávamos ser um pouco receosos em relação a home office, deixávamos os colaboradores trabalharem remotamente apenas em casos excepcionais”, diz Tiago Krommendijk, diretor-geral da Top Desk no Brasil, onde a empresa tem 57 funcionários (são 800 no mundo). “Mas aumentou muito a produtividade, e, na volta, vamos dar flexibilidade aos colaboradores que quiserem”. A meta na Stefanini, multinacional de tecnologia da informação, é colocar 50% das pessoas no modelo remoto em até 18 meses. A empresa terá três regimes: um de home office total, um parcial, em que o funcionário poderá optar por dois a três dias em casa, e um de flexibilidade em relação a horários. Durante os meses de isolamento social, a companhia usou um software de monitoramento de produtividade, priorizando metas e deixando para trás o modelo de “comando e controle”. Segundo Rodrigo Pádua, vice-presidente global de recursos humanos, a receita por número de colaborador cresceu.” (Mundo pós-coronavírus terá menos gente nos escritórios, https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2020/06/mundo-pos-coronavirus-tera-menos-gente-nos-escritorios.shtml?origin=folha#, acessado em xx/xx/2020).

 

Ao contrário do achismo daqueles que copiam textos alheios sem citar a fonte, o home office gerou o efeito esperado de aumentar a produtividade das empresas.

 

Na TopDesk, ocorreu uma brutal de redução de 45% no tempo de resolução dos chamados dos clientes, na Stefanini a receita por colaborador aumentou significativamente e na Ambev e Johnson & Johnson os funcionários remotos geravam mais resultados financeiros gastando menos dinheiro.

 

São apenas alguns poucos exemplos de empresas no Brasil que adotarão de forma permanente o home office na sua rotina de trabalho. O motivo de tal escolha está longe do achismo dos mercadores das falácias. É a produtividade seu estupido. Sempre é a produtividade que faz a diferença.

 

O Sol do sul do Brasil não é diferente do Sol do sudeste. Não importa o que os terraplanistas acham. As empresas pequenas, médias e grandes que sobreviverem a crise da pandemia serão aquelas que buscarão no capital intelectual dos seus colaboradores as soluções para endereçar as novas necessidades do mercado.

 

Muitos sucumbirão diante de tais desafios. Felizmente a credibilidade dos mercadores do atraso brasileiro está na mesma queda livre da popularidade do presidente. Em pouco tempo a seleção natural do mercado vai levar ao cenário de crescimento econômico dos que acreditam na competência e capacidade.


terça-feira, 26 de maio de 2020

Confusão mental dos ignorantes


No Brasil muitos ignorantes têm o grande mal da soberba. Os mercadores das tolices acham que porque eles não são capazes de fazer algo, isto significa que é impossível que este algo seja feito.

Quando este algo é feito, eles imediatamente atacam os que fizeram com a parábola do gato, controle remoto e sofá. São lendas de quem desconhece o mundo real da experiencia da compra.

Infelizmente estes evangelizadores causam males tanto para eles, como para os que o cercam, como para os que tolamente os escutam. Um caso recente mostra as perdas causadas pela soberba dos ignorantes.

“Após a saída de Teich, o governo publicou na semana passada um protocolo recomendando o uso da cloroquina por pacientes de Covid-19 em todos os estágios da doença” (Teich sobre cloroquina: se não sei se funciona, não podia gastar nisso, https://www.metropoles.com/brasil/teich-sobre-cloroquina-se-nao-sei-se-funciona-nao-podia-gastar-nisso, acessado em 26/05/2020).

Foram gastos centenas de milhões de reais do dinheiro dos impostos para comprar um remédio que não é capaz de resolver o problema causado pelo Covid-19. A consequência do delírio mental de alguns foi a disparada do preço da cloroquina e a sua falta nas farmácias. As pessoas que podem se beneficiar do remédio ficaram desassistidas.

“Se em janeiro houve 6.940 buscas por hidroxicloroquina na plataforma Consulta Remédios, em maio (até o dia 21) elas somaram 488.152, segundo a empresa, com 20 milhões de usuários. Portanto, a procura aumentou cerca de 70 vezes. Em dezembro eu paguei R$ 240 por uma caixa com 120 comprimidos. Agora, me cobraram R$ 545 e ainda disseram que tinha desconto” (Com alta na procura, preço dispara e cloroquina some das farmácias, https://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2020/05/26/com-alta-na-procura-preco-dispara-e-cloroquina-some-das-farmacias.htm).

É muito fácil perceber que a genialidade dos mercadores da cultura do atraso só é capaz de gerar perdas. Todas as formas possíveis e imagináveis de perdas. Na área de tecnologia temos também exemplos de grandes fracassos causados pela soberba dos ignorantes.

Em um blog que vem primando pela ignorância absoluta do conhecimento durante a pandemia encontrei um evangelizador do atraso que aderiu ao time dos que copiam textos sem citar a sua respectiva fonte. O blogueiro defendeu com unhas e dentes uma hipótese sem pé nem cabeça sobre o novo coronavírus e o home office na cidade de São Paulo.

O povo judeu é uma civilização inteligente de alto nível de conhecimento. No entanto como em todas as regras, existem as exceções. Alguns cavam tão fundo na exceção que viram um poço da tolice eterna.

Ao contrário da soberba proferida pelo mercador de tolices, a empresa XP no Brasil e as empresas Facebook e Twitter anunciaram recentemente que vão trabalhar em home office de forma permanente.

São apenas três exemplos de uma lista enorme. Ainda bem que o racionalismo venceu a ignorância.

O CEO do Facebook afirmou que estima que metade da companhia estará trabalhando de casa ao longo da próxima década. E de forma permanente. A constatação de Zuckerberg segue anúncio recente da rede social concorrente, o Twitter. A empresa de Jack Dorsey afirmou que permitirá aos colaboradores trabalharem de casa mesmo quando for seguro retornar às atividades presenciais (Antes da pandemia assolar os grandes escritórios do Vale do Silício, Facebook incentivava talentos a morarem perto de Menlo Park, sede da rede social, https://computerworld.com.br/2020/05/21/zuckerberg-quer-fazer-do-trabalho-remoto-opcao-permanente-para-funcionarios-do-facebook/?utm_campaign=news_cw_-2205&utm_medium=email&utm_source=RD+Station).

No futuro, a intenção é transformar os escritórios atuais em escritórios-conceito, que servirão de apoio para demandas específicas (XP anuncia home office até dezembro e estuda trabalho remoto permanente, https://www.infomoney.com.br/mercados/xp-anuncia-home-office-ate-dezembro-e-estuda-trabalho-remoto-permanente/).

O resultado no fim da linha da ignorância e soberba é a perda econômica e da credibilidade. O FINANCIAL TIMES é um dos jornais financeiros mais importantes e respeitados do mundo. Ele influencia as decisões de investimento de milhões de endinheirados.

“Infelizmente, o Brasil está pagando caro pelas palhaçadas de seu presidente – e as coisas estão piorando rápido” (O populismo de Jair Bolsonaro está levando o Brasil ao desastre, https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2020/05/o-populismo-de-jair-bolsonaro-esta-levando-o-brasil-ao-desastre.shtml).

quinta-feira, 21 de maio de 2020

Ignorar os ignorantes


Recentemente escutei a frase “ignorar os ignorantes”. É sem sombra de dúvida o melhor conselho que recebi durante a crise de pandemia. No Brasil temos pessoas de todas as classes sociais e profissões profetizando o seu limitado invólucro intelectual.

“No caso sueco, a estimativa é de que a economia tenha contração de 6,1%, ou seja, pouco melhor do que o restante da Europa. O Riksbank, banco central sueco, é mais pessimista: estima queda do PIB de 7,1%” (Citada por Bolsonaro como exemplo, Suécia encara recessão e mortes em alta, https://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2020/05/16/citada-por-bolsonaro-como-exemplo-suecia-encara-recessao-e-mortes-em-alta.htm, acessado em 21/05/2020).

Analysts forecast that growth will contract at a similar rate to rest of Europe. But economists argue that Sweden is unlikely in the long term to escape the severe economic pain of the rest of Europe. The European Commission forecasts that Sweden’s GDP will fall by 6.1 per cent this year (Sweden unlikely to feel economic benefit of no-lockdown approach, https://www.ft.com/content/93105160-dcb4-4721-9e58-a7b262cd4b6e).

É muito fácil perceber que o resultado econômico durante a crise da pandemia obtido pela Suécia é similar ao da Dinamarca. A queda projetada do PIB da Suécia é cerca de 7% e a da Dinamarca é de aproximadamente 6%.

A Suécia adotou medidas menos restritivas que a Dinamarca e foram ao óbito mais suecos que dinamarqueses. A Dinamarca adotou medidas mais restritivas que a Suécia e resolveu o problema sanitário do novo coronavírus de forma mais rápida.

O resultado é a Dinamarca salvando vidas e economizando bilhões de dólares.

Certamente estão faltando bilhões de bits na Unidade de Processamento Intelectual (UPI) de algumas pessoas. A soberba aliada com a ignorância gera o vexame público.

“Se as máscaras de proteção funcionam, por que é necessário fechar o comércio? Se não funcionam, por que somos obrigados a usá-las? Nas redes sociais, questões assim circularam em páginas de Guaianases e Cidade Tiradentes, bairros da zona leste, na periferia da capital paulista” (Periferias se dividem entre uso e ceticismo contra máscaras, https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2020/05/periferias-se-dividem-entre-uso-e-ceticismo-contra-mascaras.shtml?origin=folha).

As pessoas que perguntam “por que é necessário fechar o comércio se as máscaras de proteção funcionam e por que somos obrigados a usá-las se não funcionam” deveriam solicitar urgentemente uma atualização na sua unidade de processamento intelectual.

É evidente que as máscaras não são uma medida necessária e suficiente para impedir a disseminação do novo coronavírus. Se elas fossem a opção salvadora da pátria nenhum país do mundo teria feito o lookdown. Era muito mais barato dar máscaras de graça para todos os cidadãos e manter a economia funcionado normalmente. Não é preciso ser um cientista para ter tal entendimento.

O comércio fisicamente fechado pode facilmente funcionar de forma online, ou seja, com um nível mínimo de inteligência é possível restaurar a parte saudável da economia. O comércio de produtos sem nota fiscal, sem qualidade, sem garantias é um risco para a sociedade e deve ser eliminado.

Ou seja, o comércio capacitado e honesto pode e deve funcionar normalmente de forma online durante a pandemia. Não existem perdas nem para os funcionários, nem para os clientes. É verdade que cerca de 70 milhões de brasileiros tem conexão precária ou inexistente com a internet.

No entanto, mais de 130 milhões de brasileiros tem boas conexões. É um fluxo suficiente para fazer girar a economia e impedir o colapso do comércio honesto e capacitado.

“E a ideia que eles tinham era de alterar a bula do medicamento na Anvisa, colocando na bula indicação para covid-19", afirmou Mandetta, ao canal” (Bolsonaro tentou alterar bula da cloroquina por decreto, diz Mandetta, https://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2020/05/21/bolsonaro-quis-alterar-bula-da-cloroquina-diz-mandetta.htm).

sexta-feira, 8 de maio de 2020

Pentacampeão do atraso infinito


“Com o surto de coronavírus paralisou a produção na China, a Abrinq (Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos) diz ver uma oportunidade para fábricas brasileiras. As unidades da China precisam estar plenamente recuperadas até abril para atenderem ao Dia da Criança. No Brasil, as companhias têm capacidade instalada para suprir a demanda. Hoje, segundo a associação, os brinquedos chineses correspondem a 48% do que é vendido no país” (Coronavírus deve afetar da Zona Franca de Manaus à 25 de Março, https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2020/03/coronavirus-deve-afetar-da-zona-franca-de-manaus-a-25-de-marco.shtml, acessado em 08/05/2020)

“Um deles, representante de fábricas de brinquedos, mostrou qual era a preocupação da turma. Reclamou da China e completou: “Eu tenho um inimigo lá fora prontinho para suprir o mercado inteiro, e então haverá morte de CNPJ”” (Enquanto CPFs morrem, Bolsonaro serve cafezinho para os CNPJs, https://www1.folha.uol.com.br/colunas/bruno-boghossian/2020/05/enquanto-cpfs-morrem-bolsonaro-serve-cafezinho-para-os-cnpjs.shtml)

O despreparo do brasileiro, aliado inseparável da soberba e falta de conhecimento, mostrou as suas garras na pandemia com enorme força. No dia 01 de março de 2020 a Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos considerou como uma oportunidade a quarentena da China. Ela afirmava que o Brasil podia suprir a demanda e que dificilmente a indústria de brinquedos da China estaria pronta para retornar a produção em abril de 2020.

No dia 07 de maio de 2020, apenas dois meses depois da declaração de oportunidade para o Brasil, o representante declarou que a indústria chinesa de brinquedos estava pronta para suprir o mercado brasileiro e levar para a falência as indústrias nacionais.

Mais uma vez, a soberba e a falta de conhecimento foram derrotadas pela inteligência e sabedoria. A China fez em um mês, o que o Brasil levará meses para fazer em relação à pandemia.

A incompetência e a incapacidade reinante no pais é a real barreira para a retomada dos trabalhos. Os CNPJs que não sobreviverem são os exemplos do que a falta de planejamento, engenharia e inovação faz com um pais.





terça-feira, 28 de abril de 2020

Mundo depois da quarentena – Capítulo final


“Trabalhar remotamente em casa será uma atividade cada vez mais produtiva e eficiente. Trabalhos fabris, repetitivos e mecânicos, serão feitos por robôs, desobrigando os mais pobres de imitar Moisés com travessias laboriosas” (Lucro com propósito e pesquisa colaborativa devem sair fortalecidos da pandemia, https://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2020/04/lucro-com-proposito-e-pesquisa-colaborativa-devem-sair-fortalecidos-da-pandemia.shtml?origin=folha, acessado em 21/04/2020).

Infelizmente, os olhos do atraso impedem a observação de todos os fenômenos simultaneamente. São olhos do achismo, da soberba e do pensamento parcial. Os pensadores mais gabaritados enxergam a grande pintura e afirmam que o home office veio para ficar. Estes olhos enxergam lucros robustos de longo prazo.

“Acho que dá menos prejuízo ficar fechado. Está às moscas. Eu esperava algo melhor”, afirma Tito Bessa Junior, presidente da Ablos (associação de lojistas de menor porte de shoppings) e dono da rede de moda (TNG Ficar fechado dá menos prejuízo, diz dono de loja, https://www1.folha.uol.com.br/colunas/painelsa/2020/04/ficar-fechado-da-menos-prejuizo-diz-dono-de-loja.shtml?origin=folha, acessado em 21/04/2020).

Na terceira parte do artigo foi abordada a primeira das microtendências da sociedade pós quarentena. Ou seja, como o comportamento individual alimentará o comportamento coletivo da sociedade e vice versa.

É fácil perceber que existe uma enorme quantidade de perguntas não respondidas sobre qual será o comportamento das pessoas e qual será o impacto do comportamento na economia brasileira.

Nos casos onde já ocorreram alguma forma de relaxamento da quarentena é possível olhar na pratica o que poderá ocorrer. É muito importante destacar neste momento que estamos falando de um futuro que não foi escrito ainda. Em outras palavras, não é possível extrapolar que está ocorrendo em algumas cidades para todo o país.

Não existem respostas prontas. No máximo existem apenas algumas tendências de comportamento que poderão ocorrer. Um bom exemplo da imprevisibilidade do comportamento é o caso do estado de São Paulo. Antes da decretação do fechamento dos shoppings, as lojas já estavam sem faturamento por vários dias.

“Empresas dizem que já estavam sem faturamento há dias, mesmo com portas abertas” (Redes de moda sentiram alívio após Doria mandar fechar shoppings, https://www1.folha.uol.com.br/colunas/painelsa/2020/03/redes-de-moda-sentiram-alivio-apos-doria-mandar-fechar-shoppings.shtml).

A construção do futuro depende das respostas dos indivíduos e da sociedade para os desafios pós quarentena. Quanto for maior o grau da falta de credibilidade das autoridades públicas, maior será o medo da população em sair de casa.
Infelizmente apenas alguns líderes estão sendo capazes de transmitir conforto verdadeiro para a população. Aqui no Brasil, as lideranças transparentes e honestas são raras. Se o medo da população for muito elevado (mais de 50% das pessoas acimas de 60 anos com receio de sair de casa) isto pode desertificar os shoppings e o comercio físico.


Como ficará a dinâmica das cidades brasileiras se o transporte público transportar apenas 30% dos passageiros? Como ficará a economia local? Nas capitais mais populosas do Brasil, parar o metro significa parar a cidade. Parar a cidade de São Paulo, significa parar a economia brasileira.

“Cada vez mais a loja física vai ficar muito focada em experiência, no envolvimento do consumidor, enquanto o on-line suportará a questão de conveniência” (Para convidados do IT ForOn Breakouts, conveniência é caminho sem volta, https://cio.com.br/para-convidados-do-it-foron-breaktous-conveniencia-e-caminho-sem-volta/).


quarta-feira, 22 de abril de 2020

Mundo depois da quarentena – parte 3


“A lógica do vale-tudo e, em particular, restrições a exportação abalam a confiança no comércio internacional. Todos os países sairão da pandemia mais céticos em relação à possibilidade de importar o que não produzem, mesmo tendo contribuído para o problema ao limitar exportações e, indiretamente, incentivar os demais a fazerem o mesmo. A sensação de vulnerabilidade gerada pelos episódios de hoje imprimirá sua marca na política comercial dos próximos anos. O mundo pós-pandemia será mais protecionista (Vale-tudo no comércio internacional, https://www1.folha.uol.com.br/colunas/tatiana-prazeres/2020/04/vale-tudo-no-comercio-internacional.shtml, acessado em 21/04/2020).

“A executiva afirma que a multinacional iniciou a operação de sistemas em grandes clientes sem nenhum consultor presente fisicamente, uma experiência que antes deixava a impressão de que não seria possível” (Presidente de multinacional de tecnologia alerta para saúde mental no home office, https://www1.folha.uol.com.br/colunas/painelsa/2020/04/presidente-de-multinacional-de-tecnologia-alerta-para-saude-mental-no-home-office.shtml)

Para quem acha que o home office não veio para ficar, segue acima o caso da SAP, onde diversas operações foram feitas remotamente. A agilidade da entrega de resultados combinada com a redução de custos incorporou a experiencia a rotina diária da SAP.

“Empresários aderem a campanhas massivas por redes sociais para atrair novos consumidores para venda online” (Pandemia força mudança no comércio online brasileiro, https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2020/04/pandemia-forca-mudanca-no-comercio-online-brasileiro.shtml).

“Agora, existe uma venda online, mas assistida. Muitas vezes, é um consumidor que não estava preparado para uma venda online. Isso é o tipo de coisa que muda [para sempre]. A gente nunca vai parar de fazer essa modalidade de venda. É um pouco como as empresas mudam nessa crise e como os consumidores mudam. Fonte : Roberto Fulcherberguer, CEO da Via Varejo ( CEOs veem mudança de perfil de consumidores durante a crise, https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2020/04/20/vendas-pela-internet-ajudaram-a-minimizar-crise-diz-ceo-da-via-varejo.htm).

Os casos da Magazine Luiza, cujo faturamento é hoje 100% do online, da B2W, controlada pelas Americanas, ViaVarejo dona da Casas Bahia, Extra.com e Ponto Frio (20 mil vendedores trabalhando em home office), C&A cujo ecommerce está crescendo em três dígitos etc. revelam que o investimento do varejo (grandes, médias e pequenas empresas) no home office está sendo realizado com vigor e intensidade.

Na segunda parte do artigo foi abordada segunda dimensão das macrotendências, ou seja, o comportamento individual das pessoas pós quarentena.

A afirmação “O medo de que as escolas se tornem um ambiente propício para provocar uma segunda onda de contaminação fez com que milhares de pais mantivessem seus filhos em casa” (Na volta às aulas, pais dinamarqueses temem mandar filhos para escola, https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2020/04/em-volta-as-aulas-maes-dinamarquesas-temem-mandar-filhos-para-escola.shtml#) revelou que no plano individual a quarentena ainda não acabou nos lugares onde o governo reabriu algumas atividades econômicas.

É fácil perceber que o isolamento voluntario fará parte do cotidiano das pessoas que não desenvolveram anticorpos contra o coronavírus. Estas pessoas impulsionarão com muita força a evolução da transformação digital.

Com base nas duas dimensões das macrotendências é possível estabelecer a primeira das microtendências da sociedade pós quarentena. O plano do comportamento individual alimentará o comportamento coletivo da sociedade. Existem uma infinidade de dúvidas sobre qual será o comportamento das pessoas:

  • As pessoas vão se cumprimentar como antes?
  • Elas irão aos cinemas, teatros, shows, restaurantes, shoppings e esportes?
  • Eles ficarão mais tempo em casa?
  • A demanda por imóveis maiores aumentará?
  • O comércio, ensino e trabalho online ganhará a preferência das pessoas?
  • O trânsito nas grandes cidades diminuirá?
  • As atuais empresas de tecnologia ficarão mais fortes?
  • Novas empresas de tecnologia surgirão?
  • As pessoas se acostumarão com as diferenças do mundo online?
  • Os alunos obedecerão aos professores online?
  • Será possível incorporar nas mensagens as nuances e emoções de uma conversa ao vivo?
  • O investimento em ciência e tecnologia aumentará?
  • Os especialistas serão mais escutados?
  • Como ficará a cooperação internacional depois da quebra de contratos pelos chineses e confisco de equipamentos pelos Estados Unidos?
  • A China e Estados Unidos conseguirão reverter a crise de confiança?
  • A Índia, Coreia do Sul e Japão aproveitarão as oportunidades da crise de confiança capturarão o mercado que era dominado pela China?
  • O protecionismo aumentará?
  • Qual será o novo papel do estado na economia?
  • Como os investidores do mercado de ações reagirão ao novo modelo?
  • Quais empresas sobreviverão?
  • Quais empregos desaparecerão?
  • O trabalho remoto vai gerar empregos em massa para os profissionais de tecnologia?
  • Quais oportunidades de negócio serão criadas neste mundo novo?


O plano do comportamento individual será consequência da avaliação das medidas do governo contra o coronavírus. Todos os que perderam entes queridos durante a pandemia terão atuação política contra o governo caso eles discordem das medidas que foram tomadas. Em média cada óbito gerará cem opositores ao governo. Com as redes sociais os cem iniciais poderão virar milhares e até mesmo milhões.

Isto significa que a maior parte dos políticos com baixa aprovação durante a pandemia (ou todos eles) serão levados para o ostracismo nas próximas eleições. As pessoas votarão em políticos opositores aos seus desafetos.

“Pesquisas apontam que medidas adotadas pelo governo em meio à pandemia não têm agradado japoneses” (Como a resposta ao coronavírus está derrubando a popularidade do primeiro-ministro do Japão, https://g1.globo.com/mundo/noticia/2020/04/17/como-a-resposta-ao-coronavirus-esta-derrubando-a-popularidade-do-primeiro-ministro-do-japao.ghtml).

No Brasil, teremos eleições em 2020 (ou 2021) para prefeitos e vereadores e em 2022 para presidente, governadores, deputados e senadores. Será muito difícil (eu considero quase impossível) para os que tiverem baixa aprovação durante a crise do coronavírus conseguirem se eleger.


quarta-feira, 15 de abril de 2020

Mundo depois da quarentena – parte 2


Na primeira parte foi abordada a questão da internalização da produção na dimensão macrotendências do comportamento da sociedade depois da quarentena. O Macron está falando em refundação da França depois da quarentena. É muito forte neste momento a tendência de profundas mudanças nas políticas internas dos países (Macron anuncia retomada a partir de 11 de maio e pede 'refundação' da França, https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2020/04/macron-anuncia-retomada-a-partir-de-11-de-maio-e-pede-refundacao-da-franca.shtml, acessado em 15/04/20200.

As lições dos contratos cancelados unilateralmente e sem aviso prévio pelas empresas chinesas e confisco de equipamentos médicos pelos Estados Unidos abalaram profundamente a credibilidade que a comunidade internacional tinha nestes dois países (Coronavírus: EUA são acusados de 'pirataria' e 'desvio' de equipamentos que iriam para Alemanha, França e Brasil, https://www.bbc.com/portuguese/internacional-52166245)

A segunda dimensão das macrotendências é o comportamento individual das pessoas pós quarentena. Todos os que tiverem adquirido anticorpos contra o novo coronavírus poderão viver da mesma forma que viviam antes da pandemia.

Eles poderão frequentar restaurantes, cinemas, shoppings sem grandes preocupações, pois não podem ser atacados pelo Covid-19 e não são agentes transmissores da doença. Para este grupo a vida segue normalmente.

Para os que não tiverem anticorpos contra o novo coronavírus as mudanças serão profundas. Será bem lenta e gradual a volta destas pessoas ao espaço público. Eles usarão máscaras e outros equipamentos de proteção pessoal.

Dificilmente elas comerão fora de casa por casa do compartilhamento de talheres e pratos. Tudo terá que ser descartável para eles.

Na volta ao trabalho estas pessoas terão atitudes de distanciamento em relação aos seus colegas. Várias empresas não têm espaço físico nas suas instalações para separar as pessoas por dois metros. O uso do banheiro terá que ser revisto. Será necessário um grande esforço de planejamento para a realização de atividades triviais no ambiente de trabalho.

Tudo isto terá custo. O que significa que o custo fixo das empresas subirá. Um caso de Covid-19 em uma empresa poderá provocar o seu fechamento. O caso do SBT é um prenúncio do que ocorrerá nos próximos meses quando for registrado um caso de coronavírus em uma empresa (Por coronavírus, Ministério Público pedirá fechamento da sede do SBT no Rio, https://natelinha.uol.com.br/televisao/2020/04/14/por-coronavirus-ministerio-publico-pedira-fechamento-da-sede-do-sbt-no-rio--143657.php).

É fácil perceber que é bastante provável que as pessoas com anticorpos contra o novo coronavírus sejam disputadas no mercado. Se todos os funcionários tiverem anticorpos então a empresa não precisará mudar nada. Ela não terá o aumento do custo fixo mencionado anteriormente. Será uma enorme vantagem competitiva. Será ético tal estratagema?

Uma alternativa de mercado será a intensificação do home office. As empresas vão contratar e manter funcionários capazes de trabalhar como uma célula autônoma.

São pessoas com boa capacidade de visão geral da execução do planejamento. A capacitação do funcionário de interagir de forma remota e em tempo real com os seus colegas para à tomada das micro decisões do dia a dia será buscada com intensidade pelo mercado.

Será um novo nível de desafio para os times. Quem tiver melhor técnico e equipe mais entrosada será vitorioso neste momento de refundação da economia mundial. Os que estão apostando na transformação digital já estão colhendo frutos das suas decisões. A venda online dos produtos da páscoa cresceu mais de 300% (Compras online crescem 18,5%; produtos de Páscoa têm alta de 322%, https://economia.uol.com.br/noticias/estadao-conteudo/2020/04/14/compras-online-crescem-185-produtos-de-pascoa-tem-alta-de-322.htm)

“Os nervos da população ainda estão muito à flor da pele. Ao menos entre cidadãos como a senhora Sun, aposentada. Seu filho Xiaobo conta que ela não sai de casa desde o final de janeiro e ainda tem muito medo de ir para a rua” (Wuhan dá adeus ao seu bloqueio, mas confinamento ainda segue parcialmente, https://brasil.elpais.com/internacional/2020-04-08/wuhan-da-adeus-ao-seu-bloqueio-mas-confinamento-ainda-segue-parcialmente.html).

É fácil perceber que o confinamento voluntário vai afetar profundamente a dinâmica dos negócios depois da quarentena. Até o surgimento de uma vacina, apenas os que desenvolveram anticorpos contra o coronavírus viverão como viviam antes da pandemia.


quarta-feira, 8 de abril de 2020

Mundo depois da quarentena – parte 1


Neste período de quarentena estou recebendo diversos questionamentos sobre como será o mundo depois da quarentena do coronavírus. Empresários, empreendedores, investidores, profissionais liberais etc. estão usando a quarentena para preparar o seu negócio para competir em um novo modelo do mundo.

Como o assunto é bastante amplo, complexo e dinâmico, ele vem sendo discutido em diversas dimensões. A primeira dimensão é a de macrotendências da sociedade. As recentes disputas por alimentos e equipamentos médicos e de proteção entre os compradores e os vendedores protagonizadas pelos Estados Unidos, França, Alemanha, Brasil, China etc. criarão consequências institucionais no médio e longo prazo.

É muito provável que o atual modelo globalização seja aposentado. Fonte: “Países restringem a exportação de alimentos e fazem seu custo subir” (http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL640257-5602,00-PAISES+RESTRINGEM+A+EXPORTACAO+DE+ALIMENTOS+E+FAZEM+SEU+CUSTO+SUBIR.html, acessado em 08/04/2020) e “Coronavírus: EUA são acusados de 'pirataria' e 'desvio' de equipamentos que iriam para Alemanha, França e Brasil” (https://www.bbc.com/portuguese/internacional-52166245).

Os países que terceirizaram a sua indústria para outros países como a China, Índia etc. vão repensar o seu modelo e provavelmente irão internalizar uma grande parte da produção terceirizada (ou toda ela). Estaremos em breve vendo a substituição das importações por produção totalmente doméstica.

É evidente que neste novo modelo, a China terá uma forte redução das suas exportações e taxa de crescimento do PIB. Ou a China encontra uma forma de acabar com os cancelamentos das entregas dos equipamentos e produtos médicos ou ela terá que enfrentar no médio e longo prazo uma brutal redução das suas exportações.

Os países importadores que dependem da China irão repensar a sua estratégia de dependência das fabricas chinesas. Estes cancelamentos em um momento tão crítico estão criando um profundo sentimento de incerteza.

Os mercadores chineses que estão quebrando contratos por conta de ofertas melhores estão pensando apenas nos ganhos de curto de prazo. No médio e longo prazo eles estão levando a sua empresa para a falência por causa da perda da confiança. Quem fará negócios com ela novamente? A mulher americana tem como lema quem trai uma vez trai sempre.

A internalização das terceirizações provavelmente aumentará os custos de fabricação por conta da menor escala de produção, isto significa, que no médio e longo prazo teremos uma pressão inflacionária. A consequência do possível aumento da inflação será a redução da velocidade de recuperação das economias.

Os Estados Unidos que estão usando uma lei criada em tempos de guerra para bloquear ou reduzir o comércio de produtos essenciais e insumos médicos poderão sofrer grandes retaliações no médio e longo prazo.

Os importadores irão também escolher a produção interna e gigantes multinacionais que caírem na tentação de maximizar o ganho no curto prazo poderão enfrentar enormes dificuldades no médio e longo prazo. Qualquer um que pense apenas no curto prazo e quebre contratos estabelecidos está cavando um poço para a sua derrocada no futuro.

Todos os que resolveram os seus problemas depois de terem acordos formais bem estabelecidos cancelados encontraram de uma forma ou de outra uma solução para o abastecimento interno. A solução sem o fornecedor revela que ele é redundante, ou seja, pode ser descartado.



terça-feira, 31 de março de 2020

Novo coronavírus e o home office - Segunda Parte


É perfeitamente possível aumentar a produtividade do Brasil através do home office. É evidente que é preciso boa vontade e esforço coletivo. Os bons exemplos estão subindo á tona com a quarentena do novo coronavírus.

O Frederico Trajano afirmou que o Magazine Luiza desenvolveu ferramentas para vender com a loja fechada. Os vendedores têm celular e podem vender sem precisar ir à loja física.

Foi revelado que a equipe de escritório em home office entregou em cinco dias o trabalho previsto para ser entregue em 50 semanas (“Exato, fizemos 50 semanas em cinco dias, meio lema JK. Apesar de estar com 100% da equipe de escritório em home office, a gente conseguiu em menos de cinco dias colocar tudo que estava faltando para poder soltar essa plataforma no ar. Tem modalidade para pessoa física e para pessoa jurídica. Pessoa física autônoma consegue vender sem sair de casa e ganhar dinheiro”. Fonte: Fomos os primeiros a fechar e não deveremos ser os primeiros a reabrir, diz presidente do Magazine Luiza, https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2020/03/fomos-os-primeiros-a-fechar-e-nao-deveremos-ser-o-primeiros-a-reabrir-diz-presidente-do-magazine-luiza.shtml?origin=folha, acessado em 31/03/2020).

Um outro caso de sucesso digital foi protagonizado por pequenos restaurantes. O dono de uma pequena cafeteria percebeu que não iria sobreviver com vendas online por causa do baixo valor agregado dos lanches. Ele então resolveu fechar a casa e vender todo o seu estoque divulgando as ofertas no Instagram. Em duas horas ele vendeu tudo e fez tantos pedidos para o seu fornecedor que o estoque dele acabou também. Atualmente, ele está vendendo vouchers com desconto que poderão ser utilizados quando a cafeteria reabrir (Para sobreviver, restaurante pede até para vizinho entregar de bicicleta, https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2020/03/27/restaurantes-doacao-alimentos-pereciveis-coronavirus-sao-paulo.htm).

No mesmo artigo é mencionado o caso de um pequeno restaurante que considera as taxas de delivery muito altas. A dona do estabelecimento divulgou no Instagram as oportunidades para entregadores que moram no bairro do restaurante e montou uma rede de entrega no próprio bairro com pessoas que nunca fizeram entregas na vida.

Um outro uso de home office de grande sucesso é o caso das costureiras idosas, técnicas de enfermagem e enfermeiros que não podem trabalhar por fazerem parte do grupo de risco do coronavírus e estão costurando jalecos de TNT para os profissionais de saúde (Voluntários no Recife montam 'fábrica' de jalecos em TNT para suprir faltas, https://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2020/03/30/voluntarios-no-recife-montam-fabrica-de-jalecos-em-tnt-para-suprir-faltas.htm).

São exemplos onde o bom uso do home office está produzindo produtos essenciais para o pais na crise do coronavírus e está ao mesmo tempo gerando renda para uma cadeia produtiva.
É possível aplicar soluções similares para todas as cidades brasileiras e adaptar o sistema produtivo para gerar produtos e receitas que agregam valor. Com um bom nível de coordenação o governo brasileiro pode explorar as oportunidades geradas pelas redes sociais e criar um sistema produtivo novo que seja flexível e inteligente.