segunda-feira, 22 de julho de 2019

Eram os Deuses astronautas?


Em 2019 faz cinquenta anos que homem chegou na lua. É difícil imaginar como tal feito foi realizado com os computadores da época. O nosso smartphone mais simples é milhões de vezes mais potente que os computadores de bordo da missão Apollo 11.

Feito o destaque para um dos momentos mais marcantes da humanidade é preciso voltar ao planeta Terra e mais uma vez voltar à carga das falácias proferidas pelos geniais gênios brasileiros.

É fato que a reforma da previdência foi aprovada e não estamos vendo o Brasil sendo inundado por capital estrangeiro e entrando em ciclo de crescimento. Mais uma vez a realidade desmente os mercadores de tolices. Foi assim com a reforma da CLT.

Muitos magos do apocalipse vivem atacando a CLT e os seus penduricalhos. Estes mágicos do ocultismo das ciências econômicas afirmam que as leis trabalhistas brasileiras protegem demais os trabalhadores e impedem a criação de novos empregos.

Em nenhum momento, os mercadores de falácias explicam por que os brasileiros com tantos benefícios trabalhistas insistem em querer trabalhar legalmente ou não nos Estados Unidos, Europa e Canadá. Parece loucura abandonar a proteção infinita da CLT.

Também não existem explicações por que os americanos, europeus e canadenses não vem para o Brasil para trabalhar legalmente ou não para receber os benefícios e penduricalhos infinitos da nossa lei trabalhista.

Um fato recente que é obviamente um viés da confirmação chamou minha atenção. No artigo “Análise: Cortes na Globo eram previstos; investimentos também” (https://tvefamosos.uol.com.br/noticias/ooops/2019/07/14/analise-cortes-em-equipes-da-tv-globo-ja-eram-previstos.htm, acessado em xx/xx/2019) foi afirmado que:

Há dois temores dos profissionais em aceitar essa mudança, como o site Notícias da TV informou no mês passado: a aparente redução do ganho líquido, no caso de mudança de PJs para celetistas; o temor que, após aceitarem a mudança, a emissora demita a todos e pague apenas por efêmeros direitos trabalhistas

Em outras palavras, os funcionários da TV Globo estão pedindo demissão, porque não estão interessados em receber os generosos benefícios infinitos da CLT. Definitivamente estamos vivendo um momento de extremada loucura. Os trabalhadores da maior emissora de televisão do Brasil preferem trabalhar em outra emissora do receber pela CLT. Provavelmente eles temem ficarem mal-acostumados com tantos benefícios e penduricalhos.

É impressionante a quantidade de vezes que os doutores repetem as mesmas teorias falaciosas. Para os mercadores, se os fatos desmentem as suas teorias mirabolantes, ora danem-se os fatos. O bom senso já foi para as cucuias há muito tempo.

O ministro que afirmou em 2018 que iria zerar o déficit público em 2019, pediu crédito suplementar que aumentou o déficit em 2019. Esta mesma potência intelectual disse que após a reforma da previdência os investimentos estrangeiros iriam encher as nossas burras e gerar crescimento espetacular. Não estamos vendo nenhum espetáculo do crescimento.

O supercérebro vem agora com mais uma das suas máximas. O artigo “Governo finaliza reforma tributária e discute imposto sobre transação, diz Guedes “ (https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2019/07/governo-finaliza-reforma-tributaria-e-discute-imposto-sobre-transacao-diz-guedes.shtml) revelou que o ministro proferiu a seguinte afirmação: “Os encargos sobre folha de pagamento são um imposto cruel, perverso, cria milhões de desempregados no Brasil”.

Mais uma vez os fatos baseados em números reais desmentem a mirabolante teoria dos encargos sobre a folha de pagamentos. O artigo “Desoneração da folha de pagamento não tem efeito, diz Ipea” (https://www1.folha.uol.com.br/colunas/mercadoaberto/2018/01/1953811-desoneracao-da-folha-de-pagamento-nao-tem-efeito-diz-ipea.shtml) revelou as seguintes afirmações:

·        A desoneração da folha de pagamentos, medida que foi implementada a partir de 2011 cujo propósito era influenciar o volume de empregos, é ineficiente, aponta estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada)

·        "Há ausência de efeito. A lei não gerou vagas", diz Felipe Garcia, um dos economistas que assinam a pesquisa, que usou informações do Ministério do Trabalho

·        Estatística descritiva do volume de emprego: Antes desoneração = 32,72. Depois desoneração = 32,77

Conclusão, segundo o estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, a desoneração da folha de pagamento (substituição da contribuição patronal de 20% para a previdência social por alíquota entre 1% e 2% do faturamento) não gerou mais empregos no Brasil. Ou seja, continuamos com muito blábláblá e pouco fato.

É interessante como o supercérebro trabalha o imaginário coletivo. A sua equipe econômica afirmou que o setor de serviços (70% do PIB) só apoia a reforma tributária se a folha de pagamentos for desonerada (Deputados desdenham criação de imposto único na reforma tributária, https://painel.blogfolha.uol.com.br/2019/07/17/deputados-desdenham-criacao-de-imposto-unico-na-reforma-tributaria/). A reforma da previdência está sendo feita para reduzir o seu déficit. Causa espécie uma proposta que reduza a arrecadação de algo que é deficitário.

O artigo “Governo quer estimular opção por novo modelo de saque anual do FGTS” (https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2019/07/bolsonaro-diz-que-multa-de-40-do-fgts-inibe-criacao-de-empregos.shtml) revelou a seguinte afirmação do atual presidente do Brasil:

O pessoal não emprega mais por causa da multa. É quase impossível ser patrão no Brasil

Mais uma vez os fatos desmentem as teorias mirabolantes dos geniais gênios brasileiros. A multa de 40% do FGTS foi imposta pela constituição de 1988. Ela é paga pelo empregador em caso de demissão sem justa causa. O artigo “FGV: Mercado de trabalho vive situação de pleno emprego” publicado em 17 de janeiro de 2014 (https://economia.estadao.com.br/noticias/geral,fgv-mercado-de-trabalho-vive-situacao-de-pleno-emprego,175625e) revelou a afirmação do economista Fernando de Holanda Barbosa Filho, da Fundação Getúlio Vargas (FGV):

O mercado de trabalho continua aquecido e o País ainda vive uma situação de pleno emprego

Em outras palavras, Brasil já vivenciou situação de desemprego muito baixo existindo a multa de 50% do FGTS. Os fatos mostram que o pessoal empregou mais do que em 2019 e que não era impossível ser patrão no Brasil. Para não ficar só no blábláblá dos mercadores de falácias vamos para os fatos do porquê os empregos abandonaram o Brasil varonil.

O artigo “Entra e sai em instituições como BNDES e Embrapa freia inovação, diz MIT” (https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2019/07/entra-e-sai-em-instituicoes-como-bndes-e-embrapa-freia-inovacao-diz-mit.shtml) revelou que a elevada rotatividade dos executivos que lideraram as principais instituições públicas responsáveis por inovação no Brasil entre 1985 e 2016 gerou perda de foco. A elevada rotatividade da mão de obra nos setores promissores também contribuiu para os resultados pobres.

O artigo “Velho aos 35? A obsessão de contratar nativos digitais é um risco para a inovação” (https://epocanegocios.globo.com/Carreira/noticia/2019/07/velho-aos-35-obsessao-de-contratar-nativos-digitais-e-um-risco-para-inovacao.html) revelou que o bom e velho preconceito contra o cabelo branco no Brasil impediu a criação de inovações geradoras de riqueza e emprego.  

quarta-feira, 8 de maio de 2019

Cultura do atraso ataca novamente


Na postagem “Atendimento excelente é a salvação da lavoura?” (https://www.4hd.com.br/blog/2019/04/24/atendimento-excelente-e-a-salvacao-da-lavoura/, acessado em 08/05/2019) foi reproduzida a chamada para o evento “Atendimento como solução para o seu bug”. A equipe de divulgação deste evento usou as seguintes palavras na sua descrição: “Um bom produto que tenha um suporte ruim é um mal produto, mas um produto ruim que tenha uma boa estrutura de atendimento torna-se um produto bom”.

É desalentador perceber o elevado nível de dificuldade em comunicação e expressão e em lógica de um líder social e econômico. Não existe na língua escrita e falada no Brasil a possibilidade de existir um “mal produto”.

A lógica em acreditar que “um produto ruim que tenha uma boa estrutura de atendimento torna-se um produto bom” é extravagante. É muito mais elegante afirmar que a única coisa que a empresa é capaz de oferecer para os seus clientes é um atendimento cordial. É mais honesto afirmar que a empresa não tem capacidade para eliminar os erros e falhas do seu produto. Achar que é possível esconder os erros e falhas de um produto com um atendimento educado é o mesmo que acreditar na existência do Papai Noel.

No artigo “Bom atendimento não garante serviço, dizem paulistanos” (https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2019/05/bom-atendimento-nao-garante-servico-dizem-paulistanos.shtml), o empresário Marcos Salotto avaliou o serviço da prefeitura. Ele afirmou que "O atendimento é lindo, maravilhoso. Mas não funciona". Em outras palavras, o atendimento cordial é incapaz de compensar os erros e falhas de um produto ou serviço. O cliente entende que foi lesado.

Infelizmente tais situações ainda estão presentes no cotidiano das principais lideranças brasileiras. Para muitos ainda estamos vivendo no ano de 2009. Os avanços conquistados pelo resto do mundo nos últimos dez anos são super-realizações inalcançáveis pelos brasileiros na cabeça dos nossos líderes.

Para entender o que o Brasil vem perdendo por conta da pobreza intelectual das nossas lideranças vou traçar um rápido paralelo entre a realidade que existia em 2009 e a que existe em 2019.

Em 2009, o valor de mercado da Petrobrás e da Apple era praticamente igual. O Brasil cresceu entre 2009 e 2010 muito mais que os Estados Unidos. Nos Estados Unidos diversas empresas gigantescas faliram. A taxa de desemprego nos Estados Unidos era muito maior que no Brasil. O Brasil elegeu empresas para liderar segmentos de mercado no mundo inteiro. Empresas como Facebook, Airbnb, YouTube, Instagram, Uber, WhatsApp etc. eram ou inexistentes ou embrionárias. A empresa Amazon já era grande, mas era incapaz de competir no Brasil contra a livraria Saraiva e Cultura.

Em 2019, o valor de mercado da empresa Apple é maior do que toda a bolsa de valores do Brasil. A taxa de crescimento do PIB dos Estados Unidos é muito maior que a do Brasil. No Brasil diversas empresas multinacionais gigantescas deixaram o território nacional. Todas as empresas eleitas em 2009 para liderarem segmentos da economia mundial perderam participação de mercado. A taxa de desemprego no Brasil é muito maior que a dos Estados Unidos. Empresas como Facebook, Airbnb, YouTube, Instagram, Uber, WhatsApp etc. são gigantescas. A empresa Amazon entrou no Brasil e a livraria Saraiva e Cultura entraram em recuperação judicial.

Entre 2009 e 2019, o mundo vivenciou a era dos APIs, aplicativos, assinaturas etc. As empresas americanas que eram embrionárias ou inexistentes em 2009 investiram em competência, capacidade e honestidade. Para elas não existe este negócio do preconceito contra o cabelo branco. Existe apenas trabalho produtivo.

As soluções baseadas em Inteligência Artificial e aprendizado de máquina invadiram todos os produtos do mercado mundial. As lideranças nacionais escolheram bater o pé em 2009 e o resultado é a crise fiscal que o país vive. O Brasil perdeu muita competitividade com a estagnação da produtividade em um patamar baixo. Se olharmos para a abundância de recursos disponíveis fica claro que a produtividade do Brasil caiu dramaticamente nos últimos dez anos.

Até quando a pobreza intelectual das lideranças brasileiras vai impedir o crescimento do país? Infelizmente eu não tenho uma resposta para esta pergunta. No entanto, eu consigo afirmar que enquanto a elite econômica nacional for incapaz de resolver as suas dificuldades de comunicação e expressão e de lógica, o Brasil vai continuar vivendo no ano de 2009.

É decepcionante quando apenas em 2019, o Brasil está iniciando um estudo para a utilização das redes sociais pelos servidores públicos (Toffoli cria grupo de trabalho para discutir uso de redes sociais por juízes, https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2019/05/04/toffoli-cria-grupo-de-trabalho-para-discutir-uso-de-redes-sociais-por-juizes.htm). Em qual universo estas pessoas pensam que estão vivendo?

A utilização das redes sociais pelos servidores públicos no Brasil é um assunto que deveria ter sido equalizado faz tempo. Quem sabe em 2022 teremos o resultado do grupo de trabalho.

sexta-feira, 26 de abril de 2019

KCS ame-o ou deixo-o


O principal evangelizador do Service Desk no Brasil, Roberto Cohen, postou um revelador artigo sobre o KCS (KCS, por que não sou teu fã, https://www.4hd.com.br/blog/2019/04/17/kcs-por-que-nao-sou-teu-fa/, acessado em 24/04/2019).

Ele baseou a sua narrativa em fatos e opiniões. Todos os argumentos usados pelo Cohen sobre as vantagens e desvantagens da metodologia KCS tem o nobre objetivo de aumentar a produtividade dos funcionários e clientes.

O Roberto produziu um conjunto completo da lógica do atendimento da central de serviços usando uma base de conhecimento. A linha mestre do evangelizador foi sobre os casos de sucesso da metodologia do KCS no passado e como ela é capaz de facilitar a solução dos problemas na medida em que eles forem aparecendo.

Como toda base de conhecimento, o KCS é uma expressão de fatos ocorridos no passado. Até aí não existe novidade alguma. A grande questão sobre a utilidade de uma ferramenta que explica como foram resolvidos os problemas acontecidos no passado é como estas informações agregam valor no presente do aqui e agora.

Raramente as amarrações de uma metodologia são explicitadas com a devida clareza nos treinamentos. Infelizmente no Brasil ainda existem conflitos comportamentais nas atividades realizadas por algumas entidades.

A boa notícia é que em breve as organizações que baseiam o seu comportamento comercial na capacitação, honestidade e competência vão suplantar com elevada margem as entidades que oferecem treinamentos pobres.

A metodologia KCS foi inteiramente desenvolvida com amarração em relação ao ambiente de tecnologia (é o seu pilar de sustentação). isto significa que o conhecimento armazenado na base de dados está intrinsecamente conectado com os componentes presentes naquele instante no ambiente de infraestrutura de tecnologia (hardwares, softwares e configurações).

Até o ano de 2010, a amarração do conhecimento com as versões dos componentes do sistema não gerava um impacto relevante na análise dos problemas. Naquela época era fácil gerenciar e controlar as versões dos softwares e do sistema operacional do equipamento. No prazo de um ano raramente ocorria mais do que duas alterações da versão de um software e todas elas eram de baixo impacto no ambiente.

Após a explosão da era dos aplicativos ocorrida na segunda década do século XXI (por volta do ano de 2015), o quadro das alterações das versões mudou radicalmente.

Com a introdução do Software as a Service (SaaS), ocorreu a adoção da solução do produto mínimo viável pelos fornecedores e com isto a atualização das versões dos softwares passou a ocorrer em frequência quase diária (existem casos de várias atualizações no mesmo dia).

O quadro de mudanças constantes foi agravado com o Windows 10. Nesta versão do sistema operacional da Microsoft as atualizações ocorrem automaticamente sem intervenção alguma do usuário.

Na era pós aplicativo, o gerenciamento e o controle das versões dos softwares instalados no equipamento do usuário deixaram de existir porque a nova regra é entregar um software com possíveis defeitos e ir corrigindo os erros e falhas conforme eles forem aparecendo. A etapa de testes dos aplicativos foi reduzida fortemente. É tão mais barato lançar um software nesta filosofia que todo o mercado trabalha desta forma.

O produto mínimo viável é lançado na produção e conforme vão aparecendo os erros e falhas, novas versões do aplicativo vão sendo liberadas. Como a atualização ocorre em tempo real de forma autônoma e automática, deixou de ser relevante o gerenciamento e o controle das versões dos aplicativos.

Por causa disto a base de sustentação do KCS ruiu. A solução registrada na base de conhecimento para um determinado problema perde o sentido quando o ambiente de tecnologia é completamente diferente.

Em um novo ambiente ou o problema deixa de existir ou a solução registrada não funciona porque as versões dos softwares e sistema operacional são diferentes do que existia na época em que a solução foi registrada no KCS.

Os que vivem na cultura do atraso continuamente ignoram as amarrações das metodologias e realizam treinamentos de KCS sem critério algum. Estas organizações tem capacidade competitiva negativa.

Eu não tenho dúvidas de que estas entidades terão o mesmo destino das organizações varridas do mercado brasileiro, quando chegaram ao Brasil as consultorias indianas baseadas na capacitação, competência e honestidade. Elas tomaram para si o mercado nacional. O tempo dos que vivem fora do ambiente da competência, capacidade e honestidade terminou. É game over.   

segunda-feira, 22 de abril de 2019

Porque é diferente


É indiscutível o papel cultural e simbólico do Museu Nacional do Rio de Janeiro e da Catedral Notre-Dame da França. Os dois locais representam de forma absoluta a sagacidade e tenacidade da sua população. Os dois locais sofreram incêndios terríveis. A destruição destes dois templos gerou grande comoção.

Enfim, são muitas semelhanças no impacto da catástrofe. No entanto, o plano concreto de ações é de uma diferença gigantesca. Em poucos dias, as doações para a recuperação da Catedral Notre-Dame chegaram à casa dos bilhões e em muitos meses as doações para a recuperação do Museu Nacional do Rio de Janeiro superaram ligeiramente a casa de um milhão de Reais (Destruído por incêndio, Museu Nacional recebeu R$ 1,1 milhão em doações, https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2019/04/destruido-por-incendio-museu-nacional-recebeu-r-11-milhao-em-doacoes.shtml, acessado em 22/04/2019).

Muitos podem pensar que a diferença abissal das doações é consequência do tamanho da economia brasileira e francesa. Esta linha de raciocínio está profundamente equivocada. O artigo “Saiba quem é a bilionária brasileira que doou R$ 88 milhões para a reconstrução da Notre-Dame” (https://glamurama.uol.com.br/saiba-quem-e-a-bilionaria-brasileira-que-doou-r-88-mi-para-a-reconstrucao-da-notre-dame/) revelou a que a doação realizada por de uma bilionária brasileira para a recuperação da Catedral Notre-Dame é maior que o valor total arrecadado em doações para a recuperação do Museu Nacional. Isto significa que caso ela tenha doado recursos para os dois casos, a doação para a Catedral foi muito maior.

O que é capaz de gerar um comportamento tão diferente? A grande diferença nos dois casos é que as pessoas que estão doando para a recuperação da Catedral Notre-Dame confiam que os recursos doados serão usados com eficiência e eficácia. Todos acreditam que será formatado um bom projeto e que existirá maximização da produtividade.

No caso do Museu Nacional, as pessoas não confiam na capacidade de seleção e dos escolha dos responsáveis pela recuperação. Este é o motivo por que os doadores escolheram doar um valor irrisório em relação ao seu patrimônio. Eles têm tamanha certeza que existirá uma minimização da produtividade que doam apenas um valor na linha "dinheiro de pinga".

Muitos perguntam por que eu bato na tecla da produtividade nacional por tanto tempo. Este é um dos casos onde é perfeitamente possível observar o impacto da baixa produtividade da economia brasileira em uma iniciativa de alta relevância.

O histórico de baixa produtividade brasileira faz com que as pessoas acreditem que todas as iniciativas realizadas no território nacional consumirão a maior parte dos recursos em desperdícios, perdas e retrabalhos. Infelizmente, este péssimo histórico impactou negativamente as doações para a recuperação do Museu Nacional do Rio de Janeiro.

Seria muito importante que os dirigentes do atual governo reflitam como a nossa baixa produtividade está afastando os investidores estrangeiros do Brasil. As reformas da economia são muitos importantes para a recuperação da economia nacional, no entanto, é muito mais rápido e fácil elevar a produtividade do trabalhador brasileiro. Este deveria ser o alvo da primeira reforma.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

Quanto custa a destruição da engenharia no brasil?


Foi afirmado que a Samarco gerou prejuízos de aproximadamente vinte bilhões de Reais entre 2015 a 2017. Antes da tragédia de Mariana a empresa era lucrativa. Em 2014, o lucro foi de R$ 2,8 bilhões.
Fonte: O atraso bárbaro mata e custa caro, https://www1.folha.uol.com.br/colunas/viniciustorres/2019/01/o-atraso-barbaro-mata-e-custa-caro.shtml, acessado em 30/01/2019.

Nos últimos anos o Brasil vem colecionando recordes negativos. Os mais recentes estão explicitados nos seguintes artigos: “Percepção da corrupção aumenta, e Brasil tem pior nota em ranking desde 2012” (https://www1.folha.uol.com.br/poder/2019/01/percepcao-da-corrupcao-aumenta-e-brasil-tem-pior-nota-em-ranking-desde-2012.shtml,) e “Tragédia com barragem da Vale em Brumadinho pode ser a pior no mundo em 3 décadas” (https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/bbc/2019/01/29/tragedia-com-barragem-da-vale-em-brumadinho-pode-ser-a-pior-no-mundo-em-3-decadas.htm).

Em setembro de 2018 uma auditoria assegurou a segurança da barragem e em janeiro de 2019 ela foi rompida. Um dos engenheiros recebeu prêmio em 2018 por projeto de gestão de risco de barragem. Fonte: Engenheiro que atestou estabilidade de barragem já ganhou prêmio por segurança, https://www.folhape.com.br/noticias/noticias/brumadinho/2019/01/29/NWS,94771,70,1370,NOTICIAS,2190-ENGENHEIRO-QUE-ATESTOU-ESTABILIDADE-BARRAGEM-GANHOU-PREMIO-POR-SEGURANCA.aspx.

A tragédia ocorrida em Brumadinho mostra com muita clareza o resultado da destruição da engenharia no Brasil. Uma das formas para localizar desaparecidos em catástrofes é o celular. Ele emite tanto ondas de calor como ondas de Rádio Frequência (RF). A união destas duas informações facilita a localização das pessoas. É possível medir as ondas de calor com os analisadores de infravermelho e as ondas de RF com os analisadores de espectro de frequência.

O Brasil precisou da ajuda de Israel para realizar estas atividades. Os israelenses começaram os trabalhos na segunda feira dia 28 de janeiro. A tragédia ocorreu na sexta-feira dia 25 de janeiro. Infelizmente a bateria dos celulares dos desaparecidos estava muito enfraquecida quando as buscas usando tecnologias modernas foram iniciadas. Fonte: Celular pode ajudar a achar vítimas de Brumadinho; bateria no fim é entrave, https://noticias.uol.com.br/tecnologia/noticias/redacao/2019/01/28/celular-pode-ajudar-a-achar-vitimas-de-brumadinho-bateria-no-fim-e-entrave.htm.

Muitos familiares ligaram insistentemente para os desaparecidos entre os dias 25 e 28. Estas ligações apressaram o processo de descarregamento das baterias dos celulares. Em nenhum momento foi alertado para os moradores, a importância da manutenção da carga da bateria dos celulares para a localização das pessoas.

A atividade de localização que já era de enorme dificuldade ganhou um grau extra de desafio pelo descarregamento das baterias. Se as tecnologias modernas de localização estivessem disponíveis no território nacional, na própria sexta feira dia 25 elas poderiam ter sido utilizadas. É possível que o número de sobreviventes fosse maior e a tragédia fosse menor.

Mais uma vez a destruição da engenharia no Brasil levou o país para um resultado triste. Espero que um dia, as lições sejam aprendidas e o Brasil acorde para o século XXI.

É muito preocupante ver um laudo aprovando a segurança da barragem em setembro de 2018 e encontrar a tragédia de janeiro de 2019. Seria muito importante esclarecer o que significa a aprovação da segurança. Também é de fundamental importância explicitar quais parâmetros foram utilizados para a conclusão.

A realidade dos fatos mostra que existe algo estranho neste angu. É preciso aumentar a transparência dos laudos de segurança e manter a comunidade ao redor da barragem informada sobre como e quando são realizadas auditorias de segurança.

É hora de levar o Brasil para o século XXI. A tecnologia Blockchain pode ser utilizada para criar um livro razão descentralizado que armazene todas as auditorias de segurança das barragens. Estas informações devem ser usadas para criar um seguro contra acidentes nas barragens cujos beneficiários seriam a comunidade. O seguro deve cobrir as perdas materiais e as perdas de lucro cessante pela inviabilização do negócio. O Blockchain seria usado para determinar o risco de segurança e o valor do seguro pago pela mineradora.

Plano de continuidade é frescura?


O artigo “Clientes perdem acesso a US$ 190 mi após morte de dono de bolsa de criptomoeda” (https://www1.folha.uol.com.br/tec/2019/02/clientes-perdem-acesso-a-us-190-mi-apos-morte-de-dono-de-bolsa-de-criptomoeda.shtml, acessado em 14/02/2019) revelou que o falecimento do fundador da bolsa canadense de criptomoedas QuadrigaCX fez com que 115 mil clientes perdessem o acesso a 190 milhões de dólares. Os clientes da QuadrigaCX estão experimentando o amargo sabor do fracasso do seu plano de continuidade do negócio.

O falecimento do fundador da empresa gerou uma corrida para a retirada em massa do dinheiro investido gerando assim graves problemas de liquidez para e empresa.

Como a maior parte dos recursos investidos estava armazenado em carteiras frias, que somente o fundador conhecia, o resultado foi a perda de acesso de $190 milhões. A estratégia de segurança da empresa era manter um volume baixo de criptomoedas armazenado nas carteiras quentes conectadas na internet e armazenar a maior parte dos recursos financeiros nas carteiras frias que são desconectadas.

A ausência do plano de continuidade levou ao fracasso todo o planejamento do negócio. É absolutamente inviável o mecanismo onde uma pessoa guarda as senhas dos processos de negócio sem que exista uma forma da sua recuperação por causa da incapacitação ou ausência provisória ou definitiva do guardião. Não é aceitável no mundo dos negócios que o guardião das senhas viaje sem criar um mecanismo de recuperação das senhas e estabelecer as suas condições de utilização.

Caso ocorra o falecimento do fundador ou presidente da empresa, é preciso anunciar a sua morte o mais rápido possível. Esperar um mês para fazer o anúncio não foi uma revelação responsável e gerou uma infinidade de especulações. A empresa que vivia grandes dificuldades por causa da perda da senha viu-se em um cenário piorado por causa do efeito manada gerado pela comunicação inadequada.

Como a empresa não tinha um plano de mitigação do risco, a organização agiu com total irresponsabilidade e imprudência. O plano de continuidade do negócio é o resultado do planejamento do gerenciamento dos riscos. As determinações e procedimentos que a organização executar quando um desastre ocorre facilitam a mitigação dos riscos. Uma organização séria tem o dever de planejar os desastres para evitar a perda de dinheiro ou a paralização das suas operações.

O plano da continuidade do negócio define os sistemas, dados e informações que a organização deve proteger, determina qual é a política de backup e proteção contra perdas de alguns dados específicos, declara como e onde a empresas recuperará a sua operação normal depois de um desastre, explicita o nome das pessoas, departamentos e times que são responsáveis pela execução das ações constantes no planejamento depois de um desastre especifico e revela como o teste do plano será realizado.

O planejamento da continuidade do negócio é de fundamental importância para as novas Fintechs que estão trabalhando com criptomoedas. Os investidores nas moedas virtuais estão por característica de construção expostos a um nível elevado de risco. Por causa disto, as atividades operacionais das bolsas de moedas criptografadas devem ser realizadas com extrema responsabilidade através de processos e procedimentos transparentes que ofereçam um elevado nível de garantia da confiabilidade da operação.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

Atraso, atraso e mais atraso


No plano de recuperação, ao qual a Folha teve acesso, a varejista atribui suas dificuldades financeiras a uma série de fatores: crise da economia brasileira, falta de abastecimento pelos fornecedores, dificuldades com a implementação de um novo sistema tecnológico e escassez de crédito bancário. Fonte: Saraiva propõe a credor pagar em 15 anos só 5% da dívida, https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2019/02/saraiva-propoe-a-credor-pagar-em-15-anos-so-5-da-divida.shtml, acessado em 06/02/2019.

Pela primeira vez no Brasil, uma empresa relaciona de forma direta, clara e explícita as suas dificuldades financeiras com os seus sistemas computacionais.
Foi afirmado que consta no plano de recuperação da livraria Saraiva que as suas dificuldades financeiras estão relacionadas com as dificuldades com a implementação de um novo sistema tecnológico.

A empresa explica os seus constantes prejuízos através de três fatores externos e um interno. Em relação aos fatores externos as empresas nada podem fazer. Elas apenas reagem a eles. Infelizmente a pobreza intelectual das corporações brasileiras alcançou patamares extremamente elevados. Elas são incapazes de reagir corretamente aos fatores externos.

Os aspectos externos (crise da economia brasileira, falta de abastecimento pelos fornecedores e escassez de crédito bancário) impactam toda a economia nacional. São condições gerais do ambiente de negócio brasileiro. É evidente que o impacto destes três fatores nas empresas é diferente. No entanto, todas as empresas foram impactadas e muitas produziram resultados positivos. Livrarias concorrentes da Saraiva produziram lucros enquanto ela era deficitária.

Isto significa que vale a pena aprofundar o entendimento do único fator interno declarado no plano de recuperação como determinante da dificuldade financeira da livraria (dificuldades com a implementação de um novo sistema tecnológico).

Em diversos momentos eu invadi os cursos ministrados pelo profeta Bob. Em algumas invasões eu tomei a palavra do brilhante instrutor e apresentei situações (em uma ou duas o Bob estava presente comigo) onde a livraria Saraiva perdeu dinheiro e vendas por falhas do seu sistema computacional. Não é um ou outro caso. Eu presenciei mais de dez situações. Não eram falhas pontuais, pois vinham ocorrendo por anos.

Quem lê o plano de recuperação da livraria Saraiva imagina que o fator interno “dificuldades com a implementação de um novo sistema tecnológico” é um caso pontual resultante de erros de uma implementação de um sistema. Eu tenho presenciado falhas nos sistemas computacionais da livraria desde o ano de 2010. Quase uma década. Não é um problema circunstancial. É um problema estrutural.

Eu já escutei conversas entre os vendedores da loja do Shopping Paulista, onde foi dito que não adianta ligar para o suporte, pois eles nunca resolvem o problema. A solução oferecida pela central de atendimento para os vendedores e funcionários das lojas é o tradicional desliga e liga computador, roteador e etc.

Em nenhum momento existe uma pesquisa das causas das falhas e das dificuldades operacionais dos usuários com os sistemas de suporte aos negócios. O meu amigo Bob, ficaria de cabelos em pé (se ele tivesse cabelos) com a realidade da central de atendimento.

Não adiantou nada investir em melhores práticas, contratar serviços de terceiros com dezenas de certificações. O resultado final foi muito pobre. Considerando que livrarias como livraria da Vila e Martins Fontes foram lucrativas enquanto a Saraiva foi deficitária fica claro que o fator interno foi determinante para o resultado operacional.

As escolhas da livraria Saraiva para a contratação de capital intelectual para a sua organização de tecnologia foram as piores possíveis. A empresa gastou tempo e dinheiro com pejotinhas certificados e não foi capaz de implementar corretamente os novos sistemas de tecnologia.

Muitos me perguntam sobre qual é a importância do Service Desk em uma empresa. Em geral os técnicos ficam decepcionados com a minha resposta, pois enfatizo a questão do capital intelectual que gera lucro (produtividade) e minimizo os bits e bytes.

Existem os que desejam respostas mágicas sobre como fazer a empresa reconhecer a importância da central de atendimento. Não existem mágicas. É preciso trabalhar na direção de encontrar respostas relevantes para o negócio. A maioria está mais preocupada em articulações de baixo valor agregado como reduzir a quantidade de incidentes ou diminuir o tamanho da fila de espera.

O resultado de tais políticas é o de sempre. Perda em cima de perda. Prejuízo em cima de prejuízo. Falência em cima de falência.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Sim. Sim é o emprego


A pesquisa “How machines are affecting people and place” realizada por “the Metropolitan Policy Program at the Brookings Institution” (https://www.brookings.edu/wp-content/uploads/2019/01/ES_2019.01_BrookingsMetro_Automation-AI_Report_Muro-Maxim-Whiton-FINAL.pdf, acessado em 29/01/2019) revelou que os empregos que existem em 2019 relacionados com a preparação de alimentos, produção industrial, administração de escritório, transporte, limpeza de edifícios comerciais, manutenção, instalação e reparo de produtos e etc. tem elevada probabilidade de extinção nos próximos onze anos.

É importante destacar neste ponto do texto, que não estou advogando a favor de profetas e profecias. Temos que entender que o estudo é apenas uma avaliação das probabilidades da ocorrência de alguns dos cenários futuros projetados.

A leitura correta da pesquisa é que existe uma elevada probabilidade (acima de 70%) da possibilidade de a Inteligência Artificial eliminar estes empregos nos Estados Unidos até o ano de 2030. Não existem certezas sobre como a sociedade estará se comportando nas próximas décadas e nem é possível fazer afirmações categóricas sobre como o mundo será em 2030.

Depois de três anos de demissões, foram criados cerca de 530 mil empregos com carteira assinada em 2018
(Após 3 anos de demissões, Brasil cria 529 mil empregos com carteira assinada em 2018, https://g1.globo.com/economia/noticia/2019/01/23/apos-3-anos-de-demissoes-brasil-cria-529-mil-empregos-formais-em-2018.ghtml).

Os profissionais mais buscados no mercado brasileiro em 2018 foram alimentadores de linha de produção, faxineiros, auxiliares de escritório, serventes de obras, atendentes de varejo e etc. (Veja as profissões que mais geraram empregos formais em 2018 e as que mais perderam vagas, https://g1.globo.com/economia/noticia/2019/01/23/veja-as-profissoes-que-mais-geraram-empregos-formais-em-2018-e-as-que-mais-perderam-vagas.ghtml).

É fácil perceber que as ocupações mais demandadas pelas empresas brasileiras estão todas na categoria de elevada probabilidade de eliminação pela Inteligência Artificial (IA) nos próximos anos. Não encontramos na lista das dez profissões que mais geraram empregos nenhuma ocupação na categoria de baixa probabilidade de eliminação pela IA.

O artigo “Robôs ameaçam 54% dos empregos formais no Brasil” (https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2019/01/robos-ameacam-54-dos-empregos-formais-no-brasil.shtml) revelou que trinta milhões de vagas de trabalho formal podem deixar de existir até o ano de 2026.

Os que forem aos jogos olímpicos de 2020 encontrarão hotéis operados por robôs (Empresa planeja abrir mais 8 hotéis operados por robôs em todo o Japão, http://www.portalmie.com/atualidade/curiosidades/2018/02/empresa-planeja-abrir-mais-8-hoteis-operados-por-robos-em-todo-o-japao/).

A eliminação destes empregos não causa grande impacto no mercado de trabalho japonês, porque em geral estas atividades são rejeitadas pelos trabalhadores. O real problema será quando as redes internacionais de hotéis que estão presentes no Brasil decidirem robotizar.

A eliminação destas posições do mercado formal impactará a geração de empregos no mercado informal, pois os empregos informais são mais facilmente automatizados.

No Brasil, os debates sobre o emprego estão ocorrendo em uma camada bastante distante do problema real. Ainda existem conversas sobre a CLT e acessórios desnecessários.

O 13º salário foi a oficialização do bônus de final de ano que existia no mercado brasileiro nas primeiras décadas do século XX. O doutor em economia, Alexandre Schwartsman (foi diretor do Banco Central) definiu com precisão a questão. “O 13º nada mais é do que uma “poupança” disfarçada feita ao longo do ano: em vez de distribuir seu salário anual em 12 parcelas, o pagamento é feito em 13, das quais duas no final do ano” (Previdência não 'injeta dinheiro na economia'; como é hoje, concentra renda, https://www1.folha.uol.com.br/colunas/alexandreschwartsman/2019/01/previdencia-nao-injeta-dinheiro-na-economia-como-e-hoje-concentra-renda.shtml).

Se os benefícios previstos na CLT fossem realmente bons, os trabalhadores desempregados dos Estados Unidos (existe desemprego por lá também) estariam entrando no mercado de trabalho brasileiro.

Foi afirmado que Danilo Brack nunca viu uma onda migratória de brasileiros como a dos últimos dois anos. A maioria arrisca a travessia pela fronteira do México. Muitos têm mestrado e doutorado. Fonte: Mais brasileiros com crianças buscam os EUA, https://www.opovo.com.br/noticias/mundo/ae/2018/06/mais-brasileiros-com-criancas-buscam-os-eua.html.

A realidade mostra que os americanos não buscam os benefícios da CLT brasileira e os brasileiros estão entrando ilegalmente para os Estados Unidos (correndo risco de vida) em busca de empregos sem os benefícios da CLT.

A crise econômica brasileira não foi causada pela CLT. Os afinados com os fatos e números da macroeconomia brasileira já leram com a devida atenção o artigo “O aumento salarial de R$ 3” (https://www1.folha.uol.com.br/colunas/viniciustorres/2019/01/o-aumento-salarial-de-r-3.shtml).

O rendimento médio do trabalho cresceu R$ 3 no ano de 2018, ou seja, gerou impacto marginal zero nas despesas salariais das empresas.  Mais ainda, o ano de 2018 foi um dos raros anos onde a taxa real de juros (Selic) e a taxa de inflação estiveram abaixo da casa dos 5%.
Os custos salariais (CLT) foram praticamente iguais, o trabalho informal (sem os benefícios da CLT) cresceu espetacularmente, o custo do dinheiro caiu e a inflação foi muito baixa e mesmo assim o crescimento do PIB e PIB per capita em 2018 foi ridiculamente baixo.

O Marcos Lisboa ex-secretário de política econômica do ministério da Fazenda afirmou: “No Brasil, alguns insistem em elixires milagrosos, como juros para baixo, câmbio para cima e proteção à produção doméstica. Pois bem, a taxa de juros está no seu menor nível em décadas, o câmbio se desvalorizou quase 20% em 2018 e temos mais proteções contra a importação de bens manufaturados do que qualquer país da OCDE. A indústria, no entanto, patina e a produtividade continua estagnada” (Hermanos, https://www1.folha.uol.com.br/colunas/marcos-lisboa/2019/01/hermanos.shtml).

É fácil perceber que o resultado do crescimento do PIB em 2017 de cerca de 1,4% e de aproximadamente 1,7% para o PIB per capta é medíocre. A pejotização cresceu como nunca em 2018 e mesmo assim o crescimento do PIB foi pífio. Foi afirmado que existe elevada correlação entre a volta da atividade econômica e os empregos CLT (Com trabalho precário, população ocupada atinge maior nível da história, https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2018/12/com-trabalho-precario-populacao-ocupada-atinge-maior-nivel-da-historia.shtml).

A conclusão é que a CLT não foi a causa da crise econômica brasileira. O Brasil viveu em 2018 um ano de Selic baixa, de câmbio desvalorizado e de elevado nível de proteção contra produtos importados. Como citado anteriormente também viveu ano de crescimento praticamente nulo dos salários e de alto nível de pejotização. Se com todas condições macroeconômicas favoráveis o resultado foi pobre, isto significa que o problema não está relacionado com a CLT.

Qual é o real problema da economia nacional?

Foi afirmado que nos últimos quatro anos, 4 milhões de empregos informais foram criados no país, ou seja, 40% da população ocupada de 91,2 milhões de pessoas (País ganhou 4 mi de trabalhadores informais nos últimos 4 anos

A afirmação do Lisboa (a produtividade continua estagnada) revela todo o mistério. O Brasil vem avançando fortemente na pejotização, mas está estagnado (ou melhor dizendo está negativo) na produtividade do trabalho realizado.

A degradação do mercado de trabalho foi tamanha que em 2018 chegamos à seguinte realidade: dez trabalhadores dos Estados Unidos geraram a mesma riqueza que 50 trabalhadores brasileiros ou que dez trabalhadores da Alemanha geraram a mesma riqueza que 40 trabalhadores brasileiros ou que 10 trabalhadores do Chile geraram a mesma riqueza que 18 trabalhadores brasileiros.

É muito simples encontrar no varejo brasileiro exemplos onde a produtividade do trabalho é negativa. Um caso que é repetido em larga escala aconteceu comigo recentemente. Eu toquei o meu purificador de água com idade de dois anos por um novo. O antigo quebrou e o conserto era o preço de um novo. No dia 11 de janeiro de 2019 ele foi instalado. No dia 17 de janeiro a empresa ligou dizendo que a validade de um ano do filtro tinha vencido e queriam agendar visita do técnico para a sua troca.

Eu expliquei que eles instalaram um purificador de água novo na semana passada e, portanto, a validade do filtro não estava vencida. No dia 18 de janeiro de 2018 eles ligaram de novo falando a mesma coisa do dia anterior. Eu desliguei e bloqueei os dois números.

No dia 29 de janeiro, eles ligaram novamente perguntando a data da ultima manutenção do aparelho. Quando respondi que é um aparelho novo de instalação recente, a voz do outro lado respondeu que sabia deste fato e insistiu na pergunta sobre ultima manutenção. Respondi que a pergunta não tinha sentido, deliguei e bloquei mais este número.

Claramente a empresa tem um sistema de controle que não funciona e o telemarketing oferece coisas inúteis para os clientes. Foram três ligações cujo resultado foi negativo. Apenas aborreceram o cliente. Apenas gastaram dinheiro.

A empresa gastou tempo, dinheiro e recursos para fazer algo inútil. É um caso apenas, mas na Internet existem milhões de casos semelhantes nos sites de reclamações. Quando inexiste inteligência, a produtividade é mínima ou nula ou negativa.

Não é difícil entender porque a pejotização degradou tanto a produtividade do trabalhador brasileiro. Um funcionário pejotizado realiza apenas a atividade que foi contratado sem maiores questionamentos. Apenas realiza. Não importa para ele se a atividade agrega ou não valor para o negócio. Ele é pago para realizar, apenas isto.

O resultado do seu esforço é totalmente irrelevante para ele. Em muitos casos, o pejotizado não tem nenhuma ideia da consequência das suas atitudes (veja exemplo à seguir). Se qualquer coisa der errado na execução das atividades, ele simplesmente troca de trabalho (é desligado ou deixa emprego por conta própria).

Em São Paulo, foram presos os dois engenheiros terceirizados "que atestaram a estabilidade da barragem", segundo a PF (Polícia Federal). Fonte: Juíza diz que era possível evitar tragédia em Brumadinho (MG), https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2019/01/29/juiza-decisao-barragem-presos-funcionarios-vale.htm

Caso o pejotizado receba uma oferta de trabalho melhor ele simplesmente abandona a atividade atual e começa novo trabalho. Não existem compromissos de longo prazo (no máximo apenas alguns poucos dos pejotizados cumprem o aviso prévio de 30 dias previsto no contrato. Eles o fazem com péssima vontade de trabalhar e produtividade mínima. A grande maioria é dispensada do cumprimento do aviso prévio).

O caso do segurança pejotizado do Carrefour é típico da falta de compromisso do trabalhador com a empresa (Caso Carrefour: morte de cachorro mobiliza ONGs, famosos e internautas, https://www.metropoles.com/brasil/caso-carrefour-morte-de-cachorro-mobiliza-ongs-famosos-e-internautas). O Carrefour perdeu milhões com o boicote. Toda a perda financeira que ocorreu foi consequência da atuação do seu segurança pejotizado que gerou a motivação do boicote. A perda de produtividade do negócio foi gigantesca.

É fácil perceber que o segurança pejotizado escolheu realizar uma ação de valor agregado nula para o negócio (atacar o cachorro) e ignorou a realização da ação de valor agregado positiva (manter a segurança do hipermercado). Enquanto ele mudava o foco da sua atividade, o local ficou com a sua segurança prejudicada. A produtividade do trabalho do segurança caiu para o negativo com tal decisão.

É muito interessante notar que inexiste um caso similar de um funcionário CLT. Sabe porque não existe tal situação envolvendo um trabalhador CLT?

A resposta é bem simples. Ele sabe que a sua renda futura de médio e longo prazo depende do sucesso do negócio. Em outras palavras, o foco dele é realizar atividades de valor agregado positivo para o empreendimento. Todas as ações de valor agregado nula ou negativa são ignoradas pelos CLTs.

Eles sabem que sentirão no bolso as consequências das suas decisões pobres. Este é real motivo do porque a produtividade do CLT é maior que a do pejotizado. Também é o motivo da economia do país estar despencando ladeira abaixo. O mercado privado está trocando maior produtividade por menor por causa da promessa de um menor custo aparente (os custos invisíveis escondidos são gigantescos).

O genial resultado da troca do lucro pelo prejuízo pode ser visto nos estados brasileiros. Até 31 de dezembro de 2018 três estados decretaram calamidade financeira. Até o dia 22 de janeiro de 2019 este número cresceu mais de 100%.

Em apenas 22 dias quatro estados decretaram calamidade financeira. Quantos estados brasileiros decretarão calamidade financeira até a data de 31 de dezembro de 2019?

A vida inteligente no Brasil precisa debater como aumentar a produtividade do trabalho urgentemente. O crescimento do PIB é o resultado do crescimento da população com o crescimento da produtividade média do trabalhador.

Como nos últimos anos o crescimento da população é de aproximadamente a 1% ao ano e o da produtividade média é de cerca de - 1% ao ano (é negativo) isto significa que a produtividade média do trabalhador precisa sair da casa de -1% para 2% ao ano para que o país cresça aproximadamente 3% ao ano. Não parece ser um esforço enorme, mas o nosso histórico mostra uma gigantesca dificuldade. Lembro que com crescimento de 3% ao ano, o Brasil demorará mais de um século para erradicar a pobreza.

É preciso fazer alguma coisa antes que a crise de segurança do Ceará seja um caso nacional. Um terço dos jovens presos no Ceará acusados dos crimes contra o patrimônio é menor de 18 anos (1/3 dos capturados por suspeita dos ataques no Ceará é adolescente, https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2019/01/14/13-dos-capturados-por-suspeita-dos-ataques-no-ceara-e-adolescente.htm).

Não é coincidência que desemprego desta faixa etária esteja acima 25%. Sem emprego, o crime organizado captura estes jovens desempregados. O Brasil está criando condições que inviabilizam o trabalho honesto no território nacional.