sexta-feira, 30 de junho de 2017

Livro Gamification em Help Desk e Service Desk

Um dia antes do congresso onde seria o evento de autógrafos do autor eu ganhei um exemplar da obra “Gamification em Help Desk e Service Desk” O livro aborda as várias facetas do tema. Eu achei muito interessante o autor sair dos aspectos técnicos de TI dos livros anteriores e passar a abordar um tema abrangente e geral do ensino. Certamente é uma evolução profunda.

Muitos aspectos importantes da gamificação formam abordados no livro com profundidade pelo Cohen que é o mais destacado evangelizador (ou nas palavras dele “Barão”) do Service Desk do Brasil. É evidente que ele não trata de soluções totais, pois o assunto é muito abrangente. O Roberto resumiu o conhecimento que ele entendeu ser mais relevante em 216 páginas (http://www.gamificationhelpdesk.com.br/, acessado em 30/06/2017).

Espero que o autor continue avançando o tema nos próximos livros, pois muitas perguntas ainda estão em aberto e novas perguntas surgem todos os dias. O leitor não deve imaginar que o livro é um texto que explicita as soluções. O autor escolheu a estratégia de ser formativo, ou seja, é preciso ler, refletir e continuar a leitura para entender como o propósito proposto é capaz de endereçar diversos desafios do ensino. É uma obra destinada para educadores e pessoas interessadas no ensino.

Cada releitura do livro vai levar a uma nova conscientização do fenômeno gamificação no ensino. Hoje em dia existem uma enorme gama de ferramentas à disposição dos professores, educadores e instrutores. No livro são apresentadas várias delas. É preciso interpretar o conteúdo para escolher aquela que endereça o desafio daquele momento específico. Vamos aguardar ansiosamente pelas novas incursões do autor no tema.

Uma grande supressa que autor oferece aos seus seguidores

Para os que acompanham o blog do autor (http://www.4hd.com.br/blog/, acessado em 30/06/2017) o texto da capa do livro “PROMOVENDO ENGAJAMENTO E MOTIVAÇÃO NO SÉCULO 21 EM CENTROS DE SUPORTE, HELP DESK E SERVICE DESK” é uma contradição ao que ele escreveu na postagem “Curso ITIL Foundations ainda é válido?” (“Empresas no Brazil vivem no ano 2000. Seu suporte técnico (minha praia) ainda é daquele tempo: via e-mail e telefone (sorry se você está nessa). Mecanismos talvez até de 1980. Não têm ferramentas de registro de chamados – pra início de conversa – e assim por diante.”, http://www.4hd.com.br/blog/2016/11/09/curso-itil-foundations-ainda-e-valido/, acessado em 30/06/2017). A proposta do autor no livro mostra que os desafios do ano de 2017 foram abraçados em definitivo.

Outra grande surpresa do autor

O Cohen, mostrou que abraçou nos seus trabalhos o estilo de vida do ano de 2017 e no capítulo Epílogo na página 206 do livro, o autor recomenda que os leitores assistam um vídeo muito bom sobre como poderá ser a nossa vida no futuro. Extraordinária escolha de conteúdo. No entanto, o que acontece se o proprietário do vídeo resolver tirar do ar este conteúdo? Qual será o impacto da sua ausência para os leitores do livro?

Apesar de não ser citado, eu gostaria de oferecer ao autor uma pequena sugestão para os casos onde são feitas citações para conteúdo de terceiros disponibilizados na internet. É conveniente publicar no livro uma nota do autor como a seguir:

“É importante alertar ao leitor que todas as URLs (Uniform Resource Locator) citadas no livro são de propriedade de terceiros e servem apenas como ilustração e fonte de consulta. Elas podem ser retiradas pelo criador sem aviso prévio. O autor reconhece que o risco de descontinuidade é real. No entanto, o autor e a editora enfatizam a finalidade meramente citatória das fontes de consulta. O leitor não perde nenhum dos conceitos e ideias apresentados na obra, caso as páginas da Internet citadas no livro sejam descontinuadas e por causa disto, tanto o autor como a editora estão sob todas as formas legais isentos de qualquer responsabilidade em relação à descontinuidade das URLs citadas. O entendimento do livro não exige a navegação nas URLs.”

Conclusão


O livro é leitura obrigatória para os educadores, professores, instrutores, mentores, gurus e outros facilitadores do aprendizado. Seria muito interessante que os alunos também leiam a obra. Eu estive lá e fui premiado.

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Transformação digital chegou ao dia a dia das pessoas no Brasil

Em diversos momentos das minhas apresentações e palestras sobre a transformação digital eu sou interpelado por empresários e executivos afirmando que a transformação digital é coisa de país rico como os Estados Unidos e vai demorar para chegar no Brasil. Felizmente para o progresso do país, os fatos atropelaram as visões atrasadas. Entre 2016 e 2017, surgiu no Brasil o negócio lavanderia como um serviço. Os portais https://www.alavadeira.com/, https://www.omoexpress.com.br/ e http://www.lavaeleva.com.br/ oferecem serviços de lavanderia. A diferença em relação as antigas tinturarias é que os serviços das lavanderias são utilizados pelas pessoas para roupas, toalhas, cortinas, edredons e etc. e os serviços das tinturarias são utilizados para lavar o que não é possível lavar nas residências, como, por exemplo, cobertores pesados, cortinas, ternos, edredons etc.

Em resumo, a proposta das lavanderias é terceirizar o lavatório das residências. Como o tamanho das moradias é cada vez menor, o espaço ocupado pelas lavadoras, secadoras e tabua de passar roupa é disputado por outras necessidades domésticas. Por causa da falta de espaço muitas pessoas não têm as maquinas de lavanderias nos seus apartamentos. As pessoas também perceberam o elevado custo do investimento nestes eletrodomésticos e estão optando pela não realização.

É evidente que tal mudança comportamental impacta os fabricantes de lavadoras secadoras e ferros de passar roupa. Eles terão que negociar com as lavanderias que tem um poder de barganha muito maior que o consumidor residencial. Vários paradigmas da indústria terão que mudar por causa da terceirização das lavanderias. Toda esta revolução está sendo habilitada pela tecnologia de rastreabilidade das roupas que permite que o cliente acompanhe cada passo realizado nas lavanderias. Esta tecnologia transformou a tinturaria que era um negócio analógico em uma lavanderia que é um negócio digital. Como consequência da transformação a indústria de eletrodomésticos será afetada em diversos níveis incluindo a experiência do usuário e usabilidade.

No entanto, este é só o primeiro passo da grande mudança. Tal qual a AirBnB fez com a hospedagem, teremos a uberização das lavanderias. Ou seja, as pessoas que tem lavadoras e secadoras em casa com tempo ocioso vão alugar esta ociosidade para as lavanderias que deixarão de ter uma infraestrutura proprietária. Um portal provavelmente desenvolvido na tecnologia Blockchain ou Distributed Ledger Technologies (DLTs) vai explorar a ociosidade dos recursos existentes nas residências para lavar, secar e passar as roupas. É um jogo de ganha e ganha onde o proprietário do recurso ocioso é remunerado e a lavanderia é viabilizada com um nível de investimento muito menor. A facilidade de crescimento sem a necessária contrapartida de elevado capital de investimento torna o negócio exponencial.

É uma forma inteligente e moderna para reativar a combalida economia brasileira. Será possível gerar muitos empregos tanto na área de tecnologia, como na operação da lavanderia terceirizada, como na logística de transporte das roupas. No campo da logística, as bicicletas existentes podem ser utilizadas como ferramenta de geração de renda no transporte das roupas.

A região do Nordeste vem enfrentando um racionamento de água (Com seca, capitais do Nordeste têm ameaça de racionamento de água, http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2017/05/1880265-com-seca-capitais-do-nordeste-tem-ameaca-de-racionamento-de-agua.shtml) e a lavanderia terceirizada pode ser um poderoso elemento de eliminação do desperdício de água que atualmente ocorre nas lavanderias residenciais. Um outro ponto de atenção deve ser trabalhado neste modelo de negócio. Muitos condomínios não têm medidores individuais para a água. Isto significa que o custo da água para lavar as roupas será compartilhado de forma injusta com os outros moradores do condomínio. É mais um efeito da uberização da lavanderia e é mais uma oportunidade de negócio.

Em muito pouco tempo o modelo atual de terceirização da lavanderia residencial vai ser uberizado pelo compartilhamento dos recursos e a economia da escassez será substituída pela economia da abundância onde as perdas, desperdícios e ociosidades serão eliminadas. Da mesma forma que a AirBnB conquistou em prazo muito curto enorme evolução operacional no Brasil entre a copa de 2014 e a olimpíada de 2016 (Brasileiros lideram reservas no Airbnb para Olimpíada, http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2016/02/1737778-brasileiros-lideram-reservas-no-airbnb-para-olimpiada.shtml e Airbnb desperta polemica no setor hoteleiro, http://www.revistahoteis.com.br/airbnb-desperta-polemica-no-setor-hoteleiro/), a uberização da lavanderia também vai crescer exponencialmente no Brasil.

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Transformação digital em cinco passos simples

No primeiro trimestre de 2017 eu participei de diversas reuniões com empresários e executivos brasileiros sobre transformação digital. Eu fui surpreendido pelo nível superficial que o assunto está sendo tratado nas organizações no Brasil. Para a grande maioria das pessoas com quem eu conversei a transformação digital significa equipar a empresa com notebooks, tablets e smartphones (em vários casos as empresas planejam a sua transformação digital pela mera substituição dos desktops por estes dispositivos) e criar Apps, bancos de dados e big data.

Basicamente estas corporações estão realizando a consagrada e fracassada prática brasileira de fazer mudanças para que nada mude. Sempre que este fenômeno ocorreu as pessoas afirmavam que a tecnologia utilizada não funcionava na cultura da empresa. Temos centenas de exemplos de soluções que não funcionaram nas empresas brasileiras. Nestes casos as diversas tecnologias bem-sucedidas no exterior ficaram desacreditadas aqui no Brasil. Parece que a transformação digital nacional entrou na estrada do fracasso.

Quando os estrategistas dos negócios pensam que o mero investimento em hardware e software é condição necessária e suficiente para a transformação digital eles reduzem o assunto ao famoso mais do mesmo, ou seja, mudar para que ficar igual. A tecnologia não é a protagonista da transformação digital. Este papel é reservado para a qualificação dos funcionários.

O primeiro passo para a transformação digital é a redefinição do escopo do negócio. É uma decisão que responde a uma necessidade do ambiente de negócios. A estratégia em uso no Brasil de focar a transformação digital em ativos de tecnologia não tem sentido prático. Simplesmente inexiste razão e relação positiva entre o benefício e o custo para empreender tantas mudanças na empresa se o escopo do negócio é o mesmo.


O caso da divisão de iluminação da Philips ilustra bem este fenômeno. A empresa é uma das maiores fabricantes mundiais de lâmpadas elétricas. No início eram lâmpadas de filamento que duravam alguns meses (na escola um professor meu afirmava que o vácuo das lâmpadas era imperfeito para que elas queimassem rapidamente). Na segunda fase vieram as lâmpadas fluorescentes que duravam cerca de um ano e na terceira fase da indústria vieram as lâmpadas de led que duram vários anos.

A Philips percebeu que tinha um grave problema no médio e longo prazo pois a elevada durabilidade das suas lâmpadas de led irá reduzir no futuro próximo demanda mundial por lâmpadas. No primeiro movimento desta percepção a empresa resolveu agregar valor as suas lâmpadas led adicionando funcionalidades como novas cores, sensores de calor e de fumaça, câmeras de vídeo e etc. Como a solução proposta de maior valor agregado não resolve o problema de redução futura do consumo por causa da elevada durabilidade do produto, a Philips resolveu fazer um segundo movimento que neste caso foi na direção da transformação digital.
A organização percebeu que os seus clientes não querem comprar lâmpadas. Eles querem comprar um sistema de iluminação que funcione. Shoppings, aeroportos, edifícios comerciais e etc. querem pagar para ter iluminação. A Philips percebeu que ela precisava redefinir o escopo do seu negócio de fabricante de lâmpadas para fornecedora de um sistema de iluminação como um serviço. Esta mudança desmaterializou os seus produtos e permitiu a sua digitalização.

Ela continua atuando como fabricante de lâmpadas mantendo assim todo o seu legado de conhecimento e ativos e virou uma operadora de sistema de iluminação como um serviço. É evidente que fabricantes de automóveis, moveis e etc. podem trilhar caminho similar ao da Philips. Com a mudança no escopo do negócio a empresa executou o primeiro dos cinco passos para a transformação digital.

O segundo passo para a transformação digital é encontrar as fontes de valor agregado para o negócio que estão escondidas pelo modelo analógico de negócio. A Philips encontrou um grande mercado que ela pode explorar como o modelo sistema de iluminação como um serviço. Ela transformou a receita incerta de vender lâmpadas para a receita certa e recorrente de vender serviços de iluminação para hospitais, aeroportos, shoppings e etc. As receitas futuras foram antecipadas com a desmaterialização dos produtos.

O terceiro passo para a transformação digital é a construção de um modelo de negócio baseado no custo totalmente variável pelo compartilhamento dos ativos e na repartição do lucro gerado pelas operações entre todos os integrantes da rede. Em outras palavras, as infraestruturas individuais de cada um dos integrantes da rede são compartilhadas entre os membros da cadeia de valor e o lucro gerado pela operação comercial é repartido. É um modelo que oferece grande flexibilidade e escalabilidade, reduz custos, volatilidades e riscos e maximiza o retorno do investimento nos ativos.

A Philips vem trabalhando com a sua cadeia de valor para que os sistemas de iluminação como um serviço sejam entregues na situação de endereçamento das necessidades dos clientes. A rede construída com empresas de todos os tamanhos permite que clientes de todos os portes e locais sejam atendidos adequadamente. O monitoramento integrado, descentralizado e remoto do sistema de iluminação permite que todos os membros da cadeia saibam quando devem atuar e o que devem realizar.

A estrutura em rede permite o crescimento em velocidade exponencial da operação sem que exista o comprometimento da viabilidade econômica dos membros da cadeia de valor.

O quarto passo para a transformação digital é o desenvolvimento de como um serviço. Em vez de vender automóveis, eletrodomésticos e etc. as empresas passam a vender os serviços que são realizados pelos produtos. As pessoas não querem com maquinas de lavar roupa e secadoras, elas querem roupas limpas. Os consumidores não querem comprar automóveis, eles querem mobilidade. Existem milhares de casos onde as pessoas querem os serviços realizados pelos produtos. Não os produtos.

A Philips fez a sua lição de casa ao criar o serviço de iluminação como um serviço. Existe um mercado potencial gigantesco para esta modalidade. É uma grande solução para shoppings, aeroportos, hospitais, condôminos e etc. não ter que se preocupar com lâmpadas. As empresas que contratam a Philips para trabalhar o sistema de iluminação podem focam as suas energias nas suas atividades principais de negócio e deixar para um especialista a gestão da iluminação.

O quinto e último passo para a transformação digital é pensar os produtos ofertados como uma plataforma. O envolvimento da comunidade é de importância fundamental para o sucesso da empreitada digital. Por exemplo o retorno dos passageiros do aeroporto sobre as falhas na iluminação permite que a Philips economize milhões de dólares por ano em ferramentas sofisticadas de monitoração do ambiente iluminado. Muitos sensores podem ser substituídos pela colaboração da comunidade que informa onde existe excesso ou falta de iluminação.


Este ponto exige que a empresa use a sua credibilidade e confiabilidade no engajamento das pessoas em torno de uma causa. O Massive Transformative Purpose (MTP) é a cola que une empresa e comunidade em torno de um objetivo comum. A Philips trabalha o seu MTP para que todos busquem o objetivo de iluminar adequadamente o ambiente com o menor custo possível para a natureza. 

terça-feira, 21 de março de 2017

Mais uma crise de confiança no Brasil

Muitas vezes as crianças enfrentam punições coletivas nas escolas quando uma parte dos alunos da classe fez tanta bagunça na sala de aula que o professor ou diretor pune todos da mesma forma, porque não tem informações para individualizar a culpa. Alguns acham que o fenômeno da punição coletiva é consequência da sociedade humana. Não é. A natureza pune coletivamente também. Basta um vizinho sujismundo para que toda rua ou bairro seja atacada pelo mosquito transmissor da dengue por exemplo. Simplesmente não importa o cuidado individual das pessoas nestes casos. É por isto que tais situações são descritas como inteligência coletiva.

No ano de 2016, a Samsung enfrentou uma grave crise com as explosões da bateria do smartphone Galaxy Note 7. A empresa optou por assumir a culpa e retirar o produto do mercado antes que os consumidores perdessem a confiança na marca. Ela amargou um enorme prejuízo com a medida. No entanto, o prejuízo foi muito menor do que seria causado por fingir que não existia um problema grave.

Quando o ministro da agricultura do Brasil optou por fazer declarações públicas no sentido de diminuir a operação da polícia federal conhecida como carne fraca ele imediatamente gerou a reação dos maiores mercados internacionais de paralisar as compras de carnes do Brasil. As declarações do ministro aumentaram as incertezas e reduziram a confiança no Brasil (Blairo vê 'fantasias' e 'idiotice' na operação Carne Fraca, http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,maggi-critica-pf-e-diz-que-insinuar-papelao-misturado-a-carne-e-idiotice,70001706124, acessado em 21/03/2017). A declaração do Blairo Maggi de que as investigações vão tomar outro rumo, gerou um nível de desconfiança tão elevado no mercado que a crise econômica da carne cresceu exponencialmente de tamanho.

A reação negativa do mercado internacional foi imediata e a do mercado nacional ganhou forte impulso. Infelizmente, o governo brasileiro escolheu uma estratégia oposta da Samsung com smartphone Galaxy Note 7 e ampliou as perdas. (China suspende importação de carne brasileira e pede explicações, https://economia.uol.com.br/noticias/reuters/2017/03/20/china-suspende-importacao-de-carne-brasileira-e-pede-explicacoes.htm, acessado em 21/03/2017) e (Países decidem suspender a importação ou a venda de carne do Brasil, https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2017/03/20/uniao-europeia-barra-importacao-de-carne-das-empresas-investigadas-pela-pf.htm, acessado em 21/03/2017)

O setor de inteligência do governo (espero que ele exista) precisa agir imediatamente em conjunto com as empresas e realizar ações para aumentar a reputação das exportadoras de carne. Uma das ações para aumentar a confiança nos agentes sérios do mercado é a introdução do Distributed ledger technologies (DLTs) ou Blockchain na cadeia produtiva da carne.


A completa rastreabilidade da cadeia produtiva permite identificar com muita facilidade a qualidade dos produtos. É possível saber o que foi utilizado, o que foi executado em cada uma das etapas do processo produtivo, acompanhar os selos de inspeção da qualidade e identificar a atuação de todos os fiscais envolvidos. Ao existir um rodízio de fiscais nas diversas etapas e existir posição de consenso nas aprovações e do controle de qualidade interno é possível oferecer de forma irrefutável um selo de qualidade da carne exportada.


A ação do ministério da agricultura não pode ser em momento algum a diminuição do trabalho da polícia federal. Ela tem que ser na linha de aumentar a confiabilidade da cadeia produtiva. As empresas precisam realizar mais ações para separar quem é sério e honesto e gastar menos com propagandas nos jornais e televisões. Espero que as perdas economias abram os olhos das corporações na direção de que elas precisam usar as tecnologias disponíveis para aumentar a transparência. Só assim vai ficar claro quem trabalha direito e é de confiança. Estes não reclamarão e nem temerão as ações da polícia federal.

segunda-feira, 6 de março de 2017

Desafios do Big Data no Brasil

Eu venho pesquisando sobre Inteligência Artificial (IA) desde o ano de 1986. São mais de trinta anos de estudos, pesquisas e trabalhos. Naquele tempo, o acesso para as aplicações de IA estavam restritas para um grupo pequeno de pessoas e elas eram bastante limitadas. O livro "Inteligência Artificial Usando Linguagem C" do Herbert Schildt, publicado em 1989, edição em português pela editora McGraw-Hill do Brasil foi um dos primeiros livros que apresentaram aplicações práticas para a inteligência artificial em português.

No capítulo 9 (Parecendo Humano), o Herbert Schildt apresenta os conceitos de uma aplicação famosa na época de diagnóstico médico chamada ELIZA, baseada na psicologia rogeriana que foi criada pelo Joseph Weisenbaum. Com base nos conceitos do ELIZA, o autor desenvolveu o programa Doutor. No livro foram apresentados os códigos em linguagem C das várias versões do aplicativo.

Passados quase trinta anos é fácil perceber que as principais preocupações do Schildt para a inteligência artificial ainda estão presentes no nosso dia-a-dia. É evidente que temos à nossa disposição uma quantidade muito maior de recursos e que as aplicações de IA deixaram de ser restritas e limitadas e passaram a incorporar a rotina de todas as pessoas. Aplicações de diagnóstico médico estão disponíveis via internet, por exemplo.

Uma das faces da inteligência artificial é o Big Data. É uma tecnologia que vem sendo incorporada na operação da maioria das empresas nacionais. São sistemas de compras, vendas, recrutamento de funcionários e pessoas, entre outros que fazem parte da rotina corporativa.

As análises dos dados do Big Data muitas vezes são feitas por algoritmos computadorizados e recebem uma camada de refinamento realizada por analistas humanos. Ainda não veio à tona, mas em breve virá, a questão do impacto do Big Data na sociedade humana.

Pode parecer estranho para muitos, mas o Big Data reflete o que uma sociedade tem de bom e de ruim. Por exemplo, em uma sociedade como a brasileira em que existe preconceito no mercado profissional contra a mulher as análises Big Data dos sistemas de recrutamento vão perpetuar inadvertidamente o atual comportamento de oferecer salário menor para a mulher para o mesmo cargo ocupado por um homem. As análises do Big Data do Comportamento do consumidor em lojas também estão sendo impactadas pelos preconceitos existentes na sociedade brasileira.

Isto ocorre porque a base de dados analisada é distorcida pelos comportamentos atualmente existentes. Em alguns casos estaremos trabalhando com bases distorcidas por causa do preconceito contra um determinado gênero, ou contra uma determinada raça, ou contra o cabelo branco (idade), ou contra uma determinada aparência ou etc. Antes de iniciar uma análise do comportamento pelo Big Data é preciso ajustar as bases de dados para que elas não reflitam os preconceitos existentes na sociedade brasileira.
A nossa sociedade é a campeã mundial dos mais diferentes tipos de preconceitos. O principal é a renda. Uma análise de Big Data que tente prever o comportamento futuro do consumidor que seja baseada em uma base de dados repleta de preconceitos vai gerar previsões que não irão se concretizar. Investimentos grandiosos serão perdidos por conta destas distorções.

A IA não é capaz de corrigir as graves distorções da sociedade brasileira. Aliás ela age no sentido contrário, ou seja, de aprofundar as distorções. Ainda os computadores precisam da inteligência humana para tomarem boas decisões. É preciso olhar a tecnologia Big Data com olhos no que está sendo coletado para evitar a perda de bilhões de reais no futuro.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Negócios pós CES 2017

A CES 2017 como era esperado foi preponderante nos temas relacionados com a inteligência artificial, computação cognitiva e aprendizado das máquinas. É bastante claro que a comunicação verbal entre as pessoas e as máquinas será a nossa forma de interação com os computadores nos próximos anos. A linguagem natural será vastamente utilizada e desenvolvida.

Mais uma vez o Brasil está em um momento de escolha no assunto tecnologia de informações e comunicações. O país pode olhar para a CES 2017 e encarar como uma oportunidade para desenvolver soluções de reconhecimento de voz em português e crescer com as tecnologias emergentes ou pode escolher o mesmo caminho que vem trilhando sem sucesso por décadas. Ou seja, esperar que outros desenvolvam uma tecnologia de reconhecimento de voz em linguagem natural e entrar no jogo de forma atrasada.

Computadores, drones, robôs e diversos dispositivos vão conversar com as pessoas em linguagem natural nos próximos três anos. Pode parecer perfumaria para alguns, mas não é. Estes dispositivos vão interagir com as pessoas desempenhando papéis como cuidadores e acompanhantes de enfermos, idosos e crianças. Todos os sistemas públicos bancados com dinheiro dos impostos terão enormes ganhos de produtividade com a computação em linguagem natural.

O sistema de saúde pode reduzir o seu custo através da inteligência artificial. Os especialistas passarão a ter certeza que o tratamento está sendo seguido à risca pelo paciente aumentando assim a chance de sucesso. A companhia dos robôs servirá para que as pessoas enfermas possam ser ajudadas em atividades como ir no banheiro, tomar banho ou fazer uma caminhada. Como tudo estará sendo monitorado e os robôs rapidamente perceberão as necessidades e irão intervir em tempo real.

É evidente que em 2020 muito desta tecnologia será embrionária. E ainda teremos robôs trabalhando com as pessoas nestas atividades. Não devemos ver a inteligência artificial funcionando de forma autônoma durante vários anos. Ela vai trabalhar em conjunto com as pessoas durante décadas até que ela possa ser autônoma. Os robôs e outros dispositivos estarão presentes nas escolas, nas ruas, nos hospitais, nas casas, nos clubes e etc. de forma crescente nos próximos anos.


A interação na nossa língua natural respeitando os regionalismos é uma pré-condição para que o Brasil possa usufruir dos benefícios oferecidos pelas novas tecnologias. Estamos diante de uma grande e histórica decisão. Espero que as autoridades estejam preparadas para fazer as melhores escolhas.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

A era do User eXperience (UX)

A experiência do usuário contemporânea exige o domínio do conhecimento de disciplinas como usabilidade, ergonomia e ciências cognitivas para assegurar que os usuários dos sistemas digitais consigam explorar na pratica as oportunidades geradas pelas facilidades desenvolvidas. O profissional que desenvolve a experiência do usuário trabalha com pesquisas realizadas junto aos usuários, com a heurística e com a prototipagem para criar um modelo estatístico da usabilidade da aplicação que gere uma espiral positiva para aumentar a qualidade da experiência do usuário.

Durante muito tempo, a engenharia considerou a usabilidade de uma aplicação como um fator menos importante do que a tecnologia desenvolvida. A organização de desenvolvimento entendeu por décadas que a experiência do usuário era um opcional interessante, mas era apenas um opcional. O objetivo mais importante era criar um produto que funcione. A comparação do desempenho era realizada entre um produto que funciona e um que não funciona. O sucesso de um desenvolvimento era entregar um produto funcionando. Inexistia no ambiente de desenvolvimento a preocupação com a usabilidade.

Para o negócio não era importante a capacidade do consumidor usar facilmente o produto. Até o final da era da tecnologia (ano de 2008), os executivos das empresas desenvolvedoras de tecnologia acreditavam que era mais importante oferecer um produto com centenas de facilidades sem usabilidade alguma, do que oferecer um produto com poucas facilidades com usabilidade elevada.

Na era da tecnologia, não era considerado um problema o sofrimento dos usuários para usarem os produtos digitais. A engenharia de empresas, como Apple, Microsoft e Sun Microsystems, determinava unilateralmente um conjunto de regras que os consumidores deveriam seguir rigorosamente. As empresas iniciantes de Internet que sobreviveram ao estouro da bolha do ano de 2000 estavam insatisfeitas com a ditadura da tecnologia e iniciaram uma corrida por talentos para derrubar as barreiras criadas contra a usabilidade e experiência do usuário.

No começo do século XXI, empresas como Google, eBay, PayPal e Yahoo iniciaram uma revolução no desenvolvimento de códigos e aplicativos. Posteriormente, a revolução da usabilidade foi incorporada pela nova geração empresas iniciantes como Twitter, Facebook, Instagram e etc. A geração Facebook de empresas iniciantes desenvolveu as mídias sociais com foco tanto na usabilidade e experiência do usuário, como na especialização da tecnologia. Estas empresas iniciantes enterraram e sepultaram a era da tecnologia.

A intensa competição entre as várias mídias sociais criadas fizeram com que as firmas buscassem novos aspectos de diferenciação dos seus produtos. Como o custo marginal unitário da tecnologia caiu para aproximadamente zero, as aplicações ganharam saltos exponenciais de usabilidade. O mundo pós 2010 começou a viver a nova era do conhecimento. Os projetos de experiência do usuário foram catapultados ano após ano para patamares cada vez mais elevados. Nasceu neste momento a era dos Apps. Eles eram facilmente lançados em um mercado altamente competitivo. A experiência cognitiva dos usuários na interação com a aplicação é o principal fator da explicação do crescimento e sobrevivência do aplicativo. A seleção natural da experiência do usuário determinou a morte de muitos Apps.

A era da experiência do usuário determina que produtos excelentes criam uma ótima experiência fim-a-fim. Não são produtos apenas usáveis. São produtos usáveis, sedutores, agradáveis e inspiradores. As redes sociais bem-sucedidas como YouTube, Airbnb, Flipboard, Square, Pinterest, Etsy, Path, AboutMe, Slideshare são soluções bem projetadas.

Os fabricantes Apple e Samsung brigam com intensidade elevada pelas patentes de usabilidade. Eles querem oferecer emoções únicas para os seus clientes através dos seus produtos. A empresa Microsoft desenvolveu o Windows 8 e 10 para surpreender os seus consumidores. Empresas como a BlackBerry praticamente desapareceram do mercado por causa da experiência fim-a-fim pobre dos seus usuários. Estas firmas mostraram ao mundo que falhas na usabilidade e experiência do usuário matam um produto líder de mercado.

O que é a de experiência do usuário?

User eXperience Design (UX ou UXD) é uma disciplina focada no projeto da experiência fim-a-fim de um usuário ou consumidor de um determinado produto. Para projetar a experiência é preciso planejar e atuar em relação a um determinado conjunto de características para mudar o comportamento do público alvo na interação com o produto.

O trabalho do projetista de UX é resolver os problemas dos usuários ou consumidores através da identificação de uma solução agradável, sedutora e inspiradora. O resultado do trabalho é medido através das métricas que descrevem o comportamento do usuário. O projetista de UX usa o conhecimento e os métodos descritos pela psicologia, antropologia, sociologia, informática, desenho gráfico e industrial e ciência cognitiva.

O projeto de uma experiência é em outras palavras, o planejamento da mudança do comportamento do público alvo. O processo consiste da identificação do problema e da destruição dos paradigmas usando uma ou mais metodologias de desenvolvimento de projetos.

Um projeto de experiência do usuário é realizado na intersecção da arte e da ciência. A UXD exige tanto a análise analítica, como a criatividade. Por exemplo, quando um analista de UX está criando uma tela de um aplicativo, ele considera as necessidades das pessoas que vão usar o software, testa a interatividade das alternativas disponíveis e identifica a solução que desperta o interesse das pessoas em usar o aplicativo por causa da experiência única proporcionada.


O objetivo do trabalho é fazer com que os usuários usem o software com o dobro do entusiasmo em relação a sua versão anterior. O analista de UX interage com a melhor solução para endereçar os problemas da maior parte do público alvo. O resultado é medido através do comportamento do usuário. Em outras palavras, a otimização gerada pela experiência do usuário é uma solução para um problema genérico alavancado através melhorias iterativas. As empresas iniciantes bem-sucedidas respiram a cultura da experiência do usuário.

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Ransomware na era pós verdade (eufemismo para mentira)

O mundo da era pós verdade é um ambiente em que existem mudanças digitais profundas. Um dos aspectos mais importantes desta nova ordem social é a cibersegurança. As informações armazenadas nos computadores, nuvens e outros dispositivos são ativos valiosos que precisam ser protegidos contra olhos indiscretos. Tanto as políticas de cibersegurança públicas e privadas precisam de elevada transparência e competência. As pragas virtuais da família do ransomware estão em alta porque atacam o centro nervoso da cibersegurança. Acessar as informações dos sistemas diariamente faz parte da rotina diária de todas as empresas e qualquer coisa que impeça este acesso gera um problema econômico de grande envergadura.

O ransomware captura as informações armazenadas e impede o acesso dos legítimos proprietários. Os malfeitores exigem o pagamento de um resgate em moeda virtual para libertar as informações. Como a maioria dos sistemas produtivos, o ransomware tem na logística o seu maior custo. Distribuir uma praga virtual exige o enfrentamento de diversas barreiras. No entanto, os malfeitores estão esbanjando criatividade. Em alguns casos eles estão trocando o pagamento do resgate das informações pela ação da vítima de espalhar a praga virtual para quatro ou cinco novas pessoas. Não é preciso ser um especialista em segurança para perceber o aspecto explosivo de tal estratégia de distribuição.

A velocidade de ataque destas pragas virtuais ganha com tal estratagema crescimento exponencial e as pessoas passarão a serem atacadas por fontes que elas julgam serem confiáveis. Existe um potencial econômico negativo gigantesco em tal situação, pois uma enorme incerteza vai permear o mercado digital. As pessoas terão que desconfiar tanto das fontes confiáveis como das inconfiáveis.

No caso brasileiro de baixa qualidade na cibersegurança, o drama é de elevada gramatura. Falta no Brasil a cultura da segurança digital. Isto significa que o país pode ser em breve castigado por diversos eventos de cibersegurança. Infelizmente no Brasil existe uma estrada digital aberta para a disseminação de pragas de ransomware. No trem e metrô na cidade de São Paulo os vendedores ambulantes vendem pendrives e cartões de memória de 32 Gbytes por 5 reais. O preço é extremamente convidativo. Em particular eu tenho dúvidas que o preço de venda permita a aferição de algum lucro. Sem entrar no mérito da procedência destes dispositivos imagine o que aconteceria se os mesmos estivessem contaminados com um ransomware escondido no seu driver de instalação.

Milhares de computadores e dispositivos digitais serão contaminados. Muitos computadores que trabalham em rede VPN (Virtual Private Network) serão contaminados. Milhões de computadores corporativos serão contaminados. Espero que demore muito tempo para que as facções criminosas percebam que podem cometer crimes mais lucrativos ao migrarem as suas ações para o mundo digital. Elas podem facilmente dominar a logística da distribuição dos ransomwares e capturar um mercado bilionário por conta da falta de cultura de segurança do brasileiro. O crescimento das moedas virtuais e Blockchain no país é um facilitador para eles.


Tanto o governo, como as autoridades de segurança, como a sociedade precisam com urgência rever os aspectos que facilitam a disseminação do ransomware no Brasil. Pode ser tarde se tais medidas forem procrastinadas. Os danos financeiros são de elevada monta e segmentos de mercado podem ser destruídos. É preciso tratar o assunto com atenção e carinho. 

Too many cooks spoil the broth

A repercussão dos artigos sobre compartilhamento de senhas [Conta do governo publica senhas do Planalto acidentalmente no Twitter (https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2017/01/10/conta-do-governo-publica-senhas-do-planalto-acidentalmente-no-twitter.htm) e Atenção: Compartilhamento de senhas pode destruir sua segurança (http://cio.com.br/opiniao/2017/01/10/atencao-compartilhamento-de-senhas-pode-destruir-sua-seguranca) revelou que muitos profissionais de segurança vivem em regime de negação da realidade. Muitos consideraram o caso como um incidente grave e incomum.

O fenômeno de compartilhamento de senha de rede social é pratica comum em todas as empresas. A cultura brasileira em relação aos bens materiais e imateriais (senhas por exemplo) não é preservacionista, ou seja, o que é compartilhado não é cuidado por ninguém. Em outras palavras, estas senhas são conhecidas por várias pessoas que não estão envolvidas com as redes sociais nas empresas. A grave falha que os profissionais de segurança citaram ocorre diariamente na empresa que ele trabalha. O vazamento do endereço do arquivo com as senhas é situação similar ao que encontramos em senhas escritas nos lembretes grudados nas estações de trabalho.

Os que consideram este caso como incompetência dos envolvidos deveriam usar o mesmo tratamento para os que compartilham as senhas dentro das suas empresas. Infelizmente a falta de cultura da preservação de bens públicos faz com que as pessoas envolvidas com as senhas das redes sociais do governo não tenham visão dos danos e consequências. Para elas tudo foi resolvido com a mudança das senhas. Tal comportamento faz parte da cultura nacional. Os profissionais de segurança não podem ignorar os aspectos culturais da sua visão de trabalho. O compartilhamento de senha faz parte da rotina das empresas desde que as senhas surgiram no Brasil. Então tal situação não é novidade. Isto significa, que as políticas de segurança devem prever os casos de senhas compartilhadas. Não é possível que algo que é praticado por décadas seja entendido por grave falha de segurança.

Para os que alegam que a grave falha foi a divulgação do endereço do arquivo com as senhas em uma rede social, eu entendo, que é importante destacar que mais cedo ou mais tarde um incidente similar deste porte iria fatalmente acontecer pela forma como os bens compartilhados são geridos no Brasil. Isto significa que é um caso esperado e a política de segurança deve abordar tal situação. No caso das senhas compartilhadas é fácil perceber que elas existem em todas as organizações e também é nítido que as mesmas são pobremente gerenciadas.


Os profissionais de segurança precisam trabalhar tanto na difícil frente da mudança cultural sobre bens compartilhados, como na frente de curto prazo de tratar as consequências de tais vazamentos. A abordagem de ignorar o problema que é antigo e classificar como grave incidente de segurança em nada contribui para resolver o real problema. 

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Era dos megaeventos e da micro inteligência

O Brasil sediou a copa de 2014 e as olimpíadas de 2016. Os resultados divulgados recentemente pelo ministério do turismo revelaram que o resultado alcançado foi medíocre [(Em ano de Olimpíada, turismo estrangeiro cresce 4,8% no Brasil e chega a 6,6 milhões, http://g1.globo.com/economia/noticia/em-ano-de-olimpiada-turismo-estrangeiro-cresce-48-no-brasil-e-chega-a-66-milhoes.ghtml), (Ano de Olimpíada no Rio traz mais turistas ao Brasil que o da Copa, http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2017/01/1846918-ano-de-olimpiada-no-rio-traz-mais-turistas-ao-brasil-que-o-da-copa.shtml)]. Foi realizado um investimento recorde acima de 90 bilhões de reais e o resultado em termos de crescimento do turismo foi ridículo. A pobreza intelectual na organização destes dois megaeventos explica o resultado pobre. Os artigos “Concessionária acusa Rio-2016 de entregar Maracanã inacabado para governo” (http://oglobo.globo.com/esportes/concessionaria-acusa-rio-2016-de-entregar-maracana-inacabado-para-governo-20730472) e “Maracanã tinha 56 problemas após Rio-2016, aponta laudo da Odebrecht” (http://rodrigomattos.blogosfera.uol.com.br/2017/01/06/maracana-tinha-56-problemas-apos-rio-2016-aponta-laudo-da-odebrecht/) revelaram a situação em janeiro de 2017 do estádio do Maracanã que consumiu quase 1,5 bilhão de Reais.

Os números do turismo internacional mostraram porque faltou dinheiro para devolver o complexo Maracanã nas mesmas condições em que ele foi recebido pela Rio 2016. Em 2013 já sob a influência da copa das confederações, o Brasil recebeu 5,8 milhões de turistas internacionais. O resultado da Copa de 2014 no turismo pode ser sentido nos anos de 2015 e 2016, sendo que o turismo estrangeiro do ano de 2016 tem tanto o efeito Copa 2014 como das Olimpíadas 2016.

Em 2016 o Brasil recebeu 6,6 milhões de turistas estrangeiros contra 5,8 milhões em 2013. Ou seja, os megaeventos elevaram o fluxo de turistas ao Brasil em 0,8 milhões. No ano de 2016 os turistas gastaram no Brasil 6,2 bilhões de dólares. Em palavras, o investimento de 90 bilhões de Reais na copa e olimpíadas gerou um crescimento de menos de 5% no fluxo de turistas.


A Argentina investiu aproximadamente 190 milhões de Reais para atrair 5,7 milhões de turistas em 2015. Em outras palavras para atrair um turista estrangeiro a Argentina exigiu investimento de 34 Reais e o Brasil investiu aproximadamente 13,6 mil Reais. A produtividade do investimento brasileiro pode ser vista na divisão dos investimentos, ou seja, 34/13.636 = 0,25%. O investimento brasileiro teve produtividade de 0,25% do investimento argentino. Os números confirmam o resultado medíocre que o Brasil alcançou. Nunca na história da humanidade um governo gerou tanto desperdício de dinheiro público como os pós 2002. Foi conquistada a façanha de empobrecer a população brasileira numa época de crescimento da economia mundial

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Tecnologia Blockchain no Serviço DNS

Feliz 2017. Em outubro de 2016, eu alertei na postagem “Uma nova ameaça econômica nasceu” (http://itgovrm.blogspot.com.br/2016/10/uma-nova-ameaca-economica-nasceu.html) sobre as fragilidades existentes nos serviços de DNS (Domain Name System). Infelizmente a realidade ambiental brasileira impediu a absorção deste conhecimento pelos profissionais da organização de ti e de segurança. O resultado da ausência de ações corretivas pode ser visto na primeira semana de 2017. O portal Google foi atacado em 03/01/2017e o portal UOL foi atacado em 06/01/2017.

Na postagem “Uma nova ameaça econômica nasceu” eu alertei sobre o problema e apresentei como a tecnologia Blockchain é capaz de eliminar a fragilidade do DNS. É uma solução simples, barata e rápida que pode ser adotada por todas as empresas. O serviço de DNS é basicamente um banco de dados onde a entrada é um nome e a saída é um endereço IP (Internet Protocol). Ao usar a tecnologia Blockchain para controlar as alterações no serviço DNS, a empresa cria um ambiente onde apenas a posição de consenso de todos os nós da rede permite a publicação de uma alteração no banco de dados. Este processo simples, barato e rápido impede que um invasor altere o endereço de IP de um nome do serviço DNS.


Espero que os recentes acontecimentos do início de 2017 despertem o interesse dos profissionais da organização de TI (Tecnologia da Informação) e de segurança para a importante questão da fragilidade do serviço DNS. O único requisito necessário para usar a tecnologia Blockchain no DNS é o conhecimento de uma solução do ano de 2016. Todo o processo é muito simples. Eu adotei o Blockchain no DNS em 2016 e não fui impactado por estes ataques.

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Quantas vezes uma mentira precisa ser contada para virar verdade?

Nas festas de final de ano, as conversas giraram em torno das amenidades e dos desafios que os brasileiros enfrentarão em 2017. No contexto da crise eu fui muito questionado sobre o que poderia ser feito para minimizar os efeitos negativos do baixo crescimento do PIB. Como já comentei em postagem anterior a minha previsão para 2017 é de um crescimento em torno de 0,5% caso o Brasil faça escolhas minimamente razoáveis durante o ano. Considero improvável um crescimento negativo e pouco provável, mas possível, crescimento na casa dos 0,8% do PIB. Como o Brasil precisa recuperar as perdas da recessão e compensar o crescimento populacional, é fácil perceber que a velocidade do crescimento do PIB é muito baixa.

Ao citar o exemplo da Coréia do Sul (Coreia do Sul quer tirar de circulação todas as moedas até 2020, http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2016/12/1838268-coreia-do-sul-quer-tirar-de-circulacao-todas-as-moedas-ate-2020.shtml?mobile) que pretende acabar com o dinheiro em papel moeda até 2020 como uma solução para fazer mais com menos eu fui imediatamente interrompido com a frase: "Não sei em que mundo você vive, as pessoas de mais idade não vão conseguir usar um celular para pagar as suas contas". O autor desta pérola da cultura do atraso recentemente elogiou uma propaganda na televisão do maior banco do Brasil onde uma aposentada envia e-mail de agradecimento ao seu neto por ele ter ensinado como usar. Infelizmente encontramos os partidários da cultura do atraso na elite intelectual brasileira.

O que mais me surpreendeu no caso foi ver uma pessoa acima de 50 anos defendendo o preconceito ao cabelo branco. No caso da propaganda do banco, o preconceito é explicitado ao seu máximo. A situação natural para o ensino da utilização do e-mail (e ela representa uma forte distorção e mentira) seria a mãe agradecer ao filho que ensinou. No entanto, para o banco, o filho que no contexto da propaganda tem mais de 50 anos, não é capaz de aprender a usar o e-mail por causa da sua idade e por isto o neto que é jovem é quem é a pessoas capaz de ensinar a tecnologia para a vovó.

O recado subliminar da propaganda é que tecnologia é um assunto para os jovens e os mais velhos tem enorme dificuldade de aprender a usar as novas tecnologias (o leitor mais atento deve estar neste momento perguntado em qual lugar do universo o e-mail é uma nova tecnologia?). É claro na propaganda que para o banco ligar um computador ou celular e enviar um e-mail é uma tarefa de nível tão grande de dificuldade intelectual para uma pessoa acima de 70 anos que ela precisa ser ensinada para tal. A origem do preconceito ao cabelo branco é resultado direto da falácia da dificuldade do aprendizado das novas tecnologias pelos que tem mais 40 anos.

Não é surpreendente que este banco tenha no seu regimento interno uma determinação de aposentadoria compulsória por idade. Também não é surpreendente que o precário capital intelectual do banco fruto do seu preconceito ao cabelo criasse uma burocracia cara e inútil para a comunicação do cliente com a sua agência. Fazer menos com mais é claramente o lema do banco.
O grande problema dos partidários da cultura do atraso são os fatos. Enquanto uns afirmam que as pessoas de mais idade não vão usar o celular para pagar as contas do dia a dia, os fatos desmentem tais afirmações. Em primeiro lugar existem muitas pessoas acima de 70 anos na Coréia do Sul. A participação delas na sociedade será maior em 2020 do que é em 2017. Os que falam que eu vivo em outro mundo afirmam que os idosos da Coréia do Sul são capazes de usar as moedas virtuais. A limitação existe apenas nos idosos brasileiros. A lógica de tal afirmação não é comprovada por fato algum. Para os defensores da cultura do atraso, os problemas para a adoção da moeda virtual são diferentes entre lugares como Brasil, Estados Unidos, Europa e Coréia do Sul. Para eles, o ser humano tem capacidade de aprendizado diferente em função da geografia. Sou incapaz de entender tal lógica.

O segundo furo dos defensores da cultura do atraso é que todos os dias pessoas acima de 70 anos pagam as suas contas nos supermercados, lojas, farmácias e etc. usando o cartão de crédito. Quem consegue pagar uma compra com o seu cartão de crédito não é capaz de pagar com o seu celular? Infelizmente, é esta a frágil hipótese da cultura do atraso.

Outros fatos desmentem por completo a frágil hipótese da cultura do atraso de que pessoas idosas não vão conseguir usar a tecnologia da moeda digital. Aqui (Myth busted: Older workers are just as tech-savvy as younger ones, says new survey, http://www.techrepublic.com/article/myth-busted-older-workers-are-just-as-tech-savvy-as-younger-ones-says-new-survey/) ali (Cyber idade: pesquisa mostra que os mais velhos estão usando mais as tecnologias!, http://conaz.com.br/portal/pesquisa-mais-velhos-usando-tecnologias/) e ali (Novas tecnologias conquistam a terceira idade com acesso à rede, http://www.jornalcruzeiro.com.br/materia/720041/novas-tecnologias-conquistam-a-terceira-idade-com-acesso-a-rede) estão disponíveis pesquisas que mostram que as pessoas mais velhas tem menos dificuldades com a tecnologia do que os mais novos. Os estudos revelam também que os cabelos brancos brasileiros estão usando intensamente as tecnologias digitais sem grandes dificuldades.

Os ganhos monetários da migração para a moeda virtual são enormes. Os custos para imprimir, armazenar e distribuir o dinheiro em papel em um país de grande dimensão como o Brasil são enormes. Na Coréia do Sul que é um pais eficiente e de pequena extensão territorial, uma nota de 10 won custa 10 won. Aqui no Brasil que é um país de larga extensão territorial o custo deve ser no mínimo o dobro. Este custo é pago pelos impostos. Não é difícil perceber que uma pequena mudança para a rotina dos brasileiros como a moeda virtual pode economizar bilhões de reais por ano e pode fazer a economia crescer mais rapidamente. Infelizmente a cultura do atraso atua com mentiras para impedir que o Brasil supere os seus desafios em 2017.


Para finalizar eu destaco que desde a introdução dos caixas eletrônicos nos anos 1980 no Brasil eu escuto a falácia de que os idosos não vão conseguir usar a tecnologia. Os fatos desmentem as mentiras afirmadas. Eles usam e não precisaram ser ensinados pelos netos. Para os que perguntam em que lugar eu vivo eu respondo que eu vivo no planeta terra no ano de 2017. E complemento dizendo que os arrogantes que acham que o fato deles terem limitações de aprendizagem significa que outros tem as mesmas limitações devem buscar ajuda urgente. Os idosos não têm limitações de aprendizagem e buscam uma sociedade que não jogue no lixo o dinheiro dos impostos. Fazer mais com menos não é cortar o leite das crianças como um prefeito fez. Fazer mais com menos é usar os recursos existentes em 2017 para que o estado brasileiro seja eficaz e eficiente. Os que desejam viver com a tecnologia de 1980 que vivam no passado e paguem a conta. Eu não quero pagar a conta dos gastos inúteis gerada pelos que governam o Brasil desde o ano de 2002. A maior recessão da história brasileira foi gerada pelos arrogantes da cultura do atraso. 

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Olhar para o futuro

Muitos olham para 2016 como o ano da travessia para um Brasil melhor. Eu espero que eles estejam certos. É possível um crescimento da ordem de 0,5% do PIB em 2017. Nos meus encontros com os empresários eles me perguntam como apressar o crescimento? O que podemos fazer para retornar para patamares de crescimento de 3%?

A minha resposta para eles é que dentro dos parâmetros da economia tradicional onde existe escassez de recursos, o crescimento estará limitado pelo investimento. Como existem muitas incertezas nos marcos regulatórios brasileiros, o investimento internacional será baixo. Isto significa que para acelerar o crescimento será preciso entrar no barco da economia do compartilhamento.

Apenas um segmento econômico que permita a entrega de soluções para os clientes e consumidores com nível de investimento e custo fixo baixo ou nulo será capaz de alavancar ou catapultar o crescimento da economia brasileira. A principal característica deste segmento é a necessidade de elevado capital intelectual e conhecimento. Isto significa que é preciso romper com todos os preconceitos que existem nas contratações (em especial o preconceito do cabelo branco). É preciso foco e contratar os funcionários conforme as suas qualificações. Este ponto da evolução das contratações representa o valor de x que resolve a equação do crescimento pífio do PIB nacional.

Eu avancei a minha apresentação para um território onde geralmente eu não entro. Resolvi incorporar o espírito natalino de dar presente e oferecer sugestões concretas e gratuitas de elevado potencial comercial para todos os empresários, executivos e políticos presentes. Eu apresentei uma dificuldade que é uma grande parte dos aposentados brasileiros estão enfrentando e que representa uma grande oportunidade de negócio. Centenas de milhares de aposentados recebem diariamente repetidas ligações que são tentativas de fraudes. Estas ligações ocorrem repetidas vezes nos seus telefones fixos e em geral são feitas em horários inconvenientes. Os malfeitores usam este estratagema para que os aposentados sejam pegos desprevenidos.

Existem vários sites de internet que registram em banco de dados os números dos telefones de pessoas ou empresas (por exemplo, http://quemperturba.com.br, http://www.quemliga.com.br/) que ou praticam fraudes ou que se julgam no direito de ligar várias vezes por dia para as pessoas oferendo produtos que ninguém deseja comprar. Uma simples caixa externa conectada ao telefone fixo que examine o número chamador e compare com a base de dados existente na Internet de fraudadores e de vendedores que desrespeitam os clientes pode bloquear automaticamente estas chamadas impedindo assim que os aposentados sejam incomodados no seu merecido descanso com fraudes e enganações.

Tanto o poder público, como os bancos, como as operadoras de cartões de crédito, como os lojistas, como os cidadãos brasileiros serão beneficiados com tal solução. É fácil perceber que um dos membros desta cadeia de valor paga por compras que não foram realizadas por ele. Milhões de reais são perdidos anualmente por compras não realizadas e por custos de chamados sobre fraudes.  Os custos administrativos do estorno dos valores estão alcançando quantias estratosféricas. Os impostos que são gastos no processamento jurídico destas fraudes são enormes. Muito pode ser feito pela saúde e educação pública se os custos gerados pelos que efetuam malfeitos pelo telefone forem eliminados.

Uma das consequências destas fraudes é o aumento da inadimplência por parte dos que estão pagando por compras que não realizaram. Toda vez que temos que arcar por uma despesa não desejada, não planejada e elevada existe um comprometimento do fluxo de caixa. Muitas vezes isto significa em deixar de pagar alguma coisa. Como consequência do aumento da inadimplência a taxa de juros sobe. Os juros de quase 500% do crédito rotativo do cartão de crédito é uma das consequências das fraudes geradas pelo telefone fixo. Não é um crime que é pago individualmente. Toda a sociedade acaba pagando por este tipo de crime.

A grande vantagem da caixa de bloqueio de ligações através da economia compartilhada é que no médio prazo a operação das fraudes será inviabilizada. Com a propagação do seu uso pelo público alvo a maioria das fraudes por telefone será bloqueada antes que os aposentados atendam o telefone. Após um prazo de aproximadamente um ano estes malfeitores não mais conseguirão alcançar de forma barata o seu público alvo. As suas operações serão inviabilizadas e os custos que a comunidade paga decorrentes das fraudes e enganações desaparecerão. É um jogo em que toda a sociedade ganha pela economia compartilhada.

Uma segunda sugestão concreta nasceu de uma dificuldade que enfrentei recentemente no mês de dezembro de 1016. Um celular que comprei em 2012 e que gosto muito precisou de manutenção. Levei para várias lojas de reparo localizadas na avenida Paulista. O principal defeito dele é que ele não ligava e nem carregava a bateria. Como discordei do procedimento de recuperação que os técnicos queriam realizar no meu aparelho eu decidi usar os meus conhecimentos e fazer o reparo. Para tal eu necessitava de uma fonte ajustável de bancada, onde pudesse controle a tesão e a corrente entregue ao celular. Após dezenas de ligações eu descobri que na cidade de São Paulo eu só conseguiria comprar uma fonte à pronta entrega nas lojas da Santa Ifigênia. Como tenho restrições de segurança e econômicas para ir até o local eu procurei nos sites de compartilhamento se alguém perto de mim poderia me alugar a sua fonte. Inexistiu sucesso nesta empreitada.

Fazendo as contas eu percebi que poderia fazer uma oferta vantajosa pelo aluguel de uma fonte de alimentação junto aos pequenos empreendedores que estavam com o equipamento ocioso por um aluguel de uma semana. Cheguei ao meu máximo e ofereci 33% do valor da compra de uma nova fonte aos que mantinham o negócio de reparo de celular. Tudo isto porque eu não queria ir para a Santa Ifigênia. Nem com uma oferta ousada e me propondo a usar o equipamento no local do empresário eu consegui convencer os donos das vantagens de alugar um equipamento ocioso. A solução foi ir na Santa Ifigênia, gastar com um taxi que me esperou na porta da loja e fazer o reparo em casa em algumas horas. Todo este cenário mostrou como a economia do compartilhamento está engatinhando no Brasil. No pais mais rico do mundo é possível alugar qualquer coisa para uso esporádico e conforme a necessidade. A rentabilização dos ativos que possuímos é mais uma forma de sair da crise em prazo menor. Se o Brasil quer acelerar a velocidade do crescimento, ele precisa mudar a sua cultura e entrar com força na economia do compartilhamento.

A terceira e última contribuição que ofereci vem também da constatação que fazer o simples e obvio é o caminho para acelerar o crescimento do PIB. Muitos condomínios residenciais estão recebendo gratuitamente televisões onde metade da tela é usada para apresentar um conteúdo comercial e metade é usado para apresentar informações relevantes do condomínio. Na parte do conteúdo comercial, são apresentadas ofertas de várias empresas de grande porte que tem acesso a todos os tipos de mídia. No entanto, inexiste espaço para a apresentação de ofertas das empresas que estão geograficamente próximas do condomínio. Estas pequenas empresas somadas podem oferecer uma elevada renda para a empresa que é proprietária da televisão instalada nos elevadores dos condomínios residências. É um mercado enorme que não está sendo explorado e que o primeiro que resolver desbravar vai conquistar bilhões de reais.