segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Negócios pós CES 2017

A CES 2017 como era esperado foi preponderante nos temas relacionados com a inteligência artificial, computação cognitiva e aprendizado das máquinas. É bastante claro que a comunicação verbal entre as pessoas e as máquinas será a nossa forma de interação com os computadores nos próximos anos. A linguagem natural será vastamente utilizada e desenvolvida.

Mais uma vez o Brasil está em um momento de escolha no assunto tecnologia de informações e comunicações. O país pode olhar para a CES 2017 e encarar como uma oportunidade para desenvolver soluções de reconhecimento de voz em português e crescer com as tecnologias emergentes ou pode escolher o mesmo caminho que vem trilhando sem sucesso por décadas. Ou seja, esperar que outros desenvolvam uma tecnologia de reconhecimento de voz em linguagem natural e entrar no jogo de forma atrasada.

Computadores, drones, robôs e diversos dispositivos vão conversar com as pessoas em linguagem natural nos próximos três anos. Pode parecer perfumaria para alguns, mas não é. Estes dispositivos vão interagir com as pessoas desempenhando papéis como cuidadores e acompanhantes de enfermos, idosos e crianças. Todos os sistemas públicos bancados com dinheiro dos impostos terão enormes ganhos de produtividade com a computação em linguagem natural.

O sistema de saúde pode reduzir o seu custo através da inteligência artificial. Os especialistas passarão a ter certeza que o tratamento está sendo seguido à risca pelo paciente aumentando assim a chance de sucesso. A companhia dos robôs servirá para que as pessoas enfermas possam ser ajudadas em atividades como ir no banheiro, tomar banho ou fazer uma caminhada. Como tudo estará sendo monitorado e os robôs rapidamente perceberão as necessidades e irão intervir em tempo real.

É evidente que em 2020 muito desta tecnologia será embrionária. E ainda teremos robôs trabalhando com as pessoas nestas atividades. Não devemos ver a inteligência artificial funcionando de forma autônoma durante vários anos. Ela vai trabalhar em conjunto com as pessoas durante décadas até que ela possa ser autônoma. Os robôs e outros dispositivos estarão presentes nas escolas, nas ruas, nos hospitais, nas casas, nos clubes e etc. de forma crescente nos próximos anos.


A interação na nossa língua natural respeitando os regionalismos é uma pré-condição para que o Brasil possa usufruir dos benefícios oferecidos pelas novas tecnologias. Estamos diante de uma grande e histórica decisão. Espero que as autoridades estejam preparadas para fazer as melhores escolhas.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

A era do User eXperience (UX)

A experiência do usuário contemporânea exige o domínio do conhecimento de disciplinas como usabilidade, ergonomia e ciências cognitivas para assegurar que os usuários dos sistemas digitais consigam explorar na pratica as oportunidades geradas pelas facilidades desenvolvidas. O profissional que desenvolve a experiência do usuário trabalha com pesquisas realizadas junto aos usuários, com a heurística e com a prototipagem para criar um modelo estatístico da usabilidade da aplicação que gere uma espiral positiva para aumentar a qualidade da experiência do usuário.

Durante muito tempo, a engenharia considerou a usabilidade de uma aplicação como um fator menos importante do que a tecnologia desenvolvida. A organização de desenvolvimento entendeu por décadas que a experiência do usuário era um opcional interessante, mas era apenas um opcional. O objetivo mais importante era criar um produto que funcione. A comparação do desempenho era realizada entre um produto que funciona e um que não funciona. O sucesso de um desenvolvimento era entregar um produto funcionando. Inexistia no ambiente de desenvolvimento a preocupação com a usabilidade.

Para o negócio não era importante a capacidade do consumidor usar facilmente o produto. Até o final da era da tecnologia (ano de 2008), os executivos das empresas desenvolvedoras de tecnologia acreditavam que era mais importante oferecer um produto com centenas de facilidades sem usabilidade alguma, do que oferecer um produto com poucas facilidades com usabilidade elevada.

Na era da tecnologia, não era considerado um problema o sofrimento dos usuários para usarem os produtos digitais. A engenharia de empresas, como Apple, Microsoft e Sun Microsystems, determinava unilateralmente um conjunto de regras que os consumidores deveriam seguir rigorosamente. As empresas iniciantes de Internet que sobreviveram ao estouro da bolha do ano de 2000 estavam insatisfeitas com a ditadura da tecnologia e iniciaram uma corrida por talentos para derrubar as barreiras criadas contra a usabilidade e experiência do usuário.

No começo do século XXI, empresas como Google, eBay, PayPal e Yahoo iniciaram uma revolução no desenvolvimento de códigos e aplicativos. Posteriormente, a revolução da usabilidade foi incorporada pela nova geração empresas iniciantes como Twitter, Facebook, Instagram e etc. A geração Facebook de empresas iniciantes desenvolveu as mídias sociais com foco tanto na usabilidade e experiência do usuário, como na especialização da tecnologia. Estas empresas iniciantes enterraram e sepultaram a era da tecnologia.

A intensa competição entre as várias mídias sociais criadas fizeram com que as firmas buscassem novos aspectos de diferenciação dos seus produtos. Como o custo marginal unitário da tecnologia caiu para aproximadamente zero, as aplicações ganharam saltos exponenciais de usabilidade. O mundo pós 2010 começou a viver a nova era do conhecimento. Os projetos de experiência do usuário foram catapultados ano após ano para patamares cada vez mais elevados. Nasceu neste momento a era dos Apps. Eles eram facilmente lançados em um mercado altamente competitivo. A experiência cognitiva dos usuários na interação com a aplicação é o principal fator da explicação do crescimento e sobrevivência do aplicativo. A seleção natural da experiência do usuário determinou a morte de muitos Apps.

A era da experiência do usuário determina que produtos excelentes criam uma ótima experiência fim-a-fim. Não são produtos apenas usáveis. São produtos usáveis, sedutores, agradáveis e inspiradores. As redes sociais bem-sucedidas como YouTube, Airbnb, Flipboard, Square, Pinterest, Etsy, Path, AboutMe, Slideshare são soluções bem projetadas.

Os fabricantes Apple e Samsung brigam com intensidade elevada pelas patentes de usabilidade. Eles querem oferecer emoções únicas para os seus clientes através dos seus produtos. A empresa Microsoft desenvolveu o Windows 8 e 10 para surpreender os seus consumidores. Empresas como a BlackBerry praticamente desapareceram do mercado por causa da experiência fim-a-fim pobre dos seus usuários. Estas firmas mostraram ao mundo que falhas na usabilidade e experiência do usuário matam um produto líder de mercado.

O que é a de experiência do usuário?

User eXperience Design (UX ou UXD) é uma disciplina focada no projeto da experiência fim-a-fim de um usuário ou consumidor de um determinado produto. Para projetar a experiência é preciso planejar e atuar em relação a um determinado conjunto de características para mudar o comportamento do público alvo na interação com o produto.

O trabalho do projetista de UX é resolver os problemas dos usuários ou consumidores através da identificação de uma solução agradável, sedutora e inspiradora. O resultado do trabalho é medido através das métricas que descrevem o comportamento do usuário. O projetista de UX usa o conhecimento e os métodos descritos pela psicologia, antropologia, sociologia, informática, desenho gráfico e industrial e ciência cognitiva.

O projeto de uma experiência é em outras palavras, o planejamento da mudança do comportamento do público alvo. O processo consiste da identificação do problema e da destruição dos paradigmas usando uma ou mais metodologias de desenvolvimento de projetos.

Um projeto de experiência do usuário é realizado na intersecção da arte e da ciência. A UXD exige tanto a análise analítica, como a criatividade. Por exemplo, quando um analista de UX está criando uma tela de um aplicativo, ele considera as necessidades das pessoas que vão usar o software, testa a interatividade das alternativas disponíveis e identifica a solução que desperta o interesse das pessoas em usar o aplicativo por causa da experiência única proporcionada.


O objetivo do trabalho é fazer com que os usuários usem o software com o dobro do entusiasmo em relação a sua versão anterior. O analista de UX interage com a melhor solução para endereçar os problemas da maior parte do público alvo. O resultado é medido através do comportamento do usuário. Em outras palavras, a otimização gerada pela experiência do usuário é uma solução para um problema genérico alavancado através melhorias iterativas. As empresas iniciantes bem-sucedidas respiram a cultura da experiência do usuário.

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Ransomware na era pós verdade (eufemismo para mentira)

O mundo da era pós verdade é um ambiente em que existem mudanças digitais profundas. Um dos aspectos mais importantes desta nova ordem social é a cibersegurança. As informações armazenadas nos computadores, nuvens e outros dispositivos são ativos valiosos que precisam ser protegidos contra olhos indiscretos. Tanto as políticas de cibersegurança públicas e privadas precisam de elevada transparência e competência. As pragas virtuais da família do ransomware estão em alta porque atacam o centro nervoso da cibersegurança. Acessar as informações dos sistemas diariamente faz parte da rotina diária de todas as empresas e qualquer coisa que impeça este acesso gera um problema econômico de grande envergadura.

O ransomware captura as informações armazenadas e impede o acesso dos legítimos proprietários. Os malfeitores exigem o pagamento de um resgate em moeda virtual para libertar as informações. Como a maioria dos sistemas produtivos, o ransomware tem na logística o seu maior custo. Distribuir uma praga virtual exige o enfrentamento de diversas barreiras. No entanto, os malfeitores estão esbanjando criatividade. Em alguns casos eles estão trocando o pagamento do resgate das informações pela ação da vítima de espalhar a praga virtual para quatro ou cinco novas pessoas. Não é preciso ser um especialista em segurança para perceber o aspecto explosivo de tal estratégia de distribuição.

A velocidade de ataque destas pragas virtuais ganha com tal estratagema crescimento exponencial e as pessoas passarão a serem atacadas por fontes que elas julgam serem confiáveis. Existe um potencial econômico negativo gigantesco em tal situação, pois uma enorme incerteza vai permear o mercado digital. As pessoas terão que desconfiar tanto das fontes confiáveis como das inconfiáveis.

No caso brasileiro de baixa qualidade na cibersegurança, o drama é de elevada gramatura. Falta no Brasil a cultura da segurança digital. Isto significa que o país pode ser em breve castigado por diversos eventos de cibersegurança. Infelizmente no Brasil existe uma estrada digital aberta para a disseminação de pragas de ransomware. No trem e metrô na cidade de São Paulo os vendedores ambulantes vendem pendrives e cartões de memória de 32 Gbytes por 5 reais. O preço é extremamente convidativo. Em particular eu tenho dúvidas que o preço de venda permita a aferição de algum lucro. Sem entrar no mérito da procedência destes dispositivos imagine o que aconteceria se os mesmos estivessem contaminados com um ransomware escondido no seu driver de instalação.

Milhares de computadores e dispositivos digitais serão contaminados. Muitos computadores que trabalham em rede VPN (Virtual Private Network) serão contaminados. Milhões de computadores corporativos serão contaminados. Espero que demore muito tempo para que as facções criminosas percebam que podem cometer crimes mais lucrativos ao migrarem as suas ações para o mundo digital. Elas podem facilmente dominar a logística da distribuição dos ransomwares e capturar um mercado bilionário por conta da falta de cultura de segurança do brasileiro. O crescimento das moedas virtuais e Blockchain no país é um facilitador para eles.


Tanto o governo, como as autoridades de segurança, como a sociedade precisam com urgência rever os aspectos que facilitam a disseminação do ransomware no Brasil. Pode ser tarde se tais medidas forem procrastinadas. Os danos financeiros são de elevada monta e segmentos de mercado podem ser destruídos. É preciso tratar o assunto com atenção e carinho. 

Too many cooks spoil the broth

A repercussão dos artigos sobre compartilhamento de senhas [Conta do governo publica senhas do Planalto acidentalmente no Twitter (https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2017/01/10/conta-do-governo-publica-senhas-do-planalto-acidentalmente-no-twitter.htm) e Atenção: Compartilhamento de senhas pode destruir sua segurança (http://cio.com.br/opiniao/2017/01/10/atencao-compartilhamento-de-senhas-pode-destruir-sua-seguranca) revelou que muitos profissionais de segurança vivem em regime de negação da realidade. Muitos consideraram o caso como um incidente grave e incomum.

O fenômeno de compartilhamento de senha de rede social é pratica comum em todas as empresas. A cultura brasileira em relação aos bens materiais e imateriais (senhas por exemplo) não é preservacionista, ou seja, o que é compartilhado não é cuidado por ninguém. Em outras palavras, estas senhas são conhecidas por várias pessoas que não estão envolvidas com as redes sociais nas empresas. A grave falha que os profissionais de segurança citaram ocorre diariamente na empresa que ele trabalha. O vazamento do endereço do arquivo com as senhas é situação similar ao que encontramos em senhas escritas nos lembretes grudados nas estações de trabalho.

Os que consideram este caso como incompetência dos envolvidos deveriam usar o mesmo tratamento para os que compartilham as senhas dentro das suas empresas. Infelizmente a falta de cultura da preservação de bens públicos faz com que as pessoas envolvidas com as senhas das redes sociais do governo não tenham visão dos danos e consequências. Para elas tudo foi resolvido com a mudança das senhas. Tal comportamento faz parte da cultura nacional. Os profissionais de segurança não podem ignorar os aspectos culturais da sua visão de trabalho. O compartilhamento de senha faz parte da rotina das empresas desde que as senhas surgiram no Brasil. Então tal situação não é novidade. Isto significa, que as políticas de segurança devem prever os casos de senhas compartilhadas. Não é possível que algo que é praticado por décadas seja entendido por grave falha de segurança.

Para os que alegam que a grave falha foi a divulgação do endereço do arquivo com as senhas em uma rede social, eu entendo, que é importante destacar que mais cedo ou mais tarde um incidente similar deste porte iria fatalmente acontecer pela forma como os bens compartilhados são geridos no Brasil. Isto significa que é um caso esperado e a política de segurança deve abordar tal situação. No caso das senhas compartilhadas é fácil perceber que elas existem em todas as organizações e também é nítido que as mesmas são pobremente gerenciadas.


Os profissionais de segurança precisam trabalhar tanto na difícil frente da mudança cultural sobre bens compartilhados, como na frente de curto prazo de tratar as consequências de tais vazamentos. A abordagem de ignorar o problema que é antigo e classificar como grave incidente de segurança em nada contribui para resolver o real problema. 

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Era dos megaeventos e da micro inteligência

O Brasil sediou a copa de 2014 e as olimpíadas de 2016. Os resultados divulgados recentemente pelo ministério do turismo revelaram que o resultado alcançado foi medíocre [(Em ano de Olimpíada, turismo estrangeiro cresce 4,8% no Brasil e chega a 6,6 milhões, http://g1.globo.com/economia/noticia/em-ano-de-olimpiada-turismo-estrangeiro-cresce-48-no-brasil-e-chega-a-66-milhoes.ghtml), (Ano de Olimpíada no Rio traz mais turistas ao Brasil que o da Copa, http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2017/01/1846918-ano-de-olimpiada-no-rio-traz-mais-turistas-ao-brasil-que-o-da-copa.shtml)]. Foi realizado um investimento recorde acima de 90 bilhões de reais e o resultado em termos de crescimento do turismo foi ridículo. A pobreza intelectual na organização destes dois megaeventos explica o resultado pobre. Os artigos “Concessionária acusa Rio-2016 de entregar Maracanã inacabado para governo” (http://oglobo.globo.com/esportes/concessionaria-acusa-rio-2016-de-entregar-maracana-inacabado-para-governo-20730472) e “Maracanã tinha 56 problemas após Rio-2016, aponta laudo da Odebrecht” (http://rodrigomattos.blogosfera.uol.com.br/2017/01/06/maracana-tinha-56-problemas-apos-rio-2016-aponta-laudo-da-odebrecht/) revelaram a situação em janeiro de 2017 do estádio do Maracanã que consumiu quase 1,5 bilhão de Reais.

Os números do turismo internacional mostraram porque faltou dinheiro para devolver o complexo Maracanã nas mesmas condições em que ele foi recebido pela Rio 2016. Em 2013 já sob a influência da copa das confederações, o Brasil recebeu 5,8 milhões de turistas internacionais. O resultado da Copa de 2014 no turismo pode ser sentido nos anos de 2015 e 2016, sendo que o turismo estrangeiro do ano de 2016 tem tanto o efeito Copa 2014 como das Olimpíadas 2016.

Em 2016 o Brasil recebeu 6,6 milhões de turistas estrangeiros contra 5,8 milhões em 2013. Ou seja, os megaeventos elevaram o fluxo de turistas ao Brasil em 0,8 milhões. No ano de 2016 os turistas gastaram no Brasil 6,2 bilhões de dólares. Em palavras, o investimento de 90 bilhões de Reais na copa e olimpíadas gerou um crescimento de menos de 5% no fluxo de turistas.


A Argentina investiu aproximadamente 190 milhões de Reais para atrair 5,7 milhões de turistas em 2015. Em outras palavras para atrair um turista estrangeiro a Argentina exigiu investimento de 34 Reais e o Brasil investiu aproximadamente 13,6 mil Reais. A produtividade do investimento brasileiro pode ser vista na divisão dos investimentos, ou seja, 34/13.636 = 0,25%. O investimento brasileiro teve produtividade de 0,25% do investimento argentino. Os números confirmam o resultado medíocre que o Brasil alcançou. Nunca na história da humanidade um governo gerou tanto desperdício de dinheiro público como os pós 2002. Foi conquistada a façanha de empobrecer a população brasileira numa época de crescimento da economia mundial

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Tecnologia Blockchain no Serviço DNS

Feliz 2017. Em outubro de 2016, eu alertei na postagem “Uma nova ameaça econômica nasceu” (http://itgovrm.blogspot.com.br/2016/10/uma-nova-ameaca-economica-nasceu.html) sobre as fragilidades existentes nos serviços de DNS (Domain Name System). Infelizmente a realidade ambiental brasileira impediu a absorção deste conhecimento pelos profissionais da organização de ti e de segurança. O resultado da ausência de ações corretivas pode ser visto na primeira semana de 2017. O portal Google foi atacado em 03/01/2017e o portal UOL foi atacado em 06/01/2017.

Na postagem “Uma nova ameaça econômica nasceu” eu alertei sobre o problema e apresentei como a tecnologia Blockchain é capaz de eliminar a fragilidade do DNS. É uma solução simples, barata e rápida que pode ser adotada por todas as empresas. O serviço de DNS é basicamente um banco de dados onde a entrada é um nome e a saída é um endereço IP (Internet Protocol). Ao usar a tecnologia Blockchain para controlar as alterações no serviço DNS, a empresa cria um ambiente onde apenas a posição de consenso de todos os nós da rede permite a publicação de uma alteração no banco de dados. Este processo simples, barato e rápido impede que um invasor altere o endereço de IP de um nome do serviço DNS.


Espero que os recentes acontecimentos do início de 2017 despertem o interesse dos profissionais da organização de TI (Tecnologia da Informação) e de segurança para a importante questão da fragilidade do serviço DNS. O único requisito necessário para usar a tecnologia Blockchain no DNS é o conhecimento de uma solução do ano de 2016. Todo o processo é muito simples. Eu adotei o Blockchain no DNS em 2016 e não fui impactado por estes ataques.

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Quantas vezes uma mentira precisa ser contada para virar verdade?

Nas festas de final de ano, as conversas giraram em torno das amenidades e dos desafios que os brasileiros enfrentarão em 2017. No contexto da crise eu fui muito questionado sobre o que poderia ser feito para minimizar os efeitos negativos do baixo crescimento do PIB. Como já comentei em postagem anterior a minha previsão para 2017 é de um crescimento em torno de 0,5% caso o Brasil faça escolhas minimamente razoáveis durante o ano. Considero improvável um crescimento negativo e pouco provável, mas possível, crescimento na casa dos 0,8% do PIB. Como o Brasil precisa recuperar as perdas da recessão e compensar o crescimento populacional, é fácil perceber que a velocidade do crescimento do PIB é muito baixa.

Ao citar o exemplo da Coréia do Sul (Coreia do Sul quer tirar de circulação todas as moedas até 2020, http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2016/12/1838268-coreia-do-sul-quer-tirar-de-circulacao-todas-as-moedas-ate-2020.shtml?mobile) que pretende acabar com o dinheiro em papel moeda até 2020 como uma solução para fazer mais com menos eu fui imediatamente interrompido com a frase: "Não sei em que mundo você vive, as pessoas de mais idade não vão conseguir usar um celular para pagar as suas contas". O autor desta pérola da cultura do atraso recentemente elogiou uma propaganda na televisão do maior banco do Brasil onde uma aposentada envia e-mail de agradecimento ao seu neto por ele ter ensinado como usar. Infelizmente encontramos os partidários da cultura do atraso na elite intelectual brasileira.

O que mais me surpreendeu no caso foi ver uma pessoa acima de 50 anos defendendo o preconceito ao cabelo branco. No caso da propaganda do banco, o preconceito é explicitado ao seu máximo. A situação natural para o ensino da utilização do e-mail (e ela representa uma forte distorção e mentira) seria a mãe agradecer ao filho que ensinou. No entanto, para o banco, o filho que no contexto da propaganda tem mais de 50 anos, não é capaz de aprender a usar o e-mail por causa da sua idade e por isto o neto que é jovem é quem é a pessoas capaz de ensinar a tecnologia para a vovó.

O recado subliminar da propaganda é que tecnologia é um assunto para os jovens e os mais velhos tem enorme dificuldade de aprender a usar as novas tecnologias (o leitor mais atento deve estar neste momento perguntado em qual lugar do universo o e-mail é uma nova tecnologia?). É claro na propaganda que para o banco ligar um computador ou celular e enviar um e-mail é uma tarefa de nível tão grande de dificuldade intelectual para uma pessoa acima de 70 anos que ela precisa ser ensinada para tal. A origem do preconceito ao cabelo branco é resultado direto da falácia da dificuldade do aprendizado das novas tecnologias pelos que tem mais 40 anos.

Não é surpreendente que este banco tenha no seu regimento interno uma determinação de aposentadoria compulsória por idade. Também não é surpreendente que o precário capital intelectual do banco fruto do seu preconceito ao cabelo criasse uma burocracia cara e inútil para a comunicação do cliente com a sua agência. Fazer menos com mais é claramente o lema do banco.
O grande problema dos partidários da cultura do atraso são os fatos. Enquanto uns afirmam que as pessoas de mais idade não vão usar o celular para pagar as contas do dia a dia, os fatos desmentem tais afirmações. Em primeiro lugar existem muitas pessoas acima de 70 anos na Coréia do Sul. A participação delas na sociedade será maior em 2020 do que é em 2017. Os que falam que eu vivo em outro mundo afirmam que os idosos da Coréia do Sul são capazes de usar as moedas virtuais. A limitação existe apenas nos idosos brasileiros. A lógica de tal afirmação não é comprovada por fato algum. Para os defensores da cultura do atraso, os problemas para a adoção da moeda virtual são diferentes entre lugares como Brasil, Estados Unidos, Europa e Coréia do Sul. Para eles, o ser humano tem capacidade de aprendizado diferente em função da geografia. Sou incapaz de entender tal lógica.

O segundo furo dos defensores da cultura do atraso é que todos os dias pessoas acima de 70 anos pagam as suas contas nos supermercados, lojas, farmácias e etc. usando o cartão de crédito. Quem consegue pagar uma compra com o seu cartão de crédito não é capaz de pagar com o seu celular? Infelizmente, é esta a frágil hipótese da cultura do atraso.

Outros fatos desmentem por completo a frágil hipótese da cultura do atraso de que pessoas idosas não vão conseguir usar a tecnologia da moeda digital. Aqui (Myth busted: Older workers are just as tech-savvy as younger ones, says new survey, http://www.techrepublic.com/article/myth-busted-older-workers-are-just-as-tech-savvy-as-younger-ones-says-new-survey/) ali (Cyber idade: pesquisa mostra que os mais velhos estão usando mais as tecnologias!, http://conaz.com.br/portal/pesquisa-mais-velhos-usando-tecnologias/) e ali (Novas tecnologias conquistam a terceira idade com acesso à rede, http://www.jornalcruzeiro.com.br/materia/720041/novas-tecnologias-conquistam-a-terceira-idade-com-acesso-a-rede) estão disponíveis pesquisas que mostram que as pessoas mais velhas tem menos dificuldades com a tecnologia do que os mais novos. Os estudos revelam também que os cabelos brancos brasileiros estão usando intensamente as tecnologias digitais sem grandes dificuldades.

Os ganhos monetários da migração para a moeda virtual são enormes. Os custos para imprimir, armazenar e distribuir o dinheiro em papel em um país de grande dimensão como o Brasil são enormes. Na Coréia do Sul que é um pais eficiente e de pequena extensão territorial, uma nota de 10 won custa 10 won. Aqui no Brasil que é um país de larga extensão territorial o custo deve ser no mínimo o dobro. Este custo é pago pelos impostos. Não é difícil perceber que uma pequena mudança para a rotina dos brasileiros como a moeda virtual pode economizar bilhões de reais por ano e pode fazer a economia crescer mais rapidamente. Infelizmente a cultura do atraso atua com mentiras para impedir que o Brasil supere os seus desafios em 2017.


Para finalizar eu destaco que desde a introdução dos caixas eletrônicos nos anos 1980 no Brasil eu escuto a falácia de que os idosos não vão conseguir usar a tecnologia. Os fatos desmentem as mentiras afirmadas. Eles usam e não precisaram ser ensinados pelos netos. Para os que perguntam em que lugar eu vivo eu respondo que eu vivo no planeta terra no ano de 2017. E complemento dizendo que os arrogantes que acham que o fato deles terem limitações de aprendizagem significa que outros tem as mesmas limitações devem buscar ajuda urgente. Os idosos não têm limitações de aprendizagem e buscam uma sociedade que não jogue no lixo o dinheiro dos impostos. Fazer mais com menos não é cortar o leite das crianças como um prefeito fez. Fazer mais com menos é usar os recursos existentes em 2017 para que o estado brasileiro seja eficaz e eficiente. Os que desejam viver com a tecnologia de 1980 que vivam no passado e paguem a conta. Eu não quero pagar a conta dos gastos inúteis gerada pelos que governam o Brasil desde o ano de 2002. A maior recessão da história brasileira foi gerada pelos arrogantes da cultura do atraso. 

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Olhar para o futuro

Muitos olham para 2016 como o ano da travessia para um Brasil melhor. Eu espero que eles estejam certos. É possível um crescimento da ordem de 0,5% do PIB em 2017. Nos meus encontros com os empresários eles me perguntam como apressar o crescimento? O que podemos fazer para retornar para patamares de crescimento de 3%?

A minha resposta para eles é que dentro dos parâmetros da economia tradicional onde existe escassez de recursos, o crescimento estará limitado pelo investimento. Como existem muitas incertezas nos marcos regulatórios brasileiros, o investimento internacional será baixo. Isto significa que para acelerar o crescimento será preciso entrar no barco da economia do compartilhamento.

Apenas um segmento econômico que permita a entrega de soluções para os clientes e consumidores com nível de investimento e custo fixo baixo ou nulo será capaz de alavancar ou catapultar o crescimento da economia brasileira. A principal característica deste segmento é a necessidade de elevado capital intelectual e conhecimento. Isto significa que é preciso romper com todos os preconceitos que existem nas contratações (em especial o preconceito do cabelo branco). É preciso foco e contratar os funcionários conforme as suas qualificações. Este ponto da evolução das contratações representa o valor de x que resolve a equação do crescimento pífio do PIB nacional.

Eu avancei a minha apresentação para um território onde geralmente eu não entro. Resolvi incorporar o espírito natalino de dar presente e oferecer sugestões concretas e gratuitas de elevado potencial comercial para todos os empresários, executivos e políticos presentes. Eu apresentei uma dificuldade que é uma grande parte dos aposentados brasileiros estão enfrentando e que representa uma grande oportunidade de negócio. Centenas de milhares de aposentados recebem diariamente repetidas ligações que são tentativas de fraudes. Estas ligações ocorrem repetidas vezes nos seus telefones fixos e em geral são feitas em horários inconvenientes. Os malfeitores usam este estratagema para que os aposentados sejam pegos desprevenidos.

Existem vários sites de internet que registram em banco de dados os números dos telefones de pessoas ou empresas (por exemplo, http://quemperturba.com.br, http://www.quemliga.com.br/) que ou praticam fraudes ou que se julgam no direito de ligar várias vezes por dia para as pessoas oferendo produtos que ninguém deseja comprar. Uma simples caixa externa conectada ao telefone fixo que examine o número chamador e compare com a base de dados existente na Internet de fraudadores e de vendedores que desrespeitam os clientes pode bloquear automaticamente estas chamadas impedindo assim que os aposentados sejam incomodados no seu merecido descanso com fraudes e enganações.

Tanto o poder público, como os bancos, como as operadoras de cartões de crédito, como os lojistas, como os cidadãos brasileiros serão beneficiados com tal solução. É fácil perceber que um dos membros desta cadeia de valor paga por compras que não foram realizadas por ele. Milhões de reais são perdidos anualmente por compras não realizadas e por custos de chamados sobre fraudes.  Os custos administrativos do estorno dos valores estão alcançando quantias estratosféricas. Os impostos que são gastos no processamento jurídico destas fraudes são enormes. Muito pode ser feito pela saúde e educação pública se os custos gerados pelos que efetuam malfeitos pelo telefone forem eliminados.

Uma das consequências destas fraudes é o aumento da inadimplência por parte dos que estão pagando por compras que não realizaram. Toda vez que temos que arcar por uma despesa não desejada, não planejada e elevada existe um comprometimento do fluxo de caixa. Muitas vezes isto significa em deixar de pagar alguma coisa. Como consequência do aumento da inadimplência a taxa de juros sobe. Os juros de quase 500% do crédito rotativo do cartão de crédito é uma das consequências das fraudes geradas pelo telefone fixo. Não é um crime que é pago individualmente. Toda a sociedade acaba pagando por este tipo de crime.

A grande vantagem da caixa de bloqueio de ligações através da economia compartilhada é que no médio prazo a operação das fraudes será inviabilizada. Com a propagação do seu uso pelo público alvo a maioria das fraudes por telefone será bloqueada antes que os aposentados atendam o telefone. Após um prazo de aproximadamente um ano estes malfeitores não mais conseguirão alcançar de forma barata o seu público alvo. As suas operações serão inviabilizadas e os custos que a comunidade paga decorrentes das fraudes e enganações desaparecerão. É um jogo em que toda a sociedade ganha pela economia compartilhada.

Uma segunda sugestão concreta nasceu de uma dificuldade que enfrentei recentemente no mês de dezembro de 1016. Um celular que comprei em 2012 e que gosto muito precisou de manutenção. Levei para várias lojas de reparo localizadas na avenida Paulista. O principal defeito dele é que ele não ligava e nem carregava a bateria. Como discordei do procedimento de recuperação que os técnicos queriam realizar no meu aparelho eu decidi usar os meus conhecimentos e fazer o reparo. Para tal eu necessitava de uma fonte ajustável de bancada, onde pudesse controle a tesão e a corrente entregue ao celular. Após dezenas de ligações eu descobri que na cidade de São Paulo eu só conseguiria comprar uma fonte à pronta entrega nas lojas da Santa Ifigênia. Como tenho restrições de segurança e econômicas para ir até o local eu procurei nos sites de compartilhamento se alguém perto de mim poderia me alugar a sua fonte. Inexistiu sucesso nesta empreitada.

Fazendo as contas eu percebi que poderia fazer uma oferta vantajosa pelo aluguel de uma fonte de alimentação junto aos pequenos empreendedores que estavam com o equipamento ocioso por um aluguel de uma semana. Cheguei ao meu máximo e ofereci 33% do valor da compra de uma nova fonte aos que mantinham o negócio de reparo de celular. Tudo isto porque eu não queria ir para a Santa Ifigênia. Nem com uma oferta ousada e me propondo a usar o equipamento no local do empresário eu consegui convencer os donos das vantagens de alugar um equipamento ocioso. A solução foi ir na Santa Ifigênia, gastar com um taxi que me esperou na porta da loja e fazer o reparo em casa em algumas horas. Todo este cenário mostrou como a economia do compartilhamento está engatinhando no Brasil. No pais mais rico do mundo é possível alugar qualquer coisa para uso esporádico e conforme a necessidade. A rentabilização dos ativos que possuímos é mais uma forma de sair da crise em prazo menor. Se o Brasil quer acelerar a velocidade do crescimento, ele precisa mudar a sua cultura e entrar com força na economia do compartilhamento.

A terceira e última contribuição que ofereci vem também da constatação que fazer o simples e obvio é o caminho para acelerar o crescimento do PIB. Muitos condomínios residenciais estão recebendo gratuitamente televisões onde metade da tela é usada para apresentar um conteúdo comercial e metade é usado para apresentar informações relevantes do condomínio. Na parte do conteúdo comercial, são apresentadas ofertas de várias empresas de grande porte que tem acesso a todos os tipos de mídia. No entanto, inexiste espaço para a apresentação de ofertas das empresas que estão geograficamente próximas do condomínio. Estas pequenas empresas somadas podem oferecer uma elevada renda para a empresa que é proprietária da televisão instalada nos elevadores dos condomínios residências. É um mercado enorme que não está sendo explorado e que o primeiro que resolver desbravar vai conquistar bilhões de reais.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Oportunidades Natalinas

Inexistem dúvidas que o Brasil está em crise grave. O país ou melhor a população mais pobre está pagamento uma conta bilionária causada pelos erros e desperdícios da copa 2014 e das olimpíadas 2016. Muitos estão pagando com o seu emprego os descalabros cometidos pelos governos pós 2002. Infelizmente o país ainda está cego para as oportunidades do ano de 2016. Muitos insistem ferozmente na cultura do atraso. Os que estão percebendo o elevado nível de dificuldade social do pais, estão constantemente me perguntando como rentabilizar os eventos de solidariedade nesta época de final de ano.

Eu trabalho na região da avenida Paulista e nesta época temos muitos corais cantando em locais como o shopping center 3. A grande maioria dos artistas é formada por jovens e crianças. Os shows são excelentes. Muito bom mesmo. Em geral eles ocorrem no horário do almoço. Apesar de um roteiro excelente para rentabilizar em escala os shows, existe uma insistência em fazer da mesma forma que era feito no ano de 2000. Hoje em dia é possível gravar em Digital Versatile Disc (DVD) e em plataformas em tempo real como YouTube ou Vine de forma simples e barata todas as performances destes extraordinários artistas.

Muitas pessoas não têm tempo para ver presencialmente todo o show. Elas precisam almoçar em uma hora. A maioria das pessoas que puderam assistir aos shows, ficaram encantadas e queriam compartilhar o momento com pessoas queridas. Um DVD das performances é por exemplo um excelente presente de amigo secreto. Também é algo marcante que as empresas podem presentear os seus clientes e os seus amigos empresariais.

É só colocar uma lojinha do lado do show oferecendo a sua gravação ao vivo. É só imprimir uma capa com a foto dos artistas. Um grande e barato produto pode ser produzido em tempo real conforme a demanda. A solidariedade natalina pode ser enormemente amplificada com recursos baratos e simples do ano de 2016. Nos canais digitais podem ser abertos espaços patrocinados. Hoje temos todos os meios para amplificar a solidariedade. Está mais do que na hora de usar a transformação digital a favor do povo brasileiro.


No crepúsculo do ano, o Brasil faz de novo a alegria dos que acham que os que tem certezas são candidatos naturais ao Titanic ou daqueles que acham que é possível definir o comportamento de um mercado com base em apenas 0,5% do volume transacionado. Para quem acha que o comportamento de 99,5% do mercado não é capaz de definir com clareza a sua natureza temos esta realização registrada em dois artigos: “Após prazo, 63% dos municípios ainda não têm prontuário eletrônico” e “151 municípios podem ter repasse do Ministério da Saúde suspenso”. Todos os que vivem com certezas do ano de 2016 sabem que para evitar retrabalhos, desperdícios e incertezas (garantir o cumprimento do prazo por todos os envolvidos) era só ter desenvolvido um único sistema de prontuário eletrônico no Brasil em uma nuvem elástica para o uso por todos os municípios. Simples assim.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Diferenças entre 2016 e em 2000 – Certezas ou incertezas?

O final de novembro foi marcado pela tristeza da Chapecoense (#ForçaChape). Foram vários dias de reflexões e preocupações. Muitos fatos marcaram a minha memória nos últimos dias. As demonstrações de solidariedade do mundo inteiro foram um deles. No campo das reflexões empresariais muitos questionaram a minha última postagem. Quais são afinal as diferenças que tanto destaco entre os anos de 2016 e 2000?

O final do milênio foi marcado no ambiente de tecnologia de informações e comunicações pelo bug do milênio e bolha da Internet. Nos últimos anos do século XX quase tudo o que foi desenvolvido para a chamada na época de nova economia tinha crescimento exponencial. Era a era da exuberância irracional do Ben Bernanke (https://en.wikipedia.org/wiki/Irrational_exuberance). Em praticamente todas as análises sobre a Internet aparecia a palavra desintermediação. A globalização estava em alta e a desintermediação significava a venda direta ou a redução de intermediários na cadeia produtiva.

Na primeira era de ouro da Internet o foco era a simplificação das cadeias globais através do B2B (https://pt.wikipedia.org/wiki/Business-to-business) e B2C (https://pt.wikipedia.org/wiki/Business-to-consumercitar). A desintermediação foi implementada pela eliminação de membros da cadeia produtiva mundial. Entre a segunda metade da última década do século XX e a primeira metade da primeira década do século XXI surgiram no Brasil vários negócios desintermediados como o Celta da GM (http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u5216.shtml), a livraria Booknet (http://www1.folha.uol.com.br/fsp/1996/5/25/ilustrada/16.html), o ecommerce Amélia (http://www.estadao.com.br/noticias/geral,pao-de-acucar-lanca-dois-sites-para-comercio-eletronico,20011121p56162), o buscador “Cadê?” (https://sites.google.com/site/historiasobreossitesdebusca/historia-dos-principais-sites-de-busca/cade) e etc.

Todos tinham a característica de eliminar intermediários do processo. Alguns foram bem-sucedidos, outros foram comprados por empresas americanas e uns poucos fracassaram. Apesar do aspecto explosivo, existia o consenso que a chamada nova economia não iria impactar os mercados locais. Negócios regionais como a indústria de serviços não seriam atacados pelo processo de desintermediação global.

A internet evoluiu desta sua primeira era de ouro e passou pelo ciclo de redes sociais marcado pelo Orkut e Second Life. Este ciclo teve um boom inicial, mas em pouco tempo sucumbiu diante das imperfeições das informações e entrou em ciclo de rápida contração. A partir da segunda metade da primeira década do século XXI as mídias sociais assumiram o papel de protagonistas da internet e da economia digital. É a chamada segunda era de ouro da Internet.

Como as grandes cadeias globais já foram desintermediados, o alvo passou a ser a globalização dos mercados regionais. Este ciclo iniciado pelas mídias sociais atacou os mercados regionais que estavam protegidos na etapa anterior da globalização. No primeiro momento as empresas de Internet que ofereceram serviços de telecomunicações entraram no mercado local. No Brasil empresas como WhatsApp tomaram para si uma grande parte do mercado das operadoras de telecomunicações ("É um aplicativo que cresceu em países pobres. Ninguém nos EUA usa, por exemplo", observa Ronaldo Lemos, representante do MIT Media Lab no Brasil e colunista da Folha.”, http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2016/11/1835982-grupos-de-bate-papo-entre-estranhos-se-disseminam-no-whatsapp.shtml). Estas empresas ganharam enorme penetração no mercado local. O fato dos servidores de comunicação ficarem fisicamente localizados nos Estados Unidos gerou um fluxo econômico de importação de serviços por causa do duplo salta da comunicação. Como a rede de comunicação internacional é cara, isto significou que a troca de mensagens por Apps geraram lucro para as operadoras de telecomunicações americanas.

No segundo momento nasceram as empresas plataformas como Uber, Airbnb, Gigwalk e etc. que ofereceram recursos integrados com as mídias sociais para a realização de negócios regionais. As entregas de serviços de transporte, turismo, colocação profissional continuou a ser feita de forma local, mas o processo de negócio foi transferido para uma plataforma global. As empresas plataforma recebem uma participação da transação. É uma outra forma de importação de serviços. O modelo de plataforma de negócio fez toda a diferença no mundo globalizado. Negócios de entregas tipicamente locais como dentistas, cuidadores, médicos, jardineiros, transporte, logística, entregas e etc. estão em forte processo de migração para plataformas globais.

As plataformas intermediam as transações e retém uma para do faturamento. É fácil perceber que o modelo de negócio de 2016 avançou sobre setores que estavam totalmente protegidos na economia brasileira de 2000. Este é o principal motivo pelo qual é preciso estar vivendo no ano calendário. Não é uma questão de estar usando a tecnologia x, y ou z como muitos estão propagando. A questão da tecnologia na forma de Application Programming Interfaces (APIs), Apps, Chatbots, Computação Cognitiva, Inteligência Artificial e etc. não é relevante ou importante. Eu sempre reforço nas minhas conversas com os empreendedores que esqueçam a tecnologia. Ela não é o foco. O alvo é o modelo de negócio. É esta atualização que eles precisam perpetrarem. A tecnologia é consequência do modelo de negócio escolhido.

Não é possível concorrer contra os que tem custo marginal unitário zero e vivem na era da abundância dos recursos trabalhando em um modelo de custo marginal unitário elevado e vivendo na era da escassez. É esta atualização que o Brasil precisar fazer urgentemente. Não dá mais para conviver em um universo de incertezas em um ambiente de negócios onde predominam as certezas.

Observação: Todos os endereços foram acessados em 07/12/2016


segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Fragilidades Intelectuais – A Cultura do atraso

Em uma recente troca de mensagens com alguns profissionais que considero de alta qualificação, eu percebi como a cultura do atraso está sedimentada no comportamento brasileiro. O assunto começou com uma chamada para um evento. Não vejo problema algum em uma chamada de congresso polêmica. A questão chave da chamada é que ela é polemica e verídica. A chamada expressa uma real condição do mercado de tecnologia de informações e comunicações. Os treinamentos dos fundamentos do ITIL entraram no ciclo de redundância.

Um estudo do Gartner de 2015 embasava a chamada. A primeira manifestação da cultura do atraso ocorreu na localização do estudo. Quando citei a existência do mesmo, inexistiu a utilização de ferramentas de busca como o Google. Em uma rápida pesquisa eu encontrei um texto em inglês que citava o estudo realizado em 2015. Em 2016, as pessoas não podem depender de terceiros para localizar uma informação. A internet oferece um tamanho conjunto de conhecimento que basta fazer uma pesquisa razoavelmente elaborada que serão encontradas as respostas desejadas.

O meu amigo Bob que é na minha opinião o principal evangelizador do Service Desk no Brasil protagonizou dois momentos da cultura do atraso. O primeiro ocorreu quando ele recomendou um treinamento ultrapassado com argumentos redundantes. Quando li o texto no blog dele eu lembrei imediatamente do ministro mais atrasado de todos os tempos do Brasil que defendia que o país não utilizasse tecnologias para preservar atividades que desapareceram no mundo inteiro (para alguns ir para traz e preservar atividades redundantes e caras é melhor do que ir para frente e lucrar com tecnologias que demandam por elevada quantidade de mão de obra qualificada).

A postagem “Curso ITIL Foundations ainda é válido?” (http://www.4hd.com.br/blog/2016/11/09/curso-itil-foundations-ainda-e-valido/, acessado em 11/11/2016) é o típico caso de defesa do atraso. Se o blogueiro continuar nesta linha em pouco tempo ele vai escrever um texto defendendo a importância dos cursos de datilografia para quem usa máquina de escrever mecânica. O segundo momento do atraso foi expressado nas seguintes frases:

1.    Que adianta lhes falar sobre coisas que não têm condições de absorver?
2.    Essa é a realidade de empresas do Brazil (sim, muitas bem-sucedidas)

Em primeiro lugar as empresas que operam como se estivessem em 1980 ou 2000 estão longe de qualquer tipo de sucesso. Muitas das empresas citadas como bem-sucedidas apresentam graves problemas de passivos e são inviáveis em mercados competitivos. Muitas das firmas que foram citadas pelo blogueiro não entregam as suas promessas. Será que para o Bob estas organizações são vítimas da evolução do conhecimento?

No meu ponto de vista, elas não pobres coitadas que não conseguem viver no ano de 2016. Estamos apenas falando de pessoas que estão com a cultura do atraso sedimentadas no seu modelo mental. Chamar tais empresas de bem-sucedidas é sem sombra de dúvida um espanto de otimismo.

O resultado da cultura do atraso é nos fatos e não nos achismos. É muito fácil observar os danos da cultura do atraso no Brasil. Em 2014 a atuação era praticamente nula no Brasil das empresas Uber e AirBnB. Em 2016 estas empresas estão derrotando no mercado brasileiro através de competição justa e honesta os que vivem sob o lema: "Que adianta lhes falar sobre coisas que não têm condições de absorver?"

Em dois anos os que não tinham condições de absorver os conhecimentos existentes em 2014 estão argumentando como vítimas de um grande complô mundial para tentar salvar o pouco do que foi chamado pelo evangelizador do Service Desk de negócio bem-sucedido. Para os que acham que não existem perdedores com a cultura do atraso, eu serei o portador da notícia ruim. Eles existem e são chamados de brasileiros. Vinte por cento do faturamento gerado no Brasil no transporte de pessoas e hospedagem (Uber e AirBnB) é exportado sem pagar impostos e taxas. Não é à toa que os governos estão em condição vexatória em 2016.  Em outras palavras estamos falando de perdas de arrecadação. É fácil ver o ridículo que está acontecendo no Brasil.

·         Rio virou um "filme de terror", diz moradora sobre colapso financeiro, http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2016/11/09/rio-virou-um-filme-de-terror-diz-moradora.htm, acessado em 11/11/2016
·         Em fim de gestão, Haddad reduz entrega de leite para crianças, http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2016/10/1825957-em-fim-de-gestao-haddad-reduz-entrega-de-leite-para-criancas.shtml, acessado em 11/11/2016

Os grandes estados e cidades estão até cortando o leite de crianças, porque um dia no passado alguém assumiu como verdade que: “Essa é a realidade de empresas do Brazil (sim, muitas bem-sucedidas)”. Outra forma de ver o resultado da cultura do atraso é a análise dos desperdícios de recursos e de dinheiro.  O artigo “Empresas ainda erram na contratação de serviços de telecom” (http://cio.com.br/gestao/2016/11/09/empresas-ainda-erram-na-contratacao-de-servicos-de-telecom/, acessado em 11/11/2016) revelou que milhões de reais são jogados no lixo no Brasil pelas empresas todos os anos, porque inexistiu o entendimento do conhecimento do ano de 2016 e prevaleceu o conhecimento do ano de 1980. O artigo “Brasil deixa a desejar no nível de maturidade de análise de dados” (http://cio.com.br/opiniao/2016/11/14/brasil-deixa-a-desejar-no-nivel-de-maturidade-de-analise-de-dados/, acessado em 14/11/2016) revelou que as centenas de milhões de reais investidos em ferramentas de Enterprise Resource Planning (ERP) estão sendo desperdiçados pela falta de conhecimento das pessoas em estruturar e analisar os dados. O custo das horas de auditoria pode ser fortemente reduzindo com as medidas simples e gratuitas do conhecimento do ano de 2016.
O artigo “Pesquisa da Deloitte aponta prioridades tecnológicas para 2017 no Brasil” (http://cio.com.br/noticias/2016/11/09/pesquisa-da-deloitte-aponta-prioridades-tecnologicas-para-2017-no-brasil/, acessado em 11/11/2016) revelou que é urgente eliminar a cultura do atraso na economia nacional. Em 2020 quando novas perdas vierem, muitos dos que são considerados bem-sucedidos pelo Bob proclamarão as famosas frases da cultura do atraso e vão tentar se passar por vítimas do avanço do conhecimento humano. O artigo “Uber prepara lançamento de serviço de entrega de comida em São Paulo” (http://idgnow.com.br/mobilidade/2016/11/11/uber-prepara-lancamento-de-servico-de-entrega-de-comida-em-sao-paulo/, acessado em 11/11/2016) revelou que a empresa Uber vai atacar um novo nicho de mercado no Brasil.

Uma empresa bem-sucedida é aquela que lucra dentro da lei. Não precisa de esquemas para burlar as leis trabalhistas. Um exemplo de empresa realmente bem-sucedida é o Facebook que ganha dinheiro com as postagens gratuitas dos brasileiros [Quanto dinheiro o Facebook ganha com você (e como isso acontece), http://tecnologia.uol.com.br/noticias/bbc/2016/11/10/quanto-dinheiro-o-facebook-ganha-com-voce-e-como-isso-acontece.htm,acessado em 11/11/2016). Como para alguns operar como se estivéssemos em 1980 é o ideal, a empresa Facebook tinha que ser americana e faturar bilhões. No conceito econômico da cultura do atraso ser bem-sucedido é lucrar um ou dois centavos ou ter prejuízo de alguns milhares de reais.

Quando alguém argumenta que leu em e-mail dúvidas sobre templates de OLA e SLA, ferramentas de chat, profiles de desktop, etc. e por causa concluiu que o patamar de evolução é parecido, é sinal que o assunto está definitivamente perdido. Felizmente a afirmação que o meu argumento de previsibilidade e eliminação de incertezas de ferramentas de governança como COBIT e ITIL não é dos melhores vem do lado de quem defende a cultura do atraso. Eu prefiro estar do mesmo lado do David Breitgand que é um reconhecido pesquisador da IBM, que afirmou em um evento na Suécia em maio de 2014, que o gerenciamento da capacidade não é mais necessário para as empresas usuárias de nuvem elástica.

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Fragilidades

Em uma das minhas mais recentes conversas com estudantes de economia e executivos surgiu o assunto PEC 241/2016 (PEC do Teto dos Gastos Públicos). Um jovem universitário estava bastante otimista e defendeu com ênfase via WhatsApp o promissor futuro financeiro do governo do Rio de Janeiro. Para ele, a renegociação das dívidas dos estados promoverá um novo equilíbrio fiscal e o estado do Rio de Janeiro vai aproveitar com sabedoria o embalo das olimpíadas e entrará em ciclo virtuoso.

Infelizmente, a previsão de um rombo em 2017 e 2018 nas contas públicas estaduais de R$ 52 bilhões (“Rio só tem dinheiro para pagar 7 meses da folha em 2017, diz Pezão”, http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2016/11/08/rio-so-tem-dinheiro-para-pagar-7-meses-da-folha-em-2017-diz-pezao.htm, acessado em 10/11/2016) derrubou os frágeis argumentos do futuro economista e o fez perder uma aposta. Ele aprendeu a valiosa lição de que a aritmética é feita de fatos e não de desejos.

Lamentavelmente, as contas públicas no Brasil ainda são misteriosas para a maioria das pessoas. Existem momentos em que é preciso pegar o papel e a caneta e fazer trabalhar a aritmética básica para que algumas falácias de pensamento não ludibriem o lado racional de uma análise. Muitos discutem a participação do estado na economia nacional com base apenas na Carga Tributária Bruta (CTB). Estas pessoas defendem um aumento do estado brasileiro com base no argumento que a CTB foi de apenas 32,66% do PIB (Produto Interno Bruto) em 2015 (Brasil fecha 2015 com carga tributária de 32,66% do PIB, maior desde 2013, http://economia.uol.com.br/noticias/reuters/2016/09/19/brasil-fecha-2015-com-carga-tributaria-de-3266-do-pib-maior-desde-2013.htm / Carga tributária sobe para 32,66% do PIB em 2015, diz Receita, http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2016/09/1814731-carga-tributaria-sobe-para-3266-do-pib-em-2015-diz-receita.shtml, acessado em 10/11/2016).

A tola simplificação aritmética do argumento distorce profundamente a conclusão e leva para a falácia do pensamento que ludibria. É preciso avaliar as contas públicas dentro da perspectiva correta. O artigo “Setor público fecha 2015 com déficit primário de R$ 111,2 bilhões” (http://www.valor.com.br/brasil/4415892/setor-publico-fecha-2015-com-deficit-primario-de-r-1112-bilhoes, acessado em 10/11/2016) revelou que o déficit consolidado do setor público em 2015 foi de R$ 111, 249 bilhões. Isto significa que a participação total do estado na economia brasileira em 2015 é a soma da carga tributária bruta com o déficit consolidado do setor público.

O artigo “PIB do Brasil cai 3,8% em 2015 e tem pior resultado em 25 anos” (http://g1.globo.com/economia/noticia/2016/03/pib-do-brasil-cai-38-em-2015.html, acessado em 10/11/2016) revelou que o PIB do Brasil em 2015 foi de R$ 5,9 trilhões, isto significa que a CTB foi de 32,66% de R$ 5,9 trilhões, ou seja, R$ 1,927 trilhões. Portanto, o estado brasileiro retirou da economia nacional R$ 1.927,000 bilhões + R$ 111, 249 bilhões ou seja, R$ 2,038 trilhões (34,55 % PIB).

O número real é cerca de dois pontos percentuais acima do valor imaginado por muitos. A diferença de dois pontos percentuais pode parecer pequena no curto prazo, mas ela gera grande diferença no médio e longo prazo. O déficit consolidado do setor público em 2015 de R $ 111,249 bilhões gerou como contrapartida o crescimento da dívida pública. O artigo “Dívida pública sobe 21,7% em 2015, para R$ 2,79 trilhões, maior da série” (http://g1.globo.com/economia/noticia/2016/01/divida-publica-sobe-248-em-2015-para-r-279-trilhoes-maior-da-serie.html, acessado em 10/11/2016) revelou que o Tesouro Nacional declarou um aumento da dívida em 2015 de R$ 498 bilhões. Os gastos de R$ 367 bi com juros da dívida pública foram o maior componente do seu crescimento.


O ponto onde o jovem estudante de economia errou foi exatamente este. Ao considerar um crescimento linear dos juros ele concluiu que a renegociação da dívida estadual iria gerar ciclo virtuoso. Os valores renegociados são incorporados ao principal da dívida e retornam exponencialmente na forma de juros. Este é o motivo da necessidade de usar os recursos renegociados como investimento para gerar ciclo de crescimento. As receitas extras decorrentes do investimento bancado pela renegociação são responsáveis pelo pagamento dos juros adicionais futuros. É assim que é gerado o ciclo virtuoso. O jovem estudante esqueceu que é preciso gerar riqueza para pagar uma dívida renegociada.

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Transito - Perdas bilionárias

Poucas vezes na história da humanidade uma cidade foi tão castigada por administrações medíocres como a cidade de São Paulo. Desde o ano de 1989 até o ano de 2016 a cidade vem sendo governada pelas mais tolas promessas proferidas na face terrestre. Exceto pelo curto período entre 2005 e 2006 a cidade foi gerida pelo pior do pior. Em 2016, a prefeitura realizou a proeza de tirar o leite das crianças (Em fim de gestão, Haddad reduz entrega de leite para crianças, http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2016/10/1825957-em-fim-de-gestao-haddad-reduz-entrega-de-leite-para-criancas.shtml, acessado em 03/11/2016). O período de 28 anos compreendido entre 1988 e 2016 foi marcado por uma infinidade de crises econômicas e lamentavelmente nada foi aprendendo com elas.

O período não foi marcado apenas por crises, ele também foi marcado pela destruição do centro histórico da cidade e consequente deslocamento do centro empresarial na direção da zona rica e cara da cidade. Este deslocamento apoiado pelo tolo planejamento da ocupação do solo realizado pela prefeitura da cidade gerou a atual situação onde a cidade faz menos com mais dinheiro. A produtividade da cidade e do pais está sendo profundamente comprometida pela incapacidade da gestão na ocupação do solo. O deslocamento do centro empresarial do centro histórico da cidade para a sua região mais rica e cara vem gerando problemas econômicos e sociais de elevada grandeza. Os problemas estão em amarrados. Um realimenta o outro.

A ocupação empresarial de regiões como Itaim Bibi, Berrini, Chucri Zaidan e etc. exemplifica com clareza os problemas gerados pelo deslocamento do centro empresarial. Por serem regiões ocupados pelos mais ricos estes lugares têm o seu metro quadrado muito caro. Este fator impede a presença do comércio popular nestas regiões. Isto significa que os trabalhadores que recebem salários até 3 salários mínimos não tem recursos para comprar produtos básicos, como alimentos para o seu almoço perto do seu trabalho. Como estes trabalhadores moram longe do local de trabalho eles saem de casa as 4 horas da manhã e retornam após as 20 horas. Eles usam o transporte público cujo trajeto parte do seu bairro, passa pelo centro e vai para o destino através de ônibus e metrô. Em outras palavras, o deslocamento da mão de obra para o trabalho gera gargalos e congestionamentos na região central da cidade. Este é o motivo para o trânsito lento nas principais vias expressas da capital.

Foi afirmado que o tempo médio para chegar no trabalho é o mais alto desde 2009 e subiu dezessete minutos em relação ao ano de 2015.
Fonte: Paulistano passa, em média, 1 mês e meio no trânsito por ano, http://veja.abril.com.br/brasil/paulistano-passa-em-media-1-mes-e-meio-no-transito-por-ano/, acessado em 03/11/2016

Os gargalos gastam inutilmente o tempo da pessoas e empresas e retiram dinheiro da economia paulistana. O tempo do deslocamento vem crescendo anualmente está reduzindo a produtividade da cidade e aumentando os custos, pois de uma forma direta ele é incorporado aos preços praticados. Uma forma fácil de constatar o estrago causado pela baixa produtividade no setor de serviços é o fato do táxi na cidade de são Paulo ser um dos mais caros do mundo (São Paulo tem o táxi mais caro da América Latina, http://guiavilamascote.com.br/sao-paulo-tem-o-taxi-mais-caro-da-america-latina/, acessado em 03/11/2016).

Foi revelado que a região metropolitana da cidade de São Paulo perdeu 7,8% do seu PIB em 2013 devido aos gargalos no transito.
Fonte: O desperdício do trânsito, http://itgovrm.blogspot.com.br/2014/08/o-desperdicio-do-transito.html, acessado em 03/11/2016

Toda a economia paulista e brasileira sofre com os custos extraordinários gerados pelos congestionamentos e desperdícios. O problema social vem gerando vários custos indiretos do deslocamento irracional. O primeiro está relacionado com a saúde pública. Como os trabalhadores de menor renda não tem poder aquisitivo para comer nos restaurantes na região do rico centro empresarial da cidade eles acabam consumindo produtos industrializados baratos como batatas fritas, biscoitos e outros alimentos não saudáveis. A consequência no médio e longo é uma população obesa e sedentária (56,9% dos brasileiros têm excesso de peso, diz pesquisa de saúde do IBGE, http://g1.globo.com/bemestar/noticia/2015/08/569-dos-brasileiros-tem-excesso-de-peso-diz-pesquisa-de-saude-do-ibge.html, acessado em 03/11/2016).

As pessoas que saem de casa de madrugada e chegam tarde da noite não tem tempo nem energia para praticar exercícios diariamente. O resultado final deste ciclo é o aumento crescente do custo da saúde e previdência pública por causa de doenças cardiovasculares. Não é surpreendente que o orçamento da saúde e previdência governo federal seja muito elevado e esteja crescendo continuamente (Pesquisa do Ipea analisa gasto tributário em saúde no Brasil, http://www.brasil.gov.br/saude/2016/05/pesquisa-do-ipea-analisa-gasto-tributario-em-saude-no-brasil, acessado em 03/11/2016). A falta dinheiro para a saúde pública no Brasil exige que a solução adotada seja a população mais saudável possível.

Este não é o único problema social de alto custo gerado pelo deslocamento improdutivo. As creches e a educação educacional estão sendo impactados pela tolice realizada na ocupação do solo da cidade (Fila para conseguir vaga em creches em São Paulo tem 150 mil crianças, http://g1.globo.com/bom-dia-brasil/noticia/2015/11/fila-para-conseguir-vaga-em-creches-em-sao-paulo-tem-150-mil-criancas.html / Horário de atendimento nas creches, http://cidadao.reclameaqui.com.br/274589/prefeitura-sao-paulo/horario-de-atendimento-nas-creches, acessado em 03/11/2016). Os pais estão demandando que as creches e escolas abram mais cedo e fechem mais tarde para que eles possam deixar os seus filhos nas escolas.

Para resolver esta necessidade é preciso criar mais turnos nas creches e escolas para que os pais consigam levar e pegar os filhos. O problema é que para muitos as creches e escolas tem que abrir as 04:00 e fechar as 20:00 por causa do tempo de deslocamento para o trabalho e do retorno. O retorno do centro empresarial para o centro da cidade resolve este problema com impacto muito menor nas finanças da cidade. Com o centro empresarial no centro da cidade, a prefeitura pode abrir creches e escolas nas cercanias do centro empresarial. Os pais estarão perto dos seus filhos e poderão acompanhar a evolução deles no horário de almoço. As escolas poderão ficar abertas entre 08:00 e 18:00 mantendo os atuais turnos de funcionários e educadores. Uma vantagem adicional é que os profissionais que trabalham nas escolas terão maiores facilidades para o deslocamento e usarão o transporte público.

O terceiro grave problema social gerado pela ocupação irracional do solo é o custo da segurança pública da cidade de São Paulo (Gastos públicos com segurança chegam a R$ 76 bilhões em 2015, http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2016/11/gastos-publicos-com-seguranca-chegam-r-76-bilhoes-em-2015.html, acessado em 03/11/2016). Os gastos municipais e estaduais com a segurança pública na cidade de São Paulo estão crescendo ano após ano com resultados pobres. O abandono do centro histórico é um dos grandes vilões. A região foi tomada pela marginalidade que ocupam prédios abandonados e reduzem fortemente a produtividade do trabalho. Muitos evitam passar na região após as 17:00. Várias atividades que poderiam ser realizadas no período da tarde são adiadas para o próximo período da manhã por conta da insegurança.


O abandono exige mais policiais e recursos. São gastos absolutamente improdutivos. A ocupação do centro pelas empresas tem a capacidade de reformular o comércio e as atividades da região e expulsar as ações ilícitas da região. É um jogo em que todos ganham. Em resumo, é preciso que o novo prefeito da cidade, inicie o seu mandato em 2017 corrigindo as tolices feitas pelos seus antecessores.