terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Tela de login do Windows 10


Em 2019, o Windows 10 completará quatro anos da sua publicação. Neste período o Brasil passou pela pior recessão da sua história. A grande virtude de uma recessão intensa e prolongada como foi a nossa, é o estabelecimento de novos comportamentos empresariais. É o famoso fazer mais com menos. Para aumentar a riqueza gerada por unidade de capital investido, é preciso usar a criatividade para “cavar” novas oportunidades de negócio.

Nas minhas conversas com empreendedores e empresários, a principal reclamação deles é o custo para divulgar e vender os seus produtos e serviços. Em particular, os empresários do setor de eventos, congressos e seminários relatam que os custos de divulgação são elevados demais.

Muitos usam para a divulgação dos seus eventos, os serviços de uma assessoria de imprensa, que em geral consegue um espaço de baixa visibilidade. A segunda estratégia mais usada é o envio de e-mails para listas alugadas. Na maior parte dos casos, estas mensagens são direcionadas para a caixa de mensagens indesejadas e nunca são lidas. É sem sombra de dúvida um trabalho improdutivo.

Para a maioria destes empreendedores, a solução para o seu evento é conseguir um patrocinador que “banca” a divulgação e os custos das vendas dos ingressos. Eu recebo frequentemente, mensagens solicitando a minha ajuda para conseguir um patrocinador. Em alguns casos (congresso é de elevada importância e relevância) eu faço a apresentação do empreendedor com potenciais patrocinadores. No entanto, não tenho condições de endereçar todas as solicitações.

É neste exato momento, que o empreendedor precisa pensar “fora da caixa” e buscar uma alternativa para viabilizar o seu negócio. Um dos caminhos para a criatividade passa pelo Windows 10. Infelizmente, até o momento desconheço qualquer iniciativa que explore as oportunidades geradas por este sistema operacional.

Na tela de login do Windows 10 aparece uma ou mais paisagens. Muitas vezes eu dedico alguns minutos antes de digitar a senha apenas para descobrir onde fica a belíssima imagem. Em alguns casos eu viajei e visitei o local apresentado.

É bem fácil perceber que é possível usar a tela de login do Windows 10 para divulgar um evento, produto ou serviço. Como é uma tela de senha, o sistema sabe qual é o usuário. Isto significa que ele conhece informações como CEP, estado, cidade, país e etc. Logo a oferta pode ser direcionada em função da localização.

Considerando que o usuário é o mesmo da loja do Windows é possível direcionar os anúncios em função da idade, profissão, gênero e etc. É uma poderosa plataforma de divulgação que não é explorada atualmente. Para a Microsoft, ela pode representar uma nova linha de negócios. Para os empreendedores, ela pode representar uma forma barata de divulgar as suas ofertas.
Por ser algo inédito, os pioneiros poderão conquistar enormes ganhos. É uma forma de abrir uma nova caixa de ferramentas e explorar as oportunidades existentes no mercado. Infelizmente, na maioria das minhas conversas eu encontro empresários e empreendedores que imaginam que encontrarão um capital que resolverá os problemas deles.

É preciso assumir o comando da nave e criar as oportunidades antes que alguém faça. Infelizmente, a recessão profunda não foi intensa o suficiente para mudar a mentalidade brasileira. Continuamos procurando na periferia do mundo dos negócios a solução dos desafios. Mais uma vez as perdas por falta de capital intelectual superação os resultados alcançados.

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Desmaterialização da Moeda Soberana


O projeto de digitalização da moeda soberana de uma nação é um esforço que exige a identificação e comunicação dos benefícios tangíveis da iniciativa, por causa do seu elevado impacto no dia a dia das pessoas. A principal consequência do processo de desmaterialização da moeda é a criação da plataforma “Banco como um Serviço” (Bank as a Service – BaaS).

Em outras palavras, é de fundamental importância que o início dos trabalhos seja focado na identificação dos seus componentes e na determinação do custo total atual do dinheiro físico. O custo da utilização do dinheiro físico como meio de pagamento está distribuído nas etapas de:

1.     Produção e Emissão
2.     Custódia
3.     Distribuição para o atacado e varejo
4.     Transações realizadas

Os custos das transações realizadas com numerário físico estão relacionados com: (i) manutenção de um ou mais funcionários de confiança (são mais caros) para trabalhar como o dinheiro, (ii) vigilância remota dos caixas do varejo e caixas eletrônicos dos bancos, (iii) perdas causadas por erros operacionais na manipulação do dinheiro pelos funcionários, (iv) compra de maquinas contadoras de dinheiro por causa do elevado volume de notas movimentado (em geral ocorre nos bancos), (v) perda de tempo e produtividade por causa tanto da manutenção de dinheiro físico para troco no caixa, como do deposito diário no banco) do dinheiro do caixa (pode ocorrer várias vezes, (vi) segurança física e eletrônica por causa da permanente ameaça de roubo, (vii) aumento do valor do seguro por causa da presença de dinheiro físico no caixa, (viii) segurança extra para transportar o dinheiro até o banco, (ix) manutenção dos caixas eletrônicos abastecidos com dinheiro fora do expediente bancário e (x) redução da produtividade empresarial por causa do tempo gasto na contabilização manual do dinheiro do caixa.

Foi afirmado que o custo total anual do ciclo do dinheiro brasileiro é de aproximadamente R$ 90 bilhões, quando se considera a emissão, custódia, distribuição de atacado e varejo e os custos das tratativas com o dinheiro no comércio.
Fonte: Aldênio Burgos e Bruno Batavia (O Meio Circulante na Era Digital, autores:, https://www.bcb.gov.br/htms/public/inovtec/O-Meio-Circulante-na-Era-Digital.pdf?4, acessado em 09/01/2019).
  
A moeda digital aumenta a efetividade do sistema brasileiro de pagamentos porque é um meio de troca de baixo custo. Atualmente no Brasil, tanto as famílias de baixa renda, como as pequenas empresas dependem muito do numerário físico.

Os setores da sociedade com menor renda estão perdendo uma parte importante dos seus recursos financeiros, por causa do elevado custo do dinheiro físico ou das elevadas taxas para as transações realizadas com cartões pré-pagos. A realização de pagamentos com numerário digital oferece grandes benefícios para a população mais carente.

A adoção do Numerário Digital (ND) permite que sejam alcançados grandes ganhos de produtividade na macroeconomia nacional. Do ponto de vista da sociedade a digitalização da moeda soberana equivale a uma redução dos impostos.

A eliminação da necessidade do pequeno varejo de contratar um funcionário de confiança para manusear o dinheiro do caixa, em conjunto tanto com a eliminação das perdas para depositar e sacar o dinheiro no banco, como com a diminuição do risco de roubo reduz significativamente o custo operacional dos pequenos negócios.  O seguro contra roubo de uma loja é bem mais caro por causa da necessidade de manter numerário físico.

Os dispositivos adicionais de segurança dos caixas eletrônicos no Brasil, fazem com que eles sejam aproximadamente 65% mais caros do que os similares de outros países. Os boletos bancários pagos através dos caixas eletrônicos são uma das formas de pagamento na era digital. No entanto, um grande volume de boletos é pago em dinheiro físico na boca do caixa das agências bancárias.

A infraestrutura de pagamentos precisa ser interoperável na economia digital. É preciso que a emissão de moeda digital pelo Banco Central para as transações do varejo permita que os provedores de serviços de pagamento e transferência de diferentes locais e países trabalhem com liquidez em tempo real.

O numerário digital é, portanto, um “token" que assegura a liquidez do sistema de pagamentos em tempo real. A disseminação do uso da moeda digital soberana deve ocorrer em paralelo com o processo de obsolescência do numerário físico.

As principais consequências deste estratagema para a digitalização da moeda são o desencorajamento da evasão fiscal, o crescimento do grau de dificuldade para as operações de lavagem de dinheiro e a criação de barreiras para as atividades ilegais operacionalizadas pelas notas de grande valor do numerário físico.

Foi revelado pela consultoria A.T. Kearney que 36,5% do PIB brasileiro foi movimentado sem declaração adequada.
Fonte: Brasil tem o sexto maior mercado de trabalho informal, aponta levantamento, https://www1.folha.uol.com.br/colunas/mercadoaberto/2018/10/brasil-tem-o-sexto-maior-mercado-de-trabalho-informal-aponta-levantamento.shtml, acessado em 09/01/2019.

A economia subterrânea representa mais de 15% do Produto Interno Bruto brasileiro (Economia informal cresce pelo 4º ano seguido no país e corresponde a 16,9% do PIB, aponta estudo, https://g1.globo.com/economia/noticia/2018/12/04/economia-informal-cresce-pelo-4o-ano-seguido-no-pais-e-corresponde-a-169-do-pib-aponta-estudo.ghtml, acessado em 09/01/2019). A informalidade é uma importante fração da atividade econômica. É fácil perceber que a economia informal usa apenas dinheiro em espécie nas suas transações.

A moeda digital soberana é amiga da natureza. Ela elimina a necessidade de consumir na produção e distribuição do meio circulante físico diversas matérias primas e milhares de litros de combustíveis. As centenas de toneladas de resíduos geradas na etapa de produção do papel moeda e moedas não são geradas com a moeda digital.

O numerário digital elimina por completo, o problema da destruição do dinheiro físico que não tem utilidade. Em 2017, foram geradas quase mil e duzentas toneladas de resíduos de cédulas na destruição do numerário físico no Brasil.

Os meios digitais de pagamentos aumentam o nível de inclusão financeira da sociedade. É possível criar no universo digital uma infinidade de serviços financeiros com custo marginal unitário praticamente nulo. O fenômeno da inclusão financeira habilitada pelo numerário digital é consequência da eliminação das barreiras para a bancarização.

Muitas pessoas não possuem contas em bancos porque não existem agencias próximas ou da sua residência ou do seu local de trabalho (é muito comum este problema no campo). Uma grande parte da população pobre do Brasil não tem conta bancária por causa dos custos dos serviços.

Como a grande maioria dos brasileiros com idade acima de 15 anos tem acesso a um telefone inteligente ou a um computador com Internet é possível com a moeda digital soberana incluir no sistema financeira cerca de 35% da população que não é atualmente atendida pelos bancos.

Como a moeda desmaterializada elimina os intermediários do sistema de pagamentos é possível fazer a inclusão financeira com uma considerável redução de custos.

Por exemplo, são eliminadas as taxas cobradas pelos bancos nos canais eletrônicos de transferência de dinheiro (TEDs e DOCs). Neste novo mundo sem os bancos intermediando as transferências de numerário, ocorre a plena integração entre a população bancarizada com a não bancarizada.

Como o custo unitário marginal de uma transferência digital é praticamente zero, é possível estender o benefício para toda a população sem aumentar os gastos públicos. É viável com o numerário digital oferecer para a população de baixa renda a facilidade de transferir valores baixos.

Foi revelado que o custo de segurança cresceu tanto que inviabilizou o dinheiro físico em diversas cidades brasileiras.
Fonte: 'Novo Cangaço' deixa cidades do sertão da BA sem dinheiro, https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2018/07/novo-cangaco-deixa-cidades-do-sertao-da-ba-sem-dinheiro.shtml, acessado em 09/01/2019.

Os frequentes roubos de caixas eletrônicos e agências bancárias estão criando o fenômeno das cidades sem dinheiro (pequenas cidades no interior do Brasil onde não é possível fazer saque em dinheiro na agência e no caixa eletrônico).

As questões relacionadas com a segurança patrimonial e integridade física das pessoas (clientes, funcionários e população) estão inviabilizando a distribuição e armazenamento do numerário físico nas pequenas cidades.

Os custos de segurança estão crescendo com tamanha intensidade que os bancos estão concentrando os serviços bancários relacionados com o dinheiro físico nas agências de maior porte.

FIDO is the World’s Largest Ecosystem for Standards-Based, Interoperable Authentication.
Fonte: https://fidoalliance.org/about/what-is-fido/, acessado em 09/01/2019.

A moeda digital soberana não é isenta de incidentes de segurança. No entanto, o sistema integrado de processamento do pagamento, faz com que as fragilidades e ameaças de segurança cibernética possam ser resolvidas com um volume de investimento muito menor que o atual.

Como existem muitas pessoas trabalhando em paralelo nas soluções de segurança para os pagamentos digitais, os custos estão caindo dramaticamente. A FIDO Alliance desenvolve padrões para o ecossistema de pagamentos.

A moeda digital soberana continua sendo emitida pelo Banco Central (BC). A digitalização do numerário não prejudica a política monetária. As reservas bancarias do Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB) podem ser configuradas para que o seu acesso seja restrito.

Da mesma forma é também possível configurar a disponibilidade do numerário. O dinheiro digital pode ser configurado para que ele possa ser movimentado 24 horas por dia todos os dias do ano.

No entanto, também é possível configurar a disponibilidade do dinheiro das reservas bancarias. As movimentações podem ser realizadas apenas durante o horário de operação do Sistema de Transferência de Reservas (STR).

O numerário digital tanto pode ser estruturado em contas correntes, como pode ser organizado em tokens que armazenam valor. Nos dois casos, um cidadão enxerga a quantidade de dinheiro da sua carteira através do saldo da sua conta digital.

O Banco Central pode configurar a duração e o tempo de vida do numerário, pois é possível limitar a duração e o tempo de vida do dinheiro digital em função de eventos importante. Por exemplo, o sistema permite que o BC configure uma série do dinheiro digital para que ele seja criado, emitido e resgatado apenas durante a Copa do Mundo de futebol.

O dinheiro digital estruturado em contas correntes não é anônimo, pois o sistema acessa e controla as informações. Isto significa que a privacidade das movimentações é realizada através do sigilo do saldo e das movimentações.

No caso do dinheiro digital organizado em tokens, o anonimato pode ser configurado, pois é possível desenhar a arquitetura do sistema para que apenas o possuidor da chave privada tenha acesso ao saldo e as movimentações da sua conta.

A desvantagem, neste caso, é que a perda da chave privada implica em perda do dinheiro. A estrutura em tokens permite que o sistema digital seja configurado em diferentes níveis de privacidade.

terça-feira, 18 de dezembro de 2018

A república dos mercadores de tolices e o poço da burrice eterna


Infelizmente a cultura do atraso tornou o Brasil no país do desperdício. Ao mesmo tempo em que milhões de brasileiros passam fome (No Brasil, 2,5% da população está em grave situação alimentar, https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2018/09/11/no-brasil-fome-se-estabiliza-e-22-da-populacao-e-obesa-segundo-fao.ghtml) os supermercados jogam no lixo bilhões de reais em alimentos (Supermercados desperdiçam R$ 3,9 bi em alimentos por ano, diz Abras, https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2018/08/supermercados-desperdicam-r-39-bi-em-alimentos-por-ano-diz-abras.shtml, acessado em 24/09/2018).

Basta uma rápida visita aos supermercados para perceber porque bilhões de reais vão para o lixo todos os anos. Existe uma completa falta de controle do estoque em relação ao prazo de vencimento dos alimentos. É vergonhoso para qualquer gestor capacitado que os maiores supermercados do país sejam incapazes de ofertar os alimentos conforme a sua data de validade. Qualquer sistema mequetrefe de inteligência artificial é capaz de fazer isto e eliminar o desperdício de alimentos.

A cultura do atraso não é privilégio de um único setor da economia nacional. O sábio médico Claudio Lottenberg que é presidente do conselho deliberativo do Hospital Israelita Albert Einstein afirmou que a digitalização do sistema de saúde pública e a telemedicina podem reduzir 33% dos gastos do sistema pela eliminação dos desperdícios causados por práticas obsoletas, retrabalhos, redundâncias, burocracia desnecessária e fraudes. (Atraso crônico, https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2018/04/claudio-lottenberg-atraso-cronico.shtml).

Como o orçamento da saúde é de cerca de R$ 120 bilhões é fácil perceber que um pequeno investimento em tecnologias como internet das coisas e inteligência artificial pode eliminar dezenas de bilhões de reais de desperdícios do sistema de saúde.

A cultura do atraso está largamente difundida no Brasil. A causa raiz da incessante busca pelo pior possível é a qualificação da gestão. O grupo Abril foi fundado em 1950. Em 2018, o grupo entrou em recuperação judicial com dívidas de R$ 1,6 bilhões. A empresa entrou em dificuldades após a criação da TVA e o abandono da sua promissora plataforma de internet (abandonou parceria com UOL).

Os gestores do grupo fazem parte do seleto grupo de administradores que não acreditaram no potencial da internet e da transformação digital. A empresa ficou confinada ao passado e perdeu lucratividade e faturamento. Apesar de todos os defeitos na gestão da TVA, o grupo abril conseguiu vender com lucro a empresa. Como dinheiro na mão é vendaval, em pouco tempo o dinheiro ganho com a venda da TVA foi embora e o prejuízo entrou em cena.

O grupo Abril não foi o único que escolheu contratar com base no atraso. Recentemente a Fundação Procon-SP multou diversas grandes empresas por prática ilegal nas iniciativas de telemarketing (Essas 20 empresas foram multadas por ligar mesmo você não querendo, https://tecnologia.uol.com.br/noticias/redacao/2018/09/03/essas-20-empresas-foram-multadas-por-te-ligar-mesmo-voce-nao-querendo.htm). Infelizmente o capital intelectual restrito impede que os maiores bancos brasileiros percebam que estre tipo de ação de telemarketing é inútil. A capacitação interna e externa destas empresas é tão baixa que elas preferem atuar em desacordo com a lei, porque está é a única solução que os seus gênios conseguem encontrar para as baixas vendas.

As operadoras de telefonia desempenham um capítulo à parte no circo de horrores dos mercadores de tolices. As empresas Oi, Claro e Vivo foram multadas pelo Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor por cobrar por serviços não solicitados pelos consumidores (Oi, Claro e Vivo são multadas em R$ 9,3 mi por irregularidade em venda de serviço, https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2018/09/oi-claro-e-vivo-sao-multadas-em-r-93-mi-por-irregularidade-em-venda-de-servico.shtml). A alegação da defesa é infantil. Informaram que terceiros são os responsáveis pelos serviços cobrados indevidamente. Porque elas estabeleceram parcerias com estes terceiros? As reclamações dos consumidores são bem antigas.

As pessoas que trabalham neste perfil empresarial devem ter autoestima muita baixa. Pessoas mediamente qualificadas aceitam trabalhar apenas em empresas honestas e sérias.

Uma das coisas interessantes dos que semeiam a cultura do atraso é o elevado nível de soberba e arrogância. No passado, eu debati sobre qualificação da mão de obra com o CEO de uma empresa de consultoria de pequeno porte. Depois que afirmei que a política de contratações definida por ele iria levar o negócio para derrocada, ele afirmou que estava operando com elevada lucratividade. Alguns dias depois a empresa fechou as portas.

É muito comum encontrar este perfil profissional vivendo em um universo alternativo. As dificuldades que os profissionais desqualificados têm com a matemática básica são impressionantes. Eles não são capazes de somar e subtrair. Dentro do universo dos mercadores de tolices eles tentam vender a imagem de excepcionais gestores e resultados expressivos. Quando o caixa da empresa foi avaliado ficou claro que a empresa dava prejuízo operacional.

No artigo Aritmética para iniciantes (https://www1.folha.uol.com.br/colunas/alexandreschwartsman/2018/09/aritmetica-para-iniciantes.shtml) o Alexandre revelou que existe enorme dificuldade na realização de operações aritméticas básicas aqui no Brasil. Por causa disto, existe a criação de universos alternativos onde a soma de um mais um resulta em um milhão. Nestes universos as empresas não quebram e quando os clientes compram produtos e serviços da China eles apenas não sabem comprar.

No universo real dos fatos, a capacitação tem enorme valor nas corporações. Muita gente associa a juventude e o abandono dos estudos com o sucesso das empresas fundadas pelo Steve Jobs, Bill Gates, Mark Zuckerberg, Sergey Brin, Larry Page e Jeff Bezos (Tempo é aliado dos empreendedores mais velhos, https://www1.folha.uol.com.br/tec/2018/09/tempo-e-aliado-dos-empreendedores-mais-velhos.shtml).

O estudo "Idade e Empreendedorismo de Alto Crescimento", dos economistas Pierre Azoulay, Benjamin Jones, J. Daniel Kim e Javier Miranda, revelou que foram criadas aproximadamente 3 milhões de empresas nos Estados Unidos entre 2007 e 2014. A idade mediana dos fundadores é de 41,9 anos, ou seja, várias startups que receberam investimentos de capital tinham fundadores com idade acima de 40 anos.

Não é difícil perceber a influência da capacitação no sucesso profissional e na inovação. O produto iPhone foi criado pelo Steve Jobs de cabelo branco. A Amazon virou potência mundial de comércio eletrônico nas mãos do Jeff Bezos de cabelos brancos. As empresas Google e Microsoft alcançaram seus postos mais elevados nas mãos dos seus fundadores na versão cabelo branco.

É evidente que capacitação não é consequência direta dos cabelos brancos como alguns simplistas insistem em afirmar. Capacitação é consequência de aprendizado. Isto significa que pessoas com cabelos brancos tiveram mais oportunidades que os jovens imberbes. Os que aproveitaram as oportunidades tiveram como resultado capacitação superior.

A capacitação superior leva para as organizações para o território das inovações promissoras e sucesso. Infelizmente a cultura do atraso nacional despreza a capacitação e acha que juventude é fator necessário e suficiente para inovar.

A cultura do atraso levou o Brasil na direção de incontáveis fracassos. A fábrica da Ceitec S.A foi inaugurada em 2010 para produzir chips (Estatal do chip de R$ 500 mi está parada, https://www1.folha.uol.com.br/fsp/mercado/me0909201004.htm). Em 2018 é retumbante o fracasso da empresa. Os gestores de tecnologia qualificados foram ignorados na política de contratações. O resultado foi prejuízo em cima de prejuízo. Passados 8 anos qual é a relevância da Ceitec no mercado mundial de chips?

Os artigos “Ainda precisa pastar muito” (https://epocanegocios.globo.com/Informacao/Dilemas/noticia/2012/11/ainda-precisa-pastar-muito.html), "O Brasil sonhou em fazer chips. Mas por enquanto conheceu só suas dificuldades" (https://www.gazetadopovo.com.br/economia/o-brasil-sonhou-em-fazer-chips-mas-por-enquanto-conheceu-so-suas-dificuldades-1jcx54p1qhp10gktgon8zcluv/) e “Governo decide contratar consultoria britânica para definir rumos do Ceitec” (https://gauchazh.clicrbs.com.br/geral/noticia/2013/08/governo-decide-contratar-consultoria-britanica-para-definir-rumos-do-ceitec-4220772.html) revelaram que a fábrica da Ceitec S.A é irrelevante no cenário nacional.

No mundo, o mercado de chips é de cerca de US$ 0,5 trilhão. O mercado brasileiro é de cerca de US$ 10 bilhões. As vendas de empresas brasileiras representam menos de 10% (Com prejuízo de R$ 42,6 milhões, Ceitec foca no setor privado para se sustentar, https://gauchazh.clicrbs.com.br/economia/noticia/2018/06/com-prejuizo-de-r-426-milhoes-ceitec-foca-no-setor-privado-para-se-sustentar-cjj0m1unr0hrf01pab7dxgek0.html).

A cultura do atraso brasileiro é tão grande que a Ceitec que recebeu investimentos do governo de mais de um bilhão de reais e tem prejuízo acumulado da sua inauguração até hoje de mais de 40 milhões de reais produz chips de 600 nanômetros que são caros e suscetíveis a erros. O capital intelectual superior faz chips com menos de 50 nanômetros.

A escolha nacional pelo atraso inibiu a formação de mão de obra qualificada capaz de projetar chips. Vale lembrar neste ponto, que a nossa cultura do atraso é tão grande que os acordos comerciais contratuais são esquecidos. No processo de seleção do padrão da TV digital, foi condicionada à contrapartida de construir uma fábrica de semicondutores no Brasil. Aparentemente os mercadores de tolices esqueceram desta cláusula do contrato (TV digital: Toshiba abandona projeto de semicondutor no Brasil, http://www.intervozes.org.br/direitoacomunicacao/?p=20635).

Como os mercadores de tolices não são capazes de aprender com os erros cometidos no passado, eles os repetem com exaustão. Mais um bilhão de reais foi para o lixo em outra fábrica de chips (Após receber quase R$ 1 bi, fábrica de chips criada por Eike ainda opera parcialmente, https://www.brasil247.com/pt/247/economia/324893/Após-receber-quase-R$-1-bi-fábrica-de-chips-criada-por-Eike-ainda-opera-parcialmente.htm).

Foi afirmando em setembro de 2010 que o Veículo Lançador de Satélites será realidade em 2015 (Foguete nacional só deve decolar em 2015,  https://www1.folha.uol.com.br/fsp/ciencia/fe0909201001.htm). A cultura do atraso não tem limites na sua capacidade de jogar dinheiro no lixo. O Centro de Lançamento de Alcântara foi inaugurado em 1983 e até 2018 lançou 475 foguetes. Ou em outras palavras 475 lançamentos em 15 anos, média de 32 por ano. Números irrisórios. É claro que os mercadores não iriam parar no primeiro fracasso.

Em 2003, o governo do PT criou a Alcântara Cyclone Space. O Brasil jogou no lixo quase 500 milhões de reais sem lançar um único foguete. Como o poço da burrice eterna não pode jogar no lixo apenas meio bilhão de reais, existe a multa por rescisão do contrato à favor da Ucrânia de 2 bilhões de reais (Brasil tenta há 2 anos encerrar parceria com Ucrânia que custou R$ 483 mi e não lançou foguete, https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2018/02/15/tcu-critica-projeto-brasileiro-que-custou-r-483-mi-e-nao-lancou-foguete-fragil-e-otimista.htm). O Tribunal de Contas da União avaliou que a Alcântara Cyclone Space como um projeto "frágil e otimista". Palavras gentis para o trabalho dos geniais gênios brasileiros.

Dando continuidade ao ciclo de genialidades, existe a pretensão de criar mais uma estatal para alugar o Centro de Lançamento de Alcântara (FAB quer arrecadar R$ 140 milhões ao ano com 'aluguel' da base de Alcântara, https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2018/09/fab-quer-arrecadar-r-140-milhoes-ao-ano-com-aluguel-da-base-de-alcantara.shtml). É genialidade atrás de genialidade.

A cultura do atraso nacional está presente em todos os lugares. Em recente conversa com o filho do proprietário de uma famosa empresa de recursos humanos, ele disse que o fechamento das lojas da Fnac era um indicador que sinalizava a derrocada da estratégia das pessoas avaliarem os produtos nas lojas físicas e comprarem pela internet. (Fnac fecha as portas na Avenida Paulista; só resta uma loja no Brasil, https://exame.abril.com.br/negocios/fnac-fecha-as-portas-na-avenida-paulista-so-resta-uma-loja-no-brasil/amp/).

As dificuldades intelectuais estão inviabilizando atividades básicas como a interpretação de texto. No artigo acima foi afirmado que a livraria cultura recebeu dinheiro da Fnac para renegociar os passivos e encerrar a presença da empresa no Brasil. Basta observar os fatos para perceber a realidade. O profissional não percebeu que o fechamento das lojas é consequência da recessão.

Alguns dias depois foi publicado o artigo “Comércio virtual será principal canal de vendas, diz Cultura após fechamento de unidades da Fnac” (https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2018/09/comercio-virtual-sera-principal-canal-de-vendas-diz-cultura-apos-fechamento-de-unidades-da-fnac.shtml0. A livraria Cultura afirmou que as lojas físicas têm como objetivo estratégico o fortalecimento da marca através de ações de marketing, de políticas de engajamento com consumidor e de relacionamento, ou seja, é o local onde o consumidor irá conhecer e a avaliar os produtos. O portal de comércio eletrônico será o principal canal de venda dos produtos.

Basta ver o que a China está fazendo para ver para onde o progresso está caminhando. Foi afirmado que a internet das coisas permitiu o aparecimento de lojas físicas meramente demonstrativas. As lojas não têm estoque e não vendem nada. São na realidade lojas mostruários onde o consumidor experimenta as ofertas como roupas e etc. O cliente pode escanear o código do produto com o celular e pagar digitalmente. O produto é entregue no local desejado no mesmo dia (China dá baile em internet das coisas, https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ronaldolemos/2018/04/china-da-baile-em-internet-das-coisas.shtml).

No campo das criptomoedas, o Brasil mostra o gigantismo do seu atraso. Enquanto países como a China e Índia avançam na digitalização do dinheiro e colhem os benefícios do menor custo de produção, operação e de segurança, o Brasil está estagnado no quesito governo digital.

O absolutismo dos detentores das chaves do poço da burrice eterna é de largo espectro. Enquanto os países com perfil sociocultural similar ao Brasil estão avançando velozmente na direção do dinheiro digital, o Brasil vive nas limitações intelectuais dos mercadores de tolices que tem tanta soberba que acham que podem extrapolar as suas limitações para toda a população brasileira. A Índia retirou de circulação todas as cédulas de rupias indianas acima da nossa paridade cambial de R$ 20 (Governos são plataformas tecnológicas, https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ronaldolemos/2018/06/governos-sao-plataformas-tecnologicas.shtml).

O país reduziu os seus gastos e avançou na competitividade. A China movimenta o equivalente ao PIB brasileiro em pagamentos móveis. O país está acabando com os desperdícios das filas para pagamentos ao mesmo tempo em que bancariza a sua população rural com investimento baixo. O custo marginal de uma transação digital está caindo dramaticamente. A população rural tem agora acesso ao sistema de crédito e compras online (https://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/2018/05/02/a-china-esta-pronta-para-dizer-tchau-para-dinheiro-e-cartoes-de-credito/).

Enquanto os nossos mercadores de tolices arrumam dificuldades, os indianos, uruguaios, chineses e etc. arrumam facilidades (Governos usam tecnologia e identidade digital para diminuir burocracia, https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2018/08/governos-usam-tecnologia-e-identidade-digital-para-diminuir-burocracia.shtml). O Ilves afirmou que a digitalização gerou uma economia de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) para a Estônia.

O trabalho dos mercadores de tolices está presente até mesmo no conservador setor bancário. Depois de muito tempo, o BNDES reconheceu que deu dinheiro dos brasileiros para Cuba e Venezuela (foi afirmado pelo BNDES que Cuba e Venezuela não tinham condições de honrar os empréstimos concedidos pelo Banco, https://economia.uol.com.br/noticias/reuters/2018/09/18/presidente-bndes-diz-que-emprestimos-para-cuba-e-venezuela-foram-um-erro-discute-divida.htm).

A genialidade brasileira de emprestar dinheiro para os projetos sem retorno de países sem capacidade de pagamento fará com que as pessoas físicas gastem entre 2017 a 2022 R$ 1,04 trilhão (aproximadamente 1/7 do PIB de 2017) para pagar os empréstimos realizados em 2017 (ANÁLISE DOS JUROS E DO SPREAD BANCÁRIO, http://apps.fiesp.net/fiesp/newsletter/2018/decomtec/spread-brasileiro-26-04-18/Analise-Juros.pdf). A lógica dos bancos é socializar os prejuízos dos empréstimos.

É impressionante como é grande a lista de perdas nacionais por causa da falta de capacitação.  A empresa Facebook ficou com a maior parte dos R$ 17 milhões gastos pelos candidatos para impulsionar conteúdo nas redes. Como em momento algum o Brasil investiu no desenvolvimento de redes sociais, o país está gastando o dinheiro dos impostos dos brasileiros para gerar empregos para os Estados Unidos (Candidatos destinam 1,6% dos gastos da eleição de 2018 para anúncio online, aponta balanço parcial., https://g1.globo.com/politica/eleicoes/2018/noticia/2018/09/18/candidatos-destinam-16-dos-gastos-da-eleicao-de-2018-para-anuncio-online-aponta-balanco-parcial.ghtml).

É mais uma solução genial do país onde falta trabalho para quase 30 milhões de pessoas (Falta trabalho para 27,6 milhões de brasileiros, aponta IBGE, https://g1.globo.com/economia/noticia/2018/08/16/falta-trabalho-para-276-milhoes-de-brasileiros-aponta-ibge.ghtml).

O país que fez a copa de 2014 e as olimpíadas de 2016 com mais de R$ 90 bilhões (O preço da Copa e das Olimpíadas. OAB protesta, https://blogdojuca.uol.com.br/2011/06/21570/) não foi capaz de investir 0,01% deste total no lucrativo negócio de rede social.

No setor industrial, o Brasil também em regime de derrocada. A automação industrial melhora a produção, aumenta a qualidade e reduz o desperdício. Em outras palavras competir contra a automação é uma luta inglória. O resultado é falência. A indústria brasileira ocupa um dos últimos lugares em termos de automação e qualificação por causa de erros na estratégia corporativa. As dificuldades do capital intelectual fatalmente levarão a indústria brasileira para a bancarrota. Por décadas a indústria escolheu demitir profissionais qualificados experientes e contratar jovens.

O Brasil precisa urgentemente aumentar a sua eficiência e eficácia industrial. Existe um sério risco de o país perder todo o seu parque industrial por causa do baixo nível de automação (Brasil fica entre os últimos lugares em ranking de automação de empresas, https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2018/08/brasil-fica-entre-os-ultimos-lugares-em-ranking-de-automacao-de-empresas.shtml).

É evidente que a automação vai eliminar milhões de postos de trabalho no mundo (Era dos robôs está chegando e vai eliminar milhões de empregos, https://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2018/07/era-dos-robos-esta-chegando-e-vai-eliminar-milhoes-de-empregos.shtml). No entanto, o ser humano continuará ocupando posição de extrema relevância nas organizações. Isto significa que é preciso qualificar as pessoas em novas habilidades.

A capacitação de programação precisa fazer parte do dia a dia dos profissionais. É preciso começar este aprendizado desde cedo. Atividades lúdicas são capazes de ensinar as crianças a programar. Não é algo tão diferente do que o brinquedo lego foi para ensinar criatividade para as crianças.

Iniciativas como o kit de programação Harry Potter da Kano (https://tecnologia.uol.com.br/noticias/bloomberg/2018/08/08/kit-do-harry-potter-ensinara-criancas-a-programar-usando-varinha-magica.htm) são muito importantes para remodelar o ensino e capacitar as novas gerações com habilidades de lógica e interpretação de texto.

O resultado prático do trabalho dos mercadores de tolices é perda de riqueza. Um bom exemplo deste tipo de atuação é o caso Adidas versus WTorre. A Adidas lançou em 2015 uma linha de camisetas com a imagem do Allianz Parque sem autorização da WTorre. Toda a produção foi perdida, pois teve que ser retirada das lojas. A Adidas além da perda da produção e logística das camisas também perdeu uma parte do lucro das poucas camisas vendidas. O resultado do trabalho não foi genial? (Adidas terá de indenizar WTorre por camisa com imagem de Allianz Parque, https://esporte.uol.com.br/futebol/de-primeira/2018/09/20/adidas-tera-que-indenizar-wtorre-por-camisa-com-imagem-de-allianz-parque.htm).

A diferença gerada pelo capital intelectual é gigantesca. O músico MC Fioti pertence ao seleto clube de 1 bilhão de visualizações no Youtube com a música “Bum Bum Tam Tam” (O funk de um bilhão de views, https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ronaldolemos/2018/09/o-funk-de-um-bilhao-de-views.shtml).

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

É o emprego, estúpido!


Nos últimos anos o Brasil vem enfrentando a sina tanto dos pibinhos, como do crescimento exponencial das falácias. Os mercadores do absolutismo das tolices econômicas estão em todos os lugares. As tolices são tantas que foi afirmado que a situação onde uma empresa deixa o mercado onde atua por causa da recessão é absolutamente rara. Para os que preferem fatos eu destaco o que realmente aconteceu no Brasil durante a recessão.

Nos seguintes artigos estão os fatos publicados na imprensa nacional sobre empresas que deixaram o Brasil durante a recessão. Certamente a mais impressionante é a que fala que de um saldo negativo entre 2016 e 2013 de 13,8 mil indústrias no Brasil.

1.     Por dois anos seguidos, Brasil fecha mais empresas do que abre, aponta IBGE (https://g1.globo.com/economia/noticia/por-dois-anos-seguidos-brasil-fecha-mais-empresas-do-que-abre-aponta-ibge.ghtml)
2.     Lush vai embora; relembre empresas que deixaram o Brasil nos últimos anos (https://economia.uol.com.br/listas/lush-vai-embora-relembre-empresas-que-deixaram-o-brasil-nos-ultimos-anos.amp.htm)
3.     Em três anos, 13,8 mil indústrias foram fechadas no Brasil, aponta IBGE (https://g1.globo.com/economia/noticia/em-tres-anos-138-mil-industrias-foram-fechadas-no-brasil-aponta-ibge.ghtml)
4.     Com a crise, essas 9 empresas fecharam fábricas recentemente (https://exame.abril.com.br/negocios/com-a-crise-essas-9-empresas-fecharam-fabricas-recentemente/)
5.     Nikon anuncia sua saída do mercado brasileiro (https://economia.ig.com.br/2017-11-07/nikon-encerra-vendas.html)
6.     Crise no Brasil faz companhias aéreas do Pacífico deixarem o país (https://airway.uol.com.br/crise-no-brasil-faz-companhias-aereas-do-pacifico-deixarem-o-pais/)

Infelizmente os mercadores de tolices estão em todos os lugares fazendo a única coisa que sabem fazer. Proferir falácias. No passado, foi afirmado que a flexibilização das leis trabalhistas iria gerar empregos no Brasil (É preciso flexibilizar direitos sociais para haver emprego, diz chefe do TST, https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2017/11/1933111-e-preciso-flexibilizar-direitos-sociais-para-haver-emprego-diz-chefe-do-tst.shtml)

Os atuais números alarmantes do desemprego e do desalento para procurar um emprego deixam claro que as mudanças nas leis trabalhistas não geraram o efeito propagandeado pelo ministro Ives Gandra da Silva Martins Filho, onde a redução dos direitos seria a garantia para a manutenção dos empregos. O artigo revelou que a taxa de desalento é recorde (Falta trabalho para 27,6 milhões de pessoas no país, aponta IBGE, https://economia.uol.com.br/empregos-e-carreiras/noticias/redacao/2018/08/16/desemprego-ibge.htm).

A situação do emprego no Brasil é tão grave que os estudantes estão atrasando a entrega do TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) para prolongar o seu contrato como estagiário (Estudante adia formatura para não perder estágio e fugir do desemprego, https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2018/08/estudante-adia-formatura-para-nao-perder-estagio-e-fugir-do-desemprego.shtml).

Em recente decisão do STF sobre a terceirização a ministra Carmen Lúcia votou pela terceirização irrestrita afirmando que ela cria empregos (Supremo dá aval à terceirização irrestrita, https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2018/08/maioria-dos-ministros-do-supremo-da-aval-a-terceirizacao-irrestrita.shtml).

A lúcida ministra Rosa Weber afirmou na mesma sessão que o desenvolvimento econômico e não a terceirização é quem cria vagas de emprego. O futuro mostrará quem falou a verdade. Eu aposto todas as fichas na ministra Rosa Weber.

Eu não sou contra a terceirização e entendo que em um país com extremas limitações de conhecimento, as leis deveriam ser binárias, ou seja, pode ou não pode. Eu concordo com a afirmação do Gilmar Mendes "Tenho uma inveja enorme de quem consegue fazer distinção entre atividade-meio e atividade-fim. São pessoas iluminadas" (Julgamento sobre terceirização no STF tem 5 votos a favor e 4 contra, https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2018/08/julgamento-sobre-terceirizacao-no-stf-tem-5-votos-a-favor-e-4-contra.shtml).

No Brasil, as dificuldades de conhecimento revelam que o mercado confunde terceirização com pejotização (Após decisão do Supremo, empresas confundem terceirizados com PJs, https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2018/09/apos-decisao-do-supremo-empresas-confundem-terceirizados-com-pjs.shtml). Ou seja, é melhor que as leis sejam binárias neste contexto intelectual. Sem a necessidade de distinguir entre atividade-meio e atividade-fim é possível que a justiça brasileira faça um trabalho melhor.

Na questão da terceirização é muito importante entender o ponto de vista dos profissionais que sabem trabalhar. O Maurício De Lion, afirmou que o controle da informação, exige que a empresa contrate funcionários próprios para evitar os vazamentos. O Eugenio Mattar CEO da Localiza afirmou que não terceiriza o atendimento ao cliente para manter a qualidade (Decisão do STF não terá impacto imediato, dizem empresas, https://www1.folha.uol.com.br/colunas/mercadoaberto/2018/08/com-regra-diferente-teto-fiscal-nos-estados-pode-desequilibrar-financiamento-a-educacao.shtml).

De uma forma indireta e discreta os dois executivos afirmaram que existem perdas de qualidade na operação empresarial com a terceirização. O nível de qualidade do atendimento terceirizado pode ser visto na qualidade da resposta de uma operadora de telecomunicações sobre uma reclamação sobre uma linha móvel exclusiva de internet (“Em atenção ao seu e-mail, informamos que sua linha não possui pacotes ativos, para prosseguirmos entre em contato com 1052”).

O atendente humano respondeu que não existem pacotes ativos para uma linha celular pós paga exclusiva de Internet. Esta linha existe apenas porque é uma linha pós paga de internet móvel e o gênio do atendente não encontrou um pacote ativo de internet nesta linha. É fácil perceber porque o CEO da Localiza afirmou que não terceiriza o atendimento ao cliente para manter a qualidade.

É fácil perceber que é maior a produtividade dos funcionários próprios na execução das atividades recorrentes e que é maior a produtividade dos terceirizados na execução das atividades esporádicas. É preciso não confundir a terceirização ou pejotização com a contratação de serviços. Contratar, por exemplo, serviços cloud ou de valor agregado de TI das empresas Google ou Microsoft ou Amazon ou IBM não é uma forma de terceirização da mão da obra.

A organização que contrata tais serviços de valor agregado de TI está apenas contratando recursos externos. A contratante recebe um serviço totalmente formado pelo fornecedor. Ela tem acesso a experiência de usuário proposta pelo operador do serviço, ou em outras palavras, a contratante recebe o Customer Success proposto pelo ofertante.

Na terceirização de um datacenter, a empresa contratante explicita na Request for Proposal os parâmetros para a contratação da terceirizada. É de obvia percepção que tal processo é muito diferente da contração dos serviços cloud ou de valor agregado de TI das empresas Google ou Microsoft ou Amazon ou IBM

O Kenneth Arrow, economista Prêmio Nobel (1972), afirmou que no longo prazo, apenas as firmas que não discriminam na contratação de recursos humanos sobreviverão. A socióloga Devah Pager da universidade Harvard estudou firmas que discriminam e que não discriminam na contratação de recursos humanos no ano de 2004. Os resultados alcançados em 2010 por estas empresas foram:

·        17% das firmas que não discriminam na contratação de recursos humanos faliram até 2010
·        36% das firmas que discriminam na contratação de recursos humanos faliram até 2010

Em outras palavras, a probabilidade de um empregador que discrimina sair do mercado é mais que duas vezes maior do que uma que não discrimina na contratação de recursos humanos. Não é de graça que as firmas estão adotando a seleção às cegas para preconceitos inconscientes como o que existe contra o cabelo branco (Por mais diversidade, empresas ignoram nome e idade em currículo, https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2018/07/por-mais-diversidade-empresas-ignoram-nome-e-idade-em-curriculo.shtml).

Foi afirmado por empresas como Deloitte, HSBC e BBC que esta pratica resulta em maior diversidade na mão de obra e maior lucro (How “Blind Recruitment” Works And Why You Should Consider It, https://amp.fastcompany.com/3057631/how-blind-recruitment-works-and-why-you-should-consider).

Na Europa e Japão, a população de idosos constitui um mercado bilionário (Empresas descobrem novos mercados bilionários com crescimento do número de idosos, https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2018/08/empresas-descobrem-novos-mercados-bilionarios-com-crescimento-do-numero-de-idosos.shtml). É fácil entender porque as empresas estão contratando os cabelos brancos para atender este perfil de consumidores. Também é não é difícil perceber porque estas empresas estão tão preocupadas com a diversidade da mão de obra.