O artigo “O caminho da métrica perfeita nos centros de suporte” do Roberto Cohen (http://www.4hd.com.br/blog/2015/11/11/o-caminho-da-metrica-perfeita-nos-centros-de-suporte/, acessado em 17/11/2015) foi muito feliz ao abordar o valor da importância do objetivo de uma medição. A falta de um objetivo claro e concreto faz com que todos os esforços para construir índices e indicadores sejam jogados no lixo.
Parece óbvio (mas aparentemente não é) que o objetivo de qualquer medição deve ser claro, transparente e comunicado. Por exemplo, para medir a obesidade de uma pessoa é possível usar ou uma balança para o peso em quilos ou uma fita métrica para o tamanho da circunferência em centímetros da barriga e de um conjunto conhecido de métricas. Através das comparações é possível determinar o índice de obesidade da pessoa. No entanto, este indicador está sujeito a falhas por conta do elevado grau de variabilidade do chamado conjunto conhecido de métricas. O indicador porcentagem de gordura corporal oferece um resultado muito mais preciso sobre o nível de obesidade da pessoa.
A grande questão que precisa ser respondida é qual é o objetivo da medição. Para a maioria dos casos o médico pode usar a balança ou fita métrica para decidir prescrever uma dieta para o seu paciente. O modelo funciona bem. No entanto, existem casos onde este modelo de medição conduz para conclusões erradas. Um bom exemplo deste fenômeno está expresso no artigo “Diminui a desigualdade no Brasil, mas cresce no Sudeste, diz IBGE” (http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2015/11/1705824-desigualdade-cai-em-2014-com-alta-de-renda-dos-mais-pobres-diz-ibge.shtml, acessado em 17/11/2015) sobre a redução da desigualdade no Brasil.
No artigo, foi apontado que entre 2014 e 2013 existiu uma redução da desigualdade no país do rendimento do trabalho e tal resultado deveria ser comemorado como resultado positivo, pois os Brasil ficou mais igualitário. Se olharmos os números com atenção vamos claramente perceber que inexistem motivos para comemorar. Entre 2014 e 2013 a renda do trabalho dos 10% mais pobres aumentou 4,1% enquanto a renda dos 10% mais ricos diminuiu 0,4%, e a renda dos 1% mais ricos caiu 3,4%. Ao olhar para estes números, muitos vão afirmar que ocorreu uma redução da desigualdade em 2014.
Existem várias mentiras contadas por estes números. A redução da renda do trabalho dos chamados 1% mais ricos (cerca de dez vezes o salário mínimo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos, DIEESE) revelou o país estava entrando em recessão e que no futuro próximo a renda dos mais pobres seria afetada negativamente. O aumento da renda do trabalho dos 10% mais pobres é um aspecto positivo. No entanto, ele esconde que a renda em 2014 foi de R$ 256 na média mensal e ela é cerca de 15% do salário mínimo do DIEESE.
A medição da desigualdade esconde uma realidade perversa no Brasil que é que a renda do trabalho é muito. A renda de apenas 256 Reais na extremidade inferior mostra que o trabalho está sendo inviabilizado no país. É um valor muito baixo para o trabalho de um mês em relação a renda mínima necessária para sobreviver no país. A parcela da redução da desigualdade resultante da redução de uma renda dos 1% mais ricos mostra apenas que o Brasil está promovendo a precarização do emprego e trabalho.
O restante da redução da desigualdade pelo aumento da renda dos 10% mais pobres não representa motivo algum de comemoração, pois é um aumento em cima de uma base muito baixa. Quando olhamos em valores absolutos a redução da desigualdade da renda do trabalho (Em 2013 a diferente entre os 10% mais ricos e os 10% mais pobres era de 7.183 – 246 = 6.937 e em 2014 a diferença era de 7.154 – 256 = 6.898, ou seja, a diferença era de aproximadamente 6,93 mil e caiu para aproximadamente 6,90 mil) fica claro que o resultado alcançado é absolutamente medíocre.
O Brasil não está avançando na direção do progresso. O que o país está fazendo é inviabilizando o trabalho. Este é o motivo porque é preciso ter em mente o objetivo do indicador citado pelo Roberto Cohen. Reduzir a renda de todos os trabalhadores para zero certamente torna o indicador da desigualdade altamente igualitário. Infelizmente ele resulta na eliminação do trabalho no pais. A redução da desigualdade deve ser bancada pelo aumento da renda dos 10% mais pobres em um patamar bem acima do aumento da renda dos 10% mais ricos. Só assim o indicador tem significado relevante para a economia nacional.
terça-feira, 17 de novembro de 2015
terça-feira, 22 de setembro de 2015
Como a falta de governança fez a Petrobrás perder 60 bilhões de dólares
Apesar do assunto governança não ser uma novidade no Brasil, ainda existem muitos questionamentos sobre a sua viabilidade econômica. Em todas as minhas palestras sempre tem pessoas perguntando se a governança não é mais um modismo como tantos que existiram e ainda existem no Brasil ou se ela é apenas um custo e burocracia obrigatória que reduz a flexibilidade da gestão corporativa e lucro do negócio. Eu sempre ilustro os benefícios da governança através de exemplos reais nas minhas apresentações. Os intermináveis anos de governo do partido dos trabalhadores vem produzindo uma enorme gama de exemplos dos prejuízos causados pela falta de governança na sua empresa estrela. A Petrobras.
Não é mistério algum que a Petrobras sofreu prejuízo bilionário com os escândalos de corrupção. No entanto, eles não conseguem justificar o tamanho da perda do valor de mercado da Petrobras em um período de tempo tão curto. No último dia de 2010 o valor da empresa era de 228 bilhões de dólares e em 12 de setembro de 2015 era de 28 bilhões de dólares. É uma perda espetacular em um prazo muito curto, considerando que a empresa possui um enorme volume de reserva de petróleo. Todo bom boiadeiro sabe que precisa cuidar de cada um dos seus bois, no entanto, ele também sabe que ao cuidar de um boi ele não pode perder a visão e gestão da boiada.
As perdas por corrupção da Petrobras expressam exatamente o desafio do boiadeiro. É preciso apurar e punir todos os casos de corrupção sem que exista comprometimento da diretriz estratégica do negócio. Infelizmente este não foi o caso da Petrobras. O volume de dinheiro perdido pela empresa por falhas de governança alcançou a casa de sessenta bilhões de dólares. O artigo "Falhas em governança custarão até US$ 59 bi à Petrobras, diz estudo" (http://economia.uol.com.br/noticias/reuters/2015/09/10/falhas-em-governanca-custarao-ate-us59-bi-a-petrobras-diz-estudo.htm, acessado em 22/09/2015) revelou que a inexistência da governança corporativa impactou a diretriz estratégica do negócio em bilhões de dólares. A empresa perdeu 31 bilhões de dólares em causas tributárias, 17 bilhões de dólares ativos baixados na contabilidade por conta de projetos fracassados e 8 bilhões de dólares em processos civis e trabalhistas. Claramente o sistema de informações corporativas não está funcionando em um patamar mínimo de efetividade.
Quem toma as decisões ou não dispõe de informações corretas ou executa uma gestão sem consistência. O conselho gestor da administração existe para questionar as decisões tomadas e estabelecer rotas corretivas. Fica claro que os mecanismos de governança da empresa não funcionam, pois em nenhum os acionistas foram informados que existem tantas falhas graves nas informações divulgadas. Nunca chegou ao mercado a informação que a Petrobras poderia estar perdendo 60 bilhões de dólares por causa de erros internos da gestão. É fato que a empresa não conseguiu em momento algum estar aderente as ferramentas de gerenciamento das informações como o CobiT e iTil. Ou seja, tudo o que foi investido na governança de TIC foi jogado no lixo. Nada disto funcionou e o mercado reagiu desvalorizando o valor da empresa em 200 bilhões de dólares.
Não é mistério algum que a Petrobras sofreu prejuízo bilionário com os escândalos de corrupção. No entanto, eles não conseguem justificar o tamanho da perda do valor de mercado da Petrobras em um período de tempo tão curto. No último dia de 2010 o valor da empresa era de 228 bilhões de dólares e em 12 de setembro de 2015 era de 28 bilhões de dólares. É uma perda espetacular em um prazo muito curto, considerando que a empresa possui um enorme volume de reserva de petróleo. Todo bom boiadeiro sabe que precisa cuidar de cada um dos seus bois, no entanto, ele também sabe que ao cuidar de um boi ele não pode perder a visão e gestão da boiada.
As perdas por corrupção da Petrobras expressam exatamente o desafio do boiadeiro. É preciso apurar e punir todos os casos de corrupção sem que exista comprometimento da diretriz estratégica do negócio. Infelizmente este não foi o caso da Petrobras. O volume de dinheiro perdido pela empresa por falhas de governança alcançou a casa de sessenta bilhões de dólares. O artigo "Falhas em governança custarão até US$ 59 bi à Petrobras, diz estudo" (http://economia.uol.com.br/noticias/reuters/2015/09/10/falhas-em-governanca-custarao-ate-us59-bi-a-petrobras-diz-estudo.htm, acessado em 22/09/2015) revelou que a inexistência da governança corporativa impactou a diretriz estratégica do negócio em bilhões de dólares. A empresa perdeu 31 bilhões de dólares em causas tributárias, 17 bilhões de dólares ativos baixados na contabilidade por conta de projetos fracassados e 8 bilhões de dólares em processos civis e trabalhistas. Claramente o sistema de informações corporativas não está funcionando em um patamar mínimo de efetividade.
Quem toma as decisões ou não dispõe de informações corretas ou executa uma gestão sem consistência. O conselho gestor da administração existe para questionar as decisões tomadas e estabelecer rotas corretivas. Fica claro que os mecanismos de governança da empresa não funcionam, pois em nenhum os acionistas foram informados que existem tantas falhas graves nas informações divulgadas. Nunca chegou ao mercado a informação que a Petrobras poderia estar perdendo 60 bilhões de dólares por causa de erros internos da gestão. É fato que a empresa não conseguiu em momento algum estar aderente as ferramentas de gerenciamento das informações como o CobiT e iTil. Ou seja, tudo o que foi investido na governança de TIC foi jogado no lixo. Nada disto funcionou e o mercado reagiu desvalorizando o valor da empresa em 200 bilhões de dólares.
quinta-feira, 13 de agosto de 2015
Custo marginal zero
Existe
um aspecto que é pouco comentado e percebido na era dos aplicativos, mas é
fundamental para explicar porque o seu crescimento foi catapultado. Na era do
conhecimento o custo marginal da entrega de uma segunda unidade de um software
é praticamente zero. As entregas do Windows 10 sem custo para os clientes de
Windows 7 e 8.1 são o melhor exemplo do custo marginal zero. A Microsoft está
atualizando os computadores com Windows 7 e 8.1 para o novo sistema operacional
sem a necessidade de comprar uma nova licença de sistema operacional.
Ela
não está fazendo isto por bondade, a Microsoft faz porque o seu custo marginal
destas entregas é zero. Os novos computadores e equipamentos com Windows 10 tem
embutido no seu preço o custo da licença do sistema operacional. Na prática, os
fornecedores da era dos aplicativos estão fazendo as contas e descobrindo como
ganhar mais dinheiro e mercado. No caso do Windows, a atualização oferece uma
oportunidade rara para a Microsoft. Em primeiro lugar ela faz com que os usuários
(na maioria satisfeitos) do Windows 7 migrem para a nova versão e instalem nos
seus computadores a loja virtual de aplicativos da Microsoft. Por ser uma base
de usuários grande e por eles estarem satisfeitos com os recursos do Windows 7,
um processo migratório natural levaria anos. A oferta de migração vai reduzir
enormemente este prazo.
Estes
usuários que já estavam satisfeitos com a plataforma Microsoft tem agora à sua
disposição uma loja onde o fabricante vai poder oferecer uma enorme quantidade
de aplicativos com custo marginal zero ou seja lucro marginal enorme. Ao
contrário do ambiente Windows 7 onde a Microsoft precisava de uma estrutura
física com custo marginal elevado e lucro marginal pequeno para vender seus
aplicativos, ela pode com o Windows 10 vender os mesmos aplicativos com custo
marginal zero e lucro marginal elevado.
No
Windows 10, a Microsoft fez algo que era impensável para ela até poucos dias
atrás. Ao introduzir na nova versão do sistema operacional a atualização
automática, a Microsoft resolve um problema grave que ela convive por décadas.
Com uma base padronizada, acabam os problemas de compatibilidade com diversos
níveis de atualização do sistema operacional. Os aplicativos tinham que ser
desenvolvidos para funcionar com diversos níveis de atualização do sistema
operacional. Sempre foi um desenvolvimento caro e complexo. Com o sistema de
atualização automática obrigatória existe uma enorme redução da complexidade e
do respectivo do desenvolvimento de aplicativos no Windows 10.
Os
antigos problemas de compatibilidade são eliminados. Os seus respectivos custos
também. Não é difícil perceber que a atualização gratuita não é uma bondade da
Microsoft, ela é uma estratégia que explora os benefícios do custo marginal
zero do software. Existem milhares de outros exemplos de custo marginal zero na
era dos aplicativos. O mais clássico é o do Smartphone onde o mesmo hardware
combinado com os vários sensores muda completamente a funcionalidade do
aparelho. Um software de fotografia faz do Smartphone uma máquina fotográfica,
uma aplicação de temperatura torna o aparelho em um termômetro e assim
sucessivamente. Cada um dos softwares tem custo marginal zero e produz lucro
marginal elevado. As televisões inteligentes conectadas são outro exemplo de
equipamentos da era do conhecimento. Hoje em dia é possível encontrar uma gama
enorme de equipamentos desta linha. São geladeiras, carros, lâmpadas, máquinas
de lavar e secar, elevadores, colheitadeiras, aviões e etc. Por incrível que
possa parecer, o BNDES não está incentivando explicitamente nenhum projeto da
economia dos aplicativos que é o setor de maior lucratividade da economia
mundial em 2015. Para um pais em crise que só fala em aumentar a sua carga
tributária que já supera 40% do PIB é o que podemos chamar de estratégia sem
lógica com enorme desconforto cerebral.
segunda-feira, 3 de agosto de 2015
Perda produtividade causada por falha de TI - caso real
Eu
já havia comentado anteriormente o problema da perda de produtividade em
supermercados por causa das falhas de Tecnologia de Informações e Comunicações
(TIC). O artigo “Reclamações por falsas promoções em supermercados crescem 34%
no país” (http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2015/08/1663648-queixas-de-consumidor-surpreendido-no-caixa-por-preco-maior-sobem-34.shtml,
acessado em 03/08/2015) revelou que os clientes de gigantes do varejo estão
reclamando com intensidade das promoções nos supermercados. Foi afirmado que o Wanderson
escolheu a promoção de iogurte "pague 5 e leve 6" ao preço de R$ 9,90
no supermercado. Quando ele conferiu a nota, ele descobriu que pagou R$ 12,95. Alguns
dias depois, o mesmo problema aconteceu de novo.
O
artigo afirmou que as promoções apresentadas nas gôndolas dos supermercados não
viram realidade nos caixas dos mesmos. Os clientes mais atentos estão
reclamando e por causa das interrupções para averiguar o preço correto do
produto, as filas nos caixas estão aumentando e a produtividade dos
funcionários está caindo. O problema é que o sistema do caixa não recebe a
atualização das promoções e por isto cobra um valor diferente do exposto. Cada reclamação
implica em interromper o fluxo da fila de clientes para averiguar o valor
correto, estornar o valor antigo e registrar o valor correto. Isto é tempo do
funcionário e do cliente que é jogado no lixo. Pelo efeito multiplicador do
defeito uma inteira cadeia de perda econômica é iniciada.
Para
um setor que faz questão de cobrar entre oito e dez centavos por uma sacolinha,
a perda de produtividade do funcionário por uma falha tão elementar de TIC deveria
estar na pauta de prioridade absoluta, pois o estorno e novo registro tem
custos adicionais de processamento e energia elétrica. Mas a perda total não é
apenas de produtividade. Existe uma perda da confiança do consumidor na idoneidade
do supermercado e um estímulo para troca de fornecedor. O aparecimento destes
problemas de solução tão simples vai cada vez mais levar o brasileiro para o
colo de multinacionais americanas capacitadas.
O
país que atravessa uma recessão elevada precisa aproveitar este momento para
rever as suas falhas e impedir a sua recorrência. Bilhões de Reais podem ser
economizados com o pleno funcionamento da TIC nacional. Já passou da hora do
governo federal que tanto fala em cortes e aumento de impostos, olhar com
seriedade as perdas da economia nacional e traçar uma rota corretiva. Não tenho
dúvida de que o ajuste fiscal seria muito facilitado e menos dolorido com a
eliminação do retrabalho, perdas e desperdícios causados por TIC.
A TRANSFORMAÇÃO PROVOCADA PELA ERA DOS APLICATIVOS NA COMPETIÇÃO EMPRESARIAL
Os chamados produtos inteligentes conectados são a principal consequência da era dos aplicativos ou da economia dos Application Programming Interfaces (APIs). Daqui há alguns anos teremos o questionamento sobre quem nasceu primeiro? O produto inteligente conectado ou o aplicativo? Em 2015 é muito fácil responder que quem nasceu primeiro foi o Smart Connected Product. Primeiro nasceram os smartphones e depois vieram os aplicativos. Os primeiros smartphones como o HTC Touch com sistema operacional Windows Mobile 6.0 Pocket PC Professional eram limitados em termos de aplicativos e conectividade. Após o lançamento do iPhone em 2007 o cenário mudou completamente. Foi o início da era dos aplicativos.
Os produtos inteligentes conectados vieram à superfície com intensidade na segunda década do século XXI. Produtos como televisores, carros, lâmpadas, geladeiras, lavadoras, colheitadeiras e etc. viraram smart ou inteligentes. Se no início existia apenas o smartphone, agora temos produtos da linha smart como smartTV, o smartcarro, a smartpanela, entre outros. Estas mudanças não foram apenas cosméticas, elas implicaram em uma profunda mudança na estratégia competitiva das empresas. As firmas contam agora com produtos cujo o hardware é inteligente através de sensores e processamento e é cada vez mais padronizado (custo marginal por unidade produzida cada vez menor). O valor agregado do smart connected product para o cliente está, no software. Para os fabricantes, o software dos produtos é o diferencial competitivo.
Em outras palavras, a indústria de todos os setores está deixando de ser uma produtora de hardware para ser uma desenvolvedora de software. É uma transformação radical, porque a produtividade da mão de obra do hardware é visível e contável e a do software é invisível e incontável (pelo menor diretamente). Não é possível na era do conhecimento do software saber exatamente se o desenvolvimento dos produtos está na capacidade máxima da organização ou se existe alguma ociosidade. Na era do conhecimento é preciso existir um novo formato de liderança que seja capaz de conquistar os funcionários.
A manutenção que antigamente era apenas das peças desgastadas ou defeituosas muda com a necessidade de análise da configuração do produto e do seu software. É preciso um nível de capacitação muito maior para sobreviver neste novo mercado. Os produtos inteligentes conectados vão lançar o desafio aos fabricantes de conviver com diversas versões de sistema operacional e aplicativos (fabricantes de computadores vivem este desafio por décadas). O hardware padronizado vai por conta das versões, configurações e sensores criar centenas de variações para o mesmo produto.
Como os consumidores também tem elevado nível de criatividade, muitas aplicações do smart connected product que não foram previstas ou planejadas vão submergir e desafiar os fabricantes. Se os milhares de sensores serão capazes de realizar tarefas de manutenção preventiva e diagnóstico, eles também vão demandar por maior conhecimento dos analistas do call center. A grande quantidade de opções vai exigir que o perfil profissional seja de uma pessoa objetiva e centrada na necessidade específica do cliente.
Acabou a era do call center padronizado via scripts previamente definidos. Os produtos inteligentes conectados vão gerar diferenciações importantes. E por causa disto vão provocar incertezas onde existiam certezas. Um melhor atendimento pós-venda vai ser capaz de gerar mais vendas. Uma maior pobreza intelectual corporativa do call center vai afetar negativamente o faturamento. Não serão centavos, mas milhões ou bilhões de reais. Um analista de call center que for capaz de identificar uma solução de contorno enquanto o cliente espera a resolução do problema vai ser disputado intensamente pelas empresas. Como já não existem barreiras geográficas para este tipo de serviço, o mercado de trabalho será globalizado em um nível muito acima do que conhecemos atualmente.
O conhecimento dos diversos perfis de uso do equipamento inteligente vai fazer a diferença comercial e empresarial na era do conhecimento. Não serão soluções robotizadas ou padronizadas que vão atender as necessidades dos clientes. Vai ser preciso fazer muito mais do que isto. As empresas precisarão cada vez mais de bases de conhecimento eficazes e eficientes que os analistas vão terão que dominar. Tao importante quanto saber uma resposta será saber onde encontrar a resposta correta. Não existe mais espaço para soluções de base de conhecimento do call center onde apenas 15% dos itens de conhecimentos são utilizados. O universo conspira e exige números bem maiores para o Knowledge-Centered Support (KCS).
É claro que os produtos inteligentes conectados vão exigir novas soluções de segurança. Onde os dados dos sensores ficarão armazenados? Dentro do equipamento ou em uma nuvem ou em ambos? Existirão demandas por backup e restore? Quem vai analisar os logs do firewall? Produtos conectados exigem a presença de uma barreira de fogo contra ameaças externas. Já existem diversos relatos de problemas de segurança em carros e aviões causados por vulnerabilidades no software.
O artigo “Falha em software exige recall de 65 mil carros da Jaguar Land Rover” (http://computerworld.com.br/falha-em-software-exige-recall-de-65-mil-carros-da-jaguar-land-rover, acessado em 03/08/2015) revelou que as portas abriam sozinhas. O artigo “Carro inteligente é alvo fácil de hackers, diz relatório” (http://veja.abril.com.br/noticia/vida-digital/hackers-conseguem-invadir-quase-todos-carros-conectados-do-mercado/, acessado em 03/08/2015) revelou que a maioria dos carros conectados na internet são vulneráveis aos ataques dos hackers. O artigo “Invasão de sistema de avião por hacker ressalta problemas mais graves da indústria (http://tecnologia.uol.com.br/noticias/reuters/2015/05/25/invasao-de-sistema-de-aviao-por-hacker-ressalta-problemas-mais-graves-da-industria.htm, acessado em 03/08/2015) que um avião conectado foi invadido.
É evidente que a demanda por segurança nos produtos inteligentes conectados será crescente e terá que ser atendida em algum nível pelo call center. O nome da organização poderá mudar para service desk ou central de atendimento, mas mudando ou não mudando de nome, o call center vai mudar de atuação e de importância corporativa.
Na realidade da era dos aplicativos, as empresas que vendiam colheitadeiras são agora vendedoras de software. A cadeia produtiva da firma muda de sentido nesta transformação. A cadeia regida pelas entradas, operações, saídas, marketing e vendas e pós-vendas passa a ser influenciada pelas informações internas e externas. Por exemplo, a entrada do fabricante vai precisar considerar componentes que até pouco tempo não faziam parte dos insumos necessários para a produção. É preciso ter como entrada no processo produtivo o acesso dos clientes e os dados capturados. A dimensão da informação foi anexada ao processo produtivo para que os clientes recebam um produto que enderece a sua necessidade.
A operação vai realizar a montagem dos diversos componentes e sensores em um único equipamento em função da configuração definida no processo de venda. Em breve teremos migrações de equipamentos inteligentes antigos para novos e será preciso contemplar o histórico. Não será muito diferente da troca em 2015 de um computador. O novo equipamento herda via restore as informações do computador antigo.
O marketing, vendas e pós-vendas serão integrados em um único espaço virtual em função das informações de uso, manutenção e etc. Linhas de equipamentos serão integradas em sistemas maiores para suprir as necessidades dos clientes. No caso das fazendas que usam mais do que colheitadeiras, elas serão integradas em um sistema maior que usará informações dos sensores externos ao equipamento sobre a previsão do tempo, temperatura, velocidade e direção dos ventos, sistema de irrigação, preço atual e futuro da safra, fertilização da terra, otimização das sementes e etc.
Estamos falando de uma nova camada de software que vai planejar a operação da fazenda com base nas informações capturadas pelos diversos equipamentos. Os sensores das colheitadeiras, irrigadoras, fertilizadoras e etc. vão formar uma rede muito parecida com uma rede de computadores para formar um sistema dos diversos sistemas inteligentes. A colheitadeira inteligente que integra o sistema pode alimentar o sistema com informações sobre o solo e agregar mais um valor para o fazendeiro. É o mesmo hardware oferecendo informações extras via sensores. O mecanismo de competição entre os diversos fabricantes de colheitadeiras fica profundamente alterado com as máquinas inteligentes conectadas.
O modelo de cinco forças competitivas do Michael E. Porter revela que os smart connected products mudam completamente a lógica da competição empresarial. O poder de barganha dos compradores é combatido pela diferenciação do produto que leva a negociação para um patamar acima do preço. Ao conhecer como os consumidores usam o produto, o fabricante pode oferecer níveis de customização ainda maiores e aumentar o valor agregado. A rivalidade entre os concorrentes passa a ser decidida pela diferenciação e valor agregado. É possível oferecer produtos customizados para clientes individuais com preço competitivo. A ameaça de novos entrantes é combatida por uma elevada estrutura de custo fixo causada pela complexidade do produto inteligente e pelas diversas camadas de tecnologia. A ameaça de produtos substitutos é combatida pelo desempenho superior do produto customizado e pela dificuldade de migar a base de dados do uso histórico do produto para um novo fabricante. O poder de barganha dos fornecedores é combatido pelo elevado valor que o software tem em relação aos componentes físicos padronizados. Existem casos os componentes físicos podem ser substituídos por módulos de software.
terça-feira, 28 de julho de 2015
2015: O ano da queda dos ícones
Foi
muito triste presenciar em 2015 a queda do ícone da democracia. Poucos dias
após o plebiscito grego que rejeitou o pacote de austeridade proposto pelos seus
credores, o parlamento da Grécia aprovou uma nova versão do pacote mais austera
e rígida. No pacote de privatização aprovado, o parlamento aceitou perder a sua
autonomia e independência na gestão do fundo de privatização. O artigo “Grécia
tem ilhas à venda a partir de R$ 7,5 milhões; conheça algumas opções” (http://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2015/07/23/grecia-tem-ilhas-a-venda-a-partir-de-r-75-milhoes-conheca-algumas-opcoes.htm, acessado em
23/07/2015) afirmou que o país pensa vender as suas ilhas e ruínas.
O
que era para ser uma festa da democracia virou um festival de muitas bravatas e
bazófias. Se era para aprovar os termos da zona do euro com justificativa de
que era o único caminho possível, então para que promover tanto sacrifício ao
povo pelo fechamento dos bancos e gastar tanto dinheiro e esperança com o
plebiscito? A Grécia terra da democracia perdeu credibilidade e charme com as
bravatas dos seus dirigentes. Era melhor assumir desde o começo a realidade
possível e causar menos desconforto para os aposentados e cidadãos.
Na
área de TI outros ícones estão caindo por conta de bravatas e bazófias. Muitos
falsos profetas prometem mundos e fundos com Knowledge-Centered Support (KCS),
autosserviço e automações. Na realidade prática estas promessas nunca foram
entregues e os ícones de credibilidade e capacitação da organização de Tecnologia
de Informações e Comunicação (TIC) estão ruindo. O crescimento exponencial da TIC
invisível é a prova viva de que cada vez mais usuários estão contratando
soluções de tecnologia sem informar ou consultar a organização de tecnologia da
sua empresa.
Algumas
das fundações tradicionais de TIC estão ruindo com estas novas práticas. O
gerenciamento da capacidade dos recursos de TIC está enfrentando o dinamismo da
nuvem elástica. Se é possível aumentar ou reduzir os recursos de TIC conforme a
demanda então porque é preciso gerenciar a capacidade? Muitas destas perguntas
como estão sendo respondidas pela nova TIC. Ícones de gestão como o IT
Infrastructure Library (ITIL®) e o Control Objectives for
Information and Related Technology (COBIT®) estão caindo em desuso
por causo do intenso dinamismo dos processos da transformação digital.
O
autosserviço está gerando perdas enormes para a central de serviços. São raros
os profissionais de TIC que conseguem justificar objetivamente a presença do Service
Desk nas redes sociais. Infelizmente, os congressos especializados que deveriam
trazer à tona os temas mais modernos estão cada vez mais presos as redundâncias
do passado. O congresso HDI de 2015 parecia um seminário sobre KCS. A maioria
das apresentações era sobre o tema. O assunto já foi mais do que debatido pelo mercado.
Com tantos desafios novos para a organização de tecnologia, o KCS é uma
redundância completa. Uma das palestras era um estudo de caso Mega Sistemas apresentada
pelo Giuliano Machado. A postagem “HDI 2015 – Como foi o maior congresso de
suporte técnico do Brasil – parte 2” (http://www.4hd.com.br/blog/2015/07/08/hdi-2015-como-foi-o-maior-congresso-de-suporte-tecnico-do-brasil-parte-2/, acessado em
22/07/2015) revelou a afirmação do Machado que afirmou que 60 a 85% dos itens
de conhecimento não são utilizados.
Qual
a vantagem de pagar caro para assistir a que foi considerada a melhor palestra
do congresso pelo Roberto Cohen e receber um conteúdo que revelou que apenas
15% dos itens de conhecimento foram utilizados? Qual investidor ou empresário
vai querer investir em uma empresa de tecnologia nacional que joga fora 85% do
projeto realizado. Qual diretória vai comprar treinamento para a sua equipe em
um evento onde o que foi considerado como melhor foi um estudo de caso com
aproveitamento de apenas 15% do investimento do projeto? O que as pessoas
aprendem em eventos assim? Não é muito melhor contratar os congressos da HDI
dos Estados Unidos e colocar a sua equipe em contato com conteúdo do ano de
2015 e com casos de sucesso? As empresas querem copiar os exemplos que
alcançaram mais de 80% de sucesso não 15%.
sexta-feira, 24 de julho de 2015
A grande mudança parte II
Na primeira parte do artigo foram
tratadas as questões funcionais da grande mudança. Nesta segunda parte serão
abordados os aspectos monetários. Acredito que todos reconhecem que a
transformação digital é uma realidade em 2015. No entanto, diversos aspectos da
era do conhecimento ou da reputação estão sendo negligenciados no Brasil. O
BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) vem investindo uma
grande parte do seu capital monetário e intelectual em empresas escolhidas como
campeãs brasileiras. O Brasil pouco ou nada ganhou com o gigantesco subsídio
dado pelo BNDES nos empréstimos destinados para as empresas do Eike batista, OI
e JBS.
A chamadas campeãs nacionais vem
oferecendo um retorno econômico e social negativo ou nulo. Não existe logica
alguma na manutenção desta estratégia. Ao mesmo tempo em que dezenas de bilhões
de reais foram subsidiados nos empréstimos para as consideradas pelo governo
brasileiro como empresas campeãs, pouco ou nada foi destinado para a
transformação digital. Lamentavelmente, inexistiu a percepção que diversas
empresas de perfil similar ao Facebook seriam criadas durante a introdução da
economia compartilhada por jovens sem capital financeiro e monetário, mas com
muito capital intelectual.
O sistema bancário nacional não foi e
ainda não é capaz de identificar e contabilizar o capital intelectual
individual, por isto ele não oferece financiamento aos jovens empreendedores
desprovidos de ativos físicos. Este é um dos motivos porque nenhuma das grandes
empresas da economia compartilhada nasceu no Brasil. A nossa participação
empresarial neste segmento gigantesco é praticamente nula. Simplesmente
assistimos ao nascimento de empresas como a Netflix, Uber, AirBnB e etc. Não
existiu em momento algum a percepção de que a identificação de uma oportunidade
como o Facebook, Twitter, AirBnB e etc. seria feita um jovem. Eles estavam
sentindo na pele as dificuldades causadas pela ausência das ferramentas
sociais. Não ter dinheiro para pagar o alto custo dos torpedos SMS, foi o
motivador para a criação do WhatsApp. Os adultos tinham planos de celular com
SMS ilimitado e por isto demoraram tanto para entender a necessidade.
Os jovens que identificaram e
protagonizam as oportunidades como o Facebook, Twitter e etc. precisaram do
apoio técnico e logístico das universidades e financeiro do sistema econômico.
No Brasil, a maioria dos jovens não tem acesso a nenhum destes apoios. Da mesma
forma que é preciso estar na pele de um jovem para sentir oportunidades do
perfil do Facebook é preciso pertencer a faixa etária mais avançada para
entender as oportunidades derivadas do crescimento da expectativa de vida.
Novamente estamos diante do mesmo problema. Existem muitas iniciativas, mas
quase nenhuma “finalizativa”. O sistema financeiro enxerga como um problema as
propostas empresariais do empreendedor de cabelo branco. Ele teme empresta, pois
acha que vai perder o capital por óbito do solicitante.
Se um empreendedor acima de 50 anos for
buscar capital de risco nos eventos de startups no Brasil, ele vai descobrir a
intensidade do preconceito contra o cabelo branco. Vai ser chamado de vovô e
será ignorado pelos investidores. É evidente que tal comportamento e velado e
desmentido pelo mercado. O BNDES precisa agir como o banco de fomento definido
na sua missão e entender que o mercado mudou. Jovens de 12 anos são
na realidade da era do conhecimento empreendedores, assim como as pessoas acima
de 50 anos. É preciso agir pelo fomento social e oferecer capital de risco para
estes empreendedores do conhecimento. É evidentemente que apenas alguns dos
projetos vão vingar, mas esta é a natureza do capital de risco. Muitas das
empresas que receberam empréstimos subsidiados pelo contribuinte brasileiro tem
acesso ao mercado internacional. É preciso que o BNDES equalize melhor a
divisão desta conta e internalize as características mais marcantes da
transformação digital.
O artigo “Brasil precisa de investidor
que aceite risco, afirma especialista” (http://classificados.folha.uol.com.br/negocios/2015/07/1647645-brasil-precisa-de-investidor-que-aceite-risco-afirma-especialista.shtml, acessado em 24/07/2015) revelou que o investidor
brasileiro tem receio de investir nas empresas iniciantes, prefere investir na
empresas de alto faturamento e a falta de interesse do capital privado nacional
é um dos principais obstáculos para o crescimento das empresas iniciantes no
Brasil. O depoimento do especialista mostra claramente que o dinheiro BNDES é
mais necessário para as empresas iniciantes do que as campeãs. As gigantes
conseguem capital barato em diversos lugares. As iniciantes simplesmente não
nascem. O país está perdendo muito.
terça-feira, 30 de junho de 2015
A grande mudança Parte I
Infelizmente foi preciso ocorrer
um acidente fatal para que a realidade mundial do ano de 2015 fosse revelada no
Brasil. O artigo “Sertanejos protestam após crítica de Zeca Camargo sobre
Cristiano Araújo” (http://musica.uol.com.br/noticias/redacao/2015/06/29/sertanejos-protestam-apos-critica-de-zeca-camargo-sobre-cristiano-araujo.htm,
acessado em 30/06/2015) deixa claro que para uma boa parte dos brasileiros, só
existe vida na mídia tradicional. Este é o real motivo para o completo
desconhecimento pelo apresentador Zeca Camargo do cantor Cristiano Araújo que
tem ampla penetração no território nacional. Alguns tentaram fazer deste
episódio mais um capítulo do marco político “nós contra eles”. Mais uma vez o erro
é grosseiro.
O que existe na realidade é
mais do mesmo, ou seja, mais uma vez setores importantes da economia nacional
estão negando uma realidade que está batendo na porta do Brasil. O cantor Cristiano
Araújo conseguiu uma marca expressiva de audiência graças ao seu trabalho de
divulgação nas mídias sociais. Muitos no Brasil desejam que a forja de ídolos tenha
caminho único na mídia tradicional. Este mundo já não existe mais. As redes
sociais também forjam ídolos.
É uma nova estrutura no jogo
do poder onde o Facebook, Twitter, Instagram e etc. retiram parte do poder das
empresas de mídia tradicionais. Este é o motivo que explica que um cantor
desconhecido pela mídia nacional seja um sucesso estrondoso para um público
alvo numeroso. A transformação digital que está sendo negada pela mídia
tradicional pode levar este setor para uma crise sem precedentes. Mudanças
semelhantes já ocorreram no passado e as empresas dominantes foram substituídas
por startups mais bem adaptadas para a realidade. Ainda existe tempo hábil para
as mudanças, mas é preciso uma nova atitude.
O artigo “Brasil leva prêmio
inédito em Cannes; campanhas 'do bem' dominam festival” (http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2015/06/1648782-brasil-leva-premio-maximo-de-cannes-campanhas-do-bem-dominam-festival.shtml,
acessado em 30/06/2015) revelou o pensamento do Fernando Musa, presidente da
Ogilvy Brasil (maior vencedor de leões em 2015): “Somos um país atrasado, pois
alcançamos uma boa performance apenas no tradicional. Nas categorias da
transformação digital (inovação, Cyber, Mobile) o desempenho foi pífio. ”
O Brasil precisa urgentemente
acordar e entender que estamos no ano calendário de 2015. A transformação
digital chegou para valer e está alterando a estrutura de poder da sociedade. A
desigualdade do poder onde apenas uns poucos detinham todo o poder de informar,
influenciar e inovar está com os seus dias contados. As mídias sociais estão
permitindo que cada vez o talento intelectual supere as barreiras de recursos financeiros
escassos e alcance um lugar compatível com a sua capacitação.
De uma forma quase surrealista
ainda existem forças que estão negando a transformação digital e levando o país
para o atraso. A Câmara Municipal de São Paulo está votando o PL 349/2014 que proíbe
o uso de carros particulares cadastrados em aplicativos para transporte
remunerado de pessoas. Os Estados Unidos iniciaram a sua recuperação econômica após
a crise de confiança de 2008 estabelecendo o pilar da economia compartilhada. O
Brasil que vive uma recessão intensa está na maior cidade do país votando um
projeto de lei que impede o compartilhamento.
Não existe nada mais
inteligente e humano do que permitir que as pessoas que perderam os seus empregos
pela crise que elas não criaram através do compartilhamento dos seus recursos.
A economia nacional ganha com isto, as pessoas conseguem exercer uma atividade
remunerada que assegure um nível mínimo de renda e a cidade de São Paulo ganha como
um todo pela movimentação dos agentes econômicos. Em vez de carros parados nas
garagens, podemos ter mobilidade urbana de alto nível com mais renda e
impostos.
Toda e qualquer política anticíclica
de recessão deve apoiar, estimular e incentivar a economia compartilhada como
pilar da recuperação. É uma causa social também porque todos os que trabalham
nas corporações conhecem os problemas do preconceito ao cabelo branco. Pessoas
com mais de 40 anos estão sendo o principal alvo das demissões e recessão de
2015. Quanto maior for nível de compartilhamento maior será o nível de inclusão
social.
Mas os benefícios não param
por aí. Ao seguir padrões de elevada qualidade para a prestação de serviços
como os determinados pela Uber, a mobilidade urbana ganha qualidade e
qualificação. Motoristas adequadamente trajados com polidez dirigindo carros
limpos em situação de total respeito à legislação do transito são capazes de
mudar a triste realidade da estimativa 10 milhões de infrações de trânsito por
hora em São Paulo publicada no artigo “Pesquisa da CET estima haver 10 mi de
infrações de trânsito por hora em SP” (http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2015/06/1644437-pesquisa-da-cet-estima-haver-10-mi-de-infracoes-de-transito-por-hora-em-sp.shtml,
acessado em 30/06/2015).
Claramente uma padronização
rigorosa da qualidade da mobilidade urbana pode ao mesmo tempo minimizar para
os trabalhadores os terríveis efeitos da recessão de 2015 e 16 e reduzir os
graves conflitos existentes no transito da cidade de São Paulo. Todos esperam
que a Câmara Municipal de São Paulo cumpra o seu papel de qualificar cada vez
mais a economia do compartilhamento.
quinta-feira, 7 de maio de 2015
Business-Defined IT
O Brasil vem apresentando desde a primeira
década do século XXI graves problemas no entendimento do real significado dos
serviços de Tecnologia de Informações e Comunicações (TIC). Estas dificuldades
foram agravadas com a era dos aplicativos. Para alguns, o país ainda vive a era
dos advogados. O caso descrito no artigo “Justiça suspende Uber no Brasil e
exige bloqueio de app em celulares” (http://idgnow.com.br/mobilidade/2015/04/29/justica-suspende-uber-no-brasil-e-exige-bloqueio-de-app-por-apple-e-google/, acessado em 05/05/2015) revela a intensidade do
problema.
O artigo
afirmou que o juiz Roberto Luiz Corcioli Filho da 12a Vara Cível do Tribunal de
Justiça do Estado de São Paulo determinou na terça-feira dia 28 de abril de
2015 a suspensão do aplicativo de transportes Uber no Brasil e ordenou que as
empresas Google, Apple, Microsoft e Samsung retirem o aplicativo das suas lojas
em tempo real de apps e impossibilitem remotamente a utilização do aplicativo
Uber pelos usuários que já instalaram o app.
A minha primeira pergunta sobre a
determinação é: “O que seria a suspenção remota pelas empresas Google, Apple,
Microsoft e Samsung do aplicativo de transportes Uber no Brasil?”. Se a
“suspenção remota” implicar em alterar as configurações ou os programas do
aparelho do usuário sem a sua autorização e conhecimento isto significa que
existirá uma invasão. Da mesma forma que no mundo real invadir uma propriedade
privada é crime, no mundo virtual também é. Invadir e promover alterações no
aparelho do usuário como suspender remotamente a execução de um aplicativo é
equivalente ao crime de vandalismo do mundo real. Será que existe entendimento
disto pelo juiz?
A minha segunda pergunta sobre a liminar é:
“As empresas Google, Apple, Microsoft e Samsung tem recursos técnicos para
suspender remotamente sem conhecimento e autorização do usuário um aplicativo
comprado nas suas lojas virtuais?”. Se a resposta for positiva, então o pilar
privacidade do Marco Civil de Internet do Brasil é uma peça de ficção
(Atualmente um celular armazena informações sobre a saúde dos usuários, senhas,
documentos pessoais e empresariais, fotos e etc. O que impede que as empresas Google,
Apple, Microsoft e Samsung capturarem ouras informações privadas, corporativas
e pessoais nos celulares? Qual garantia de privacidade os usuários tem?) Se a
resposta for negativa, então qual o sentido da determinação. Será que o juiz
Roberto Luiz Corcioli Filho tem conhecimento destas implicações?
A minha terceira pergunta é bastante
singular: “No endereço http://www.amazon.com/Uber-com-Uber/dp/B00NF3UFSG, acessado em 06/05/2015 eu encontrei o aplicativo de
transportes Uber na loja em tempo real de apps da Amazon. No entanto, o juiz Corcioli
não determinou a suspenção remota do aplicativo pela empresa Amazon. Será que o
juiz e advogado do Sindicato dos Taxistas de SP sabem que existem outras lojas
virtuais de aplicativos além das empresas Google, Apple, Microsoft e Samsung?”
Se a resposta for positiva, porque endereçaram na liminar apenas quatro
empresas. Se for negativa, qual efetividade eles esperam de ações assim. Será
que eles imaginam que a empresa Google é capaz de suspender remotamente um
aplicativo instalado através da loja virtual da Amazon?
A quarta pergunta consegue ser mais singular
que a terceira. A Uber é uma empresa de tecnologia que conecta as pessoas com
os motoristas. Em outras palavras, a empresa exerce o papel de um carteiro que
entrega mensagens. Se o juiz entende que existem ilegalidades, então elas são
cometidas pelos motoristas. A pergunta que não quer calar é: Porque o juiz não
suspendeu as atividades dos motoristas? Ele poderia exigir da Uber a lista dos
motoristas cadastrados e suspender as atividades de motorista de cada um deles.
Por incrível que possa parecer quinta e
última pergunta supera em estranheza todas as outras. Os aplicativos instalados
nos celulares acessam os servidores da Uber. Para suspender os serviços desta
empresa no Brasil, basta que a rede nacional não roteie os pacotes os
servidores. A minha última pergunta sobre este caso é: Porque o juiz não
relacionou no seu despacho que as empresas provedoras de internet no Brasil
bloqueiem o endereço IP dos servidores da Uber? Não seria uma medida menos
intrusiva do que exigir a suspenção remota do aplicativo nos celulares dos
usuários? Não seria uma medida mais direta e melhor direcionada? Será que o
juiz e advogado do sindicato tem conhecimento que existem ações mais efetivas
para a suspenção do aplicativo?
Resumo
No Brasil da era dos advogados é comum exigir do carteiro
que apenas entrega as cartas a responsabilização pelo seu conteúdo. Existem
diversos processos que caminham nesta linha onde o alvo são empresas como Google,
Apple, Microsoft, Samsung e etc. O país precisa urgentemente aprender que o
autor da mensagem é o real e único responsável pelo seu conteúdo. Se existem
falhas no caso da Uber, as mesmas são da responsabilidade dos motoristas. Não é
razoável punir a empresa de tecnologia ou os usuários.
O caso Uber é muito semelhante ao WhatsApp no Brasil (“Juiz
do Piauí determina suspensão do aplicativo WhatsApp no Brasil”, http://idgnow.com.br/internet/2015/02/25/juiz-do-piaui-determina-suspensao-do-aplicativo-whatsapp-no-brasil/, acessado em 06/05/20115 e “Desembargador derruba
decisão de juiz que queria suspender WhatsApp no país”, http://tecnologia.uol.com.br/noticias/redacao/2015/02/26/desembargador-derruba-decisao-de-juiz-que-queria-suspender-whatsapp-no-pais.htm, acessado em 06/05/2015).
A decisão do bloqueio durou nos dois casos algumas poucas
dias. Também no caso Uber existiu a revogação das medidas contra a empresa. O
artigo “Justiça de São Paulo extingue ação de taxistas contra aplicativo Uber”
publicado em 04/05/2015 (http://tecnologia.uol.com.br/noticias/reuters/2015/05/04/justica-de-sao-paulo-extingue-acao-de-taxistas-contra-aplicativo-uber.htm, acessado em 06/05/2015) revelou que a liminar foi
revogada em menos de uma semana, pois a Justiça de São Paulo extinguiu na segunda-feira
dia 04/05/2015 a ação dos taxistas. Considerando o excesso de trabalho e de ações em
curso no judiciário seria interessante que a era dos advogados entenda melhor a
era dos aplicativos para aumentar a efetividade do poder judiciário nacional.
É claro que foge do escopo desta postagem criticar as
decisões do poder judiciário. O objetivo é mostrar que o mundo atravessa por um
novo momento econômico que está sendo definido pelo software. No meu ponto de
vista, a maior explicitação que estamos vivendo à pleno vapor a era dos
aplicativos é o artigo “Novo aplicativo permite que usuários façam panelaço com
smartphone” (http://idgnow.com.br/internet/2015/05/06/novo-aplicativo-permite-que-usuarios-facam-panelaco-com-smartphone/, acessado em 06/05/2015). No domingo, dia Internacional
da Mulher, 8 de março de 2015, os brasileiros bateram panelas durante o
pronunciamento da presidente Dilma Rousseff para explicitar o seu descontentamento
com o governo dela.
No programa do PT veiculado em rede de nacional de televisão
na noite da terça-feira dia 5 de maio de 2015 já existiam pessoas utilizando
aplicativos como o iPanelaço (Novo aplicativo permite que usuários façam
panelaço com smartphone, http://idgnow.com.br/internet/2015/05/06/novo-aplicativo-permite-que-usuarios-facam-panelaco-com-smartphone/, acessado em 06/05/2015) para expressar o seu
descontentamento com o governo do PT. Em menos de 60 dias foram desenvolvidos e
publicados nas lojas virtuais de aplicativos vários aplicativos como “Kit
Panelaço" (10 de março), “Panelaço" (18 de março), "Panelaço
App" (6 de abril), "Panelaço & Vuvuzela" (10 de abril) e "Panelaço
Brasil" (5 de maio) para que a população manifeste a sua insatisfação sem
estragar as suas panelas.
Todos os que um dia já se aventuraram nos projetos de desenvolvimento
de software sabem que o tempo entre identificar uma oportunidade de negócio e
entregar uma aplicação funcionando é no melhor caso de 90 dias. Na era dos
aplicativos este prazo caiu drasticamente, após a identificação de uma
oportunidade de negócio em 08/03/2015, o desenvolvedor publicou em 10/03/2015 o
aplicativo “Kit Panelaço". O prazo é de impressionantes dois dias. A era
dos aplicativos está neste crescimento espetacular por causa dos seus prazos
extremamente reduzidos. O reduzido indicador “time to market” resultante da
filosofia do negócio definido pelo software é sem sombra de dúvida a essência da
era das aplicações.
quinta-feira, 23 de abril de 2015
Novo 7 a 1
A
corrupção é apontada pela maioria dos brasileiros como a principal causa da
pobreza nacional. Muitos querem auditorias na dívida pública e outras medidas
para recuperar as perdas pela corrupção e resolver os problemas dos
brasileiros. O balanço recém divulgado pela Petrobras (Com perdas em corrupção,
Petrobras tem prejuízo de R$ 22 bi em 2014, http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2015/04/1619695-com-perdas-em-corrupcao-petrobras-tem-prejuizo-de-r-21-bi-em-2014.shtml,
acessado em 23/04/15) é uma ferramenta bastante didática para revelar o tamanho
do problema da corrupção e da falta da engenharia.
O
balanço revelou perdas por corrupção de 6,194 bilhões de Reais e perdas por
reavaliação de ativos de 44,345 bilhões. Perdas por reavaliação de ativos
significam na linguagem da rua que a empresa gastou dinheiro bom em projetos
ruins e perdeu dinheiro, ou seja, o projeto gerou um resultado financeiro menor
do que foi gasto para a sua realização. Este é um caso típico de engenharia
pobre ou ausente. Faz parte da engenharia a avaliação financeira e econômica de
um projeto para que o mesmo gere um resultado positivo (no popular é mais dinheiro
no bolso). É claro que podem existir projetos de resultado negativo no
portfólio que são estratégicos e por causa disto são aprovados.
Eles
são apresentados com transparência no plano de negócios da empresa e são
justificados com argumentos não financeiros. No entanto, este não é o caso da
Petrobras. Os projetos não eram estratégicos eram apenas ruins. A falta da
engenharia causou uma perda de 44,345 bi contra 6,194 bi da corrupção, ou seja,
o custo da destruição da engenharia brasileira é sete vezes maior que o da
corrupção. Para que se tenha ideia do tamanho da perda pela destruição da
engenharia, o tamanho do ajuste fiscal do país inteiro é de 66,3 bi (Governo
lançará campanha publicitária sobre o ajuste fiscal, http://www1.folha.uol.com.br/poder/2015/04/1613097-governo-lancara-campanha-publicitaria-sobre-o-ajuste-fiscal.shtml,
acessado em 23/04/15). Sem as perdas da falta de engenharia de apenas uma
empresa, o ajuste cairia para 21,955 bi, ou seja, redução de 66%. Imagine o
ganho que o Brasil teria mantendo uma engenharia rica na Petrobras e Eletrobrás?
São apenas duas empresas. Provavelmente o ajuste fiscal de arrocho salarial e
perda dos direitos trabalhistas seria evitado.
É
evidente nos números que o ator protagonista da pobreza brasileira é a falta da
engenharia, a corrupção é uma estrela de sexta grandeza. Da mesma forma que existiram
perdas pela falta de engenharia na Petrobras, elas também estão presentes na Eletrobrás
(conta de luz subiu mais de 40%), nos hospitais, nas escolas e etc. Não devemos
entender que as perdas pela destruição da engenharia acontecem apenas no
governo e nas empresas estatais. Elas estão presentes nas empresas privadas com
grande intensidade. Eu já avaliei milhares de projetos com falhas graves de
engenharia e com retorno negativo. Basta olhar para as obras civis, farmácias,
restaurantes e etc. que vamos encontrar operações altamente ineficientes e
caras. Este é na realidade o real custo Brasil.
São
centenas de bilhões de reais jogados no lixo anualmente por causa de uma
engenharia pobre. O país poderia estar muito mais próximo da riqueza da Coréia
do Sul ou Cingapura ou outro emergente se tivesse levado à sério o problema da
engenharia. Espero que o balanço da Petrobras ilumine a cabeça dos brasileiros
para o real problema que causa a pobreza nacional. Como lembrete final as
perdas pela destruição da engenharia foram de 44 bi enquanto as perdas pela
corrupção foram de 6 bi. Destruição da engenharia 7 x corrupção 1. Mais uma
derrota de 7 a 1 do Brasil.
quarta-feira, 22 de abril de 2015
Terceirizações
Apesar de já ter escrito sobre terceirizações
em diversos momentos, muitos estão perguntando o que eu acho sobre o projeto de
lei (PL 4330) que estabelece um novo entendimento sobre as terceirizações no
Brasil. Eu entendo que o atual projeto de lei teria sido muito útil no Brasil
de 1990. Como estamos em 2015, a proposta é mais uma perda de tempo da
sociedade brasileira. Após a votação do projeto que está caminhando cada vez mais
para o “nós contra eles”, teremos um lado vencedor e um perdedor. Provavelmente,
o Brasil vai passar décadas discutindo a lei das terceirizações. Mais uma vez
reforço que em 1990 o PL poderia ter sido útil, no entanto em 2015 ele é inútil
e ultrapassado.
O Brasil deve focar os seus parcos esforços
em discutir porque o crescimento do PIB é tão pífio. Não existem recursos para discutir
inutilidades. Para os que não perceberam o mundo mudou para o modelo “como um
serviço” graças a economia dos aplicativos. O sentido de discutir terceirizações
na área fim de uma empresa é nulo. Infelizmente muitos despreparados estão com
voz ativa no debate do projeto de lei e estão propagando falácias como
benefícios da lei da terceirização (“A terceirização gera empregos ou precariza
relações de trabalho?”, http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2015/04/150413_terceirizacao_entenda_ru,
acessado em 22/04/15). Porque o nível de emprego aumentaria? Se os graves
problemas da economia brasileira não forem resolvidos o país não cresce.
Transferir empregos da empresa para a empresa terceirizadora não altera o nível
de emprego.
Os problemas educacionais que travam a
produtividade da economia não serão resolvidos com a terceirização. Em outras
palavras, a proposta do projeto de lei não é capaz de mudar o nível de emprego.
Nem para cima, nem para baixo. A redução de custo propagandeada por alguns é
bastante questionável. O avanço da competividade sugerido pelos defensores da
lei foge de qualquer análise logica. O Brasil não é competitivo no exterior
porque os produtos e serviços apresentam qualidade e qualificação bem abaixo da
chinesa por exemplo. O mesmo acontece no mercado interno. A China derrotou o
Brasil dentro e fora do país porque foi capaz de realizar uma engenharia capacitada.
O Brasil perdeu mercados pela destruição da engenharia nacional. Não é o custo
do trabalho o problema. Isto significa que a lei das terceirizações não vai
resolver este problema. É só mais uma falácia contada pelos que desconhecem a
realidade brasileira.
Não é difícil identificar os que
desconhecem a realidade e afirmam que a lei das terceirizações resolvem os
problemas. O respeitável colunista Samuel Pessôa publicou o artigo “A lei da
terceirização é positiva” no jornal folha de São Paulo em 19 de abril de 2015 (http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mercado/216567-a-lei-da-terceirizacao-e-positiva.shtml,
acessado em 22/04/15). No artigo ele afirmou: “O projeto de lei 4.330 tem por
objetivo permitir que empresas especializadas em colheita e outras
especializadas na aplicação de inseticidas, e assim sucessivamente, possam ser
criadas.”. Ele estabeleceu uma série de relações negativas para a economia
brasileira em função da atual impossibilidade de existir uma empresa que
aplique inseticida como um serviço.
Infelizmente os problemas e respectivos
benefícios da lei das terceirizações citados não são corroborados pela
realidade nacional. Ele afirmou que um agricultor não pode atualmente contratar
uma empresa especializada na aplicação de inseticida porque o arcabouço legal
não permite e apenas com a nova lei isto será possível e a economia vai ganhar.
O mesmo jornal folha de São Paulo
publicou em 2011 o artigo Citricultores de SP rateiam custos com pulverização (http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mercado/me2607201119.htm,
acessado em 22/04/15) revelando que os agricultores contrataram pulverização
como um serviço sem ferir a legislação trabalhista vigente (O texto do artigo
era: “Os citricultores da região de Araraquara e São Carlos, a de maior
incidência do greening em São Paulo, estão formando "consórcios" para
ratear os custos do combate à doença, que provoca perda da qualidade da fruta.”).
Em outras palavras os ganhos de produtividade alegados como benefícios pela lei
das terceirizações já estão presentes na economia nacional.
Todos os outros casos citados pelo articulista
são possíveis no arcabouço legal atual e alguns deles como o caso das colheitadeiras
e pulverizações já existem. O mundo como um serviço é parte integrante da
realidade brasileira. Isto significa que os casos inexistentes não são
consequência de restrições legais, mas sim de um ambiente que inviabiliza este
tipo de empreendimento. Apesar das inconsistências com a realidade nacional, o
texto aponta para um ponto crucial da falta de competividade nacional e que
deveria ser alvo de análise por articulistas respeitáveis como o Samuel. Ele
apontou no texto citar as dificuldades do uso compartilhado de recursos. A raiz
do crescimento dos EUA pós crise de 2008 é a “sharing economy” ou economia do compartilhamento. Em
vez de perder tempo com um projeto de lei ultrapassado seria melhor resolver as
barreiras existentes para o compartilhamento.
Isto sim traria os benefícios
propagandeados pelos defensores da lei da terceirização. A questão da falta de
competividade pela ausência de engenharia pode ser facilmente percebida na
produção da Apple no Brasil. Apesar de todas as desonerações, incentivos e etc.
(Brasil terá smartphone até 25% mais barato no fim do ano, diz ministro, http://g1.globo.com/economia/noticia/2012/09/brasil-tera-smartphone-ate-25-mais-barato-no-fim-do-ano-diz-ministro.html,
acessado em 22/04/15) o iPhone 6 mais caro do mundo é produzido no Brasil (Brasil
tem o iPhone 6 mais caro do mundo, aponta pesquisa, http://computerworld.com.br/brasil-tem-o-iphone-6-mais-caro-do-mundo-aponta-pesquisa,
acessado em 22/04/15). Como o custo da mão de obra é muito mais caro na
Alemanha, França, Estados Unidos e etc. que no Brasil fica claro que o problema
de custo elevado não é resultado do custo da mão de obra. Ou seja, mais uma vez
os fatos provam que o problema da competitividade não será resolvido com a lei
da terceirização. Ela simplesmente não produz este benefício alegado pelos
especialistas.
A
maior demonstração de falta de conhecimento da realidade está no artigo “A
terceirização gera empregos ou precariza relações de trabalho?” (“Tanto Peluso
quanto Salvato acreditam que a possibilidade de as empresas terceirizarem suas
atividades pode ajudá-las a se tornar mais eficientes. Segundo eles, isso seria
verdade tanto para a terceirização das atividades-meio - por exemplo, a
segurança, a limpeza e os serviços de TI - quanto das atividades-fim.”). Os
especialistas consideraram os serviços de TI como área meio dos negócios. Neste
ponto reside o maior problema e solução dos desafios nacionais. O artigo “Gartner
diz que, agora, 'todas as empresas são empresas de tecnologia'” (http://idgnow.com.br/ti-corporativa/2013/12/19/gartner-diz-que-agora-todas-as-empresas-sao-companhias-de-tecnologia/,
acessado em 22/04/15) e “Gartner: nenhuma indústria passará ilesa à revolução
digital” (http://computerworld.com.br/gartner-nenhuma-industria-passara-ilesa-revolucao-digital,
acessado em 22/04/15) revelam os serviços de TI são área fim de todas as empresas.
Claramente, a terceirização de TI em nada contribuiu para o avanço das empresas
brasileiras nos últimos anos. Desde o nascimento da era dos aplicativos na década
passada praticamente nada foi conquistado pelos empreendimentos nacionais em
termos de mercado mundial. A falta de engenharia é o fator chave do problema
produtividade.
Eu não sou contra a terceirização. Ela
pode ser um enorme aliado para trabalhadores e empresários. No entanto, o PL
4330 é só uma lei do atraso. O Brasil está perdendo um tempo precioso ao
discutir algo que deveria ter sido analisado em 1990. Em 2015 estas conversas
são inúteis. Espero que o congresso acorde e olhe em que ano estamos. Não é
preciso ser nenhum Einstein para perceber que existem falhas elementares e
graves em todos os negócios do Brasil. Se um décimo da energia gasta na lei das
terceirizações fosse gasto na eliminação de erros básicos o país sairia
rapidamente do drama do pibinho
quarta-feira, 1 de abril de 2015
Como sair do PIBINHO para o PIBÃO?
Como todos sabem o ano de 2014 foi de crescimento pífio do PIB brasileiro (“Economia brasileira cresce 0,1% em 2014, pior resultado em 5 anos, diz IBGE”, http://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2015/03/27/pib-2014.htm, acessado em 01/04/2015). No entanto, existem setores que escaparam das garras do governo do PIB mínimo. Um deles é o comércio eletrônico. Os dados consolidados revelam que o crescimento do e-commerce foi digno de um país de PIB máximo como a China (26%. Fonte: “Brasil.com.br, que País é esse?”, http://computerworld.com.br/brasilcombr-que-pais-e-esse, acessado em 01/04/2015).
O que gerou efeito tão espetacular em uma economia tão deprimida? Um dos motivos é a estatística. Como a base não é tão grande é possível crescer com força com um nível básico de acerto empresarial. Não tem sentido avançar neste aspecto, porque ele é um mero efeito aritmético. O segundo motivo do crescimento é bem mais interessante. O Brasil é um país com graves problemas distributivos e por conta disto existem cidades que sequer tem uma banca de jornal. O comércio eletrônico está avançando no país, porque ele consegue oferecer produtos e serviços inexistentes em diversos lugares. Na medida de velocidade do avanço da banda larga, o e-commerce vai crescendo. Como as carências nacionais geraram uma enorme demanda, existe um espaço de crescimento gigantesco para o comércio digital.
O mundo virtual permite comparações instantâneas de preços e disponibilidades e por causa disto pode corrigir distorções do mundo físico. Um exemplo atual mostra porque o negócio digital é capaz de crescer exponencialmente. Com a epidemia da dengue em São Paulo em 2015, os estoques de repelentes do mosquito ficaram esgotados nas farmácias da capital paulista. Como a epidemia não está presente nos estados do sul do Brasil, muitos paulistas estão comprando os repelentes nas lojas de Porto Alegre (“Avanço da dengue cria corrida por repelentes em SP”, http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2015/03/1609533-avanco-da-dengue-cria-corrida-por-repelentes-em-sp.shtml, acessado em 01/04/2015). Sem o negócio digital, seria muito difícil e caro realizar tais transações. Se a digitalização do negócio tem este impacto no crescimento do país, então porque não existem políticas públicas de facilitação da criação deste ambiente?
Com toda a sinceridade eu não consigo entender e responder esta pergunta. Parece que é óbvio, mas desde o início efetivo da digitalização do negócio em 2008, o governo do Brasil vem ignorando por completo o potencial econômico deste novo formato de fazer negócios. Nem mesmo o consistente crescimento expressivo do setor consegue sensibilizar o governo nacional. A única movimentação organizada foi o Marco Civil de Internet que exige diversas regulamentações não feitas e já tem defensores da não regulamentação de esquisitices propostas na lei aprovada (“Como regulamentar o Marco Civil?”, http://www1.folha.uol.com.br/fsp/tec/214157-como-regulamentar-o-marco-civil.shtml, acessado em 01/04/2015)
O Brasil ainda não percebeu que o país criou uma armadilha para o seu crescimento ao promover uma enorme concentração de pessoas em São Paulo. O processo de concentração iniciado nos anos 1960 resultou em mais de 20% da população residindo em cerca de 3% do território nacional. Os recursos naturais estão sendo exauridos ao mesmo tempo que o desenvolvimento de 97% do país está sendo inibido. A concentração em São Paulo leva a situação perversa onde o desenvolvimento está focado em uma região com razoável nível de avanço, pois a grande massa potencializa o lucro e a maior parte do território nacional tem que duelar ferozmente para conseguir algum desenvolvimento. o principal motivo de cidades razoavelmente populosas não terem uma banca de jornal está profundamente relacionado com esta absurda concentração populacional. O atual partido no poder além de nada fazer para resolver o problema da concentração, faz o oposto: Incentiva a concentração e restringe o crescimento do PIB brasileiro.
A digitalização dos negócios tem a propriedade de mudar esta dinâmica. É possível agora estabelecer uma banca de jornal em uma cidade pequena e expandir o negócio para as cidades próximas pela Internet. Em diversos lugares do Brasil já existem as condições de infraestrutura. O que está faltando é a capacitação. E não é apenas para banca de jornal. É possível avançar em áreas complexas como a medicina. Já é possível fazer exames oftálmicos via remota em tempo real. Neste modelo, a infraestrutura é uma perna e a capacitação é a outra.
Para resolver o problema da capacitação, o governo pode adotar medidas simples e coerentes como pactuar no contrato do fies a obrigatoriedade de trabalhar em local determinado pelo estado por cinco anos. É uma forma inteligente e justa de resolver o problema de concentração populacional em São Paulo ao mesmo tempo em que leva capacitações para as pequenas cidades. A consequência da melhor distribuição do conhecimento é um rearranjo econômico que é capaz de produzir um ciclo de crescimento sustentável de longo prazo para o PIB brasileiro. O governo Dilma 2 está com a faca e o queijo na mão. É só ter a competência de fazer acontecer.
O que gerou efeito tão espetacular em uma economia tão deprimida? Um dos motivos é a estatística. Como a base não é tão grande é possível crescer com força com um nível básico de acerto empresarial. Não tem sentido avançar neste aspecto, porque ele é um mero efeito aritmético. O segundo motivo do crescimento é bem mais interessante. O Brasil é um país com graves problemas distributivos e por conta disto existem cidades que sequer tem uma banca de jornal. O comércio eletrônico está avançando no país, porque ele consegue oferecer produtos e serviços inexistentes em diversos lugares. Na medida de velocidade do avanço da banda larga, o e-commerce vai crescendo. Como as carências nacionais geraram uma enorme demanda, existe um espaço de crescimento gigantesco para o comércio digital.
O mundo virtual permite comparações instantâneas de preços e disponibilidades e por causa disto pode corrigir distorções do mundo físico. Um exemplo atual mostra porque o negócio digital é capaz de crescer exponencialmente. Com a epidemia da dengue em São Paulo em 2015, os estoques de repelentes do mosquito ficaram esgotados nas farmácias da capital paulista. Como a epidemia não está presente nos estados do sul do Brasil, muitos paulistas estão comprando os repelentes nas lojas de Porto Alegre (“Avanço da dengue cria corrida por repelentes em SP”, http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2015/03/1609533-avanco-da-dengue-cria-corrida-por-repelentes-em-sp.shtml, acessado em 01/04/2015). Sem o negócio digital, seria muito difícil e caro realizar tais transações. Se a digitalização do negócio tem este impacto no crescimento do país, então porque não existem políticas públicas de facilitação da criação deste ambiente?
Com toda a sinceridade eu não consigo entender e responder esta pergunta. Parece que é óbvio, mas desde o início efetivo da digitalização do negócio em 2008, o governo do Brasil vem ignorando por completo o potencial econômico deste novo formato de fazer negócios. Nem mesmo o consistente crescimento expressivo do setor consegue sensibilizar o governo nacional. A única movimentação organizada foi o Marco Civil de Internet que exige diversas regulamentações não feitas e já tem defensores da não regulamentação de esquisitices propostas na lei aprovada (“Como regulamentar o Marco Civil?”, http://www1.folha.uol.com.br/fsp/tec/214157-como-regulamentar-o-marco-civil.shtml, acessado em 01/04/2015)
O Brasil ainda não percebeu que o país criou uma armadilha para o seu crescimento ao promover uma enorme concentração de pessoas em São Paulo. O processo de concentração iniciado nos anos 1960 resultou em mais de 20% da população residindo em cerca de 3% do território nacional. Os recursos naturais estão sendo exauridos ao mesmo tempo que o desenvolvimento de 97% do país está sendo inibido. A concentração em São Paulo leva a situação perversa onde o desenvolvimento está focado em uma região com razoável nível de avanço, pois a grande massa potencializa o lucro e a maior parte do território nacional tem que duelar ferozmente para conseguir algum desenvolvimento. o principal motivo de cidades razoavelmente populosas não terem uma banca de jornal está profundamente relacionado com esta absurda concentração populacional. O atual partido no poder além de nada fazer para resolver o problema da concentração, faz o oposto: Incentiva a concentração e restringe o crescimento do PIB brasileiro.
A digitalização dos negócios tem a propriedade de mudar esta dinâmica. É possível agora estabelecer uma banca de jornal em uma cidade pequena e expandir o negócio para as cidades próximas pela Internet. Em diversos lugares do Brasil já existem as condições de infraestrutura. O que está faltando é a capacitação. E não é apenas para banca de jornal. É possível avançar em áreas complexas como a medicina. Já é possível fazer exames oftálmicos via remota em tempo real. Neste modelo, a infraestrutura é uma perna e a capacitação é a outra.
Para resolver o problema da capacitação, o governo pode adotar medidas simples e coerentes como pactuar no contrato do fies a obrigatoriedade de trabalhar em local determinado pelo estado por cinco anos. É uma forma inteligente e justa de resolver o problema de concentração populacional em São Paulo ao mesmo tempo em que leva capacitações para as pequenas cidades. A consequência da melhor distribuição do conhecimento é um rearranjo econômico que é capaz de produzir um ciclo de crescimento sustentável de longo prazo para o PIB brasileiro. O governo Dilma 2 está com a faca e o queijo na mão. É só ter a competência de fazer acontecer.
segunda-feira, 30 de março de 2015
Qual a diferença entre expor uma vulnerabilidade e invadir um site?
Qual a barreira que separa o legítimo direito de saber que as suas informações pessoais estão protegidas contra acesso não autorizado e invadir um site? O caso do colégio Bandeirantes (Vazam na Internet dados sigilosos de alunos de escola tradicional de SP, http://idgnow.com.br/internet/2015/03/19/vazam-na-internet-dados-sigilosos-de-alunos-de-escola-tradicional-de-sp/, acessado em 30/03/2015) é um claro exemplo de que o Brasil está atrasado em termos da segurança digital. Ao divulgar um vídeo sobre como acessar informações sobre os alunos, um estudante foi suspenso pela direção da escola sob a alegação de ter invadido o site do colégio. Os outros estudantes protestaram contra tal medida.
A primeira coisa que precisa ficar muito clara é que as informações sobre uma pessoa pertencem à esta pessoa e portanto os alunos deveriam ter o direito de acessar os comentários dos professores sobre eles. Se tal acesso é permitido pela escola aos pais então eles deveriam ter oferecido tais informações aos seus filhos ou deveriam ter exigido que os donos das informações tivessem acesso a elas.
Claramente, a falta de transparência gerou a curiosidade e incentivou o trabalho de pesquisa sobre como acessar. Ter divulgado um vídeo sobre como fazer o acesso, não pode ser considerado como o infringimento de qualquer norma e regulamento. Uma escola atenda ao seu dever de educar e proteger os alunos, teria visto o vídeo e corrigido imediatamente a porta aberta. Se o caso ganhou tal dimensão foi porque a escola tinha uma política de segurança falha. Qualquer um que armazene informações sobre terceiros tem a obrigação de manter práticas de segurança efetivas contra acesso não autorizado. Se a escola não tem condições de manter uma engenharia de segurança capacitada no seu quadro de funcionários então ele não deve disponibilizar informações sobre terceiros pela Internet.
O caso revela muito mais do que os artigos dizem. Os pais devem verificar as políticas de segurança para as informações acessíveis pela Internet. Foi demonstrada a capacitação de um aluno curioso, mas poderia muito bem ter ocorrido à malícia de um ataque de criminosos interessados nestas informações para fins ameaçadores. Por respeito aos envolvidos não vou revelar o que poderia ser feito com tais informações, mas posso assegurar que vários danos no mundo real poderiam ter sido causados.
Ao invés de suspender o aluno que divulgou o vídeo e enfrentar protestos, a escola deveria ter submetido para os seus alunos diversas aulas de segurança digital. Pode parecer inocente e inteligente, mas a escolha de divulgar um vídeo sobre como acessar as informações gerou uma exposição desnecessária da vida privada deles e poderia ter gerado problemas graves. É preciso instruir este aluno que ele deveria ter mostrado a falha de segurança para os seus pais imediatamente a sua descoberta e estes deveriam ter exigido uma correção imediata do problema ou a desconexão destes servidores da Internet. Ele colocou todos os alunos em situação de risco. Punir o aluno não é uma solução. A escola que deveria proteger os alunos falhou e deve assumir o seu erro.
O aluno que descobrir vulnerabilidade no site da escola deve informar os pais em primeiro lugar, porque eles precisam saber que a escola está falhando na segurança digital. Os pais devem exigir transparência na segurança digital através de auditorias externas e testes de invasão. Da mesma forma que a escola responde pela limpeza e segurança física dos alunos perante os pais e responsáveis, a segurança digital deve ser alvo de tais cuidados. Os alunos do Bandeirantes que estão acostumados com carros blindados e até escolta devem também ser acostumados com proteções no mundo virtual. Como a mesma falha pode estar presente em outras escolas seria adequado que toda a sociedade cobre auditórias e políticas de segurança das escolas que oferecem acesso as informações dos alunos pela Internet.
Alunos, governos e pais estão inseridos em um novo mundo. É preciso que todos entendam que segurança digital não é apenas um antivírus nos computadores. É preciso cobrar das escolas que elas apresentem proteções contra acessos não autorizados 24 horas por dia e 365 dias por anos. As escolas nacionais abrigam as futuras lideranças do Brasil. A divulgação de informações não autorizadas pode prejudicar a carreira destes jovens no futuro. O caso do colégio Bandeirantes é um dos primeiros com grande repercussão, no entanto não é o único. As escolas armazenam imagens de câmeras e diversas informações que pertencem aos alunos. Os pais e educadores da escola tem o pleno direito de acesso às estas informações para oferecer a melhor educação possível para os alunos. As escolas têm o dever de assegurar que apenas acessos autorizados sejam permitidos.
A primeira coisa que precisa ficar muito clara é que as informações sobre uma pessoa pertencem à esta pessoa e portanto os alunos deveriam ter o direito de acessar os comentários dos professores sobre eles. Se tal acesso é permitido pela escola aos pais então eles deveriam ter oferecido tais informações aos seus filhos ou deveriam ter exigido que os donos das informações tivessem acesso a elas.
Claramente, a falta de transparência gerou a curiosidade e incentivou o trabalho de pesquisa sobre como acessar. Ter divulgado um vídeo sobre como fazer o acesso, não pode ser considerado como o infringimento de qualquer norma e regulamento. Uma escola atenda ao seu dever de educar e proteger os alunos, teria visto o vídeo e corrigido imediatamente a porta aberta. Se o caso ganhou tal dimensão foi porque a escola tinha uma política de segurança falha. Qualquer um que armazene informações sobre terceiros tem a obrigação de manter práticas de segurança efetivas contra acesso não autorizado. Se a escola não tem condições de manter uma engenharia de segurança capacitada no seu quadro de funcionários então ele não deve disponibilizar informações sobre terceiros pela Internet.
O caso revela muito mais do que os artigos dizem. Os pais devem verificar as políticas de segurança para as informações acessíveis pela Internet. Foi demonstrada a capacitação de um aluno curioso, mas poderia muito bem ter ocorrido à malícia de um ataque de criminosos interessados nestas informações para fins ameaçadores. Por respeito aos envolvidos não vou revelar o que poderia ser feito com tais informações, mas posso assegurar que vários danos no mundo real poderiam ter sido causados.
Ao invés de suspender o aluno que divulgou o vídeo e enfrentar protestos, a escola deveria ter submetido para os seus alunos diversas aulas de segurança digital. Pode parecer inocente e inteligente, mas a escolha de divulgar um vídeo sobre como acessar as informações gerou uma exposição desnecessária da vida privada deles e poderia ter gerado problemas graves. É preciso instruir este aluno que ele deveria ter mostrado a falha de segurança para os seus pais imediatamente a sua descoberta e estes deveriam ter exigido uma correção imediata do problema ou a desconexão destes servidores da Internet. Ele colocou todos os alunos em situação de risco. Punir o aluno não é uma solução. A escola que deveria proteger os alunos falhou e deve assumir o seu erro.
O aluno que descobrir vulnerabilidade no site da escola deve informar os pais em primeiro lugar, porque eles precisam saber que a escola está falhando na segurança digital. Os pais devem exigir transparência na segurança digital através de auditorias externas e testes de invasão. Da mesma forma que a escola responde pela limpeza e segurança física dos alunos perante os pais e responsáveis, a segurança digital deve ser alvo de tais cuidados. Os alunos do Bandeirantes que estão acostumados com carros blindados e até escolta devem também ser acostumados com proteções no mundo virtual. Como a mesma falha pode estar presente em outras escolas seria adequado que toda a sociedade cobre auditórias e políticas de segurança das escolas que oferecem acesso as informações dos alunos pela Internet.
Alunos, governos e pais estão inseridos em um novo mundo. É preciso que todos entendam que segurança digital não é apenas um antivírus nos computadores. É preciso cobrar das escolas que elas apresentem proteções contra acessos não autorizados 24 horas por dia e 365 dias por anos. As escolas nacionais abrigam as futuras lideranças do Brasil. A divulgação de informações não autorizadas pode prejudicar a carreira destes jovens no futuro. O caso do colégio Bandeirantes é um dos primeiros com grande repercussão, no entanto não é o único. As escolas armazenam imagens de câmeras e diversas informações que pertencem aos alunos. Os pais e educadores da escola tem o pleno direito de acesso às estas informações para oferecer a melhor educação possível para os alunos. As escolas têm o dever de assegurar que apenas acessos autorizados sejam permitidos.
domingo, 29 de março de 2015
Gerenciamento financeiro do Service Desk - Básico
A crise econômica tem como virtude a
revisão de práticas e atitudes operacionais. O ajuste fiscal do Brasil de 2015
é uma crise de tal dimensão que os seus efeitos não cabem no ano. Em 2016 e 2017,
os brasileiros ainda estarão sentindo as consequências da crise de 2015. O Service
Desk vem se movimentando com vigor na direção do gerenciamento financeiro no
primeiro trimestre de 2015. Muitos estão encerrando a fase romântica da gestão por
tentativa e erro e assumiram que precisam de números reais e concretos para
oferecer melhorias para os seus clientes.
Dos questionamentos que tenho recebido,
o mais frequente é como calcular o custo de um chamado. Alguns usam o
ultrapassado método de usar as horas registradas em uma planilha para calcular
o custo de um chamado. Em poucos segundos foi demonstrado para estes gestores
os graves erros de tal procedimento. Não existiu necessidade de explicitar o
resultado fracassado do modelo utilizado, porque todos já perceberam na boca do
seu caixa que a bufunfa mingou.
A crise eliminou o efeito ilusório da
circulação monetária no caixa do Service Desk e o expôs a dureza dos números.
Um gestor resolveu justificar o uso da planilha de horas alegando que 80% dos
custos da sua empresa eram referentes aos recursos humanos. Eu provei em alguns
segundos que tal resultado é impossível diante da carga tributária brasileira. Como
não tinha sentido avançar a análise em caso de falta de descumprimento da
legislação nacional, eu expliquei que a vida é muito curta para passarmos uma
grande parte com medo de fiscais da receita e trabalhistas. As vezes a proposta
de negócio é inviável. Neste caso, o melhor a fazer é aprender mais sobre o Service
Desk ou escolher atuar em uma área da atividade econômica mais básica.
Tipicamente uma empresa gasta 20 a 30%
do seu custo total em comunicação, em torno de 20% em propaganda e marketing e
ainda existem os custos da contabilidade, infraestrutura, impostos e etc. No
caldeirão dos custos, uma empresa de Service Desk ou serviços gasta cerca de
60% do seu custo total em ações que não podem ser custeadas diretamente para um
cliente ou serviço. Os gastos em propaganda e marketing são essenciais para que
a empresa não fique refém de um único cliente. Mesmo que ele seja muito grande
é um risco enorme.
A importância da propaganda e marketing
é elevada em qualquer tipo e tamanho de negócio. No entanto, o básico da gestão
diz que é preciso estar preparado contra imprevistos. Isto significa que é
necessário fazer uma provisão contra devedores duvidosos. Os anos seguintes a
2015, vão ser marcados pela continuidade da crise. A real crise que é de
confiança apenas começou e empresas de todos os portes estão entrando no
perigoso balanço negativo.
Sempre que falo em estrutura empresarial
aparecem os arautos do saber que dizem que os seus concorrentes não fazem nada
disto e se ele fizer o que deve ser feito, ele vai ficar em desvantagem. Nas
crises passadas também existiram tais argumentos. O resultado dos que insistiram
na falta de lógica foi a falência. Alguns estão por aí porque saíram de
atividades formais e foram para a ilegalidade da informalidade. Como nem todos
querem viver com medo das fiscalizações, os que escutaram o bom senso agiram na
hora certa e estão mais fortes.
Voltando à questão do custo do chamado,
ficou bastante claro que o uso de planilhas de horas é um método caro e
impreciso porque a maior parte do custo total de uma empresa de serviços está
relacionada com gastos gerais da estrutura organizacional. Então, como alocar
diretamente para um cliente a manutenção da infraestrutura de comunicação ou as
despesas de propaganda e marketing? Como estabelecer comparações em horas
gastas pelos funcionários na realização da mesma tarefa se as condições do
ambiente operacional são completamente diferentes? Usar tais números para
dimensionar treinamentos mostra um completo desconhecimento do que é realizado.
Um atendente do Service Desk que gastou duas horas para consertar um servidor
de correio eletrônico não necessariamente teve desempenho pior do que o
atendente que gastou uma hora (metade do tempo) para consertar o mesmo servidor
no mês passado.
A diferença de tempo entre um e outro é
que o segundo pegou a documentação toda bagunçada após o trabalho do primeiro e
teve que voltar passos para identificar o real problema do servidor e no final
ele documentou tudo para ter certeza que o mesmo problema não iria acontecer de
novos. Gestores que desconhecem TI acham que podem usar planilha de horas para
medir desempenho, lucro ou necessidade de treinamento. Felizmente as crises vem
tirando o espaço deste profissional e agora os gestores capacitados sabem que é
preciso medir o desempenho dos serviços com seriedade.
O jeito mais fácil de medir o custo de
um chamado é dividindo o custo total pela quantidade de chamados. O problema
deste modelo é que ele desconsidera que chamados diferentes necessitam de
recursos diferentes e portanto tem custos diferentes. Apesar do modelo funcionar bem em alguns raros casos, em geral ele é impreciso. A melhor forma de
resolver o problema das diferenças é usar a estatística. É fácil perceber que as
empresas de serviço têm entre três e cinco perfis diferentes de serviços. Cada
um dos tipos tem característica e necessidade de recursos bem definida. Isto
significa que é possível usar a média ponderada para calcular o custo de cada
chamado. O resultado é muito mais preciso e menos oneroso do que o ultrapassado
modelo de planilha de horas.
Para que as limitações do modelo de planilha
de horas para medir lucro e desempenho dos atendentes do Service Desk fiquem
claras vou usar um exemplo do mundo real. Foi a aberto um chamado para
recuperação de um servidor de correio eletrônico. O técnico 1 gastou uma hora
na sua recuperação. Seis meses depois foi aberto um novo chamado para a
recuperação do mesmo servidor e o técnico 2 gastou dez horas na sua
recuperação. Qual técnico teve melhor desempenho? Qual técnico gerou maior lucro
para a empresa de serviços?
O gestor despreparado que usa o
ultrapassado modelo de planilha de horas como ferramenta de gerenciamento vai
gastar dinheiro do Service Desk treinamento o técnico 2 e vai afirmar que o
primeiro chamado atendido pelo técnico 1 gerou maior lucro. O gestor capacitado
que sabe que gerenciar é analisar o filme e não uma foto vai treinar o técnico
1 e parabenizar o técnico 2 pelo lucro gerado. Porque tanta diferença de
avaliação. O detalhamento do caso explícita as razões. Os dois técnicos recebem
o mesmo salário hora e o lucro só é real quando ele entra no caixa da empresa.
Como o técnico 1 sabe que é usada uma
planilha de horas para medir o desempenho, então ele foi lá e encontrou uma
solução de contorno para o problema sem identificar a sua causa raiz. Vários
parâmetros do servidor foram alterados e ele não documentou as mudanças para
poupar tempo e finalizar rapidamente o atendimento. Depois deste atendimento foram abertos
diversos novos chamados para este servidor, sem identificação do problema
porque as mudanças realizadas pelo técnico 1 não foram documentadas. Todos os
técnicos repetiram o comportamento do técnico 1 e fechavam o chamado após um
desligar e ligar do servidor. Todos queriam boas avaliações pelo rápido
atendimento.
Na nova parada do servidor de correio
eletrônico, o cliente já estava aborrecido e rejeitou a visita de todos os
técnicos anteriores. Ele ordenou um técnico que resolva o problema em
definitivo. O técnico 2 gastou dez horas no atendimento, porque ele
inicialmente verificou todos os parâmetros do servidor e consertou e documentou
a configuração. Depois ele identificou a causa raiz do problema e baixou a
correção. Após esta visita o servidor funcionou por anos sem problemas.
O capacitado cliente fez uma revisão de
todas as ordens de serviço realizadas e exigiu o estorno de todos os valores
cobrados incluindo a visita do técnico 1. O lucro que gerente despreparado
disse que conseguiu pela sua brilhante estratégia de usar a planilha de horas
foi totalmente perdido pelo estorno exigido pelo cliente. Para não perder o contrato
e ser processado, o Service Desk aceitou o estorno e o que era um lucro virou
uma perda.
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