quarta-feira, 28 de abril de 2010

COBIT NA VIDA REAL

A Companhia Brasileira de Bancos (CBB) faz parte da história do mercado financeiro. Com raízes bem fincadas a organização completou este ano o seu sesquicentenário com a fama de oferecer serviços à moda antiga para os clientes. Com a globalização, internet e grande crise o banco ganhou novos concorrentes alem da fronteira do mercado local e agora precisa enfrentar também os megaconglomerados financeiros.

No primeiro momento, a CBB tentou competir em preço via estratagema de reduzir tarifas e taxas, descontar taxas de empréstimos e inflar taxas de depósito para a mesma oferta de serviços. Em pouco tempo a alta administração percebeu que este movimento foi apenas dinheiro jogado no lixo e decidiu mudar a estratégia.

No atual ano fiscal, as vinte e duas filiais do banco optaram por programar uma grande mudança nos processos e produtos. A meta era ter um preço lucrativo, mantendo a presente reputação com os clientes atuais e novos. As principais ferramentas para a mudança eram o CRM (Customer Relationship Management) e o SEPV (Serviço de Excelência do Ponto de Venda).

As soluções adquiridas permitiram ao banco olhar mais de perto o quadro financeiro e a rentabilidade por cliente. A alta administração segmentou as 158.000 contas por rentabilidade e navegou dentro das informações para obter uma visão dos gastos e atividades das contas.

Todas as transações do banco foram consolidadas em um único banco de dados, onde elas poderiam ser analisadas para Identificar os produtos mais importantes para os seus clientes. O SEPV alerta os gestores dos serviços sobre as mudanças de comportamento que podem indicar o interesse em outros produtos.

Com as ferramentas ficou fácil perceber que os clientes recém casados têm interesse em empréstimos e os clientes seniores estão interessados em produtos de aposentadoria. A solução integrada também ajudou o banco na fidelização, pois os próprios clientes informavam como e quando eles querem ser contatados.

Com o aumento das respostas positivas para os produtos e serviços da CBB, a organização alcançou mais de R$ 1 bilhão em ganhos de eficiência pela eliminação da erosão da sua base de clientes e expressivo crescimento das vendas.

A alta administração está usando o sistema CRM/SEPV para calcular o lucro líquido de todos os clientes do banco e analisar o comportamento dos custos e receitas. Por ser um banco à moda antiga, os clientes usam os caixas muitas vezes, mas existe também um enorme volume de transações menos caras via caixa eletrônico, internet e reciclagem do dinheiro. A solução de TI permitiu responder perguntas importante tais como:

1. Quantos cheques os clientes usam por mês?
2. Existem outras receitas associadas com as contas dos clientes?

Com a tecnologia o banco conseguiu segmentar a sua base de clientes em função da rentabilidade. Este estratagema básico permitiu aumentar o lucro via serviços de alta tecnologia e proteger todos os clientes lucrativos do aumento das tarifas.

Os funcionários passaram a ter incentivos para transformar consistentemente clientes de menor valor agregado em lucrativos via uso intenso de transações eletrônicas ou venda de produtos de elevado valor agregado.

O SEPV permitiu uma rápida percepção da introdução dos novos produtos, tornando possível a segurança completa e oferta sem competição. Por exemplo, o banco usou o software para ajudar no desenvolvimento das regras da megapoupança. Com as informações disponíveis foi simples perceber que o mês de outubro (diversos aumentos coletivos e necessidade de retorno no curto prazo para o natal) representa uma oportunidade de alto interesse para oferecer produtos que atraiam novos e lucrativos clientes com mais de três mil reais para investir.

O sistema integrado permitiu o entendimento de quantas contas estão acima do ponto de equilíbrio e as potenciais perdas caso ocorra um volume elevado de troca para as novas contas de investimento. A alta administração facilmente conseguiu um caminho para equilibrar as perdas potenciais com a troca com as novas receitas da conta investimento.

TESTE O SEU CONHECIMENTO

Use o processo PO1 Define a Strategic IT Plan para:

a. Identificar os objetivos de controle mais apropriados para considerar no projeto de auditoria.
b. Para dois dos objetivos de controle escolhidos desenvolva um plano simples para auditar os procedimentos.

MACETÁRIO

Definir um plano estratégico de TI é a principal estratégia para o banco obter vantagens competitivas, porque a nova estratégia depende dos processos que requerem suporte do serviço ao cliente. Os controles que asseguram o planejamento adequado integrando o desempenho dos objetivos de TI com a nova estratégia do negócio é de alta importância, por isto recomendo olhar os objetivos de controle 1.1 ao 1.6 do PO1.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

TI TUDO OU NADA?

TI (Tecnologia de Informações e Comunicações) é definida em consenso pelos especialistas como toda a tecnologia, tanto em hardware como em software usada para armazenar, processar e transportar as informações em forma digital.

Será que está definição realmente trata de Tecnologia de Informações ou estamos falando de Tecnologia de Dados e TECNOLOGIA PELA TECNOLOGIA? Como está forma de olhar afeta a central de serviços e os serviços de TI?

Vou pegar carona no livro de um dos mestres no assunto impacto de TI no negócio. O livro “Será que TI é tudo?” do Nicholas G. Carr utiliza a definição que eu considero como tradicional de TI. No capítulo 6 do livro (Administrando a área financeira) ele fala sobre como melhorar o desempenho dos investimentos em tecnologia e faz a seguinte recomendação:

“Acompanhe, não lidere. Nem sempre é necessário fazer cortes imediatos para economizar somas consideráveis de dinheiro. Uma maneira bastante eficaz de reduzir os custos sem renunciar aos novos sistemas é simplesmente gastar mais devagar. A rápida e contínua queda nos preços de TI significa que até mesmo pequenos atrasos nas aquisições podem reduzir drasticamente o custo de alcançar determinado nível de funcionalidade em relação à TI. E retardar os investimentos em TI também pode ter outros efeitos benéficos. As empresas que permanecem fora da linha de frente da tecnologia reduzem as chances de serem sobrecarregadas com tecnologia infestada de defeitos ou prestes a se tornar obsoleta. Elas também são capazes de aprender com os acertos e erros das empresas que se adiantaram, o que lhes permite não só evitar despesas desnecessárias como também montar sistemas melhores. Muitas empresas se apressam em investir em TI, na esperança de obter a vantagem de ser a primeira a tomar a iniciativa, ou por receio de ficar para trás. Isso fazia sentido especialmente no final da década de 1990, quando o boom da internet coincidiu com os temores do “bug do milênio” e com a introdução do euro.”

O QUE EXISTE DE MUITO ERRADO NESTA RECOMENDAÇÃO?

A questão chave aqui é o pensamento que a estratégia de adiar o investimento em tecnologia é uma alternativa aceitável para o negócio. Este tipo de pensamento é válido para quem pensa em tecnologia de dados e compra tecnologia pela tecnologia.

Se for possível adiar o investimento em uma determinada tecnologia sem impactar o negócio isto significa que a tecnologia simplesmente não agrega valor algum aos produtos e serviços oferecidos pela empresa usuaria de TI naquele momento e não devemos pensar em adiar e sim em não gastar tempo precioso e escasso na avaliação de soluções que resolvem problemas que a organização não tem. Este tipo de atuação representa uma enorme ineficiência da organização de tecnologia.

A empresa certamente tem muitas oportunidades e fragilidades e o tempo deve ser utilizado para encontrar soluções que explorem as oportunidades ou mitiguem as fragilidades. Nunca na história da área de tecnologia que pretende pensar em tecnologia de informações pode existir espaço no orçamento (ou na pauta do dia) para investimentos em soluções de problemas inexistentes. Estamos falando de gastar dinheiro bom, caro e suado na geração de informação inútil. A empresa usuaria de TI não pode ter a sua agenda pautada pelos fornecedores de tecnologia. O Carr relata no livro que diversas empresas estavam desconfortaveis com o poder dos fornecedores. Pensar em informações anula este desequilíbrio de forças.

Se por outro lado existe uma demanda de negócio para a utilização da tecnologia, então precisamos antes de mais nada avaliar os riscos e impacto no negócio do seu uso. Precisamos responder com honestidade se estamos preparados para a solução, pois se existirem benefícios de negócio que justifiquem correr os riscos da sua adoção então retirar ou adiar o investimento na tecnologia é uma gigantesca TOLICE. A organização de TI está simplesmente impedindo a empresa de ganhar mais dinheiro. Como vivemos um momento de forte revisão do mercado estamos falando de atitude extravagante.

É preciso pensar com profundidade se queremos atuar como tecnologia de informações e agregar valor ou se vamos agir como tecnologia de dados e ser um centro caro de custos. A segunda alternativa é na minha opinião o caminho mais rápido possível para o desemprego.

É evidente que se for uma tecnologia nova com uma quantidade de falhas que o seu uso não é possível a realidade prática é que o vendedor não é ético e está oferecendo uma solução que simplesmente não existe. Somos uma empresa usuária de TI e temos que agir como tal, não somos um centro de desenvolvimento de tecnologia.

Neste caso o corte do investimento também não deveria acontecer, pois o CIO (Chief Information Officer) e a organização de TI nunca deviam cometer a tolice de orçar e propor soluções que são apenas e tão somente problemas.

Quando TI se comporta como informações ela propõe coisas que existem e agregam valor ao negócio. Falar de coisas que não funcionam ou não tem utilidade para o negócio apenas reforçam a imagem que TI É APENAS UM CENTRO DE CUSTO QUE GOSTA DE NOVOS BRINQUEDOS E É UM MAL NECESSÁRIO.

A visão de gastador sem objetivo, faz com que existam sempre cortes no orçamento de tecnologia. A central de serviços neste contexto é olhada apenas como lugar para o primeiro emprego de estagiários e recém formados. É evidente que teremos uma altíssima rotatividade e que a central que nunca vai agregar valor. Ela serve apenas para escutar e esquecer. É o que chamo de ESQUECE DESK.

O artigo “AVALIAÇÃO DA INDÚSTRIA BRASILEIRA DE SOFTWARE E SERVIÇOS DE TI” publicado na Revista da Tecnologia da Informação (http://www.revistati.com.br/ti/loading/200911241504100456608001259082250) ilustra bem o que estou falando. O crescimento marginal da margem liquida por funcionário das empresas brasileiras de software e serviços de TI vêm caindo em pelo menos 15% ao ano. A çada dia um pouco da capacidade de competitividade da indústria nacional é perdida. Cada mês uma empresa nacional fecha ou é comprada por empresa estrangeira.

A cada minuto perdemos mercado porque insistimos em pensar em tecnologia de dados quando o mundo fala em informações. Como ter projetos integrados com o negócio se dependemos de fornecedores que perdem produtividade todos os dias? A única resposta possível aqui é selecionar profissionais e fornecedores que pensem em tecnologia de INFORMAÇÕES.

terça-feira, 2 de março de 2010

GOVERNANÇA DE TI E OS PROJETOS DE ERP, CPM, BSC, CRM, BI (E SIMILARES)

Existem no mercado brasileiro muitas propostas de resposta para a questão do ERP e similares apenas com foco nos aspectos técnicos da tecnologia. É preciso refletir um pouco mais sobre o tema, pois o pensamento de TI apenas como armazenamento, processamento e transporte de dados está caindo em desuso. Já é realidade no Brasil uma elevada taxa de desemprego para os profissionais que trabalham, pensam e atuam no formato da estrutura de Centro de Processamento de Dados (CPD) e para os próximos anos o cenário de emprego é pior ainda para eles.


Atualmente, mais de 70% dos CIOs de um importante grupo de executivos de TI estão desempregados porque eles insistiram em trabalhar no modelo CPD. Vários profissionais que me encaminharam os perfis profissionais não foram passíveis de aprovação porque pensavam apenas em dados, hardware, software, ITIL®, COBIT e etc.


Recomendo que em especial no caso de projetos ERP e similares você pense muito neste problema e procure trabalhar no modelo tecnologia de informações. O livro Governança Avançada de TI na Pratica mostra um caso de uma empresa bilionária que faliu após usar um ERP. O autor explicou como um simples software destruiu um negócio promissor de longa data porque o seu processo de compra e implantação ignorou as necessidades do negócio.


O caso do ERP é sempre um exemplo clássico porque ele mostra de forma muito clara tanto a transformação de CPD em TI como a mudança de paradigma de ativos de tecnologia para serviços de TI. O sucesso de um projeto de ERP não é medido na pratica pela simples entrega e implantação do software dentro do prazo, custo e escopo. O sucesso ou não de um projeto deste perfil só pode medido através dos resultados do seu uso no dia a dia pela empresa usuária. O livro Escritório de Avançado de Projetos na Pratica mostra de forma simples como obter sucesso em projetos desta natureza, dimensão e importância através de indicadores de performance.

Antes de pensar sobre as diversas ferramentas de tecnologia para projetos de ERP e similares como SCRUM, ITIL®, COBIT e etc., eu recomendo verificar os nove pontos a seguir para obter sucesso no seu projeto. Trabalhos cujo sucesso seja alcançado no dia a dia em geral exigem um nível de customização entre médio e grande de ERP e similares em função dos os modelos de negócio em pratica no Brasil.

Normalmente, apenas o módulo financeiro e contábil do ERP consegue entrar em produção com nível baixo de customização. As mudanças demandadas acontecem porque os processos representam na realidade as vantagens competitivas da empresa e usar um padrão de mercado significa perder faturamento e lucro.

1. Escolha sempre lugar um produto com elevada taxa de aderência aos vossos processos atuais e futuro de negócio
2. Escolha um ERP cujo fornecedor mostre com clareza o seu plano de negócio de cinco anos. Tenha sempre em mente que se ele quebrar a sua empresa pode ficar com um mico na mão
3. Escolha uma empresa com elevado capital intelectual. Recomendo visitar os possíveis fornecedores e ver como é o comportamento dos funcionários. O estado de uso dos banheiros pode falar muito sobre como é a gestão do capital intelectual
4. Solicite sempre um relatório sobre a situação dos contratos de trabalho das pessoas que trabalham no fornecedor. Quem sequer cumpre a lei trabalhista nunca é um fornecedor de longo prazo confiável
5. Faça o mesmo para a empresa integradora da solução. Exija sempre o plano de capacitação para os funcionários dos dois últimos anos e dos cinco anos para frente. O barato pode sair caro demais se o integrador perder os funcionários que dominam a sua implementação e você ficar na mão de gente que vai explorar este tipo de situação ao máximo
6. Lembre de levar em conta o custo total do ciclo de vida, ou seja, hardware, software, serviços, energia elétrica, ar condicionado, quantidade de atualizações e etc.
7. Lembre que o tempo do usuário explicando para o fornecedor a necessidade do seu negócio é um caro. Em geral quando o interlocutor do fornecedor é um profissional experiente com larga vivência este custo é baixo. Como um profissional experiente citado é caro é comum encontrar fornecedores contratando pessoas menos experientes e transferindo o custo da falta de experiência para a sua empresa.
8. Lembre que o custo de testar as soluções piloto é da sua empresa, pois é o tempo do seu usuário que será consumido. Isto custa o salário e a produtividade deles. Em geral é bem caro. Integradores que gostam de fazer da sua empresa laboratório delas fazem com este custo seja enorme. Exija sempre capital intelectual e contratos de longo prazo entre integrador e os seus funcionários.
9. Depois de ter certeza que o projeto tem retorno durante o ciclo de vida da tecnologia escolha as ferramentas mais adequadas para gerar as entregas do projeto. Mais importante do que pensar em usar um corpo de conhecimento de gerenciamento de projetos, pense em estabelecer um escritório de projetos para assegurar o sucesso da empreitada. O sucesso operacional do projeto que algumas ferramentas oferecem é muito pouco quando é necessário alcançar o sucesso do projeto.

Um projeto de ERP ou similar é um excelente caso para mostrar a diferença entre CPD e TI e entre governança de TI e ferramentas de apoio e suporte. Como o sucesso de um projeto desta natureza é dado pela gestão do dia a dia e é dependente do usuário de TI fica claro que é vital existir CTP (Controle, Transparência e Previsibilidade). Ou em outras palavras, GOVERNANÇA DE TI. Como regra geral podemos afirmar que os serviços bem sucedidos de TI demandam por governança de TI, CTP e performance do usuário e os serviços de CPD não demandam por CTP e desempenho dos usuários.

Para que exista GOVERNANÇA DE TI o primeiro passo antes de análise da situação atual, matriz PFOA (Potencialidades, Fraquezas, Oportunidades e Ameaças) e etc. é a verificação se os gestores e profissionais de TI tem o estado de espírito de demonstrar os resultados. Se não existe este estado de espírito, não existe uma organização real de TI. Estamos na pratica em um ambiente ultrapassado de CPD com muitas reclamaçoes de salário, trabalho, qualidade, com usuários fortemente insatisfeitos e com cortes freqüentes no orçamento de tecnologia.

Apenas depois da existência do estado de espírito é que eu recomendo a execução da preparação da governança. Lembro que não existe projeto de TI sem plano de negócio e demonstração de resultados. O bônus anual dos profissionais de TI vem destas duas ferramentas.

É importante não confundir serviços de TI com serviços de CPD. Serviços de CPD tornam TI uma despesa, aumentam o risco do negócio e não agregam valor. Serviços como acesso à rede, desenvolvimento de páginas de web, monitoração de servidores são exemplos clássicos de serviços de CPD. Muitos dos 70% dos desempregados do grupo de executivos achavam que estes serviços eram serviços de TI e não de CPD. Não cometa o mesmo erro.

Serviços de TI podem ser exemplificados como impressão de nota fiscal, fechamento contábil ou folha de pagamento, cadastramento de pedido de venda, etc. Eles são mais complexos que os serviços de CPD, por isto demandam por mais capital intelectual, geram empregos de qualidade e pagam mais.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

IMPLICAÇÕES LEGAIS DO USO DE SOFTWARE OU CONTEÚDO GRATUITO PUBLICADO NA INTERNET POR CONSULTORES

Não permita que o seu uso de software livre como consultor impacte a sua receita líquida do projeto ou gere uma enorme dor de cabeça para o seu cliente. Entenda neste artigo quais são as principais diferenças entre COPYLEFT, COPYRIGHT, COPYFREE, LICENSES e CODE REUSE.

Quando um projeto ou atividade desafiam os limites do seu conhecimento você gasta um breve período de tempo pensado como seria o desenvolvimento de uma solução proprietária e como regra geral após a rápida reflexão passa a procurar por uma alternativa de solução na INTERNET. Com um pouco de organização e sorte é bem provável que a solução do seu problema seja encontrada via buscador Google.

A enorme quantidade de informações e conhecimento público disponível na INTERNET faz com que seja muito provável que encontre na grande rede conteúdo ou software que resolva a sua necessidade. Como não existe mais almoço de graça, não cometa à ingenuidade de achar que basta baixar o conteúdo ou software e usar no cliente que o problema estará resolvido.

Se você está recebendo como consultor em projeto de aplicação comercial leia e entenda o contrato de licença do conteúdo ou software antes de incorporar ele na sua solução. Evite o risco de criar um monstro legal. O seu projeto, ou parte dele, pode legalmente virar um trabalho derivado do material que você baixou ou usou. Praticamente todos os conteúdos e softwares que estão disponíveis na INTERNET como livre apresentam os requisitos legais para trabalhos derivados ou para uso do material de forma não modificada, por isto leia com atenção e cautela e avalie com cuidado o seu uso.

TIPOS DE CONTEÚDO E LICENÇA LIVRE

COPYFREE LICENSES

São licenças que não impõem restrições para o reuso do conteúdo desde que certas condições sejam observadas (em geral são atribuições). Estas licenças estão chamadas de COPYFREE, porque você pode livremente copiar o material e usar conforme a sua necessidade. O autor do original tem todos os direitos autorais e espera receber os créditos pelo uso do trabalho original.

Neste tipo de licenciamento, o trabalho derivado não precisa ser autorizado sob os mesmos termos (ou compatíveis). O material original, entretanto estará sempre sendo regido pelos termos da licença original. Os licenciamentos COPYFREE mais populares são: BSD, Apache e as licenças MIT/X11. As licenças tipo OPEN WORKS LICENSE (OWL) são de uso simples e de ampla aplicabilidade.

PUBLIC DOMAIN

Caso o conteúdo tenha sido publicado como domínio público, o autor não mantém os direitos sobre ele e todos estão liberados para o reuso e trabalho derivado. As licenças tipo CCO (CREATIVE COMMONS LICENSE) imitam o domínio público. Neste caso, o autor explicitamente abandona o direito autoral do conteúdo.

Caso o conteúdo ou software esteja sendo utilizado sem autorização explicita do autor para o cliente ou consultor, o seu cliente não estará autorizado a utilizar e licenciar o trabalho. Nesta situação não importa se o conteúdo foi ou não licenciado. Não existe nem direito de uso nem de licenciamento. Caso o seu cliente seja um vendedor de conteúdo ou software uma simples objeção do autor pode impedir que você utilize conteúdo COPYFREE ou PUBLIC DOMAIN no seu projeto.

COPYLEFT LICENSES

COPYLEFT é uma licença que permite trabalho derivado. Ela tem como principal característica a incorporação no trabalho derivado de todos os direitos que os usuários têm no material original. Para o caso de COPYLEFT forte, você pode incorporar o código ou software no projeto, mas o trabalho derivado tem que ser licenciado conforme os termos do contrato de origem.

Em outras palavras o trabalho derivado vira COPYLEFT também (o mesmo nível de acesso do original deve ser dado para o trabalho derivado). Estes requisitos também valem para trabalhos que apenas utilizam o original sem modificações (os links dinâmicos são exceções). Neste caso o código original deve ser republicado.

Estas licenças são chamadas pelo mercado de virais, pois todo o trabalho derivado do original (uso e distribuição) é afetado por elas. O mais popular exemplo de licença forte de COPYLEFT é o GNU GENERAL PUBLIC LICENSE (GPL). A falta de cuidado na observação dos termos da licença vem provocando problemas e perdas financeiras para os consultores, pois existem no mercado milhares de projetos de software licenciados sob GPL que não puderam ser entregues aos clientes porque eles não aceitaram publicar o código fonte.

As licenças do tipo WEAK COPYLEFT são menos restritivas. As restrições são válidas apenas para as modificações do trabalho derivado. O uso do original sem modificações não tem restrição. Os requisitos redistribuir do código fonte são muito menos rígidos. O GNU LESSER GENERAL PUBLIC LICENSE (LGPL) e a licença publica do MOZILLA são dois bons exemplos de COPYLEFT fraco.

Existe na pratica uma enorme variedade de tipos de licenciamento do conteúdo publicado na internet, por isto sempre estude em detalhes as licenças que está utilizando nos seus projetos. Se uma licença inclui a questão do compartilhamento, ela é considerada como COPYLEFT porque caso ela permita trabalho derivado este deve ser licenciado em termos idênticos ao original. Existem também os casos onde o uso comercial é totalmente ou parcialmente proibido. Neste caso o trabalho derivado para uso comercial não é permitido.

CODE REUSE

A copia total ou parcial do conteúdo original é considerado como CODE REUSE. A modificação do conteúdo original é considerada como trabalho derivado. Pode ser confuso diferenciar o que é o original e o que não é. Por exemplo, se você encontrar uma otimização inteligente aplicação genérica e ampla em um conteúdo ou software licenciado como COPYLEFT, você poderá utilizar o estratagema ou software no seu projeto apenas quando não copiar o conteúdo ou software. O direito autoral protege apenas a expressão das idéias, não as idéias propriamente ditas.

LEGAL DISCLAIMER

Este texto busca apenas oferecer uma pequena ajuda aos desenvolvedores e usuários de conteúdo e software livre. Os comentários não devem e nem podem encarados como a expressão de um especialista em direito. Caso tenha dúvidas sobre como proteger e usar códigos públicos procure sempre um advogado especialista. Se você é um consultor que usa ou já usou conteúdo publico nas soluções entregues aos clientes, eu fortemente recomendo que entenda e avalie com cautela as implicações legais.

sábado, 2 de janeiro de 2010

AVALIAÇÃO DA INDÚSTRIA BRASILEIRA DE SOFTWARE E SERVIÇOS DE TI

Em Dezembro de 2009 foi apresentado na sede do ITS de São Paulo o volume 1 da publicação Software e Serviços de TI: A indústria Brasileira em Perspectiva pela SOFTEX. Mais informações sobre o material estão disponíveis no link www.softex.br/observatoriosoftex/_indicadores/default.asp.

Os resultados apresentados mostram de forma bastante clara que TI definitivamente assume um papel relevante na cadeia estendida das empresas que são usuárias de tecnologia de informações e comunicações.

A combinação do indicador participação de profissionais de TIC em relação ao total de empregados das empresas que tem tecnologia de informações e comunicações como atividade secundária com o indicador investimento em TI como participação do faturamento líquido mostra que a participação da tecnologia de informações na cadeia produtiva destas empresas é bastante solida, robusta e importante.

Tabela 8.2 - Participação de PROFSSs no total de empregados da NIBSS por seção CNAE 1.0 – Brasil, 2005 - Fonte: Software e Serviços de TI: A indústria Brasileira em Perspectiva

 Investimento em tecnologia no Brasil. Fonte: Fundação Getúlio Vargas

O resultado apresentado confirma as conclusões de outros pesquisadores do ambiente de tecnologia no Brasil. No livro Governança Avançada de TI na Prática, o autor mostrou as conclusões da PNIPTI onde para 42% das empresas TIC representa um processo da cadeia de valor estendida.

 Fonte: Figura 15.4  Valor agregado TIC – Governança Avançada de TI na Prática


O renomado pesquisador sênior do Centro para Pesquisas em Tecnologia da Informação do MIT, Peter Weill também chegou a número semelhante quando demonstrou que 38% das empresas brasileiras têm governança de TI (fonte: http://computerworld.uol.com.br/gestao/2009/09/15/apenas-38-das-empresas-brasileiras-tem-governanca-de-ti/)

Outro indicador importante do trabalho idealizado pela SOFTEX é a relação entre a quantidade de profissionais de TI ocupada nas empresas usuárias de TIC e na indústria de software e serviços. Apesar da relação PROFSS NIBSS/IBSS estar em queda, o patamar ainda é elevado o suficiente para que seja possível produzir duas afirmações:

  1. Existe um enorme mercado potencial para a IBSS (Indústria Brasileira de Software e Serviços)
  2. Apesar do enorme potencial de crescimento a IBSS tem problemas graves de competitividade. O mercado NIBSS (Não IBSS, ou seja, empresa usuária de TIC) vem suprindo as suas necessidades através de desenvolvimento interno e importações (Deve ser considerado como importação o desenvolvimento ou serviço de equipe interna feito em unidade da empresa no exterior). 
Fonte: Software e Serviços de TI: A indústria Brasileira em Perspectiva

O problema da competitividade da IBSS fica mais claro quando é feita a avaliação dos indicadores de produtividade por funcionário. O indicador margem líquida por empregado e crescimento marginal da margem líquida por empregado mostram uma forte perda de produtividade provocada por capital intelectual restrito na IBSS.

O indicador produtividade do trabalho confirma o problema mostrado pelo crescimento marginal da ML/E, pois deixa claro que para ser alcançado o mesmo valor adicionado ao insumo é necessário um maior número de empregados ano após ano.

Mais uma confirmação da perda de competitividade da IBSS vem do indicador produtividade das vendas. Ele mostra que para obter a mesma receita operacional liquida (receita operacional menos deduções) é necessário um maior número de pessoas ano a ano.

Fonte: Software e Serviços de TI: A indústria Brasileira em Perspectiva

O forte aumento do crescimento da participação da mão de obra no custo total com contrapartida negativa do crescimento marginal do lucro mostra a existência de um grave problema na gestão do capital intelectual na IBSS, pois a indústria está gastando cada vez mais em recursos humanos e produzindo menos.


A postagem “CARREIRA PROFISSIONAL EM TI. VALE A PENA INVESTIR TEMPO E DINHEIRO NELA?” no blog www.itgovrm.blogspot.com/2009/10/carreira-profissional-em-ti-vale-pena.html baseada na pesquisa Melhores Empresas de TI Para Trabalhar publicada pela revista ComputerWorld, mostra com mais clareza a questão da perda de produtividade, competitividade e capital intelectual da IBSS.

O trabalho Software e Serviços de TI: A indústria Brasileira em Perspectiva mostra que existe tanto um enorme mercado nacional ávido por fornecedores locais, como um mercado mundial com potencial gigantesco interessado no Brasil. No entanto a atual política para os recursos humanos vem inviabilizando o relacionamento funcionário e empresa de longo prazo e restringe sobremaneira a perspectiva de evolução do capital intelectual.

As projeções futuras apontam para um enorme déficit de capital intelectual individual e coletivo na IBSS, por isto os agentes formadores de opinião precisam encontrar pontos comuns para influenciar o mercado nacional para mudanças rápidas na atual política de gerenciamento de recursos humanos, pois do contrário este déficit projetado será transformado em mercado perdido.

CONCLUSÃO DA AVALIAÇÃO

Existe a oportunidade e o tempo necessário para as mudanças, no entanto é preciso fazer mais do que a IBSS está fazendo para explorar com efetividade este enorme potencial de mercado interno e externo.


segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

10 SUGESTÕES PARA NÃO JOGAR FORA O DINHEIRO DO ORÇAMENTO DE TIC

10 SUGESTÕES PARA NÃO JOGAR FORA O DINHEIRO DO ORÇAMENTO DE TIC


O tempo de orçamentos gordos de TI já não nos pertence mais. Com base nesta premissa os gestores estão novamente estimando custos para o ano de 2010 e enfrentando o desafio de fazer mais com menos. Para quem trabalha em multinacionais a atividade que já é complexa ganha contornos de dramaticidade pelo fortalecimento do real.

De uma hora para outra os custos de TI aumentaram apenas pelo enfraquecimento do dólar. Os cortes decorrentes do menor volume de dinheiro precisam ser muito bem avaliados para não impactar as vendas e lucro, logo o melhor lugar para começar com os cortes é pela eliminação das ineficiências e desperdícios.

Como dez é o número mágico do Pelé vamos entrar em contato com o extraordinário e apresentar 10 situações comuns do dia a dia onde o dinheiro do orçamento de TI é literalmente jogado no lixo. A organização de tecnologia tem que valorizar os seus preciosos REAIS e evitar que eles sejam perdidos.

Para alguns as sugestões representam apenas o óbvio bom senso, no entanto, é possível afirmar que neste exato momento existem organizações que ignoram o senso comum e estão esbanjando o dinheiro de TI.

1. Desperdício de energia

Apesar da redução dos custos de eletricidade provocada pela redução da atividade da economia global nos últimos doze meses, as despesas de energia têm enorme potencial de crescimento em função do crescimento do volume de informações. A conta de energia elétrica do processamento representa hoje em dia um enorme gasto para a grande maioria das empresas. A organização de tecnologia pode economizar muito mais dinheiro do que ela está fazendo atualmente e do que ela imagina ser possível apenas com a adoção de algumas praticas.

a. Estações de trabalho entrando em modo econômico quando não estão fazendo nada
b. Uso de pano de fundo da tela de cor escura. Cores escuras consomem menos energia.
c. Desligamento automático do equipamento quando ele não estiver em uso
d. Foco no desempenho economicamente viável, ou seja, desligar os recursos de economia de energia em favor de performance superior apenas quando for realmente necessário.
e. Desligamento automático das luzes do escritório e DATACENTER na ausência de pessoas. Muitos ignoram este custo. Quando ele é apresentado todos ficam espantados. O uso mais inteligente da iluminação aliado com a compra de equipamentos de maior eficiência energética economiza muitos REAIS durante o ano.

2. Gastos elevados com a mobilidade.

É comum encontrar no mercado situações onde o custo da telefonia móvel está fora de controle. O estratagema adotado é ruim em diversos casos e os planos custam mais do que necessário. Uma recente pesquisa mostrou que apenas um em quatro empregados usa mais de 75% dos minutos de contratados. A pesquisa também mostrou que a metade das empresas pesquisadas está pagando por facilidades que nunca foram utilizadas. Os resultados deixam claro que as companhias precisam amadurecer o estratagema para a mobilidade.

3. Proibição do trabalho remoto

A falta de maturidade para superar as dificuldades do teletrabalho esta impedindo que as empresas realizem importantes economias em espaço do escritório, estacionamento e ar condicionado. Os empregados ganham também pois eles aumentam o poder de compra pela economia em roupa, almoço e transporte.

O maior nível de satisfação dos colaboradores permite também um significativo aumento de produtividade e eliminação de horas extras. Muitas atividades corporativas podem ser realizadas em casa e a empresa pode contar com melhoria de capital intelectual e redução do custo hora da mão de obra em função de poder contratar recursos gabaritados em regiões onde existe excesso de mão de obra.

A principal barreira a ser superada é a sensação que os gerentes das empresas tem sobre a falta de controle e segurança do trabalho remoto. As modernas tecnologias de segurança como NAP/NAC e DirectAccess permitem a verificação dos sistemas remotos que estão conectados a LAN da empresa. Estas soluções oferecem plena proteção e são facilmente configuradas.

4. Perdas pela falta de capital intelectual adequado

Ao permitir o teletrabalho a empresa localizada em centros mais distantes ganha a possibilidade de contratar especialistas. É mais comum do que imaginamos as situações onde as empresas sofrem pesadas perdas pelo não aproveitamento de uma oportunidade ou por exposição demasiada a uma ameaça conhecida por todos.

No caso de ameaça conhecida eu já encontrei diversos casos onde os empregados estavam apontando o risco por meses ou anos, mas não conseguiam identificar e justificar o que deveria ser feito. O resultado final foi: ameaça ignorada. Quando ela ocorreu o custo foi milhares de vezes maior do que a solução necessária.

O acesso remoto a especialistas experientes permite que a empresa tenha conhecimento específico de forma fácil, ágil e barata e reaja em tempo para as oportunidades e ameaças.

No entanto, nem sempre a contratação de um especialista externo é necessária. Existem muitos casos onde a empresa já tem no seu quadro de profissionais os especialistas necessários com tempo disponível para assumir novos desafios.

No caso da contratação de especialista via teletrabalho as credenciais e referências devem ser avaliadas com cuidado. É muito importante a existência de controles para gerenciar o trabalho e pagamentos.

5. Contratação de funcionários conforme a CLT

No médio prazo a contratação de profissionais bem preparados conforme a CLT tem efetividade de custo muito maior que trabalhar com os pseudos PJs. O exercício de pratica orquestrada e coerente para o modelo de negócio da mão de obra intelectual retorna sempre como custo menor de médio e longo prazo.

O comprometimento do profissional com a empresa faz com que ele tome permanentemente decisões de menor custo do ciclo de vida. Profissionais que comprometem 15 anos da sua vida em uma empresa têm uma parte importante e querida da sua vida dedicada ao sucesso do negócio. Considerado que a gestão cumpre com competência o seu papel de manter na equipe quem endereça com maturidade e equilíbrio as necessidades do negócio é natural que a empresa conquiste ganhos contínuos de produtividade ao longo do tempo.

O modelo de negócio em conjunto com o estratagema de retenção de longo prazo dos talentos assegura tanto uma melhor identificação e entendimento das oportunidades e ameaças, como uma efetiva exploração delas.

Recente artigo da folha de São Paulo (09/11/2009) sobre a engenharia na China (Engenheiros recebem R$ 1000 mais subsídios) ilustra a questão com um caso de sucesso para o modelo de negócio da mão de obra intelectual.

A contratação de mão de obra especialista de alta competência deve, no entanto obedecer outra lógica. Em geral este tipo de necessidade é pontual e de prazo curto e limitado. Contratar empregado tempo integral para este tipo de carga de trabalho em geral onera a folha de pagamento, não resolve a necessidade e gera o problema de trabalhador com tempo ocioso.

A ociosidade custa muito dinheiro no seu orçamento, gera insatisfação e elimina ganhos de produtividade. O gestor da área enfrenta o problema adicional de constante justificação do tamanho da equipe e é comum a conseqüência de instabilidade. Normalmente formações com este tipo de barreira nunca resultam em equipes. O típico nestes casos é o pensamento cada um por si e zero de colaboração.

6. Atualizações desnecessárias

Sempre devem existir boas justificativas para as atualizações de software e hardware. É justo e correto atualizar sistema operacional e aplicações quando a necessidade do negócio justifica financeiramente as novas funcionalidades (estamos falando aqui de ganho de produtividade, ou seja, as novas funcionalidades tornam a execução das atividades dos usuários mais fácil e rápida)

No mercado existem organizações de TI que tem a política de atualizar os ativos a cada X anos. Também existem empresas que tem a política de migrar para um novo sistema operacional ou nova versão da aplicação Y meses depois da sua liberação, ou tão logo após o primeiro Service Pack ou em função de outro parâmetro particular que não leva em consideração a necessidade do negócio.

A atualização dos ativos de tecnologia em uso só tem sentido caso exista uma real necessidade para as novas funcionalidades. A organização de TI pode economizar muito dinheiro em novas licenças, CAPEX e depreciação, fazer os usuários felizes e evitar dores de cabeças se manter os ativos que estão endereçando as necessidades do negócio no estado da arte da tecnologia apropriado a realidade corporativa.

É sempre muito bom ter ativos poderosos, mas a atualização deve ser feita sempre em função de ganhos de produtividade, segurança ou outros fatores importantes. Gerenciar a atualização dos ativos de tecnologia apenas pela vontade significa na pratica que estamos falando de novos brinquedos.

7. Falhas na atualização dos ativos

Muitos negócios naufragaram quando tentaram usar os ativos de tecnologia além da viabilidade econômica. O livro Governança Avançada de TI na Pratica mostra que toda vez que o custo de manutenção de um ativo é maior que o seu valor residual a sua utilização é economicamente inviável.

Em geral o custo da indisponibilidade de um serviço de valor agregado de TI é muito elevado, por isto manter negócios com base em tecnologias velhas e caras significa na pratica perder muito dinheiro.

Nada pode ser pior para a sustentabilidade de um negócio do que colocar informações sensíveis em perigo. Usar soluções velhas cheias de vulnerabilidades apenas para adiar alguns investimentos baratos pode custar muito caro.

As vezes o preço cobrado é a alma do negócio. Nunca pode ser esquecido que ativos que usam a energia de forma ineficiente representam perigo para a sobrevivência da empresa. Custos mais altos significam ou preço maior ou menor lucro. Qualquer que seja a escolha estamos falando no médio e longo prazo de menor faturamento. Lembre sempre "O bolso agradece e a natureza também". Sempre olhe o menor custo do ciclo de vida.

8. Gastos exagerados em hardware

Investimentos em novos hardwares na intensidade ideal podem economizar muito dinheiro. No entanto, investir além do ideal significa na pratica jogar dinheiro fora. Um exemplo pratica desta ineficiência de gestão é o estratagema de virtualização. Ele ainda está em fase de exploração por algumas companhias, mais ainda existem diversas empresas que não entenderam o poder da estratégia para reduzir o capital investido e os gastos operacionais de depreciação e CAPEX.

O atual perfil do mercado de produtos de tecnologia mudou e no momento não é economicamente vantajoso comprar vários servidores de pequeno e médio porte para rodar serviços de web, correio, colaboração e comunicação. É possível obter expressiva economia no custo total do ciclo de vida ao consolidar através das tecnologias de virtualização todos estes serviços em alguns poucos servidores de maior porte. A necessidade de capital de investimento é muito menor e as despesas operacionais são incrivelmente baixas em função do menor custo da garantia, manutenção, licenças e energia.

Não é raro encontrar casos onde as organizações de TI desperdiçam o dinheiro do orçamento ao comprar equipamentos de uso específico para um projeto. É comum existir demanda intensa de recursos de TI para uma necessidade pontual e por tempo limitado. Quando o projeto acaba os recursos comprados ficam ociosos, gerando despesas operacionais de depreciação. Já é possível adquirir soluções com base na computação em nuvem onde a quantidade de recursos disponíveis é elástica, ou seja, ela pode ser aumentada ou reduzida conforme as necessidades do negócio.

Este estratagema permite que a empresa pague apenas o que precisa ao longo do tempo. Negócios sazonais ou que dependem de safra são candidatos naturais para este tipo de solução.

9. Falta de efetividade no uso do orçamento de treinamento.

Todos os dias aparecem novas oportunidades e ameaças habilitadas pela tecnologia, por isto é importante manter a equipe atualizada. No entanto, o dinheiro não pode esbanjando em coisas inúteis. No mundo atual especialistas de grande saber podem ser acessados pela internet, por isto custos de deslocamento e estadia não tem sentido na maioria dos casos. Treinar uma única pessoa na equipe e contar com que ela compartilhe o conhecimento com o grupo pode ter sido no passado uma solução, hoje em dia esta redução de custo acontece apenas no papel, pois é comum perder profissionais após treinamentos caros ou ter que aumentar o salário dele em função do aumento do poder de barganha.

Treinar a equipe em grupos especializados não apenas evita a criação do problema da barganha como estimula o desenvolvimento da inteligência coletiva como também permite trabalhar o grupo de forma personalizada. É claro que é possível também abordar o grupo de forma generalista. Colocar funcionários para viajar para um local distante para treinamento gera um enorme custo total e restringe a eficiência do orçamento. É comum encontrar casos onde a maior parte do orçamento de treinamento foi gasta em despesas de estadia e deslocamento. O principal que é o conhecimento consumiu nestes casos apenas uma pequena parte do orçamento.

Será que realmente é necessário para a organização de TI gastar dinheiro em certificações? Em geral as certificações apenas permitem que os profissionais busquem outro emprego. O investimento será efetivo quando o foco for conhecimento. Treinamentos com especialistas pela web são muito mais eficientes em termos de assimilação do conhecimento e possibilitam o acesso aos melhores profissionais do mercado de uma forma barata.

Programas de educação continuada são muito importantes e em geral permitem elevada economia de dinheiro. No momento em que somos chamados para apertar o cinto é importante obter a maior valorização de cada real investido em instrução e eliminar as ineficiências e desperdícios.

10. Desperdício de dinheiro em viagens

Reuniões em outras ou escritórios para ajudar na implantação de novos serviços de tecnologia ou para resolver problemas podem gerar elevado custo operacional de forma desnecessária.

Sempre é importante que a gestão avalie se estas atividades podem ser feitas pela intranet ou internet. Quando à viagem for inevitável é importante manter as despesas de hotéis, refeições e táxis sob forte controle. Comparar preços e despesas atuais com o histórico ajuda muito.

Considerar ir de carro em vez de avião não apenas evita o problema do apagão aéreo como também permite a eliminação das despesas de táxi. A experiência pode ser mais agradável para o profissional e as economias são significativas.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

ROI NO SERVICE DESK: ELE EXISTE OU É APENAS UM SONHO?


A PNIPTI identificou que uma simples conta de divisão é um autêntico bicho de sete cabeças no território brasileiro de tecnologia de informações e comunicações. A pesquisa mostrou que métricas de ROI não são realizadas por mais de 86% das empresas.

A primeira revisão 360° da PNIPTI concluiu que o uso de métricas para retorno sobre investimento nas iniciativas do Service Desk é um universo absolutamente inexplorado. O foco da revisão foi a análise da cultura de retorno de investimento em TIC.

O termo intangivel, citado frequentemente no levantamento, demonstra que é necessário superar no curto prazo a barreira da falta de informação, pois a maioria dos profissionais de tecnologia tem dificuldades para trabalhar com a ferramenta. Segundo o coordenador da pesquisa, apenas a minoria das empresas (14%) conseguiram implementar métricas praticas de ROI nas ações da central de serviços.

SURPRESA OU APENAS CONSEQUÊNCIA

A HSM recentemente publicou uma pesquisa onde mostrou que a cultura corporativa voltada para o ROI só é realidade em 47% das empresas nacionais. Os analistas especialistas consideraram como normal a concentração de cultura corporativa voltada ao ROI nas grandes e médias empresas. A explicação é simples. Estas organizações têm maior exigência sobre tema.

A revisão da PNIPTI procurou entender porque mesmo nas empresas com cultura madura de ROI os casos de presença de metricas de retorno de investimento para a central de serviços são raros. A pesquisa também mostrou que as companhias multinacionais representam praticamente todos os casos de ROI na central de serviços.

A PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR É PORQUE O ROI DO SERVICE DESK NÃO É MEDIDO PELA GRANDE MAIORIA DAS EMPRESAS.


A revisão da PNIPTI ouviu 116 empresas. A maioria no segmento serviços (53%). As respostas foram fornecidas pelos profissionais de TI em 76% dos casos. A maioria das empresas era pequena (58%) e as nacionais representavam 74%. As entrevistas foram realizadas durante o mês de Outubro através da internet.

A explicação para maior consciência de ROI no Service Desk entre as multinacionais esta relacionada com a pressão exercida pela matriz por resultados. Em outras palavras os novos investimentos precisam ser justificados. As metricas representam na pratica corporativa o caminho concreto e objetivo para medir o que foi alcançado. Os resultados obtidos também são utilizados para projetar o futuro. A pesquisa mostrou que a cobrança por resultado neste perfil de empresa é muito intensa.

Como é comum encontrar no mercado nacional empresas medindo o resultado apenas pelas vendas é natural que a performance do negócio seja esquecida e ignorada. O resultado encontrado ROI do Service Desk desconhecido por 86% das empresas é apenas e tão somente consequência da estratégia de medir apenas pelas vendas e da sensação de complexidade (e dificuldade) elevada para medir os resultados.

Entre as dificuldades mais apontadas estão a existência de um volume elevado de indicadores que são imprecisos ou de medição não óbvia. A principal abordagem da avaliação do benefício do Service Desk (pesquisa de satisfação) é considerada subjetiva e intangível, pois ou existem muitas variáveis ou o tempo demandado é muito longo.

A revisão da PNIPTI mostrou que o mercado almeja por critérios mais técnicos e menos intangíveis na hora de calcular o retorno. Nos casos de sucesso, o ROI foi calculado em função da agregação de valor para vendas (42%) ou investimento (39%). Resultados de pesquisa de satisfação, visibilidade da central de serviço, nível de exposição dos atendentes, percepção ou lembrança da qualidade dos serviços realizados estão entre os critérios menos citados para os que medem com sucesso.

AS MÉTRICAS DE ROI PARA A CENTRAL DEVEM SER SIMPLES

O sentimento de complexidade nas metricas do ROI é basicamente o reflexo no espelho da falta de maturidade prática para medir o retorno do investimento. Os indicadores considerados como intangíveis podem ser facilmente tangibilizados e medidos no instante em que os serviços oferecidos passaram a ser descritos serviços de TI de valor agregado. A seguir temos alguns exemplos de serviços de TIC orientado ao negócio:





Adotando este simples estratagema, a organização de TIC consegue projeção institucional através de objetivos claros. Basicamente estamos falando da estratégia de marketing consagrada de comunicar os atributos da marca e aumentar a sua visibilidade através da demonstraçao do valor agregado. A desmistificação do ROI através de serviços reais de TIC é sem sombra de dúvida o melhor caminho para implantar métricas.

A complexidade para medir o retorno é muito menor quando existe o entendimento do que é oferecido, comprado e entregue. As ações de marketing direto só são relevantes e possíveis quando o cliente (usuário) pode comparar a oferta de serviços (interno) com outras (externa). No instante em que o catálogo de serviços é expresso em termos da realidade da organização é possível o pleno saber e o entendimento do custo e benefício.

Ao trabalhar com este nível de relevância para o negócio, a organização de tecnologia consegue alavancar ações complexas de marketing como patrocínio para projetos de maturação de longo prazo e campanhas publicitárias para projetos de colaboração corporativa. Soluções reais de INTRANET ou bases de conhecimento (por exemplo, a do Service Desk) exigem a realização de eventos e superação do desafio da limitação do modelo de negócio em uso.

Expressar o catálogo de serviços em termos de “iT service enable” pode tanto ser loucura como desafio. Tudo depende do objetivo. A grande vantagem deste estratagema é que ele permite que a central de serviços trabalhe com os conceitos simples do marketing. Promoções de vendas (tipo pacotes), programas de relacionamento, marketing one to one e ações específicas no "ponto-de-venda" são iniciativas que podem agora ser empregadas.

Em muitos casos de mercado elas foram fundamentais para o sucesso. A PNIPTI mostrou que quem escolheu esta estrada simplificou muito a complexidade da avaliação do numerador do ROI.

A explicação para tamanho resultado está na superação da dificuldade de ter uma política corporativa de ROI. A revisão 360º da pesquisa nacional dos indicares da performance de TI mostrou que para 27% dos entrevistados o principal entrave para medir ROI na central de serviços estava relacionado com o real desejo de medir.

O segundo maior entrave (para 24% dos ouvidos) era a falta de capital intelectual [(i) ausência de programa de capacitação, (ii) falta de domínio técnico e (iii) dificuldade para obter informações sobre o tema].

O executivo da pesquisa comentou que ficou muito preocupado com o sentimento de desconforto que os profissionais mostravam quando falavam sobre ROI no Service Desk. Os especialistas justificam esta sensação pelo fato que eles estão cientes que o dia em que eles serão cobrados pelo ROI esta cada vez mais perto.

COPY - PASTE DO MARKETING?

Com a superação da crise mundial, muitas empresas passaram a ter como meta para 2010 a adoção de métricas de ROI. Uma rápida pesquisa informal mostrou que 65% das companhias querem medir o ROI nos próximos dois anos. Um recente estudo de mercado mostrou que na maior parte dos casos de sucesso na medição do ROI ele é conduzido pelo departamento de marketing.


Isso é apenas mais um indício que TIC deve olhar com carinho e aprender com o marketing. Muitas oportunidades de emprego para profissionais de tecnologia virão deste caminho nos próximos cinco anos. As oportunidades vão aparecer pelo conflito de interesse. Não é saudável que a medição do retorno do negócio seja realizada pela área responsável pelo crescimento do mesmo. Sempre existirá espaço para a desconfiança (resultados maquiados). TIC é o candidato natural para assumir a tarefa.

Apesar das dificuldades apontadas pelos entrevistados para a medição do ROI do Service Desk, para 89% das empresas pesquisadas as atuais ferramentas disponíveis na organização permitem a execução da tarefa de forma efetiva. O real problema está relacionado com a falta de capital intelectual. Nos casos onde o sucesso do ROI já faz parte da rotina, o estratagema de copiar a metodologia de medição de um projeto anterior foi utilizado.

Este seleto grupo afirmou de forma uníssona que a utilização de uma base de informações (base de conhecimento) foi fundamental para o planejamento das ações para o ROI da central de serviços. Com a maturidade do ROI veio o planejamento dos novos serviços de TIC. Em geral o lançamento dos serviços no ano da crise mundial (2009) exigiu planejamento de médio prazo. A maioria dos casos de retorno positivo demandou por plano de quatro meses.

TEM ESPAÇO PARA DESKTOP NO CLOUD COMPUTING?

A grande maioria do que está sendo escrito sobre as tecnologias em nuvem tem foco nas soluções de mobilidade. Em função das necessidades pessoais e corporativas de resiliencia e agilidade é natural que exista na prática uma concentração de foco com tamanha intensidade que o tema “mobilidade na computação em nuvem” monopolize as atenções. A pergunta que os usuários de computadores de mesa estão fazendo é “Esqueceram de nós?”, “Será que podemos participar da festa também?”.


A boa notícia do mercado para os usuários de computadores de mesa é que já existem soluções na nuvem para eles também. O ovo de Colombo para a realização desta importante empreitada foi a disponibilização de uma aplicação que permite a criação de ambiente computacional com infraestrutura de grupo.

Como toda inovação, o aplicativo está em fase de amadurecimento e por isto ainda é bastante sensível. As condições da entrega do “client” precisam de rigoroso controle para assegurar a qualidade correta do serviço. O atual poder de fogo dos computadores de mesa faz com que o desafio seja uma empreitada de rara dificuldade.

A “ILAND WORKFORCE CLOUD” encontrou uma solução muito elegante para a questão da elevada capacidade computacional dos desktops e resolveu o principal desafio da barreira da conectividade. A redução do tempo de latência para o acesso aos recursos do servidor que estão na nuvem foi fundamental para viabilizar a solução. As necessidades de conectividade foram completamente endereçadas através do estratagema de colocar na nuvem tanto o servidor como o computador de mesa.

A abordagem servidor e o desktop na mesma nuvem permitiu viabilizar a conectividade entre estas duas zonas de infraestrutura (servidor e computador de mesa conectados através de rede Gigabit ou 10 Gigabit). A reduzida latência entre as duas zonas de infraestrutura é conseqüência do desempenho rico da conexão. Com esta arquitetura, a experiência do usuário de computação virtual de mesa hospedado na nuvem é semelhante a dos usuários de computação móvel.

Como acontece em todas as soluções existentes de desktop virtual não são todas as situações que podem ser aplicadas no ambiente de nuvem. Como exemplo de situação não suportada é possível citar o caso das aplicações de multimídia rica ou das soluções gráficas para projetos onde o processamento local de vídeo faz mais sentido pela necessidade de alta qualidade.

O estratagema utilizado alcançou sucesso porque ele é diferente das outras ofertas de nuvem. A solução técnica não usa a abordagem tradicional de APIs. Foi desenvolvida uma solução em que a infraestrutura e os recursos de tecnologia estão na nuvem.

Um exemplo da performance elevada obtida é a aplicação “filtro de mensagens do correio eletrônico”. Com a solução proposta, o usuário pode posicionar a aplicação tanto na sua central de processamento de dados como na nuvem central da ILAND. Esta flexibilidade de configuração possibilita diferentes estratégias de recuperação de desastres e para o balanceamento de carga.

A solução permite que os usuários de computadores de mesa tenham sempre a mesma experiência fim a fim. A conectividade é endereçada em função dos requisitos dos clientes para a rede privada virtual (“client” e “site”). Em geral o mercado utiliza a solução tradicional túnel de SSL para estes casos.

CONCLUSÃO

O estratagema da conectividade assegurou alto desempenho, diferenciação e atratividade para a solução.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

ESTIMANDO E CONTROLANDO OS CUSTOS DOS PROJETOS ATRAVÉS DE 10 PRATICAS SIMPLES

Aumentar a lucratividade corporativa através das iniciativas é importante para todas as empresas, por isto praticar o gerenciamento financeiro nos projetos de TI é algo muito maior do que apenas ser eficiente. É preciso ser efetivo, pois existem diversas razões para o descontrole dos custos nos projetos de TI. 
  1. Falta de entendimento das principais pressões para os custos de TI
  2. Falta de integração do fluxo de caixa dos projetos de TI com o estratagema corporativo
  3. Uso dos recursos financeiros sem efetividade
  4. Falta de analise dos gastos em TI como um investimento que exige acompanhamento dinâmico do desempenho e adoção de processos robustos e consistentes para as decisões
A estimativa efetiva dos custos de um projeto de TI é apenas a primeira parte da jornada a ser trilhada. O controle dos custos durante a execução do projeto é sem sombra de dúvida uma atividade altamente crítica para o sucesso operacional do projeto. Neste ensaio serão apresentadas algumas sugestões para melhorar o gerenciamento financeiro dos projetos de TI através da evolução da estimativa e controle dos custos.

 
1. Controle dos custos estimados

 
Todas as despesas destinadas para a manutenção dos sistemas em produção devem fazer parte do orçamento estimado de custos. Basicamente estamos falando dos custos para que as operações de TI funcionem conforme o acordado com os usuários. Em geral as despesas de manutenção correspondem a 70% de todos os gastos realizados em TI, por isto não existe lugar melhor para aprimorar os controles e eliminar os desperdícios e ineficiências.

 
A má notícia das despesas de manutenção das operações de TI é que elas têm tendência de crescimento com o tempo em função da implantação de novos sistemas e mais dinheiro em manutenção significa na prática menos recursos para inovações e novos projetos. Do ponto de vista de demonstração dos resultados os custos de manutenção não são favoráveis, pois a organização fica com a impressão que as despesas estão crescendo enquanto o investimento está no mesmo nível ou em declínio.

 
No entanto não estamos falando apenas de espinhos, existem rosas no roseiral. A boa notícia é que os custos estimados no orçamento podem ser facilmente controlados. Renegociações dos contratos com os fornecedores em função de ganhos de produtividade, revisões do nível de serviços acordados, gerenciamento efetivo dos ativos, consolidação dos servidores, desativação das aplicações sem uso, eliminação das informações inúteis, redução do calor desnecessário produzido, aumento da efetividade do uso da energia elétrica mantêm uma arquitetura corporativa sólida e permite o uso efetivo de boas praticas para os projetos e gerenciamento real para os recursos.

 
Atividades simples como as citadas permitem não apenas o controle efetivo das despesas, mas na grande maioria dos casos abre espaço para uma forte redução da participação dos custos de manutenção nos investimento em TI. A conseqüência desta postura organizacional é que os problemas dos custos de oportunidade são evitados. O time de tecnologia precisa pensar nos projetos de TI como um portfólio de investimento. O objetivo é maximizar o valor agregado e a rentabilidade da empresa. Como analogia, nós podemos considerar as despesas de manutenção de uma empresa como os nossos gastos com comida, roupa e casa. São despesas importantes, mas nós temos que reservar algum dinheiro para educação, lazer, saúde e etc.

 
2. Identificação do impacto das despesas ocultas

 
O instituto de conhecimento Gartner acredita que mais de 10% dos gastos corporativos de tecnologia ocorrem em nas unidades do negócio sem controle algum. Diversos fatores catalisam o crescimento dos custos ocultos: Modelo organizacional de competências e responsabilidades que restringe a efetividade dos controles, estrutura corporativa aparentemente ágil através da ausência de políticas e procedimentos, modelo de autoridade onde os gerentes das unidades de negócio têm a responsabilidade pelos gastos de tecnologia de forma descentralizada, decisões independentes de terceirização de TI pelas unidades de negócio desconsiderando a arquitetura corporativa e a missão do departamento.

 
O impacto dos custos ocultos de tecnologia é profundo na estrutura orçamentária de TI e em geral evita o controle efetivo das despesas dos projetos. Arquiteturas complexas das aplicações provocam atrasos na execução das mudanças demandadas pelos projetos e resultam em aumento de custos e oportunidades de negócio perdidas. Em diversos casos encontramos a situação em que as aplicações patrocinadas pelas unidades de negócio foram incorporadas para a competência de TI e o custo de suporte e manutenção foi aumentado de forma não prevista. Não é rara a situação em que a unidade de negócio tem práticas que conflitam com metas estratégicas globais provocando aumento de custos e resultando em informações inúteis. O aspecto do custo oculto é importante para pequenas e grandes companhias, pois as decisões fundamentais do negócio devem ser baseadas em informações sólidas.

 
3. Identificação dos custos do ciclo de vida

 
Como regra geral os custos de manutenção anual durante o ciclo de vida das aplicações correspondem entre 40% e 60% do seu custo de desenvolvimento. Parece exagerado, né? Estas despesas são relativas aos custos de suporte, manutenção, operação, licença, infraestrutura (energia elétrica, refrigeração, servidor e etc.) e equipe (Service Desk e Staff) das aplicações.

 
O elevado valor das despesas de manutenção torna crítica a atividade de controlar os custos do ciclo de vida das aplicações. Para viabilizar o controle é fundamental que TI realize a atividade de identificação e manutenção das informações sobre todos os novos trabalhos em andamento de desenvolvimento por toda empresa e participe ativamente em todos os projetos para que eles tenham valor agregado para o negócio. A comunicação de acontecer sempre e deve ser feita com efetividade e rigor. Comunique freqüentemente para a alta administração tanto os custos estimados como as despesas reais apropriadas aos projetos. É muito importante a manutenção atualizada de um registro histórico de todos os custos.

 
4. Entendimento das condições assumidas para as estimativas de custo

 
Como descobrir se os custos estimados representam a realidade proposta? Na realidade prática a avaliação das estimativas é uma atividade muito complexa, pois não existe bola do cristal. No entanto a ausência de bola de cristal não justifica a realidade atual em que na maioria dos casos os custos das iniciativas de TI excedem as estimativas originais em mais de 100%.

 
Claramente está faltando conhecimento corporativo nas principais iniciativas. É comum encontrar situações em que os avisos e conselhos são ignorados ou omitidos e os processos de negócio mudam rapidamente e impactam fortemente o ambiente de tecnologia. É comum encontrar situações em que a estimativa de custos foi realizada sem que o escopo do projeto tenha sido definido completamente.

 
Os profissionais de TI, independente do seu papel no projeto, têm a obrigação de informar a situação atual de TI para os gerentes de negócio e trabalhar no sentido de gerar expectativas realistas. Apenas desta forma as suposições assumidas terão algum sentido e poderão ser explicadas. Os gestores de TI precisam rastrear os principais esforços de desenvolvimento através de toda empresa, independente das atribuições e responsabilidades, e participar na criação da base de conhecimento dos custos de suporte e manutenção para conseguir avaliar se as estimativas são uma peça de ficção ou não.

 
Nunca subestime os custos de manutenção e suporte do ciclo de vida da solução e não cometa o erro clássico de executar um orçamento antecipadamente subavaliando o impacto das estimativas incompletas. Os custos dos projetos devem estar sempre dentro do campo visual e obrigatoriamente precisam ser rastreáveis. Os desdobramentos ou conseqüências dos desvios dos custos devem ser comunicados o mais rapidamente possível após a sua identificação com rigor e robustez.

 
5. Grau de alavancagem dos investimentos nos sistema atuais

 
Para assegurar o máximo valor agregado e o endereçamento das metas do ROI as compras de aplicações, softwares, rede, infraestrutura, serviços e demais investimentos em TI devem ser revistas pelo menos uma vez por ano. A avaliação deve começar pelos requisitos planejados e a revisão deve assegurar o endereçamento do retorno do investimento das entregas. As mudanças no ambiente de negócios devem ser consideradas e a revisão deve analisar a necessidade de novos requisitos e como eles vão estar suportados pelos sistemas existentes. Caso ocorra uma reengenharia do negócio, ela deve ser considerada também. Os processos consolidados devem ser também revistos para verificar se eles são aderentes ao novo modelo organizacional e para realizar mudanças onde elas forem necessárias. As principais características dos fornecedores e soluções devem ser revisitadas para assegurar que elas ainda atendem as necessidades da organização.

 
A arquitetura de uma empresa é organismo vivo. Ela está em constante mudança. A manutenção na mente do time de TI que as mudanças no ambiente de negócio acontecem freqüentemente facilita o entendimento e identificação dos ajustes necessários nos componentes existentes. A integração com o negócio, mantendo um alinhamento dinâmico dos projetos, é um caminho consagrado e efetivo para gerenciar e controlar os custos totais.

 
6. Implementação de metas de custos de curto prazo

 
Freqüentemente os custos podem ser controlados através de soluções táticas. O estratagema de pensamento de curto prazo pode ser uma ferramenta efetiva na estimação real das despesas do projeto. Neste caso existe um claro foco nos detalhes. Uma viagem de avião entre São Paulo a Manaus é sem sombra de dúvida um vôo comprido, no entanto não pode ser ignorado ou esquecido que é preciso em primeiro lugar realizar diversas atividades para chegar ao aeroporto de Cumbica.

 
Um estratagema interessante para controlar os custos no curto prazo é adiar as compras para o ultimo prazo possível. A estratégia oferece tempo para negociar melhor e permite identificar a solução com menor custo durante o ciclo de vida. O escopo do projeto deve ser gerenciado e controlado sempre. É muito importante que seja alcançado o mais rápido possível um acordo com os usuários, clientes e patrocinadores da unidade do negócio sobre o escopo do projeto. Assim que o acordo for alcançado ele deve ser escrito e comunicado.

 
A conquista do gerenciamento efetivo das mudanças limita ou adia para depois da entrega do projeto a maioria das inevitáveis conversas sobre “apenas um detalhezinho a mais”. Estas coisinhas a mais representam a maior parte das razões para o aumento dos custos.

 
Os custos dos recursos humanos devem ser controlados. Existem apenas duas justificativas para empregar especialistas externos nos projetos. A primeira é o endereçamento da necessidade de conhecimento (existe a demanda de um conhecimento que a organização não possui) e a segunda é completar o time diante da ausência de recursos humanos (não existem recursos suficientes para completar o projeto no prazo). Devem ser negociadas neste tipo de situação as melhoras taxas possíveis e sempre que possível os acordos devem ser expressos em termos de preço fixo.

 
7. Implementação de metas de custos de longo prazo

 
Executar as ações táticas para alcançar os gols de curto prazo não significa esquecer as metas estratégicas de longo prazo. Tenha sempre certeza absoluta que existe uma arquitetura corporativa. Em geral a tarefa de construir uma estrutura é muito difícil sem a existência de um modelo. Os processos e sistemas duplicados devem ser eliminados, pois eles provocam custos de longo prazo desnecessários. Em função das mudanças no negócio é vital que as prioridades e justificativas dos projetos sejam revistas regularmente. Apenas porque alguma coisa fazia sentido no ultimo trimestre do ano anterior não quer dizer que ela ainda faça um ano depois. O orçamento não pode ser esbanjado. Existem custos que são extremamente controlados e provocam aumentos das despesas. O custo das informações inúteis é um exemplo clássico de custo controlado que gera aumento das despesas.

 
8. Implementação de mecanismos para preços e cobranças

 
Existem algumas dezenas de casos que a organização de TI resolveu cobrar pelos serviços oferecidos para as unidades de negócio. Em praticamente todos eles o CIO alcançou sucesso com o novo enfoque e economizou milhões de reais. No entanto, existiram diversos casos de demissão do executivo de TI porque a abordagem utilizada catalisa os riscos políticos.

 
O grande problema que a organização de TI enfrenta neste tipo de situação é que sem um mecanismo de cobrança, as unidades de negócio tendem a olham para TI como uma gigantesca nuvem de recursos gratuita. Toda vez que foi introduzido um mecanismo de cobranças as unidades de negócio reclama para si a liberdade de adquirir serviços externos de tecnologia com preços menores e TI perde o controle e afasta-se do negócio.

 
O desafio da organização de TI é provar que existem caminhos para que as unidades de negócio sejam responsáveis pela compra dos serviços em que ocorram perdas no controle centralizado da arquitetura de tecnologia. Os serviços internos de TI precisam ser competitivos com os serviços oferecidos externamente. A melhor forma de endereçar este objetivo é a realização periódica de exercícios de comparações. Não subestime a necessidade de recursos para administrar efetivamente o gerenciamento das cobranças para assegurar que as unidades de negócio unidades tenham todas as informações necessárias e não tenham sentimento de desvantagem. TI precisa ter uma cristalina compreensão de todos os custos e deve gerenciar a demanda de forma adequada. É recomendável o uso de pesquisas de satisfação, acordos do nível de serviços (deve existir sempre) e sempre demonstre e comunique o equilíbrio entre nível de serviço, benefício e custo.

 
9. A governança deve direcionar as decisões de investimento

 
É comum encontrar no mercado empresas que realizam vôos cegos com praticamente nenhuma sinergia entre TI e negócio. Nestes casos TI é sempre considerado um mal necessário e é um centro de custos. Nestas organizações apenas o que considerado missão critica tem controle efetivo de custo. A grande maioria dos serviços tem custos controlados em função do curto prazo e não do ciclo de vida.

 
As organizações rentáveis entendem que TI agrega valor ao negócio e são casos reais na pratica de colaboração e integração entre TI e negócio. Um conselho estratégico esta presente nestas empresas para avaliar questões como estratégia, políticas, prioridades e financiamento. Em geral o conselho do negócio define as prioridades, supervisiona os projetos e mede e comunica o sucesso dos projetos realizados em todas as unidades de negócio.

 
O grupo precisa é claro ter autoridade e coragem para cancelar projetos sempre que for necessário. Não deve ser regra corporativa que tudo o que é iniciado deve ser finalizado. Neste perfil de empresa, existem também conselhos técnicos que trabalham em conjunto com o conselho estratégico para desenvolver as diretrizes e princípios gerais para as praticas e padrões da tecnologia. No mercado existem empresas que utilizam as três estruturas corporativas citadas. Dependendo da forma como elas atuam pode existir alguma superposição. A missão de cada uma das estruturas é mutuamente exclusiva.

 
10. Quantifique a proposta de valor e benefícios dos investimentos em TI

 
TI existe para agregar valor e cumprir importante papel na realização das metas estratégicas da organização. Como a organização pode provar que está executando as atividades corretas para endereçar os gols corporativos? A simples entrega de serviços, soluções, projetos, sistemas e etc. não significa na pratica coisa alguma. Os serviços, soluções, projetos, sistemas e etc. entregues funcionam? Eles agregam valor? O valor é mensurável? Ele é consistente em relação a missão corporativa?

 
Os benefícios do trabalho de TI quantificáveis estão relacionados com a melhoria da eficiência operacional, ganhos de produtividade dos recursos humanos, melhoria da qualidade das decisões e suporte ou habilitação das iniciativas estratégicas corporativas. O que é mais crítico para TI do que assegurar a credibilidade das métricas usadas para justificar os investimentos e para permitir as avaliações depois da execução das atividades? Veja o exemplo de um projeto de TI que reduziu o tempo de execução das atividades dos colaboradores pela metade. O benefício da tecnologia não foi a redução da folha de pagamento pela metade. A empresa não demitiu metade da sua força de trabalho. Na grande maioria dos casos as pessoas foram realocadas para outras atividades. Em outras palavras a métrica utilizada para justificar o investimento em projetos como o do exemplo não pode ser a eliminação de posições de trabalho, pois esta redução de custo provavelmente não irá acontecer

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Vinte e um motivos por que TI necessita de controle

  1. As organizações de sucesso entendem e administram os riscos associados com a implementação de novas tecnologias.
  2. Pressão crescente para o uso da tecnologia de informações para alavancar as estratégias empresariais
  3. Crescente complexidade do ambiente
  4. Infra-estrutura descentralizada
  5. Falhas na comunicação entre as áreas de negócio e TI
  6. Crescente nível de terceirização dos serviços de TI
  7. Níveis de serviço de TI que não atendem as necessidades do negócio
  8. Custos percebidos descontrolados
  9. Ganhos marginais de produtividade
  10. Baixo ROI nos investimentos de tecnologia
  11. Falta de agilidade para mudanças
  12. Reduzida flexibilidade organizacional
  13. Frequente frustração dos usuários e empresas usuárias de TI
  14. Uso frequente de soluções que não resolvem o problema real
  15. Dependência crescente pelo negócio de informações e sistemas
  16. Ameaças e vulnerabilidade crescentes
  17. Custo dos investimentos atuais e futuros em informações e sistemas
  18. Necessidade de ser aderente as regulamentações do mercado
  19. Potencial das tecnologias para mudarem organizações e práticas de negócio
  20. Criação de novas oportunidades e redução dos custos
  21. Comunicar com transparência os benefícios das tecnologias