terça-feira, 3 de março de 2026

Colaboração Coletiva

Um dos melhores exemplos de colaboração coletiva é o quarto gol do Brasil na final contra a Itália da copa do mundo de 1970. Neste gol o Tostão que estava de costas para o gol defendido pela Itália sinalizou para o Pelé que o Carlos Alberto estava vindo detrás dele e o Pelé deu o passe para o capitão do Brasil sem olhar e o Carlos Alberto fez o gol (https://www.youtube.com/shorts/HCCOt-3kVxg, acessado em 03/03/2026).

 

Este nível de colaboração só ocorreu porque todas as partes envolvidas confiavam umas nas outras. A palavra-chave aqui é confiança.

 

Nas últimas décadas, foram colocados em prática pelas corporações diversos projetos de colaboração e a maioria deles fracassaram. Em alguns casos foram usados softwares específicos de colaboração como por exemplo a intranet.

 

O resultado alcançado foi pífio porque nenhum destes projetos tratou com a ênfase correta a questão da confiança entre as partes. Problemas de elevada rotatividade dos funcionários, problemas de etarismo nas organizações e problemas de “roubar” ideias alheias foram as causas mais comuns dos fracassos da colaboração coletiva.

 

Muitas destas iniciativas eram baseadas em um software de colaboração (alguns muito bons) e não existiam regras claras e explicitas de competição entre os funcionários ou times.

 

O comportamento individual de ganhar as disputas no curto prazo prevaleceu nas corporações no Brasil e gerou o problema de falta de confiança entre as partes envolvidas.

 

O foco foi a tecnologia física (o software de colaboração) e não a tecnologia social (aumentar o nível de confiança entre as partes). A confiança vem com o relacionamento de longo prazo, com a consistência das ações e com a estabilidade dos times.

 

Alguns tentaram o uso de metas coletivas para fomentar a colaboração coletiva e fracassaram. O problema das metas coletivas em ambiente de baixo nível de confiança é que elas ficam apenas nas intenções e na primeira oportunidade de curto prazo elas são abandonadas, pois inexistem compromissos entre as partes.

 

A elevada rotatividade dos funcionários e o etarismo nas corporações são barreiras gigantescas contra os relacionamentos de longo prazo e a criação de ambiente focado na confiança.

 

Se o Tostão não tivesse sinalizado para o Pelé sobre a corrida do Carlos Alberto, possivelmente não aconteceria o gol. Se o Carlos Alberto não confiasse na sinalização do Tostão e passe do Pelé o gol não aconteceria.

 

Na era do conhecimento a confiança é um fator crítico de sucesso para os projetos colaborativos. Será que alguém participará do processo de colaboração diante da incerteza do emprego no futuro? (Empresa demite 4.000 por causa da IA e ações disparam 20%, https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ronaldolemos/2026/03/empresa-demite-4000-por-causa-da-ia-e-acoes-disparam-20.shtml?utm_source=sharenativo&utm_medium=social&utm_campaign=sharenativo).

 

 

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