Um dos melhores exemplos de colaboração coletiva é o quarto gol do Brasil na final contra a Itália da copa do mundo de 1970. Neste gol o Tostão que estava de costas para o gol defendido pela Itália sinalizou para o Pelé que o Carlos Alberto estava vindo detrás dele e o Pelé deu o passe para o capitão do Brasil sem olhar e o Carlos Alberto fez o gol (https://www.youtube.com/shorts/HCCOt-3kVxg, acessado em 03/03/2026).
Este
nível de colaboração só ocorreu porque todas as partes envolvidas confiavam
umas nas outras. A palavra-chave aqui é confiança.
Nas
últimas décadas, foram colocados em prática pelas corporações diversos projetos
de colaboração e a maioria deles fracassaram. Em alguns casos foram usados
softwares específicos de colaboração como por exemplo a intranet.
O
resultado alcançado foi pífio porque nenhum destes projetos tratou com a ênfase
correta a questão da confiança entre as partes. Problemas de elevada
rotatividade dos funcionários, problemas de etarismo nas organizações e
problemas de “roubar” ideias alheias foram as causas mais comuns dos fracassos
da colaboração coletiva.
Muitas
destas iniciativas eram baseadas em um software de colaboração (alguns muito
bons) e não existiam regras claras e explicitas de competição entre os
funcionários ou times.
O
comportamento individual de ganhar as disputas no curto prazo prevaleceu nas
corporações no Brasil e gerou o problema de falta de confiança entre as partes
envolvidas.
O foco
foi a tecnologia física (o software de colaboração) e não a tecnologia social
(aumentar o nível de confiança entre as partes). A confiança vem com o
relacionamento de longo prazo, com a consistência das ações e com a
estabilidade dos times.
Alguns
tentaram o uso de metas coletivas para fomentar a colaboração coletiva e
fracassaram. O problema das metas coletivas em ambiente de baixo nível de
confiança é que elas ficam apenas nas intenções e na primeira oportunidade de
curto prazo elas são abandonadas, pois inexistem compromissos entre as partes.
A elevada
rotatividade dos funcionários e o etarismo nas corporações são barreiras
gigantescas contra os relacionamentos de longo prazo e a criação de ambiente
focado na confiança.
Se o
Tostão não tivesse sinalizado para o Pelé sobre a corrida do Carlos Alberto,
possivelmente não aconteceria o gol. Se o Carlos Alberto não confiasse na
sinalização do Tostão e passe do Pelé o gol não aconteceria.
Na era do
conhecimento a confiança é um fator crítico de sucesso para os projetos
colaborativos. Será que alguém participará do processo de colaboração diante da
incerteza do emprego no futuro? (Empresa demite 4.000 por causa da IA e ações
disparam 20%, https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ronaldolemos/2026/03/empresa-demite-4000-por-causa-da-ia-e-acoes-disparam-20.shtml?utm_source=sharenativo&utm_medium=social&utm_campaign=sharenativo).
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