quarta-feira, 28 de fevereiro de 2024

Golpes digitais

O artigo “Golpes digitais: brasileiros perderam mais de R$ 1 bilhão em 2023” (https://olhardigital.com.br/2024/02/08/seguranca/golpes-digitais-brasileiros-perderam-mais-de-r-1-bilhao-em-2023/, acessado em 28/02/2024) revelou que os brasileiros perderam aproximadamente R$ 1,1 bilhão em 2023 (crescimento de 12% em relação ao ano de 2022).

 

É muito dinheiro perdido em golpes baseados em uma engenharia social fraca. Claramente os alertas dos sindicatos, dos bancos, das operadoras de saúde etc. não estão sendo assimilados pela população brasileira.

 

As vítimas dos golpes não fazem parte de uma determinada faixa etária ou qualquer outra característica socioeconômica. As vítimas estão dispersas em diversos perfis.

 

Para acabar com esta praga que está consumindo uma parte importante da riqueza nacional, é preciso mostrar para as pessoas o modus operandi dos ataques, pois na maioria dos casos é um único estratagema que é repetido milhões de vezes apenas com a troca dos nomes.

 

O uso da inteligência artificial pelos malfeitores para perpetuar os golpes pode ser facilmente anulado com algumas simples perguntas como por exemplo perguntar sobre um parente inexistente e ver a resposta.

 

O valor de R$ 1,1 bilhão é bastante elevado, mas o que realmente preocupa é a taxa de crescimento do sucesso dos golpes de 12%. É uma taxa de crescimento típica das organizações exponenciais.

 

O volume transacionado nos ransomwares já alcançou um patamar de gravidade extrema no Brasil, pois a maioria das empresas do setor de saúde já foram atacadas com sucesso.

 

No mundo moderno, o dinheiro gera mais dinheiro, ou seja, uma parte expressiva destes 1,1 bilhões será usada na compra de novas tecnologias que aumentem a taxa de sucesso dos golpes digitais.

 

Cada golpe bem-sucedido, cada resgate pago financia a indústria dos malfeitores e atrai mais malfeitores. Uma taxa de crescimento exponencial do sucesso dos golpes geral uma espiral positiva de investimento e retorno de investimento que poderá alcançar a casa da centena de bilhão de reais em pouco tempo.

 

É preciso romper a espiral positiva de sucesso dos golpes urgentemente e a melhor forma é disseminar na população o conhecimento do modus operandi dos ataques.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2024

Home office e etarismo

Home office

 

Em diversos momentos este blog destacou que o home office aumenta a produtividade da empresa. Tal afirmação foi contestada em diversos momentos por aqueles que evitam a análise de fatos e informações e buscam análises baseadas na intuição (ou seja, achismo ou chutes).

 

Mais uma vez o capital intelectual, mostrou a superioridade das suas projeções e o estudo recentemente divulgado da FGV/IBRE revelou que os empregadores encontraram ganhos de cerca de 30% na produtividade dos trabalhadores em home office.

 

Em diversos setores da economia, ganhos de produtividade nesta escala garantem uma elevada vantagem competitiva em relação aos seus concorrentes.

 

Na indústria de software e de serviços de suporte de tecnologia em que o maior custo é o da mão de obra, um ganho de produtividade do trabalhador de 30% faz enorme diferença nas acirradas disputas do mercado.

 

O estudo confirmou o acerto das afirmações deste blog em relação ao fato de que o home office não é para todas as empresas e nem para todos os funcionários.

 

Existem sim diversas barreiras de entrada para o trabalho remoto e a qualificação técnica e comportamental é a maior barreira.

 

O estudo da FGV/IBRE analisou o home office pós pandemia, ou seja, anos 2022 e 2023 e revelou que os maiores ganhos de produtividade foram alcançados nestes anos, porque o trabalho remoto foi direcionado para trabalhadores específicos que executam atividades determinadas, exatamente o que blog afirmou no começo da pandemia.

 

Quem quiser conferir os números do estudo e os seus respectivos detalhes pode acessar o endereço  AGORA CNN - TARDE | 04/02/2024 (youtube.com) (acessado em 21/02/2024) e posicionar o botão do cursor do tempo em 1:11:29.

 

Etarismo ou preconceito contra o cabelo branco

 

O artigo “Fui demitida depois dos 40. E agora? Veja estratégias para montar um plano de ação e conseguir a recolocação ou dar início a um empreendimento” (https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ana-fontes/2024/02/fui-demitida-depois-dos-40-e-agora.shtml, acessão em 21/02/2024) afirmou que “ninguém está muito preocupado em incluir pessoas 50+ nos espaços de trabalho” e perguntou “Em que momento mulheres com seus 30 anos já estão sendo consideradas ‘’velhas’’?”.

 

A autora afirmou no texto que muitas mulheres demitidas por causa da idade não conseguem retornar ao mercado de trabalho e que o empreendedorismo é a válvula de escape para os impactados pelo etarismo no Brasil.

 

A Ana Fontes que é Vice-presidente do Conselho do Pacto Global da ONU Brasil e membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável da Presidência da República não falou sobre uma das mais graves consequências do etarismo na economia nacional.

 

Muitos profissionais altamente qualificados (ou todos) que são demitidos por causa da idade, passam a executar atividades triviais no empreendedorismo.

 

Em geral são atividades relacionadas com vendas ou com a gestão de um pequeno negócio que em pouco tempo serão executadas por uma inteligência artificial.

 

O etarismo em voga no Brasil desde o final dos anos 1980 fez o país perder cérebros brilhantes e qualificações raras. Não é preciso fazer um estudo complexo para perceber os efeitos nefastos do preconceito no emprego.

 

Uma rápida análise do PIB nominal e do PIB per capita desde 1980 revela resultados medíocres e preocupantes. A concentração de renda aumentou e o Brasil perdeu competividade em diversos mercados.

 

A tese de que os mais velhos (em alguns casos acima de 30 anos) não conseguem acompanhar os avanços da tecnologia é completamente desmentida pelos fatos.

 

Diversos setores da economia nacional estão enfrentando graves dificuldades em relação aos concorrentes internacionais que valorizam a competência e capacidade sem se importar com a idade.

 

Empresas americanas e chinesas que entraram recentemente no Brasil, destronaram as gigantes nacionais e levaram diversas empresas centenárias como a Saraiva e Livraria Cultura para a recuperação judicial.

 

Diversas empresas do segmento de transporte estão em recuperação judicial, porque não conseguiram encontrar caminhos viáveis para a sua operação.

 

No segmento da saúde, as perdas, desperdícios e fraudes geraram bilhões de prejuízo para as empresas e diversas delas pagaram milhões de dólares para recuperar os seus próprios dados.

 

A escala de evolução do ransomware no Brasil revela que a estratégia de contratação da mão de obra no Brasil não resultou em maior capacidade para enfrentar os desafios da era digital.

 

Decisões baseadas em achismo ou na intuição para a contratação e manutenção da mão de obra nacional estão destruindo diversos setores da economia e gerando graves distorções sociais.

 

Uma das consequências das distorções sociais é o fato de que cerca de 70% dos brasileiros já sofreram algum tipo de golpe digital. É um número muito alto.

 

Espero que a postagem crie um sentimento de revisão da estratégia de contratação e manutenção da mão de obra no Brasil antes que a inteligência artificial cumpra o seu papel de inviabilizar diversas atividades humanas.

 

O blog tem a certeza de que a mesma pressão que gerou leis para proteger os empregos dos frentistas dos postos de gasolina vai existir para outras atividades.

 

Infelizmente este cabedal de leis gera apenas pobreza, distorção social e concentração de renda.

 

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2024

Inteligência Artificial na Indústria de Software

A inteligência artificial (IA) é uma tecnologia que a indústria de software está usando para desenvolver soluções inovadoras, eficientes e personalizadas para os seus clientes.

 

A IA pode ser aplicada na análise de dados, no reconhecimento de voz e imagem, na automação de processos, na otimização de recursos etc.

 

A inteligência artificial está também sendo utilizada para melhorar tanto a qualidade, quanto a segurança, quanto a produtividade do trabalho realizado pelos desenvolvedores de software.

 

As ferramentas inteligentes ajudam na codificação, na depuração, no teste e na manutenção dos sistemas, ou seja, a IA é um diferencial competitivo para as empresas de desenvolvimento de software que buscam aumentar o alto valor adicionado para os seus clientes.

 

A inteligência artificial está permitindo que as empresas desenvolvedoras de software criem soluções mais inovadoras, eficientes e personalizadas para os seus clientes (análise inteligente de dados, reconhecimento de voz e imagem, automação de processos, otimização de recursos etc.).

 

Neste momento, a IA é um fator de competitividade e de valorização para as empresas de software que querem se diferenciar no mercado e atender as necessidades e demandas dos seus clientes em prazo curto.

 

A inteligência artificial é uma tecnologia que simula o raciocínio humano e é capaz de aprender com os dados, por isto ela oferece flexibilidade, adaptabilidade e simplificação da complexidade.

 

A inteligência artificial permite que os computadores dos desenvolvedores realizem tarefas que normalmente exigiriam habilidades humanas, ou seja, gerenciamento do objetivo da empreitada, do escopo do projeto, dos dados utilizados, dos algoritmos criados, das ferramentas de suporte e apoio, dos recursos, dos custos, dos riscos e das implicações éticas do software.

 

O processo de desenvolvimento de um software passa pelas etapas de planejamento, análise, design, implementação, teste e implantação e a IA é capaz de agregar valor em cada uma destas etapas.

 

A IA pode ser utilizada na definição do problema e no dimensionamento do valor agregado pela solução, pois ela facilita a escolha dos dados e algoritmos mais adequados para o caso em questão.

 

A inteligência artificial também pode ser utilizada para selecionar as ferramentas e as plataformas mais apropriadas para o projeto, permitindo a otimização do gerenciamento dos recursos e custos.

 

A IA é capaz de encontrar caminhos para mitigar tanto os riscos do projeto, quanto as questões éticas relacionadas com a solução em desenvolvimento.

 

É possível testar e implantar o software nos clientes usando uma ferramenta inteligente de configuração do ambiente operacional e de implementação dos recursos.

terça-feira, 30 de janeiro de 2024

Consequências do ransomware

As pesquisas estão revelando os  efeitos dos ataques de ransomware nas empresas, funcionários, consumidores, fornecedores, sociedade e economia.

 

Atualmente diversas organizações e seus funcionários estão enfrentando os danos diretos de médio e longo prazo da perda de dados e reputação.

 

Na dimensão dos danos indiretos as empresas, clientes e fornecedores estão sofrendo graves prejuízos com as perdas de dados e reputação.

 

Existem diversos casos de tratamentos de saúde interrompidos por causa da perda de dados e reputação.

 

Na dimensão da sociedade e economia, a perda de dados e reputação está minando a confiança das pessoas na capacidade do estado em fornecer os serviços básicos.

 

Na dimensão da infraestrutura da arquitetura de TI, as empresas vítimas um ataque de ransomware sofreram danos físicos e digitais em termos dos dados e sistemas.

 

A criptografia de dados pelo ransomware causou perdas devastadoras (milhões de dólares) nos casos em que o sistema de backup foi atacado.

 

Nestes casos, a operação da organização voltou para o lápis e o papel, pois o ataque de ransomware impediu o correto funcionamento dos sistemas de controle de incêndio, das portas etc.

 

Em geral, a resposta contra um ransomware afeta o negócio da empresa porque é preciso isolar por dias ou semanas uma parte da infraestrutura de tecnologia executar as ações de correção e recuperação.

 

Na dimensão financeira, um ataque de ransomware custa o pagamento do resgate, a perda financeira da indisponibilidade causada pelo incidente, o custo para recuperar os sistemas e o custo das oportunidades.

 

A maior parte dos danos financeiros causados por um ataque de ransomware que não são cobertos pelas apólices de seguro, pois em diversos casos é preciso contratar especialistas externos caros para ajudar na resposta ao incidente.

 

Em vários casos, o custo do especialista externo foi maior que o valor do pagamento do resgate, pois o custo de advogados e relações públicas é bastante elevado em incidentes complexos.

 

A dimensão reputacional é uma preocupação para as organizações que são vítimas de um ataque de ransomware, pois a divulgação do incidente na mídia pode fazer com que os clientes ou fornecedores entendam que a empresa é incapaz de fornecer os seus produtos e serviços.

 

Diversos especialistas em comunicação e advogados afirmam que o dano reputacional é grave quando o atendimento ao cliente é interrompido ou quando ocorre vazamento de dados.

 

Na dimensão dos recursos humanos, um ataque de ransomware causa um dano intenso na equipe de profissionais, por causa das preocupações financeiras, aumento da jornada diária de trabalho extremamente longas e negociação com os malfeitores.

 

A equipe de tecnologia sofre um dano psicológico intenso, pois ela compreende com mais detalhe a gravidade do incidente.

terça-feira, 23 de janeiro de 2024

Transformação Digital

A transformação digital é uma grande oportunidade para que as empresas alcancem um patamar elevado de sucesso, pois as tecnologias habilitam ganhos expressivos de produtividade, de eficiência, de inovação, de nível de satisfação dos clientes e colaboradores, de sustentabilidade e de responsabilidade social.

 

A empresa XOK Arquitetos & Associados que é uma firma de arquitetura que atua há mais de vinte anos no mercado brasileiro está investindo na transformação digital para desenvolver projetos inovadores, sustentáveis e personalizados capazes de endereçar as necessidades e expectativas dos clientes.

 

A empresa utiliza softwares de modelagem 3D, realidade aumentada, inteligência artificial e big data para desenvolver projetos mais precisos, criativos e eficientes.

 

O principal objetivo da XOK Arquitetos & Associados em relação as tecnologias digitais é o desenvolvimento de uma plataforma que permita a visualização, simulação e testes dos projetos antes da sua execução.

 

A plataforma digital também é usada no processo de comunicação com os clientes, fornecedores e parceiros, ou seja, o acompanhamento da execução dos projetos, o envio de feedbacks e a resolução de problemas é catapultada para um outro nível de velocidade e qualidade.

 

A firma também está investindo fortemente na capacitação dos colaboradores, através de cursos e treinamentos sobre as tecnologias e as melhores práticas do mercado.

 

A transformação digital habilitou o aumento da competitividade, o nível de satisfação dos clientes e o grau de reconhecimento da XOK Arquitetos & Associados no mercado.

 

A transformação digital possibilitou ganhos de produtividade quase de 70% pela eliminação dos retrabalhos e automatização dos processos. Fonte: Jornada de Transformação Digital: XOK Arquitetos & Associados, https://www.youtube.com/watch?v=q7XM9ZzpBjw, acessado em 23/01/2024.

 

A XOK Arquitetos & Associados usa a tecnologia big data para analisar tanto as tendências do mercado, quanto as preferências dos clientes, quanto as iniciativas dos concorrentes.

 

A tecnologia big data permite que a empresa identifique as oportunidades, os desafios, as soluções de cada projeto com otimização dos recursos, do custo, do prazo e com aumento da rentabilidade e qualidade.

 

Exemplos de transformação digital no Brasil

 

A transformação digital é um processo de uso de tecnologias digitais para melhorar o resultado do negócio, para aumentar a eficiência operacional, para produzir inovações e para criar uma experiência diferenciada para os clientes.

No Brasil, as empresas enfrentam diariamente grandes desafios econômicos, políticos e sociais e por isto, as firmas estão desenvolvendo iniciativas de transformação digital para acelerar a jornada para o lucro superior.

 

O Banco Original foi um dos primeiros bancos que ofereceram serviços totalmente digitais. Desde 2016, o banco permite que os clientes abram contas, realizem transações, solicitem cartões, empréstimos, investimentos etc. pelo aplicativo ou site.

 

O banco usa a inteligência artificial, a biometria facial e a análise analítica de dados para oferecer soluções personalizadas, seguras e ágeis aos seus milhões de clientes.

 

Diversas redes de farmácias criaram um programa de benefícios que utiliza um sistema de inteligência artificial para analisar o perfil de compra dos clientes e oferecer descontos customizados.

 

O aplicativo disponibilizado permite que os clientes consultem os preços dos medicamentos, localizem as farmácias mais próximas e acumulem pontos para descontos posteriores.

 

O Banco Votorantim que atua no atacado e varejo nacional e internacional criou uma plataforma digital para endereçar as necessidades dos clientes e para oferecer crédito pessoal, financiamento de veículos, cartões de crédito e investimentos. A plataforma usa as tecnologias de chatbot, assistente virtual, biometria, reconhecimento facial, inteligência artificial etc.

 

As centrais de atendimento estão usando as soluções de relacionamento com os clientes para proporcionar um atendimento mais rápido, eficiente e satisfatório dos consumidores.

 

As centrais utilizam as tecnologias de inteligência artificial, chatbot, voz sobre IP, omni-channel e analytics para entender o comportamento e as preferências dos clientes e para melhorar as estratégias de negócio.

 

A Intelligenti criou um ecossistema de soluções para a área jurídica baseado na inteligência artificial. A empresa desenvolveu robôs que automatizam a elaboração de peças processuais, que verificam a qualidade e a coerência dos documentos jurídicos e buscam informações nas bases de dados jurídicas.

 

As empresas de gestão de frotas (caminhões, ônibus, aviões etc.) estão usando as soluções de internet das coisas para coletar dados em tempo real sobre o desempenho, consumo, localização e a manutenção dos veículos.

 

A firmas de gestão de frotas estão utilizando as tecnologias de inteligência artificial para analisar os dados capturados e gerar relatórios e alertas para a tomada de decisão dos gestores.

 

As empresas estão usando as plataformas de recrutamento digital para atrair, selecionar e contratar os talentos de forma mais ágil, eficaz e econômica. A inteligência artificial está sendo utilizada para fazer o “casamento” entre os candidatos e as vagas.

 

A Magazine Luiza é um excelente exemplo de transformação digital no varejo, ela investiu pesadamente na integração entre os canais online e off-line, na criação de um “marketplace”, na oferta de serviços financeiros digitais e na utilização de inteligência artificial e chatbot para atender os clientes.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2023

Segurança digital

A segurança digital vem sendo negligenciada no Brasil por várias décadas pelo setor público e privado. Em particular, a segurança digital no setor público vem falhando copiosamente.

 

São inúmeros os casos de vazamentos de dados e de invasões aos dispositivos e redes sociais de agentes públicos importantes. Falhas elementares estão permitindo que invasores com baixa capacitação e experiência tenham sucesso na captura de dispositivos, redes sociais, mensageiros etc. de ministros, juízes, políticos etc.

 

O caso recente da captura da rede social da primeira-dama do Brasil é bastante emblemático em termos da revelação da ausência de uma política de segurança digital no Brasil.

 

O simples uso da autenticação em duas etapas teria evitado a captura da rede social X da primeira-dama por invasores desnutridos de elevada capacidade digital.

 

No passado recente, um hacker com conhecimentos medianos confessou ter invadido diversos sites públicos e criado documentos falsos. É preciso existir falhas de segurança graves e básicas para que tal situação tenha ocorrido.

 

Não estou falando que a segurança digital é fraca no setor público, eu estou afirmando que ela é inexistente, pois se ela fosse fraca ataques triviais não teria alcançado sucesso.

 

O setor privado não fica muito atrás no descaso com a segurança digital. Uma grande parte do setor de saúde foi atacada com sucesso pelos hackers e diversas empresas pagaram resgates para recuperar o acesso aos seus sistemas.

 

Na grande maioria dos casos, o ataque foi bastante rudimentar. Muitos atacantes conseguiram senhas de acesso de elevado privilégio com ligações telefônicas simples (ou e-mails) para a central de serviços de TI.

 

O nível de despreparo da segurança digital da sociedade brasileira é tão intenso que a maioria dos brasileiros foram atacadas em 2022 (Mais de 70% dos brasileiros já tiveram contato com golpes online, https://tecnologia.ig.com.br/2023-07-15/mais-70-por-cento-brasileiros-ja-tiveram-contato-golpes-online.html, acessado em 13/12/2023).

 

Apenas recentemente foram adotadas medidas contra os golpes com 0800 aqui no Brasil. Até então muitas pessoas receberam mensagens sobre débitos e foram enganadas para fornecer suas informações bancárias para os malfeitores.

 

A situação da fragilidade da segurança digital está tão grave no Brasil que os bancos estão divulgando guias sobre as fraudes mais comuns no território nacional.

 

Nada impede que os ataques sejam realizados por malfeitores no exterior e sejam de difícil alcance para a justiça brasileira.

 

No endereço https://www.itau.com.br/assets/dam/publisher/01_itau/11_fraudes/02_seg_ebook_pdf/finais/EBK_00_SEGURANCA.pdf foi publicado um guia de segurança digital. No guia foram revelados quinze tipos de golpes digitais que estão ocorrendo diariamente no Brasil.

 

A segurança digital precisa ser vista com outros olhos para que as soluções de TI funcionem adequadamente. Empresas, governos, entidades, pessoas etc. precisam entender que a falta de segurança digital trará enormes consequências politicas e sociais para o país.

terça-feira, 5 de dezembro de 2023

Pesquisa de mercado x Pesquisa de opinião

 É muito comum encontrar no Brasil, pessoas usando as pesquisas de opinião como pesquisas de mercado, ou seja, estas pessoas usam opiniões como suporte para as suas hipóteses.

 

Para exemplificar as diferenças entre uma pesquisa de mercado e de opinião vou utilizar três pesquisas em que a análise do resultado leva para conclusões discrepantes.

 

A pesquisa que usa os dados da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua) do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), ou seja, dados da renda real recebida pelos trabalhadores, revelou que a renda média dos desenvolvedores de programas e aplicativos (software) é de 8.964,96. Fonte: Matemáticos têm salário médio maior que o de diretores de empresa; veja ranking com 427 profissões, https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2023/10/ranking-mostra-salario-de-mais-de-400-profissoes-no-brasil-veja-o-seu.shtml, acessado em 05/12/2023.

 

A pesquisa salarial da Robert Half revelou que a renda média do desenvolvedor de programas e aplicativos júnior (Desenvolvedor Mobile Júnior, Desenvolvedor Front-End Júnior, Desenvolvedor Full-Stack Júnior, Desenvolvedor Back-End Júnior) é de R$ 7.000,00. Fonte: Gerente de TI, analista de marketing: pesquisa revela profissões em alta e perspectiva de salários para 2024, https://g1.globo.com/trabalho-e-carreira/noticia/2023/11/07/gerente-de-ti-analista-de-marketing-pesquisa-revela-profissoes-em-alta-e-perspectiva-de-salarios-para-2024.ghtml.

 

Se olharmos na pesquisa da Robert Half para a renda média da pesquisa para desenvolvedor pleno (R$ 12.000,00) e desenvolvedor sênior (R$ 16.000,00) vamos perceber que é preciso existir uma quantidade muito maior de desenvolvedor júnior do que pleno e sênior no mercado brasileiro para que a renda média seja o valor apresentado na Pnad Contínua (R$ 8.964,96).

 

Neste caso, ou a mobilidade entre júnior, pleno e sênior é muito baixa ou uma grande parte dos profissionais que sobem de nível saem do mercado, porque o mercado precisa ser dominado por desenvolvedor júnior para que a renda média das duas pesquisas seja igual.

 

Se tal fato for verdadeiro, então a pesquisa do hub de inovação BrazilLab que afirma que o gap de profissionais de tecnologia ultrapassará 300 mil pessoas em 2024 é inconsistente. Fonte: Falta de profissionais em TI: o que as empresas precisam fazer para conseguir os melhores, https://forbes.com.br/carreira/2023/10/falta-de-profissionais-em-ti-o-que-as-empresas-precisam-fazer-para-conseguir-os-melhores/#:~:text=No%20Brasil%2C%20o%20gap%20de,profissionais%20digitais%20na%20Am%C3%A9rica%20Latina..

 

Não tem sentido algum existir uma quantidade de oportunidades de trabalho tão grande e a carreira de desenvolvedor ter mobilidade tão baixa ou elevado volume de desenvolvedores deixando o mercado.

 

Este é real problema de usar uma pesquisa de opinião como a da BrazilLab para lastrear as decisões (os números da realidade do mercado não batem com os números das opiniões).

quarta-feira, 29 de novembro de 2023

Perigoso mundo das falácias

Os mercadores de falácias adoram uma falácia para disfarçar a sua agenda oculta, por isto o debate com eles é perda de tempo.

 

A teoria da relatividade veio de fatos, observações, conjecturas e conclusões. Ela não veio de uma intuição. A ideia inicial não é uma intuição. Einstein desenvolveu a teoria da relatividade e outras descobertas da física usando como base os trabalhos de outros cientistas.

 

O sucesso e o fracasso de uma país é consequência das escolhas (decisões) tomadas. Apenas quem deseja disfarçar a realidade busca retirar a causalidade do sucesso ou fracasso.

 

É evidente que existe o imponderável, só que são casos pontuais. Não são a regra.

 

Todos os casos de startups atuais e mais antigas como a Apple, Waze, Oracle etc. foram apoiados por um plano de negócio construído de forma lógica e robusta.

 

Os investidores iniciais de Apple, Facebook, Waze etc. receberam um plano de negócio bem formatado e baseado em fatos e dados (todos filtrados para a necessidade empresarial). Ninguém ficou perdido no oceano de dados e fatos.

 

É importante destacar para os desmemoriados que adoram falácias que a Apple praticamente faliu durante a primeira passagem do Jobs. Neste período as decisões eram todas por intuição.

 

Foi intuído que o Lisa e Mac seriam um sucesso de vendas e assim sucessivamente com diversos outros produtos. Todos fracassaram copiosamente.

 

Na segunda passagem do Jobs, ele voltou mais pragmático e contratou uma agência de publicidade para decidir com base em dados e fatos.

 

Nasceu aí a AppleStore com ilhas de tecnologia. Esta escolha e outras foram todas tomadas com base em dados e fatos. O crescimento da Apple nesta segunda passada do Jobs foi exponencial.

 

Alguns aprendem com os erros cometidos e assumem que não são donos da verdade, outros apenas buscam disfarces para continuar a sua missão de mercador de falácias.

 

Todas as empresas bem-sucedidas da economia digital construíram a sua realidade com base nos fatos e dados (aliás as grandes empresas da economia analógica também assim o fizeram).

 

A cervejaria Miller escolheu o público-alvo para a sua cerveja diet com base em uma pesquisa de mercado, a cervejaria Budweiser só lançou a sua cerveja diet com a marca Budweiser depois de avaliar o mercado com fatos e dados).

 

É evidente que os fatos e dados são dinâmicos, ou seja, são atualizados frequentemente.

 

Empresas que fracassaram ao longo da sua vida tomaram decisões com base na intuição. Algumas foram dominantes por algum tempo, mas sucumbiram diante a concorrência estruturada.

 

Atualmente empresas como Cisco, Yahoo, Novell, Livraria Cultura, Livraria Saraiva, Casas Bahia etc. que dominaram o mercado mundial ou local por um período são apenas membros do ecossistema empresarial (algumas morreram).

 

Quem não sabe filtrar os fatos e dados e escolher os mais relevantes para a sua caminhada está fadado ao fracasso.

 

Uma ideia vem do plano das ideias e isto não é intuição. Sair do plano das ideias e ir para o plano das realizações exige planejamento, construção logica e boas escolhas.

 

Como os mercadores de falácias adotam com frequência o viés da confirmação, segue a seguir um artigo da Harvard Business Review sobre intuição nas decisões.

 

Foi revelado pelo Eric Bonabeau que quem pensa que a intuição substitui a razão vive uma ilusão, pois ela sem uma análise rigorosa dos fatos e dados é um guia instável e pouco confiável.

Foi revelado que os pesquisadores da cognição humana mostraram que o pensamento humano é sujeito aos preconceitos e falhas no nível da intuição.

Foi afirmado que uma decisão intuitiva que gerou resultados positivos é sorte e mais cedo ou tarde, em geral mais cedo (vide lista de empresas dominantes na virada do século que hoje são empresas claudicantes) a sorte acaba.

 

Fonte: Don’t Trust Your Gut (Não confie na sua intuição), https://hbr.org/2003/05/dont-trust-your-gut, acessado em 29/11/2023 

terça-feira, 28 de novembro de 2023

Intuição

Não são raras as situações em que a tomada de decisão com base na intuição gerou um resultado catastrófico. Os números corretos e robustos nada escondem, apenas revelam a realidade.

 

A falta de habilidade e capacidade intelectual e o excesso de preguiça, leva muitas pessoas decidirem com base na intuição e desconsiderarem os fatos e números.

 

É fácil perceber as consequências de longo prazo das decisões tomadas com base na intuição e nos fatos e números.

 

Os Estados Unidos e o Brasil são países com idade bastante semelhante. Nos Estados Unidos, as empresas, organizações, governos etc. decidem com base nos fatos e números, por isto eles tem uma base de conhecimento tão ampla e profunda.

 

No Brasil, a base de conhecimento é muito mais recente e muito menos ampla e profunda, porque as decisões são tomadas com base na intuição.

 

O resultado de longo prazo da macroeconomia e da microeconomia revela um enriquecimento muito maior dos Estados Unidos, ou seja, melhores escolhas levam para maior riqueza.

 

Um exemplo da pauta recente da política brasileira revela com clareza os resultados das decisões tomadas com base na intuição.

 

Muitos foram atrás do raciocínio intuitivo de que o barateamento da contratação de mão de obra gera mais empregos, ou seja, a desoneração da folha de pagamento permite que as empresas contratem mais funcionários e, portanto, o desemprego é reduzido. 

 

Com base na intuição, a política de desoneração da folha de pagamento foi criada em 2011 e atualmente beneficia dezessete setores da economia nacional ao custo de R$ 9 bilhões por ano.

O pesquisador do Ipea, Marcos Hecksher, publicou em 2023 o estudo "Os Setores que Mais (des)Empregam do Brasil" que revelou que as empresas privadas não beneficiadas pela desoneração aumentaram em mais de 6% os seus postos de trabalho com carteira assinada (aumento de quase 2 milhões) entre 2012 e 2022 e os beneficiados com a desoneração reduziram no mesmo período os seus postos de trabalho em quase 15% (redução de aproximadamente um milhão).

 

A tomada de decisão com base na intuição gerou um custo de quase 100 bilhões de reais entre 2012 e 2022 e reduziu a quantidade de empregos em quase um milhão de postos de trabalho.

 

As coisas funcionam nos Estados Unidos porque eles decidem com base em fatos, números, estatísticas etc. Isto não significa que lá tudo é maravilhoso, pois erros são cometidos e em alguns casos decisões políticas mascaram a realidade revelada pelos fatos e números (Nem sempre todos os fatos e números estão disponíveis no momento da decisão).

quinta-feira, 16 de novembro de 2023

Lições

O ano de 2023 está encerrando. É um bom momento para resumir os fatos e usar a racionalidade para aprender com os desafios apresentados no ano.

 

A transformação digital foi adotada por diversas empresas no globo terrestre. A pandemia apressou o processo de implementação e atualmente diversos departamentos corporativos (jurídico, financeiro, compras, vendas, marketing, atendimento ao cliente etc.) foram completamente digitalizados.

 

Em outras palavras, estes departamentos estão operando no modelo de negócio de serviços digitais de valor agregado.  A transformação digital trouxe para o bojo do valor agregado o CTP (Controle, Transparência e Previsibilidade).

 

As entregas dos departamentos precisam agora ocorrer dentro dos conceitos de previsibilidade e repetitividade para que os processos internos das organizações e corporativas funcionem adequadamente.

 

É preciso trabalhar com fatos e dados para que o produto (pode ser um serviço) seja entregue para os clientes em conformidade com as especificações prometidas.

 

O espaço para achismos, intuições etc. está desparecendo nas organizações digitais por causa das condições de competição existentes no mercado.

 

Os profissionais que não sabem lidar com números, dados, estatísticos estão sumindo do mercado de trabalho com a introdução do Enterprise Service Management nas empresas.

 

Uma outra lição que o mercado corporativo aprendeu em 2023 foi o custo da fala de segurança digital nas empresas. Alguns setores da economia como o segmento da saúde sofreram ataques de ransomware e pagaram vultosos resgates para os malfeitores (é importante destacar neste momento que diversas operadoras de saúde estão lidando com prejuízos bilionários no ano de 2023).

 

Uma grande parte dos ataques foi bem-sucedida por causa de falhas gritantes no lógicas comportamento da central de serviços que criou brechas para o vazamento de credenciais através de phishing.

 

Segundo os pesquisadores, em 2022, o Brasil foi alvo de mais de 100 bilhões de ataques digitais que impuseram significativas perdas para as empresas.

 

Em 2022, foram relatados de ataques digitais contra o laboratório Fleury, lojas Americanas, lojas Renner, Banco Pan, Correios, Tribunal Regional Federal da Primeira Região etc.

 

Os pesquisadores revelaram que cada ataque digital custou em média 4,5 milhões de dólares para a empresa. Existem casos de uma empresa sofrer mais de uma vez o mesmo ataque digital.

 

É preciso melhorar urgentemente a cultura corporativa de segurança digital, pois a taxa de ataques digitais está crescendo exponencialmente e em breve algumas organizações morrerão por causa de malfeitores e baixo involucro intelectual sobre segurança digital.

 

O terceiro ponto de reflexão é o alerta climático provocado por desmatamento sem planejamento. Em 2023, o Brasil está passando por ondas de calor extremo que foram amplificadas pelo desmatamento.

 

Diversos setores da economia estão sendo impactados pelo calor extremo. Na construção civil e diversos empregos executados à céu aberto, a produtividade despencou por causa das restrições geradas pelo calor.

 

Os gastos de energia nas fábricas, no comércio, no transporte dispararam com a onda de calor e estes gastos estão sendo repassados para os preços aumentando a inflação.

 

Na construção civil, o concreto precisa ser resfriado constantemente porque ele está endurecendo muito rapidamente por causa do calor extremo.

 

Quando o concreto endurece antes que o trabalho seja realizado ele representa uma enorme perda monetária para a construção civil.

 

É preciso levar muito à sério enquanto existe tempo de recuperação os alertas dos pesquisadores sobre os fenômenos climáticos extremos.

 

O quarto ponto de reflexão é o uso da inteligência artificial pelos investidores para analisar veracidade das declarações dos executivos das empresas.

 

Pequenas variações nos sinais de voz das falas dos executivos podem sinalizar o quanto eles acreditam realmente no que estão afirmando e revelando para os investidores.

 

No futuro próximo, teremos grandes mudanças no perfil de investimento dos grandes, médios e pequenos poupadores por conta da análise sonora das declarações.

 

Algumas empresas estão usando uma solução semelhante nas entrevistas com candidatos, fornecedores, clientes etc.

 

De uma forma ou outra fatos e dados aparecerão no contexto empresarial e ditarão os comportamentos e reações nos próximos anos.

 

A onda de calor também está afetando a produtividade do agronegócio. Plantações de soja, milho etc. estão sendo impactadas pelo calor extremo.

 

O agronegócio real está sendo duplamente impactado pois além do calor está sofrendo com a falta de credibilidade de sustentabilidade que é afetada pelas constantes “falhas” de alguns produtores rurais.

 

A conivência com as infrações vindas de diversas direções punindo todo o agronegócio brasileiro. Investimentos elevados em equipamentos inteligentes, em mão de obra qualificada etc. estão sendo jogados no lixo pela perda de credibilidade gerada pelas contantes “falhas” de alguns poucos produtores.

 

É preciso urgentemente separa o joio do trigo.