quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Invasão chinesa

Nos últimos dias este bloguista escutou de diversos membros e entidades da sociedade brasileira que o atual governo permitiu (e até mesmo incentivou) a invasão chinesa no Brasil.

 

Tenho profundas restrições aos últimos governos brasileiros, mas não consigo encontrar argumentos racionais para justificar que a invasão chinesa na economia nacional foi patrocinada pelo governo federal.

 

Já que estamos falando de racionalidade eu vou abrir um espaço para replicar a sabedoria do evangelizador supremo do Service Desk no Brasil (O fim do SLA como era conhecido, https://www.4hd.com.br/blog/2026/10/01/o-fim-do-sla-como-era-conhecido/, acessado em 01/10/2026).

 

Qualquer que seja o nome utilizado “Qualidade de Atendimento” ou etc. o Managed Service Provider (MSP) ou Provedor de Serviços Gerenciados (PSG) precisa de um critério objetivo para custear a entrega do serviço e para definir o seu preço.

 

Quando é afirmado que o significado do SLA mudou e agora o MSP deve buscar “prestar um bom serviço”, o aspecto econômico do empreendimento fica perdido.

 

Um bom serviço é entendido de uma forma pelo usuário A e de outra pelo usuário B e assim sucessivamente, ou seja, mesmo peso com diversas medidas. É impossível precificar um serviço com tal nível de subjetividade.

 

Aproveitando a introdução da subjetividade na postagem, vou voltar para a invasão chinesa.

 

Recentemente fiz uma compra na plataforma de comércio eletrônico de uma das farmácias gigantes do Brasil. Eu só cito o nome de quem trabalha direito, por isto me arrependi de não ter feito a compra na Panvel (é padrão classe mundial).

 

Em um determinado momento o aplicativo informou que a compra chegou. Fui verificar na portaria e nada havia chegado. Voltei para o app e fui informado para verificar de novo, pois a entrega foi realizada com sucesso (caso típico de SLA implantado de forma errada).

Fiz a portaria parar o seu serviço e procurar a entrega já que na opinião da plataforma a entrega ocorreu sem sombra de dúvida (trabalhar com opinião é sempre m do m, pois não reflete a realidade).

 

Depois de tantas idas e vindas consultei o rastreamento do pedido para ver quem o recebeu. Descobri que a encomenda foi entregue em um outro endereço.

 

A diferença entre o endereço que informei no pedido e o endereço em que o pedido foi entregue é abissal. Apenas uma pessoa sem capacidade de leitura cometeria tal erro.

 

Algumas plataformas estão contatando analfabetos para fazer as entregas e por isto o meu caso não é único. Existem milhares de casos semelhantes no Brasil.

 

Quando eu finalmente falei com um operador humano eu recebi a seguinte afirmação que o pedido foi entregue no local designado pelo cliente. Mandei um “print” da tela do endereço do meu pedido e do endereço onde a entrega foi realizada e perguntei é o mesmo endereço? A resposta do atendente foi desculpe pela falha e precisa de algo mais (deixa para sair de fininho sem admitir a realidade)?

 

A Amazon destruiu duas gigantes em pouco tempo, apenas não cometendo os erros básicos feitos pelas empresas brasileiras.

 

O Mercado Livre e as chinesas vão entrar no curto prazo no segmento das farmácias e vão explorar as deficiências das entregas de diversas plataformas.

 

Não é o governo que está facilitando a invasão chinesa. São as empresas com qualidade inferior que estão facilitando a entrada de competidores chineses e argentinos (eles fazem o básico corretamente).