terça-feira, 17 de março de 2026

Na era da incerteza, a máxima eficiência operacional impede a criação da reserva de recursos que é utilizada para flexibilizar a operação

A agilidade de uma organização é a capacidade de ela mudar rapidamente a estratégia e as táticas empresariais, ou seja, é a capacidade da empresa de antecipar, adaptar e reagir aos eventos do ambiente de negócio.

 

Na era da incerteza, um corte nos custos da empresa pode inibir a capacidade de resposta rápida da organização para as mudanças no ambiente de negócio.

 

A agilidade exige uma visão clara da irrelevância de manter o foco corporativo apenas no custo e na eficiência.

 

Na era da incerteza, a máxima eficiência operacional (em geral exige o corte da força de trabalho e de outros custos), impede a criação da reserva de recursos que é utilizada tanto para flexibilizar a operação, quanto para responder as mudanças imprevistas, quanto para explorar as oportunidades de crescimento do negócio.

 

Em outras palavras, na era da incerteza, as empresas devem conquistar e manter um nível de eficiência bom o suficiente para gerar lucro.

 

Quando a empresa adota a estratégia de liderança em custo do mercado, ela não consegue em geral, usar a eficiência conquistada para gerar lucros, pois em diversos casos, os seus fornecedores, parceiros, clientes e concorrentes estão em nível mais baixo de eficiência operacional.

 

Na era da incerteza, a capacidade de resposta rápida e efetiva para as mudanças dos clientes é a fonte geradora de lucros.

 

Existem mais formas de usar a responsividade para atrair os clientes do que existem maneiras de usar a eficiência e preço baixo para atrair os clientes.

 

Agilidade e flexibilidade não são palavras sinônimas, pois a agilidade é a capacidade de adaptação da empresa para as mudanças ocorridas no ambiente e a flexibilidade é a capacidade da empresa para responder aos requisitos dos clientes, ou seja, ela ocorre dentro de parâmetros previamente estabelecidos.

 

A flexibilidade é projetada em processos e sistemas da organização para lidar com as mudanças previsíveis através de respostas predeterminadas.

 

Para a empresa maximizar o valor agregado e mitigar as ameaças competitivas de forma eficaz, o plano estratégico da organização deve tratar a agilidade empresarial considerando todos os aspectos do negócio.

 

Trabalhar as unidades da corporação como se fossem ilhas dentro da empresa dificulta a agilidade empresarial.

 

Um plano estratégico que trata a agilidade empresarial considerando todos os aspectos do negócio, pode criar vantagens competitivas.

 

As vantagens competitivas só acontecem quando as capacidades para a agilidade empresarial estão presentes em todos os departamentos da empresa.

 

Basicamente a agilidade é o resultado da soma da capacidade de resposta com a gestão do conhecimento, ou da soma da flexibilidade com a velocidade.

 

A inovação é a superfície que permeia todas as partes de uma organização que adotou a filosofia de agilidade nos negócios.

 

A empresas precisam inovar tanto para encontrar novos negócios, quanto para assegurar que o seu portfólio de produtos e serviços enderece as mudanças das preferências dos consumidores, quanto para atender a demanda dos mercados emergentes, quanto para acompanhar as tendências globais.

 

A gestão da inovação está intimamente conectada com o processo de planejamento para o futuro realizado pelas empresas.

quarta-feira, 11 de março de 2026

Serviços de valor agregado de TI

A segunda década do século XXI, foi marcada pelo surgimento de diversos novos modelos de negócio. Foi criado um forte ciclo de evolução dos empreendimentos digitais.

 

O resultado da digitalização dos negócios, foi o forte crescimento do nível de interdependência, complexidade e amplitude dos processos de negócio nas empresas.

 

Na era da comunicação instantânea, as empresas economicamente viáveis são aquelas em que os serviços de valor agregado de TI automatizam a operação.

 

O diferencial competitivo das empresas passou para o lado das tecnologias sociais, ou seja, como a tecnologia digital é utilizada pela empresa.

 

Os serviços de valor agregado de TIC passaram a fazer parte da rotina diária dos executivos de negócio, pois eles habilitavam as transformações dos processos para vender e conquistar novos mercados e clientes.

 

A inteligência artificial pode resolver diversos problemas de comunicação empresarial, desde que ela tenha sido bem treinada e que ela seja aperfeiçoada em um processo de melhoria contínua.

 

Casos de otimização digital

 

O negócio remoto descentralizou o estoque localizado em um armazém central para estoques menores localizados em armazéns regionais. O sistema inteligente de gerenciamento do estoque otimizou a operação.

 

Exemplo:

 

DIAS DE ESTOQUE

 

O gerenciamento dos dias de estoque permite a operação sustentável da empresa no menor nível possível do estoque. O deslocamento do custo do investimento no estoque para outros ativos geradores de lucro maximiza o resultado operacional, pois gera lucro adicional.

O aumento da acuracidade das previsões das vendas e planejamento da produção habilitado pelo serviço de valor agregado resulta em redução do nível do estoque.

 

O serviço de excelência do ponto de vendas permite que o planejamento da produção seja oportuno, consistente e preciso. O processo é disparado pela demanda.

 

Em geral o nível elevado de dias de estoque é causado pela falta de informação, ou seja, as informações melhores e mais rápidas sobre a demanda do serviço de excelência do ponto de vendas eliminam as redundâncias do processo.

 

A inteligência do sistema elimina de forma sistemática e permanente os erros, desperdícios, perdas e roubos. A melhor interpretação das necessidades do consumidor aperfeiçoa o planejamento da produção, estoque e logística.

 

O conhecimento da demanda reduz o prazo de entrada da matéria-prima e saída dos produtos para os clientes. A redução do nível de estoque é um benefício recorrente, pois a produção no modelo “BUILD TO ORDER” reduz o impacto dos produtos em produção e da matéria-prima no custo total.

terça-feira, 3 de março de 2026

Colaboração Coletiva

Um dos melhores exemplos de colaboração coletiva é o quarto gol do Brasil na final contra a Itália da copa do mundo de 1970. Neste gol o Tostão que estava de costas para o gol defendido pela Itália sinalizou para o Pelé que o Carlos Alberto estava vindo detrás dele e o Pelé deu o passe para o capitão do Brasil sem olhar e o Carlos Alberto fez o gol (https://www.youtube.com/shorts/HCCOt-3kVxg, acessado em 03/03/2026).

 

Este nível de colaboração só ocorreu porque todas as partes envolvidas confiavam umas nas outras. A palavra-chave aqui é confiança.

 

Nas últimas décadas, foram colocados em prática pelas corporações diversos projetos de colaboração e a maioria deles fracassaram. Em alguns casos foram usados softwares específicos de colaboração como por exemplo a intranet.

 

O resultado alcançado foi pífio porque nenhum destes projetos tratou com a ênfase correta a questão da confiança entre as partes. Problemas de elevada rotatividade dos funcionários, problemas de etarismo nas organizações e problemas de “roubar” ideias alheias foram as causas mais comuns dos fracassos da colaboração coletiva.

 

Muitas destas iniciativas eram baseadas em um software de colaboração (alguns muito bons) e não existiam regras claras e explicitas de competição entre os funcionários ou times.

 

O comportamento individual de ganhar as disputas no curto prazo prevaleceu nas corporações no Brasil e gerou o problema de falta de confiança entre as partes envolvidas.

 

O foco foi a tecnologia física (o software de colaboração) e não a tecnologia social (aumentar o nível de confiança entre as partes). A confiança vem com o relacionamento de longo prazo, com a consistência das ações e com a estabilidade dos times.

 

Alguns tentaram o uso de metas coletivas para fomentar a colaboração coletiva e fracassaram. O problema das metas coletivas em ambiente de baixo nível de confiança é que elas ficam apenas nas intenções e na primeira oportunidade de curto prazo elas são abandonadas, pois inexistem compromissos entre as partes.

 

A elevada rotatividade dos funcionários e o etarismo nas corporações são barreiras gigantescas contra os relacionamentos de longo prazo e a criação de ambiente focado na confiança.

 

Se o Tostão não tivesse sinalizado para o Pelé sobre a corrida do Carlos Alberto, possivelmente não aconteceria o gol. Se o Carlos Alberto não confiasse na sinalização do Tostão e passe do Pelé o gol não aconteceria.

 

Na era do conhecimento a confiança é um fator crítico de sucesso para os projetos colaborativos. Será que alguém participará do processo de colaboração diante da incerteza do emprego no futuro? (Empresa demite 4.000 por causa da IA e ações disparam 20%, https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ronaldolemos/2026/03/empresa-demite-4000-por-causa-da-ia-e-acoes-disparam-20.shtml?utm_source=sharenativo&utm_medium=social&utm_campaign=sharenativo).

 

 

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Resultados prometidos

Um dos grandes desafios da organização de TI no Brasil é a demonstração dos resultados entregues. Em geral as promessas são grandiosas e as corporações de todos os tamanhos enxergam resultados minúsculos.

 

O problema dos resultados entregues não é uma exclusividade da organização de TI no Brasil. Infelizmente é um problema bem mais amplo que abrange diversos setores da sociedade.

 

Em 2019, a reforma da previdência foi prometida como uma solução de crescimento do PIB e de contenção do déficit orçamentário. No entanto em 2025, as despesas ultrapassaram a casa de 8% do PIB e o governo federal aportou mais de R$ 320 bilhões, ou seja, crescimento de R$ 17 bilhões em relação ao ano de 2024.

 

As previsões de envelhecimento da população e expectativa de vida dos brasileiros estavam subestimadas na reforma de 2019 e a nova previsão é de que o número de aposentados dobre nos próximos 30 anos e a quantidade de pessoas que pagam a contribuição previdenciária permaneça a mesma, ou seja, uma nova reforma previdenciária será necessária apenas seis anos após a reforma de 2019.

 

Um outro caso emblemático é a reforma trabalhista de 2017. Um dos resultados prometidos era a redução da judicialização trabalhista. Em 2018 realmente ocorreu uma redução de 36,06% na quantidade de ações trabalhista em relação ao mesmo período do ano de 2017.

 

No entanto desde o ano de 2021, o crescimento de novos processos tramitando na Justiça do Trabalho é de 50%, ou seja, a promessa de 2017 não foi entregue.

 

Citei estes dois casos, mas poderia citar outros milhares, pois é extremamente comum no Brasil termos promessas de resultados que não são entregues.

 

A causa raiz dos erros é sempre o mesmo, estimativas pobres e irrealistas das promessas. Infelizmente a organização de TI embarcou neste barco há muito tempo e não consegue apresentar promessas de resultados realistas. Por isto, é comum encontrar situações onde a gestão de tecnologia tem que trabalhar com recursos insuficientes para a execução das suas atividades e iniciativas.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Gerenciamento de problemas

O artigo “Gestão de Problemas: a diferença entre o burocrático e o dia a dia pragmático” (https://www.4hd.com.br/blog/2026/02/04/gestao-de-problemas-a-diferenca-entre-o-burocratico-e-o-dia-a-dia-pragmatico/, acessado em 11/02/2026) escrito pelo principal evangelizador do service desk no Brasil é bastante interessante e deve ser levado à categoria de leitura obrigatória para o ecossistema de tecnologia.

 

No entanto, é importante destacar que o foco do conteúdo é sobre algo que deveria funcionar e parou de funcionar. Nem sempre a dinâmica do dia a dia corporativo é sobre algo que deveria e parou de funcionar.

 

Vou usar um exemplo de caso real que aconteceu comigo para ilustrar que o gerenciamento de problemas deve ter uma amplitude muito maior do que muitos pensam.

 

Recentemente, a minha operadora de energia elétrica solicitou a atualização dos meus dados cadastrais porque eles eram muito antigos (não sou caso único).

 

Existiam diversos campos obrigatórios e um deles era o telefone fixo (que saiu do foco das operadoras de telefonia) com dois dígitos para o DDD e oito dígitos para o número do telefone.

 

Como não tenho mais telefone fixo graças a operadora de telefonia e não sou caso único (maiores detalhes na postagem “Não pode ser verdade”, https://itgovrm.blogspot.com/2025/08/nao-pode-ser-verdade.html), então eu preenchi o campo telefone fixo com 22 1234-5678, pois era impossível finalizar a atualização do cadastro com este campo em branco.

 

Eu escolhi resolver o problema com uma informação fictícia, no entanto, milhares ou milhões de clientes optaram por entrar em contato com a operadora e abrir um chamado que depois virou um incidente e posteriormente um problema por causa da grande quantidade de incidentes sobre a mesma situação.

 

Uma das regras básicas do gerenciamento de problemas (não é explicitada em diversos frameworks) é o bom senso, ou seja, se o custo de resolução de um problema é maior do que o custo do impacto do problema em uma organização então o processo de identificação e solução é abortado e a corporação deve conviver com o problema.

 

O caso contrário determina que o problema deve ser identificado e corrigido. O bom senso serve para empresas de todos os tamanhos e portes (mei, micro, pequeno, médio, grande e gigantesco porte).

 

Não é de bom senso automatizar o processo de gerenciamento de problemas e executar procedimentos que não agregam valor para o sistema produtivo.

 

No livro “Governança dos Novos Serviços de TI na Copa” publicado em 2012 foi explicitado na página 193 o que são os Serviços de valor agregado de TI. Fiquei muito contente ao perceber o surgimento do conceito do “Digital Product and Service Management” apenas 14 anos depois da explicitação dos serviços de valor agregado de TI.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Imprevisibilidade e mercado de trabalho em TI

“Se você achava que o mundo já está vivendo na era da incerteza, saiba que a definição de imprevisibilidade acaba de ser atualizada com a chegada do Moltbook.”. Fonte: A rede social em que humanos não entram, https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ronaldolemos/2026/02/a-rede-social-em-que-humanos-nao-entram.shtml, acessado em 02/02/2026.

 

O Ronaldo Lemos revelou no artigo “A rede social em que humanos não entram” que o nível de imprevisibilidade na sociedade e economia está aumentando.

 

As recentes atualizações dos frameworks de TI e de negócios não são capazes de atuar com efetividade nas empresas porque o grau de previsibilidade dos negócios está caindo dramaticamente.

 

É evidente que organizações mais conservadoras como poder judiciário, forças armadas etc. tem elevado nível de previsibilidade por conta da estrutura hierárquica e por isto podem se beneficiar dos frameworks de TI.

 

O artigo “Uso da IA nas empresas vai reduzir número de vagas para iniciantes, diz pesquisa” (https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/01/uso-da-ia-nas-empresas-vai-reduzir-numero-de-vagas-para-iniciantes-diz-pesquisa.shtml?utm_source=sharenativo&utm_medium=social&utm_campaign=sharenativo) revelou que aproximadamente 60% dos CEOs brasileiros entrevistados pela consultoria PwC afirmaram que vão precisar de menos profissionais em início de carreira nos próximos três anos devido ao uso da inteligência artificial na organização.

 

É mais uma pedra colocada na muralha da crise do emprego para os recém-formados nas áreas de tecnologia, engenharia, direito etc. Para evitar um grave problema futuro é preciso agir agora. As universidades precisam atualizar urgentemente os currículos para que os recém-formados entrem no mercado oferecendo conteúdo relevante para as corporações.

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

impacto da IA no mercado de trabalho

Recentemente, o CEO da Anthropic, Dario Amodei, afirmou que “Estamos entrando em um mundo em que tarefas de engenheiros de software júnior e talvez muitas das tarefas de engenheiros mais seniores começam a ser feitas em grande parte por sistemas de IA”. Fonte: CEO da Nvidia diz que boom da IA criará mais empregos para encanadores e eletricistas, https://www.infomoney.com.br/business/ceo-da-nvidia-diz-que-boom-da-ia-vai-criar-empregos-para-encanadores-e-eletricistas/?utm_source=whatsapp&utm_medium=social, acessado em 27/01/2026.

 

A Leila Hoteit, Boston Consulting Group, afirmou que um cenário possível para a IA é onde os ganhos de produtividade são capturados por algumas poucas empresas com um número cada vez menor de funcionários. Fonte: Quase 30% dos empregos serão profundamente transformados pela IA, estima OCDE, https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/01/quase-30-dos-empregos-serao-profundamente-transformados-pela-ia-estima-ocde.shtml.

Os números do emprego entre os recém-formados nos Estados Unidos revelam um crescente aumento do desemprego entre os mais jovens nos últimos anos, ou seja, a IA ainda não está eliminando postos de trabalho, mas está claramente eliminando a criação de novos empregos.

 

É fácil perceber nas estatísticas dos Estados Unidos que os ganhos de produtividade mais intensos estão capturados por algumas poucas empresas e elas estão reduzindo drasticamente o seu custo operacional.

 

Menor custo, significa maior competividade que significa maior participação no mercado e, portanto, aumento do grau de concentração empresarial.

 

No Brasil, já vemos alguns casos semelhantes aos Estados Unidos, mas ainda não estamos observando um ciclo de redução da criação de novas vagas de emprego.

 

O histórico brasileiro na área de tecnologia, sinaliza que mais cedo ou mais tarde, o país operará um ciclo similar aos Estados Unidos no tocante à contração de recém-formados em algumas áreas.

 

Os alunos que entraram nas universidades e faculdades em 2026 poderão ter que conviver com desemprego ou terão que aceitar salários mais baixos quando formados?

 

Os dados recentemente divulgados pelo Ministério do Trabalho revelam que as demissões voluntárias em 2025 superando a casa de 9 milhões de trabalhadores, ou seja, taxa de rotatividade de 36%.

 

Os números mostram que os trabalhadores estão buscando e conseguindo melhores salários e é possível que uma parte dos ganhos salariais esteja sendo bancada pela substituição de postos de trabalho humano por inteligência artificial.