terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

Quanto custa a destruição da engenharia no brasil?


Foi afirmado que a Samarco gerou prejuízos de aproximadamente vinte bilhões de Reais entre 2015 a 2017. Antes da tragédia de Mariana a empresa era lucrativa. Em 2014, o lucro foi de R$ 2,8 bilhões.
Fonte: O atraso bárbaro mata e custa caro, https://www1.folha.uol.com.br/colunas/viniciustorres/2019/01/o-atraso-barbaro-mata-e-custa-caro.shtml, acessado em 30/01/2019.

Nos últimos anos o Brasil vem colecionando recordes negativos. Os mais recentes estão explicitados nos seguintes artigos: “Percepção da corrupção aumenta, e Brasil tem pior nota em ranking desde 2012” (https://www1.folha.uol.com.br/poder/2019/01/percepcao-da-corrupcao-aumenta-e-brasil-tem-pior-nota-em-ranking-desde-2012.shtml,) e “Tragédia com barragem da Vale em Brumadinho pode ser a pior no mundo em 3 décadas” (https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/bbc/2019/01/29/tragedia-com-barragem-da-vale-em-brumadinho-pode-ser-a-pior-no-mundo-em-3-decadas.htm).

Em setembro de 2018 uma auditoria assegurou a segurança da barragem e em janeiro de 2019 ela foi rompida. Um dos engenheiros recebeu prêmio em 2018 por projeto de gestão de risco de barragem. Fonte: Engenheiro que atestou estabilidade de barragem já ganhou prêmio por segurança, https://www.folhape.com.br/noticias/noticias/brumadinho/2019/01/29/NWS,94771,70,1370,NOTICIAS,2190-ENGENHEIRO-QUE-ATESTOU-ESTABILIDADE-BARRAGEM-GANHOU-PREMIO-POR-SEGURANCA.aspx.

A tragédia ocorrida em Brumadinho mostra com muita clareza o resultado da destruição da engenharia no Brasil. Uma das formas para localizar desaparecidos em catástrofes é o celular. Ele emite tanto ondas de calor como ondas de Rádio Frequência (RF). A união destas duas informações facilita a localização das pessoas. É possível medir as ondas de calor com os analisadores de infravermelho e as ondas de RF com os analisadores de espectro de frequência.

O Brasil precisou da ajuda de Israel para realizar estas atividades. Os israelenses começaram os trabalhos na segunda feira dia 28 de janeiro. A tragédia ocorreu na sexta-feira dia 25 de janeiro. Infelizmente a bateria dos celulares dos desaparecidos estava muito enfraquecida quando as buscas usando tecnologias modernas foram iniciadas. Fonte: Celular pode ajudar a achar vítimas de Brumadinho; bateria no fim é entrave, https://noticias.uol.com.br/tecnologia/noticias/redacao/2019/01/28/celular-pode-ajudar-a-achar-vitimas-de-brumadinho-bateria-no-fim-e-entrave.htm.

Muitos familiares ligaram insistentemente para os desaparecidos entre os dias 25 e 28. Estas ligações apressaram o processo de descarregamento das baterias dos celulares. Em nenhum momento foi alertado para os moradores, a importância da manutenção da carga da bateria dos celulares para a localização das pessoas.

A atividade de localização que já era de enorme dificuldade ganhou um grau extra de desafio pelo descarregamento das baterias. Se as tecnologias modernas de localização estivessem disponíveis no território nacional, na própria sexta feira dia 25 elas poderiam ter sido utilizadas. É possível que o número de sobreviventes fosse maior e a tragédia fosse menor.

Mais uma vez a destruição da engenharia no Brasil levou o país para um resultado triste. Espero que um dia, as lições sejam aprendidas e o Brasil acorde para o século XXI.

É muito preocupante ver um laudo aprovando a segurança da barragem em setembro de 2018 e encontrar a tragédia de janeiro de 2019. Seria muito importante esclarecer o que significa a aprovação da segurança. Também é de fundamental importância explicitar quais parâmetros foram utilizados para a conclusão.

A realidade dos fatos mostra que existe algo estranho neste angu. É preciso aumentar a transparência dos laudos de segurança e manter a comunidade ao redor da barragem informada sobre como e quando são realizadas auditorias de segurança.

É hora de levar o Brasil para o século XXI. A tecnologia Blockchain pode ser utilizada para criar um livro razão descentralizado que armazene todas as auditorias de segurança das barragens. Estas informações devem ser usadas para criar um seguro contra acidentes nas barragens cujos beneficiários seriam a comunidade. O seguro deve cobrir as perdas materiais e as perdas de lucro cessante pela inviabilização do negócio. O Blockchain seria usado para determinar o risco de segurança e o valor do seguro pago pela mineradora.

Plano de continuidade é frescura?


O artigo “Clientes perdem acesso a US$ 190 mi após morte de dono de bolsa de criptomoeda” (https://www1.folha.uol.com.br/tec/2019/02/clientes-perdem-acesso-a-us-190-mi-apos-morte-de-dono-de-bolsa-de-criptomoeda.shtml, acessado em 14/02/2019) revelou que o falecimento do fundador da bolsa canadense de criptomoedas QuadrigaCX fez com que 115 mil clientes perdessem o acesso a 190 milhões de dólares. Os clientes da QuadrigaCX estão experimentando o amargo sabor do fracasso do seu plano de continuidade do negócio.

O falecimento do fundador da empresa gerou uma corrida para a retirada em massa do dinheiro investido gerando assim graves problemas de liquidez para e empresa.

Como a maior parte dos recursos investidos estava armazenado em carteiras frias, que somente o fundador conhecia, o resultado foi a perda de acesso de $190 milhões. A estratégia de segurança da empresa era manter um volume baixo de criptomoedas armazenado nas carteiras quentes conectadas na internet e armazenar a maior parte dos recursos financeiros nas carteiras frias que são desconectadas.

A ausência do plano de continuidade levou ao fracasso todo o planejamento do negócio. É absolutamente inviável o mecanismo onde uma pessoa guarda as senhas dos processos de negócio sem que exista uma forma da sua recuperação por causa da incapacitação ou ausência provisória ou definitiva do guardião. Não é aceitável no mundo dos negócios que o guardião das senhas viaje sem criar um mecanismo de recuperação das senhas e estabelecer as suas condições de utilização.

Caso ocorra o falecimento do fundador ou presidente da empresa, é preciso anunciar a sua morte o mais rápido possível. Esperar um mês para fazer o anúncio não foi uma revelação responsável e gerou uma infinidade de especulações. A empresa que vivia grandes dificuldades por causa da perda da senha viu-se em um cenário piorado por causa do efeito manada gerado pela comunicação inadequada.

Como a empresa não tinha um plano de mitigação do risco, a organização agiu com total irresponsabilidade e imprudência. O plano de continuidade do negócio é o resultado do planejamento do gerenciamento dos riscos. As determinações e procedimentos que a organização executar quando um desastre ocorre facilitam a mitigação dos riscos. Uma organização séria tem o dever de planejar os desastres para evitar a perda de dinheiro ou a paralização das suas operações.

O plano da continuidade do negócio define os sistemas, dados e informações que a organização deve proteger, determina qual é a política de backup e proteção contra perdas de alguns dados específicos, declara como e onde a empresas recuperará a sua operação normal depois de um desastre, explicita o nome das pessoas, departamentos e times que são responsáveis pela execução das ações constantes no planejamento depois de um desastre especifico e revela como o teste do plano será realizado.

O planejamento da continuidade do negócio é de fundamental importância para as novas Fintechs que estão trabalhando com criptomoedas. Os investidores nas moedas virtuais estão por característica de construção expostos a um nível elevado de risco. Por causa disto, as atividades operacionais das bolsas de moedas criptografadas devem ser realizadas com extrema responsabilidade através de processos e procedimentos transparentes que ofereçam um elevado nível de garantia da confiabilidade da operação.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

Atraso, atraso e mais atraso


No plano de recuperação, ao qual a Folha teve acesso, a varejista atribui suas dificuldades financeiras a uma série de fatores: crise da economia brasileira, falta de abastecimento pelos fornecedores, dificuldades com a implementação de um novo sistema tecnológico e escassez de crédito bancário. Fonte: Saraiva propõe a credor pagar em 15 anos só 5% da dívida, https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2019/02/saraiva-propoe-a-credor-pagar-em-15-anos-so-5-da-divida.shtml, acessado em 06/02/2019.

Pela primeira vez no Brasil, uma empresa relaciona de forma direta, clara e explícita as suas dificuldades financeiras com os seus sistemas computacionais.
Foi afirmado que consta no plano de recuperação da livraria Saraiva que as suas dificuldades financeiras estão relacionadas com as dificuldades com a implementação de um novo sistema tecnológico.

A empresa explica os seus constantes prejuízos através de três fatores externos e um interno. Em relação aos fatores externos as empresas nada podem fazer. Elas apenas reagem a eles. Infelizmente a pobreza intelectual das corporações brasileiras alcançou patamares extremamente elevados. Elas são incapazes de reagir corretamente aos fatores externos.

Os aspectos externos (crise da economia brasileira, falta de abastecimento pelos fornecedores e escassez de crédito bancário) impactam toda a economia nacional. São condições gerais do ambiente de negócio brasileiro. É evidente que o impacto destes três fatores nas empresas é diferente. No entanto, todas as empresas foram impactadas e muitas produziram resultados positivos. Livrarias concorrentes da Saraiva produziram lucros enquanto ela era deficitária.

Isto significa que vale a pena aprofundar o entendimento do único fator interno declarado no plano de recuperação como determinante da dificuldade financeira da livraria (dificuldades com a implementação de um novo sistema tecnológico).

Em diversos momentos eu invadi os cursos ministrados pelo profeta Bob. Em algumas invasões eu tomei a palavra do brilhante instrutor e apresentei situações (em uma ou duas o Bob estava presente comigo) onde a livraria Saraiva perdeu dinheiro e vendas por falhas do seu sistema computacional. Não é um ou outro caso. Eu presenciei mais de dez situações. Não eram falhas pontuais, pois vinham ocorrendo por anos.

Quem lê o plano de recuperação da livraria Saraiva imagina que o fator interno “dificuldades com a implementação de um novo sistema tecnológico” é um caso pontual resultante de erros de uma implementação de um sistema. Eu tenho presenciado falhas nos sistemas computacionais da livraria desde o ano de 2010. Quase uma década. Não é um problema circunstancial. É um problema estrutural.

Eu já escutei conversas entre os vendedores da loja do Shopping Paulista, onde foi dito que não adianta ligar para o suporte, pois eles nunca resolvem o problema. A solução oferecida pela central de atendimento para os vendedores e funcionários das lojas é o tradicional desliga e liga computador, roteador e etc.

Em nenhum momento existe uma pesquisa das causas das falhas e das dificuldades operacionais dos usuários com os sistemas de suporte aos negócios. O meu amigo Bob, ficaria de cabelos em pé (se ele tivesse cabelos) com a realidade da central de atendimento.

Não adiantou nada investir em melhores práticas, contratar serviços de terceiros com dezenas de certificações. O resultado final foi muito pobre. Considerando que livrarias como livraria da Vila e Martins Fontes foram lucrativas enquanto a Saraiva foi deficitária fica claro que o fator interno foi determinante para o resultado operacional.

As escolhas da livraria Saraiva para a contratação de capital intelectual para a sua organização de tecnologia foram as piores possíveis. A empresa gastou tempo e dinheiro com pejotinhas certificados e não foi capaz de implementar corretamente os novos sistemas de tecnologia.

Muitos me perguntam sobre qual é a importância do Service Desk em uma empresa. Em geral os técnicos ficam decepcionados com a minha resposta, pois enfatizo a questão do capital intelectual que gera lucro (produtividade) e minimizo os bits e bytes.

Existem os que desejam respostas mágicas sobre como fazer a empresa reconhecer a importância da central de atendimento. Não existem mágicas. É preciso trabalhar na direção de encontrar respostas relevantes para o negócio. A maioria está mais preocupada em articulações de baixo valor agregado como reduzir a quantidade de incidentes ou diminuir o tamanho da fila de espera.

O resultado de tais políticas é o de sempre. Perda em cima de perda. Prejuízo em cima de prejuízo. Falência em cima de falência.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Sim. Sim é o emprego


A pesquisa “How machines are affecting people and place” realizada por “the Metropolitan Policy Program at the Brookings Institution” (https://www.brookings.edu/wp-content/uploads/2019/01/ES_2019.01_BrookingsMetro_Automation-AI_Report_Muro-Maxim-Whiton-FINAL.pdf, acessado em 29/01/2019) revelou que os empregos que existem em 2019 relacionados com a preparação de alimentos, produção industrial, administração de escritório, transporte, limpeza de edifícios comerciais, manutenção, instalação e reparo de produtos e etc. tem elevada probabilidade de extinção nos próximos onze anos.

É importante destacar neste ponto do texto, que não estou advogando a favor de profetas e profecias. Temos que entender que o estudo é apenas uma avaliação das probabilidades da ocorrência de alguns dos cenários futuros projetados.

A leitura correta da pesquisa é que existe uma elevada probabilidade (acima de 70%) da possibilidade de a Inteligência Artificial eliminar estes empregos nos Estados Unidos até o ano de 2030. Não existem certezas sobre como a sociedade estará se comportando nas próximas décadas e nem é possível fazer afirmações categóricas sobre como o mundo será em 2030.

Depois de três anos de demissões, foram criados cerca de 530 mil empregos com carteira assinada em 2018
(Após 3 anos de demissões, Brasil cria 529 mil empregos com carteira assinada em 2018, https://g1.globo.com/economia/noticia/2019/01/23/apos-3-anos-de-demissoes-brasil-cria-529-mil-empregos-formais-em-2018.ghtml).

Os profissionais mais buscados no mercado brasileiro em 2018 foram alimentadores de linha de produção, faxineiros, auxiliares de escritório, serventes de obras, atendentes de varejo e etc. (Veja as profissões que mais geraram empregos formais em 2018 e as que mais perderam vagas, https://g1.globo.com/economia/noticia/2019/01/23/veja-as-profissoes-que-mais-geraram-empregos-formais-em-2018-e-as-que-mais-perderam-vagas.ghtml).

É fácil perceber que as ocupações mais demandadas pelas empresas brasileiras estão todas na categoria de elevada probabilidade de eliminação pela Inteligência Artificial (IA) nos próximos anos. Não encontramos na lista das dez profissões que mais geraram empregos nenhuma ocupação na categoria de baixa probabilidade de eliminação pela IA.

O artigo “Robôs ameaçam 54% dos empregos formais no Brasil” (https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2019/01/robos-ameacam-54-dos-empregos-formais-no-brasil.shtml) revelou que trinta milhões de vagas de trabalho formal podem deixar de existir até o ano de 2026.

Os que forem aos jogos olímpicos de 2020 encontrarão hotéis operados por robôs (Empresa planeja abrir mais 8 hotéis operados por robôs em todo o Japão, http://www.portalmie.com/atualidade/curiosidades/2018/02/empresa-planeja-abrir-mais-8-hoteis-operados-por-robos-em-todo-o-japao/).

A eliminação destes empregos não causa grande impacto no mercado de trabalho japonês, porque em geral estas atividades são rejeitadas pelos trabalhadores. O real problema será quando as redes internacionais de hotéis que estão presentes no Brasil decidirem robotizar.

A eliminação destas posições do mercado formal impactará a geração de empregos no mercado informal, pois os empregos informais são mais facilmente automatizados.

No Brasil, os debates sobre o emprego estão ocorrendo em uma camada bastante distante do problema real. Ainda existem conversas sobre a CLT e acessórios desnecessários.

O 13º salário foi a oficialização do bônus de final de ano que existia no mercado brasileiro nas primeiras décadas do século XX. O doutor em economia, Alexandre Schwartsman (foi diretor do Banco Central) definiu com precisão a questão. “O 13º nada mais é do que uma “poupança” disfarçada feita ao longo do ano: em vez de distribuir seu salário anual em 12 parcelas, o pagamento é feito em 13, das quais duas no final do ano” (Previdência não 'injeta dinheiro na economia'; como é hoje, concentra renda, https://www1.folha.uol.com.br/colunas/alexandreschwartsman/2019/01/previdencia-nao-injeta-dinheiro-na-economia-como-e-hoje-concentra-renda.shtml).

Se os benefícios previstos na CLT fossem realmente bons, os trabalhadores desempregados dos Estados Unidos (existe desemprego por lá também) estariam entrando no mercado de trabalho brasileiro.

Foi afirmado que Danilo Brack nunca viu uma onda migratória de brasileiros como a dos últimos dois anos. A maioria arrisca a travessia pela fronteira do México. Muitos têm mestrado e doutorado. Fonte: Mais brasileiros com crianças buscam os EUA, https://www.opovo.com.br/noticias/mundo/ae/2018/06/mais-brasileiros-com-criancas-buscam-os-eua.html.

A realidade mostra que os americanos não buscam os benefícios da CLT brasileira e os brasileiros estão entrando ilegalmente para os Estados Unidos (correndo risco de vida) em busca de empregos sem os benefícios da CLT.

A crise econômica brasileira não foi causada pela CLT. Os afinados com os fatos e números da macroeconomia brasileira já leram com a devida atenção o artigo “O aumento salarial de R$ 3” (https://www1.folha.uol.com.br/colunas/viniciustorres/2019/01/o-aumento-salarial-de-r-3.shtml).

O rendimento médio do trabalho cresceu R$ 3 no ano de 2018, ou seja, gerou impacto marginal zero nas despesas salariais das empresas.  Mais ainda, o ano de 2018 foi um dos raros anos onde a taxa real de juros (Selic) e a taxa de inflação estiveram abaixo da casa dos 5%.
Os custos salariais (CLT) foram praticamente iguais, o trabalho informal (sem os benefícios da CLT) cresceu espetacularmente, o custo do dinheiro caiu e a inflação foi muito baixa e mesmo assim o crescimento do PIB e PIB per capita em 2018 foi ridiculamente baixo.

O Marcos Lisboa ex-secretário de política econômica do ministério da Fazenda afirmou: “No Brasil, alguns insistem em elixires milagrosos, como juros para baixo, câmbio para cima e proteção à produção doméstica. Pois bem, a taxa de juros está no seu menor nível em décadas, o câmbio se desvalorizou quase 20% em 2018 e temos mais proteções contra a importação de bens manufaturados do que qualquer país da OCDE. A indústria, no entanto, patina e a produtividade continua estagnada” (Hermanos, https://www1.folha.uol.com.br/colunas/marcos-lisboa/2019/01/hermanos.shtml).

É fácil perceber que o resultado do crescimento do PIB em 2017 de cerca de 1,4% e de aproximadamente 1,7% para o PIB per capta é medíocre. A pejotização cresceu como nunca em 2018 e mesmo assim o crescimento do PIB foi pífio. Foi afirmado que existe elevada correlação entre a volta da atividade econômica e os empregos CLT (Com trabalho precário, população ocupada atinge maior nível da história, https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2018/12/com-trabalho-precario-populacao-ocupada-atinge-maior-nivel-da-historia.shtml).

A conclusão é que a CLT não foi a causa da crise econômica brasileira. O Brasil viveu em 2018 um ano de Selic baixa, de câmbio desvalorizado e de elevado nível de proteção contra produtos importados. Como citado anteriormente também viveu ano de crescimento praticamente nulo dos salários e de alto nível de pejotização. Se com todas condições macroeconômicas favoráveis o resultado foi pobre, isto significa que o problema não está relacionado com a CLT.

Qual é o real problema da economia nacional?

Foi afirmado que nos últimos quatro anos, 4 milhões de empregos informais foram criados no país, ou seja, 40% da população ocupada de 91,2 milhões de pessoas (País ganhou 4 mi de trabalhadores informais nos últimos 4 anos

A afirmação do Lisboa (a produtividade continua estagnada) revela todo o mistério. O Brasil vem avançando fortemente na pejotização, mas está estagnado (ou melhor dizendo está negativo) na produtividade do trabalho realizado.

A degradação do mercado de trabalho foi tamanha que em 2018 chegamos à seguinte realidade: dez trabalhadores dos Estados Unidos geraram a mesma riqueza que 50 trabalhadores brasileiros ou que dez trabalhadores da Alemanha geraram a mesma riqueza que 40 trabalhadores brasileiros ou que 10 trabalhadores do Chile geraram a mesma riqueza que 18 trabalhadores brasileiros.

É muito simples encontrar no varejo brasileiro exemplos onde a produtividade do trabalho é negativa. Um caso que é repetido em larga escala aconteceu comigo recentemente. Eu toquei o meu purificador de água com idade de dois anos por um novo. O antigo quebrou e o conserto era o preço de um novo. No dia 11 de janeiro de 2019 ele foi instalado. No dia 17 de janeiro a empresa ligou dizendo que a validade de um ano do filtro tinha vencido e queriam agendar visita do técnico para a sua troca.

Eu expliquei que eles instalaram um purificador de água novo na semana passada e, portanto, a validade do filtro não estava vencida. No dia 18 de janeiro de 2018 eles ligaram de novo falando a mesma coisa do dia anterior. Eu desliguei e bloqueei os dois números.

No dia 29 de janeiro, eles ligaram novamente perguntando a data da ultima manutenção do aparelho. Quando respondi que é um aparelho novo de instalação recente, a voz do outro lado respondeu que sabia deste fato e insistiu na pergunta sobre ultima manutenção. Respondi que a pergunta não tinha sentido, deliguei e bloquei mais este número.

Claramente a empresa tem um sistema de controle que não funciona e o telemarketing oferece coisas inúteis para os clientes. Foram três ligações cujo resultado foi negativo. Apenas aborreceram o cliente. Apenas gastaram dinheiro.

A empresa gastou tempo, dinheiro e recursos para fazer algo inútil. É um caso apenas, mas na Internet existem milhões de casos semelhantes nos sites de reclamações. Quando inexiste inteligência, a produtividade é mínima ou nula ou negativa.

Não é difícil entender porque a pejotização degradou tanto a produtividade do trabalhador brasileiro. Um funcionário pejotizado realiza apenas a atividade que foi contratado sem maiores questionamentos. Apenas realiza. Não importa para ele se a atividade agrega ou não valor para o negócio. Ele é pago para realizar, apenas isto.

O resultado do seu esforço é totalmente irrelevante para ele. Em muitos casos, o pejotizado não tem nenhuma ideia da consequência das suas atitudes (veja exemplo à seguir). Se qualquer coisa der errado na execução das atividades, ele simplesmente troca de trabalho (é desligado ou deixa emprego por conta própria).

Em São Paulo, foram presos os dois engenheiros terceirizados "que atestaram a estabilidade da barragem", segundo a PF (Polícia Federal). Fonte: Juíza diz que era possível evitar tragédia em Brumadinho (MG), https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2019/01/29/juiza-decisao-barragem-presos-funcionarios-vale.htm

Caso o pejotizado receba uma oferta de trabalho melhor ele simplesmente abandona a atividade atual e começa novo trabalho. Não existem compromissos de longo prazo (no máximo apenas alguns poucos dos pejotizados cumprem o aviso prévio de 30 dias previsto no contrato. Eles o fazem com péssima vontade de trabalhar e produtividade mínima. A grande maioria é dispensada do cumprimento do aviso prévio).

O caso do segurança pejotizado do Carrefour é típico da falta de compromisso do trabalhador com a empresa (Caso Carrefour: morte de cachorro mobiliza ONGs, famosos e internautas, https://www.metropoles.com/brasil/caso-carrefour-morte-de-cachorro-mobiliza-ongs-famosos-e-internautas). O Carrefour perdeu milhões com o boicote. Toda a perda financeira que ocorreu foi consequência da atuação do seu segurança pejotizado que gerou a motivação do boicote. A perda de produtividade do negócio foi gigantesca.

É fácil perceber que o segurança pejotizado escolheu realizar uma ação de valor agregado nula para o negócio (atacar o cachorro) e ignorou a realização da ação de valor agregado positiva (manter a segurança do hipermercado). Enquanto ele mudava o foco da sua atividade, o local ficou com a sua segurança prejudicada. A produtividade do trabalho do segurança caiu para o negativo com tal decisão.

É muito interessante notar que inexiste um caso similar de um funcionário CLT. Sabe porque não existe tal situação envolvendo um trabalhador CLT?

A resposta é bem simples. Ele sabe que a sua renda futura de médio e longo prazo depende do sucesso do negócio. Em outras palavras, o foco dele é realizar atividades de valor agregado positivo para o empreendimento. Todas as ações de valor agregado nula ou negativa são ignoradas pelos CLTs.

Eles sabem que sentirão no bolso as consequências das suas decisões pobres. Este é real motivo do porque a produtividade do CLT é maior que a do pejotizado. Também é o motivo da economia do país estar despencando ladeira abaixo. O mercado privado está trocando maior produtividade por menor por causa da promessa de um menor custo aparente (os custos invisíveis escondidos são gigantescos).

O genial resultado da troca do lucro pelo prejuízo pode ser visto nos estados brasileiros. Até 31 de dezembro de 2018 três estados decretaram calamidade financeira. Até o dia 22 de janeiro de 2019 este número cresceu mais de 100%.

Em apenas 22 dias quatro estados decretaram calamidade financeira. Quantos estados brasileiros decretarão calamidade financeira até a data de 31 de dezembro de 2019?

A vida inteligente no Brasil precisa debater como aumentar a produtividade do trabalho urgentemente. O crescimento do PIB é o resultado do crescimento da população com o crescimento da produtividade média do trabalhador.

Como nos últimos anos o crescimento da população é de aproximadamente a 1% ao ano e o da produtividade média é de cerca de - 1% ao ano (é negativo) isto significa que a produtividade média do trabalhador precisa sair da casa de -1% para 2% ao ano para que o país cresça aproximadamente 3% ao ano. Não parece ser um esforço enorme, mas o nosso histórico mostra uma gigantesca dificuldade. Lembro que com crescimento de 3% ao ano, o Brasil demorará mais de um século para erradicar a pobreza.

É preciso fazer alguma coisa antes que a crise de segurança do Ceará seja um caso nacional. Um terço dos jovens presos no Ceará acusados dos crimes contra o patrimônio é menor de 18 anos (1/3 dos capturados por suspeita dos ataques no Ceará é adolescente, https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2019/01/14/13-dos-capturados-por-suspeita-dos-ataques-no-ceara-e-adolescente.htm).

Não é coincidência que desemprego desta faixa etária esteja acima 25%. Sem emprego, o crime organizado captura estes jovens desempregados. O Brasil está criando condições que inviabilizam o trabalho honesto no território nacional.

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Tela de login do Windows 10


Em 2019, o Windows 10 completará quatro anos da sua publicação. Neste período o Brasil passou pela pior recessão da sua história. A grande virtude de uma recessão intensa e prolongada como foi a nossa, é o estabelecimento de novos comportamentos empresariais. É o famoso fazer mais com menos. Para aumentar a riqueza gerada por unidade de capital investido, é preciso usar a criatividade para “cavar” novas oportunidades de negócio.

Nas minhas conversas com empreendedores e empresários, a principal reclamação deles é o custo para divulgar e vender os seus produtos e serviços. Em particular, os empresários do setor de eventos, congressos e seminários relatam que os custos de divulgação são elevados demais.

Muitos usam para a divulgação dos seus eventos, os serviços de uma assessoria de imprensa, que em geral consegue um espaço de baixa visibilidade. A segunda estratégia mais usada é o envio de e-mails para listas alugadas. Na maior parte dos casos, estas mensagens são direcionadas para a caixa de mensagens indesejadas e nunca são lidas. É sem sombra de dúvida um trabalho improdutivo.

Para a maioria destes empreendedores, a solução para o seu evento é conseguir um patrocinador que “banca” a divulgação e os custos das vendas dos ingressos. Eu recebo frequentemente, mensagens solicitando a minha ajuda para conseguir um patrocinador. Em alguns casos (congresso é de elevada importância e relevância) eu faço a apresentação do empreendedor com potenciais patrocinadores. No entanto, não tenho condições de endereçar todas as solicitações.

É neste exato momento, que o empreendedor precisa pensar “fora da caixa” e buscar uma alternativa para viabilizar o seu negócio. Um dos caminhos para a criatividade passa pelo Windows 10. Infelizmente, até o momento desconheço qualquer iniciativa que explore as oportunidades geradas por este sistema operacional.

Na tela de login do Windows 10 aparece uma ou mais paisagens. Muitas vezes eu dedico alguns minutos antes de digitar a senha apenas para descobrir onde fica a belíssima imagem. Em alguns casos eu viajei e visitei o local apresentado.

É bem fácil perceber que é possível usar a tela de login do Windows 10 para divulgar um evento, produto ou serviço. Como é uma tela de senha, o sistema sabe qual é o usuário. Isto significa que ele conhece informações como CEP, estado, cidade, país e etc. Logo a oferta pode ser direcionada em função da localização.

Considerando que o usuário é o mesmo da loja do Windows é possível direcionar os anúncios em função da idade, profissão, gênero e etc. É uma poderosa plataforma de divulgação que não é explorada atualmente. Para a Microsoft, ela pode representar uma nova linha de negócios. Para os empreendedores, ela pode representar uma forma barata de divulgar as suas ofertas.
Por ser algo inédito, os pioneiros poderão conquistar enormes ganhos. É uma forma de abrir uma nova caixa de ferramentas e explorar as oportunidades existentes no mercado. Infelizmente, na maioria das minhas conversas eu encontro empresários e empreendedores que imaginam que encontrarão um capital que resolverá os problemas deles.

É preciso assumir o comando da nave e criar as oportunidades antes que alguém faça. Infelizmente, a recessão profunda não foi intensa o suficiente para mudar a mentalidade brasileira. Continuamos procurando na periferia do mundo dos negócios a solução dos desafios. Mais uma vez as perdas por falta de capital intelectual superação os resultados alcançados.

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Desmaterialização da Moeda Soberana


O projeto de digitalização da moeda soberana de uma nação é um esforço que exige a identificação e comunicação dos benefícios tangíveis da iniciativa, por causa do seu elevado impacto no dia a dia das pessoas. A principal consequência do processo de desmaterialização da moeda é a criação da plataforma “Banco como um Serviço” (Bank as a Service – BaaS).

Em outras palavras, é de fundamental importância que o início dos trabalhos seja focado na identificação dos seus componentes e na determinação do custo total atual do dinheiro físico. O custo da utilização do dinheiro físico como meio de pagamento está distribuído nas etapas de:

1.     Produção e Emissão
2.     Custódia
3.     Distribuição para o atacado e varejo
4.     Transações realizadas

Os custos das transações realizadas com numerário físico estão relacionados com: (i) manutenção de um ou mais funcionários de confiança (são mais caros) para trabalhar como o dinheiro, (ii) vigilância remota dos caixas do varejo e caixas eletrônicos dos bancos, (iii) perdas causadas por erros operacionais na manipulação do dinheiro pelos funcionários, (iv) compra de maquinas contadoras de dinheiro por causa do elevado volume de notas movimentado (em geral ocorre nos bancos), (v) perda de tempo e produtividade por causa tanto da manutenção de dinheiro físico para troco no caixa, como do deposito diário no banco) do dinheiro do caixa (pode ocorrer várias vezes, (vi) segurança física e eletrônica por causa da permanente ameaça de roubo, (vii) aumento do valor do seguro por causa da presença de dinheiro físico no caixa, (viii) segurança extra para transportar o dinheiro até o banco, (ix) manutenção dos caixas eletrônicos abastecidos com dinheiro fora do expediente bancário e (x) redução da produtividade empresarial por causa do tempo gasto na contabilização manual do dinheiro do caixa.

Foi afirmado que o custo total anual do ciclo do dinheiro brasileiro é de aproximadamente R$ 90 bilhões, quando se considera a emissão, custódia, distribuição de atacado e varejo e os custos das tratativas com o dinheiro no comércio.
Fonte: Aldênio Burgos e Bruno Batavia (O Meio Circulante na Era Digital, autores:, https://www.bcb.gov.br/htms/public/inovtec/O-Meio-Circulante-na-Era-Digital.pdf?4, acessado em 09/01/2019).
  
A moeda digital aumenta a efetividade do sistema brasileiro de pagamentos porque é um meio de troca de baixo custo. Atualmente no Brasil, tanto as famílias de baixa renda, como as pequenas empresas dependem muito do numerário físico.

Os setores da sociedade com menor renda estão perdendo uma parte importante dos seus recursos financeiros, por causa do elevado custo do dinheiro físico ou das elevadas taxas para as transações realizadas com cartões pré-pagos. A realização de pagamentos com numerário digital oferece grandes benefícios para a população mais carente.

A adoção do Numerário Digital (ND) permite que sejam alcançados grandes ganhos de produtividade na macroeconomia nacional. Do ponto de vista da sociedade a digitalização da moeda soberana equivale a uma redução dos impostos.

A eliminação da necessidade do pequeno varejo de contratar um funcionário de confiança para manusear o dinheiro do caixa, em conjunto tanto com a eliminação das perdas para depositar e sacar o dinheiro no banco, como com a diminuição do risco de roubo reduz significativamente o custo operacional dos pequenos negócios.  O seguro contra roubo de uma loja é bem mais caro por causa da necessidade de manter numerário físico.

Os dispositivos adicionais de segurança dos caixas eletrônicos no Brasil, fazem com que eles sejam aproximadamente 65% mais caros do que os similares de outros países. Os boletos bancários pagos através dos caixas eletrônicos são uma das formas de pagamento na era digital. No entanto, um grande volume de boletos é pago em dinheiro físico na boca do caixa das agências bancárias.

A infraestrutura de pagamentos precisa ser interoperável na economia digital. É preciso que a emissão de moeda digital pelo Banco Central para as transações do varejo permita que os provedores de serviços de pagamento e transferência de diferentes locais e países trabalhem com liquidez em tempo real.

O numerário digital é, portanto, um “token" que assegura a liquidez do sistema de pagamentos em tempo real. A disseminação do uso da moeda digital soberana deve ocorrer em paralelo com o processo de obsolescência do numerário físico.

As principais consequências deste estratagema para a digitalização da moeda são o desencorajamento da evasão fiscal, o crescimento do grau de dificuldade para as operações de lavagem de dinheiro e a criação de barreiras para as atividades ilegais operacionalizadas pelas notas de grande valor do numerário físico.

Foi revelado pela consultoria A.T. Kearney que 36,5% do PIB brasileiro foi movimentado sem declaração adequada.
Fonte: Brasil tem o sexto maior mercado de trabalho informal, aponta levantamento, https://www1.folha.uol.com.br/colunas/mercadoaberto/2018/10/brasil-tem-o-sexto-maior-mercado-de-trabalho-informal-aponta-levantamento.shtml, acessado em 09/01/2019.

A economia subterrânea representa mais de 15% do Produto Interno Bruto brasileiro (Economia informal cresce pelo 4º ano seguido no país e corresponde a 16,9% do PIB, aponta estudo, https://g1.globo.com/economia/noticia/2018/12/04/economia-informal-cresce-pelo-4o-ano-seguido-no-pais-e-corresponde-a-169-do-pib-aponta-estudo.ghtml, acessado em 09/01/2019). A informalidade é uma importante fração da atividade econômica. É fácil perceber que a economia informal usa apenas dinheiro em espécie nas suas transações.

A moeda digital soberana é amiga da natureza. Ela elimina a necessidade de consumir na produção e distribuição do meio circulante físico diversas matérias primas e milhares de litros de combustíveis. As centenas de toneladas de resíduos geradas na etapa de produção do papel moeda e moedas não são geradas com a moeda digital.

O numerário digital elimina por completo, o problema da destruição do dinheiro físico que não tem utilidade. Em 2017, foram geradas quase mil e duzentas toneladas de resíduos de cédulas na destruição do numerário físico no Brasil.

Os meios digitais de pagamentos aumentam o nível de inclusão financeira da sociedade. É possível criar no universo digital uma infinidade de serviços financeiros com custo marginal unitário praticamente nulo. O fenômeno da inclusão financeira habilitada pelo numerário digital é consequência da eliminação das barreiras para a bancarização.

Muitas pessoas não possuem contas em bancos porque não existem agencias próximas ou da sua residência ou do seu local de trabalho (é muito comum este problema no campo). Uma grande parte da população pobre do Brasil não tem conta bancária por causa dos custos dos serviços.

Como a grande maioria dos brasileiros com idade acima de 15 anos tem acesso a um telefone inteligente ou a um computador com Internet é possível com a moeda digital soberana incluir no sistema financeira cerca de 35% da população que não é atualmente atendida pelos bancos.

Como a moeda desmaterializada elimina os intermediários do sistema de pagamentos é possível fazer a inclusão financeira com uma considerável redução de custos.

Por exemplo, são eliminadas as taxas cobradas pelos bancos nos canais eletrônicos de transferência de dinheiro (TEDs e DOCs). Neste novo mundo sem os bancos intermediando as transferências de numerário, ocorre a plena integração entre a população bancarizada com a não bancarizada.

Como o custo unitário marginal de uma transferência digital é praticamente zero, é possível estender o benefício para toda a população sem aumentar os gastos públicos. É viável com o numerário digital oferecer para a população de baixa renda a facilidade de transferir valores baixos.

Foi revelado que o custo de segurança cresceu tanto que inviabilizou o dinheiro físico em diversas cidades brasileiras.
Fonte: 'Novo Cangaço' deixa cidades do sertão da BA sem dinheiro, https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2018/07/novo-cangaco-deixa-cidades-do-sertao-da-ba-sem-dinheiro.shtml, acessado em 09/01/2019.

Os frequentes roubos de caixas eletrônicos e agências bancárias estão criando o fenômeno das cidades sem dinheiro (pequenas cidades no interior do Brasil onde não é possível fazer saque em dinheiro na agência e no caixa eletrônico).

As questões relacionadas com a segurança patrimonial e integridade física das pessoas (clientes, funcionários e população) estão inviabilizando a distribuição e armazenamento do numerário físico nas pequenas cidades.

Os custos de segurança estão crescendo com tamanha intensidade que os bancos estão concentrando os serviços bancários relacionados com o dinheiro físico nas agências de maior porte.

FIDO is the World’s Largest Ecosystem for Standards-Based, Interoperable Authentication.
Fonte: https://fidoalliance.org/about/what-is-fido/, acessado em 09/01/2019.

A moeda digital soberana não é isenta de incidentes de segurança. No entanto, o sistema integrado de processamento do pagamento, faz com que as fragilidades e ameaças de segurança cibernética possam ser resolvidas com um volume de investimento muito menor que o atual.

Como existem muitas pessoas trabalhando em paralelo nas soluções de segurança para os pagamentos digitais, os custos estão caindo dramaticamente. A FIDO Alliance desenvolve padrões para o ecossistema de pagamentos.

A moeda digital soberana continua sendo emitida pelo Banco Central (BC). A digitalização do numerário não prejudica a política monetária. As reservas bancarias do Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB) podem ser configuradas para que o seu acesso seja restrito.

Da mesma forma é também possível configurar a disponibilidade do numerário. O dinheiro digital pode ser configurado para que ele possa ser movimentado 24 horas por dia todos os dias do ano.

No entanto, também é possível configurar a disponibilidade do dinheiro das reservas bancarias. As movimentações podem ser realizadas apenas durante o horário de operação do Sistema de Transferência de Reservas (STR).

O numerário digital tanto pode ser estruturado em contas correntes, como pode ser organizado em tokens que armazenam valor. Nos dois casos, um cidadão enxerga a quantidade de dinheiro da sua carteira através do saldo da sua conta digital.

O Banco Central pode configurar a duração e o tempo de vida do numerário, pois é possível limitar a duração e o tempo de vida do dinheiro digital em função de eventos importante. Por exemplo, o sistema permite que o BC configure uma série do dinheiro digital para que ele seja criado, emitido e resgatado apenas durante a Copa do Mundo de futebol.

O dinheiro digital estruturado em contas correntes não é anônimo, pois o sistema acessa e controla as informações. Isto significa que a privacidade das movimentações é realizada através do sigilo do saldo e das movimentações.

No caso do dinheiro digital organizado em tokens, o anonimato pode ser configurado, pois é possível desenhar a arquitetura do sistema para que apenas o possuidor da chave privada tenha acesso ao saldo e as movimentações da sua conta.

A desvantagem, neste caso, é que a perda da chave privada implica em perda do dinheiro. A estrutura em tokens permite que o sistema digital seja configurado em diferentes níveis de privacidade.

terça-feira, 18 de dezembro de 2018

A república dos mercadores de tolices e o poço da burrice eterna


Infelizmente a cultura do atraso tornou o Brasil no país do desperdício. Ao mesmo tempo em que milhões de brasileiros passam fome (No Brasil, 2,5% da população está em grave situação alimentar, https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2018/09/11/no-brasil-fome-se-estabiliza-e-22-da-populacao-e-obesa-segundo-fao.ghtml) os supermercados jogam no lixo bilhões de reais em alimentos (Supermercados desperdiçam R$ 3,9 bi em alimentos por ano, diz Abras, https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2018/08/supermercados-desperdicam-r-39-bi-em-alimentos-por-ano-diz-abras.shtml, acessado em 24/09/2018).

Basta uma rápida visita aos supermercados para perceber porque bilhões de reais vão para o lixo todos os anos. Existe uma completa falta de controle do estoque em relação ao prazo de vencimento dos alimentos. É vergonhoso para qualquer gestor capacitado que os maiores supermercados do país sejam incapazes de ofertar os alimentos conforme a sua data de validade. Qualquer sistema mequetrefe de inteligência artificial é capaz de fazer isto e eliminar o desperdício de alimentos.

A cultura do atraso não é privilégio de um único setor da economia nacional. O sábio médico Claudio Lottenberg que é presidente do conselho deliberativo do Hospital Israelita Albert Einstein afirmou que a digitalização do sistema de saúde pública e a telemedicina podem reduzir 33% dos gastos do sistema pela eliminação dos desperdícios causados por práticas obsoletas, retrabalhos, redundâncias, burocracia desnecessária e fraudes. (Atraso crônico, https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2018/04/claudio-lottenberg-atraso-cronico.shtml).

Como o orçamento da saúde é de cerca de R$ 120 bilhões é fácil perceber que um pequeno investimento em tecnologias como internet das coisas e inteligência artificial pode eliminar dezenas de bilhões de reais de desperdícios do sistema de saúde.

A cultura do atraso está largamente difundida no Brasil. A causa raiz da incessante busca pelo pior possível é a qualificação da gestão. O grupo Abril foi fundado em 1950. Em 2018, o grupo entrou em recuperação judicial com dívidas de R$ 1,6 bilhões. A empresa entrou em dificuldades após a criação da TVA e o abandono da sua promissora plataforma de internet (abandonou parceria com UOL).

Os gestores do grupo fazem parte do seleto grupo de administradores que não acreditaram no potencial da internet e da transformação digital. A empresa ficou confinada ao passado e perdeu lucratividade e faturamento. Apesar de todos os defeitos na gestão da TVA, o grupo abril conseguiu vender com lucro a empresa. Como dinheiro na mão é vendaval, em pouco tempo o dinheiro ganho com a venda da TVA foi embora e o prejuízo entrou em cena.

O grupo Abril não foi o único que escolheu contratar com base no atraso. Recentemente a Fundação Procon-SP multou diversas grandes empresas por prática ilegal nas iniciativas de telemarketing (Essas 20 empresas foram multadas por ligar mesmo você não querendo, https://tecnologia.uol.com.br/noticias/redacao/2018/09/03/essas-20-empresas-foram-multadas-por-te-ligar-mesmo-voce-nao-querendo.htm). Infelizmente o capital intelectual restrito impede que os maiores bancos brasileiros percebam que estre tipo de ação de telemarketing é inútil. A capacitação interna e externa destas empresas é tão baixa que elas preferem atuar em desacordo com a lei, porque está é a única solução que os seus gênios conseguem encontrar para as baixas vendas.

As operadoras de telefonia desempenham um capítulo à parte no circo de horrores dos mercadores de tolices. As empresas Oi, Claro e Vivo foram multadas pelo Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor por cobrar por serviços não solicitados pelos consumidores (Oi, Claro e Vivo são multadas em R$ 9,3 mi por irregularidade em venda de serviço, https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2018/09/oi-claro-e-vivo-sao-multadas-em-r-93-mi-por-irregularidade-em-venda-de-servico.shtml). A alegação da defesa é infantil. Informaram que terceiros são os responsáveis pelos serviços cobrados indevidamente. Porque elas estabeleceram parcerias com estes terceiros? As reclamações dos consumidores são bem antigas.

As pessoas que trabalham neste perfil empresarial devem ter autoestima muita baixa. Pessoas mediamente qualificadas aceitam trabalhar apenas em empresas honestas e sérias.

Uma das coisas interessantes dos que semeiam a cultura do atraso é o elevado nível de soberba e arrogância. No passado, eu debati sobre qualificação da mão de obra com o CEO de uma empresa de consultoria de pequeno porte. Depois que afirmei que a política de contratações definida por ele iria levar o negócio para derrocada, ele afirmou que estava operando com elevada lucratividade. Alguns dias depois a empresa fechou as portas.

É muito comum encontrar este perfil profissional vivendo em um universo alternativo. As dificuldades que os profissionais desqualificados têm com a matemática básica são impressionantes. Eles não são capazes de somar e subtrair. Dentro do universo dos mercadores de tolices eles tentam vender a imagem de excepcionais gestores e resultados expressivos. Quando o caixa da empresa foi avaliado ficou claro que a empresa dava prejuízo operacional.

No artigo Aritmética para iniciantes (https://www1.folha.uol.com.br/colunas/alexandreschwartsman/2018/09/aritmetica-para-iniciantes.shtml) o Alexandre revelou que existe enorme dificuldade na realização de operações aritméticas básicas aqui no Brasil. Por causa disto, existe a criação de universos alternativos onde a soma de um mais um resulta em um milhão. Nestes universos as empresas não quebram e quando os clientes compram produtos e serviços da China eles apenas não sabem comprar.

No universo real dos fatos, a capacitação tem enorme valor nas corporações. Muita gente associa a juventude e o abandono dos estudos com o sucesso das empresas fundadas pelo Steve Jobs, Bill Gates, Mark Zuckerberg, Sergey Brin, Larry Page e Jeff Bezos (Tempo é aliado dos empreendedores mais velhos, https://www1.folha.uol.com.br/tec/2018/09/tempo-e-aliado-dos-empreendedores-mais-velhos.shtml).

O estudo "Idade e Empreendedorismo de Alto Crescimento", dos economistas Pierre Azoulay, Benjamin Jones, J. Daniel Kim e Javier Miranda, revelou que foram criadas aproximadamente 3 milhões de empresas nos Estados Unidos entre 2007 e 2014. A idade mediana dos fundadores é de 41,9 anos, ou seja, várias startups que receberam investimentos de capital tinham fundadores com idade acima de 40 anos.

Não é difícil perceber a influência da capacitação no sucesso profissional e na inovação. O produto iPhone foi criado pelo Steve Jobs de cabelo branco. A Amazon virou potência mundial de comércio eletrônico nas mãos do Jeff Bezos de cabelos brancos. As empresas Google e Microsoft alcançaram seus postos mais elevados nas mãos dos seus fundadores na versão cabelo branco.

É evidente que capacitação não é consequência direta dos cabelos brancos como alguns simplistas insistem em afirmar. Capacitação é consequência de aprendizado. Isto significa que pessoas com cabelos brancos tiveram mais oportunidades que os jovens imberbes. Os que aproveitaram as oportunidades tiveram como resultado capacitação superior.

A capacitação superior leva para as organizações para o território das inovações promissoras e sucesso. Infelizmente a cultura do atraso nacional despreza a capacitação e acha que juventude é fator necessário e suficiente para inovar.

A cultura do atraso levou o Brasil na direção de incontáveis fracassos. A fábrica da Ceitec S.A foi inaugurada em 2010 para produzir chips (Estatal do chip de R$ 500 mi está parada, https://www1.folha.uol.com.br/fsp/mercado/me0909201004.htm). Em 2018 é retumbante o fracasso da empresa. Os gestores de tecnologia qualificados foram ignorados na política de contratações. O resultado foi prejuízo em cima de prejuízo. Passados 8 anos qual é a relevância da Ceitec no mercado mundial de chips?

Os artigos “Ainda precisa pastar muito” (https://epocanegocios.globo.com/Informacao/Dilemas/noticia/2012/11/ainda-precisa-pastar-muito.html), "O Brasil sonhou em fazer chips. Mas por enquanto conheceu só suas dificuldades" (https://www.gazetadopovo.com.br/economia/o-brasil-sonhou-em-fazer-chips-mas-por-enquanto-conheceu-so-suas-dificuldades-1jcx54p1qhp10gktgon8zcluv/) e “Governo decide contratar consultoria britânica para definir rumos do Ceitec” (https://gauchazh.clicrbs.com.br/geral/noticia/2013/08/governo-decide-contratar-consultoria-britanica-para-definir-rumos-do-ceitec-4220772.html) revelaram que a fábrica da Ceitec S.A é irrelevante no cenário nacional.

No mundo, o mercado de chips é de cerca de US$ 0,5 trilhão. O mercado brasileiro é de cerca de US$ 10 bilhões. As vendas de empresas brasileiras representam menos de 10% (Com prejuízo de R$ 42,6 milhões, Ceitec foca no setor privado para se sustentar, https://gauchazh.clicrbs.com.br/economia/noticia/2018/06/com-prejuizo-de-r-426-milhoes-ceitec-foca-no-setor-privado-para-se-sustentar-cjj0m1unr0hrf01pab7dxgek0.html).

A cultura do atraso brasileiro é tão grande que a Ceitec que recebeu investimentos do governo de mais de um bilhão de reais e tem prejuízo acumulado da sua inauguração até hoje de mais de 40 milhões de reais produz chips de 600 nanômetros que são caros e suscetíveis a erros. O capital intelectual superior faz chips com menos de 50 nanômetros.

A escolha nacional pelo atraso inibiu a formação de mão de obra qualificada capaz de projetar chips. Vale lembrar neste ponto, que a nossa cultura do atraso é tão grande que os acordos comerciais contratuais são esquecidos. No processo de seleção do padrão da TV digital, foi condicionada à contrapartida de construir uma fábrica de semicondutores no Brasil. Aparentemente os mercadores de tolices esqueceram desta cláusula do contrato (TV digital: Toshiba abandona projeto de semicondutor no Brasil, http://www.intervozes.org.br/direitoacomunicacao/?p=20635).

Como os mercadores de tolices não são capazes de aprender com os erros cometidos no passado, eles os repetem com exaustão. Mais um bilhão de reais foi para o lixo em outra fábrica de chips (Após receber quase R$ 1 bi, fábrica de chips criada por Eike ainda opera parcialmente, https://www.brasil247.com/pt/247/economia/324893/Após-receber-quase-R$-1-bi-fábrica-de-chips-criada-por-Eike-ainda-opera-parcialmente.htm).

Foi afirmando em setembro de 2010 que o Veículo Lançador de Satélites será realidade em 2015 (Foguete nacional só deve decolar em 2015,  https://www1.folha.uol.com.br/fsp/ciencia/fe0909201001.htm). A cultura do atraso não tem limites na sua capacidade de jogar dinheiro no lixo. O Centro de Lançamento de Alcântara foi inaugurado em 1983 e até 2018 lançou 475 foguetes. Ou em outras palavras 475 lançamentos em 15 anos, média de 32 por ano. Números irrisórios. É claro que os mercadores não iriam parar no primeiro fracasso.

Em 2003, o governo do PT criou a Alcântara Cyclone Space. O Brasil jogou no lixo quase 500 milhões de reais sem lançar um único foguete. Como o poço da burrice eterna não pode jogar no lixo apenas meio bilhão de reais, existe a multa por rescisão do contrato à favor da Ucrânia de 2 bilhões de reais (Brasil tenta há 2 anos encerrar parceria com Ucrânia que custou R$ 483 mi e não lançou foguete, https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2018/02/15/tcu-critica-projeto-brasileiro-que-custou-r-483-mi-e-nao-lancou-foguete-fragil-e-otimista.htm). O Tribunal de Contas da União avaliou que a Alcântara Cyclone Space como um projeto "frágil e otimista". Palavras gentis para o trabalho dos geniais gênios brasileiros.

Dando continuidade ao ciclo de genialidades, existe a pretensão de criar mais uma estatal para alugar o Centro de Lançamento de Alcântara (FAB quer arrecadar R$ 140 milhões ao ano com 'aluguel' da base de Alcântara, https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2018/09/fab-quer-arrecadar-r-140-milhoes-ao-ano-com-aluguel-da-base-de-alcantara.shtml). É genialidade atrás de genialidade.

A cultura do atraso nacional está presente em todos os lugares. Em recente conversa com o filho do proprietário de uma famosa empresa de recursos humanos, ele disse que o fechamento das lojas da Fnac era um indicador que sinalizava a derrocada da estratégia das pessoas avaliarem os produtos nas lojas físicas e comprarem pela internet. (Fnac fecha as portas na Avenida Paulista; só resta uma loja no Brasil, https://exame.abril.com.br/negocios/fnac-fecha-as-portas-na-avenida-paulista-so-resta-uma-loja-no-brasil/amp/).

As dificuldades intelectuais estão inviabilizando atividades básicas como a interpretação de texto. No artigo acima foi afirmado que a livraria cultura recebeu dinheiro da Fnac para renegociar os passivos e encerrar a presença da empresa no Brasil. Basta observar os fatos para perceber a realidade. O profissional não percebeu que o fechamento das lojas é consequência da recessão.

Alguns dias depois foi publicado o artigo “Comércio virtual será principal canal de vendas, diz Cultura após fechamento de unidades da Fnac” (https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2018/09/comercio-virtual-sera-principal-canal-de-vendas-diz-cultura-apos-fechamento-de-unidades-da-fnac.shtml0. A livraria Cultura afirmou que as lojas físicas têm como objetivo estratégico o fortalecimento da marca através de ações de marketing, de políticas de engajamento com consumidor e de relacionamento, ou seja, é o local onde o consumidor irá conhecer e a avaliar os produtos. O portal de comércio eletrônico será o principal canal de venda dos produtos.

Basta ver o que a China está fazendo para ver para onde o progresso está caminhando. Foi afirmado que a internet das coisas permitiu o aparecimento de lojas físicas meramente demonstrativas. As lojas não têm estoque e não vendem nada. São na realidade lojas mostruários onde o consumidor experimenta as ofertas como roupas e etc. O cliente pode escanear o código do produto com o celular e pagar digitalmente. O produto é entregue no local desejado no mesmo dia (China dá baile em internet das coisas, https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ronaldolemos/2018/04/china-da-baile-em-internet-das-coisas.shtml).

No campo das criptomoedas, o Brasil mostra o gigantismo do seu atraso. Enquanto países como a China e Índia avançam na digitalização do dinheiro e colhem os benefícios do menor custo de produção, operação e de segurança, o Brasil está estagnado no quesito governo digital.

O absolutismo dos detentores das chaves do poço da burrice eterna é de largo espectro. Enquanto os países com perfil sociocultural similar ao Brasil estão avançando velozmente na direção do dinheiro digital, o Brasil vive nas limitações intelectuais dos mercadores de tolices que tem tanta soberba que acham que podem extrapolar as suas limitações para toda a população brasileira. A Índia retirou de circulação todas as cédulas de rupias indianas acima da nossa paridade cambial de R$ 20 (Governos são plataformas tecnológicas, https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ronaldolemos/2018/06/governos-sao-plataformas-tecnologicas.shtml).

O país reduziu os seus gastos e avançou na competitividade. A China movimenta o equivalente ao PIB brasileiro em pagamentos móveis. O país está acabando com os desperdícios das filas para pagamentos ao mesmo tempo em que bancariza a sua população rural com investimento baixo. O custo marginal de uma transação digital está caindo dramaticamente. A população rural tem agora acesso ao sistema de crédito e compras online (https://copyfromchina.blogosfera.uol.com.br/2018/05/02/a-china-esta-pronta-para-dizer-tchau-para-dinheiro-e-cartoes-de-credito/).

Enquanto os nossos mercadores de tolices arrumam dificuldades, os indianos, uruguaios, chineses e etc. arrumam facilidades (Governos usam tecnologia e identidade digital para diminuir burocracia, https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2018/08/governos-usam-tecnologia-e-identidade-digital-para-diminuir-burocracia.shtml). O Ilves afirmou que a digitalização gerou uma economia de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) para a Estônia.

O trabalho dos mercadores de tolices está presente até mesmo no conservador setor bancário. Depois de muito tempo, o BNDES reconheceu que deu dinheiro dos brasileiros para Cuba e Venezuela (foi afirmado pelo BNDES que Cuba e Venezuela não tinham condições de honrar os empréstimos concedidos pelo Banco, https://economia.uol.com.br/noticias/reuters/2018/09/18/presidente-bndes-diz-que-emprestimos-para-cuba-e-venezuela-foram-um-erro-discute-divida.htm).

A genialidade brasileira de emprestar dinheiro para os projetos sem retorno de países sem capacidade de pagamento fará com que as pessoas físicas gastem entre 2017 a 2022 R$ 1,04 trilhão (aproximadamente 1/7 do PIB de 2017) para pagar os empréstimos realizados em 2017 (ANÁLISE DOS JUROS E DO SPREAD BANCÁRIO, http://apps.fiesp.net/fiesp/newsletter/2018/decomtec/spread-brasileiro-26-04-18/Analise-Juros.pdf). A lógica dos bancos é socializar os prejuízos dos empréstimos.

É impressionante como é grande a lista de perdas nacionais por causa da falta de capacitação.  A empresa Facebook ficou com a maior parte dos R$ 17 milhões gastos pelos candidatos para impulsionar conteúdo nas redes. Como em momento algum o Brasil investiu no desenvolvimento de redes sociais, o país está gastando o dinheiro dos impostos dos brasileiros para gerar empregos para os Estados Unidos (Candidatos destinam 1,6% dos gastos da eleição de 2018 para anúncio online, aponta balanço parcial., https://g1.globo.com/politica/eleicoes/2018/noticia/2018/09/18/candidatos-destinam-16-dos-gastos-da-eleicao-de-2018-para-anuncio-online-aponta-balanco-parcial.ghtml).

É mais uma solução genial do país onde falta trabalho para quase 30 milhões de pessoas (Falta trabalho para 27,6 milhões de brasileiros, aponta IBGE, https://g1.globo.com/economia/noticia/2018/08/16/falta-trabalho-para-276-milhoes-de-brasileiros-aponta-ibge.ghtml).

O país que fez a copa de 2014 e as olimpíadas de 2016 com mais de R$ 90 bilhões (O preço da Copa e das Olimpíadas. OAB protesta, https://blogdojuca.uol.com.br/2011/06/21570/) não foi capaz de investir 0,01% deste total no lucrativo negócio de rede social.

No setor industrial, o Brasil também em regime de derrocada. A automação industrial melhora a produção, aumenta a qualidade e reduz o desperdício. Em outras palavras competir contra a automação é uma luta inglória. O resultado é falência. A indústria brasileira ocupa um dos últimos lugares em termos de automação e qualificação por causa de erros na estratégia corporativa. As dificuldades do capital intelectual fatalmente levarão a indústria brasileira para a bancarrota. Por décadas a indústria escolheu demitir profissionais qualificados experientes e contratar jovens.

O Brasil precisa urgentemente aumentar a sua eficiência e eficácia industrial. Existe um sério risco de o país perder todo o seu parque industrial por causa do baixo nível de automação (Brasil fica entre os últimos lugares em ranking de automação de empresas, https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2018/08/brasil-fica-entre-os-ultimos-lugares-em-ranking-de-automacao-de-empresas.shtml).

É evidente que a automação vai eliminar milhões de postos de trabalho no mundo (Era dos robôs está chegando e vai eliminar milhões de empregos, https://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2018/07/era-dos-robos-esta-chegando-e-vai-eliminar-milhoes-de-empregos.shtml). No entanto, o ser humano continuará ocupando posição de extrema relevância nas organizações. Isto significa que é preciso qualificar as pessoas em novas habilidades.

A capacitação de programação precisa fazer parte do dia a dia dos profissionais. É preciso começar este aprendizado desde cedo. Atividades lúdicas são capazes de ensinar as crianças a programar. Não é algo tão diferente do que o brinquedo lego foi para ensinar criatividade para as crianças.

Iniciativas como o kit de programação Harry Potter da Kano (https://tecnologia.uol.com.br/noticias/bloomberg/2018/08/08/kit-do-harry-potter-ensinara-criancas-a-programar-usando-varinha-magica.htm) são muito importantes para remodelar o ensino e capacitar as novas gerações com habilidades de lógica e interpretação de texto.

O resultado prático do trabalho dos mercadores de tolices é perda de riqueza. Um bom exemplo deste tipo de atuação é o caso Adidas versus WTorre. A Adidas lançou em 2015 uma linha de camisetas com a imagem do Allianz Parque sem autorização da WTorre. Toda a produção foi perdida, pois teve que ser retirada das lojas. A Adidas além da perda da produção e logística das camisas também perdeu uma parte do lucro das poucas camisas vendidas. O resultado do trabalho não foi genial? (Adidas terá de indenizar WTorre por camisa com imagem de Allianz Parque, https://esporte.uol.com.br/futebol/de-primeira/2018/09/20/adidas-tera-que-indenizar-wtorre-por-camisa-com-imagem-de-allianz-parque.htm).

A diferença gerada pelo capital intelectual é gigantesca. O músico MC Fioti pertence ao seleto clube de 1 bilhão de visualizações no Youtube com a música “Bum Bum Tam Tam” (O funk de um bilhão de views, https://www1.folha.uol.com.br/colunas/ronaldolemos/2018/09/o-funk-de-um-bilhao-de-views.shtml).