quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Como a Transformação Digital está atrasando a recuperação da economia brasileira


Tradicionalmente o Brasil sempre se recuperou rapidamente das recessões. Não é o caso desta última vez. (1) “Não há paralelo de retomada tão lenta no Brasil após uma recessão, diz consultoria”. Fonte: Recuperação da renda tem o seu pior momento na história, https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2019/04/recuperacao-da-renda-tem-o-seu-pior-momento-na-historia.shtml, acessado em 09/10/2019.

(2) “De modo geral, a recuperação do emprego tem sido bem mais lenta do que o esperado pelos analistas, um reflexo tanto da intensidade da crise quanto da fraqueza da recuperação econômica.”. Fonte: Lenta recuperação de vagas ameaça levar o Brasil a desemprego estrutural, https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2019/02/lenta-recuperacao-de-vagas-ameaca-levar-o-brasil-a-desemprego-estrutural.shtml.

A grande diferença que existe entre esta recuperação e as anteriores é que atualmente o Brasil está atravessando um intenso processo de Transformação Digital (TD). (3) “Nos próximos três anos, as empresas devem investir 345 bilhões de reais em transformação tecnológica no Brasil, segundo projeção da Associação Brasileira de Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação.”. Fonte: Como se tornar um talento digital?, https://exame.abril.com.br/podcast/como-se-tornar-um-talento-digital/.

Para entender o impacto da Transformação Digital na economia vamos analisar como era a Goldman Sachs antes e depois da plataforma digital.

Antes da TD, no ano de 2000, a mesa de operações com ações da Goldman Sachs tinha 600 corretores e nenhum engenheiro de computação. Em 2017, a mesa tinha 2 corretores e centenas de engenheiros de computação. Sendo mais preciso, a Goldman Sachs tinha em 2017 mais de 9 mil engenheiros (25% do quadro de funcionários).

É fácil perceber que no caso da Goldman Sachs a Transformação Digital eliminou as atividades operacionais (exemplo corretores) e criou uma forte demanda por atividades intelectuais (exemplo engenheiros).

O problema brasileiro é que as plataformas digitais e as vendas por assinatura decorrentes da Transformação Digital eliminaram um grande volume de atividades operacionais de baixo valor agregado (exemplo vendedores). Em função das limitações dos profissionais nacionais e do desprezo brasileiro pelo conhecimento superior, os empregos relacionados com as atividades intelectuais (exemplo engenheiros) foram criadas no país desenvolvedor ou abrigador da plataforma digital. O desprezo brasileiro pelas atividades intelectuais gerou um grave colateral no emprego.

Em resumo, diversas posições operacionais de baixo valor agregado foram extintas com a TD e não foram criadas no Brasil as milhares de posições intelectuais decorrentes da introdução das plataformas digitais e vendas por assinatura. É por isto que no Brasil a TD está impactando negativamente a recuperação da economia.

Ao eliminar atividades redundantes e não criar empregos, o nível de emprego cresce muito lentamente. Quase marginalmente. Como consequência a renda das famílias também cresce em passo de tartaruga. A demanda cresce raquiticamente por causa do fraco crescimento da renda. Como consequência a produção que apresenta elevada ociosidade cresce lentamente. O resultado é a retomada lenta do crescimento do PIB brasileiro em um cenário onde a taxa de juros está no seu menor nível em décadas, o câmbio se desvalorizou quase 20% em 2018 e temos mais proteções contra a importação de bens manufaturados do que qualquer país da OCDE. Fonte: Hermanos, https://www1.folha.uol.com.br/colunas/marcos-lisboa/2019/01/hermanos.shtml.

quinta-feira, 3 de outubro de 2019

Governança da Inteligência Artificial


A Inteligência Artificial (IA) é uma nova área do conhecimento humano e por isto precisa ser regulamentada para que o fluxo das inovações gere uma onda positiva de resultados.

Em breve, a maioria das companhias usarão os recursos da Inteligência Artificial e das tecnologias relacionadas nas suas atividades rotineiras. Em outras palavras, alguns humanos perderão os seus empregos para os computadores.

É preciso, portanto, estabelecer um conjunto de políticas para governar a Inteligência Artificial e assegurar a continuidade das inovações. Todos sabemos que a IA revolucionará os negócios e as indústrias de todos tamanhos.

Se a produtividade do capital investido for positiva, existe uma real chance da economia local explorar o potencial das oportunidades e superar os desafios das mudanças estruturais. A governança da IA precisa abordar os seguintes aspectos:

1. Reconhecimento do trabalho cooperado

O crescimento da fé pública nas tecnologias de IA está permitindo o avanço do seu desenvolvimento responsável e sustentável. As entregas de resultados através do uso da Inteligência Artificial precisam contemplar os pilares sociais de transparência, explicabilidade, justiça e responsabilidade. Os governos devem trabalhar em conjunto com o setor privado, com a academia e com a sociedade civil para endereçar as questões éticas relacionadas com a IA. Ou seja, proteção contra preconceitos, cumprimento dos direitos humanos e eliminação de ações de vão contra os valores democráticos.

Conclusão, é preciso criar um ambiente de negócio onde os processos que são executados pelos múltiplos influenciadores geram um sistema operacional flexível, transparente e aberto para as contribuições voluntárias.

2. Compreensão das regras e regulamentações existentes

Todas as ações executadas pela inteligência artificial devem obedecer às regras e leis existentes. É preciso, portanto, registrar publicamente o cadastro do treinador e desenvolvedor da IA. Eles são os responsáveis legais pelas consequências das suas ações.

O papel da governança é manter o foco nas especificidades do setor e remover ou modificar as leis que inibem o desenvolvimento e uso da inteligência artificial.

É preciso evitar a criação de uma colcha de retalhos para a política de Inteligência Artificial pelo nível administrativo da burocrática. É importante que a indústria da IA colabore com os governos para que as políticas públicas permitam o avanço das soluções e a interoperabilidade das tecnologias.

3. Adoção da análise de risco para a governança
É preciso incorporar uma análise flexível de risco nas políticas para assegurar que o ambiente de desenvolvimento, entrega, e uso da inteligência artificial seja excitante. Um caso de elevado risco do uso da IA não pode gerar uma política que inviabilize o desenvolvimento de soluções para as situações de baixo risco.

É preciso reconhecer os papeis diferentes exercidos pelas companhias nos jogos realizados no ecossistema da Inteligência Artificial para que o foco seja a criação de uma solução viável que resolva os malefícios causados as pessoas pelo uso das tecnologias de IA. A regulamentação da IA deve ser feita de forma customizada e específica em relação aos impactos econômicos e sociais. É preciso gerar benefícios concretos para a sociedade local.

4. Investimento público e privado na pesquisa e desenvolvimento

A governança deve estimular o investimento em pesquisa e desenvolvimento através da participação do governo nos centros de negócios de Inteligência Artificial. O governo deve promover uma estrutura flexível para governança pela criação de diversos ambientes isolados de regulamentações.

É também preciso definir as regras para o uso das plataformas de experimentação (testbeds), dos fundos de pesquisa e desenvolvimento para que exista um ambiente de estímulo para a criação de inovações. Para que o ecossistema de pesquisa e desenvolvimento seja capaz de avançar na direção de tecnologias globais é preciso que exista um clima de confiança entre os seus membros (empresas, universidades, instituições de pesquisa e comunidade). Não podem existir fronteiras físicas e lógicas neste meio ambiente.

5. Criação de uma força de trabalho capacitada

Os governos devem acompanhar as empresas, universidades e outros influenciadores para permitir o desenvolvimento das competências e capacidades da forca de trabalho para a economia da IA.

É preciso assegurar que os trabalhadores estão prontos e adaptados para usar as ferramentas de Inteligência Artificial conforme a necessidade. Os desenvolvedores das políticas devem criar um ambiente de negócio onde os talentos multidisciplinares são atraídos e retidos.

6. Governança dos dados deve ser aberta e acessível

A Inteligência Artificial exige o acesso para uma grande quantidade robusta e coerente de dados para funcionar corretamente. As políticas de governança devem disponibilizar quantidades substanciais de dados de fácil acesso em formato estruturado e legível pelas máquinas para acelerar o desenvolvimento da IA. As políticas devem também assegurar a apropriada segurança digital dos dados usando as ferramentas de análise de riscos e de proteção da privacidade.

A missão da governança da Inteligência Artificial é melhorar a qualidade e usabilidade das informações digitalizadas, através da padronização e formatação dos dados. É preciso trabalhar com recursos explicitados em um orçamento para cumprir este objetivo.

7. Criação regimes de privacidade robusto e flexível

As proteções de privacidade transparentes e consistentes para a privacidade pessoal compatíveis são um componente necessário para a Inteligência Artificial. Os procedimentos usados para a proteção dos dados devem ser robustos e flexíveis para permitir a captura, retenção e processamento dos dados para o desenvolvimento, preparação e uso da AI. É preciso assegurar que todos os direitos de privacidade dos consumidores estão sendo preservados.

8. Proteção e promoção da inovação através de uma arquitetura avançada de propriedade intelectual

O governo deve respeitar e cumprir as regras de propriedade intelectual. A governança da Inteligência Artificial deve suportar as abordagens de inovações orientadas que reconhece as forças de um ecossistema aberto de IA.

O governo não deve exigir que as empresas transfiram ou permitam o acesso aos ativos de propriedade intelectual da IA (código fonte, algoritmos e conjunto de dados).

9. Fluxo de dados além das fronteiras físicas

Não podem existir regras para restringir o fluxo dos dados, por exemplo, requisitos de localização, barreiras para impedir o acesso aos mercados constituídos etc.  As barreiras diminuem o investimento relacionado com as inovações de IA e limitam o acesso para as tecnologias de Inteligência Artificial. Os governos devem ter o compromisso de manter o fluxo de dados além das fronteiras físicas dos países.

10. Cumprimento dos padrões internacionais

Os desenvolvedores das políticas devem reconhecer e suportar o desenvolvimento de padrões internacionais. A governança deve alavancar e conduzir o desenvolvimento de padrões para a indústria trabalhando com voluntários para facilitar o uso e adoção das tecnologias de IA.

quarta-feira, 25 de setembro de 2019

Conflito ético


O caso Dony de Nuccio (Queda de Dony de Nuccio faz a Globo rever suas regras, https://f5.folha.uol.com.br/colunistas/tonygoes/2019/08/tony-goes-queda-de-dony-de-nuccio-faz-a-globo-rever-suas-regras.shtml; Além de banco, Dony De Nuccio fez negócio milionário com plano de saúde, https://noticiasdatv.uol.com.br/noticia/daniel-castro/alem-de-banco-dony-de-nuccio-fez-negocio-milionario-com-plano-de-saude-28533) mostra com clareza o conflito ético que existe em algumas profissionais.

Na área de Tecnologia da Informações e Comunicações, o conflito ético aparece em diversas situações. Um engenheiro de desenvolvimento que mostra o fruto do seu trabalho em uma entrevista de emprego está revelando segredos industriais ou está apenas mostrando as suas realizações profissionais?

Eu conheço muita gente no Brasil que entende que a apresentação das realizações é uma forma de revelar segredos corporativos. uma grande parte da população brasileira não entendeu ainda o que um engenheiro faz e como funciona o direito intelectual, autoral e de uso de uma determinada tecnologia.

Ao contrário do pensamento comum brasileiro, o engenheiro não é um profissional que faz manutenção de uma determinada tecnologia. Esta atividade é desempenhada pelos técnicos. O engenheiro tem como principal missão viabilizar tecnicamente e financeiramente uma solução que entregue resultado para o cliente.

Neste caso estamos obviamente falando da área da engenharia que não está diretamente relacionada com a produção industrial. Por exemplo, o engenheiro de produção pode ter foco na viabilização de uma tecnologia, mas não é obrigatório que tenha.

Em relação aos direitos é importante entender as suas diferenças. De uma forma simplista é possível afirmar que o direito intelectual é detido pelo indivíduo que concebeu a solução, ou seja, por quem criou as especificações funcionais. O direito autoral é detido pelo indivíduo que desenvolveu tecnicamente as especificações da solução e o direito de uso é detido por quem pagou o desenvolvimento.

Tendo em mente os papéis e responsabilidades dos atores do desenvolvimento de uma solução é possível abordar com objetividade a questão do conflito ético de uma entrevista.

Quando o engenheiro mostra o fruto do seu trabalho em uma entrevista e não revela como a solução está sendo utilizada pelo detentor do direito de uso, ele não está ferindo nenhum tipo de segredo industrial. O desenvolvedor é dono do direito autoral e por isto pode mostrar o fruto do seu trabalho para quem ele quiser.

No entanto, se for revelado como a solução está sendo utilizada pelo detentor do direito de uso, então existe uma clara quebra do sigilo industrial.  Esta informação não pertence ao desenvolvedor e portando ele está sujeito as infrações previstas na legislação vigente.

quarta-feira, 11 de setembro de 2019

Quanto custa uma falha na segurança digital




O Brasil é um dos lugares mais inseguros do mundo digital (No Brasil, empresa que falha ao proteger dados tem perdas menores, https://www1.folha.uol.com.br/tec/2019/07/no-brasil-empresa-que-falha-ao-proteger-dados-tem-perdas-menores.shtml, acessado em 20/08/2019). Os estudos realizados sobre as falhas de segurança digital ainda não são holísticos o suficiente para capturarem todas as facetas dos incidentes.

Recentemente tivemos no Brasil o fenômeno de invasão dos celulares de juízes e ministros (Veja como hackers, segundo a PF, aproveitaram falha para acessar celulares de autoridades, https://www1.folha.uol.com.br/poder/2019/07/veja-como-hackers-segundo-a-pf-aproveitaram-falha-para-acessar-celulares-de-autoridades.shtml; Celular do ministro Paulo Guedes é hackeado, diz assessoria, https://g1.globo.com/politica/noticia/2019/07/23/celular-do-ministro-paulo-guedes-e-hackeado-diz-assessoria.ghtml). Estas autoridades trocam informações com diversas entidades do mundo privado. Estamos falando de empresários, executivos, analistas, jornalistas e influenciadores econômicos.

Em diversos casos as informações trocadas são confidenciais, ou seja, não estão disponíveis para o grande público. O vazamento destas informações pode gerar oportunidades de milhões de Reais por causa do seu impacto nas bolsas de valores. Um invasor com algum capital pode comprar petróleo antes da Petrobras anunciar um aumento de preços ou pode vender ações de uma empresa antes de ser deflagrada uma operação contra lavagem de dinheiro.

Enfim aqueles que invadiram os celulares de políticos, juízes, ministros etc. podem ter obtido informações privilegiadas que lhes permitem lucrar milhões especulando com os títulos no mercado futuro e divulgando o conteúdo posteriormente. Fortunas de bilhões podem ser formadas usando este estratagema.

Este é um componente do custo das falhas de segurança digital que não foi computado na pesquisa "Cost of a Data Breach" realizada pela IBM e Instituto Ponemon (What’s New in the 2019 Cost of a Data Breach Report https://securityintelligence.com/posts/whats-new-in-the-2019-cost-of-a-data-breach-report/).

O ganho obtido com as informações privilegiadas de uns significou a perda de dinheiro por centenas de investidores honestos. Os membros do setor público não podem brincar no mundo digital. É mais do que justo que eles explorem as tecnologias para maximizar a performance do trabalho deles. No entanto, é preciso que o processo ocorra em regime de elevada segurança.

Foi divulgado para o Brasil quais falhas permitiram as invasões dos celulares. Muita gente pode usar este conhecimento para novas invasões. É de fundamental importância que o governo incorpore a segurança digital nos seus processos de dia a dia. Também é importante que a população crie consciência sobre a importância da segurança digital. Não pode ser opcional para o presidente ministros juízes etc. Usarem as soluções de segurança. É uma obrigação dos servidores públicos de todos os cargos.

Todo e qualquer vazamento gera imperfeições nas informações. Estas falhas geram oportunidades de elevados lucros para uns e de perdas para uma multidão.

Está sendo gerando um clima de insegurança entre os investidores de pequeno porte por causa dos golpes digitais que acontecem diariamente (Novo golpe une invasão do Facebook e pedido de dinheiro no WhatsApp, https://www.uol.com.br/tilt/noticias/redacao/2019/07/23/novo-golpe-une-invasao-do-facebook-e-pedido-de-dinheiro-no-whatsapp.htm; Vazam quase 250 GB de dados bancários; saiba como se proteger, https://olhardigital.com.br/noticia/vazam-quase-250-gb-de-dados-bancarios-saiba-como-se-proteger/88263).

No caso das invasões dos celulares dos membros da lava jato alguns órgãos de imprensa ampliaram os seus lucros com a divulgação das mensagens. Muitas reportagens geraram impactos nas bolsas de valores e em outros mercados. Vários investidores perderam dinheiro  (Estudos indicam o colapso de investimentos no Brasil, https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2019/08/estudos-indicam-o-colapso-de-investimentos-no-brasil.shtml).

O mercado brasileiro está indo para trás por causa de uma política econômica equivocada (Lenta recuperação econômica está cansando sociedade, segundo especialista, https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2019/08/lenta-recuperacao-economica-esta-cansando-sociedade-segundo-especialista.shtml; Setor de serviços cai 1% em junho e tem maior queda do ano, https://g1.globo.com/economia/noticia/2019/08/09/setor-de-servicos-cai-1percent-em-junho-diz-ibge.ghtml; A Selic já deveria estar em 5%, https://www1.folha.uol.com.br/colunas/nelson-barbosa/2019/08/a-selic-ja-deveria-estar-em-5.shtml).

A retração adicional do espírito animal dos investidores por causa de fatores externos desnecessários como a divulgação de mensagens privadas ampliou o nosso clima recessivo.

Os investidores estrangeiros desembarcaram dos ativos brasileiros por causa das incertezas e falta de confiabilidade (Estrangeiro tira mais de R$ 5 bi da Bolsa no mês que Previdência avança, https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2019/07/julho-tem-maior-saida-de-estrangeiros-da-bolsa-em-9-meses.shtml; Não saber como Brasil vai crescer atenua animação do investidor estrangeiro, https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2019/07/nao-saber-como-brasil-vai-crescer-atenua-animacao-do-investidor-estrangeiro.shtml). A consequência da introdução da insegurança digital é muito grave para a combalida economia nacional.

O resultado é o aumento da desigualdade e crescimento da insegurança (Estudos mostram que indústria em crise não causa só desemprego, mas também aumenta desigualdade social, https://economia.uol.com.br/reportagens-especiais/industria-fraca-desigualdade-forte/; Super-ricos no Brasil lideram concentração de renda global, https://temas.folha.uol.com.br/desigualdade-global/brasil/super-ricos-no-brasil-lideram-concentracao-de-renda-global.shtml).


quarta-feira, 21 de agosto de 2019

Avisa o bolsa: É a produtividade


É possível afirmar que a reforma da previdência já está aprovada e o panorama do emprego mudou praticamente nada. Os mais de 40 milhões de trabalhadores informais pioram o quadro de baixa produtividade do emprego formal. Quem trabalha em um emprego informal tem um emprego que produz uma baixa riqueza e que recebe um aporte mínimo de investimento. A prometida valorização do real também não veio.

O que foi prometido:

·       Reforma da Previdência pode gerar 4,3 milhões de empregos em quatro anos, prevê governo, https://g1.globo.com/politica/blog/valdo-cruz/post/2019/04/15/reforma-da-previdencia-pode-gerar-43-milhoes-de-empregos-em-quatro-anos.ghtml

O que foi entregue:

·       Queda em câmbio era esperada com aprovação da Previdência, mas crise externa impulsiona moeda., https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2019/08/dolar-a-r-4-surpreende-consumidor-e-desenha-cenario-menos-otimista.shtml, acessado em 19/08/2019)


·       Cresce o número de pessoas que trabalham sem carteira assinada no estado de São Paulo, https://globoplay.globo.com/v/7847206/

O emprego informal que não gera valor agregado para a economia do país só vem aumentando. É preciso entender com toda a clareza do mundo que o que está aumentando é a quantidade de pessoas inscritas em aplicativos como Uber, Rappi etc.

A produtividade total dos fatores não muda se os brasileiros em idade ativa estão usando bicicletas para fazer as entregas para os aplicativos. O que o Brasil está fazendo é entregar 20% do lucro operacional de um segmento do setor de serviços para os países ricos. Só que não. Como os servidores destes aplicativos ficam fora do Brasil, a conta é maior. O país paga também serviços de telecomunicações realizados nos Estados Unidos Europa Ásia etc. Afinal é gerado tráfego internacional de dados.

Por incrível que pareça a conta é maior ainda. Sabe aquela história de que os dados são o novo petróleo? É verdade. Os aplicativos estão usando os dados gerados pelos brasileiros para aumentar o seu lucro. Sabe quanto o Brasil ganha com isto? Acertou quem disse Zerinho, Zerinho.

É bolsa, o seu governo herdou a tolice dos governos anteriores, mas até quando vai manter a estupidez passada?

A comparação entre o crescimento da produtividade do brasileiro com o chinês é vergonhosa. Em 1980 a produtividade do trabalhador brasileiro era 670% maior do que a do trabalhador chinês. Em 2013, a produtividade do trabalhador brasileiro era 18% menor que a do trabalhador chinês. Entre 1980 e 2013, a eficiência dos chineses cresceu 895% e a dos brasileiros cresceu 6% (Brasileiro leva 1 hora para produzir o que americano faz em 15 minutos, https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2019/03/19/brasil-baixa-produtividade-competitividade-comparacao-outros-paises.htm; China Produtividade do Trabalho, https://www.ceicdata.com/pt/indicator/china/labour-productivity-growth).

É preciso entender que passou da hora de atacar a produtividade do investimento. O resultado pífio do trabalho realizado no Brasil não é consequência apenas do trabalhador. É o resultado de milhares de projetos medíocres.

Desde 2004 os setores público e privado brasileiros escolheram projetos pobres para serem realizados. A falta de crescimento da nossa produtividade é explicada em mais de 90% dos casos pelas iniciativas fracassadas dos projetos de TI.

A curva de crescimento da produtividade da Coreia do Sul (Visão Global | A China vai ficar rica?, https://exame.abril.com.br/revista-exame/a-china-vai-ficar-rica/; Na Coreia do Sul sobram boas intenções, mas o resultado é fraco, https://exame.abril.com.br/revista-exame/boas-intencoes-resultado-fraco/) é extremamente coincidente com a curva de penetração da tecnologia de informações no mundo.

Observe que a perseguição pela produtividade é tão intensa na Coréia do Sul que a sua população está reclamando porque a economia cresceu 2,7% em 2018 (menor crescimento do PIB desde 2012). Em 2017, a taxa de crescimento foi de 3%. Enquanto a Coréia do Sul nadou de braçada explorando as oportunidades geradas pelos computadores o Brasil naufragou na era do conhecimento. Por aqui o crescimento do PIB foi de apenas 1% nos anos de 2017 e 2018.

Quanto maior ficou a exigência de capacitação no mercado maior ficou a prática brasileira de demitir o conhecimento. É uma política extravagante, mas é alinhada com as revelações do dia a dia empresarial da lava jato. Em 2017 a China solicitou 1.381.594 patentes. A Coréia do Sul solicitou 318.479. O Brasil com a sua brilhante politica de demitir a capacitação e o conhecimento solicitou apenas 25.658 patentes (Na Paraíba a ciência floresce no sertão, https://exame.abril.com.br/revista-exame/ciencia-no-sertao/).

Muitos escolheram no Brasil, o caminho fácil das proteções governamentais. Hoje em dia são empresas incapazes de competir com as companhias globais. O caso da Livraria Saraiva é emblemático. Uma empresa gigante com faturamento bilionário. Ela alcançou receita bruta de 1,8 bilhões em 2011 (Lucro da Saraiva cresce 6,4% em 2011, https://www.valor.com.br/empresas/2583594/lucro-da-saraiva-cresce-64-em-2011; Livraria Saraiva aposta em modernização, conquista jovens e lucra em meio à crise, https://www1.folha.uol.com.br/o-melhor-de-sao-paulo/servicos/2017/05/1887567-livraria-saraiva-aposta-em-modernizacao-conquista-jovens-e-lucra-em-meio-a-crise.shtml; Saraiva vende editora e vai focar varejo, https://braziljournal.com/pagina-virada-saraiva-vende-editora-e-vai-focar-varejo; Livraria Saraiva: Ações estratégicas iniciam a recuperação financeira da empresa, http://www.gecompany.com.br/educacional/noticias/livraria-saraiva-novos-rumos-iniciam-a-recuperacao-financeira-da-empresa/).

Eu já presenciei diversos eventos de falhas do sistema nas lojas físicas que impediram a realização da operação de venda. As constantes falhas da operação do comercio eletrônico provocadas pelo capital intelectual inadequado geraram uma queda de 62% das vendas pela Internet em junho de 2019 contra junho de 2018 (Credores querem família fora da gestão da livraria Saraiva, https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2019/08/credores-querem-familia-fora-da-gestao-da-livraria-saraiva.shtml). É fácil perceber que o lucro da operação mais produtiva e que exige menos capital foi completamente corroído pela pobre atuação do capital intelectual inadequado.

Quando uma empresa contrata olhando critérios irrelevantes como idade do profissional o resultado é a perda de produtividade. Na área de tecnologia este tipo de abordagem é catastrófico. Quem contrata uma capacitação inadequada colhe invariavelmente prejuízo e falência. É o caso da livraria Saraiva. O seu faturamento e lucro vem despencando por causas das perdas de vendas geradas pelos sistemas computacionais.

Idade nunca foi e nunca será critério de competência e capacitação. Quem acha que a área de tecnologia é um setor destinado apenas aos jovens comete um erro elementar de gestão. A empresa Amazon arrasou a Saraiva e Cultura sem fazer esforço algum. Só entrou no mercado. A diferença de capital intelectual entre a empresa Amazon e as gigantes brasileiras era enorme.

Produtividade do investimento significa contratar profissionais competentes capacitados e honestos. Estes devem ser os critérios de seleção. Uma vez o fundador da maior empresa de recursos humanos do Brasil disse que só contrata estagiários para a área de TI. O trabalho gerou apenas sistemas pobres que nunca funcionavam.

Está empresa foi processada por roubo de informações digitais dos seus concorrentes. O processo manchou tanto a reputação da empresa que ela perdeu totalmente a sua credibilidade no mercado. Posteriormente foi vendida e o fundador foi para o ostracismo.

Outro caso emblemático de produtividade negativa do investimento é a venda da plataforma on-line de comercialização de livros usados Estante Virtual pela Livraria Cultura (Em recuperação judicial, Cultura pretende vender Estante Virtual, https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2019/08/cultura-pretende-vender-estante-virtual-para-pagar-dividas.shtml). A plataforma foi comprada em 2017. A livraria Cultura descobriu após 20 meses, que a plataforma não tem “importância estratégica” para a organização. A tradução do termo “importância estratégica” é não sabemos contratar capital intelectual adequado para uma operação que envolva tecnologia, ou seja, vamos tentar sobreviver trabalhando em uma realidade paralela onde não existe Inteligência Artificial e nem computadores.



quinta-feira, 15 de agosto de 2019

Análise da indústria brasileira


Em junho de 2019, a produção industrial brasileira registrou mais uma queda (A indústria brasileira implodiu, não será fácil resgatá-la, https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2019/08/a-industria-brasileira-implodiu-nao-sera-facil-resgata-la.shtml, acessado em 15/08/2019). Agora estamos apenas 20% do registrado nos anos 1980.

Se consideramos apenas a evolução tecnologia e o crescimento da população nos últimos 40 anos, fica claro que o resultado alcançado é medíocre. É medíocre, mas não é inesperado.

A indústria nacional que fez tantas reengenharias, terceirizações primou por selecionar e contratar funcionários despreparados. Todas as vezes onde praticas medíocres, como o preconceito contra o cabelo branco prevaleceu em relação à capacitação, competência e honestidade o resultado foi sempre o mesmo. Completo fracasso.

Até hoje, a indústria nacional não entendeu que a causa raiz do seu retumbante fracasso é a falta de produtividade. Vem faltando há muito tempo produtividade nos investimentos realizados e nas linhas de montagem do chão de fábrica.

Desde os anos 1980s a indústria brasileira vem selecionando projetos medíocres para serem executados. São iniciativas sem pé e nem cabeça baseadas em falácias cujo resultado só pode ser perda total do capital investido.

Nos raros casos onde os projetos eram consistentes, os times que os executavam cometiam erros em cima de erros. Um projeto bom não é capaz de solucionar os problemas causados por profissionais despreparados culturalmente e intelectualmente.

No Brasil, existem milhares de engenheiros competentes, mas a indústria preferiu contratar os profissionais que inventam realizações. Na hora de fazer o resultado, o trabalho gerado por estes colaboradores é mais do mesmo, ou seja, perda total do investimento.

Qualquer um que passa 40 anos gerando apenas lixo, chega ao destino dos fracassados. É por isto que a indústria nacional é incapaz de competir no mercado mundial. Mesmo em condições macroeconômicas generosas (real bastante desvalorizado e menor taxa Selic da história recente brasileira), a nossa indústria perde em todas as disputas por falta de inovação, qualidade e confiabilidade.

A perda de competitividade acontece até mesmo no mercado interno onde os produtos importados pagam impostos de importação de 35%. Nem mesmo as barreiras extraordinariamente altas impostas aos importados para proteger a indústria nacional são capazes de oferecer algum tipo de salvação. Salvar incompetentes é sem sombra de dúvida um desafio Herculano.

O fracasso alcançado é o resultado de práticas como a contratação de capital intelectual seguindo o preconceito do cabelo branco. Quem contrata incompetência, recebe incompetência. É simples assim.

Eu ainda fico impressionado como as firmas nacionais gostam da água do fundo do poço da mediocridade eterna. Recentemente o Itaú anunciou programa de demissão voluntária (pdv) para funcionários acima de 55 anos (Itaú anuncia programa de demissão voluntária, https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2019/07/itau-anuncia-programa-de-demissao-voluntaria.shtml). Enquanto as empresas dos Estados Unidos buscam soluções para aumentar a diversidade do seu quadro de colaboradores e explorar através de bons projetos as oportunidades geradas pelo envelhecimento da população, o Itaú escolheu o caminho oposto.

Optou por reduzir ainda mais a participação dos cabelos brancos no quadro de funcionários e diminuir ao máximo a diversidade da mão de obra (antes do pdv eram 6.900 acima de 55 anos em um total de 85.160 funcionários, ou seja, apenas 8%).

O histórico de fracassos da indústria brasileira (a família Itaú também participa deste segmento) de nada serviu de alerta. Então que não reclamem quando empresas como Google entrarem no sistema financeiro nacional e colocarem na lona as empresas nacionais do segmento (Brasil é aposta para serviço de pagamento online do Google, https://www1.folha.uol.com.br/colunas/painelsa/2019/08/brasil-e-aposta-para-servico-de-pagamento-online-do-google.shtml).

O lucro do Itaú cresceu 10% em um cenário onde o lucro dos seus maiores concorrentes cresceu acima de 20% (Itaú Unibanco tem lucro de R$ 7 bi no segundo trimestre, https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2019/07/itau-unibanco-tem-lucro-r-7-bi-no-segundo-trimestre.shtml). Os geniais gênios brasileiros estão novamente em ação.

Em poucos anos a empresa Amazon, colocou na lona os gigantes nacionais da Livraria Saraiva e Cultura. Na empresa Amazon, os critérios para as contratações são a competência, a capacidade e a honestidade. Os preconceitos não tem lugar no território do lucro.


segunda-feira, 22 de julho de 2019

Eram os Deuses astronautas?


Em 2019 faz cinquenta anos que homem chegou na lua. É difícil imaginar como tal feito foi realizado com os computadores da época. O nosso smartphone mais simples é milhões de vezes mais potente que os computadores de bordo da missão Apollo 11.

Feito o destaque para um dos momentos mais marcantes da humanidade é preciso voltar ao planeta Terra e mais uma vez voltar à carga das falácias proferidas pelos geniais gênios brasileiros.

É fato que a reforma da previdência foi aprovada e não estamos vendo o Brasil sendo inundado por capital estrangeiro e entrando em ciclo de crescimento. Mais uma vez a realidade desmente os mercadores de tolices. Foi assim com a reforma da CLT.

Muitos magos do apocalipse vivem atacando a CLT e os seus penduricalhos. Estes mágicos do ocultismo das ciências econômicas afirmam que as leis trabalhistas brasileiras protegem demais os trabalhadores e impedem a criação de novos empregos.

Em nenhum momento, os mercadores de falácias explicam por que os brasileiros com tantos benefícios trabalhistas insistem em querer trabalhar legalmente ou não nos Estados Unidos, Europa e Canadá. Parece loucura abandonar a proteção infinita da CLT.

Também não existem explicações por que os americanos, europeus e canadenses não vem para o Brasil para trabalhar legalmente ou não para receber os benefícios e penduricalhos infinitos da nossa lei trabalhista.

Um fato recente que é obviamente um viés da confirmação chamou minha atenção. No artigo “Análise: Cortes na Globo eram previstos; investimentos também” (https://tvefamosos.uol.com.br/noticias/ooops/2019/07/14/analise-cortes-em-equipes-da-tv-globo-ja-eram-previstos.htm, acessado em xx/xx/2019) foi afirmado que:

Há dois temores dos profissionais em aceitar essa mudança, como o site Notícias da TV informou no mês passado: a aparente redução do ganho líquido, no caso de mudança de PJs para celetistas; o temor que, após aceitarem a mudança, a emissora demita a todos e pague apenas por efêmeros direitos trabalhistas

Em outras palavras, os funcionários da TV Globo estão pedindo demissão, porque não estão interessados em receber os generosos benefícios infinitos da CLT. Definitivamente estamos vivendo um momento de extremada loucura. Os trabalhadores da maior emissora de televisão do Brasil preferem trabalhar em outra emissora do receber pela CLT. Provavelmente eles temem ficarem mal-acostumados com tantos benefícios e penduricalhos.

É impressionante a quantidade de vezes que os doutores repetem as mesmas teorias falaciosas. Para os mercadores, se os fatos desmentem as suas teorias mirabolantes, ora danem-se os fatos. O bom senso já foi para as cucuias há muito tempo.

O ministro que afirmou em 2018 que iria zerar o déficit público em 2019, pediu crédito suplementar que aumentou o déficit em 2019. Esta mesma potência intelectual disse que após a reforma da previdência os investimentos estrangeiros iriam encher as nossas burras e gerar crescimento espetacular. Não estamos vendo nenhum espetáculo do crescimento.

O supercérebro vem agora com mais uma das suas máximas. O artigo “Governo finaliza reforma tributária e discute imposto sobre transação, diz Guedes “ (https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2019/07/governo-finaliza-reforma-tributaria-e-discute-imposto-sobre-transacao-diz-guedes.shtml) revelou que o ministro proferiu a seguinte afirmação: “Os encargos sobre folha de pagamento são um imposto cruel, perverso, cria milhões de desempregados no Brasil”.

Mais uma vez os fatos baseados em números reais desmentem a mirabolante teoria dos encargos sobre a folha de pagamentos. O artigo “Desoneração da folha de pagamento não tem efeito, diz Ipea” (https://www1.folha.uol.com.br/colunas/mercadoaberto/2018/01/1953811-desoneracao-da-folha-de-pagamento-nao-tem-efeito-diz-ipea.shtml) revelou as seguintes afirmações:

·        A desoneração da folha de pagamentos, medida que foi implementada a partir de 2011 cujo propósito era influenciar o volume de empregos, é ineficiente, aponta estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada)

·        "Há ausência de efeito. A lei não gerou vagas", diz Felipe Garcia, um dos economistas que assinam a pesquisa, que usou informações do Ministério do Trabalho

·        Estatística descritiva do volume de emprego: Antes desoneração = 32,72. Depois desoneração = 32,77

Conclusão, segundo o estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, a desoneração da folha de pagamento (substituição da contribuição patronal de 20% para a previdência social por alíquota entre 1% e 2% do faturamento) não gerou mais empregos no Brasil. Ou seja, continuamos com muito blábláblá e pouco fato.

É interessante como o supercérebro trabalha o imaginário coletivo. A sua equipe econômica afirmou que o setor de serviços (70% do PIB) só apoia a reforma tributária se a folha de pagamentos for desonerada (Deputados desdenham criação de imposto único na reforma tributária, https://painel.blogfolha.uol.com.br/2019/07/17/deputados-desdenham-criacao-de-imposto-unico-na-reforma-tributaria/). A reforma da previdência está sendo feita para reduzir o seu déficit. Causa espécie uma proposta que reduza a arrecadação de algo que é deficitário.

O artigo “Governo quer estimular opção por novo modelo de saque anual do FGTS” (https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2019/07/bolsonaro-diz-que-multa-de-40-do-fgts-inibe-criacao-de-empregos.shtml) revelou a seguinte afirmação do atual presidente do Brasil:

O pessoal não emprega mais por causa da multa. É quase impossível ser patrão no Brasil

Mais uma vez os fatos desmentem as teorias mirabolantes dos geniais gênios brasileiros. A multa de 40% do FGTS foi imposta pela constituição de 1988. Ela é paga pelo empregador em caso de demissão sem justa causa. O artigo “FGV: Mercado de trabalho vive situação de pleno emprego” publicado em 17 de janeiro de 2014 (https://economia.estadao.com.br/noticias/geral,fgv-mercado-de-trabalho-vive-situacao-de-pleno-emprego,175625e) revelou a afirmação do economista Fernando de Holanda Barbosa Filho, da Fundação Getúlio Vargas (FGV):

O mercado de trabalho continua aquecido e o País ainda vive uma situação de pleno emprego

Em outras palavras, Brasil já vivenciou situação de desemprego muito baixo existindo a multa de 50% do FGTS. Os fatos mostram que o pessoal empregou mais do que em 2019 e que não era impossível ser patrão no Brasil. Para não ficar só no blábláblá dos mercadores de falácias vamos para os fatos do porquê os empregos abandonaram o Brasil varonil.

O artigo “Entra e sai em instituições como BNDES e Embrapa freia inovação, diz MIT” (https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2019/07/entra-e-sai-em-instituicoes-como-bndes-e-embrapa-freia-inovacao-diz-mit.shtml) revelou que a elevada rotatividade dos executivos que lideraram as principais instituições públicas responsáveis por inovação no Brasil entre 1985 e 2016 gerou perda de foco. A elevada rotatividade da mão de obra nos setores promissores também contribuiu para os resultados pobres.

O artigo “Velho aos 35? A obsessão de contratar nativos digitais é um risco para a inovação” (https://epocanegocios.globo.com/Carreira/noticia/2019/07/velho-aos-35-obsessao-de-contratar-nativos-digitais-e-um-risco-para-inovacao.html) revelou que o bom e velho preconceito contra o cabelo branco no Brasil impediu a criação de inovações geradoras de riqueza e emprego.