A elevada inadimplência no Brasil costuma ser explicada por especialistas econômicos por fatores como juros altos, crescimento das apostas on-line, baixa educação financeira e elevado endividamento do setor público.
No
entanto, essa leitura permanece incompleta quando ignora o impacto dos golpes
digitais sobre a renda das pessoas e a capacidade de pagamento das famílias.
Quando
criminosos esvaziam contas bancárias, comprometem a renda imediata das vítimas e
as empurram para modalidades caras de crédito, como o cheque especial. Esse endividamento
emergencial não representa crescimento patrimonial; ao contrário, aprofunda a
fragilidade financeira das famílias e aumenta o risco de inadimplência.
A
mesma lógica se aplica às empresas em recuperação judicial ou extrajudicial no
Brasil. Embora especialistas econômicos apontem a alta taxa de juros e o
elevado endividamento público como fatores centrais, a análise permanece
incompleta quando ignora o impacto de ataques de ransomware sobre o caixa das companhias,
inclusive os custos de resgate, paralisação operacional e recomposição dos
sistemas.
Golpes
digitais e ataques de ransomware vêm crescendo tanto em número de ocorrências
quanto em volume financeiro movimentado. As perdas já alcançam bilhões de reais
e caminham rapidamente para patamares ainda mais elevados, o que torna esse
fator relevante para qualquer análise séria sobre inadimplência no país.
Por isso,
a discussão sobre inadimplência precisa incorporar a dimensão da segurança
digital. Sem considerar fraudes, invasões e extorsões tecnológicas, parte
importante da deterioração financeira de famílias e empresas continuará fora do
diagnóstico econômico.
Essa
dimensão não se restringe às finanças pessoais e empresariais. Ela também
aparece em debates sobre competitividade industrial e gestão de riscos
operacionais, nos quais tecnologia, governança e capacidade de execução definem
a qualidade das respostas institucionais.
Embraer
e competitividade internacional
A Embraer
é uma empresa brasileira que amplia sua presença internacional e exporta cada
vez mais para países com elevada capacidade tecnológica. Sua engenharia de
desenvolvimento permite que a companhia compita em condições de igualdade com
referências globais da engenharia aeronáutica.
Não há,
neste contexto, indicação de que a Embraer tenha solicitado proteção contra
empresas chinesas no Brasil. Ao contrário, suas capacidades corporativas
sugerem uma atuação baseada em competência técnica, inovação e inserção
competitiva no mercado internacional, sem dependência de mecanismos artificiais
de proteção.
O caso
da Embraer mostra que é possível construir relevância global sem depender de
mecanismos artificiais de proteção contra importações. A competitividade
sustentável nasce de capacidade técnica, inovação e inserção internacional
consistente, não de barreiras que apenas preservam ineficiências setoriais.
É possível
ser grande e representativo sem a necessidade de artifícios artificiais de
proteção contra importações que alguns setores da indústria brasileira tanto
pedem.
Reconhecimento
facial e gestão de acessos
Em uma
conversa informal no último feriado, identifiquei um problema relevante:
soluções de reconhecimento facial em edifícios residenciais e comerciais podem
estar operando sem manutenção adequada de seus bancos de dados.
Os cadastros
de moradores em edifícios residenciais e de funcionários em edifícios empresariais
nem sempre são atualizados quando um morador deixa o condomínio ou quando um funcionário
é desligado da empresa.
Na
prática, pessoas que já não pertencem à comunidade continuam com acesso às
instalações, o que cria uma vulnerabilidade relevante no sistema de segurança.
É difícil
de acreditar que uma solução que exigiu investimentos elevados está ganhando
vulnerabilidades apenas porque inexiste um sistema de gestão efetivo da
ferramenta.