quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Produtividade no Brasil

Foi revelado que em 1954, a produtividade do brasileiro era 51% da americana e em 2023 era de 50%. Em 1980, o PIB per capita era 37% do PIB per capita americano em paridade de poder de compra e em 2023 era de 25%. Fonte: Produtividade é esquecida na campanha, https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2026/10/produtividade-e-esquecida-na-campanha.shtml?utm_source=sharenativo&utm_medium=social&utm_campaign=sharenativo, acessado em 22/10/2026.

 

Quando olhamos o início da introdução do microcomputador nas empresas que ocorreu no final da década de 1970 e início da década de 1980, nós percebemos que a velocidade da geração de riqueza nos Estados Unidos acelerou e no Brasil ou não acompanhou os Estados unidos ou regrediu.

 

É muito comum encontrar explicações em que as falhas do sistema educacional no Brasil estão sendo utilizadas para justificar a baixa produtividade do brasileiro.

 

Pouco ou nada é falado sobre o fato de que as empresas adotam o uso de processos empresariais redundantes e investem equivocadamente em tecnologia.

 

Vou exemplificar o fenômeno usando dois casos que aconteceram comigo onde as falhas de elevado grau de gravidade ocorreram não no âmbito da qualidade da mão de obra, mas no âmbito da qualidade e efetividade dos processos empresariais.

 

Recentemente, o ralo da minha varanda entupiu sem motivo aparente. Inicialmente, eu tentei desentupir usando soluções caseiras, mas nada funcionou.

 

Então eu chamei a empresa desentupidora que atende ao condomínio.  A experiencia do usuário foi bastante agradável, pois eles enviaram dois técnicos com os recursos necessários para resolver o problema no mesmo dia (uma ou duas horas após o acionamento).

 

O técnico usou diversas técnicas e ferramentas para desentupir o ralo, mas alegou que não encontrou a ligação do ralo com o encanamento e que o ralo não era padrão do edifício.

 

Em nenhum momento o técnico conseguiu explicar de forma racional como este ralo funcionou anos a fio sem que ele esteja conectado ao encanamento do edifício.

 

Depois de diversas tentativas. O técnico disse que era preciso quebrar o piso da varanda para localizar o encanamento e fazer o ralo funcionar.

 

Como já era tarde, eu achei melhor interromper os trabalhos, pois nada funcionou e não encontrava uma dose mínima de racionalidade na explicação do técnico sobre a ligação do ralo com o encanamento.

 

Na minha cabeça iria chamar outra desentupidora no dia seguinte. Quando eu estava me despedindo dos profissionais, o técnico pediu uma nova oportunidade para olhar o ralo (ele já tinha olhado por quase 3 horas e nada de encontrar a ligação com o encanamento).

 

Nesta última tentativa, eu pedi para o técnico segurar a lanterna pois era tarde e escuro na varanda e eu iria cutucar o ralo com um fio de cobre para encontrar o buraco que liga o ralo ao encanamento.

 

Em poucos minutos, eu encontrei o buraco que o técnico tanto falou que não encontrava e em segundos o ralo foi desentupido. O processo empresarial foi extremamente falho, pois o técnico deveria ter acesso a planta do encanamento da varanda para fazer o seu trabalho de forma efetiva.

 

No segundo caso de falha do processo empresarial, eu comprei remédios pela plataforma de comercio eletrônico da farmácia e solicitei a entrega rápida em até uma hora.

 

No prazo estabelecido, eu recebi mensagem que os remédios foram entregues e liguei para portaria para verificar a informação. O porteiro informou que não foi feita a entrega.

 

Depois de muitas trocas de mensagens com a rede de farmácias, ficou claro que a entrega foi realizada em endereço errado e que eu tinha que esperar 24 horas para que eles resolvessem o caso.

 

Como eram remédios urgentes, eu fui à loja presencial da rede de farmácias e solicitei para a farmacêutica a entrega dos remédios pagos e não recebidos.

 

A farmacêutica gastou mais de uma hora falando com diversas pessoas da rede de farmácias sobre o ocorrido e solicitando uma solução para o caso.

 

Como estava demorando muito, eu solicitei para a farmacêutica o cancelamento do pedido e falei que iria comprar os remédios na loja. O enorme esforço da farmacêutica em resolver o problema não mudou o fato de que a minha experiencia como cliente foi péssima.

 

Foi muito esforço da farmacêutica para gerar apenas um cliente que detesta a marca. No entanto, o caso não se encerra neste ponto.

 

Depois de fazer o estorno dos valores, a rede de farmácias resolveu entregar o pedido de dias atrás no domingo de eleição sem entrar em contato com o cliente e sem verificar se ainda eu queria os remédios.

 

A elevada qualificação da farmacêutica não foi suficiente para ele vencer um processo empresarial caótico e cheio de falhas.

 

 

segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Assimetria das informações

Os agentes de inteligência artificial, podem ser treinados para transferir os recursos ociosos ou com baixa rentabilidade nos bancos em nome dos consumidores para maximizar o rendimento das aplicações financeiras.

 

Esta possibilidade fez os bancos nos Estados Unidos e em breve em outros países proibir tanto o acesso a conta dos clientes, quanto a realização de transações diretamente nas plataformas bancárias digitais pelos agentes ou assistentes inteligentes.

Os especialistas afirmaram que os assistentes de inteligência artificial podem transferir automaticamente o dinheiro das contas bancárias não remuneradas, para aplicações com rendimento entre 3,3% e 5%.

 

Os depósitos sem remuneração nos bancos, podem ser transferidos automaticamente pelos agentes de inteligência artificial para aplicações remuneradas gerando assim um custo extra para os bancos de bilhões de dólares.

 

Em outras palavras, os agentes inteligentes treinados para maximizar o valor do patrimônio dos clientes nos bancos, podem fazer com que os bancos paguem bilhões de dólares sobre os depósitos de varejo para impedir que estes recursos busquem taxas melhores em outros lugares, ou seja, enfrentarão uma forte redução do lucro.

 

Caso todos os clientes usem agentes de inteligência artificial para maximizar o rendimento dos seus recursos depositados nos bancos, os bancos perderão uma parcela relevante dos depósitos de baixo custo e com isto o custo dos empréstimos aumentará significativamente.

 

O crescimento do custo dos empréstimos, ou seja, taxa de juros, gera o colateral tanto de redução nas vendas no varejo, quanto de redução dos investimentos pelas empresas, ou seja, os agentes inteligentes podem gerar um grave problema para o sistema financeiro e produtivo.

quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Central de atendimento

Todas as pesquisas revelam que o nível de satisfação dos clientes com os serviços recebidos pelos fornecedores é bastante baixo. A intensidade da troca de fornecedores pelos clientes é muito elevada.

 

Um dos motivos para a entrega de serviços de baixa qualidade está diretamente relacionado na forma em que os fornecedores gerenciam os programas de melhoria de qualidade da sua mão de obra.

 

Por exemplo, a meta do Managed Service Provider (MSP) é vender mais, e neste caso, o programa de recompensa deve excluir das conquistas os clientes ruins que não pagam ou atrasam os pagamentos ou etc.

 

Por exemplo, a meta é reduzir os custos, e neste caso o programa de recompensa deve excluir a iniciativas que comprometem a qualidade das entregas.

 

Por exemplo, a meta é aumentar a produtividade, e neste caso o programa de recompensa deve excluir as iniciativas que melhoraram os números sem gerar valor agregado.

 

Em resumo, antes de estabelecer um programa de recompensas, o MSP deve responder a seguinte pergunta: É possível alcançar as metas do programa de recompensa sem que o resultado alcançado seja o desejado?

 

É muito comum a situação em que a organização quer reduzir o custo, para aumentar a sua margem de lucro, e o resultado alcançado foi um forte comprometimento da qualidade das entregas com perda significativa da quantidade de clientes recorrentes e aumento dos custos de aquisição de novos clientes, ou seja, o resultado deveria melhorar foi destruído.

 

Existem também os casos em que o MSP aumenta as suas promoções para vender mais. No primeiro momento, o faturamento cresce, mas em pouco tempo os clientes passam a esperar pelos descontos e a empresa depende das promoções para continuar vendendo.

quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Terra da Fantasia

No Brasil, existem pessoas que vivem no mundo da fantasia. Um dos sonhos mais clássicos é a declaração do Paulo Guedes em 2019 (Guedes: Valor de estatais a serem privatizadas vai para mais de R$ 1 tri, https://economia.uol.com.br/noticias/estadao-conteudo/2019/04/09/vai-para-mais-de-r-1-tri-o-valor-de-estatais-a-serem-privatizadas-diz-guedes.htm, acessado em 07/10/2026).

 

A realidade das privatizações foi de R$ 227 bilhões (Guedes consegue menos de um quarto do prometido com venda de estatais, https://economia.ig.com.br/2021-12-26/guedes-um-trilhao-venda-estatais.html).

 

Todo mundo sabia em 2019, que a narrativa do trilhão não seria realizada. Mesmo assim, uma grande parte da sociedade brasileira propagou o sonho da narrativa (no meu ponto de vista um felino nomeado como ministro teria alcançado no mínimo o dobro do realizado).

 

Em 2026, tivemos mais um caso dos que vivem em sonhos. Um assessor de um candidato à presidência da república afirmou um corte de R$ 200 bi nas despesas do governo com forte queda do prêmio de risco e da curva de juros (Assessor de Flávio propõe mudanças na Constituição para cortes de até R$ 200 bi e causa ruído na campanha, https://www1.folha.uol.com.br/colunas/monicabergamo/2026/10/assessor-de-flavio-propoe-mudancas-na-constituicao-para-cortes-de-ate-r-200-bi-e-causa-ruido-na-campanha.shtml#comentarios).

 

Todos sabem que eliminação de ministérios, cortes nos supersalários (recomendo procurar pelo caçador de marajás – Fernando Color de Melo) etc. não vão gerar tal economia e que os juros acima de 1 trilhão não serão resolvidos com palavras de ordem sem sentido real.

 

É fato reconhecido que os credores do Brasil têm historicamente baixo nível de confiança nas afirmações dos gestores e por isto cobram um prêmio extra para financiar a dívida pública.

 

O evangelizador do Service Desk entrou na onda das fantasias e encontrou conexões em frases isoladas. Mais ainda, passou a defender precificação sem critérios objetivos.

 

Precificação sem critérios quantitativos, sem comunicação com os custos geram preços com base no mercado que podem ou não representar lucro.

 

Ou podem gerar algo pior. Preços completamente fora do mercado. Nos dois casos estamos falando de CNPJs indo para as cucuias. Poucos ou nenhum sobreviverão a onda da inteligência artificial.

 

Para exemplificar o que isto significa, vamos criar a empresa Oxicurium com apenas três pessoas. Um comprador, um vendedor e um gestor de tecnologia.

 

O gestor de tecnologia contratou um serviço de uma MSP que pratica preço média do mercado em que o atendimento de um chamado ocorre em até 2 horas, porque o orçamento disponível só permite este nível de gasto (a organização tem diversas despesas e precisa ter um orçamento equilibrado).

 

O comprador classifica como bom a qualidade do atendimento em até 2 horas, porque a sua rotina diária não é impactada por tal nível de entrega do serviço.

 

O vendedor que vive das comissões das vendas dos produtos da empresa classifica como péssimo o atendimento em até duas horas da MSP, porque a sua rotina é fortemente impactada pela espera e como consequência a sua renda mensal é baixa.

 

No mundo real, temos a situação em que um contrata o que o orçamento permite, outro considera o serviço bom e outro considera o serviço péssimo.

 

São três experiências de usuários para a mesma entrega. A MSP trabalha com critérios qualitativos (XLA). Em resumo, os três sócios da Oxicurium estarão em conflito eterno e a MSP nunca saberá qual é a realidade das suas entregas, pois ela usa apenas parâmetros qualitativos nas suas análises.

 

O Brasil já perdeu um incontável número de janelas de oportunidade de gerar riquezas (pesquise sobre a reserva de informática no Brasil e veja quanto foi perdido).

 

Quando em um evento é apresentada um caso em que a inteligência artificial não foi usada e tal situação é aplaudida é sinal de que a janela de oportunidade da inteligência artificial fará parte do rol de oportunidades perdidas pelo Brasil.

 

Exemplo da janela perdida do carro elétrico:

 

O artigo “Lula sinaliza dúvida sobre viabilidade de carro elétrico” (https://www.gazetadopovo.com.br/economia/lula-sinaliza-duvida-sobre-viabilidade-de-carro-eletrico-2vbqvfy4w8j2ji53muauwok0e/), publicado em 2010, revelou que a viabilidade do carro elétrico foi questionada no Brasil.

 

Em 2024, o presidente da Renault do Brasil afirmou que a transição para carros elétricos no Brasil será longa (Transição para carro elétrico será longa no Brasil, diz CEO da Renault, https://www.brasilagro.com.br/conteudo/transicao-para-carro-eletrico-sera-longa-no-brasil-diz-ceo-da-renault.html).

 

Em 2026, o presidente da Stellantis para a América do Sul afirmou que as montadoras no Brasil erraram a velocidade da eletrificação e estão perdendo terreno para as chinesas ('Ninguém conseguia prever': chefe da Stellantis admite erro do setor diante da disparada chinesa, https://g1.globo.com/carros/noticia/2026/10/07/ninguem-conseguia-prever-chefe-da-stellantis-admite-erro-do-setor-diante-da-disparada-chinesa.ghtml).

 

No passado, a Amazon entrou no Brasil e em pouco tempo levou para a lona empresas gigantes. Fenômeno similar ocorreu com o carro elétrico e estamos vendo empresas que não trabalham com números reais sendo engolidas pela inteligência artificial.

 

Para os que falam da invasão chinesa é bom observar a invasão coreana na moda, nos perfumes, nos restaurantes etc.

 

 

terça-feira, 6 de outubro de 2026

Produtividade da Inteligência Artificial (IA)

No artigo “O paradoxo da produtividade da inteligência artificial” (https://www1.folha.uol.com.br/colunas/roberto-campos-neto/2026/10/o-paradoxo-da-produtividade-da-inteligencia-artificial.shtml?utm_source=sharenativo&utm_medium=social&utm_campaign=sharenativo, acessado em 06/10/2026), o Roberto Campos Neto (ex-presidente do Banco Central do Brasil e vice-presidente do Nubank), explicou como o aumento do nível de produtividade na execução de uma tarefa gera crescimento econômico agregado.

 

Neste momento, a reflexão necessária é que o resultado gerado pela inteligência artificial está diretamente relacionando com o nível de capacitação do usuário (é o velho e batido refrão: perguntas melhores geram resultados melhores).

 

Todas as pessoas podem fazer perguntas genéricas ou especializadas para uma IA, no entanto é importante destacar que as perguntas genéricas geram resultados iguais todos (sem diferencial competitivo) e as perguntas especificas e bem elaboradas geram resultados diferenciados (com diferencial competitivo).

 

No mercado, as vantagens competitivas de longo prazo geram lucro superior e, portanto, geram crescimento econômico agregado, ou em outras palavras, geral aceleração permanentemente da velocidade de inovação.

 

As vantagens competitivas de longo prazo geram ganhos de produtividade que são traduzidos em crescimento da riqueza. Quanto maior for o nível de capacitação dos usuários da inteligência Artificial, maior será o crescimento da margem de lucro da corporação.

quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Invasão chinesa

Nos últimos dias este bloguista escutou de diversos membros e entidades da sociedade brasileira que o atual governo permitiu (e até mesmo incentivou) a invasão chinesa no Brasil.

 

Tenho profundas restrições aos últimos governos brasileiros, mas não consigo encontrar argumentos racionais para justificar que a invasão chinesa na economia nacional foi patrocinada pelo governo federal.

 

Já que estamos falando de racionalidade eu vou abrir um espaço para replicar a sabedoria do evangelizador supremo do Service Desk no Brasil (O fim do SLA como era conhecido, https://www.4hd.com.br/blog/2026/10/01/o-fim-do-sla-como-era-conhecido/, acessado em 01/10/2026).

 

Qualquer que seja o nome utilizado “Qualidade de Atendimento” ou etc. o Managed Service Provider (MSP) ou Provedor de Serviços Gerenciados (PSG) precisa de um critério objetivo para custear a entrega do serviço e para definir o seu preço.

 

Quando é afirmado que o significado do SLA mudou e agora o MSP deve buscar “prestar um bom serviço”, o aspecto econômico do empreendimento fica perdido.

 

Um bom serviço é entendido de uma forma pelo usuário A e de outra pelo usuário B e assim sucessivamente, ou seja, mesmo peso com diversas medidas. É impossível precificar um serviço com tal nível de subjetividade.

 

Aproveitando a introdução da subjetividade na postagem, vou voltar para a invasão chinesa.

 

Recentemente fiz uma compra na plataforma de comércio eletrônico de uma das farmácias gigantes do Brasil. Eu só cito o nome de quem trabalha direito, por isto me arrependi de não ter feito a compra na Panvel (é padrão classe mundial).

 

Em um determinado momento o aplicativo informou que a compra chegou. Fui verificar na portaria e nada havia chegado. Voltei para o app e fui informado para verificar de novo, pois a entrega foi realizada com sucesso (caso típico de SLA implantado de forma errada).

Fiz a portaria parar o seu serviço e procurar a entrega já que na opinião da plataforma a entrega ocorreu sem sombra de dúvida (trabalhar com opinião é sempre m do m, pois não reflete a realidade).

 

Depois de tantas idas e vindas consultei o rastreamento do pedido para ver quem o recebeu. Descobri que a encomenda foi entregue em um outro endereço.

 

A diferença entre o endereço que informei no pedido e o endereço em que o pedido foi entregue é abissal. Apenas uma pessoa sem capacidade de leitura cometeria tal erro.

 

Algumas plataformas estão contatando analfabetos para fazer as entregas e por isto o meu caso não é único. Existem milhares de casos semelhantes no Brasil.

 

Quando eu finalmente falei com um operador humano eu recebi a seguinte afirmação que o pedido foi entregue no local designado pelo cliente. Mandei um “print” da tela do endereço do meu pedido e do endereço onde a entrega foi realizada e perguntei é o mesmo endereço? A resposta do atendente foi desculpe pela falha e precisa de algo mais (deixa para sair de fininho sem admitir a realidade)?

 

A Amazon destruiu duas gigantes em pouco tempo, apenas não cometendo os erros básicos feitos pelas empresas brasileiras.

 

O Mercado Livre e as chinesas vão entrar no curto prazo no segmento das farmácias e vão explorar as deficiências das entregas de diversas plataformas.

 

Não é o governo que está facilitando a invasão chinesa. São as empresas com qualidade inferior que estão facilitando a entrada de competidores chineses e argentinos (eles fazem o básico corretamente).

segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Consequências da IA agêntica

A inteligência artificial agêntica (Inteligência Artificial agêntica) é capaz de interpretar objetivos, planejar sequências de ações, executar tarefas com autonomia e tomar decisões com base em dados, fatos e regras previamente definidos.

 

Essa capacidade muda profundamente a lógica de escolha. Em processos conduzidos por agentes, a intuição, o impulso e certos estímulos emocionais perdem espaço para os critérios verificáveis.

 

A decisão passa a depender menos da capacidade de uma marca de persuadir e mais de sua capacidade de ser compreendida, avaliada e validada por sistemas inteligentes.

 

Na era do conhecimento, produtos e serviços precisarão responder de forma objetiva aos requisitos considerados por esses agentes.

 

As marcas que não forem corretamente interpretadas, validadas e recomendadas poderão se tornar invisíveis no momento da decisão — ainda que sejam conhecidas pelo público.

 

Isso exige uma mudança na produção de conteúdo. Fornecedores não poderão se limitar a mensagens promocionais, atributos genéricos ou promessas difíceis de comprovar.

 

Será necessário apresentar informações estruturadas, dados confiáveis e evidências que permitam ao agente comparar alternativas e verificar a consistência entre o que a marca promete e o que efetivamente entrega.

 

Os algoritmos tendem a procurar sinais concretos de valor: rigor técnico, validação de especialistas, experiências reais de uso, resultados mensuráveis e consistência ao longo do tempo.

 

Nesse contexto, um produto bem-acabado ou uma campanha com influenciadores pode despertar atenção, mas não é suficiente, por si só, para sustentar uma recomendação.

 

Para recomendar uma solução, a IA precisa encontrar evidências confiáveis de que ela funciona, para quem funciona e em quais condições.

Sem esse lastro, a marca pode ser excluída silenciosamente das opções consideradas: não porque tenha deixado de existir, mas porque não oferece elementos suficientes para justificar a transação.

 

Esse é o novo limbo da invisibilidade. Em um ambiente no qual diferentes sistemas consultam fontes semelhantes e valorizam sinais de confiança, conteúdos rasos perdem espaço para conteúdos relevantes, consistentes e sustentados por evidências.

 

Para as marcas, a consequência é clara: não basta ser vista por pessoas; será preciso também ser compreendida e considerada confiável pelas inteligências artificiais que participarão das decisões.