quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Blockchain: Uma nova e poderosa economia nasceu

A eliminação do intermediário acreditador proporcionada pela tecnologia Blockchain para os agentes regulamentadores privados gera uma situação de elevado risco para as bolsas de valores como o BM&FBOVESPA (http://www.bmfbovespa.com.br/pt_br/index.htm, acessado em 19/10/2016). Elas poderão desaparecer caso não evoluam o seu modelo de negócio para a economia das criptotransações. A bolsa de valores Nasdaq Stock Market (http://www.nasdaq.com/, acessado em 19/10/2016) já percebeu a realidade e está investindo em novas soluções.

Em 2016 a bolsa lançou o Nasdaq Financial Framework baseado na tecnologia Blockchain (Nasdaq Opens Blockchain Services to Global Exchange Partners, http://www.coindesk.com/nasdaqs-blockchain-services-global-exchange/, acessado em 19/10/2016). A dupla Bitcoin e Blockchain pode gerar um novo formato para o negócio das bolsas de valores. As compras e vendas de ações e títulos podem migrar da bolsa de valores brasileira BM&FBOVESPA para a bolsa de valores americana Nasdaq. No universo digital a migração é muito fácil e rápida. Os processos sem intermediários acreditadores reduzem os custos, eliminam taxas de custódia e corretagem e são mais seguros pela publicação do histórico das transações.

Uma nova economia para as bolsas de valores será gerada pela desintermediação, pois as cotações dos ativos no pregão serão influenciadas pelas operações ponto-a-ponto. Existira um novo formato para o sincronismo que atualmente existe entre a realização e divulgação pública das operações de compra e venda no pregão e no mercado futuro. O prazo para liquidação das operações será fortemente reduzido com a tecnologia Blockchain e isto vai afetar a lógica atual das operações de Day trading (https://pt.wikipedia.org/wiki/Day_trading, acessado em 19/10/2016). As operações à descoberto que são viabilizadas pelas garantias oferecidas pelas bolsas de valores e pelo prazo D + 3 para a sua compensação ou não poderão ser realizadas no modelo de negócio ponto a ponto com compensação em D + 10 minutos ou serão realizadas em um novo modelo.

Existe com a tecnologia Bitcoin Blockchain a possibilidade de consolidação das bolsas regionais em bolsas mundiais Situações como os tradicionais boatos plantados nas quintas feiras na bolsa brasileira (Quinta tem força especulativa e sexta eclipse impacta bolsa negativamente, http://br.advfn.com/jornal/2016/09/quinta-tem-forca-especulativa-e-sexta-eclipse-impacta-bolsa-negativamente, acessado em 19/10/2016) deixarão de fazer do ambiente de negócios brasileiros com a consolidação das bolsas.

Os negócios dos bancos e dos cartórios nacionais também estão seriamente ameaçados com o crescimento da penetração da tecnologia Blockchain. As Fintechs que estão surgindo no mundo inteiro podem inviabilizar a operação dos bancos brasileiros se eles não entrarem em ciclo evolutivo. O crescimento das Fintechs é exponencial por causa tanto do seu baixo custo operacional, como da necessidade reduzida de capital de investimento. Elas não precisam de agências físicas e de legiões de funcionários para operacionalizar o seu negócio. Elas são empresas financeiras baseadas em computação em nuvem elástica e em softwares, ou seja, podem crescer em elevada velocidade sem a necessidade de grande volume de capital de investimento.

As Fintechs podem ser sediadas em países confiáveis e estáveis e operar em escala mundial através da capilaridade das criptomoedas como o Bitcoin e a segurança do livro razão público da tecnologia Blockchain. É um novo universo econômico para as transações financeiras entre as pessoas e as empresas. O pagamento de contas de consumo, por exemplo, deixará de ser impactado por problemas como a greve dos bancários de 2016 (Bancários de São Paulo decidem encerrar a greve, http://g1.globo.com/economia/noticia/2016/10/bancarios-de-sao-paulo-decidem-encerrar-greve2016.html, acessado em 19/10/2016).

Os banqueiros e bancários brasileiros precisam urgentemente repensar os seus papéis neste mercado, pois podem ser em pouco tempo substituídos por Fintechs transnacionais. A falha do pagamento da folha salarial das grandes empresas que eram clientes do HSBC pelo banco Bradesco (Clientes que eram do HSBC têm salário atrasado com migração para Bradesco, http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2016/10/1824084-clientes-que-eram-do-hsbc-tem-salario-atrasado-com-migracao-para-bradesco.shtml, acessado em 19/10/2016) não será aceita e nem tolerada pelos clientes.

Como os processos de migração para as Fintechs serão muito fáceis e rápidos, estas falhas serão punidas com a perda de clientes. As elevadas tarifas e taxas cobradas pelos bancos para as transações bancárias terão que sofrer enorme ajuste diante da competição com as Fintechs que operam com baixas taxas e tarifas bancárias. A globalização do segmento financeiro iniciada pelas Fintechs vai fazer com que os preços dos serviços bancários sejam ditados pelo mercado.  A era dos bancos nacionais ditarem os valores das taxas e tarifas bancárias está chegando ao fim.

Em 2016 a taxa de juros para o credito para o consumidor superou a barreira dos 450% ao ano por causa da elevada taxa de inadimplência (Juros médios no cartão de crédito passam de 450% ao ano, diz Anefac, http://g1.globo.com/economia/seu-dinheiro/noticia/2016/09/juros-medios-no-cartao-de-credito-passam-de-450-ao-ano-diz-anefac.html, acessado em 19/10/2016). Com a tecnologia Blockchain é possível melhorar o entendimento do perfil de cada um dos consumidores e trabalhar o crédito conforme o risco individual. Para os bons pagadores a taxa de juros do crédito cairá dramaticamente com a penetração das Fintechs no mercado brasileiro. As FinTechs que oferecem em 2016 credito ponto a ponto como a empresa Lending Club (https://www.lendingclub.com/, acessado em 19/10/2016) e a empresa Biva (https://biva.com.br/, acessado em 19/10/2016) oferecem empréstimos para pessoas físicas e jurídicas com taxas de juros muito menores.

Os cartórios brasileiros mudarão muito com o crescimento da adoção da tecnologia Blockchain. Eles serão tanto fiéis depositários de documentos digitais em várias línguas que lastreiam ativos que serão transacionados nos mercados, como fornecedores de ferramentas de chaves de criptografia e como cofre virtual com segredo para o backup das chaves de criptografia das pessoas e empresas. Os cofres digitais serão abertos apenas com a biometria dos donos e respectivos herdeiros indicados pelos donos das chaves. Será uma operação completamente diferente do que acontece atualmente no Brasil.

As limitações de abrangência geografia da atuação dos cartórios serão rompidas com a sua transformação digital. Eles sofrerão intensa concorrência tanto no mercado interno como externo. Como o investimento necessário será muito baixo pela adoção das nuvens elásticas e das plataformas de desenvolvimento da tecnologia Blockchain, então não mais existirão barreiras para novos entrantes. Será a eficácia e a eficiência operacional consequência da inteligência coletiva do cartório que será o fator crítico para o seu crescimento e parta a sua sobrevivência. As facilidades para a migração dos documentos digitais de um cartório para outro vão exigir elevado nível de criatividade e inovação. Os cartórios no Brasil perderão com a tecnologia Blockchain a sua condição de monopólio regional.

Tanto a ANATEL (Agência Nacional de Telecomunicações, http://www.anatel.gov.br/institucional/, acessado em 19/10/2016), como o PROCON (Proteção e Defesa do Consumidor), como o poder judiciário podem conquistar elevados ganhos operacionais com a tecnologia Blockchain. É fácil perceber que uma das reclamações mais comuns dos clientes contra as operadoras de telecomunicações está relacionada com a cobrança de serviços não solicitados (Que venha o Vendor Relationship Management, http://itgovrm.blogspot.com.br/2016/09/que-venha-o-vendor-relationship.html, acessado em 19/10/2016). Anualmente, milhares de casos sobre este assunto são tratados pelos canais de atendimento das operadoras, pela ANATEL, pelos PROCONs e pelo poder judiciário.

Foi afirmado que o sistema de Justiça brasileiro custa 1,8% do PIB no Brasil e 0,37% do PIB em Portugal.
Fonte: Os custos do Poder Judiciário precisam ser revistos, http://g1.globo.com/economia/blog/samy-dana/post/os-custos-do-poder-judiciario-precisam-ser-revistos.html, acessado em 19/10/2016.

Foi revelado que a despesa total da Justiça no Brasil em 2015 foi de 79,2 bilhões de reais com aumento acima da inflação de 4,7% em relação ao ano de 2014.
Fonte: 2015 teve aumento do número de processos que ficaram sem solução na Justiça, http://fernandorodrigues.blogosfera.uol.com.br/2016/10/17/2015-teve-aumento-do-numero-de-processos-que-ficaram-sem-solucao-na-justica/, acessado em 19/10/2016

Existe um custo elevado e inútil de centenas de milhões de reais por ano de reclamações por serviços telefônicos não solicitados que está sendo carregado pelo sistema e é pago pelo brasileiro na forma de tarifas e impostos. Este custo retira competitividade da economia nacional. Com o Blockchain, livro razão público e distribuído e validação da transação pela chave privada de criptografia será possível eliminar as falhas, equívocos e fraudas relacionadas com a contratação de serviços. Apenas os serviços validados com a assinatura digital do cliente poderão ser cobrados pela operadora. Com este simples procedimento tanto a ANATEL, como o PROCOM, como a justiça brasileira não mais serão os atores principais nas reclamações sobre a cobrança de serviço não solicitado. A ANATEL e a justiça poderão com a prova da assinatura digital punir as fraudes e eliminar do sistema os enganadores e falsificadores.

As operadoras de telefonia também serão beneficiadas, pois o seu canal de atendimento com o consumidor não ficará mais entupido com reclamações sobre serviços não solicitados. Como cada serviço cobrado foi autorizado através da assinatura digital do cliente, então apenas exceções serão tratados pelo canal. A eliminação destas fraudes do sistema vai gerar enorme economia de tempo e dinheiro das pessoas, empresas, ANATEL, PROCOM, poder judiciário e operadoras de telecomunicações. O resultado é que o país vai galgar um novo patamar na competitividade.

No setor financeiro existe também o problema de fraudes, pois muitos clientes reclamam que estão sendo cobrados por serviços não solicitados e não autorizados. Novamente, a assinatura digital das solicitações em conjunto com o livro razão público e descentralizado é capaz de resolver os conflitos. Apenas os serviços validados pela assinatura digital do cliente podem ser cobrados pelos bancos. O banco central pode usar o livro razão para monitorar o comportamento dos atores e punir os que estão perpetrando as fraudes. Os empréstimos bancários também são alvos de fraudes, pois muitas vezes eles são concedidos sem o conhecimento dos envolvidos. É mais um caso onde a assinatura digital do solicitante e o livro razão da tecnologia Blockchain eliminam as dúvidas.

Os casos dos cartões de crédito merecem um destaque à parte. É comum encontrar no Brasil, casos onde as pessoas são processadas por falta de pagamento da anuidade de um cartão de crédito que não foi solicitado pelo cliente. Os fraudadores usam informações incorretas ou incompletas para alcançarem metas de vendas. Para acabar com estes tipos de desvios basta que seja exigida a assinatura digital do titular ou dos titulares do cartão de crédito no seu processo de solicitação. É uma solução simples que pode economizar milhões de reais por ano. As fraudes nas transações de compra causadas pelas diversas formas de clonagem dos cartões de crédito, também são eliminadas com a tecnologia Blockchain. É possível dar um salto na competitividade nacional com a adoção da assinatura digital e livro razão público nas transações presenciais e digitais com os cartões de crédito. Muito do dinheiro que hoje em dia é perdido por causa de fraudes, pode deixar de ser perdido. O congestionamento do sistema judiciário brasileiro pode ser fortemente aliviado com a eliminação de processos por fraudes. O custo Brasil pode ser enormemente reduzido.

O segmento das operadoras de saúde também é merecedor de um destaque à parte em termos da tecnologia Blockchain. Um dos maiores problemas do setor é que as internações dos clientes envolvem centenas de serviços hospitalares. Muitos dos serviços oferecidos pelos hospitais estão em uma estrutura de cascada. Esta característica gera enorme dificuldade para as auditorias e atrapalha a negociação entre os hospitais e as operadoras. A assinatura digital e o livro razão público e descentralizado permite a facilitação e automação do processo de auditoria das operadoras de planos de saúde e favorece o estabelecimento um acordo comercial com base em fatos. Todos os reajustes dos valores dos planos dos clientes podem ser facilmente justificados pelos trabalhos realizados. A ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar, http://www.ans.gov.br/, acessado em 19/10/2016) pode monitorar automaticamente todos os planos de saúde em uso no Brasil e regulamentar o segmento com maior efetividade. A base de conhecimento registrada e validada (pela assinatura digital da operadora) do livro razão público dos serviços hospitalares pode ser utilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS, https://pt.wikipedia.org/wiki/Sistema_%C3%9Anico_de_Sa%C3%BAde, acessado em 19/10/2016) pode ser utilizada pelo governo para estabelecer os parâmetros financeiros dos convênios com os hospitais privados.

A segunda vantagem do uso da tecnologia Blockchain pelas operadoras de planos de saúde está relacionada com a transparência oferecida para os usuários e clientes. No Brasil os planos operam no formato de compartilhamento de custos. Isto significa que as operadoras determinam o custo total das despesas de saúde das vidas protegidas pelo plano, somam a este valor as suas despesas administrativas e a sua margem de lucro. A divisão deste total pelo número de clientes determina o valor médio que cada cliente vai pagar. Se o cliente é saudável e pouco usa do plano ele gerará um grande lucro individual que será usado para cobrir o prejuízo causado por um cliente que usa intensamente o plano.

É uma conta de chegada, onde uns são subsidiados pelos outros. Existem várias interpretações para este modelo de negócio, mas um plano de saúde não é financeiramente saudável quando apenas 10% da sua base de clientes gera lucro e é extremamente saudável quando apenas 10% da sua base de clientes gera prejuízo. O grande problema desta estratégia é que o cenário é dinâmico. Em poucos anos as mudanças nas condições de saúde dos beneficiários de um plano são capazes de transformar o cenário de extremamente lucrativo para fortemente deficitário. É preciso contar com uma gestão extremamente eficiente e com uma boa dose de sorte para operar com sucesso neste modelo por cinquenta ou cem anos. Infelizmente, no Brasil a tendência é que os lucros generosos dos anos dourados sejam transformados em dividendos para os acionistas ou donos e não em poupança para ser utilizada nos anos de vacas magras para os lucros.

O livro razão da tecnologia Blockchain tem a virtude de aumentar a transparência entre estes cenários extremos e permitir que os beneficiários e a ANS monitorem e determinem como o lucro gerado nos anos das vacas gordas do plano seja poupado e investido para ser utilizado nos inevitáveis anos de prejuízos. Todos os envolvidos passarão a entender com clareza a natureza das transações realizadas e compreenderão que estarão nos anos de baixa utilização do plano financiando a sua utilização futura do mesmo. Não é novidade para todos neste mercado que conseguir acompanhar dinamicamente as mudanças no perfil de utilização do plano pelos clientes ao mesmo tempo em que existe a entrada e saída de clientes é um trabalho de gigantesca complexidade administrativa. É muito fácil fracassar usando este modelo de negócio. A automação é uma das melhores soluções para corrigir em tempo as distorções e conquistar o sucesso.

Os seguros dos automóveis também podem ganhar enorme evolução com a tecnologia Blockchain. As seguradoras calculam os riscos de um segurado com base nos parâmetros médios do seu perfil, por exemplo, as mulheres são mais cuidadosas no transito e, portanto, tem perfil de risco menor que os homens. O livro razão público permite a individualização do perfil do risco com inclusão de informações de acidentes, multas e condução do veículo pelo motorista. É possível determinar que estava dirigindo o carro pela assinatura digital. Com base nestas informações as seguradoras poderão determinar o risco de cada um dos seus clientes e estabelecer preços diferentes que podem ser revistos periodicamente conforme o comportamento do dia-a-dia do segurado. É uma mudança radical em relação ao atual modelo onde as características médias do perfil determinam o risco e o mesmo fica congelado durante o prazo de vigência do contrato.

No Brasil são recorrentes os casos de adulteração dos combustíveis (Governo de SP e ANP fazem ação para fiscalizar postos de combustíveis, http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2016/10/governo-de-sp-e-anp-fazem-acao-para-fiscalizar-postos-de-combustiveis.html, acessado em 19/10/2016). A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP, http://www.anp.gov.br/, acessado em 19/10/2016) pode evoluir para um patamar bastante elevado o controle contra as fraudes nos combustíveis usando a tecnologia Blockchain tanto para aumentar a transparência do sistema, como permitir que o consumidor tenha conhecimento em tempo real da qualidade do combustível na bomba de gasolina que ele está utilizando. Como o sistema permite o retorno dos consumidores sobre a qualidade do combustível através da assinatura digital e livro razão público descentralizado, a ANP pode usar estas informações para focar as investigações ao mesmo tempo em que os todos os clientes recebem o retorno dos consumidores insatisfeitos. Eles são informados através do livro razão e de um aplicativo de geolocalização.

Infelizmente, os casos de remédios falsificados ou roubados são comuns no Brasil (A história do roubo de 33 milhões de reais, http://veja.abril.com.br/brasil/a-historia-do-roubo-de-33-milhoes-de-reais/, acessado em 19/10/2016). A tecnologia Blockchain é capaz de oferecer para a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA, http://portal.anvisa.gov.br/, acessado em 19/10/2016) uma ferramenta de elevada eficiência e eficácia para impedir que remédios falsificados cheguem ao mercado. Os farmacêuticos podem consultar os remédios no ponto de venda e informar para a ANVISA se eles estão na lista dos produtos roubados ou falsificados. Os hospitais, clínicas e laboratórios também podem consultar a autenticidade do medicamento através do seu número identificador e reportar para a ANVISA a ocorrência de algum tipo de fraude. Como todo o processo é validado pela assinatura digital é possível localizar com precisão o lugar exato onde ocorreu a introdução de um remédio roubado ou falsificado e os respectivos responsáveis.


A Serasa Experian (https://www.serasaexperian.com.br/, acessado em 19/10/2016) é uma organização privada que oferece algumas soluções para evitar inadimplência nas operações de crédito das transações comerciais. Ela trabalha os riscos e as estimativas sobre a inadimplência com base nas informações sobre os consumidores contidas nos seus bancos de dados. A tecnologia Blockchain tanto pode ser uma ameaça ao negócio dela, como uma extraordinária oportunidade. No campo da ameaça, como a tecnologia revela em um banco de dados público e descentralizado as informações sobre as transações e permite o estabelecimento de contratos inteligentes com regras automatizadas, as informações contidas nos bancos de dados da empresa podem virar redundantes em poucos anos e inviabilizar o modelo de negócio da empresa. No entanto, a empresa pode explorar a oportunidade gerada pela tecnologia ao usar as ferramentas atuais que ela dispõe para alavancar o livro razão público e virar uma sofisticada e confiável plataforma de aplicações Blockchain.

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Matemática do Blockchain

Nos meus mais recentes encontros com executivos e empresários, o tema Blockchain é abordado com elevada frequência. As pessoas não querem apenas saber como a tecnologia funciona. Elas querem saber como confiar em um sistema digital diante do crescente número de notícias sobre invasão de sites e roubo de senhas e cartões de crédito. Para a maioria das pessoas o chamado universo digital é bastante inseguro. Trabalhar o dinheiro e recursos financeiros em um ambiente sujeito a invasões e fraudes está fora da agenda da maioria dos empresários.

Artigos como “Vertical saúde perde bilhões por causa de ataques digitais” (http://computerworld.com.br/vertical-saude-perde-bilhoes-por-causa-de-ataques-digitais, acessado em 11/10/2016) estão deixando as pessoas cada vez mais inseguras em participar do universo virtual da tecnologia Blockchain. Para vencer o elevado nível de resistência das pessoas sobre a segurança e privacidade das transações digitais da tecnologia Blockchain eu resolvi introduzir a matemática da tecnologia nas conversas.

O raciocínio matemático é muito simples, mas exige um bom nível de atenção das pessoas. Inicialmente é preciso estabelecer as condições de contorno do ambiente de segurança, ou seja, p = chave pública de criptografia, q = chave privada de criptografia, p e q são indissociáveis, ou seja, só existem como um par de chaves. Neste caso o produto p*q = N é compartilhado publicamente.

O m = mensagem e o s = assinatura digital. A assinatura digital é o resultado da multiplicação da chave privada de criptografia com a mensagem, ou seja, s = q*m e a pessoas podem verificar a veracidade da assinatura digital através da igualdade s*p = m*N, pois m*q*p = m*N e N = q*p. Neste caso, as pessoas precisam conhecer apenas a chave pública de criptografia = N, a mensagem = m e a assinatura digital = s.


Para calcular a chave privada de criptografia (q) é preciso dividir N por p, pois N = q*p. O desafio desta conta é que q e p são números primos com 300 ou mais dígitos. Conhecendo apenas N é preciso realizar um gigantesco esforço para encontrar o par q e p correto. O tempo demandado para realizar este esforço supera em muito o tempo de vida da mensagem.

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Quem está liderando a transformação digital nas empresas

Na terça feira dia 20 de setembro de 2016, o analista Brian Solis da empresa Altimeter publicou o estudo “The 2016 State of Digital Transformation” (http://www2.prophet.com/The-2016-State-of-Digital-Transformation, acessado em 03/10/2016) e afirmou que as maiores iniciativas para transformação digital nas empresas estão sendo lideradas pelos Chief Marketing Officers (CMOs).

O relatório revelou que a transformação digital está sendo liderada pelos CMOs em 34% das organizações. Os Chief Executive Officers (CEOs) estão conduzindo a transformação em 27% das empresas e os Chief Information Officers (CIOs) e Chief Technology Officers (CTOs) estão conduzindo os esforços de transformação digital em 19% das firmas pesquisadas.

O estudo revela em outras palavras que são os clientes que estão impondo a agenda da transformação digital para as empresas. A maioria dos líderes da transformação digital nas empresas afirmaram que o objetivo da transformação digital é o desenvolvimento das preferências e comportamentos do consumidor, ou seja, entendimento e materialização dos novos comportamentos dos clientes.

O estudo revelou que apenas 54% dos entrevistados mapearam completamente a jornada de compra do seu cliente. As empresas pesquisadas afirmaram que os objetivos da sua transformação digital são: (i) Inovação (citado por 81% das empresas); (ii) Modernização da infraestrutura (citado por 80% das empresas) e (iii) Melhoria da agilidade operacional (citado por 79% das empresas)

Os participantes da pesquisa estão medindo o sucesso das suas iniciativas da sua transformação digital através das seguintes métricas:


  1. Nível da satisfação do Cliente (28% dos respondentes)
  2. Tráfego da rede (27% dos respondentes)
  3. Aumento da Produtividade (27% dos respondentes)
  4. Aumento da receita bruta (26% dos respondentes)
  5. Melhoria na Experiência do Usuário (25% dos respondentes)
  6. Aumento das facilidades para a análise do conteúdo (25% dos respondentes)

O estudo revelou que 41% dos líderes de negócio entrevistados, afirmaram que a transformação digital habilitou uma maior participação no mercado, 37% disseram que os empregados ficaram mais felizes e 30% afirmaram que as receitas por cliente aumentaram por causa das iniciativas realizadas.

Uma Breve Introdução ao Blockchain

A tecnologia Blockchain permite que as moedas virtuais como Bitcoin sejam públicas, anônimas e seguras. O Blockchain é na prática um banco de dados que detalha todas as transações Bitcoin. O banco de dados é um livro razão público descentralizado onde são registrados os metadados sobre quando e como cada uma das transações ocorreram. O livro razão público é acessível através de Application Program Interfaces (APIs). Para impedir modificações nas transações atuais e passadas, o banco de dados é criptografado e seguro. A criptografia permite que os desenvolvedores confiem no histórico das transações e desenvolvam aplicações em cima das informações das transações.

A tecnologia Blockchain oferece recursos para o rápido desenvolvimento de inovações. O Blockchain é, portanto, um banco de dados criptografado e seguro que contém os registros de todas as transações. A tecnologia Blockchain pode ser também usada para habilitar tanto moedas digitais públicas, como moedas digitais privadas. O Blockchain registra a prova indelével do metadado das transações independentemente do tipo da transação. Todos os que transacionam ativos poderão ser afetados pela tecnologia Blockchain.

O sistema monetário tradicional dos países também será impactado pelas criptomoedas, pois elas não são baseadas nos governos. O Blockchain e o Bitcoin foram publicadas pelo Satoshi Nakamoto em 2008. Os Application Program Interfaces (APIs) do Blockchain estão disponíveis no endereço https://blockchain.info/pt/api (acessado em 30/09/2016). Existem APIs para: (i) processar pagamentos; (ii) carteira digital Blockchain; (iii) informações sobre as transações e blocos e (iv) informações de mercado. O tamanho do arquivo do Blockchain é de várias dezenas de Gigabytes (está crescendo com grande velocidade). O arquivo pode ser baixado no endereço https://bitcointalk.org/index.php?topic=1310261.0 (acessado em 30/09/2016).

A tecnologia Blockchain está disponível desde 2008 e em 2016 ela é utilizada por milhões de usuários. Apesar das transações na criptomoeda Bitcoin serem anônimas, todas as transações são registradas no Blockchain e podem ser visualizadas usando um simples navegador de internet. No endereço https://blockchain.info/ é possível visualizar em tempo real várias informações sobre as transações e as trocas realizadas.

O algoritmo do sistema libera aproximadamente um bloco a cada 10 minutos. A corrente de blocos é confiável e pode ser usada para desenvolver aplicações e protocolos que exigem transparência e segurança. A moeda digital é um conceito de fácil entendimento em todas as partes do mundo. O controle da moeda digital é realizado pelas pessoas e/ou instituições. O Blockchain e Bitcoin oferecem transparência total para as transações realizadas. O algoritmo do sistema controla a oferta da criptomoeda Bitcoin.

O Nakamoto que criou o sistema afirmou que o Bitcoin é uma corrente contínua de criptografia baseada na prova de trabalho que gera um registo que não pode ser alterado sem que a prova de trabalho seja refeita. Uma longa cadeia de blocos prova a sequência de acontecimentos testemunhada e também prova que ela foi gerada através de uma grande capacidade de processamento computacional. Como a maior parte do poder computacional é controlado pelos nós da rede que estão colaborando com o sistema, a longa cadeia de blocos é na realidade uma poderosa barreira contra os ataques digitais externos.

As criptomoedas são transacionadas da mesma forma que as moedas tradicionais emitidas pelos governos dos países (bancos centrais). Em outras palavras, elas são utilizadas na compra e venda de bens e serviços e nos investimentos em títulos e ações nas bolsas de valores. As criptomoedas também podem ser trocadas por moedas tradicionais como Real, Dólar, Libra, Euro, Iene e etc. através de um fator de conversão (taxa de câmbio). Infelizmente os algoritmos do Bitcoin não conseguem impedir os comportamentos ilegais. É possível comprar e vender tanto produtos e serviços legais como ilegais. A característica de anonimato na realização das transações pode ser utilizada para o bem e para o mal. É importante destacar que as moedas tradicionais também não conseguem impedir os comportamentos ilegais.

O Blockchain pode ser utilizado pelas empresas e pessoas como uma rede financeira privada. Empresas especializadas em: (i) Programas de fidelização; (ii) Programas de milhagem; (iii) Programas de prêmios e recompensas para os trabalhadores; (iv) Programas de tíquete refeição; (v) Programas de tíquete combustível; (vi) Bilhete único ou vale transporte; (vii) Clubes de pontos (operadoras de telefonia) e (viii) Programas de pontos (operadoras de cartões de crédito, bancos e etc.) podem construir redes financeiras privadas para transacionar entre elas e com os seus clientes. As empresas podem construir um sistema financeiro interno de baixo custo para ser utilizado pelos empregados, vendedores e fornecedores e reduzir os seus custos operacionais.

No Brasil, a receita federal enxerga as criptomoedas como investimentos cujo imposto é pago no momento da realização do lucro. As transações em criptomoedas entre os membros de uma cadeia produtiva elimina o atual problema de bitributação da indústria e comércio. A maioria dos países tributa apenas as receitas nas moedas tradicionais. A tecnologia Blockchain também pode ser usada como um sistema da identidade. As empresas Onename (https://onename.com/, acessado em 30/09/2016), BitHealth (http://devpost.com/software/bithealth, acessado em 30/09/2016) e Keybase (https://keybase.io/, acessado em 30/09/2016) usam o Blockchain para gerar uma identificação verificável.

As comunidades, sociedades, negócios e pessoas serão impactados pelo Blockchain, pois a tecnologia permite a realização de transações financeiras anônimas. O crescimento das criptomoedas vai também estimular comportamentos ilegais. Nos últimos anos o ataque Ransomware (https://pt.wikipedia.org/wiki/Ransomware, acessado em 30/09/2016) vem crescendo de popularidade por causa do sucesso da extorsão em Bitcoin.

Os mercados negros estão crescendo em popularidade, pois na chamada Dark Web (https://pt.wikipedia.org/wiki/Dark_web, acessado em 30/09/2016) os hackers estão comprando e vendendo em criptomoedas: (i) dados e informações roubadas, (ii) pragas de zero-day exploits, (iii) remédios controlados, (iv) drogas, (v) armas e (vi) escravos. As autoridades nacionais e internacionais responsáveis pelo cumprimento das leis estão rastreando as transações ilícitas que estão sendo realizadas na Dark Web, no entanto, o anonimato da identidade das criptomoedas está dificultando a identificação dos envolvidos.

Como o Blockchain é um sistema rico em dados, segurança e transparência, ele pode ser usado como uma plataforma de desenvolvimento para as empresas iniciantes e inovadoras. A Stampery (https://stampery.co/, acessado em 20/09/2016) é uma empresa valida os e-mails ou arquivos com um timbre usando a tecnologia Blockchain. A empresa Ethereum (https://www.ethereum.org/, acessado em 30/09/2016) é uma firma iniciante de Blockchain que oferece uma plataforma que facilita o desenvolvimento de Blockchains, criptomoedas e contratos inteligentes.


A Viacoin (https://viacoin.org/, acessado em 20/09/2016) é uma das empresas que usam os processos de câmara de compensação (clearinghouse, https://viacoin.org/blog/2014/10/14/blockchain-notary.html, acessado em 20/09/2016) para os serviços cartoriais. A empresa startup Mycelium (https://mycelium.com/, acessado em 30/09/2016) desenvolveu vários sistemas, dispositivos e cartões de débito para que os pontos de venda físicos possam receber pagamentos realizados com as criptomoedas. A empresa Storj (https://storj.io/, acessado em 20/09/2016) oferece um Blockchain baseado em plataforma ponto-a-ponto de armazenamento distribuído na nuvem que permite que os usuários transfiram e compartilhem dados sem a necessidade de acreditar em uma terceira parte provedora de infraestrutura.

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Blockchain e o sistema financeiro

Os estudos do mercado do sistema financeiro internacional e brasileiro revelaram que ocorreu no primeiro semestre do ano de 2016 um espetacular crescimento em relação ao mesmo período de 2015 da quantidade de grandes e conhecidos bancos, bolsas de valores e outras organizações provedoras de serviços financeiros (ou semi financeiros) que estão avaliando as suas estratégias futuras (triênio 2017 até 2020) tanto para as criptomoedas, como para a tecnologia Blockchain.

Foi revelado que a McKinsey estimou que o Brasil terá no ano de 2015 um ganho de 152 bilhões de dólares na economia pelo uso de transações digitais no setor financeiro.
Fonte: Economia brasileira pode ganhar R$ 495 bilhões com digitalização dos serviços financeiros, http://cio.com.br/noticias/2016/09/30/economia-brasileira-pode-ganhar-r-495-bilhoes-com-digitalizacao-dos-servicos-financeiros/, acessado em 30/09/2016.

Em 2016, a maioria dos provedores de serviços financeiros e semi financeiros percebeu que o modelo de livro razão público e descentralizado do Blockchain aumenta a resiliência e transparência do negócio. A criptomoeda deixou de ser vista como o objetivo final. O estudo "Mercado da tecnologia Blockchain no sistema financeiro" destacou a importância de conhecer e mitigar os riscos inerentes da tecnologia em relação aos aspectos técnicos e de competitividade.

As empresas do sistema financeiro estão começando a entender com mais clareza o potencial da tecnologia Blockchain para melhorar a sua eficiência operacional e para reduzir os riscos. A redução do prazo para a liquidação das operações, o estabelecimento de acordos com maior rapidez, a validação forte das identidades e a marcação da data e hora aumenta a conformidade e elimina as falhas e riscos introduzidos pelo fator humano nos acordos estabelecidos. Em outras palavras os custos são reduzidos, a qualidade é aumentada, os serviços entregues para os clientes são melhorados, o volume de receitas perdidas é reduzido e as disputas e atritos com os clientes são minimizadas.

A transparência oferecida pelo livro razão público e descentralizado do   Blockchain é capaz de aumentar a reputação positiva (credibilidade) das instituições financeiras em um ambiente de negócios onde os bancos e outros membros do sistema financeiro precisam oferecer transparência total tanto para as organizações e pessoas que estão do outro lado do comércio, como para os agentes reguladores, como para os investidores, como para os clientes.

A validação forte da identidade é uma aplicação que reduz o risco e aumenta a transparência. O compartilhamento das informações básicas da identidade com membros específicos da cadeia produtiva sem revelar as identidades (processo de investigação de todo o histórico das transações registradas no Blockchain realizado conforme a necessidade) aumenta o nível de confiança que os membros da cadeia de negócio ou pessoas depositam no provedor financeiro ou na outra parte interessada.

Os membros do sistema financeiro tradicionais sabem que a adoção mesmo que parcial das criptomoedas vai pressionar a atual estrutura de tarifas dos bancos. Isto significa que o sistema financeiro precisa entender como a infraestrutura trabalha e como é o funcionamento das transações.

Foi afirmado que a empresa japonesa de serviços de Bitcoin Coincheck anunciou em 2016 a solução Coincheck Denki, ou seja, os usuários poderão pagar as suas contas de luz usando o Bitcoin com descontos de até 6%.
Fonte: Japão aceitará pagamento de contas de luz em Bitcoin, http://olhardigital.uol.com.br/pro/noticia/japao-aceitara-pagamento-de-contas-de-luz-em-bitcoin/62483, acessado em 30/09/2016.
  
O conhecimento da tecnologia Blockchain é a chave que vai permitir que os bancos ofereçam novos serviços, reduzam as tarifas dos serviços existentes e eventualmente canibalizem as receitas geradas por eles. A adoção de uma criptomoeda ou de serviços baseados no Blockchain (serviços financeiros que exigem o compartilhamento descentralizado dos elementos de valor) vai gerar a necessidade de novas ofertas de serviços e produtos financeiros pelos bancos.

Foi revelado que os profissionais com experiência em tecnologia, startups ou empresas “ponto com” selecionados liderarão os projetos de transformação digital do banco Itaú.
Fonte: Itaú procura experts em tecnologia para programa digital, http://computerworld.com.br/itau-procura-experts-em-tecnologia-para-programa-digital, acessado em 30/09/2016.

É muito provável que no futuro próximo (até 2020), os bancos aumentem o preço das tarifas para os clientes das transações que usam meios de pagamento de baixa eficiência como o papel moeda (dinheiro tradicional) ou cheques. Como os membros do sistema financeiro frequentemente fazem comparações e aprendem uns com os outros é provável que todo o sistema financeiro trabalhe no mesmo formato. É evidente que as criptomoedas e o Blockchain vão gerar novos riscos competitivos para os bancos. Os bancos entendem que o cenário para o seu ambiente de negócios é de mudança radical. Em outras palavras, para eles as mudanças escancararão as suas portas em breve.  Na visão dos bancos as ações dos agentes reguladores que atuam dentro da sua área de jurisdição podem apenas fazer com que a adoção das tecnologias seja baixa e restrita no curto prazo.

Os bancos estão cientes dos desafios e querem fazer parte deste novo mundo. O objetivo deles é usar a tecnologia Blockchain para estabelecer vantagens competitivas e melhorar a sua reputação. O sistema financeiro entende que é possível reduzir o risco da concorrência futura com um pequeno investimento realizado em 2016 nas soluções inovadoras. Para os estrategistas dos bancos, a necessidade de elevada capacitação para a mão-de-obra vai gerar uma barreira para a entrada de novos entrantes. Os executivos dos bancos acreditam que a forte demanda por uma engenharia capacitada para enfrentar os novos desafios será um fator forte o suficiente para impedir o avanço das Fintechs (junção de Finanças com Tecnologia).

Foi revelado que o Marcelo Orticelli que é o diretor da área de pessoas do banco Itaú afirmou que a instituição está procurando por especialistas criativos, antenados e que tenham espírito empreendedor.
Fonte: Itaú procura experts em tecnologia para programa digital, http://computerworld.com.br/itau-procura-experts-em-tecnologia-para-programa-digital, acessado em 30/09/2016.

As organizações do sistema financeiro tradicional estão em acirrada competição para contratar talentos que são capazes de produzir inovações. Para conseguir atrair e reter os talentos, os bancos estão criando centros de excelência e laboratórios de inovação nas cidades com elevada concentração de profissionais capacitados e preparados. A combinação do desejo empresarial em atrair e reter os talentos em conjunto com o elevado conhecimento acumulado nos centros de excelência e laboratórios de inovação cria um ambiente excitante para que as novas tecnologias sejam trabalhadas sem que existam riscos exagerados de perda de talentos recrutados.

As chaves que habilitam este novo cenário são a retenção dos talentos e o fim do preconceito contra o cabelo branco. Por causa do novo cenário do ambiente de negócios, tem muito sentido a movimentação mais ousada e arrojada das instituições financeiras mais solidas e tradicionais para a contratação dos melhores perfis profissionais da engenharia de inovação.

Os agentes reguladores das principais economias do mundo estão desenvolvendo ferramentas para que tecnologias como o Blockchain sejam controladas, tributadas e monitoradas. Os bancos e outros provedores de serviços financeiro entendem que o conhecimento sobre as criptomoedas dos agentes reguladores é mais avançado do que o conhecimento existente nos bancos. Os bancos acreditam que as normas e regulamentações das criptomoedas e Blockchain podem mudar o formato da adoção das novas tecnologias, por isto eles estão monitorando de perto o ambiente regulatório para que não enfrentem dificuldades com as novos regras e leis.

Os fundamentos técnicos das criptomoedas e dos protocolos da infraestrutura do Blockchain habilitam as mudanças nos produtos e serviços financeiros oferecidos pelas instituições financeiras.  A tecnologia está sendo utilizada para a distribuição, monitoração e regulamentação dos produtos e serviços financeiros com o objetivo de reduzir o risco total da operação da instituição financeira. É muito provável que até o final do ano de 2020, a tecnologia Blockchain estará presente no dia-a-dia das pessoas alterando por completo a forma como os clientes realizam as suas transações comerciais, como as identidades são verificadas, como as instituições financeiras interagem entre elas e como as taxas e tarifas bancárias serão definidas e cobradas.

Todas as organizações que atuam no sistema financeiro tradicional conhecem e entendem o impacto potencial que a tecnologia Blockchain é capaz de causar no seu negócio atual. O atual nível de movimentação dos bancos em relação ao assunto é consequência do fato que eles não querem “serem pegos com a calça na mão” no momento da disrupção tecnológica. As instituições que agarrarem em 2016 as oportunidades geradas pelas mudanças vão conseguir estabelecer estratégias inteligentes para desenvolver ideias inovadoras com as novas tecnologias e serão capazes de trabalhar no momento da disrupção tecnologia em um modelo de negócio mais lucrativo que o atual. O novo modelo de trabalho destas organizações vai permitir tanto uma forte redução no risco operacional total, como uma melhor e mais rápida identificação das novas oportunidades de crescimento.

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Riscos da adoção da tecnologia Blockchain

Os seis principais riscos para a adoção da tecnologia Blockchain estão relacionados com as mudanças de comportamento, com a escalabilidade da cadeia, com o bootstrapping, com as regulamentações dos governos, com as fraudes e com a computação quântica

Mudanças de comportamento. Existem resistências contra as mudanças. No mundo de uma terceira parte acreditadora não tangível, que o Blockchain introduz, os clientes precisam se acostumar com o fato de que as transações eletrônicas são seguras, garantidas e completas. Os intermediários como Visa e Mastercard (setor de cartão de crédito) vão ter que mudar os seus papéis e responsabilidades. Eles vão investir nos próximos anos nas mudanças para as plataformas baseadas no Blockchain para continuar oferecendo os seus serviços de relacionamento com os clientes.

Escalabilidade. A escalação dos nascentes serviços baseados no Blockchain apresenta vários desafios importantes. Na primeira transação usando o Blockchain, o usuário precisará baixar o conjunto completo dos Blockchains existentes e validar eles antes de realizar a sua primeira transação. Este processo pode levar várias horas porque o número de blocos aumenta exponencialmente.

Bootstrapping (conjunto de atividades que são executadas antes do Blockchain ser executado). A movimentação dos contratos ou documentos (ou estruturas) de negócio existentes para o novo Blockchain com base na metodologia atual exige a execução de um conjunto expressivo de tarefas de migração. Por exemplo, os documentos de posse ou hipoteca dos imóveis que estão registrados nos cartórios precisam ser migrados de forma equivalente para o Blockchain. Estas atividades demandam por tempo e custam dinheiro.

Regulamentações dos governos. No novo mundo das transações baseadas no Blockchain, as agências de controle e regulamentações como FTC (Federal Trade Commission), SEC (Securities and Exchange Commission), CVM (Comissão de Valores Mobiliários), Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e etc. podem reduzir a sua velocidade de adoção pela criação de novas leis para monitorar e regulamentar a indústria para assegurar a conformidade. Nos países onde as pessoas acreditam na efetividade operacional destas agencias, a participação delas no Blockchain pode ajudar na sua adoção. Nos países onde as agencias são desacreditadas, a participação delas vai atrapalhar a adoção do Blockchain.

Fraudes. Como a natureza das transações do Blockchain são pseudoanônimas e existem facilidades para a movimentação de valores, os fraudadores podem usar a rede Blockchain para atividades criminosas como a lavagem de dinheiro. No entanto, as agências podem criar regulamentos, leis e soluções que sejam suficientes para monitorar e processar os criminosos.


Computação Quântica (Quantum Computers: The End of Cryptography?, http://www.makeuseof.com/tag/quantum-computers-end-cryptography/, acessado em 22/09/2016).  A base de sustentação da tecnologia Blockchain é a crença no fato de que é matematicamente impossível para um único computador executar o sistema completo por causa da falta de capacidade de processamento computacional. Os computadores quânticos podem no futuro quebrar facilmente as chaves de criptografia através da força bruta dentro de um prazo razoável. Se isto acontecer, o sistema será derrubado. É evidente que no futuro as chaves de criptografia podem evoluir com a computação quântica (https://pt.wikipedia.org/wiki/Computa%C3%A7%C3%A3o_qu%C3%A2ntica, acessado em 22/09/2016) para um outro patamar de potencialidade onde os computadores quânticos só consigam quebrar as chaves de criptografia via força bruta em prazos muito grande.

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Que venha o Vendor Relationship Management (VRM)


Muita gente conhece o Customer Relationship Management (CRM) que é a gestão de relacionamento com os clientes realizada pelas empresas. No entanto, poucos conhecem o Vendor Relationship Management (VRM) que é uma categoria de atividade de negócio habilitada por ferramentas de software que tem por objetivo oferecer para os clientes pessoas físicas e jurídicas independência dos vendedores e melhorar o significado do engajamento. As ferramentas podem ser utilizadas pelas pessoas físicas e jurídicas no seu relacionamento com as instituições públicas e organizações privadas. A primeira vista pode parecer que o blog itgovrm quer adicionar mais uma sigla na sopa de letras do gerenciamento. Mas não é. O VRM é um conceito de enorme importância e relevância para todos que compram produtos e serviços.

Recentemente estive envolvido em um episódio que me deixou profundamente chateado. Uma operadora de telefonia resolveu fazer débitos diários de R$ 2,78 pela contratação do serviço VO-Upstream (Mini Promos 3) - Assinatura Megapromo - Cat.6. A operadora realizou estes débitos de 11/05/2016 até 05/08/2016 perfazendo um total de R$ -241,86.

Quando os débitos foram percebidos pelo cliente em 05/08/2016 foi aberta uma reclamação junto a operadora e os débitos foram encerrados em 05/08/2016. A operadora afirmava de pés juntos que o usuário havia contratado o serviço. No entanto, ela foi incapaz de apresentar qualquer tipo de comprovação desta contratação. É algo surpreendente porque a Anatel (https://sistemas.anatel.gov.br/sis/cadastrosimplificado/pages/acesso/login.xhtml?i=0&codSistema=649) tem no seu site no canal de reclamações o item “Inclusão indevida em promoção” que induz que a prática de empurrar um serviço e debitar valores do cliente não é novidade para a Agência Nacional de Telecomunicações e faz parte da rotina das operadoras de telefonia móvel.

Ao receber estas reclamações a Anatel deveria agir na defesa do sistema público de telefonia móvel inabilitando as empresas que usam tais expedientes. Enfim é mais uma agência que é incapaz de cumprir o seu papel. Eu pessoalmente já fui vítima deste esquema. Eu recebi uma ligação ofertando serviços de telefonia móvel. A ligação foi desligada alguns segundos após do meu atendimento e imediatamente recebi vários SMSs informando a contração de serviços e início do débito. Liguei para a operadora informando tal fato e a atendente da operadora agiu como se eu estivesse cancelando algo que contratei. Mesmo sendo informada de forma clara e objetiva que inexistiu tal aceitação e contratação ela simplesmente me ignorava. Fez apenas o cancelamento e estorno dos valores cobrados e foi incapaz de explicar como ocorreu a contratação de um serviço não solicitado e não autorizado.

Eu pesquisei na Internet casos iguais ao do serviço VO-Upstream (Mini Promos 3) - Assinatura Megapromo - Cat.6 e encontrei aqui e ali relatos e processos mostrando que é o caso é comum e recorrente. Existe tanta repetição da mesma reclamação que parece que tal prática faz parte da estratégia de negócio. Eu lamento pelas pessoas que trabalham nesta empresa. Não é à toa que a mesma é incapaz de inovar e produzir resultados relevantes. Eu teria vergonha de trabalhar nesta organização. Eu teria vergonha de apresentar um cartão de visitas desta firma para profissionais de mercado. Eu não comprometeria a minha carreira profissional trabalhando em uma organização com valores éticos tão escassos.


O Vendor Relationship Management é um sistema onde os compradores expressam para uma grande base integrada de potenciais compradores a sua experiência com um determinado vendedor. Muito melhor que o código de defesa do consumidor, Procon, agências reguladoras e etc. o VRM é capaz de expulsar do mercado quem escolhe como modelo de negócio a enganação e a desonestidade. Empresas que praticam fraudes diariamente serão expulsas do mercado pela facilidade de comunicação que o sistema de VRM oferece para todos os clientes pessoas físicas e jurídicas. Que o VRM chegue logo ao mercado brasileiro.

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Negócio de um centavo ou de um milhão ou de um bilhão? Você escolhe.

Desde 2007 as minhas atividades profissionais estiveram focadas no escritório de projetos para megaeventos. Com o encerramento dos jogos em agosto de 2016 este ciclo foi encerrado. A partir de setembro estou trabalhando em novos desafios e tenho disponibilidade para participar dos eventos, encontros e reuniões que estava afastado desde 2009.

No mais recente reencontro estive com um grupo de cerca de 80 jovens formados em contabilidade e finanças. Nestes eventos muitos consultam o meu histórico de resultados dos projetos e invariavelmente iniciam o encontro perguntando o que deve ser feito para ter um negócio de um milhão. Como sou frequentemente questionado sobre este tema eu já tenho um roteiro pronto onde exemplifico de forma genérica as oportunidades existentes no mercado. Para este grupo em particular eu tinha preparado o roteiro com base nas oportunidades geradas pela tecnologia Blockchain.

Na hora que estava abrindo a apresentação eu resolvi mudar tudo e improvisar. Pensei comigo: Porque não discutir uma oportunidade prática e real e colocar os pingos nos is? O meu novo ciclo profissional permite mudanças como esta. Então resolvi perguntar para o grupo: O que aconteceria para o seu negócio de contador se você oferecesse os seus serviços de graça para as pessoas jurídicas e físicas?

Como era esperado deu-se início a um acalorado debate onde aspectos de valorização do trabalho do contador e computação cognitiva e inteligência artificial substituindo o trabalho do contador foram abordados com entusiasmo. No momento em que os espíritos foram serenados eu resolvi tomar o controle da palavra e partir para as explicações. Era bastante claro que oferecer a contabilidade de graça iria aumentar tanto a quantidade de clientes, como a de trabalho realizado (mesmo nas situações onde o computador executaria a maior parte das atividades). O que eu estava propondo para estes empreendedores era encontrar uma forma diferente para rentabilizar o seu trabalho.

O desafio era como gerar dinheiro quando o seu cliente não paga nada pelo serviço recebido. Diante da falta de respostas da plateia eu lembrei de uma empresa chamada Waze. Esta empresa que entregava os seus serviços de graça para os clientes conseguiu a façanha de quebrar empresas gigantescas como a empresa Nokia. O segredo que não tem nada de secreto é saber diferenciar dado de informação. A empresa Waze recebia dados e os processava gerando informações. Estas informações valiam bilhões de dólares. Foi assim que um negócio de um centavo virou um negócio de bilhão.

No caso dos contadores eles terão acesso a uma grande quantidade de dados contábeis das empresas e eles poderão transformar estes dados em valiosas informações. A contabilidade registra os números históricos das empresas, ou seja, o passado. Ela também registra os números futuros como contas a pagar ou a receber. Ao construir uma grande base de dados da contabilidade das empresas, os contadores poderão identificar através do Big data as tendências futuras da economia local, regional ou nacional. São informações sobre vendas realizadas que ainda não estão disponíveis ao mercado, pois o balanço das grandes empresas é divulgado à posteriori. São informações preciosas sobre o nível de inadimplência do mercado, investimentos realizados e etc. É possível com base nos dados recebidos de graça gerar informações que valem bilhões para o mercado financeiro.

Este é o caminho para transformar a renda de escritório de contabilidade de alguns milhares de reais por mês para alguns milhões. O que aconteceria se estes contadores que empreendem individualmente fossem reunidos em uma grande plataforma nacional? Certamente estaríamos falando de um unicórnio (startup de um bilhão de dólares).

As informações adquiriram um enorme valor para todas as profissões na era do conhecimento. As máquinas inteligentes podem chegar ao Brasil para substituir profissionais como contadores, advogados, escritores e etc. ou podem ser usadas como plataformas para a criação de negócios empolgantes. É tudo uma questão de escolha.


Ao contrário do que muitos imaginam, as inovações não precisam ser feitas com novos apps, softwares e etc. Elas podem vir de novos modelos de negócio. Estamos no momento oportuno para mudar paradigmas e gerar novos tipos de negócios. Alguns deles serão de um centavo, outros de um milhão e outros de um bilhão. O empreendedor escolhe.

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Diversidade força de trabalho - time multigeracional

Um time multigeracional oferece diversos caminhos para observar e endereçar os desafios de um problema ou projeto. Ou em outras palavras quanto mais pensamentos você tem, maior é a sua vantagem competitiva (Why a multi-generational team is key to business success, http://www.techrepublic.com/article/why-a-multi-generational-team-is-key-to-business-success/, acessado em 30/08/2016).

O estudo "Leading—and successfully managing" do Boston College Center for Work & Families (https://www.bc.edu/content/dam/files/centers/cwf/research/publications/pdf/MultiGen_EBS.pdf, acessado em 30/08/2016) revelou que uma força de trabalho intergeracional é um fator imperativo para o sucesso dos negócios.

O artigo “Myth busted: Older workers are just as tech-savvy as younger ones, says new survey” (http://www.techrepublic.com/article/myth-busted-older-workers-are-just-as-tech-savvy-as-younger-ones-says-new-survey/, acessado em 30/08/2016) desmascara o paradigma exaustivamente repetido no Brasil que a geração digital tem mais facilidade em usar a tecnologia. Foi afirmado que 13% dos profissionais acima de 55 anos tinham dificuldades em usar os vários dispositivos digitais disponíveis no mercado, ao passo que 37% dos profissionais entre 18 e 34 anos tinham dificuldades com os diversos dispositivos digitais. É um paradigma importante que foi rompido pela realidade dos fatos.

No artigo “Why a multi-generational team is key to business success” foi afirmado que a criatividade e a inovação não são habilidades exclusivas dos jovens. Os ganhadores do prêmio Nobel em geral têm idade acima dos 23 anos.

O atual momento do mercado brasileiro exige qualificações. As empresas que estão buscando oportunidades no Brasil e exterior precisam contratar conforme o conjunto de qualificações e habilidades exigidas para a função. As firmas precisam conversar com os profissionais gabaritados independente da sua idade.


Muitas firmas falam que não chamam os profissionais mais velhos por causa do valor do salário pedido. É uma grande tolice tal procedimento em um pais com 12 milhões de desempregados. A empresa mais inteligente simplifica o assunto. Ela estabelece quanto pode pagar pela função e oferece para o melhor capacitado. O profissional mais velho escolhido pode aceitar ou não a oferta. É um processo muito mais simples do que adivinhar o pensamento das pessoas. É a hora do mercado nacional entender que as várias perspectivas, habilidades e níveis de experiência permitem a geração e desenvolvimento de melhores projetos e resultados para a empresa.

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Ransomware

Há alguns anos atrás eu fui vítima de um ataque de Ransomware. Eu estava navegando por alguns sites suspeitos quando explodiu uma tela de violação de leis americanas e instruções de pagamento de multa. Como eu não havia perpetrado as violações mencionadas eu fiquei indignado. Como desligar e ligar o computador não resolvia nada eu cogitei por alguns instantes pagar as multas e recuperar o acesso aos meus arquivos. O meu computador era protegido por firewall e antivírus e isto me levou a acreditar que tinha feito algo errado. Usando um computador antigo consegui descobrir que não havia infringindo lei alguma e eu estava sendo vítima de um ataque de Ransomware.

Como fiquei desesperado eu apertei a esmo sequências de teclas para recuperar o acesso ao computador. Por um lance de pura sorte descobri com um Ctrl C que existia uma janela dos executando um script que era a origem do ataque. Consegui então injetar alguns comandos e interromper a execução do script. Com isto descobri onde ele estava fisicamente e um simples delete retornou o meu acesso ao computador. Em 2016 este tipo de ataque perdeu o espírito amador e virou um negócio. Por isto é muito importante saber o que fazer antes de ataque assim e identificar o mesmo o mais rápido possível. O ataque de Ransomware inicia de forma invisível para o usuário. Ele começa com a troca de uma chave de criptografia e a criptografia dos arquivos durante a ociosidade do computador. Durante alguns meses o ataque acontece apenas criptografando os arquivos e liberando o seu acesso. Pessoas mais atentas vão perceber uma progressiva lentidão do computador.

Por isto é importante manter em disco externo o backup dos arquivos em base anual, ou seja, um backup de cada uma das semanas por um ano. No caso de um ataque é possível restaurar uma cópia não criptografada e continuar o trabalho a partir deste ponto. Existem perdas que podem ser bem chatas neste estratagema. É melhor do que nada, mas não é uma solução agradável, pois existirão perdas. Mesmo com firewall, antivírus e outras ferramentas de proteção é possível ser atacado pelo Ransomware. Ele pode vir até mesmo de uma rede supostamente segura. Isto significa que é importante estabelecer medidas preventivas e mitigatórias ao ataque. É de fundamental relevância que a empresa debata internamente o que deve fazer em um ataque de Ransomware. Se deve pagar o resgate ou não.

Foi afirmado que o mercado de Ransomware cresceu tão rapidamente que o ataque é oferecido como um serviço.
Fonte: Ransomware-as-a-service is exploding: Be ready to pay, http://www.techrepublic.com/article/ransomware-as-a-service-is-exploding-be-ready-to-pay/, acessado em 22/08/2016.

Como os ataques de Ransomware estão crescendo no mundo inteiro já existindo inclusive a modalidade Ransomware as a Service (RaaS) é preciso ter certeza se ele está mesmo ocorrendo. Os ataques normalmente pedem resgastes em bitcoins, por isto desconfie quando receber instruções em outras moedas. Alguns ataques são amadores e parecem ser um Ransomware. Use as combinações para parar os programas como Ctrl C e Ctrl break para ver ser algo acontece no computador infectado.

Ao ter certeza do ataque desconecte imediatamente este computador da rede com e sem fio. Verifique as instruções contra o Ransomware nos sites dos fabricantes de antivírus, pois em 30% dos casos as chaves de criptografia usadas pelo ataque já foram quebradas e é possível recuperar os arquivos. Se nada funcionar é importante acionar a polícia e reportar o caso. Nesta situação existem poucas alternativas restantes. Uma delas é pagar o resgate. A outra é usar o backup e assumir algumas perdas. Sempre use o caso para aprender as lições oferecidas. Mesmo que as lições sejam amargas e dolorosas.

Para prevenir um ataque de Ransomware a primeira medida é mapear todos os ativos digitais da empresa. Tenha em local isolado a descrição e data de criação de todos os ativos digitais. Muitas vezes as pessoas não sabem o que foi atacado e o seu valor. A segunda medida é manter atualizado todos os sistemas operacionais e de proteção. Inclua os celulares nesta medida. A terceira ação e fazer backup semanal de todos os ativos digitais que são relevantes. Mantenha o backup fora da rede. Lembre-se que backup em nuvem não é backup fora da rede. A nuvem é parte da sua rede. A quarta medida é segmentar a rede de forma a ter os ativos digitais importantes em região de rede de acesso restrito e controlado. Muitas vezes isto salva os seus ativos de ataques.

A quinta medida é provavelmente a mais importante. Treine permanentemente a sua equipe de colaboradores em relação a segurança digital. Só contrate pessoas para qualquer setor da empresa com histórico de preocupação com segurança. Normalmente o ataque de Ransomware começa com a abertura de um simples anexo de e-mail. Muitas vezes os atacantes ligam para a empresa se identificando como funcionário e pedem para a pessoa abrir o anexo de um e-mail que parece ser legítimo. Treine muito a sua equipe. Tenha situações de controle interno ativas permanentemente.  A sexta medida é ignorada em diversas situações. Avise sempre a sua equipe que a rede e computadores estão sendo atacados e informe o que deve ser feito.

Leituras recomendadas:


The 7 best ransomware removal tools - how to clean up Cryptolocker, CryptoWall and extortion malware, http://www.techworld.com/security/7-best-ransomware-removal-tools-how-clean-up-cryptolocker-cryptowall-extortion-malware-3626974/, acessão em 22/08/2016.