quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Terra da Fantasia

No Brasil, existem pessoas que vivem no mundo da fantasia. Um dos sonhos mais clássicos é a declaração do Paulo Guedes em 2019 (Guedes: Valor de estatais a serem privatizadas vai para mais de R$ 1 tri, https://economia.uol.com.br/noticias/estadao-conteudo/2019/04/09/vai-para-mais-de-r-1-tri-o-valor-de-estatais-a-serem-privatizadas-diz-guedes.htm, acessado em 07/10/2026).

 

A realidade das privatizações foi de R$ 227 bilhões (Guedes consegue menos de um quarto do prometido com venda de estatais, https://economia.ig.com.br/2021-12-26/guedes-um-trilhao-venda-estatais.html).

 

Todo mundo sabia em 2019, que a narrativa do trilhão não seria realizada. Mesmo assim, uma grande parte da sociedade brasileira propagou o sonho da narrativa (no meu ponto de vista um felino nomeado como ministro teria alcançado no mínimo o dobro do realizado).

 

Em 2026, tivemos mais um caso dos que vivem em sonhos. Um assessor de um candidato à presidência da república afirmou um corte de R$ 200 bi nas despesas do governo com forte queda do prêmio de risco e da curva de juros (Assessor de Flávio propõe mudanças na Constituição para cortes de até R$ 200 bi e causa ruído na campanha, https://www1.folha.uol.com.br/colunas/monicabergamo/2026/10/assessor-de-flavio-propoe-mudancas-na-constituicao-para-cortes-de-ate-r-200-bi-e-causa-ruido-na-campanha.shtml#comentarios).

 

Todos sabem que eliminação de ministérios, cortes nos supersalários (recomendo procurar pelo caçador de marajás – Fernando Color de Melo) etc. não vão gerar tal economia e que os juros acima de 1 trilhão não serão resolvidos com palavras de ordem sem sentido real.

 

É fato reconhecido que os credores do Brasil têm historicamente baixo nível de confiança nas afirmações dos gestores e por isto cobram um prêmio extra para financiar a dívida pública.

 

O evangelizador do Service Desk entrou na onda das fantasias e encontrou conexões em frases isoladas. Mais ainda, passou a defender precificação sem critérios objetivos.

 

Precificação sem critérios quantitativos, sem comunicação com os custos geram preços com base no mercado que podem ou não representar lucro.

 

Ou podem gerar algo pior. Preços completamente fora do mercado. Nos dois casos estamos falando de CNPJs indo para as cucuias. Poucos ou nenhum sobreviverão a onda da inteligência artificial.

 

Para exemplificar o que isto significa, vamos criar a empresa Oxicurium com apenas três pessoas. Um comprador, um vendedor e um gestor de tecnologia.

 

O gestor de tecnologia contratou um serviço de uma MSP que pratica preço média do mercado em que o atendimento de um chamado ocorre em até 2 horas, porque o orçamento disponível só permite este nível de gasto (a organização tem diversas despesas e precisa ter um orçamento equilibrado).

 

O comprador classifica como bom a qualidade do atendimento em até 2 horas, porque a sua rotina diária não é impactada por tal nível de entrega do serviço.

 

O vendedor que vive das comissões das vendas dos produtos da empresa classifica como péssimo o atendimento em até duas horas da MSP, porque a sua rotina é fortemente impactada pela espera e como consequência a sua renda mensal é baixa.

 

No mundo real, temos a situação em que um contrata o que o orçamento permite, outro considera o serviço bom e outro considera o serviço péssimo.

 

São três experiências de usuários para a mesma entrega. A MSP trabalha com critérios qualitativos (XLA). Em resumo, os três sócios da Oxicurium estarão em conflito eterno e a MSP nunca saberá qual é a realidade das suas entregas, pois ela usa apenas parâmetros qualitativos nas suas análises.

 

O Brasil já perdeu um incontável número de janelas de oportunidade de gerar riquezas (pesquise sobre a reserva de informática no Brasil e veja quanto foi perdido).

 

Quando em um evento é apresentada um caso em que a inteligência artificial não foi usada e tal situação é aplaudida é sinal de que a janela de oportunidade da inteligência artificial fará parte do rol de oportunidades perdidas pelo Brasil.

 

Exemplo da janela perdida do carro elétrico:

 

O artigo “Lula sinaliza dúvida sobre viabilidade de carro elétrico” (https://www.gazetadopovo.com.br/economia/lula-sinaliza-duvida-sobre-viabilidade-de-carro-eletrico-2vbqvfy4w8j2ji53muauwok0e/), publicado em 2010, revelou que a viabilidade do carro elétrico foi questionada no Brasil.

 

Em 2024, o presidente da Renault do Brasil afirmou que a transição para carros elétricos no Brasil será longa (Transição para carro elétrico será longa no Brasil, diz CEO da Renault, https://www.brasilagro.com.br/conteudo/transicao-para-carro-eletrico-sera-longa-no-brasil-diz-ceo-da-renault.html).

 

Em 2026, o presidente da Stellantis para a América do Sul afirmou que as montadoras no Brasil erraram a velocidade da eletrificação e estão perdendo terreno para as chinesas ('Ninguém conseguia prever': chefe da Stellantis admite erro do setor diante da disparada chinesa, https://g1.globo.com/carros/noticia/2026/10/07/ninguem-conseguia-prever-chefe-da-stellantis-admite-erro-do-setor-diante-da-disparada-chinesa.ghtml).

 

No passado, a Amazon entrou no Brasil e em pouco tempo levou para a lona empresas gigantes. Fenômeno similar ocorreu com o carro elétrico e estamos vendo empresas que não trabalham com números reais sendo engolidas pela inteligência artificial.

 

Para os que falam da invasão chinesa é bom observar a invasão coreana na moda, nos perfumes, nos restaurantes etc.

 

 

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