No Brasil, existem pessoas que vivem no mundo da fantasia. Um dos sonhos mais clássicos é a declaração do Paulo Guedes em 2019 (Guedes: Valor de estatais a serem privatizadas vai para mais de R$ 1 tri, https://economia.uol.com.br/noticias/estadao-conteudo/2019/04/09/vai-para-mais-de-r-1-tri-o-valor-de-estatais-a-serem-privatizadas-diz-guedes.htm, acessado em 07/10/2026).
A
realidade das privatizações foi de R$ 227 bilhões (Guedes consegue menos de um
quarto do prometido com venda de estatais, https://economia.ig.com.br/2021-12-26/guedes-um-trilhao-venda-estatais.html).
Todo
mundo sabia em 2019, que a narrativa do trilhão não seria realizada. Mesmo
assim, uma grande parte da sociedade brasileira propagou o sonho da narrativa
(no meu ponto de vista um felino nomeado como ministro teria alcançado no mínimo
o dobro do realizado).
Em 2026, tivemos
mais um caso dos que vivem em sonhos. Um assessor de um candidato à presidência
da república afirmou um corte de R$ 200 bi nas despesas do governo com forte
queda do prêmio de risco e da curva de juros (Assessor de Flávio propõe
mudanças na Constituição para cortes de até R$ 200 bi e causa ruído na campanha,
https://www1.folha.uol.com.br/colunas/monicabergamo/2026/10/assessor-de-flavio-propoe-mudancas-na-constituicao-para-cortes-de-ate-r-200-bi-e-causa-ruido-na-campanha.shtml#comentarios).
Todos
sabem que eliminação de ministérios, cortes nos supersalários (recomendo
procurar pelo caçador de marajás – Fernando Color de Melo) etc. não vão gerar
tal economia e que os juros acima de 1 trilhão não serão resolvidos com
palavras de ordem sem sentido real.
É fato
reconhecido que os credores do Brasil têm historicamente baixo nível de
confiança nas afirmações dos gestores e por isto cobram um prêmio extra para
financiar a dívida pública.
O
evangelizador do Service Desk entrou na onda das fantasias e encontrou conexões
em frases isoladas. Mais ainda, passou a defender precificação sem critérios
objetivos.
Precificação
sem critérios quantitativos, sem comunicação com os custos geram preços com
base no mercado que podem ou não representar lucro.
Ou podem
gerar algo pior. Preços completamente fora do mercado. Nos dois casos estamos
falando de CNPJs indo para as cucuias. Poucos ou nenhum sobreviverão a onda da
inteligência artificial.
Para
exemplificar o que isto significa, vamos criar a empresa Oxicurium com apenas
três pessoas. Um comprador, um vendedor e um gestor de tecnologia.
O gestor
de tecnologia contratou um serviço de uma MSP que pratica preço média do
mercado em que o atendimento de um chamado ocorre em até 2 horas, porque o
orçamento disponível só permite este nível de gasto (a organização tem diversas
despesas e precisa ter um orçamento equilibrado).
O
comprador classifica como bom a qualidade do atendimento em até 2 horas, porque
a sua rotina diária não é impactada por tal nível de entrega do serviço.
O
vendedor que vive das comissões das vendas dos produtos da empresa classifica
como péssimo o atendimento em até duas horas da MSP, porque a sua rotina é
fortemente impactada pela espera e como consequência a sua renda mensal é
baixa.
No mundo
real, temos a situação em que um contrata o que o orçamento permite, outro
considera o serviço bom e outro considera o serviço péssimo.
São três
experiências de usuários para a mesma entrega. A MSP trabalha com critérios
qualitativos (XLA). Em resumo, os três sócios da Oxicurium estarão em conflito
eterno e a MSP nunca saberá qual é a realidade das suas entregas, pois ela usa
apenas parâmetros qualitativos nas suas análises.
O Brasil
já perdeu um incontável número de janelas de oportunidade de gerar riquezas (pesquise
sobre a reserva de informática no Brasil e veja quanto foi perdido).
Quando em
um evento é apresentada um caso em que a inteligência artificial não foi usada
e tal situação é aplaudida é sinal de que a janela de oportunidade da inteligência
artificial fará parte do rol de oportunidades perdidas pelo Brasil.
Exemplo
da janela perdida do carro elétrico:
O artigo “Lula
sinaliza dúvida sobre viabilidade de carro elétrico” (https://www.gazetadopovo.com.br/economia/lula-sinaliza-duvida-sobre-viabilidade-de-carro-eletrico-2vbqvfy4w8j2ji53muauwok0e/),
publicado em 2010, revelou que a viabilidade do carro elétrico foi questionada
no Brasil.
Em 2024,
o presidente da Renault do Brasil afirmou que a transição para carros elétricos
no Brasil será longa (Transição para carro elétrico será longa no Brasil, diz
CEO da Renault, https://www.brasilagro.com.br/conteudo/transicao-para-carro-eletrico-sera-longa-no-brasil-diz-ceo-da-renault.html).
Em 2026,
o presidente da Stellantis para a América do Sul afirmou que as montadoras no
Brasil erraram a velocidade da eletrificação e estão perdendo terreno para as
chinesas ('Ninguém conseguia prever': chefe da Stellantis admite erro do setor
diante da disparada chinesa, https://g1.globo.com/carros/noticia/2026/10/07/ninguem-conseguia-prever-chefe-da-stellantis-admite-erro-do-setor-diante-da-disparada-chinesa.ghtml).
No passado,
a Amazon entrou no Brasil e em pouco tempo levou para a lona empresas gigantes.
Fenômeno similar ocorreu com o carro elétrico e estamos vendo empresas que não
trabalham com números reais sendo engolidas pela inteligência artificial.
Para os
que falam da invasão chinesa é bom observar a invasão coreana na moda, nos perfumes,
nos restaurantes etc.
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