Um dos grandes desafios da organização de TI no Brasil é a demonstração dos resultados entregues. Em geral as promessas são grandiosas e as corporações de todos os tamanhos enxergam resultados minúsculos.
O problema
dos resultados entregues não é uma exclusividade da organização de TI no
Brasil. Infelizmente é um problema bem mais amplo que abrange diversos setores
da sociedade.
Em 2019,
a reforma da previdência foi prometida como uma solução de crescimento do PIB e
de contenção do déficit orçamentário. No entanto em 2025, as despesas ultrapassaram
a casa de 8% do PIB e o governo federal aportou mais de R$ 320 bilhões, ou seja,
crescimento de R$ 17 bilhões em relação ao ano de 2024.
As previsões
de envelhecimento da população e expectativa de vida dos brasileiros estavam
subestimadas na reforma de 2019 e a nova previsão é de que o número de
aposentados dobre nos próximos 30 anos e a quantidade de pessoas que pagam a
contribuição previdenciária permaneça a mesma, ou seja, uma nova reforma previdenciária
será necessária apenas seis anos após a reforma de 2019.
Um outro
caso emblemático é a reforma trabalhista de 2017. Um dos resultados prometidos era
a redução da judicialização trabalhista. Em 2018 realmente ocorreu uma redução de
36,06% na quantidade de ações trabalhista em relação ao mesmo período do ano de
2017.
No
entanto desde o ano de 2021, o crescimento de novos processos tramitando na
Justiça do Trabalho é de 50%, ou seja, a promessa de 2017 não foi entregue.
Citei estes
dois casos, mas poderia citar outros milhares, pois é extremamente comum no
Brasil termos promessas de resultados que não são entregues.
A causa
raiz dos erros é sempre o mesmo, estimativas pobres e irrealistas das promessas.
Infelizmente a organização de TI embarcou neste barco há muito tempo e não
consegue apresentar promessas de resultados realistas. Por isto, é comum
encontrar situações onde a gestão de tecnologia tem que trabalhar com recursos
insuficientes para a execução das suas atividades e iniciativas.
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