quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Fracassos na Implementação de Sistemas Inteligentes para Seleção de Projetos e Investimentos: Exemplos Detalhados

A adoção de sistemas inteligentes voltados à seleção de projetos e investimentos, embora repleta de potencialidades, tem apresentado desafios expressivos, especialmente no que se refere à sua implementação e operacionalização.

 

Multinacional do Setor Energético: O viés dos dados históricos

 

Nesta corporação de grande porte, o objetivo era automatizar o processo de seleção de projetos de expansão por meio de um sistema inteligente baseado em aprendizado de máquina.

 

O desenvolvimento envolveu a integração de bases de dados internas e externas, com o intuito de criar um mecanismo capaz de identificar as oportunidades estrategicamente vantajosas.

 

No entanto, o modelo foi treinado predominantemente com dados de projetos anteriores, concentrados em regiões já saturadas e de perfil similar ao das iniciativas passadas.

 

Tal escolha levou a um viés significativo: o sistema passou a recomendar, sistematicamente, investimentos em setores e áreas geográficas de retorno decrescente, ignorando novas possibilidades e tendências emergentes.

 

O resultado foi a priorização de projetos considerados de baixo retorno financeiro e elevado risco operacional.

 

Após a identificação do viés, foi necessário reestruturar o modelo e a base de dados, ocasionando atrasos e custos adicionais para a empresa, além de danos à imagem da área de inovação.

 

Instituição Financeira: Supervalorização de setores disruptivos e prejuízos

 

Uma instituição financeira de médio porte, buscava aprimorar a análise e priorização de investimentos em empresas iniciantes usando um sistema inteligente desenvolvido por consultoria especializada.

 

O sistema foi parametrizado para identificar oportunidades em segmentos tecnologicamente avançados, como inteligência artificial, fintechs e biotecnologia.

 

No entanto, a lógica adotada desconsiderou os aspectos relacionados com o elevado nível de incerteza do mercado e com o grau de maturidade das empresas iniciantes.

 

Os algoritmos supervalorizaram as empresas em setores disruptivos, sem filtros adequados para os riscos, o histórico de gestão e o grau de estabilidade financeira.

 

A supervalorização resultou em uma série de investimentos direcionados a iniciativas promissoras do ponto de vista tecnológico, mas altamente instáveis e, em muitos casos, sem viabilidade econômica comprovada.

 

Os diversos aportes resultaram em prejuízos substanciais, e a reputação da área de inovação da instituição foi duramente afetada, gerando desconfiança junto aos influenciadores internos e externos.

Construtora: Falha na integração regulatória e projetos inviáveis

 

Uma construtora implementou um sistema inteligente para seleção de projetos imobiliários na expectativa de maximizar o retorno e reduzir os riscos.

 

A proposta inicial era desenvolver um sistema que deveria considerar as variáveis de mercado, os aspectos urbanísticos e as condições legais vigentes.

 

Devido à integração inadequada com as bases de dados de órgãos municipais e à ausência de atualização periódica das informações, o sistema não reconheceu as alterações recentes nas legislações locais, como restrições à construção, exigências ambientais e mudanças em zoneamentos.

 

Consequentemente, a ferramenta recomendou projetos que, embora rentáveis sob perspectiva financeira, eram inviáveis juridicamente ou urbanisticamente.

 

O erro só foi identificado após o início das etapas preparatórias de alguns desses empreendimentos, resultando em cancelamento de projetos, prejuízos financeiros e desgaste junto a parceiros e autoridades públicas.

 

O caso evidenciou a importância da atualização constante e da integração eficaz com fontes regulatórias.

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