quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Inadimplência e golpes digitais

A elevada inadimplência no Brasil costuma ser explicada por especialistas econômicos por fatores como juros altos, crescimento das apostas on-line, baixa educação financeira e elevado endividamento do setor público.

 

No entanto, essa leitura permanece incompleta quando ignora o impacto dos golpes digitais sobre a renda das pessoas e a capacidade de pagamento das famílias.

 

Quando criminosos esvaziam contas bancárias, comprometem a renda imediata das vítimas e as empurram para modalidades caras de crédito, como o cheque especial. Esse endividamento emergencial não representa crescimento patrimonial; ao contrário, aprofunda a fragilidade financeira das famílias e aumenta o risco de inadimplência.

 

A mesma lógica se aplica às empresas em recuperação judicial ou extrajudicial no Brasil. Embora especialistas econômicos apontem a alta taxa de juros e o elevado endividamento público como fatores centrais, a análise permanece incompleta quando ignora o impacto de ataques de ransomware sobre o caixa das companhias, inclusive os custos de resgate, paralisação operacional e recomposição dos sistemas.

 

Golpes digitais e ataques de ransomware vêm crescendo tanto em número de ocorrências quanto em volume financeiro movimentado. As perdas já alcançam bilhões de reais e caminham rapidamente para patamares ainda mais elevados, o que torna esse fator relevante para qualquer análise séria sobre inadimplência no país.

 

Por isso, a discussão sobre inadimplência precisa incorporar a dimensão da segurança digital. Sem considerar fraudes, invasões e extorsões tecnológicas, parte importante da deterioração financeira de famílias e empresas continuará fora do diagnóstico econômico.

 

Essa dimensão não se restringe às finanças pessoais e empresariais. Ela também aparece em debates sobre competitividade industrial e gestão de riscos operacionais, nos quais tecnologia, governança e capacidade de execução definem a qualidade das respostas institucionais.

 

Embraer e competitividade internacional

 

A Embraer é uma empresa brasileira que amplia sua presença internacional e exporta cada vez mais para países com elevada capacidade tecnológica. Sua engenharia de desenvolvimento permite que a companhia compita em condições de igualdade com referências globais da engenharia aeronáutica.

 

Não há, neste contexto, indicação de que a Embraer tenha solicitado proteção contra empresas chinesas no Brasil. Ao contrário, suas capacidades corporativas sugerem uma atuação baseada em competência técnica, inovação e inserção competitiva no mercado internacional, sem dependência de mecanismos artificiais de proteção.

 

O caso da Embraer mostra que é possível construir relevância global sem depender de mecanismos artificiais de proteção contra importações. A competitividade sustentável nasce de capacidade técnica, inovação e inserção internacional consistente, não de barreiras que apenas preservam ineficiências setoriais.

 

É possível ser grande e representativo sem a necessidade de artifícios artificiais de proteção contra importações que alguns setores da indústria brasileira tanto pedem.  

 

Reconhecimento facial e gestão de acessos

 

Em uma conversa informal no último feriado, identifiquei um problema relevante: soluções de reconhecimento facial em edifícios residenciais e comerciais podem estar operando sem manutenção adequada de seus bancos de dados.

 

Os cadastros de moradores em edifícios residenciais e de funcionários em edifícios empresariais nem sempre são atualizados quando um morador deixa o condomínio ou quando um funcionário é desligado da empresa.

 

Na prática, pessoas que já não pertencem à comunidade continuam com acesso às instalações, o que cria uma vulnerabilidade relevante no sistema de segurança.

 

É difícil de acreditar que uma solução que exigiu investimentos elevados está ganhando vulnerabilidades apenas porque inexiste um sistema de gestão efetivo da ferramenta.

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