Foi revelado pelo Observatório da Produtividade da FGV mostram que a Produtividade Total dos Fatores (PTF) cresceu apenas 0,3% ao ano entre 1981 e 2019. Fonte: Produtividade e crescimento sustentável, https://www1.folha.uol.com.br/colunas/roberto-campos-neto/2026/01/produtividade-e-crescimento-sustentavel.shtml?utm_source=sharenativo&utm_medium=social&utm_campaign=sharenativo, acessado em 02/06/2026.
Foi revelado
no estudo do IBRE/FGV que entre 2019 e 2024, o crescimento da produtividade por
hora trabalhada foi de 0,28% ao ano. Fonte: Por que a produtividade do trabalho
no Brasil está estagnada, https://noticias.unb.br/artigos-main/7926-por-que-a-produtividade-do-trabalho-no-brasil-esta-estagnada.
Diversos
estudos confirmam que a produtividade do trabalho realizado pelo brasileiro vem
crescendo em taxas extremamente baixas nos últimos 40 anos.
Estamos
falando de um período em que o Brasil passou tanto pela revolução do computador,
quanto da internet, quanto do comercio eletrônico, quanto do governo digital,
quanto das moedas digitais etc.
Em 1981
pagar uma conta, fazer uma pesquisa, receber informações sobre um determinado
assunto, fazer uma pesquisa em jornais, revistas, livros etc., fazer uma
pesquisa de preços, procurar um emprego, selecionar um funcionário etc. demorava
muito.
Para os
casos relacionados com pagamentos, a demora era de várias horas e para os casos
de pesquisa, informações etc. a demora era de diversos meses ou anos.
Em 2024,
estas atividades demoram apenas alguns segundos, ou seja, o país está claramente
em um momento amplo, geral e irrestrito de disponibilidade de recursos digitais
de alta performance.
Em um cenário
de facilidade de acesso aos recursos que eliminaram o desperdício de tempo e
dinheiro como explicar um nível pífio para o crescimento da produtividade.
Muitos
olham para o fenômeno e vaticinam que o problema é falta de qualificação dos trabalhadores
brasileiros. No entanto, todos os estudos sobre qualificação reconhecem que o nível
educacional dos brasileiros cresceu com boa intensidade nos últimos 40 anos, ou
seja, existe espaço para melhorar a qualificação dos profissionais, mas não é
ela o gargalo do baixo crescimento da produtividade.
Se olharmos
com atenção, vamos descobrir que no Brasil processos realizados em 1981 ainda
estão sendo realizados em 2026 com um nível mínimo de mudanças.
Vou destacar
um dos casos mais gritantes que eu conheço. Quando uma pessoa vai ao médico em
diversos casos ela recebe uma receita em papel sobre exames que ela deve
realizar.
Já existem
tecnologias para receitas em formato digital, mas ainda faz parte do nosso dia
a dia as receitas em papel carimbadas e assinadas pelo médico.
Nota
mental, em função da elevada quantidade de receitas furtadas, roubadas,
falsificadas etc. não seria o caso de deixar a tecnologia obsoleta do papel e
migrar para a modernidade da receita digital?
Voltando ao
foco do assunto em pauta. O paciente agenda em um laboratório a realização dos
exames e a clínica solicita que ele envie a receita.
No dia do
exame, o paciente vai até a clínica com a receita original e gasta algumas
horas (em alguns laboratórios são muitas horas) apenas para reapresentar as
mesmas informações enviadas e assinar um papel (analógico) reconhecendo que entendeu
as regras para a realização dos exames.
É mais um
papel que será digitalizado no futuro ou armazenado em um arquivo físico gerando
custo e manutenção para o laboratório sem gerar benefício operacional.
No final
do processo, o paciente sai da clínica com os resultados dos exames em papel
para que eles sejam avaliados pelos seus médicos.
Em muitos
casos o histórico da evolução do paciente é de difícil apuração pelos médicos
(ou consome muitas horas), pois os papeis analógicos dos resultados dos exames são
perdidos com o passar do tempo.
As tecnologias
de receituário e prontuário eletrônicos estão disponíveis para o setor de saúde
brasileiro, no entanto, muitos estão executando processos de 1981 em 2026.
Apesar do
exemplo na área da saúde, ela não é a única que executa processos de 1981. Nós
encontramos tais distorções no setor financeiro, no varejo, no governo, na indústria
etc.
Quando um
cliente recebe uma conta com quinze dias de atraso em relação ao seu vencimento,
isto significa que todo o trabalho realizado pela cadeia produtiva é apenas um
custo inútil, ou em outras palavras, produtividade negativa.
Quando
uma firma de grande porte implanta um sistema digital sem a participação dos
usuários, ela está executando um processo de 1981 e gerando custo sem benefício
algum para a organização e para os seus clientes.
Já passou
da hora de olhar a produtividade apenas na ótica do nível educacional dos
trabalhadores. É preciso executar os processos com olhos nas tecnologias
existentes em 2026.
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