A adoção de sistemas inteligentes voltados à seleção de projetos e investimentos, embora repleta de potencialidades, tem apresentado desafios expressivos, especialmente no que se refere à sua implementação e operacionalização.
Multinacional
do Setor Energético: O viés dos dados históricos
Nesta
corporação de grande porte, o objetivo era automatizar o processo de seleção de
projetos de expansão por meio de um sistema inteligente baseado em aprendizado
de máquina.
O
desenvolvimento envolveu a integração de bases de dados internas e externas,
com o intuito de criar um mecanismo capaz de identificar as oportunidades
estrategicamente vantajosas.
No
entanto, o modelo foi treinado predominantemente com dados de projetos
anteriores, concentrados em regiões já saturadas e de perfil similar ao das
iniciativas passadas.
Tal
escolha levou a um viés significativo: o sistema passou a recomendar,
sistematicamente, investimentos em setores e áreas geográficas de retorno
decrescente, ignorando novas possibilidades e tendências emergentes.
O
resultado foi a priorização de projetos considerados de baixo retorno
financeiro e elevado risco operacional.
Após a
identificação do viés, foi necessário reestruturar o modelo e a base de dados,
ocasionando atrasos e custos adicionais para a empresa, além de danos à imagem
da área de inovação.
Instituição
Financeira: Supervalorização de setores disruptivos e prejuízos
Uma
instituição financeira de médio porte, buscava aprimorar a análise e
priorização de investimentos em empresas iniciantes usando um sistema
inteligente desenvolvido por consultoria especializada.
O sistema
foi parametrizado para identificar oportunidades em segmentos tecnologicamente
avançados, como inteligência artificial, fintechs e biotecnologia.
No
entanto, a lógica adotada desconsiderou os aspectos relacionados com o elevado
nível de incerteza do mercado e com o grau de maturidade das empresas
iniciantes.
Os
algoritmos supervalorizaram as empresas em setores disruptivos, sem filtros
adequados para os riscos, o histórico de gestão e o grau de estabilidade
financeira.
A
supervalorização resultou em uma série de investimentos direcionados a
iniciativas promissoras do ponto de vista tecnológico, mas altamente instáveis
e, em muitos casos, sem viabilidade econômica comprovada.
Os
diversos aportes resultaram em prejuízos substanciais, e a reputação da área de
inovação da instituição foi duramente afetada, gerando desconfiança junto aos
influenciadores internos e externos.
Construtora:
Falha na integração regulatória e projetos inviáveis
Uma
construtora implementou um sistema inteligente para seleção de projetos
imobiliários na expectativa de maximizar o retorno e reduzir os riscos.
A
proposta inicial era desenvolver um sistema que deveria considerar as variáveis
de mercado, os aspectos urbanísticos e as condições legais vigentes.
Devido à
integração inadequada com as bases de dados de órgãos municipais e à ausência
de atualização periódica das informações, o sistema não reconheceu as
alterações recentes nas legislações locais, como restrições à construção,
exigências ambientais e mudanças em zoneamentos.
Consequentemente,
a ferramenta recomendou projetos que, embora rentáveis sob perspectiva
financeira, eram inviáveis juridicamente ou urbanisticamente.
O erro só
foi identificado após o início das etapas preparatórias de alguns desses
empreendimentos, resultando em cancelamento de projetos, prejuízos financeiros
e desgaste junto a parceiros e autoridades públicas.
O caso
evidenciou a importância da atualização constante e da integração eficaz com
fontes regulatórias.